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Shutter Island – A Ilha Do Medo

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Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson.

Martin Scorsese consegue definitivamente prender os olhos dos apaixonados por cinema com o seu mais novo lançamento que trata de uma adaptação do romance de Dennis Lehane (2003) que em minha opinião, já é sucesso: “Shutter Island” (em português: A Ilha do Medo).

Leonardo Di Caprio pode não ser mais o colírio dos olhos das menininhas, depois de ter ganhado alguns (vários) quilinhos, mas cada vez mais nos surpreende com atuações apaixonantes e verdadeiras. É realmente incrível a capacidade que ele tem de viver com força a realidade do seu personagem em questão. Peço licença para dizer que Leo Di Caprio é como vinho: quanto mais velho, melhor!

Durante semanas e semanas assisti ao trailer sonhando em ver o filme, e geralmente quando fico assim, acabo me decepcionando um pouco com o filme, pois fico esperando sempre mais do que um diretor pode criar. Dessa vez, isso não ocorreu. Não me decepcionei nem por um segundo, mesmo considerando que nos 20 primeiros minutos do filme eu já tivesse achado que havia entendido a idéia toda. Coisa que também não estragou o filme de forma alguma. Mesmo tendo uma noção do que já estava por vir, acabei me surpreendendo.

Tudo ocorre por volta de 1954, quando Teddy (Leonardo Di Caprio), um oficial da polícia, e seu companheiro Chuck (Mark Ruffalo) são chamados para investigar um suposto desaparecimento de uma paciente do asilo para criminosos que fica localizado na tal Ilha para onde eles são levados. O que mais intriga Teddy e os telespectadores é: como a tal paciente poderia ter escapado? Não há qualquer sinal de fuga, e os médicos e responsáveis pelo asilo parecem não querer cooperar com a busca. Como um bom policial que havia lutado e sofrido com a guerra contra os nazistas, Teddy não descansa e quer ir mais a fundo. É nessa busca incansável pela paciente que Teddy acaba descobrindo a verdadeira razão de ter sido chamado para a Ilha.

A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que nos fazem ficar imóveis na cadeira, sem piscar. Quem possui um papel muito importante nesse filme é a natureza, que faz com que os acontecimentos se tornem mais tristes e profundos do que eles aparentam ser. A força do mar, do vento e da chuva são características importantíssimas de se observar, pois elas dão o toque essencial para a temerosidade dos fatos.

Shutter Island é intrigante e maravilhoso, assim como Taxi Driver (filme também de Scorsese lançado em 1976). Ao mesmo tempo em que Travis Bickle (Robert De Niro) representa o papel de um ex-veterano de guerra lutando contra sua própria mente em Taxi Driver, Teddy em Shutter Island passa muito tempo (mais do que o telespectador pode imaginar) buscando uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.

Letícia Katz

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Avatar

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Direção: James Cameron.
Elenco/Vozes: CCH Pounder, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, Sigourney Weaver, Wes Studi, Sam Worthington, Joel Moore, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Laz Alonso, Michelle Rodriguez.

É inegável a contribuição de James Cameron ao cinema internacional. Exterminador do Futuro e Aliens foram uns dos seus primeiros filmes e serviram como cartão de apresentação. Exterminador II mostrou e feitos especiais jamais vistos, e que ainda hoje impressionam se você considerar a variável data. Mas obviamente o carro-chefe da obra de Cameron é o badalado Titanic, o filme mais caro (na época) e de maior bilheteria de todos os tempos. Que Titanic não é um bom filme todos sabemos, mas é inegável sua representatividade. Titanic é um marco no cinema mundial. James Cameron provou que mesmo gastando mais de 200 milhões seria possível lucrar. Cameron virou a menina dos olhos de todo estúdio.

