Agora você pode dar sua própria nota para os filmes comentados no Cinéfilos.
Clique nas estrelas à direita, dê sua nota e aproveite para
deixar um comentário justificando sua opinião.

Batman - O Cavaleiro das Trevas

5 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Christopher Nolan.
Elenco/Vozes: William Fichtner, Christian Bale, Aaron Eckhart, Michael Caine, Gary Oldman, Heath Ledger, Eric Roberts, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal, Nathan Gamble, Nestor Carbonell, Melinda McGraw, Michael Jai White, Joshua Harto, Beatrice Rosen, Chin Han.

Finalmente a contagem zerou e todos os fãs, e outros nem tanto, puderam ver o novo filme do Batman. Esperávamos o melhor, e tudo aconteceu como planejado, desde o roteiro à trilha sonora, passando pela atuação de todos. Podemos dizer que com um elenco desse nível não podia dar errado, coadjuvantes como Morgan Freeman e Michael Caine não são pra qualquer um, mas obviamente o trabalho do Nolan é fenomenal.

Nolan elevou o nível e espero que vire um exemplo para quem deseja contar outras histórias sobre Heróis e Vilões. Ele não hesita em gastar seus preciosos minutos tentando tornar todo aquele universo possível, acreditamos não só em Harvey Dent, mas que é possível ter um cara vestido de morcego combatendo o crime, atormentados por cada ação escolhida. Fugindo de personagens simplórios e unilaterais comumente visto, Nolan explora cada pedaço, seja bom ou ruim, da essência de seus personagens.

Por alguns minutos eu havia esquecido que o Heath Legder havia falecido, tamanha foi sua presença em cena, que em alguns casos, literalmente roubava a cena (se é que vocês me entendem). Porém, acabado esses poucos minutos, não tem como não pensar “que pena esse cara ter morrido”. Foi uma das poucas vezes que o exagero de todos os críticos se tornaram realidade, a sua atuação como Coringa foi estupenda, na falta de uma adjetivo mais forte podemos dizer única, eliminando o sentido óbvio da palavra. Junte isso a um roteiro bem escrito, com frases de dar um nó na cabeças dos mais pensantes. Realmente, é uma pena. Acredito que o mesmo foi dito do Coringa de Nicholson na época, e hoje tivemos o Ledger, então vamos esperar um pouco.

Além disso, o filme não se limita em ser simplesmente sério, há também momentos de homenagens e críticas. Críticas como no caso do aparato tecnológico usado na parte final do filme, pra variar foi um tapa na casa do atual presidente dos EUA. E homenagem, um sinal de “ei, respeitem o Batman do Tim Burton”, feita de Coringa pra Coringa. As comparações serão inevitáveis e frases como “esse Coringa deixa o outro no chinelo” serão ditas, mas acredito que seja uma grande bobagem, e essa mania que temos de esquecer os precursores é outra maior ainda. São épocas diferentes, propostas diferentes, não se pode esperar que pessoas diferentes contem a mesma história. Tim Burton é genial e tem seu valor, e eu arrisco dizer que todos já fomos fanáticos pelos primeiros filmes (I e II, claro).

Até agora, tudo que li foram boas percepções, mas sempre vai ter alguém que não goste. Esse malditos corvos até que são úteis, vamos esperar sua aparição. Eu poderia escrever muito mais sobre todas as características técnicas perfeitamente utilizadas, do roteiro com todas as arestas aparadas, das atuações brilhantes e na medida, da trilha sonora estonteante, mas seria parcial demais pra quem já viu duas vezes o mesmo filme, em apenas dois dias.

Wall.E

13 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Andrew Stanton.
Elenco/Vozes: Fred Willard, Jeff Garlin, Ben Burtt, Kim Kopf, Garrett Palmer, Sigourney Weaver.

Antes de WALL.E começar, é exibido para os espectadores o sensacional curta “Presto”. Engraçado pra valer, quase do nível de “Para os Pássaros”. Mas o espetáculo ainda estava por vir… Vocês devem se perguntar de onde a PIXAR tira tamanha genialidade, e eu tenho a resposta: do coração! Animações feitas com coração é a fórmula do sucesso da PIXAR. Personagens marcantes, situações engraçadas, animações que agradam adultos e crianças. E sempre aquele ponto de qualidade que só a PIXAR consegue, e sejamos francos, a Dreamworks nunca conseguiu (Não chegou nem longe, foi mais distante que isso!) alcançar esse ponto (Nem com Shrek!!!)… Mas e então? WALL.E é bom?

Bom é pouco! É espetacular! Uma Obra-Prima! Sinceramente, não existe algum elogio que possa definir WALL.E! E não estou exagerando, pelo contrário! Estou sendo injusto com o filme… A PIXAR já demonstrou que não tem limites, e WALL.E é a prova disso. O personagem mais humano do século… Isso mesmo! O mais HUMANO do século é um robôzinho! Uma máquina com alma e coração… Essa é a definição certa de WALL.E!

