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Bastardos Inglórios

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Direção: Quentin Tarantino.
Elenco/Vozes: Diane Kruger, Daniel Brühl, Mike Myers, Michael Fassbender, Julie Dreyfus, Omar Doom, Michael Bacall, Martin Wuttke, Jacky Ido, Til Schweiger, Mélanie Laurent, Brad Pitt, Samuel L. Jackson, Eli Roth, Samm Levine, B.J. Novak, Christoph Waltz, Paul Rust.

Falar do estilo Tarantino é o mesmo que chover no molhado. Tarantino é Pop e Cult ao mesmo tempo, e por isso, qualquer um se sente no direito de explicar as referências utilizadas pelo diretor. Seu estilo diferente vai desde a escolha da fonte nos créditos iniciais até os escalpos arrancados. Tarantino não tem medo de misturar, seja música clássica, faroeste, nazismo e apache. E toda essa mistura, aparentemente sem sentido, gerou mais uma obra-prima do diretor.

Embora com uma filmografia curta, Tarantino corre o risco constante de virar clichê da sua própria obra. Eu mesmo cheguei a pensar “ih, lá vem mais uma história de vingança”. Mas seria uma análise muito rasa, e bastou ver primeira cena para comprovar o quanto eu estava enganado. Um plano espetacular garantia uma fotografia muito bonita logo de cara, e dava o cartão de visitas “ei, Tarantino não é só diálogos”.

Por falar na cena inicial, não que seja uma pegadinha, mas guarde na memória, pois você vai precisar lá no meio do filme. Outra coisa que merece ser citada como espetacular e ainda na primeira cena é o tal do Caçador de Judeu. Que personagem, e que ator. O cara simplesmente dá um show, e rouba a cena sempre que aparece. Óbvio que o Brad Pitt é o protagonista e também não faz feio, e é responsável pelas cenas mais cômicas. Um baita humor negro.

Tarantino abriu a caixa de ferramentas: diálogos geniais (destaque pra comparação entre um rato e um esquilo), trilha sonora bacana como sempre, violência estilizada, roteiro amarrado e inovador. Quem nunca quis tirar escalpos dos nazistas? Hein? Genial, não? Tem por ai um filme do Tom Cruise que ele tem a missão de matar o bigodudo nazista, mas acaba sendo frustrante, pois o roteiro resolve ser fiel à história, e a gente sabe que a missão falhou. Tarantino não respeita sequer a quantidade de litros de sangue que temos no corpo, imagine a pobre e mal contada história. Ainda bem.

Já que o bigodudo nazista se matou quando soube que ia perder a guerra, a nossa única forma de vingança é usando a arte. Filmes e mais filmes foram feitos retratando essa época e as cenas insanas dos berros da criatura, e Tarantino também resolve usar o cinema como arma, obviamente numa forma menos poética da que estamos acostumados a ver.

Uma Prova de Amor

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Direção: Nick Cassavetes.
Elenco: Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist.

Antes de ir ao cinema para ver a produção de Nick Cassavetes (The Notebook), certifique-se de levar duas coisas: água e lenço. Pois “Uma Prova de Amor” (My Sister’s Keeper, no original), baseado no livro de Jodi Picoult, promete fazer com que o espectador fique desidratado ou tenha vontade de doar o quer que seja para ajudar Kate (vivida por Sofia Vassilieva), que sofre de leucemia.

É difícil achar uma cena em que Kate não leve o público as lágrimas. Se por acaso você resistir ao filme sem derramar nenhuma gota, ou você não tem coração, ou está morto por dentro. De um jeito terno e emocionante, a menina vive os problemas de uma adolescente comum, com o agravante de contar que seus dias podem estar acabando

O filme ainda conta com atores extremamente talentosos, que fazem com que você se apaixone perdidamente pelo drama. Cameron Diaz vive Sara, mãe de Kate, que não desiste nunca de buscar a cura para a doença da filha. E após descobrir que junto com seu marido Brian (Jason Patric), e o seu filho não podem doar medula para a filha doente, resolvem fazer inseminação in vitro, para gerar uma nova criança, que seja geneticamente compatível para ser doadora de Kate

E ai que entra em cena Anna, interpretada por Abigail Breslin. A “pequena miss shunshine”, mostra que é muito mais do que apenas um brilho, é na verdade o sol. De um jeito peculiar a menina questiona o fato de ter nascido apenas para ajudar a irmã, e começa a pensar que tem direito a decisões. Já que em 11 anos de vida, viveu apenas para ir ao hospital ajudar a irmã.