Depois de um tempo “adormecido”, Cameron surge, mais uma vez, com o filme mais caro de todos os tempos, cerca de 500 milhões de dólares (estimativa). Seria o novo Titanic? Prefiro não pensar assim, pois Titanic é “só” um navio quebrando. Não se compara à criação de um planeta, um povo, uma linguagem. Avatar é uma das maiores e mais espetaculares experiências visuais do cinema de todos os tempos. E fica atestada a falta de tato que Cameron tem com um roteiro e seus diálogos. Definitivamente não é o seu forte. Mas isso não torna a experiência menos proveitosa, pois a beleza de Avatar elimina qualquer discussão sobre outras falhas. Avatar se alterna entre diálogos ruins, cenas brilhantes, roteiro clichê, e cenas brilhantes novamente.

Observem a cena que Cameron escolheu para explicar ao telespectador a razão da missão em Pandora. É ridícula. Ridícula pelo simples fato de que as pessoas envolvidas no diálogo, que provavelmente se conhecem há vários anos, não teriam aquele tipo de conversa primária. E por curiosidade, na versão brasileira 3D legendada tem uma falha na legenda, que troca milhões por bilhões. Anotem também uma das frases mais bobas que eu já vi no cinema, algo parecido com “Eles cospem na gente, e nem têm a decência de dizer que é chuva”. Misture isso ao personagem mais caricato de todos os tempos, o tal do Coronel. E todas as “referências” já conhecidas de filmes como Dança com Lobos, Pocahontas, Matrix, etc.

Mesmo com todas essas falhas e problemas, Avatar é espetacular e inovador. E os números já provam que James Cameron sabe fazer dinheiro. Quem sabe, se tudo ocorrer como planejado, nós pararemos de falar em Titanic como filme mais caro e de maior bilheteria. Só isso já seria um grande feito. Quem sabe também, ele irá mordiscar algumas estatuetas no Oscar, mas será difícil bater o recorde. Eu prefiro não ficar descrevendo cenas, prefiro recomendar que vejam com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões, de preferência em 3D e legendado obviamente.

Mary and Max

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Direção: Adam Elliot.
Vozes: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Ian Meldrum.

Ainda não sei que nome o filme terá aqui no Brasil, por isso o título está em inglês. Já dizia o poeta “diga o que disserem, o mal do século é a solidão”, e essa é a semente que faz surgir uma das mais belas histórias sobre humor, solidão e amizades. Se é que eu posso ser tão simplório ao ponto de rotular as emoções contidas no filme. Trata-se de uma animação, aquelas de massinha como A Fuga das Galinhas entre outros, e conta um pouco da vida dos personagens que dão título ao filme, Mary e Max.

Mary é uma garotinha que vive na Austrália e possui uma marca de nascença na testa, que, segunda ela própria, tem cor de cocô. Que maldade. Interessante como o filme abre parênteses a todo instante para definir características, emoções e lembranças dos personagens. Acho que não preciso citar características da personagem, principalmente quando o filme o faz com maestria e sensibilidade. Garantindo boas risadas, ao mesmo tempo navega no limite entre o humor e o drama. Prometi não falar sobre a personagem, mas preciso do link para Max, e a curiosidade de Mary nos leva até ele.

Max já é um senhor, vive em Nova Iorque e freqüenta os vigilantes do peso. Extremamente ansioso e tímido, passa a vida sozinho. Até que é surpreendido pela curiosidade de Mary. Começa uma bela amizade à distância, o que não impede de passar por todos os ciclos de uma amizade presencial.

Eu não saberia rotular se é uma animação voltada para o público infantil ou adulto, pois tem bons momentos para todas as idades. E provavelmente vai fazer você rir e chorar algumas vezes. E olha que navegar nesses mares não é nada fácil. Grata surpresa, e faz tempo que não dou uma nota cinco. Toma!

Vicky Cristina Barcelona

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Direção: Woody Allen.
Elenco: Scarlett Johannson, Rebecca Hall, Chris Messina, Javier Bardem, Penélope Cruz.

