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	<title>Cinéfilos &#187; 5</title>
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	<description>Blog de cinema com cr&#237;ticas e coment&#225;rios sobre filmes</description>
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		<title>A Pele Que Habito</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 17:10:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chefe</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Pedro Almodóvar. Elenco/Vozes: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Blanca Suárez, Eduard Fernández, José Luis Gómez, Bárbara Lennie, Susi Sánchez. Como sempre, um filme do Almodóvar é um filme aguardado e, como quase sempre, um filme do Almodóvar é um bom filme. Com esse não é diferente. &#8220;A Pele Que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Pedro Almodóvar.<br />
Elenco/Vozes: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Blanca Suárez, Eduard Fernández, José Luis Gómez, Bárbara Lennie, Susi Sánchez.</em></strong></p>
<p>Como sempre, um filme do Almodóvar é um filme aguardado e, como quase sempre, um filme do Almodóvar é um bom filme. Com esse não é diferente. &#8220;A Pele Que Habito&#8221; é um ótimo filme, no melhor sentido da palavra. Um filme que é bom de assistir, que é perturbador durante a exibição e que rende novas estórias, sensações e pensamentos quando termina. Na realidade, é um filme que não termina no acender das luzes. &#8220;A Pele Que Habito&#8221; é exatamente isso: um filme que não termina no final.</p>
<p>Pensei em escrever uma crítica longa, falar de tudo o que eu (acho) que vi e de tudo que senti durante o filme. Mas desisti. Vou falar pouco porque esse não é um filme para ficarmos contanto aqui. É filme para se assistir. Se você já leu alguma coisa por aí, principalmente uma reação contrária ou uma crítica ruim, esqueça isso e assista ao filme. Tire suas próprias conclusões, porque é assim que devemos lidar com uma obra desse porte.</p>
<p>As características da maioria dos filmes do diretor espanhol estão lá, como a questão de gênero, o sofrimento, o poder, a loucura, a vingança. Mas o filme em si é bem diferente dos últimos, principalmente no aspecto visual. Até pela particularidade dessa estória ela é contado em um tom mais frio e sóbrio, em oposição às cores vibrantes e o falatório escandaloso das demais obras de Almodóvar. Segundo declarações do próprio, a idéia era fazer um filme de terror sem gritos ou sustos. Deu certo.</p>
<p>A estória, que você já sabe, envolve os esforços de um cirurgião plástico para tentar criar uma pele artificial melhor que nossa própria pele. Um toque de ficção científica que não é comum ao diretor, mas que é bem explorado. Até porque, e você já deve imaginar isso, essa coisa de pele artificial é apenas acessória. Essa obstinaçao do tal cirurgião plástico, vivido por Antonio Banderas, reside no fato dele ter perdido a mulher por conta de um acidente de carro, onde ela morreu queimada. Ele imagina que essa super pele poderia tê-la salvado, e aí já começa a ligação com o drama, e a conseqüente loucura, do personagem.</p>
<p>O mote principal da estória não demora tanto tempo assim para ser revelado, e isso não denigre em nada o filme. Alias, na minha opinião, saber a real estória só nos faz ficar mais impressionados ainda com ela, e com seus desdobramentos. Tanto que a interpretação dos atores são boas, de forma geral, mas não são a parte mais importante do filme. Os próprios personagens o são.</p>
<p>E quando o filme chegou ao final eu não sabia direito o que pensar. Alias, até agora eu não sei direito o que pensar, e sigo imaginando o que aconteceu depois. Essa certa confusão mental causada por Almodóvar é o melhor do filme, com certeza.</p>
<p>Não vi o filme no cinema, mas li diversos comentários na internet sobre as pessoas que abandonaram a sala durante a exibição. É compreensível, uma vez que nunca é tão fácil digerir um Almodóvar. Esse, em especial, acho que é dos mais difíceis de ser aceito.</p>
<p>Então, fica a dica: assistam!</p>
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		<title>Super 8</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 23:36:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: J. J. Abrams. Elenco/Vozes: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Joel McKinnon Miller, Noah Emmerich, Glynn Turman, David Gallagher, Ron Eldard. Quando os filmes deixaram de ser divertidos? – essa foi a pergunta que ficou em minha cabeça no final do filme. &#8220;Super 8&#8243; nos remete há um tempo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: J. J. Abrams.<br />
Elenco/Vozes: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Joel McKinnon Miller, Noah Emmerich, Glynn Turman, David Gallagher, Ron Eldard.</em></strong></p>
<p>Quando os filmes deixaram de ser divertidos? – essa foi a pergunta que ficou em minha cabeça no final do filme. &#8220;Super 8&#8243; nos remete há um tempo em que os filmes eram mais mágicos, divertidos, interessantes. Um tempo em que eram combustível para nossa criatividade. Tempo em que a hoje famosa frase – “Cinema é a maior diversão” – realmente fazia sentido.</p>