O filme guarda muitas outras discusões durante os 109 minutos. E conta ainda com Alec Baldwin e Joan Cusack, que também tem seus problemas dramáticos. “Uma Prova de Amor” é um filme lindo e dramático, que dará a muitas pessoas o que pensar. Não chega a ser brilhante, mas com certeza merece aplausos no fim.

Filipe Cerolim

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Arraste-me Para o Inferno

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Direção: Sam Raimi.
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, David Paymer, Dillep Rao, Chelsie Ross.

Sam Raimi construiu um império cinematográfico, para o bem ou para o mal das pessoas em geral, ele já deixou sua marca no mundo da sétima arte.

A frente de um dos filmes mais cultuados do gênero do terror “Evil Dead” ele conseguiu colocar uma dose extra de respeito em quem pronunciasse seu nome. E desde 1981, ano de produção de Evil Dead, ele vem fazendo filmes com certo grau de reconhecimento, tanto na trilogia desse filme, como na trilogia de Homem Aranha (eu havia dito pelo bem ou pelo mal). Aqui ele tira poeira dos filmes de terror novamente e brinda seus fãs, já cansados de tanta bobagem do gênero nas telas grandes, e faz um obra redondinha, pra matar a saudade dos filmes podreiras que costumavam ser feitos nos anos 80. Aqui a história é bem simples, portanto nem precisamos levar a sério para embarcar num festival de cenas gores, com muitas pitadas de humor.

Christine Brown trabalha numa corretora de empréstimo, namora um cara da cidade grande e está de olhos grandes numa promoção da empresa. Sua vida vai muito bem, até que numa manhã como qualquer outra, aparece Ganush, uma senhora aterradora prestes a perder sua casa. Tudo o que a bruxa velha quer é um empréstimo pra não poder ser despejada e perder a casa. E é aí que Christine vai mergulhar em seu pior pesadelo. Pra impressionar seu chefe, a mocinha com cara de anjo, nega o pedido a senhora Ganush. Nas mãos de um diretor incompetente provável que o filme descambaria pro óbvio, porém aqui é Sam Raimi que está na frente e faz de uma maldição um prato cheio para os fãs do gênero de terror com muitas cenas nojentas. De posse de um objeto da vítima a senhora Ganush roga uma maldição onde em três dias, Christine será levada por um feroz espírito para as profundezas do inferno. Numa sequência dentro de um estacionamento vemos uma das cenas mais inesquecíveis desta década no gênero terror.

Com uma quantidade razoável de filmes no currículo e com mais 3 projetos para o ano que vem – incluindo o novo Evil Dead – Sam Raimi tem seu espaço no mundo do cinema. Aqui ele não mudou a cara do cinema, nem inovou nada, mas soube homenagear os fãs desse gênero tão desgastado ultimamente. Contando com uma trilha sonora assustadora e efeitos visuais de primeira qualidade, esse foi uma das maiores surpresas do ano. Podemos fechar essa década com um top de 10 filmes de terror e coloca-lo numa posição muita boa. Mesmo que alguns atores como Justin Long (insosso) não façam a menos diferença em tela, ainda sobra muitas coisas para um eficiente entretenimento, e era disso que andávamos precisando – pelo menos eu.

Marcelo Ferreira

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Up – Altas Aventuras

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Direção: Pete Docter, Bob Peterson.
Elenco: Christopher Plummer (voz), Edward Asner (Carl Fredricksen – voz), John Ratzenberger (voz), Jordan Nagai (Russell – voz)
Elenco Brazuca: Chico Anysio (Carl Fredricksen – voz), Jomeri Pozzoli (Charles Muntz – voz), Eduardo Drummond (Russell – voz), Nizo Neto (Dug – voz)

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” Albert Einstein

“UP” tem uma boa imaginação que prende atenção do telespectador, e por isso podemos comprovar afirmação do nosso amigo Einstein. Tava eu curtindo o feriadão em Brasília, nada pra fazer, então pego a molecada e me arrisco ir ao cinema. A dúvida surgiu, qual filme assistir? A disputa ficou em “Foça G” e “UP”, particularmente queria assistir “Força G”, mas fui vencido pelo “UP – 3D”, afinal de conta o primeiro filme da Pixar produzido para o formato Disney Digital 3-D, é um fato histórico.

