O Último Rei da Escócia

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Direção: Kevin Macdonald.
Elenco/Vozes: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBourney.

Quem não assistiu a esse filme antes do Oscar e outras premiações foi, assim como eu, enganado. Fomos levados a crer que tratava-se meramente de um filme com uma estupenda atuação de Forest Whitaker (Quarto do Pânico, Platoon), em sua personificação do ditador africano Idi Amim, de Uganda. Já assisti a muitos filmes apenas para ver atuações marcantes, e dependendo do ator pode ater valer a pena. Mas essa não é a realidade do excelente O Último Rei da Escócia, que apesar de ter de fato a atuação mais marcante do ano (quem sabe da década), possui muitos outros pontos positivos à altura do gigantesco Whitaker.

O filme toma uma perspectiva bem inusitada, trazendo um clima especial para o filme. Se não fosse pelo rosto estampada do General Amim no pôster do filme ou o conhecimento geral que temos sobre a história do ditador, ficaria difícil saber que se trata de uma história sobre as barbaridades do continente africano. O filme foge totalmente a linha de dramas como Hotel Rwanda, possuindo um clima leve e irônico no ar, muitas vezes até cômico. O diretor Kevin MacDonald, aclamado documentarista, busca não focar exclusivamente na parte histórica e pesada da trama, mas sim destacar o lado humano de todas as personagens e centrar a história no fictício Nicholas Carrigan, jovem médico escocês muito bem interpretado por James McAvoy (Band of Brothers).

E é exatamente a personagem do médico que traz um bom ar ao filme. Conhecemos mais sobre ele do que sobre o próprio ditador, acompanhamos toda a sua aventura e sofremos com seus erros e tensões. O estilo um tanto irreverente, despreocupado do escocês é trabalhado durante a história, e torna-se um fato importante para aproximação dele com o General Amim. O filme conta desde a sua decisão de ir para a África até o complicado final da sua história no país de Uganda. E conta a sua amizade com Idi Amim, que se inicia após Nicholas assistir, junto a personagem de Gillian Anderson (Arquivo X), a um discurso do novo presidente. Ao tratar medicamente Amim numa situação inusitada, agir de forma destemida mesmo na frente do exército, e finalmente contar-lhe que é escocês, Nicholas acaba chamando a atenção do General, que rapidamente o influencia a se tornar médico particular do presidente, e a largar o trabalho que estava fazendo por uma vida de nobreza como amigo e conselheiro pessoal de Amim.

A partir daí o filme centra nas duas personagens, Amim e Nicholas, e trabalha intensamente o relacionamento entre eles e as suas personalidades. Vemos um lado bem humano do ditador, muitas vezes infantil e engraçado, outras vezes inconseqüente. Nesse momento as tensões aumentam, o clima fica bem mais pesado, e pouco a pouco o General Amim mostra seu senso de egocentrismo e abuso de poder. Enquanto isso o médico se envolve em diversas situações, como traições e influências políticas. Até que as verdadeiras intenções do ditador ficam mais claras, e a vida do próprio Nicholas, cada vez mais preso àquele país e ao próprio Amim, passa a correr perigo.

Apesar do tema sério e pesado que o filme trata, a visão humana que foi proposta para o drama foi certamente um ponto forte. Esquecemos o tão comum maniqueísmo, e passamos a conhecer os lados opostos dos protagonistas e antagonistas. Acompanhamos as inúmeras falhas do médico escocês, que com seu estilo também inconseqüente acaba trazendo infortúnio para muitas pessoas próximas a ele. E vemos também o melhor lado do General, sua admiração pela cultura escocesa, seu lado bem humorado e amigo, sua honra e dedicação. Trata-se de um excelente e honesto filme sobre seres humanos. Numa das cenas mais emocionantes do cinema recente não é por sofrimento e dor que vemos lágrimas serem derramadas, mas por amizade e compaixão. As lágrimas são do próprio ditador.

Bodão

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Tropa de Elite

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Direção: José Padilha.
Elenco/Vozes: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda Machado, Maria Ribeiro, Fernanda de Freitas, Milhem Cortaz, Suzana Pires, Paulo Vilela e Fábio Lago.