Uma sinopse do filme: A terra ficou tão suja, que os humanos tiveram que partir e deixar aqui robôs que compactassem lixo para quando eles voltassem. WALL.E foi o único que sobrou deles, pois o resto pifou com o tempo. E esse tempo fez ele adquirir sentimentos humanos, se tornando um robô bem diferente. Sua única companhia é sua barata de estimação, Spot. E não revelo mais nada do roteiro, pois quem for ao cinema sem saber de nada é que vai se admirar com um espetáculo fora do comum.

WALL.E é um filme emocionante, belo, mágico, lindissimo… Posso continuar aqui a noite inteira, mas é melhor não fazer isso, né?! Se a PIXAR acertou de novo? Não apenas acertou, como fez o melhor filme do século! Conseguiu, em minha opinião, superar até mesmo Sangue Negro!

Não digo mais nada sobre esse filme, mas só sei que ele vai mudar a vida de muita gente. Um conselho? Olhe bem para o céu. Reflita. Depois corra para o cinema e assista WALL.E! Quantas vezes? Você que sabe! Só sei que vou ficar muito triste quando esse filme sair de cartaz…

Gabriel Costa

Você também pode ter sua crítica publicada no Cinéfilos.
Basta deixar um comentário ou enviar um e-mail para Email.

Sangue Negro

9 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco/Vozes: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Ciarán Hinds, Dillon Freasier, Kevin J. O’Connor.

Esse filme fecha uma seqüência de excelentes títulos lançados (internacionalmente) em 2007. Não preciso mencionar todos os bons filmes do ano, mas o que conta é que temos ótimas opções para as premiações anuais e a sétima arte continua surpreendendo. Dentro deste contexto não é surpresa ver que filmes especiais como Sangue Negro acabem perdendo repercussão em relação a outros mais comentados, nomeadamente Onde Os Fracos Não Tem Vez e Juno. Mas a verdade é que Sangue Negro supera estes filmes em diversos quesitos, sendo para este cinéfilo o melhor filme do ano. Trata-se de uma obra de arte da mais refinada qualidade, uma trama brilhantemente levada e um filme com aspectos técnicos e visuais grandiosos.

No filme, que por sua vez é baseado no livro Oil!, de Upton Sinclair, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um minerador frio e ambicioso que rapidamente torna-se um bem sucedido explorador de petróleo. Daniel acaba por receber uma dica de um local perfeito para perfuração de petróleo e segue com seu filho (H.W., interpretado por Dillon Freasier) e sua equipe em uma jornada para adquirir os terrenos que cobrem esta área, montar as torres e firmar ainda mais seu negócio. Mas na pacata região ele encontrará desafios e surpresas, dentre eles o padre Eli Sunday (Paul Dano) e um irmão que não conhecia (Henry Brands, interpretado por Kevin O’Connor).

Antes de tratar da incrível atuação do Daniel Day-Lewis, tema normalmente destacado ao comentar Sangue Negro, o filme surpreende de forma indescritível pela sua direção. Fazendo uma introdução original e magnífica o diretor Paul Thomas Anderson mostra que não é excelente apenas em filmes modernizados (em trama, estilo e técnica) como Magnólia e Boogie Nights, mas sabe adaptar-se aos mais diversos contextos mantendo (e aperfeiçoando) sua qualidade. Os quinze primeiros minutos do filme praticamente não possuem diálogos, e nem estes são necessários. A profundidade e beleza destas cenas são únicas. E não para por aí – o modo como a trama é levada, o excelente roteiro, as cenas fortes e complexas, o desenvolvimento das personagens, e todos os aspectos técnicos do filme (com destaque absoluto para a fotografia e trilha sonora), tornam Sangue Negro um filme incomparável.

Ainda antes de Day-Lewis, dois pontos merecem comentários. A já mencionada fotografia, e a intensa trilha sonora. Vejo que muitos se equivocam (como já o fiz) ao julgar fotografia, dada a equivalência da palavra com a da fotografia convencional. Para o cinema fotografia, ou melhor ainda cinematografia, um termo mais próximo da palavra em inglês Cinematography (usada em premiações), não trata exatamente de beleza de cenários, paisagens e objetos da cena, como uma foto trataria. Fotografia é a arte da iluminação de cenários e escolha de lentes, cores e rolos de filme. Cenários e paisagens tendem a ser muito mais méritos da direção de arte do que da fotografia. Comento isso para justificar meu polêmico julgamento de que não observei fotografia melhor neste ano do que a de Sangue Negro. A iluminação e escolha de cores é simplesmente maravilhosa, ajudando (por sua escuridão e densidade) na construção do próprio filme e das personagens. As cenas são tão bem feitas que conseguem destacar por completo aquilo que PTA considera mais importante. Em algumas mais específicas o rosto de Daniel Plainview aparece isolado na tela, nítido em plena escuridão, formando profundas imagens de tirar o fôlego.