Fui assistir “UP” com certo desprezo, afinal o que o senhor de 78 anos e um garoto de 8 anos poderiam oferecer de entretenimento, mas para minha felicidade, descobri que há uma história de vida, muito bem contada, narrada e descrita em detalhes. Enquanto as crianças se encantavam com os efeitos 3D, eu ficava numa reflexão silenciosa a cada cena, a cada passo do revigorado Carl Fredricksen e com a disposição e inocência de Russell.

A sensação que tenho é que a Pixar tenta se superar a cada desenho, sem a preocupação de vender bonecos, camisetas ou qualquer outro produto originado do desenho, mas o que a Pixar quer vender são histórias bem contadas, animações bem feitas e acima de tudo vender sonhos. Pois percebe-se claramente que “UP”, assim como “Wall-E” é voltado para o público adulto.

A história é simples, basta um destemido vendedor de balões de 78 anos, que após prometer a sua esposa realizar o sonho de uma vida, prender algumas centenas de milhares de balões a sua casa e alçar voo e partir para a maior aventura de sua pacata vida, rumo as florestas da América do Sul. Só que o velho Carl não esperava por uma surpresa de 8 anos, rechonchudo e extremamente carente, sim ele mesmo, o escoteiro Russell e sua mochila. A partir desse momento surge uma dupla curiosa, que está preparada para enfrentas os vilões inesperados e criaturas selvagens.

“UP” está com bastante moral, tanto é que a animação abriu o Festival de Cannes 2009, afinal quem não ficaria curioso em saber o que acontecerá com um senhor de 78 anos que viaja em balões para América do Sul.

Como todo desenho, assisti a versão dublada, afinal nossa dublagem é a melhor do mundo. No papel do Carl temos outro idoso muito talentoso, Chico Anysio, que estreia como dublador. Até não ficou ruim, ele fez bem o tipo rabugento, assim como o idoso aventureiro, além do mais Chico Anysio dar a pegada mais brasileira ao personagem.

“UP” tem assinatura dos diretores e desenhistas Pete Docter (Monstros S.A.) e Bob Peterson. Bob ainda assinam os dois Toy Story além de ser co-roteirista de Procurando Nemo. Portanto “UP” é diversão garantida.

Choke: No Sufoco

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Direção: Clark Gregg.
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.

Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão alocados na sociedade, convivendo trabalhando e assexuando por aí. Quem não lembra, foi ele quem escreveu o livro que originou Clube da Luta, que se tornou um dos melhores filmes da década passada. O mérito caiu sobre David Fincher, mas o autor de toda aquela paranóia foi Chuck Palahniuk.

Em sua segunda adaptação para as telas, o filme não teve reconhecimento nenhum nos cinemas estreando apenas em algumas sessões na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, chegando diretamente nas locadoras, e o motivo pelo qual há tanta subestimação se deve ao fato de que as obras desse cara são fortes, tocantes e corrosivas demais para o espectador médio, digamos assim.

Victor Mancini é um desses errantes que figuram nas histórias do autor, vive de aplicar golpes em restaurantes se sufocando com a própria comida, frequenta grupos de auto-ajuda para viciados em sexo, apenas com o intuito de conhecer mulheres e praticar mais sexo. O único emprego que o cara consegue é num museu ao ar livre, onde ele é obrigado a se vestir como se estivesse em 1700. Tem uma mãe internada a beira da sanidade, com o Mal de Alzheimer (Anjelica Huston, ótima) a qual precisa de um tubo intestinal para se alimentar direito. O melhor amigo de Victor é um cara tão maluco quanto ele que coleciona pedras e se masturba incontrolavelmente.