Entre os altos e baixos de uma década marcada pela transformação sofrida em seu estilo cinematográfico, a hibridez entre as artes plásticas, a fotografia e a disparidade cultural entre Europa e Estados Unidos é corpo para que Woody Allen nos apresente Vicky Cristina Barcelona, uma das expressões cinematográficas que, como as duas que a antecederam (Match Point e Scoop), suscita ainda mais perspicácia para este autor não atuar em seus filmes e, além disso, o ajudará a consumar sua nova linguagem.

A obra trata de temas em que o diretor já visitara em quase todas as suas concepções; a soberania de uma mulher sobre um homem, o que também poderemos, possivelmente, observar que se trata de um estigma pessoal em que este se encarregará de levar até o fim de seus dias. Sua premissa filosófica, neste filme, permeia também a inspiração artística que impele vivacidade, a sobreposição entre uma personalidade e outra, além do hedonismo sofisticado regido por bons vinhos e belos cenários, possíveis apenas nas férias de verão das extraordinárias cidades européias.

A interface das situações se dá também quando Allen exprime uma espécie de obsessão em abordar a oscilação temperamental e psicológica do Homem (sapien), rompendo, nesse caso em específico, com sua característica em superficializar o drama e a comédia – ação indiretamente corriqueira entre um filme e outro de sua autoria. No entanto, em Vicky Cristina Barcelona, que tem como protagonistas as duas amigas Vicky (Scarlett Johannson) e Cristina (Rebecca Hall), a narrativa nos envolve na dicotomia entre os ideais de duas jovens e belas personagens em despeito do amor, comportamento e valores.

Vicky é a menina rica e bem comportada, que pesquisa aprofundadamente a cultura catalã para seu mestrado e está noiva de um homem rico Doug (Chris Messina), membro da alta roda Novaiorquina. No entanto, é também refém de valores absolutistas que a faz desconhecer a verdadeira essência de seus sentimentos. Cristina, por sua vez, embora tenha viajado provida da frustração por seu fracasso em conceber um curta-metragem de caráter pífio e ironicamente consistido no amor que nos faz libertários, é mais aberta a novas experiências e se reinventa na viagem à bela cidade espanhola, imergindo em sua nova paixão; o experimento fotográfico.

Para temperar ainda mais tamanho antagonismo entre a filosofia de vida das duas belas e jovens americanas, numa certa noite, ambas conhecem, simultaneamente, em um vernissage, o pintor espanhol Juan Antonio (Javier Bardem), que é bom anfitrião, boêmio e um impetuoso galanteador, mesmo que ainda estivesse se recuperando da recente e desastrosa separação com sua esposa Maria Elena (Penélope Cruz), mulher estupendamente linda, talentosa e ainda mais sedutora que seu marido, a ponto de fincar violentamente uma faca em seu corpo e não suprimir a paixão que o mesmo desenvolverá por ela, o que despertou grande curiosidade em Cristina para conhecê-la em sua total intimidade.

Entre seduções, conquistas e decepções se desenrola uma trama inteligentemente hilária, provida de muito requinte e imagens grandiosas (sobretudo as fotografias produzidas no filme), performances envolventes e que evocam reflexões complexas ao sair do cinema. Com o exemplo: questionarmos-nos se os valores que estabelecemos como primordiais para um matrimonio são realmente relevantes para atingirmos a felicidade, ou se ficamos tão bitolados com as interferências externas, impostas em suma pelas “regras” da sociedade em que estamos inseridos, a ponto de não enxergarmos nossa previsibilidade.

Com mais uma grande escolha desse extraordinário diretor, feliz em suas provocações e na parceria com grande elenco, o que representa perfeitamente bem sua fantástica inquietude, atribuo a minha cinemateca mais uma obra de arte que perdurará por gerações posteriores e se constituirá como um grande clássico.

Tito Oliveira

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Batman – O Cavaleiro das Trevas

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Direção: Christopher Nolan.
Elenco/Vozes: William Fichtner, Christian Bale, Aaron Eckhart, Michael Caine, Gary Oldman, Heath Ledger, Eric Roberts, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal, Nathan Gamble, Nestor Carbonell, Melinda McGraw, Michael Jai White, Joshua Harto, Beatrice Rosen, Chin Han.

