Boa Noite e Boa Sorte

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Direção: George Clooney.
Elenco: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, George Clooney.

Se algo assustou o povo e principalmente os políticos norte americanos durante o último século, com certeza a maior delas foi o terror do “avanço comunista” Na década de 50, pouco depois do fim da Segunda Grande Guerra e já durante a Guerra Fria (conflito indireto entre U.R.S.S. e E.U.A.), o senador americano Joseph McCarthy encabeçou uma suspeita comissão de caça a comunistas dentro do país que levou pânico a muitos americanos, principalmente intelectuais, jornalistas cineastas e outros homens públicos. O episódio ficou conhecido como “Caça às Bruxas” devido ao caráter abusivo e suspeito (e por que não também fanático?) da condução das investigações, que levaram a punições a muitas pessoas que sequer sabiam o que era o Comunismo.
Edward R. Morrow (David Strathairn) foi um âncora de TV que juntamente com seu produtor Fred Friendly (George Clooney) levantaram a bandeira contra McCarthy e seus métodos. A luta pela liberdade de expressão, contra a falsa imparcialidade e idiotização da mídia (principalmente televisiva) são os motes de Morrow, apresentados pelo próprio no excelente discurso que inicia e encerra o filme. O seu discurso inclusive, pode ser visto como um chute no saco da nossa atual mídia, preocupada apenas com o entretenimento vazio sem conseqüências e na apresentação estafante de notícias editadas e em tempo real, o que impossibilita a formação de opiniões próprias dos espectadores, que cada vez mais dependem de comentadores especialistas.
Esse conturbado momento é o pano de fundo para o segundo filme dirigido por George Clooney (merecidamente indicado ao Oscar da categoria). A opção pela utilização do preto e branco e a utilização de cenas reais em diversos momentos do filme (não foi utilizado nenhum ator para o papel de Joseph McCarthy, principal antagonista do filme. Foram utilizadas gravações do próprio senador durante o filme o que deu uma maior veracidade à obra). Em alguns momentos nos sentimos como se estivéssemos vendo um documentário em vez de um filme convencional.
Por isso, “Boa Noite e Boa Sorte” (jargão utilizado por Morrow para encerrar seu programa) não se trata de um filme sobre algum acontecimento histórico que pode ser considerado “morto e enterrado”. É sim, um filme que se torna ainda melhor, pela impressionante contemporaneidade de seu tema: O poder da mídia.

Munique

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Direção: Steven Spielberg.
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler e Ayelet Zorer.

Depois de Peter Jackson em King Kong agora é a vez de Spielberg fazer um filme com o tempo de duração fora dos padrões. Preparem-se para quase 3 horas de filme. Felizmente, assim como King Kong, Munique é uma obra-prima extremamente bem dirigida do início ao fim. E serviu para trazer Spielberg de volta ao lugar que ele merece: a lista dos melhores diretores de todos os tempos. Depois de um período nebuloso como o regular e covarde Guerra dos Mundos, temos agora o diretor de A Lista de Schindler de volta, coincidentemente mais uma história envolvendo judeus. E para quem não sabe, Spielberg é judeu, o que poderia estragar o filme, tornando-o parcial, unilateral, chato e clichê. Mas como disse “poderia”, e garanto que não vejo um filme baseado num acontecimento real tão imparcial desde Domingo Sangrento. O roteiro é baseado no fato ocorrido em 1972 nas Olimpíadas de Munique na Alemanha. Uma olimpíada que não honrou o codinome de “Jogos da Paz”. Aproveitando a visibilidade, um grupo terrorista palestino conhecido como Setembro Negro resolve invadir o apartamento da delegação israelense e os mantém como reféns. O final disso tudo não podia ser mais desastroso, até hoje não se tem responsáveis, mas tudo terminou no massacre de todos os terroristas e atletas reféns. O que facilmente podia ter feito Spielberg? Definir mocinhos israelenses, bandidos palestinos e incompetentes alemães. Mas felizmente, foi escolhido um outro lado, um lado que mostra um terrorista humano, inclusive muitas vezes faz você esquecer que são terroristas, parecendo que estão fazendo justiça, se vingando dos “bandidos”. Mas fica claro que nessa história não tem mocinho, são todos patriotas ao extremo, ou seja, terroristas. Em muitos momentos o roteiro banca o “advogado do diabo” exalando argumentos válidos de ambos os lados. Apoiado por um elenco excelente e até discreto como deveria ser, Spielberg continua inovando, tirando ângulos e emoções diferentes de cada cena. A cena da bomba no telefone é simplesmente fantástica, de tirar o fôlego. Destaque também para o som do filme, tanto das explosões e tiros como uma cena simplória onde você consegue escutar o barulho do atrito das unhas com a camisa enquanto um personagem coça as costas. Mas no fim das contas, qual a grande mensagem? Acabo de ouvir uma opinião sobre um exagero de patriotismo, dando idéia de que já que atingiram “nossas” Torres, então podemos agir contra tudo e todos em legítima defesa. Não vejo dessa maneira e espero que não tenha sido a intenção. O que eu vi foi pessoas matando pessoas já sem saber porque, se tornando neuróticos e com o eterno medo da retaliação, que é como vive os próprios Estados Unidos. E o pior disso, é que acaba se tornando uma guerra sem fim, pois sempre que morre um líder terrorista, é substituído por outro ainda mais cruel.