O filme transcorre em meios a essas sucessões bizarras e aos diálogos causticantes que fazem mais efeitos nas páginas do livro, pois há ótimas sacadas no livro, como o fato de que a mãe de Victor conta a ele que ele é o filho do Messias, por causa de um prepúcio sagrado roubado. Esses momentos passam despercebidos na tela, mas não porque o diretor Clark Gregg (que também atua no filme como o Lorde High Charlie) não sabe aproveitar o material de Chuck, mas por que as histórias do cara beiram o inadaptável.

Em Choke: No Sufoco, assim como em Clube da Luta, há uma grande surpresa no desfecho final, mas até isso fica comprometido nas telas, causando mais impacto na leitura mesmo. No mais, o filme é uma alegoria ácida contra a sociedade e seus podres, um filme totalmente injustiçado mais pelo fato da complexidade da história, que para um maior aprofundamento e diversão seria mesmo excursionando nas páginas do livro desse autor.

Marcelo Ferreira

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O Último Trem

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Direção: Ryuhei Kitamura.
Elenco: Bradley Cooper, Vinnie Jones, Leslie Bibb, Brooke Shields, Roger Bart, Tony Curran.

Clive Barker nunca teve tanto reconhecimento como Stephen King, embora seus contos ultrapassassem os limites da realidade, e mesmo pouco adaptado para o cinema Clive teve seu maior reconhecimento quando fora adaptado através do conto “The Hellbound Heart” que deu origem ao clássico Hellaiser. Um escritor do porte de Clive jamais poderia ficar de fora das adaptações do mundo do horror e da fantasia, e melhor ainda, não poderiamos nos contentar com meras adaptações.

Quem já teve o prazer de acompanhar os Livros de Sangue deve ter ouvido falar em “The Midnight Meat Train”, um dos maiores feitos desse autor de contos fantásticos, e que mora hoje com seu maridão em Los Angeles.

Ano passado, O Último Trem aportou em milhares de lugares (exceto nos lugares onde deveriam passar, ou seja, os cinemas) e causou uma certa expectativa nos fãs de carteirinha desse autor que desafia a imaginação de seus fiéis leitores. A história, não é exatamente a que vemos na tela, já que o conto de Clive tem apenas 40 páginas e mesmo assim o diretor Ryuhei Kitamura não consegue dar a vitalidade necessária que fomos brindados ao ler The Midnight Train. O medo que passa nas veias do leitor, aqui é transportado para a película num amontoado de sangue artificial que chega a impressionar, mas como sempre acontece nas adaptações de tudo quanto é material, a obra é sempre feita para a grande maioria, para evitar o fracasso. Assim, boicotaram o filme para que não estreasse nas telas grandes.

O Último Trem, conta a história do fotógrafo Leon Kaufman (Bradley Cooper) que tem em suas mãos a tarefa de realizar um ensaio fotográfico para uma galeria de arte que tenta mostrar a obscuridade por trás das facetas humanas, e ao iniciar seu trabalho numa estação de trem, o infeliz fotógrafo encontra o açougueiro Mahogany (Vinnie Jones), uma espécie de Jason Voorhees dos subterrâneos que mata as suas vítimas por uma causa muito estranha. Kaufman vê diante dos olhos a oportunidade da sua vida em desempenhar um trabalho acima do esperado, sem se dar conta de que esse encontro pode custar muito mais que a sua própria vida.

O filme só desaponta mesmo os maiores fãs de carteirinha do autor, pois ainda com toda essa embromação e obviedades da história, o japonês Kitamura dá um show para os admiradores por cinema de terror com bastante violência gráfica. O uso da câmera nas horas do massacre – diga-se de passagem uma certa cena onde a câmera rodopia exatamente de acordo com o impacto da martelada que uma infeliz recebe do açougueiro – com extremo requinte de crueldade. E mesmo esticando a história, o diretor ainda não sabe o que fazer com o final do filme, achatando o clímax do filme com uma desculpinha que não passa despercebido para os fãs do autor. Agora para quem leu a história, e ficou eriçado até com o desfecho da história, essa adaptação precisou mesmo de uma mão firme.