Finalmente a contagem zerou e todos os fãs, e outros nem tanto, puderam ver o novo filme do Batman. Esperávamos o melhor, e tudo aconteceu como planejado, desde o roteiro à trilha sonora, passando pela atuação de todos. Podemos dizer que com um elenco desse nível não podia dar errado, coadjuvantes como Morgan Freeman e Michael Caine não são pra qualquer um, mas obviamente o trabalho do Nolan é fenomenal.

Nolan elevou o nível e espero que vire um exemplo para quem deseja contar outras histórias sobre Heróis e Vilões. Ele não hesita em gastar seus preciosos minutos tentando tornar todo aquele universo possível, acreditamos não só em Harvey Dent, mas que é possível ter um cara vestido de morcego combatendo o crime, atormentados por cada ação escolhida. Fugindo de personagens simplórios e unilaterais comumente visto, Nolan explora cada pedaço, seja bom ou ruim, da essência de seus personagens.

Por alguns minutos eu havia esquecido que o Heath Legder havia falecido, tamanha foi sua presença em cena, que em alguns casos, literalmente roubava a cena (se é que vocês me entendem). Porém, acabado esses poucos minutos, não tem como não pensar “que pena esse cara ter morrido”. Foi uma das poucas vezes que o exagero de todos os críticos se tornaram realidade, a sua atuação como Coringa foi estupenda, na falta de uma adjetivo mais forte podemos dizer única, eliminando o sentido óbvio da palavra. Junte isso a um roteiro bem escrito, com frases de dar um nó na cabeças dos mais pensantes. Realmente, é uma pena. Acredito que o mesmo foi dito do Coringa de Nicholson na época, e hoje tivemos o Ledger, então vamos esperar um pouco.

Além disso, o filme não se limita em ser simplesmente sério, há também momentos de homenagens e críticas. Críticas como no caso do aparato tecnológico usado na parte final do filme, pra variar foi um tapa na casa do atual presidente dos EUA. E homenagem, um sinal de “ei, respeitem o Batman do Tim Burton”, feita de Coringa pra Coringa. As comparações serão inevitáveis e frases como “esse Coringa deixa o outro no chinelo” serão ditas, mas acredito que seja uma grande bobagem, e essa mania que temos de esquecer os precursores é outra maior ainda. São épocas diferentes, propostas diferentes, não se pode esperar que pessoas diferentes contem a mesma história. Tim Burton é genial e tem seu valor, e eu arrisco dizer que todos já fomos fanáticos pelos primeiros filmes (I e II, claro).

Até agora, tudo que li foram boas percepções, mas sempre vai ter alguém que não goste. Esse malditos corvos até que são úteis, vamos esperar sua aparição. Eu poderia escrever muito mais sobre todas as características técnicas perfeitamente utilizadas, do roteiro com todas as arestas aparadas, das atuações brilhantes e na medida, da trilha sonora estonteante, mas seria parcial demais pra quem já viu duas vezes o mesmo filme, em apenas dois dias.

Wall.E

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Direção: Andrew Stanton.
Elenco/Vozes: Fred Willard, Jeff Garlin, Ben Burtt, Kim Kopf, Garrett Palmer, Sigourney Weaver.

Antes de WALL.E começar, é exibido para os espectadores o sensacional curta “Presto”. Engraçado pra valer, quase do nível de “Para os Pássaros”. Mas o espetáculo ainda estava por vir… Vocês devem se perguntar de onde a PIXAR tira tamanha genialidade, e eu tenho a resposta: do coração! Animações feitas com coração é a fórmula do sucesso da PIXAR. Personagens marcantes, situações engraçadas, animações que agradam adultos e crianças. E sempre aquele ponto de qualidade que só a PIXAR consegue, e sejamos francos, a Dreamworks nunca conseguiu (Não chegou nem longe, foi mais distante que isso!) alcançar esse ponto (Nem com Shrek!!!)… Mas e então? WALL.E é bom?