<p>Quando os filmes perderam esse brilho?</p>
<p>Talvez seja a busca inconseqüente pela originalidade. O suspense, por exemplo, há muito deixou de fazer medo ou assustar. Agora só enoja. Cheio de violência gratuita e busca pelos limites do suportável, esquece de divertir. A comédia também se perdeu: não é mais engraçada! Exagerada, tola, apelativa… Mas engraçada mesmo? Não. Que tipo de comédia é essa, que não faz rir? E as aventuras, tão magníficas que foram no passado, hoje desrespeitam tanto a realidade, concentram-se tanto nos efeitos e na artificialidade, que falham no desenvolvimento dos personagens e na atração do público, mais parecendo videogames. Esquecem de divertir.</p>
<p>Nada contra o cinema de arte ou filmes mais reflexivos. Também os adoro. Mas em boa parte do tempo, procuro diversão. Uma diversão a altura de outros passatempos que temos hoje: séries de TV, jogos, hobbies, documentários. Pouco a pouco o cinema vinha perdendo essa batalha, por isso &#8220;Super 8&#8243; é uma grande surpresa. É engraçado, sentimental, interessante e, o mais importante, divertido. O filme mais divertido que assisti em muitos anos.</p>
<p>&#8220;Super 8&#8243; funciona igualmente bem como homenagem e resgate. Em uma determinada cena, temos a certeza de estar acompanhando Indiana Jones em uma de suas espetaculares fugas. Apenas quando a câmera faz um close-up (em um travelling típico dos filmes do arqueólogo), é que lembramos se tratar de outro personagem. Em outra passagem, um garoto aponta a lanterna para uma garagem onde um ser desconhecido faz uma tremenda bagunça. Esperamos que a bola de baseball seja jogada, mas claro que ela não é. E, apesar das bugigangas serem trocadas por fogos de artifícios e bombas, temos a impressão de que o jovem Data está presente por todo o filme.</p>
<p>Mas &#8220;Super 8&#8243; não se resume a isso. Logo no início do filme temos uma importante aproximação dos personagens. De tão familiar que é aquele grupo de jovens e suas emoções, viram reais. As melhores cenas do filme envolvem simples interações entre os amigos, mesmo nos momentos mais extremos. Os efeitos especiais são muito bem utilizados, são honestos. A cena envolvendo o trem é magnífica: tanto pelo argumento usado pelos personagens na aproximação do trem, como no seu destino. Trabalhando várias dimensões de emoção em uma só cena, J.J. Abrams prova ali que ação é algo que ele realmente entende.</p>
<p>A comédia está muito bem presente (não perca os créditos), o suspense também. Os sustos são inevitáveis. E o relacionamento entre dois personagens é muito bem trabalhado em um romance tímido, mas convincente. É através da ligação entre os dois personagens principais (Joel Courtney, excelente, e Elle Fanning, melhor ainda) que o filme vai bem além das homenagens ao cinema e aos sucessos oitentistas. Os personagens nos mostram suas aflições, perdas, problemas. E também suas paixões, o que os motiva, sua esperança. E apenas imergindo nesse relacionamento podemos nos preparar para um final tão sentimental e emotivo como o de todos aqueles filmes que adorávamos. Ou será que esquecemos?</p>
<p><em><strong><a href="http://bodeproducoes.wordpress.com" target="_blank">Bodão</a></strong></em></p>
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		<title>Meia-Noite em Paris</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 19:44:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Woody Allen. Elenco/Vozes: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Kathy Bates, Carla Bruni, Alison Pill, Tom Hiddleston, Léa Seydoux, Adrien Brody, Kurt Fuller, Corey Stoll, Mimi Kennedy, Gad Elmaleh, Nina Arianda, Marcial Di Fonzo Bo, Adrien de Van. Outro dia me peguei pesquisando o preço de coisas que não posso comprar. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Woody Allen.<br />
Elenco/Vozes: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Kathy Bates, Carla Bruni, Alison Pill, Tom Hiddleston, Léa Seydoux, Adrien Brody, Kurt Fuller, Corey Stoll, Mimi Kennedy, Gad Elmaleh, Nina Arianda, Marcial Di Fonzo Bo, Adrien de Van.</em></strong></p>
<p>Outro dia me peguei pesquisando o preço de coisas que não posso comprar. Não era pelo preço de carros 0 km que eu procurava. Nem por computadores, celulares ou outros apetrechos de última geração. Também não estava atrás de roupas super na moda e super caras. Meus trapos ainda me caem bem, ainda suporto o transporte público e meu computador ainda dá conta do recado. O que procurava mesmo era um toca discos. É, isso mesmo, um daqueles aparelhos nos quais se colocavam os discos de vinil e eles emitiam a música que estava no disco. Pode-se adjetivar de várias maneiras estes aparelhos, indo de ultrapassado a desnecessário. Eu prefiro chamar de fascinante.</p>