Marcelo Ferreira

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Um Louco Apaixonado

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Direção: Robert Weide.
Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges.

Qualquer um que conheça Simon Pegg sabe que ir ao cinema para vê-lo é risada garantida. Por outro lado, quem não conhece, precisa ser atingido por outros ângulos, como a chamada do filme, direção, atores e atrizes, enfim. Quero falar especialmente do nome, em primeiro lugar.

Como um filme com o nome “How to lose friends and alienate people” foi se tornar “Um louco apaixonado” ?
O título pouco atrativo ao estilo Sessão da tarde acabou cortando o brilho de um filme que tinha tudo para ser no mínimo uma comédia digna de ser bem-curtida.

A simplicidade do roteiro é evidente, as atuações não estão geniais, não há elementos e referências artísticas absurdas, é simples; o filme é basicamente Simon Pegg e seu jeito britânico de fazer humor. Uma mistura de Austin Powers ao estilo tosco de Mr. Bean, com uma historia pouco elaborada, porém cativante.

“Um louco apaixonado” é um filme ótimo para quem quer ir ver um filme onde você não precisa ficar pensando muito para entender cenas, partes, palavras-chave, sacadas, e todas essas coisas que hoje em dia estão tomando conta do cinema. Coisas essas que, às vezes acabam tirando de foco o objetivo principal de muitas pessoas que vão ao cinema: o entretenimento.

Iuri Genovesi

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Gran Torino

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Direção: Clint Eastwood.
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her.

[GRAN TORINO – Cena 1]
INTERNA – IGREJA – MANHÃ

Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um cara durão. Tão sólido quanto aço, matéria- prima da cidade industrial de Detroit, sua terra natal. No funeral da mulher, o patriarca de coração de ferro recebe secamente seus familiares. Os olhos destinam desdém aos filhos. Aos netos o olhar é de reprovação pela falta de modos na igreja. Mesmo velando a companheira, não é capaz de demonstrar consternação. Tampouco olha para o caixão em sinal de luto.

Durante a missa, ouve com repúdio o sermão do jovem padre Janovich (Christopher Carley). O tema do sermão é a morte. Assunto que conhece bem, mas prefere guardar para si. Ele tem vontade de cuspir. Algo que sempre faz quando está nervoso. Não o procede por questão de respeito.

[GRAN TORINO - Cena 2]
INTERNA – CASA DE KOWALSKI – MANHÃ

Terminado o enterro, Kowalski recebe os convidados em sua casa. Um grande domicílio com pátio modesto e uma grande garagem. É lá que se encontra sua relíquia mais preciosa. O ford Gran Torino, modelo 72, adquirido nos velhos e bons tempos da Ford, empresa que trabalhou boa parte da vida. O sótão da casa é o arauto da nostalgia. Caixas velhas, álbuns de fotos e outras recordações estão espalhados pelo subsolo e passam a ser revirados pelos seus netos.

Algo lhes chama a atenção. É a medalha de condecoração que o avô recebeu pelos serviços prestados na Guerra da Coréia em 1952. A experiência o marcou para sempre. Desde lá, tornou-se um patriota amargo. Um xenófobo anti-social da pior espécie. Preconceituoso a ponto de brigar com os filhos por comprarem carros da Toyota. “Morreria se comprasse um carro americano?” Um septuagenário solitário que passa seus dias na varanda de casa tomando cerveja e conversando com seu cachorro.

Quando o vizinho oriental da casa ao lado bate na porta e lhe pede emprestado um cabo de extensão, ele não o poupa de suas grosserias. O cabeça-de-zíper, como costuma chamar os asiáticos, se chama Thao (Bee Vang), um garoto tímido e sem rumo vivendo num bairro com perspectivas não muito animadoras aos imigrantes.

Alguns dias após o atrito com Kowalski, o jovem é instigado pela gangue do seu primo a entrar para o mundo do crime. Sua iniciação será furtar o Gran Torino do vizinho idoso e solitário. Mas como não tem aptidão nenhuma para a delinquência, Thao acaba sendo apanhado pelo velho combatente, armado até os dentes com revolver e espingarda. O flagrante dará origem a provação mais importante da vida de Kowalski. Em vez de chamar a polícia, ele acaba acidentalmente salvando a vida do garoto que a partir dali terá a vida infernizada pela gangue. A situação acaba o aproximando da família de asiáticos, principalmente de Thao e da sua doce irmã Sue Lor (Ahney Her). Faz amizade com todos, menos com a “vovó”, com quem trava “duelos de cuspe”.