Vinícius

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Direção: Miguel Faria Jr.
Elenco: Camila Morgado, Ricardo Blat, Adriana Calcanhoto, Zeca Pagodinho, Caetano Veloso, Chico Buarque, Ferreira Gullar, Edu Lobo, Francis Hime, Georgiana de Moraes, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tônia Carrero, Toquinho.

Um filme sobre um ícone da Música Popular Brasileira só podia ser um filme bom. Ainda mais se este ícone também era um exímio poeta, e compunha músicas carregadas de boa poesia, de significado ímpar. E ainda mais se este filme conta com a presença de outros grandes músicos, compositores, poetas e artistas se derretendo em agradecimentos ao ícone. Mas este documentário sobre a vida do chamado “Poetinha” vai muito além de um bom filme. Vai além por mostrar um Vinícius verdadeiro. Nada de muita pompa, de glamour, de estrelismo. Vinícius é engraçado, beberrão, apaixonado, e todos se lembram dele com imenso carinho. Todas as estórias contadas são extremamente engraçadas e, mesmo nos momentos difícies, vemos que ele procurava se divertir. Vemos na tela uma pessoa que amava muito a vida e que não se privou em nenhum momento de vivê-la intensamente, que não se impôs amarras. Para quem é brasileiro de verdade, já cantarolou “Garota de Ipanema” inumeras vezes e quer se divertir com as estórias engraçadas de um ícone, um poeta, totalmente mortal, vale muito a pena. E não percam a última piada. Fecha o filme com chave de ouro.

A Marcha dos Pingüins

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Direção: Luc Jacquet.
Narração: Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk.

Aposto que ninguém veria um filme sobre pingüins, a não ser que fossem os de Madagascar. Soava como um documentário tipo National Geographic, ou seja, interessante, mas nada empolgante. Mas os dados provam o contrário, nesse momento é o segundo documentário mais visto desde Tiros em Columbine. Há um questionamento sobre a linguagem da narração, eu particularmente assisti com a narração original, ou seja, francês. Que pelo que percebi uma mulher dublava as fêmeas, um homem os machos e uma criança os filhotes. Dizem que a versão em inglês traz um Morgan Freeman burocrático demais, diferente da versão francês bastante emotiva. Antes que você imagine um filme monótono, com todo aquele branco gelado, e aquelas criaturas de andar engraçado, saibam que o visual é belíssimo. Como falei antes, seria somente mais um documentário de uma vida animal e seus esforços para perpetuar sua espécie, mas a narração dava um sentimento, e parecia que todo aquele sofrimento, jornadas sem se alimentar, acontecia não só pelo instinto de sobrevivência, tinha amor. Amor entre os casais e depois paternal e maternal. Só pelas imagens dava para se sensibilizar de tal situação, mas a narração dava um lado humano dos pingüins. E depois de escrever isso, fiquei pensando se não poderia ser amor mesmo, se não é exatamente aquilo que fazem os humanos, que se apaixonam, têm seus filhos e depois disso começa a “batalha” para mantê-los vivos e saudáveis. O que nos difere daquelas criaturas nesse sentido? E se você perceber quão organizados são os pingüins, até imagina que ali tem uma lógica, um raciocínio, uma razão além do instinto. Toda as seqüências de ações são bem coordenadas, e acontece quase que exatamente no prazo esperado. O que impressiona bastante são cenas capturadas em closes, um ótimo trabalho que captava com precisão toda a narrativa do documentário. Enfim, sem dúvida um grande trabalho, uma sensibilidade e dramaticidade que eu arriscaria dizer que só os franceses têm. Além disso, uma trilha que combinava perfeitamente em letra e harmonia com a cena do documentário, muito bom.