Lá vem o Brasil em busca do Oscar de filme estrangeiro, e o carro chefe provavelmente deve ser esse mesmo. Pena que o filme vazou antes de chegar ao cinema, inclusive vazou pela empresa que estaria colocando as legendas em inglês. Tanto, que a versão que corre solta por ai, que inclusive eu vi, está com cara pra gringo ver, além de mal acabada. Sinceramente eu acho que esse polêmica toda deve gerar mais bilheteria que o normal, eu mesmo vou ver novamente no cinema (eu já vi duas vezes).

Já soube até que rolou ou tá rolando umas apresentações em São Paulo, isso porque o Oscar exige que o filme seja apresentado nos cinemas até no máximo no final de Setembro (desculpem a falta de precisão e de fonte de notícias). Só espero que depois de toda essa confusão e polêmica o filme volte a ser comentado e badalado pelo motivo certo, que é seu excelente roteiro, montagem, edição e atuações. É isso mesmo, mais um “Cidade de Deus” produzido pelo cinema brasileiro, nas suas devidas proporções.

O filme tem um ar de documentário, e o roteiro é baseado em depoimentos de pessoas que fizeram ou fazem parte do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE. A história gira em torno do Capitão Nascimento, vivido de forma impecável por Wagner Moura (é, o Olavo da novela), sua rotina na polícia, em casa, treinamentos e na tensão e estresse vivido pelos participantes dessa polícia, dita no filme como “melhor” que o exército israelita. Na verdade o BOPE nem deveria ser considerado um tipo de polícia, é realmente um exército em ação. Não tem como negar um certo orgulho e patriotismo ao ouvir tantos elogios e cenas que exaltam o tal esquadrão de elite, mas o outro lado da história é um verdadeiro tapa na cara da sociedade brasileira. A final de contas de quem é culpa pela situação?

Essa, e outras perguntas são respondidas e bem explicadas numa sequência de cenas marcantes durante todo o filme. Talvez até seja injustiça minha citar uma única cena, além de estragar o impacto que vai causar em quem não assistiu ainda. Não posso deixar de falar também no diretor José Padilha, responsável também pelo excelente documentário Ônibus 174, que dirige de forma brilhante, dando uma aula pra esses diretores de novela que insistem em fazer filmes (Olga), apesar de uma insistência, acredito que proposital para dar ar de documentário, em mostrar muito os rostos dos atores. Mas quando abre o plano o faz com maestria, retratando uma fotografia totalmente condizente com o filme.

A polêmica da pirataria tá solta, mas o reflexo vamos ver no cinema, e eu não sou hipócrita de pedir pra você não ver a versão pirata, porém acho que vale a pena ir ao cinema, nem que seja pra prestigiar, além do fato que essa versão pirata não estava bem finalizada, e segundo o próprio diretor, existem mudanças significativas da versão que vai ao cinema, inclusive mensurável: 1 milhão a mais.

Os Simpsons – O Filme

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Direção: David Silverman.
Elenco/Vozes: Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer, Hank Azaria, Marcia Wallace, Tress MacNeille, Pamela Hayden, Philip Rosenthal, Albert Brooks, Russi Taylor, Maggie Roswell, Tom Hanks, Joe Mantegna, Billie Joe Armstrong, Tre Cool e Mike Dimt .

Poucas coisas são tão geniais e legais como Os Simpsons. Não é atoa que a coisa já dura tanto tempo. Só pra ter uma idéia já fechou a 18ª Temporada, impressionante. Se me permitem, eu gostaria de comparar Matt Groening e Tolkien, pois ambos criaram um mundo novo, e preencheram de personagens interessantes, respeitando obviamente as proporções e o que chamei de “interessante”, são veias diferentes, claro. Ao conhecer Simpsons, Malvados, South Park, eu me senti burro por não ter uma idéia genial desse tipo, pois apesar de serem engraçados e controversos, não devem ser tão difícil imaginar situações do gênero. Mas eu acho que é ai que se encontra a genialidade, que é fazer algo óbvio que ninguém fez ainda, simplesmente fantástico.