Fluente em temáticas, Gran Torino pode ser visto sob diferentes pontos de vista. Numa maneira superficial é um filme sobre redenção (bem besta, por sinal). Mas numa leitura mais aguçada vemos que Clint Eastwood, também diretor e roteirista do filme, nos coloca diante de uma América suburbana com seus valores em xeque. Um lugar com crianças sem respeito e noção de valores, educados por adultos negligentes e passivos, gerando assim uma família fugaz e desunida que não se vê nem nos dias de Ação de Graças. Os poucos espaços que restam no país, estão ocupados por gente de fora que chegam ali com seus bons e maus costumes. Enquanto isso, a Igreja viceja seu discurso alienante para a sociedade, sem o mínimo conhecimento de causa.

A visão amarga do protagonista, no entanto, não reflete a visão do autor. Ela serve apenas para expor um microcosmo social da sociedade americana, julgado pela ótica de uma pessoa que, se por um lado é preconceituosa e resistente às mudanças, por outro tem lá suas razões. Como na cena em que Kowalski enfrenta uma gangue de negros, prestes a praticar estupro. Ou quando cobra mais responsabilidade de Thao em arranjar uma profissão e escapar do destino comum dos imigrantes do bairro: “As garotas vão para a faculdade. Os garotos para a cadeia”. Usa também o humor quando seu personagem desconhece a descendência hmong dos vizinhos do sudeste asiático. A típica alienação do americano médio -a capital do Brasil é Buenos Aires, disse um certo presidente. É uma pena que Clint contorne os conflitos da história de forma descompromissada e faça uma reviravolta brusca do personagem.

Em vez de ter uma mudança gradual, Kowalski passa do xenófobo odiável ao dirty Harry da paz, que defende os fracos e oprimidos com sua pistola justiceira. O típico personagem-fantoche que exorciza uma vida de pecados capitais num ato de bravura descomedida. Tudo pela coerência do heroísmo. Tudo pelo final hollywoodiano. Tudo pela lágrima do espectador.

Embora seja um americano nato, Clint Eastwood sempre foi um cidadão do mundo. Como ator de filmes de faroeste, ganhou fama pelas lentes do genial artífice italiano Sergio Leone. Quando decidiu se tornar cineasta foi bastante incentivado pelos europeus, sobretudo na França onde recentemente agradeceu o apoio após receber a Palma de Ouro em Cannes pelo conjunto da obra. Recentemente retratou com perfeição a versão japonesa da 2°Guerra no filme Cartas de Iwo Gima.

Após decretar em Gran Torino sua despedida em frente às câmeras, Clint teve a atuação indicada pela Associação de Críticos de Chicago. Chegou-se a especular uma indicação ao Oscar, o que acabou não acontecendo. Um fato curioso é que na sua última tentativa de levar a estatueta ele escolheu um papel muito parecido com o de Henry Fonda (Era uma Vez no Oeste) em Num Lago Dourado.

Quando interpretou nesse filme um velho rabugento que alimenta uma relação difícil com a filha, Fonda tinha 76 anos e sagrou-se o ator mais velho a receber o prêmio da Academia. E assim como Walt Kowalski, seu personagem acaba se afeiçoando com um garoto que não é da sua família. Mas é claro que tudo não passa de uma coincidência. O fato é que Clint, nunca foi um ator genial, embora tenha tido grandes momentos, como em As Pontes de Madison, por exemplo. Coisa que não importa muito se considerarmos sua impecável e vitoriosa carreira de cineasta. Afinal, não dá pra vencer todas.

Charles M. Helmich

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O Visitante

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Direção: Tom McCarthy.
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Hiam Abbass.