King Kong

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Direção: Peter Jackson
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Thomas Kretschmann, Colin Hanks, Kyle Chandler, Jamie Bell, Evan Parke.

Esperei dois dias para escrever, porque é necessário algum tempo para formar opinião sobre este filme, sem contar que tenho que absolver o impacto. Peter Jackson é o cara, ou seja, foi objeto de culto enquanto “independente”, mas a verdade é que não fez nenhum filme memorável , e depois com vários milhões de dólares ao seu dispor realizou de forma magnífica a trilogia “O Senhor dos Anéis” .Depois porque há sempre a inevitável comparação com o filme de 1933 (o de 76 é demasiadamente ruim e de bom só nos trouxe Jéssica Lange). Primeiro vamos falar mal da quantidade, desnecessária, de efeitos visuais e de cenas de luta entre os monstros da ilha que é ridículo, porque a dupla de responsáveis pelo original só não os utilizou porque não tinha os meios : o filme é também uma história de aventuras, dentro do espírito da descoberta de tesouros fabulosas em lugares desconhecidos e inóspitos. Agora, o essencial da questão, a relação entre a besta e a bela, entre Kong e Ann Darrow. O sentimento de Kong em relação a Ann é de posse, ela é a noiva , um troféu, do senhor da ilha, e por isso intocável. A evolução para algo mais forte vem com o fato de ela não demonstrar medo e até de o divertir (situação não habitual como se presume pelas ossadas das antecessoras),é como se Kong fosse uma criança e Ann o seu brinquedo preferido (e por isso Jackson anulou todo o sentido erótico do filme de 33), a cena do Kong depois da luta com os Rex´s por causa da fuga de Ann é genial. Ann desperta, primeiro o sentido de auto-persevação e depois o de sentir-se protegida com Kong. A relação torna-se ambígua (como nunca nos dois filmes anteriores), primeiro na hesitação no olhar de Ann quando Jack a salva do lugar de Kong e depois já em Nova Iorque em todas as cenas conjuntas de Ann com Kong, não só na cena do lago de gelo (belíssima), mas também na compulsão que Ann sente em ficar com Kong ou no desespero dela perante a inevitabilidade da morte dele. Peter Jackson anula toda a ambigüidade na cena final entre Ann e Jack, mas em vários momentos pressente-se a possibilidade de um amor antinatural (mas não físico) entre Ann e Kong. Desempenho com muita qualidade de Naomi Watts, muito bem acompanhada por Adrien Brody e Jack Black, e uma realização competentíssima de Peter Jackson, veja-se a cena inicial, que apresenta de forma perfeita a América dos anos 30, por tudo isso e um pouco mais, torna-se “King Kong” um filme brilhante e um dos melhores de 2005, mesmo tendo uma duração de 3 horas e 8 minutos. É bem feito pelo simples fato do original de 1933 ter marcado Peter Jackson, foi o filme mais marcante da sua vida e é o seu preferido até hoje. Sua abordagem foi de total reverência, mantendo a ambientação nos anos 30, a essência trágica e denunciando um velho e perverso hábito do ser humano, “o de explorar, degradar e capitalizar sobre tudo o que nos cerca”. Só isso explica, segundo o cineasta, o fato de “existirem atualmente apenas 706 gorilas selvagens nas montanhas, num mundo de 6 bilhões de pessoas”.

Crash - No Limite

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Direção: Paul Haggis.
Elenco: Don Cheadle, Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Jennifer Espósito, Ryan Phillippe, William Fichtner.