<p>Tenho a constante impressão de que o presente é completamente decadente quando se trata de cultura. Nada hoje consegue representar um décimo do que significava The Beatles, Elvis Presley ou Bob Dylan criando suas melhores canções. Ou da boêmia literária parisiense dos anos 20 encabeçada por Hemingway e Fitzgerald. Ou dos anos 50 e 60 do cinema, onde encontrávamos em plena produção uma variedade de cineastas geniais, como Bergman, Fellini e Kubrick. Pode-se dizer o mesmo de quase tudo que se queira. Até sobre o futebol se assim for aprazível. Nada é como antes; nem cinema, nem literatura, nem música, nem futebol, nem filosofia. As luzes se apagaram e os gênios morreram. Os poucos vislumbres da luz que restaram são pequenos oásis em desertos de futilidades, vaidades e interesses econômicos.</p>
<p>Digo tudo isso para justificar a minha imensa aprovação ao último filme de Woody Allen. Meia-Noite em Paris, que teve sua primeira sessão no festival de Cannes deste ano, retrata Gil (Owen Wilson), um romancista frustrado, tanto artisticamente como existencialmente, que precisa se mudar para Paris a trabalho. Mas isso é só a casca do filme. Porque em essência, se trata da representação de um jovem frustrado com a vida e com o trabalho, que possui uma adoração por Paris e a impressão de que tudo no passado é melhor que no presente.</p>
<p>A mágica da coisa (literalmente) fica por conta de um acontecimento inusitado. Vagando por Paris tarde da noite, ele se vê convidado para entrar num carro antigo ao badalar da meia-noite. E é entrando neste carro que tudo se transforma e ele é levado de volta aos anos 20 de Paris (sua época preferida), encontrando personagens inusitados como o casal Fitzgerald, Hemingway, Picasso, Dalí, Buñuel, Cole Porter e Gertrud Stein. Num vai e vem entre presente e passado seus anseios se dissipam e ele se vê diante da vida dos seus sonhos. Mas a adesão a esta vida revela seus problemas e se faz necessário tomar consciência do que passado e presente representam para ele e para todos nós. Faz-se necessário perceber que o problema não está no passado. O problema é com a vida. E nesta direção uma das frases mais marcantes do filme resolve a charada. Nós sentimos que o presente é vazio porque a vida é vazia. Eis a essência da reflexão do filme. Mas para ter a noção completa da reflexão e da sensação que ela causa é preciso assistir o filme.</p>
<p>Allen me pegou sinceramente de surpresa, visto que sempre espero dele apenas um filme acima da média, não algo com o qual eu me identificasse tão completamente como Meia-Noite em Paris, que se tornou um dos filmes dele que mais gosto ao lado de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e A Rosa Púrpura do Cairo. </p>
<p>Com tudo isso levado em consideração, acho que nada mais justo do que considerar Woody Allen um daqueles pequenos oásis de genialidade em meio ao imenso deserto de nossa decadência cultural.</p>
<p><em><strong><a href="http://filosofismas.wordpress.com/" target="_blank">Henrique Torres</a></strong></em></p>
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		<title>Doze Homens e uma Sentença</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 19:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Sidney Lumet. Elenco/Vozes: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Binns, E.G. Marshall, John Fiedler, Jack Klugman, Joseph Sweeney. Um rapaz de doze anos é acusado de matar o próprio pai e está prestes a ser sentenciado à cadeira elétrica. Um grupo de doze jurados deve tomar a decisão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Sidney Lumet.<br />
Elenco/Vozes: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Binns, E.G. Marshall, John Fiedler, Jack Klugman, Joseph Sweeney.</em></strong></p>
<p>Um rapaz de doze anos é acusado de matar o próprio pai e está prestes a ser sentenciado à cadeira elétrica. Um grupo de doze jurados deve tomar a decisão de julgar o garoto como culpado ou inocente. E a decisão deve ser unânime. Este é o ponto de partida do filme Doze Homens e uma Sentença de Sidney Lumet.</p>
<p>O filme se desenvolve a partir de uma divergência entre os jurados: na votação para decidir se o garoto é culpado ou não, onze deles se pronunciam a favor da condenação, enquanto apenas um é contra a condenação. Desenrolando-se a partir desta divergência, Doze Homens e uma Sentença ganha força na potência dos diálogos que compõem a discussão para definir se o jovem deve ou não ser condenado.</p>
<p>Mas não se trata apenas de um debate sobre a inocência ou a culpabilidade de um rapaz. Trata-se de uma exposição sobre a formação de nossas opiniões, sobre o quão elas podem ser influenciadas por coisas simples, o quão carregadas de preconceitos elas podem estar, ou ainda, sobre o quão duvidosas e incertas elas podem ser. É isto que torna o filme tão interessante. Notar como as certezas podem ser desfeitas em incertezas, como os preconceitos modelam nosso julgamento, como deixamos coisas singelas passarem despercebidas, coisas que inverteriam completamente nosso julgamento se as percebêssemos. Enfim, observar o outro lado da moeda, isto é, como as mais evidentes certezas podem se transformar nas mais evidentes incertezas. É um exercício de ceticismo.</p>