O tempo passa, mas o 11 de setembro continua tão próximo do presente quanto o dia de ontem. Ninguém duvida que o acontecimento seja o mais significativo do século 21 e o que mais mudanças acarretou na sociedade, sobretudo na norte-americana. Um desses desdobramentos é a vida dos imigrantes árabes nos Estados Unidos, pano de fundo de O Visitante, segundo filme do diretor/ator Tom McCarthy e que rendeu a Richard Jenkins a indicação de melhor ator dada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Eterno coadjuvante no cinema, Jenkins tornou-se conhecido do público da televisão na série A Sete Palmos, onde interpreta o patriarca morto de uma família de agentes funerários e que volta e meia “aparece” para conversar com a mulher e os filhos. Sarcástico e com uma gargalhada marota ele dá pitacos sobre erros do passado e aconselha os filhos nas suas decisões. Um morto com vivacidade. Em O Visitante, ele é o oposto disso.

Seu personagem, o professor Valter Vale é um viúvo recluso, monossilábico que empurra a vida com a barriga. Na universidade em Connecticut, leciona a mesma matéria há 20 anos e nas folgas livres tenta sem sucesso escrever um novo livro e aprender piano. O olhar vazio e o jeito seco e educado de cortar as pessoas dão a dimensão do seu isolamento. Ao ser convocado para ir numa conferência em Nova Iorque, ele não esconde a frustração.

Por sorte ele tem um apartamento na cidade que não visita há meses. Dentro dele, ele encontra um casal de imigrantes ilegais que foi enganado por um falso corretor que subalugou o imóvel. O nome do garoto é Tarek (Haaz Sleiman), um percussionista sírio. Sua namorada africana se chama Zainab (Danai Gurira) , que ganha a vida como vendedora ambulante. Desfeito o mal entendido, Vale se compadece com os dois e os deixa ficar no apartamento por uns tempos até encontrarem um novo lar.

A amizade cresce entre ele e o simpático Tarek que o ensina os meandros da percussão. Apaixonado por música e viúvo de uma ex-pianista, o professor se encanta com o instrumento e desfruta de uma empolgação inédita. Logo os dois amigos estarão fazendo exibições pelas ruas da cidade. Até que num “mal-entendido” da polícia, o músico acaba preso pela imigração.

Nesse ponto, o diretor dá sua tacada de mestre. Sai um coadjuvante, entre outro. Após a prisão de Tarek, Mouna ,interpretada pela atriz Hiam Habbas (Paradise Now), aparece no apartamento em busca de notícias do filho. A ligação de Vale com a nova hóspede é ainda mais forte e tonificante, sacudindo de vez asua tépida existência. Com ela, ele encontra uma razão para sair pela porta e não apenas abri-la para outras pessoas.

Conduzido com mãos leves e passadas curtas, O Visitante é um filme pequeno, mas caprichado, com as arestas bem aparadas. O pouco tempo atrás das câmeras não foi uma barreira para McCarthy. Embora tenha no currículo apenas o filme O Agente da Estação, o fato se ser também ator parece ter lhe dado o know-how para extrair o melhor do elenco. Tanto a dupla de jovens, quanto a dupla de veteranos mantém a regularidade das atuações. Haaz Sleiman e Danai Gurira são muito carismáticos, principalmente o ator. Hiam Habbas tem uma aparição curta, mas marcante. A voz contida e os traços fortes do rosto realçam na tela as inquietações da sua personagem. Já Richard Jankins não recebeu à toa sua indicação ao Oscar.

O olhar de esguelha que lança nas pessoas, os gestos claudicantes e inseguros dele, compõem um estereótipo preciso do homem de carreira sólida, mas que parte solitário da meia-idade para a última fase da vida. E quando uma situação insólita lhe proporciona uma nova guinada, ele não perde a oportunidade de reviver sentimentos há muito tempo apagados.

A forma como o diretor une e desune as pessoas é outra virtude do filme. É muito sutil o modo como os personagens vão se transformando conforme o destino. De batucada em batucada, Vale vai pulsando suas emoções enquanto os outros perdem sua musicalidade. Da ópera ao afrobeat, a trilha musical embala com suavidade os dramas pessoais dos personagens. A crítica à maneira que o governo americano trata os imigrantes também é posta sem exageros na trama.