Quando alguém fala que “o filme foi só mais um episódio comprido” pode até soar como um desmerecimento para muitos gêneros (eu mesmo falei isso de Os Normais), mas nesse caso é um baita elogio, pois é a continuação do sucesso, uma fórmula que dá certo e não ia surpreender negativamente ninguém. É sim, só mais um episódio mais demorado, mas é genial, fantástico e todos os adjetivos de sempre. Dá até pra notar um capricho a mais nos traços, e não podia ser diferente, tinha que ter um diferencial.

Quer saber do roteiro? Isso é o de menos, vá curtir os amarelões sem medo. O Homer continua o mesmo, e ainda tem muito a nos ensinar. Assista até os créditos, a final de contas “todos deram um duro danado” e não custa prestigiá-los.

O Ultimato Bourne

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Direção: Paul Greengrass.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney, Paddy Considine e Edgar Ramirez.

Cinco anos atrás, quando o Identidade Bourne foi lançada, todos sabiam que uma grande série de ação policial e espionagem estava a caminho. De lá para cá, não apenas o esperado tornou-se realidade, como os filmes ficaram constantemente melhores – melhor ação, melhores atuações, cenas mais emocionantes. Tudo impressionantemente, e surpreendentemente, melhor. Destaco isso porque não é fácil para um filme desse estilo superar e impressionar tanto. Vivemos em uma época encharcada de filmes com grandes pretensões e baixíssima qualidade. Chegamos a um ponto em que o filme de ação foi banalizado, sendo a maioria dos recentes lançamentos imersos em mentiras, exageros e falhas técnicas.

Pois em todos esses pontos a trilogia foge do padrão, levando bem a sério a adaptação dos excelentes livros do escritor Robert Ludlum. Temos uma produção impecável, excelentes atuações (e elenco, o que certamente ajuda), cenas convincentes e bem trabalhadas, uma história coerente e envolvente. No primeiro filme, Identidade, conhecemos o personagem Jason Bourne e acompanhamos toda a sua jornada em tentar reaver sua memória e entender seu passado. A partir daí, indo contra a tendência da maioria das continuações, o filme adquire ainda mais qualidades, juntando tudo que havia de melhor no primeiro e trazendo mais dinamismo e emoção às cenas.

Boa parte dessa constante melhoria deve-se a entrada em cena (ou por trás dela) do diretor Paul Greengrass, vindo do mundo do cinema independente e nomeado ano passado ao Oscar por Vôo United 93. Ele consegue, tanto em Supremacia (2004) como no Ultimato Bourne, trazer um realismo inigualável, empurrando de forma surpreendente o espectador no meio da trama. O diretor tem uma visão única, colocando cenas realmente imersas na ação, sempre muito rápidas e intrigantes (até mesmo confusas), mas com isso criando um nível de interação com o público que certamente revolucionará o estilo.

Mais ainda no terceiro do que na Supremacia, o espectador é levado bruscamente para ação. O filme começa com um cena conturbada no mesmo túnel em que O Supremacia Bourne termina, dando a impressão dos dois últimos terem sido filmados em seqüência, apesar dos óbvios três anos de separação entre os lançamentos. Rapidamente estamos com a trama principal montada, acompanhando Bourne nos seus últimos passos, reavendo antigos personagens e também conhecendo alguns novos. Ele está decidido a ir mais a fundo do que nunca na sua história, e acabar de uma vez por todas com esse mistério que lhe persegue.

Se na Supremacia Bourne ele declara guerra definitiva a todos que participaram da sua criação, é no Ultimato que essa guerra finalmente toma forma, todas as peças se encaixam. E muitas das características que garantiram o sucesso da série estão ainda melhor utilizadas agora. As atuações estão mais fortes e marcantes, como a do próprio Matt Damon, conseguindo mais uma vez demonstrar muito bem os dois lados opostos do personagem – um lado frio, treinado para matar e agir sem hesitar, e outro bem mais humano, buscando fazer o que seria certo, e outros destaques como a já consagrada atriz Joan Allen e o ótimo David Strathairn. As cenas de perseguição estão ainda mais intrigantes, feitas cada vez mais em ambientes vivos, como a estação Londrina ou as ruas do Marrocos, onde fica claro que a intenção do diretor é mostrar dinamismo e realidade na cena, evitando uma preparação ou repetição em excesso que muitas vezes torna a seqüência superficial. O desenvolvimento da história, desvendando finalmente os mistérios que assombravam não apenas a Jason, mas a todos nós espectadores. Tudo está primoroso.