<p>O jurado que discorda da condenação, não discorda porque acredite que o garoto é inocente. Discorda porque não está plenamente convencido. Discorda porque há uma “dúvida razoável” sobre a culpabilidade. A partir disso, ele pouco a pouco mostra como cada prova que afirma a culpa do garoto não prova necessariamente. Algumas, pelo contrário, até apontam para a inocência dele. Os jurados são levados por um processo que visa transformar suas certezas em dúvidas. Processo que leve-os a absterem-se do julgamento a favor da culpabilidade. Processo este bastante parecido com o de um cético, que se abstêm de ajuizar sobre tudo, visto que tudo contêm a mesma carga de probabilidade.</p>
<p>Tudo é incerto. A busca de uma prova concreta, que consiga condenar o rapaz com absoluta certeza lembra a dúvida metódica de Descartes. Esta dúvida consistia num método empregado pelo filósofo francês que buscava por algo no mundo que se pudesse afirmar com plena certeza, sem a menor sombra de erro. Qualquer vestígio de dúvida que pudesse pairar sobre uma afirmação seria motivo para descartá-la como falsa. No caso do filme, qualquer prova que não se afirme com 100% de certeza não é capaz de provar verdadeiramente. A diferença fica por conta dos resultados. Se por um lado Descartes alcança a sua certeza com o Cogito, por outro lado os jurados são levados ao estado de dúvida permanente.</p>
<p>Visto que se é inocente até que se prove o contrário, o garoto possui grandes chances desde que todos os jurados sejam tocados pela dúvida.</p>
<p><em><strong><a href="http://filosofismas.wordpress.com/" target="_blank">Henrique Torres</a></strong></em></p>
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		<title>Cisne Negro</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 13:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Darren Aronofsky. Elenco/Vozes: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder. Tchaikovsky. Um nome plenamente conhecido no mundo da música clássica e nem de longe esquecido pela sétima arte: ainda nesse século um certo herói mascarado se inspirou no compositor russo em uma belíssima abertura enquanto que, décadas antes, filmes como Fellini [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Darren Aronofsky.<br />
Elenco/Vozes: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.</em></strong></p>
<p>Tchaikovsky. Um nome plenamente conhecido no mundo da música clássica e nem de longe esquecido pela sétima arte: ainda nesse século um certo herói mascarado se inspirou no compositor russo em uma belíssima abertura enquanto que, décadas antes, filmes como Fellini 8 1/2 já usavam composições dele. O compositor romântico é ainda importante por seus balés, tendo obtido com O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes grande reconhecimento. Por ser alguém importante nestes três mundos o russo, que teve uma vida bastante controversa sob suspeita de homossexualidade e possível suícidio, teve sua obra escolhida por Aronofsky (Fonte da Vida, O Lutador) e um trio de roteiristas como fonte de inspiração para uma história que, inicialmente, se passaria nos bastidores de uma peça de teatro. </p>
<p>A escolha parece inusitada já que muitos espectadores devem ter se perguntado por que ir ao cinema ver um filme dramático sobre uma dançarina de balé? De fato não fossem pelas indicações ao Oscar e a presença de Natalie Portman muitos nunca teriam ido, o que seria uma pena pois Cisne Negro é um filme tão especial a ponto de questionar a preferência das premiações a outros filmes menos artísticos e interessantes. Sendo possivelmente a obra prima de Aronofsky até aqui, Cisne Negro é um filme completo que conta com atuações brilhantes, história intrigante, direção e técnica impecáveis, mas principalmente cenas fortes e belas que merecem ser vistas na grande tela. Não é um filme tão ingerível como outros bons filmes deste ano mas isso só aumenta seus méritos, já que o peso psicológico do filme apenas agrega intensidade a uma experiência inesquecível.</p>
<p>Além do próprio balé e da trama por trás de O Lago dos Cisnes o filme tem mais um tema importante, que é certamente o mais abordado pelo diretor em suas obras: a obsessão. Já tendo explorado desde a obsessão pela busca por padrões matemáticos até a obsessão pela vida eterna, ele é inclusive reconhecido por ser obcecado pela qualidade dos seus trabalhos. Em Cisne Negro Aronofsky nos insere na vida de Nina (interpretada por Portman, que levará o Oscar), uma bailarina obcecada por sua carreira e pela perfeição que tem, com a oportunidade de estrelar O Lago dos Cisnes, as portas abertas para o sucesso. Porém a sua própria obsessão acaba virando seu principal obstáculo.  </p>
<p>Colocando a dança como parte importante do filme, Aronofsky nos apresenta sua beleza e harmonia mas não nos esconde o rigor e sofrimento tão comuns em grandes espetáculos. Retratando fortemente a dor física e psicológica a que os artistas são submetidos o diretor consegue aumentar o interesse e a grandeza da arte apresentada, resultando em cenas de tirar o fôlego até mesmo de desinteressados. É então nessa dualidade que a história ganha peso como trama, já que o lado puro e perfeito da arte é comparado com seu lado sombrio e espontâneo da mesma forma que a personagem principal do balé, Odette, pura e meiga, tem uma equivalente representação sombria. Como o grande diferencial desta versão do balé é usar a mesma dançarina em dois papéis (heroína e vilã), cabe a Nina convencer a todos que pode interpretar ambos os lados tendo que, para isso, explorar seu próprio lado sombrio (o Cisne Negro) e renegar sua fragilidade, pureza, infantilidade. </p>