Bom é pouco! É espetacular! Uma Obra-Prima! Sinceramente, não existe algum elogio que possa definir WALL.E! E não estou exagerando, pelo contrário! Estou sendo injusto com o filme… A PIXAR já demonstrou que não tem limites, e WALL.E é a prova disso. O personagem mais humano do século… Isso mesmo! O mais HUMANO do século é um robôzinho! Uma máquina com alma e coração… Essa é a definição certa de WALL.E!

Uma sinopse do filme: A terra ficou tão suja, que os humanos tiveram que partir e deixar aqui robôs que compactassem lixo para quando eles voltassem. WALL.E foi o único que sobrou deles, pois o resto pifou com o tempo. E esse tempo fez ele adquirir sentimentos humanos, se tornando um robô bem diferente. Sua única companhia é sua barata de estimação, Spot. E não revelo mais nada do roteiro, pois quem for ao cinema sem saber de nada é que vai se admirar com um espetáculo fora do comum.

WALL.E é um filme emocionante, belo, mágico, lindissimo… Posso continuar aqui a noite inteira, mas é melhor não fazer isso, né?! Se a PIXAR acertou de novo? Não apenas acertou, como fez o melhor filme do século! Conseguiu, em minha opinião, superar até mesmo Sangue Negro!

Não digo mais nada sobre esse filme, mas só sei que ele vai mudar a vida de muita gente. Um conselho? Olhe bem para o céu. Reflita. Depois corra para o cinema e assista WALL.E! Quantas vezes? Você que sabe! Só sei que vou ficar muito triste quando esse filme sair de cartaz…

Gabriel Costa

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Sangue Negro

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Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco/Vozes: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Ciarán Hinds, Dillon Freasier, Kevin J. O’Connor.

Esse filme fecha uma seqüência de excelentes títulos lançados (internacionalmente) em 2007. Não preciso mencionar todos os bons filmes do ano, mas o que conta é que temos ótimas opções para as premiações anuais e a sétima arte continua surpreendendo. Dentro deste contexto não é surpresa ver que filmes especiais como Sangue Negro acabem perdendo repercussão em relação a outros mais comentados, nomeadamente Onde Os Fracos Não Tem Vez e Juno. Mas a verdade é que Sangue Negro supera estes filmes em diversos quesitos, sendo para este cinéfilo o melhor filme do ano. Trata-se de uma obra de arte da mais refinada qualidade, uma trama brilhantemente levada e um filme com aspectos técnicos e visuais grandiosos.

No filme, que por sua vez é baseado no livro Oil!, de Upton Sinclair, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um minerador frio e ambicioso que rapidamente torna-se um bem sucedido explorador de petróleo. Daniel acaba por receber uma dica de um local perfeito para perfuração de petróleo e segue com seu filho (H.W., interpretado por Dillon Freasier) e sua equipe em uma jornada para adquirir os terrenos que cobrem esta área, montar as torres e firmar ainda mais seu negócio. Mas na pacata região ele encontrará desafios e surpresas, dentre eles o padre Eli Sunday (Paul Dano) e um irmão que não conhecia (Henry Brands, interpretado por Kevin O’Connor).

Antes de tratar da incrível atuação do Daniel Day-Lewis, tema normalmente destacado ao comentar Sangue Negro, o filme surpreende de forma indescritível pela sua direção. Fazendo uma introdução original e magnífica o diretor Paul Thomas Anderson mostra que não é excelente apenas em filmes modernizados (em trama, estilo e técnica) como Magnólia e Boogie Nights, mas sabe adaptar-se aos mais diversos contextos mantendo (e aperfeiçoando) sua qualidade. Os quinze primeiros minutos do filme praticamente não possuem diálogos, e nem estes são necessários. A profundidade e beleza destas cenas são únicas. E não para por aí – o modo como a trama é levada, o excelente roteiro, as cenas fortes e complexas, o desenvolvimento das personagens, e todos os aspectos técnicos do filme (com destaque absoluto para a fotografia e trilha sonora), tornam Sangue Negro um filme incomparável.