Se existem defeitos em Ultimato Bourne, ou nos dois primeiros filmes da série, estes são letalmente apagados pela ação frenética e contagiante da trama. Pequenos detalhes, como cenas em que não se vê tanta coerência nas ações, rivais que nem sempre continuam com os mesmo ferimentos, e seqüência que de tão rápidas e confusas não convencem, são facilmente cobertos pela excelente história e pelas intrigantes cenas de ação do filme. Uma das séries mais importantes dos últimos anos, e um final para se ver e rever sem hesitar.

Bodão

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O Cheiro do Ralo

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Direção: Heitor Dhalia.
Elenco/Vozes: Selton Mello, Silvia Lourenço, Flavio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Susana Alves.

A culpa é sempre do maldito e fedorento ralo. Tá sentindo o cheiro? Não sou eu, é o ralo. Não, eu não sou frio, ganancioso, é só minha profissão que exige. Mulher implica em problema, e quando você menos espera os convites estão na gráfica. Eu prefiro viver só, consumir, pagar e dar o fora. Lógico que eu gosto de bunda, mas bunda paga. E o maldito cheiro continua, maldito ralo, é sempre culpa dos ralos.

Essa é a insana e inteligente premissa do filme. O Cheiro do Ralo surge como uma luz no fim do túnel para mudar, pelo menos de vez em quando, o ritmo do cinema brasileiro. Esse Selton Melo é corajoso e admirável, capaz de sair da fama dos personagens engraçados dos filmes anteriores, e mergulhar fundo num personagem mais sombrio, complexo e controverso. Selton vive Lourenço, um comprador de objetos usados de pessoas desesperadas por dinheiro. Os mais variados tipos de pessoas frequentam a loja de Lourenço e participam desse jogo cruel feito por ele, onde não importa muito nem as pessoas nem o valor das coisas que estão lá para vender.

Misture a essa diversidade de tipos de pessoas, um humor negro e um cinismo exacerbado que rende boas risadas para quem gosta do gênero. Interessante que os personagens nem precisam de nomes, pois acabam sendo associados a algo tão específico, se tornando a própria coisa, como por exemplo, a noiva, a drogada, a prostituta, a dona da bunda. Que por falar em bunda, ela é a responsável pelo início da transformação estilo Taxi Driver, como disse o próprio Selton. E realmente tem suas semelhanças, pois temos um cara frio, sem sentimento, que acaba se envolvendo com a dona da bunda, e ai se dá início o surto de Lourenço. Tudo sempre com a referência simbólica do ralo.

O filme é baseado no livro do Lourenço Mutarelli, que inclusive faz o personagem Segurança da loja do, não por acaso, Lourenço (Selton). Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas espero ler quando eu conseguir terminar todos esses livros inacabados que eu insisto em começar. Enfim, temos mais uma prova de que uma idéia boa e uma câmera na mão pode render um bom filme, apesar das dificuldades financeiras, fica comprovado que é possível fazer um cinema descente nesse país. O Cheiro do Ralo é uma idéia daquelas de dar inveja, é simples e poderoso, servindo como crítica a muita coisa, principalmente a si próprio, já que a culpa não é sua, mas sim do cheiro do ralo, do vizinho, do carro da frente, do seu chefe, da sua faxineira…

Sunshine - Alerta Solar

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Direção: Danny Boyle.
Elenco/Vozes: Rose Byrne, Cliff Curtis, Chris Evans, Troy Garity, Cillian Murphy, Hiroyuki Sanada, Mark Strong, Benedict Wong, Michelle Yeoh.