<p>É aqui que Aronofsky insere um simbolismo importantíssimo no filme: o espelho. Contando com uma quase totalidade de cenas em que aparecem espelhos ou reflexões claras, o filme explora a dualidade em diversos aspectos, retratando os conflitos psicológicos da personagem principal; o sucesso e o fracasso das carreiras, muitas vezes por decisões extremas; e até mesmo a sexualidade, algo natural e prazeroso que no caso de Nina é reprimido por uma relação complicada com sua mãe. E não por acaso o diretor do balé, Thomas (Cassel) já aparece nas primeiras cenas através de um espelho. Thomas é retratado com complexidade, sendo muitas vezes destacado como o gênio por trás do espetáculo para em seguida ser mostrado como um mero aproveitador de donzelas.</p>
<p>Aqui a personagem principal se envolve com outra importante figura: uma nova bailarina (interpretada por Kunis) que chama a atenção do diretor principalmente por seu lado espontâneo e sensual, adequado para a interpretação da vilã e contestador do conceito de perfeição adotado por Nina na sua dança. Mesmo sendo algumas vezes amiga e bem intencionada a nova bailarina não convence Nina, que acaba nutrindo por ela emoções diversas como inveja, raiva e atração. Na medida em que a trama se desenrola a personagem principal aumenta sua obsessão e paranóia, começando a ver partes de si (o lado sombrio, que ela precisa encontrar para o papel) em conhecidos, estranhos e, principalmente, nos espelhos. </p>
<p>E como somos apresentados logo no início a história de O Lago dos Cisnes, que possui um final se não triste certamente fatal, não demora a nos perguntarmos se a viagem psicológica e emocional que o filme retrata não levará inevitavelmente a um final tão dramático como o do próprio balé. E nesse questionamento o espelho tem participação novamente importante, tornando-se um personagem do filme e representando o confronto direto entre os lados puros e sombrios de Nina. É então nesse clima de conflito interno que o filme nos presenteia com um dos finais mais memoráveis do cinema recente: um desfecho emocionante para o balé e para a trama. Será que trágico, triste? Difícil julgar. Eu ficaria com a opinião sugerida pelo próprio filme: perfeito.  </p>
<p><em><strong><a href="http://playingdice.spaces.live.com/" target="_blank">Bodão</a></strong></em></p>
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		<title>A Origem</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2010/09/a-origem/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 17:52:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Christopher Nolan. Elenco/Vozes: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Hardy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Caine. Onze anos. Foram necessários onze anos para que um filme seguisse os passos de Matrix (1999) e nos presenteasse com uma ficção científica tão digna. A espera valeu a pena. A Origem &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Christopher Nolan.<br />
Elenco/Vozes: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Hardy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Caine.</em></strong></p>
<p>Onze anos. Foram necessários onze anos para que um filme seguisse os passos de Matrix (1999) e nos presenteasse com uma ficção científica tão digna. A espera valeu a pena. A Origem &#8211; novo filme do diretor que chamou nossa atenção com Amnésia, renovou a série Batman e se consagrou como diretor versátil em O Grande Truque – é a maior ficção científica da década, e um dos melhores filmes até aqui já feitos, independente de que categoria ou rótulo queira atribuí-lo.</p>
<p>Nós já sabíamos que nada é real, que tudo é possível – vimos Matrix; já sabíamos que a mente é capaz de sonhos complexos, de resgatar as memórias mais escondidas, e de proteger quem nós somos – assistimos Brilho Eterno. E sabíamos que ao criar histórias e personagens nossa mente muitas vezes se confunde, se engana, nos trai – vimos Sinédoque, NY. O que não sabíamos é que dentro de uma mente humana (ou melhor, uma mente Hollywoodiana) poderia uma história tão complexa e profunda tomar forma, reunindo tantos conceitos mas se mantendo original, honesta, crível.</p>
<p>Assim como em O Cavalheiro das Trevas, Nolan não deixa que a temática do filme o limite. Filmes de super-herói não precisam ser infantis e sem profundidade, e ficções científicas não precisam ser pura diversão mental cheia de efeitos especiais 3D. Nolan consegue neste filme mais uma vez chegar a um nível de profundidade emocional e mental raramente visto em dramas hollywoodianos, que dirá em filmes de ação e ficção.</p>