O roteirista e agora diretor Paul Haggis, nos entrega uma das mais contundentes e fortes histórias do ano. Depois de escrever o ótimo e principal vencedor do último Oscar “Menina de Ouro”, dirigido por Clint Eastwood, Haggis volta com uma história ainda mais polêmica que a do seu antecessor, a cada vez mais grave e aparentemente sem solução, questão racial norte americana. Negros, latinos, asiáticos, árabes, ou qualquer tipo de estrangeiro mais diferente, formam grupos étnicos homogêneos nas visões preconceituosas dos norte americanos “brancos”, ou como em muitos casos, deles próprios.
Asiáticos que têm medo de negros, que têm medo dos latinos, que têm medo dos árabes, que juntos assustam os “inocentes” e cada vez mais “assustados” brancos, mesmo sem nenhum motivo pra isso. Um círculo vicioso que aumenta a cada dia e que é mantido tanto pelos opressores, como pela minoria oprimida, que em alguns casos preferem esquecer suas raízes, para se aproximar de padrões supostamente idealizados. Ou então, aceitar e cumprir a risca os seus estereótipos seja em pequenas doses, como na forma de se vestir ou de falar dos negros, ou cumprindo a sua função social dentro desse sistema opressor (negros e latinos = assassinos e ladrões; árabes = terroristas) e excludente por natureza. Mas Haggis em nenhum momento deixa sua história se tornar piegas ou se perder em clichês, como provavelmente muitos outros fariam.E isso, juntamente com as excelentes atuações do elenco, com certeza são alguns dos fatores mais positivos dessa obra.
Crash é um verdadeiro quebra-cabeça racial e social, onde histórias que parecem distintas, se cruzam em determinados momentos do filme, unindo assim os personagens e mostrando a grande proximidade de todos os casos. Recuso-me a falar de qualquer uma das histórias, pois essa é uma experiência que cada um de vocês deve ter, vendo esse, que com certeza é um dos melhores filmes do ano.

A Noiva-Cadáver

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Direção: Tim Burton.
Vozes: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Albert Finney, Emily Watson, Tracey Ullman e Christopher Lee.

Se existe alguém que eu tenho pura inveja é Tim Burton, o cara é simplesmente fodão. Além de versátil, consegue deixar no seu inconfundível estilo tudo que põe a mão . E sua nova animação A Noiva Cadáver é realmente muito Tim Burton. É visualmente belíssimo todo aquele peso sombrio recheado de humor negro. Cada cena, cada luz usada, me deixava de queixo caído, vislumbrado com tantos detalhes. Acreditem, é perfeito. Considerem-me herege, mas eu ainda não vi O Estranho Mundo de Jack, outra animação do Tim Burton, já muitas vezes fortemente recomendado por meu amigão Vladimir. Mas estou cuidando disso exatamente nesse mesmo momento que escrevo esse texto, se é que me entendem. Não acredito que criança com menos de 12 anos deva gostar, pois não tem nenhum bichinho peludo, nem olhudinho, nem engraçadinho. Podem até rir da “consciência” da noiva, mas definitivamente é um desenho para adultos. Pra variar, e nada contra, tem Jhonny Depp dando vida ao protagonista da historia Victor. Impossível não ver Depp, nos mínimos detalhes, por trás do personagem. Tem também a Sra. Burton, que pra quem não conhece foi ela que fez a macaquinha da versão de Planeta dos Macacos do próprio marido. Não ajudou muito? Ah, a inesquecível Marla Singer, de Clube da Luta. Destaque também para o incansável Christopher Lee. Enfim, pode parecer loucura o que se passa pela cabeça de alguém como Burton, mas eu acredito que é pura genialidade. Se momentos bons passam rápido, com filme é a mesma coisa, pois terminou sem eu nem notar. Ainda pensei: vou esperar pra ver se tem uma cena nos créditos. Mas não, isso é Tim Burton.

Batman Begins

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Direção: Christopher Nolan.
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, Ken Watanabe, Katie Holmes, Cillian Murphy, Tom Wilkinson, Rutger Hauer.