Na linha do tempo da ficção científica temos os marcos: 2001 – Uma Odisséia no Espaço, depois Star Wars IV e Matrix mais recente. Muita coisa mudou da percepção sobre o tema. Não entendam mal, eu gosto de 2001, mas convenhamos que tem coisas mais-do-que-chatas. Queira ou não, é um divisor de águas, aclamado e duramente criticado é o nosso ponto de partida. George Lucas já está eternizado com os 6 filmes dele, fez uma obra-prima, colocou ação no gênero. Lucas nem precisava fazer mais nada, vai acabar se complicando com umas direções desastrosas. Matrix foi a última revolução do gênero, misturando filosofia, computadores e ação, simplesmente perfeito.

É com essa base histórica que surge Sunshine, indiscutivelmente “inspirado” em 2001 em alguns aspectos, que acaba vindo junto coisas boas e coisas ruins, mas tendo uma certa preocupação em não ser tão monótono e filosófico como sua “musa”. A premissa do roteiro é que o Sol está se apagando, e com ele a Terra não duraria muito, o que faz o maior sentido. A missão espacial é reacender o Sol (!), e para isso uma tripulação fica responsável por essa tarefa. Essa á a segunda missão arquitetada para resolver esse problema, pois a primeira, Ícaro I, perdeu a comunicação com a Terra, e aparentemente não atingiu seu objetivo. É a vez da Ícaro II entrar em ação.

Gostei muito do roteiro bem amarrado, da preocupação com os detalhes, e não se amarrou com datas para justificar o futuro, e sim com ações. Quando, por exemplo, no momento que um dos tripulantes precisa fazer um conserto fora da nave, e fica nervoso, um outro tripulante tenta acalmar dizendo: você já fez isso centenas de vezes na órbita da Terra. Comprovando obviamente que para atingir um objetivo como ir até o Sol era preciso ter um conhecimento bem maior do que temos hoje. Outro ponto interessante é a presença de asiáticos, cada vez mais firmados como um povo de tecnologia de ponta, e em constante evolução.

Um fato bem interessante, e que merece elogio, é a presença de um tripulante psicólogo. Imagine a sensação de chegar perto do Sol, o que não pode causar na mente de uma pessoa? A tripulação só sonha com o Sol. E o papel do psicólogo é tão essencial como um físico, ou a especialista em botânica. Realmente uma ótima sacada. Apesar de todos os elogios o filme tem suas falhas, que é copiar o lado chato e burocrático de 2001, e além disso, algo que talvez nem seja falha, o filme não tem um protagonista bem definido, isso até o finalzinho do filme. O papel principal é dividido aos poucos entre os tripulantes da Ícaro II, o que não é convencional, mas pra mim fez falta. Contudo, temos uma boa ficção científica, bem fundamentada, que inclusive tem a ousadia de mudar totalmente o rumo para um final pouco convencional, e acaba virando um filme tenso e de suspense (vale lembrar a repetição da dupla Danny Boyle e Cillian Murphy em Extermínio).

O Bom Pastor

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Direção: Robert DeNiro.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Angelina Jolie, Alec Baldwin, John Turturro, Billy Crudup, Robert DeNiro, Michael Gambon, William Hurt, Joe Pesci.

Dentre os destaques do ano passado, esse foi um dos únicos que demorei a ver. Houveram algumas críticas negativas (oficiais e de amigos), o que acabou influenciando-me a não vê-lo com tanta pressa e expectativa, mas algo me dizia que eu não me arrependeria de assistir a este filme. Agora em DVD tive a oportunidade de assisti-lo, e não poderia deixar de registrar algumas palavras sobre este bom filme.

Antes de mais nada, não conhecia o trabalho de diretor de DeNiro, que tinha apenas um filme dirigido de fato por ele, e confesso ter me surpreendido. Desde o início vemos que ele conseguiu definir um estilo sério, com cenas fortes e intrigantes. Com isso ele conseguiu ser um pouco mais realista e artístico do que muitos dos diretores da atualidade, deixando alguns traços de filmes noir e dando um clima mais seco, sem exageros de emoção.