<p>E me perdoem se nesta crítica falarei apenas no diretor (poderia falar das atuações, dos cenários, da edição, das cenas marcantes), mas tenho um bom motivo – desde sua estréia no cinema doze anos atrás, um filme não era tão Nolan como este. Em todos os outros filmes ele ou fez parceria com seu irmão (Jonathan), adaptou o roteiro de um livro ou filme existente, ou continuou uma saga. Em A Origem, Nolan escreve, dirige e produz algo que vem criando há dez anos. É um filme para ele e sobre ele. Não, não é uma autobiografia ao estilo 8 ½, mas certamente possui diversos pedaços do que ele acredita, sente e explora em sua vida – inclusive temas já tratados em suas obras como percepção do tempo, memória, realidade e complexidade da mente.</p>
<p>O filme possui uma trama até simples: Cobb (DiCaprio) é um ladrão especializado em acessar mentes através de sonhos compartilhados e roubar seus segredos. Ele é contratado por Saito (Wantanabe) para fazer algo um tanto mais complexo &#8211; plantar uma idéia em um concorrente de Saito, o que diminuiria a competitividade do império da vítima. Durante este processo conhecemos sua equipe, seu passado, e até seus mais preciosos sonhos.</p>
<p>Mas se a trama parece simples, entender o filme em sua total complexidade é outra história. Espero assisti-lo pelo menos duas vezes antes de ousar concluir algo sobre o que aconteceu. O mais importante não é entendê-la por completo, mas aproveitá-la. Aproveitar sua beleza visual, aproveitar os convincentes personagens e cenários, aproveitar as surpresas e os desfechos dos seus atos. E não perca tempo refletindo sobre o que aconteceu durante a exibição do filme – garanto-lhe que passará boa parte da noite recapitulando cenas e tentando chegar a conclusões. Não importa qual das explicações você aceitará melhor (percebi que existem pelo menos três, todas plausíveis), será uma viagem inesquecível.</p>
<p>Ao invés de analisar a trama, concluirei com a importância desta obra. Não apenas já é um dos grandes filmes em crítica e bilheteria do ano, como, assim como Matrix, fortalece um gênero ao mesmo tempo em que abre espaço para um novo mundo de filmes que certamente seguirão seus passos. Chega a ser revoltante o quão perfeito o filme é em tantos aspectos, funcionando como ficção, drama, romance, ação – como um produtor Hollywoodiano eu sentiria um frio na barriga ao pensar como os elementos deste filme poderiam ser “explorados” em trilogias, longas séries, múltiplas sagas. Nolan concentra tudo em um só filme e não se deixa cair em clichês e exageros.  Ele ainda evita o 3D corretamente, que apenas tiraria méritos do filme sem nada contribuir, e faz tudo – eu digo tudo – da maneira correta.</p>
<p>Se foi dito ano passado que James Cameron ainda era o rei do cinema, bem, acho que agora sim podemos reconhecer o verdadeiro monarca de Hollywood. </p>
<p><em><strong><a href="http://playingdice.spaces.live.com/" target="_blank">Bodão</a></strong></em></p>
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		<title>O Sétimo Selo</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 18:09:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Ingmar Bergman. Elenco: Max von Sydow, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe, Bibi Andersson, Bengt Ekerot, Gunnel Lindblom, Maud Hansson, Ake Fridell, Inga Gill, Maud Hansson, Inga Landgré, Bertil Anderberg. A vida tem algum sentido ou significado? Deus, o Diabo, os anjos e os demônios existem? O que há para além desta vida, para além da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Ingmar Bergman.<br />
Elenco: Max von Sydow, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe, Bibi Andersson, Bengt Ekerot, Gunnel Lindblom, Maud Hansson, Ake Fridell, Inga Gill, Maud Hansson, Inga Landgré, Bertil Anderberg.</em></strong></p>
<p>A vida tem algum sentido ou significado? Deus, o Diabo, os anjos e os demônios existem? O que há para além desta vida, para além da morte? Questões muito mais do que complexas, muito mais profundas do que a nossa efêmera existência pode almejar. Questões que nos colocam diante do absurdo que é a vida. Poucas pessoas são as que chegam até a profundidade que estas questões proporcionam. Ainda menos numerosas são as obras de arte que nos colocam diante de tais questões. &#8220;O Sétimo Selo&#8221; de Ingmar Bergman é uma destas escassas obras de arte.</p>
<p>Nele nós acompanhamos o regresso de um cavaleiro que acaba de retornar das Cruzadas para sua terra natal, e que se depara com a Morte personificada, que deseja levá-lo com ela. Vendo que iria &#8220;passar desta para uma melhor&#8221;, o cavaleiro decide convidá-la para um jogo de xadrez, a fim de ganhar mais algum tempo vivo. A partir daí, acompanhamos o filme sob dois prismas que terminam por se conjugarem. Pelo lado do cavaleiro, percebemos toda a aflição que alguém pode sentir ao ter suas mais profundas convicções abaladas. Tendo vivenciado as Cruzadas, a peste e tendo agora a Morte à sua espera, o cavaleiro passa a refletir sobre a existência de Deus e o significado da vida. Decide então, dedicar o tempo de vida que ganhou com a partida de xadrez que se desenrola, para tentar fazer ou encontrar algo na vida que seja significativo. Por outro lado, acompanhamos a vida de uma &#8220;família&#8221; de artistas itinerantes, que vivem sob a opressão da pobreza. Apesar disso, esta família encontra uma felicidade, e por que não, um sentido para a vida, nas coisas simples.</p>