Um dos poucos deslizes cometidos por McCarthy é o desenvolvimento de alguns conflitos. Sabe aquela história de que antes da cena acontecer tu já se adianta dizendo: “Ele vai fazer isso!”. O roteiro não bate uma, mas várias vezes nessa tecla. Pegar o espectador de surpresa, no entanto, não foi a pretensão do cineasta. Pois O Visitante é consistente o bastante para precisar de cartas de manga.

Charles M. Helmich

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Modelos Nada Corretos

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Direção: David Wain.
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb’e J. Thompson, Elizabeth Banks.

A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo essa teoria para explicar Modelos Nada Corretos (Role Models), filme estrelado e roteirizado por Rudd e comandado por David Wain, outro cineasta com quem o ator trabalha com frequência.

A comédia, que conta ainda com Sean William Scott (o eterno Stifler de American Pie) e a jovem revelação Christopher Mintz-Plasse (Superbad, É Hoje), aborda de maneira escapista e desencanada questões como a falta de maturidade, vida em família e a importância da amizade. Danny (Paul Rudd) e Wheleer (Sean William Scott) são dois amigos que trabalham juntos vendendo energético em escolas primárias. Danny é um adulto amargo que odeia o emprego sem perspectivas. “Estamos vendendo mijo nuclear de cavalo à 6 dólares a lata.” . Pra piorar está em crise com a namorada Beth (Elisabeth Banks) com quem namora há sete anos. Wheleer é um “adultescente” que se não se apega a nada, a não ser ouvir Kiss e ter noitadas de sexo com mulheres desconhecidas. “Adivinha o que eu fiz ontem à noite?”, diz ele esticando dois dedos na cara de Danny após ser deixado na porta do trabalho por uma mulher num conversível.

A vida fugaz e sem grandes objetivos que ambos levam é interrompida por dia ruim. Ao se envolverem numa briga e baterem a caminhonete em horário de trabalho, eles são obrigados a prestarem 150 horas de serviços comunitários numa instituição de caridade. Ou cumprem o serviço ou vão para a cadeia. O trabalho será cada um apadrinhar uma criança carente. Acontece que a dona da fundação não vai com a cara deles e escolhe logo os dois piores alunos. Danny fica responsável por Augie (Mintz-Plasse), um nerd alienado que passa o dia fantasiado de cavaleiro na companhia de outros nerds participando de RPG ao vivo. Já Wheleer tem sob seus cuidados o delinquente Ronnie (Bobb Thompson), um garoto pervertido e boca suja.

Após o estranhamento inicial, as coisas começam a ir bem para Wheleer e Ronnie. De encrenqueiro, o garoto passa a admirador do seu padrinho emprestado. Há momentos impagáveis entre os dois. Como na cena onde o adulto o ensina a “observar os peitinhos” ou quando ele lhe dá a definição oficial do Kiss: “Eram judeus que cresceram em Nova Iorque, tocavam guitarras e usavam maquiagem para pegar garotas. Todas as músicas deles são sobre transar!” O mesmo não acontece com Danny que não suporta muito o mundo de fadas e elfos de Augie. Começa a simpatizar com o garoto apenas quando conhece sua tortuosa vida familiar composta por uma mãe relapsa e um padrasto negligente.

Sem se apegar muito no drama pessoal dos personagens Modelos Nada Corretos ganha pontos nas piadinhas infames que misturam besteirol com referências cinematográficas. Tudo bem que um garoto de 8 anos nunca tenha ouvido falar na Jéssica Tandy e diga “Foda-se Miss Daisy” no filme. Pois essa despretensão é levada até o fim trama, sem descambar em moralismos ou lições de vida como acontece em muitas comédias pastelão. Em compensação é nas gags mais físicas e nas tiradas mais pesadas que o filme perde pontos. Homens, sem dúvida, irão apreciar mais o longa do que as mulheres já que ele aborda a questão do companheirismo entre amigos – que convenhamos, tem uma dinâmica diferente da amizade feminina. No fim das contas, é um filme alto astral que se não é do nível dos trabalhos de Judd Apatow ao menos é um entretenimento divertido, sem grandes ambições além de arrancar risadas do espectador.

Charles M. Helmich

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