Na trama, Matt Damon interpreta Edward Wilson, um estudante de Yale que acaba ingressando na sociedade secreta Skulls & Bones, se destaca por diversas vezes como um excelente aluno, e é chamado para trabalhar na OSS, agência de inteligência americana na Segunda Guerra. Mostrando cada vez mais sua capacidade de contra-inteligência (espionagem) e sua esperteza, acaba crescendo em importância na carreira e se tornando um dos primeiros a fazer parte da recente criada CIA. O filme retrata diversos momentos da vida de Wilson, como a morte de seu pai ainda na infância, dois romances de sua vida, sua relação com seu filho e, finalmente, sua situação atual na CIA, participando de um visível fracasso na operação “Baía dos Porcos”, em Cuba. Durante este tempo, reveza o foco entre a capacidade e comprometimento do personagem com o seu trabalho, e seus defeitos pessoais, muitos deles agravados pela dedicação ao seu país.

O filme conta ainda com um excelente elenco, que é certamente o seu maior destaque. Ver Matt Damon em um convincente papel (apesar de frio demais), Angelina Jolie em uma ótima interpretação (a melhor dela em anos), e tantos outros excelentes atores (como o ótimo e envelhecido Joe Pesci) é o melhor ponto do filme. Mas é também no elenco que o filme apresenta seus primeiros erros. A dificuldade em envelhecer Matt Damon acaba deixando o filme confuso e algumas vezes irreal, e o fato do personagem principal ter tão pouco carisma pode deixar o filme sacal para muitos.

Ainda nos erros do filme, existe um mais marcante: a edição. Infelizmente esse ponto prejudicou-o seriamente, pois muitas cenas não estão bem posicionadas, existe um certo excesso de idas e vindas no tempo, e ainda por cima o filme é longo demais - são 2 horas e 40 minutos de filmes, pelo menos 30 minutos a mais do que o necessário. Mas isso não comprometeu por completo o filme, pois não deixa de ser um ótimo thriller de espionagem, altamente inteligente e intrigante, forçando o espectador a se envolver na trama, raciocinar e indagar em muitos momentos para acompanhá-la. Sendo razoavelmente inspirado em personagens e fatos reais (Edward Wilson é baseado em um agente verídico da CIA, assim como alguns outros personagens), é um daqueles filmes que nos dá vontade de pesquisar mais sobre o que aconteceu e quem realmente existiu, retratando ainda diversos momentos cruciais como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil.

Tem para mim tudo que um bom filme precisa ter, deixando algumas falhas mas que podem ser superadas. Boas atuações, uma história completa e convincente, muitas tramas e conflitos entre os personagens, surpresas constantes e uma emoção sutil, mas realista. Alguns personagens bem trabalhados, trechos históricos amplamente retratados, e uma direção que foge a mesmice de Hollywood. Pode não ser uma boa pedida para quem não suporta filmes lentos e detalhistas, mas é uma boa sugestão para quem gosta de filmes do gênero, e seria excelente não fosse pelo trabalho de edição e pela extensa duração.

Bodão

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Duro de Matar 4.0

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Direção: Len Wiseman.
Elenco/Vozes: Bruce Willis, Timothy Olyphant, Maggie Q, Justin Long, Jeffrey Wright, Mary Elizabeth Winstead, Andrew Friedman, Cliff Curtis, Maggie Q.

Bem que poderia ser Duro de Assistir. Sem dúvida alguma o pior filme que eu vi esse ano, disparado o pior. E olha que eu tenho até certo carinho, apesar de não lembra mais de nada, do primeiro filme da série. Mas não deu, foi duro, difícil, um problema que eu tive que dividir pra terminar. Pra eu não assistir um filme de uma só vez, ou é muito ruim ou eu estou exausto, muito exausto.

Um caldeirão de clichês, explosões, coisas sem nexo, história batida, e mais um monte de defeitos que podem ser apontados pelo menos exigente cinéfilo. Resumidamente isso é Duro de Matar 4.0. Um filme que você não acredita que gastou seu tempo pra assistir, mas já “pagou o ingresso” e agora é ir até o fim, antes que a paciência acabe.