<p>&#8220;O Sétimo Selo&#8221; é um filme majestoso por nos colocar diante de algumas das maiores questões da humanidade com uma simplicidade assustadora. É fantástico que por meio de algo tão simplório como um jogo de xadrez nós possamos ver o desenrolar de questões existenciais que estão sempre diante de nós, seres humanos. A obra de Bergman é simplesmente genial. Certamente um dos melhores filmes de todos os tempos, por nos possibilitar examinarmos questões tão vitais por nós mesmos. O filme é filosofia pura! Mas é somente isso que se poderia esperar quando entra em cena a Musa da Filosofia (a Morte). Assistir este filme é altamente recomendável por ele transmitir uma experiência tão forte com a vida. E com a morte.</p>
<p><strong>Henrique Torres</strong></p>
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		<title>Shutter Island &#8211; A Ilha Do Medo</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 19:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Martin Scorsese. Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson. Martin Scorsese consegue definitivamente prender os olhos dos apaixonados por cinema com o seu mais novo lançamento que trata de uma adaptação do romance de Dennis Lehane (2003) que em minha opinião, já é sucesso: &#8220;Shutter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Martin Scorsese.<br />
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson.</em></strong></p>
<p>Martin Scorsese consegue definitivamente prender os olhos dos apaixonados por cinema com o seu mais novo lançamento que trata de uma adaptação do romance de Dennis Lehane (2003) que em minha opinião, já é sucesso: &#8220;Shutter Island&#8221; (em português: A Ilha do Medo).</p>
<p>Leonardo Di Caprio pode não ser mais o colírio dos olhos das menininhas, depois de ter ganhado alguns (vários) quilinhos, mas cada vez mais nos surpreende com atuações apaixonantes e verdadeiras. É realmente incrível a capacidade que ele tem de viver com força a realidade do seu personagem em questão. Peço licença para dizer que Leo Di Caprio é como vinho: quanto mais velho, melhor!</p>
<p>Durante semanas e semanas assisti ao trailer sonhando em ver o filme, e geralmente quando fico assim, acabo me decepcionando um pouco com o filme, pois fico esperando sempre mais do que um diretor pode criar. Dessa vez, isso não ocorreu. Não me decepcionei nem por um segundo, mesmo considerando que nos 20 primeiros minutos do filme eu já tivesse achado que havia entendido a idéia toda. Coisa que também não estragou o filme de forma alguma. Mesmo tendo uma noção do que já estava por vir, acabei me surpreendendo.</p>
<p>Tudo ocorre por volta de 1954, quando Teddy (Leonardo Di Caprio), um oficial da polícia, e seu companheiro Chuck (Mark Ruffalo) são chamados para investigar um suposto desaparecimento de uma paciente do asilo para criminosos que fica localizado na tal Ilha para onde eles são levados. O que mais intriga Teddy e os telespectadores é: como a tal paciente poderia ter escapado? Não há qualquer sinal de fuga, e os médicos e responsáveis pelo asilo parecem não querer cooperar com a busca. Como um bom policial que havia lutado e sofrido com a guerra contra os nazistas, Teddy não descansa e quer ir mais a fundo. É nessa busca incansável pela paciente que Teddy acaba descobrindo a verdadeira razão de ter sido chamado para a Ilha.</p>
<p>A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que nos fazem ficar imóveis na cadeira, sem piscar. Quem possui um papel muito importante nesse filme é a natureza, que faz com que os acontecimentos se tornem mais tristes e profundos do que eles aparentam ser. A força do mar, do vento e da chuva são características importantíssimas de se observar, pois elas dão o toque essencial para a temerosidade dos fatos. </p>
<p>Shutter Island é intrigante e maravilhoso, assim como Taxi Driver (filme também de Scorsese lançado em 1976). Ao mesmo tempo em que Travis Bickle (Robert De Niro) representa o papel de um ex-veterano de guerra lutando contra sua própria mente em Taxi Driver, Teddy em Shutter Island passa muito tempo (mais do que o telespectador pode imaginar) buscando uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.</p>
<p><strong><a href="http://laetiziacats.blogspot.com/" target=_blank>Letícia Katz</a></strong></p>
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		<title>Avatar</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 12:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jedi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: James Cameron. Elenco/Vozes: CCH Pounder, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, Sigourney Weaver, Wes Studi, Sam Worthington, Joel Moore, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Laz Alonso, Michelle Rodriguez. É inegável a contribuição de James Cameron ao cinema internacional. Exterminador do Futuro e Aliens foram uns dos seus primeiros filmes e serviram como cartão de apresentação. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: James Cameron.<br />
Elenco/Vozes: CCH Pounder, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, Sigourney Weaver, Wes Studi, Sam Worthington, Joel Moore, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Laz Alonso, Michelle Rodriguez.</em></strong></p>