Finalmente chegou o dia da redenção do homem morcego. Depois de 8 anos do lançamento do mega-lixo batman e Robin, até que enfim temos novamente um filme sério de um dos mais interessantes personagens dos gibis, o Batman.
Com um ótimo diretor (Nolan) e cercado de excelentes atores (Oldman, Freeman, Caine, Neeson) em papéis coadjuvantes, além do excelente Christian Bale na pele de Bruce Wayne e do roteiro do especialista em filmes do estilo (Goyer) e por fim, um orçamento de mais de 130 milhões de dólares, a probabilidade de não termos um bom filme era bastante reduzida. E isso foi comprovado sexta-feira em várias salas de cinema pelo mundo afora.
A história do personagem todos já conhecem. Os Waynes são uma influente e abastada família da cidade de Gothan. O filho único do casal, chama-se Bruce Wayne, e presencia a morte dos pais após um assalto. São esses sentimentos de Bruce Wayne que o filme mais focaliza. Sua ira, seus medos, raivas, angústias e a sede por vingança e justiça, são sensações que invariavelmente recaem sobre Bruce. Sua fuga e isolamento durante 7 anos, em busca de treinamento mental e físico, como forma de enfrentar seus medos é um expressão disso tudo.
Depois de voltar a Gotham, Bruce tenta retomar sua vida e iniciar o combate a criminalidade da cidade, que se encontra em um caótico estado e nas mãos do mafioso Falcone, que tem nas mãos através de subornos, de policiais a juízes e vereadores da cidade. É aí que Bruce resolve criar o Batman.
O interessante nesse filme é que o personagem nunca é o Batman e seu alter ego Bruce, é exatamente o contrário que ocorre, Bruce Wayne é muito mais concreto do que o herói e isso é um dos pontos mais positivos do filme. Na realidade o morcegão aparece muito pouco no filme (sua primeira aparição só ocorre depois de uma hora de exibição), então, quem vai aos cinemas apenas com a intenção de ver um filme de ação, pode até se decepcionar. Seguindo o estilo das atuais adaptações de gibis da Marvel, Nolan transforma Batman em um filme com altas cargas dramáticas, deixando sempre a ação um pouco de lado (o segundo vilão é o espantalho, o que reforça muito o que estou dizendo). Tudo bem que uma melhor coreografia nas lutas ajudaria bastante o filme, pois nas lutas está a sua maior fragilidade.
Mas o que importa mesmo é que Nolan nos presenteia com um excelente filme, onde as origens do personagem nos são apresentadas de formas plausíveis, o que traz a história para bem mais perto da realidade.

Sin City - Cidade do Pecado

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Direção: Robert Rodriguez, Frank Miller e Quentin Tarantino (uma cena).
Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Rosario Dawson, Clive Owen, Nick Stahl, Rutger Hauer, Elijah Wood, Powers Booth, Jaime King, Benicio Del Toro, Devon Aoki, Brittany Murphy, Michael Clarke Duncan, Carla Gugino, Alexis Bledel, Josh Hartnett, Marley Shelton, Michael Madsen, Tommy Flanagan, Makenzie Vega, Frank Miller.

Num ambiente totalmente hostil, onde a lei é à base da bala, da força, da violência, não ter com quem confiar assim é a descrição primária de Sin City. Num clima completamente noir, onde o principal responsável é Frank Miller e Robert Rodriguez, afinal Miller como co-produtor foi o mais rigoroso possível na fiel adaptação para as telas e Rodrigues perfeito em todas as partes que colocou a mão e o cérebro, fazendo com que o filme tornar-se o mais interessante possível e arrisco a dizer que as próximas adaptações dos quadrinhos, obrigatoriamente precisam aprender com Miller, para não termos tanta coisa ruim por ai. O visual é a parte mais chamativa e perfeita do filme, sendo em preto em branco com vários contrastes de cores, como se fosse uma simples brincadeira, a violência é outro ponto fonte, sendo impetuoso e extremamente brutal em várias cenas, com ótimas atuações e sensualidade a flor da pele das atrizes. Com ótima trilha sonoro, destacando “The Servants”. Também tenho que reconhecer que Bruce Willis, Mickey Rourke, Clive Owen e Del Toro estão impecáveis, principalmente Rourke como o lutador e vingativo Marv. Em Sin City estava tudo desenhado para surgir desta forma. A história, os atores, o estilo, nos resta esperar pelo futuro para confirmar, mas Sin City corre o risco de se tornar um projeto pioneiro. Mesmo sendo considerado ultraviolento e acusado de sexismo, terá seqüências, até agora duas estão em fase de planejamento. O próximo filme será baseado em “Dame do Kill For”, de Miller, parte da trama de “Sin City” que não foi incluída no primeiro filme. Se possível, Rodriguez quer conservar o elenco original. Robert Rodriguez assumiu riscos grandes para fazer “Sin City”, tendo usado seu dinheiro próprio para criar imagens que usou para convencer o relutante Miller a dar seu apoio ao projeto e se afastado do Sindicato de Diretores da América, para o qual apenas um diretor poderia receber os créditos pelo filme. Algumas falhas no argumento, que surgem de forma natural devido ao rigor da transposição para o cinema, nada mais do que isso.
Quando Miller viu o conceito de Rodriguez, que se conservava fiel ao sombrio mundo em preto e branco que ele criou, apenas acrescentando alguns toques de cor para dar um efeito mais forte, ele acabou aderindo à idéia.