O que me admira é ver Bruce Willis entrar numa roubada dessas. Eu até queimei minha língua com Rocky VI, então não custava nada dar uma chance ao careca. Mas foi um fiasco, e é triste ver Bruce Willis aceitando um projeto desse nível, visto que de grana ele não deve precisar, então poderia aprender com Jack Nicholson sobre como envelhecer bem no cinema.

E para total azar do filme, a grande trama fala sobre computadores, hackers, invasões, etc. Azar porque eu conheço um pouco dessa área, e de definitivamente, nem o mais futurista, apesar do filme ser no presente, poderia imaginar um cenário como o exibido. Onde adolescentes com computadores na mão conseguem criar o caos absoluto nos EUA. Um simples dedilhar apagava a luz de todos os EUA, outro dedilhar e acessa a câmera do elevador de um prédio, meu medo era que alguém digitasse CTRL ALT DEL.

Desde o início do filme você já sabe o final, então é só esperar e ver. Filme burocrático feito repartição pública, longe do humor sarcástico do primeiro filme, cenas de ação desconexas até com a própria mentira, se é isso é possível, foi duro, de assistir, de matar, de escrever essa resenha, dureza. Só resta deixar como sugestão a criação da categoria Zero para número de Estrelas na nota.

300

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Direção: Zack Snyder.
Elenco/Vozes: Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro.

Não é preciso ser fã de quadrinhos para saber que bom momento vive o cinema no que diz respeito à HQ’s e super-heróis. Após tantos fiascos por tantos anos, vemos uma leva de filmes que constantemente surpreendem. Frank Miller, criador de 300 e também de Sin City – que revolucionou estas adaptações -, é um dos responsáveis por esta evolução, e seu último filme é talvez o melhor e mais impressionante do estilo.

Mas não vamos creditar tudo a Miller. São tantos acertos que fica impossível não destacar o incrível trabalho da equipe cinematográfica. Desde a primeira cena de 300 vemos como conseguiram criar um mundo com tal perfeição que, muitas vezes, nos perguntamos se estamos realmente assistindo a um filme. Não seria um quadrinho? Não seria uma animação? Ou estamos de fato na mística Grécia de Miller, 480 anos antes de Cristo? Estas são perguntas que serão comumente feitas durante a incrível experiência de 117 minutos que o filme proporciona.

E o magnífico trabalho surpreende ainda mais quando analisamos alguns fatos. Zack Snyder é um diretor que não poderia ser menos adequado ao épico em questão - com pouca experiência no cinema, tinha apenas um filme sobre zombies como garantia do seu trabalho. Gerard Butler, após receber críticas com seu difícil papel em Fantasma da Ópera, e ter participado de fiascos como Linha do Tempo, não parecia ter nome para levar o papel principal do filme. E mesmo Rodrigo Santoro, cujo personagem foi criticado antes e depois da exibição do filme, poderia ser uma ameaça ao épico. Mas, impressionantemente, a excelência do filme não foi questionada por ninguém desde o momento em que as primeiras cenas foram exibidas, sejam em trailers ou mesmo em quadros na Internet. A fotografia, os detalhes, a emoção, a fidelidade, os personagens. Tudo estava perfeito, quase que hipnotizante.

E vale salientar que não foi preciso um imenso elenco para o filme dar certo, ou milhões de dólares gastos em efeitos especiais. Foi tudo feito de forma enxuta, simples talvez. Esqueça blockbusters, esqueça Hollywood. Não se trata de nada disso. Sin City conseguiu fugir destes fúteis padrões e entregou uma das maiores surpresas de 2005. 300 fez a mesma coisa, e com muito menos. Menos dinheiro, menos elenco (nada de Bruce Willis, Jessica Alba ou Clive Owen), menos tempo. Parece a mágica do cinema europeu: tanto, com tão pouco (seria coincidência Snyder ter estudado em Londres?). E um filme que seria mais uma adaptação das inúmeras excelentes histórias que temos em quadrinhos, torna-se um dos mais importantes e impactantes filmes de uma década.