<p>É inegável a contribuição de James Cameron ao cinema internacional. Exterminador do Futuro e Aliens foram uns dos seus primeiros filmes e serviram como cartão de apresentação. Exterminador II mostrou e feitos especiais jamais vistos, e que ainda hoje impressionam se você considerar a variável data. Mas obviamente o carro-chefe da obra de Cameron é o badalado Titanic, o filme mais caro (na época) e de maior bilheteria de todos os tempos. Que Titanic não é um bom filme todos sabemos, mas é inegável sua representatividade. Titanic é um marco no cinema mundial. James Cameron provou que mesmo gastando mais de 200 milhões seria possível lucrar. Cameron virou a menina dos olhos de todo estúdio.</p>
<p>Depois de um tempo “adormecido”, Cameron surge, mais uma vez, com o filme mais caro de todos os tempos, cerca de 500 milhões de dólares (estimativa). Seria o novo Titanic? Prefiro não pensar assim, pois Titanic é “só” um navio quebrando. Não se compara à criação de um planeta, um povo, uma linguagem. Avatar é uma das maiores e mais espetaculares experiências visuais do cinema de todos os tempos. E fica atestada a falta de tato que Cameron tem com um roteiro e seus diálogos. Definitivamente não é o seu forte. Mas isso não torna a experiência menos proveitosa, pois a beleza de Avatar elimina qualquer discussão sobre outras falhas. Avatar se alterna entre diálogos ruins, cenas brilhantes, roteiro clichê, e cenas brilhantes novamente.</p>
<p>Observem a cena que Cameron escolheu para explicar ao telespectador a razão da missão em Pandora. É ridícula. Ridícula pelo simples fato de que as pessoas envolvidas no diálogo, que provavelmente se conhecem há vários anos, não teriam aquele tipo de conversa primária. E por curiosidade, na versão brasileira 3D legendada tem uma falha na legenda, que troca milhões por bilhões. Anotem também uma das frases mais bobas que eu já vi no cinema, algo parecido com “Eles cospem na gente, e nem têm a decência de dizer que é chuva”. Misture isso ao personagem mais caricato de todos os tempos, o tal do Coronel. E todas as “referências” já conhecidas de filmes como Dança com Lobos, Pocahontas, Matrix, etc.</p>
<p>Mesmo com todas essas falhas e problemas, Avatar é espetacular e inovador. E os números já provam que James Cameron sabe fazer dinheiro. Quem sabe, se tudo ocorrer como planejado, nós pararemos de falar em Titanic como filme mais caro e de maior bilheteria. Só isso já seria um grande feito. Quem sabe também, ele irá mordiscar algumas estatuetas no Oscar, mas será difícil bater o recorde. Eu prefiro não ficar descrevendo cenas, prefiro recomendar que vejam com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões, de preferência em 3D e legendado obviamente. </p>
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		<title>Mary and Max</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 13:43:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jedi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Adam Elliot. Vozes: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Ian Meldrum. Ainda não sei que nome o filme terá aqui no Brasil, por isso o título está em inglês. Já dizia o poeta “diga o que disserem, o mal do século é a solidão”, e essa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Adam Elliot.<br />
Vozes: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Ian Meldrum.</em></strong></p>
<p>Ainda não sei que nome o filme terá aqui no Brasil, por isso o título está em inglês. Já dizia o poeta “diga o que disserem, o mal do século é a solidão”, e essa é a semente que faz surgir uma das mais belas histórias sobre humor, solidão e amizades. Se é que eu posso ser tão simplório ao ponto de rotular as emoções contidas no filme. Trata-se de uma animação, aquelas de massinha como A Fuga das Galinhas entre outros, e conta um pouco da vida dos personagens que dão título ao filme, Mary e Max.</p>
<p>Mary é uma garotinha que vive na Austrália e possui uma marca de nascença na testa, que, segunda ela própria, tem cor de cocô. Que maldade. Interessante como o filme abre parênteses a todo instante para definir características, emoções e lembranças dos personagens. Acho que não preciso citar características da personagem, principalmente quando o filme o faz com maestria e sensibilidade. Garantindo boas risadas, ao mesmo tempo navega no limite entre o humor e o drama. Prometi não falar sobre a personagem, mas preciso do link para Max, e a curiosidade de Mary nos leva até ele.</p>
<p>Max já é um senhor, vive em Nova Iorque e freqüenta os vigilantes do peso. Extremamente ansioso e tímido, passa a vida sozinho. Até que é surpreendido pela curiosidade de Mary. Começa uma bela amizade à distância, o que não impede de passar por todos os ciclos de uma amizade presencial.</p>
<p>Eu não saberia rotular se é uma animação voltada para o público infantil ou adulto, pois tem bons momentos para todas as idades. E provavelmente vai fazer você rir e chorar algumas vezes. E olha que navegar nesses mares não é nada fácil. Grata surpresa, e faz tempo que não dou uma nota cinco. Toma!</p>
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