Ainda antes de Day-Lewis, dois pontos merecem comentários. A já mencionada fotografia, e a intensa trilha sonora. Vejo que muitos se equivocam (como já o fiz) ao julgar fotografia, dada a equivalência da palavra com a da fotografia convencional. Para o cinema fotografia, ou melhor ainda cinematografia, um termo mais próximo da palavra em inglês Cinematography (usada em premiações), não trata exatamente de beleza de cenários, paisagens e objetos da cena, como uma foto trataria. Fotografia é a arte da iluminação de cenários e escolha de lentes, cores e rolos de filme. Cenários e paisagens tendem a ser muito mais méritos da direção de arte do que da fotografia. Comento isso para justificar meu polêmico julgamento de que não observei fotografia melhor neste ano do que a de Sangue Negro. A iluminação e escolha de cores é simplesmente maravilhosa, ajudando (por sua escuridão e densidade) na construção do próprio filme e das personagens. As cenas são tão bem feitas que conseguem destacar por completo aquilo que PTA considera mais importante. Em algumas mais específicas o rosto de Daniel Plainview aparece isolado na tela, nítido em plena escuridão, formando profundas imagens de tirar o fôlego.

E chegamos também a trilha sonora, tensa e complexa como todo o filme, muitas vezes incômoda. De responsabilidade de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, a trilha ajuda significativamente na construção das personagens e na dramatização, fortalecendo ainda mais as sensações do espectador, sejam estas de raiva, tensão, melancolia ou ironia. Vale o comentário de que parte da trilha já havia sido usada pelo músico e por isso esta não pôde concorrer ao Oscar.

Como se não bastassem qualidades para esse filme, temos a atuação de Daniel Day-Lewis, incomparavelmente a melhor atuação do ano. Day-Lewis cria um personagem fortíssimo, de alta complexidade e profundidade, e mesmo que suas características sejam muitas vezes deploráveis e cruéis, é inevitável se encantar com a interpretação do ator. Poucas vezes poderemos apreciar um gênio da interpretação em um papel tão forte. Ainda no elenco temos o destaque do ator Paul Dano, lançado ao mundo por sua memorável interpretação em Pequena Miss Sunshine. Ele assume aqui um papel extremamente difícil, sem contar o desafio de preencher a tela ao lado de Day-Lewis. Mas Dano supera expectativas, participa de cenas excelentes e de extrema importância para a trama, e não se deixa diminuir perante Day-Lewis.

Há ainda dezenas de qualidades que gostaria de tratar, como a trágica e complexa história (e roteiro) – e sua eventual semelhança com clássicos como Cidadão Kane -, o modo de desenvolvimento da trama usado pelo diretor, as claras metáforas ao mundo contemporâneo e materialista, a filosofia por traz da ambição e destruição tratadas no filme, dentre outras. Mas não há nada melhor para compreender a grandeza desse filme do que assistir por você mesmo e, se possível, repetir a dose. Reconheço não ser um filme para todos os gostos e não terei expectativa alguma quanto à premiações (Oscar). Mas mesmo sendo fã inquestionável dos irmãos Coen e de Onde Os Fracos Não Tem Vez, não tenho opção se não a de venerar Sangue Negro como a melhor obra deste ano. Certamente um dos seletos filmes que ficarão na história do cinema. Uma obra de arte refinada, complexa, profunda e detalhista. Um filme com o melhor que o cinema pode proporcionar.

Bodão

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Persépolis

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Direção: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi.
Elenco/Vozes: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites.

Dessa vez temos um forte concorrente para acabar com a hegemonia da Pixar no Oscar. Persépolis não tem o carisma e nem as cores dos desenhos da Pixar, mas consegue ser mais poderoso visualmente, mesmo sendo, na sua grande maioria, feito de preto, branco e cinza.