Star Wars Episódio 3 - A Vingança dos Sith

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Direção: George Lucas.
Elenco: Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman, Ian McDiarmid,
Samuel L. Jackson, Christopher Lee.

Bem, logo que sentei para começar a escrever (mesmo cansado e com sono) sobre essa terceira parte da fantástica história de George Lucas (faz apenas duas horas que vi o filme em sua estréia), imaginei o quão seria fácil e prazeroso fazer isso. Ledo engano, pois depois de tudo o que já foi dito por sites, programas de tv e revistas, ficou muito difícil escrever algo de novo sobre o filme. Mas na realidade, isso realmente não é tão necessário. Mesmo assim quero deixar algumas rápidas impressões a respeito desse, que com certeza é um dos melhores filmes de toda a saga (O Império Contra Ataca ainda está alguns pontos acima, na minha cotação).
Ao término da sessão, minha principal sensação era dúvida, a dúvida do por que Lucas não dirigiu e roteirizou também os seus dois primeiros episódios da mesma forma que fez com esse. Episódio III é de longe, e bota longe nisso, o melhor dos 3 primeiros episódios, mas isso é fácil de dizer, pois com certeza não seria preciso muito para que isso ocorresse. O que temos aqui é com certeza o episódio mais tenso e pesado de toda a série. Nenhum foi tão cruel e sangrento quanto esse. Méritos para Lucas, que deixou aquela bobagem de filme família e personagens para crianças de lado.
As respostas que nós buscávamos quando se deu o início da saga estão todas lá. Sabemos porque Anakin deixa de ser uma criança meiga e delicada e se torna um dos vilões mais cruéis e bacanas (lógico) da história do cinema (não por méritos do ator Hayden Christensen, claro). Vemos as terríveis e cruéis conspirações e manipulações do Chanceler Supremo Palpatine e ascensão de Darth Sidius. Conhecemos mais sobre a história dos Sith e dos Jedis. Vemos Mace Windu e Mestre Yoda arrasando e ainda temos uma pequena ponta de Chewbacca, aproximando mais ainda essa saga atual da iniciada na década de 70. Não é só a destruição de Anakin e o surgimento de Darth Vader que tornam o filme sensacional, pois ainda temos General Gravious, Conde Dooku, O massacre dos Jedis, ou seja, tudo de bom que a saga possuía, está aqui condensado de forma perfeito em pouco mais de 2 horas e 20 minutos.
Até os pontos que detestei no filme anterior (como cenas mal conduzidas e excesso de cenas digitais) não atrapalharam aqui. Com exceção da atuação do Sr. Christensen, que felizmente não teve muitas cenas complicadas. Mas a sua completa ausência de talento é sentida profundamente em uma das cenas mais importantes do filme, onde se não fosse a condução espetacular do ator Ian McDiarmid, teria se tornado um grande fiasco. Mas todos o restante do elenco está perfeito, o que torna tudo ainda mais sensacional.
O filme é tão bom que nem isso me incomodou, para ser sincero. Um filme que deve ser visto e revisto por diversas vezes, obrigatório na prateleira de qualquer fã de sci-fi que se prese (além dos inúmeros fãs da série, mesmo o que estavam meio decepcionados até o momento). A Vingança dos Sith é a redenção de George Lucas e o filme que há muito merecíamos.

 
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