Não vou me aprofundar tanto nas questões técnicas do filme. Atuações, cinematografia, efeitos especiais, existem muitas coisas boas a serem faladas, mas pretendo resumir tudo isso em dois comentários. Primeiramente, veja o trailer. Se existe um filme que entrega tudo que o trailer promete, e ainda com surpresas positivas, é este. O filme inteiro é uma extensão da sensação que se tem ao ver os poucos minutos revelados. O mesmo entusiasmo ali presente repete-se durante as duas horas, e a incrível história da Batalha de Termópilas (contada com diversas licenças poéticas), ou a sangrenta nação Espartana da época, chegam a ter papéis coadjuvantes perante a imensa experiência visual que o filme proporciona. E o segundo comentário é um pouco mais arriscado: não me surpreenderia ver este filme, lançado no início deste ano e sem maiores pretensões, nomeado e vencedor de Oscars, Globos de Ouro e outros prêmios. Trata-se do filme mais esperado e surpreendente até aqui, digno que qualquer premiação e louvor. Um épico inquestionável, uma adaptação de quadrinhos que beira a perfeição, e um filme, no geral, completo e magnífico. As 5 estrelas mais merecidas dos últimos anos.

Bodão

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Transformers

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Direção: Michael Bay.
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, John Turturro, Kevin Dunn, Bernie Mac, Julie White, Jon Voight e as vozes de Peter Cullen e Hugo Weaving.

A crítica se dividiu. Para alguns é o filme de ação do ano, para outros é um filme para quem sofre de déficit de atenção. Eu como não sou bobo nem nada, prefiro o meio termo. Primeiro porque 300 ainda é o melhor filme de ação do ano, e depois eu não tenho problema nenhum em me concentrar em algo. Aparadas as picuinhas podemos falar um pouco sobre Transformers.

Transformers não tem um roteiro com monólogos existencialistas, também não explica os problemas do mundo, e não vai ajudar em nada matar a fome do universo. Transformers é um filme de Michael Bay, alguém sabe o que isso significa? Eu sei. Portanto não justifica esperar um filme sem explosões. Alguém espera um filme do Mel Gibson sem sadismo?

Transformers é a experiência visual de quem teve a infância assistido as aventuras dos robôs que viravam carros. É a eterna e manjada luta entre o bem e o mal, recheada de clichês, propagandas, mulheres bonitas, e reconhecidamente um roteiro com falhas. E daí? Filme é expectativa, e tem gente que gostou de Pearl Harbor (eu não). E foi então que eu percebi que pra você gostar de algo não precisa ser perfeito, basta saber se você se importa ou não com as falhas que o filme tem (Estranho, acho que isso também serve para seres humanos…).

Ninguém pode negar, mas Transformers tem um visual bacana, é engraçado, tem uma gata de cair o queixo que nem precisa atuar, tem uma história principal legal (ignore as subtramas mal exploradas), tem uma mensagem de fé na raça humana (e isso é sempre legal), as transformações são dignas de elogios, as cenas de ações são de tirar o fôlego (ignore algumas sem foco, com câmera tremida, e muito rápidas). E pode ser pretensão minha, mas eu acho que consigo saber algumas cenas onde tem o dedo do Spielberg (produtor executivo).

Porém, ao invés de notar as qualidades, você pode se apegar na cena que faz propaganda do VISA se preferir, ou se perguntar se uma loira bonita pode ser mais inteligente que os cientistas da NASA. Pode pensar também que não tem sentido robôs gigantes existirem. Pode também ler um crítico famoso e nem ir ver o filme. Pode pensar como um soldado dos EUA não tem o celular do Bush, ou na possibilidade de um soldado com um simples tiro derrubar um robô gigante.

É estranho, mas muitos estão me questionando, “como pode, logo você, que sempre foi tão exigente?”. Como se eu tivesse obrigação de ser um esses metidos que só gostam de filmes ditos de “arte”, como se eu não me divertisse vendo um filme pipoca, como se eu fosse ver um filme com papel e caneta na mão, definitivamente eu não sou assim. Não quero aparecer simplesmente por ser intolerante, na verdade eu prefiro ser como Raul, uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

 
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