Persépolis é dublado em francês pelas principais atrizes francesas, e conta a história, na visão de uma criança, do Irã e sua revolução, bem como sua guerra contra o Iraque. É nesse plano de fundo que acompanhamos o crescimento de uma engraçada e curiosa menina iraniana.

O filme não possui grandes efeitos, mas usa com maestria e sensibilidade suas imagens, criando momentos espetaculares durante sua exibição. Definitivamente simples e extremamente poderoso, não consigo imaginar outras palavras. Sem deixar o humor de lado, muitas vezes até pesado, Persépolis brinca na hora certa.

Além de tudo isso, Persépolis tem ótimas sacadas para demonstrar a passagem do tempo, explicando através de música e filmes de cada época. O filme mostra também a formação de uma cultura, e a importância de não esquecer de onde somos. Uma mensagem forte, simples e poderosa, sem perder o tempo de fazer humor.

Desejo e Reparação

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Direção: Joe Wright.
Elenco/Vozes: Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan, Vanessa Redgrave.

Apesar dos elogios da crítica, devo admitir que esperava pouco de Desejo e Reparação, no máximo um Razão e Sensibilidade, esse inclusive eu nem consegui terminar. Óbvio que é um filme arrastado, de época, com momentos que dão sono. Mas em compensação vem junto de uma série de características técnicas e atuações que não só vale a pena ver como me deixou em dúvida de qual será o escolhido como melhor filme no Oscar 2008.

No início a trilha sonora incomoda um pouco, parecia algo Tom Zé com Björk, aquela coisa experimental que mistura sons com música mas depois tudo se encaixa e fica mais natural. A fotografia é outro item técnico que vale a pena gastar algumas palavras, pois é simplesmente fantástica, de tirar o fôlego, confesso que pausei algumas vezes, imaginando um belo quadro. Continuando o “passeio” técnico, se você acha que Os Filhos da Esperança tem uma tomada sem corte excepcional, e realmente tem, espere pra vez a tomada mais longa e bela que eu lembro ter visto num filme, angustiantemente interminável.

E por último o roteiro, que flui normal e sem grandes falhas durante quase todo filme, até que vem um daqueles finais com uma sacada fenomenal (e é o máximo que eu posso dizer), que para mim, depois disso torna-se um roteiro excepcional. Pois o final é como se fosse a consumação do grande truque do mágico, que esconde a surpresa até o último momento sem se entregar, quando então chega o instante em que o coelho sai da cartola, e agora basta se encurvar e receber os aplausos.

Onde Os Fracos Não Têm Vez

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Direção: Ethan Coen e Joel Coen.
Elenco/Vozes: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harrelson, Stephen Root, Josh Brolin, Garret Dillahunt, Kelly Macdonald.

Logo de cara, o novo filme dos irmãos Coen mostra pra que veio, uma fotografia espetacular é exibida enquanto o prólogo do filme é narrado. Sem dúvida, uma das melhores fotografias e ângulos de filmagem que eu já vi. Pra variar, a tradução do título brasileiro é sensacionalista, como quase tudo nesse país, e não representa a essência do filme, que em inglês tem o título No Country For Old Men.

Interessante o ritmo empregado do filme, onde há momentos em que personagens entram em cena do nada, sem introdução alguma, apenas para conversar (diálogos muito bons) com os personagens principais. Fugindo com louvor do mundo clichê, Onde Os Fracos Não Têm Vez, apesar de alguns exageros, é um filme que soa realidade. Não sou bom em prever o futuro, mas acredito que esse vem pra levar Oscar.

Uma escolha primorosa de elenco, junto com uma direção impecável, que sem dúvida alguma, soube tirar de cada ator o seu melhor, mesmo que seja por 5 minutos de participação. Finalmente Javier Bardem surgiu para o mundo, brilhante atuação. Lee Jones faz o de sempre, e bem.

Era o que faltava para eu por os irmãos Coen na linha de frente dos bom diretores, além de roteiristas, claro. Impecável, sinceramente não conseguir achar algo que não gostasse. Só de escrever essa pequena resenha já sinto vontade de ver novamente.

 
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