E chegamos também a trilha sonora, tensa e complexa como todo o filme, muitas vezes incômoda. De responsabilidade de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, a trilha ajuda significativamente na construção das personagens e na dramatização, fortalecendo ainda mais as sensações do espectador, sejam estas de raiva, tensão, melancolia ou ironia. Vale o comentário de que parte da trilha já havia sido usada pelo músico e por isso esta não pôde concorrer ao Oscar.

Como se não bastassem qualidades para esse filme, temos a atuação de Daniel Day-Lewis, incomparavelmente a melhor atuação do ano. Day-Lewis cria um personagem fortíssimo, de alta complexidade e profundidade, e mesmo que suas características sejam muitas vezes deploráveis e cruéis, é inevitável se encantar com a interpretação do ator. Poucas vezes poderemos apreciar um gênio da interpretação em um papel tão forte. Ainda no elenco temos o destaque do ator Paul Dano, lançado ao mundo por sua memorável interpretação em Pequena Miss Sunshine. Ele assume aqui um papel extremamente difícil, sem contar o desafio de preencher a tela ao lado de Day-Lewis. Mas Dano supera expectativas, participa de cenas excelentes e de extrema importância para a trama, e não se deixa diminuir perante Day-Lewis.

Há ainda dezenas de qualidades que gostaria de tratar, como a trágica e complexa história (e roteiro) – e sua eventual semelhança com clássicos como Cidadão Kane -, o modo de desenvolvimento da trama usado pelo diretor, as claras metáforas ao mundo contemporâneo e materialista, a filosofia por traz da ambição e destruição tratadas no filme, dentre outras. Mas não há nada melhor para compreender a grandeza desse filme do que assistir por você mesmo e, se possível, repetir a dose. Reconheço não ser um filme para todos os gostos e não terei expectativa alguma quanto à premiações (Oscar). Mas mesmo sendo fã inquestionável dos irmãos Coen e de Onde Os Fracos Não Tem Vez, não tenho opção se não a de venerar Sangue Negro como a melhor obra deste ano. Certamente um dos seletos filmes que ficarão na história do cinema. Uma obra de arte refinada, complexa, profunda e detalhista. Um filme com o melhor que o cinema pode proporcionar.

Bodão

Você também pode ter sua crítica publicada no Cinéfilos.
Basta deixar um comentário ou enviar um e-mail para Email.

Persépolis

Comentários fechados     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi.
Elenco/Vozes: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites.

Dessa vez temos um forte concorrente para acabar com a hegemonia da Pixar no Oscar. Persépolis não tem o carisma e nem as cores dos desenhos da Pixar, mas consegue ser mais poderoso visualmente, mesmo sendo, na sua grande maioria, feito de preto, branco e cinza.

Persépolis é dublado em francês pelas principais atrizes francesas, e conta a história, na visão de uma criança, do Irã e sua revolução, bem como sua guerra contra o Iraque. É nesse plano de fundo que acompanhamos o crescimento de uma engraçada e curiosa menina iraniana.

O filme não possui grandes efeitos, mas usa com maestria e sensibilidade suas imagens, criando momentos espetaculares durante sua exibição. Definitivamente simples e extremamente poderoso, não consigo imaginar outras palavras. Sem deixar o humor de lado, muitas vezes até pesado, Persépolis brinca na hora certa.

Além de tudo isso, Persépolis tem ótimas sacadas para demonstrar a passagem do tempo, explicando através de música e filmes de cada época. O filme mostra também a formação de uma cultura, e a importância de não esquecer de onde somos. Uma mensagem forte, simples e poderosa, sem perder o tempo de fazer humor.

Desejo e Reparação

4 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Joe Wright.
Elenco/Vozes: Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan, Vanessa Redgrave.

Apesar dos elogios da crítica, devo admitir que esperava pouco de Desejo e Reparação, no máximo um Razão e Sensibilidade, esse inclusive eu nem consegui terminar. Óbvio que é um filme arrastado, de época, com momentos que dão sono. Mas em compensação vem junto de uma série de características técnicas e atuações que não só vale a pena ver como me deixou em dúvida de qual será o escolhido como melhor filme no Oscar 2008.

No início a trilha sonora incomoda um pouco, parecia algo Tom Zé com Björk, aquela coisa experimental que mistura sons com música mas depois tudo se encaixa e fica mais natural. A fotografia é outro item técnico que vale a pena gastar algumas palavras, pois é simplesmente fantástica, de tirar o fôlego, confesso que pausei algumas vezes, imaginando um belo quadro. Continuando o “passeio” técnico, se você acha que Os Filhos da Esperança tem uma tomada sem corte excepcional, e realmente tem, espere pra vez a tomada mais longa e bela que eu lembro ter visto num filme, angustiantemente interminável.

E por último o roteiro, que flui normal e sem grandes falhas durante quase todo filme, até que vem um daqueles finais com uma sacada fenomenal (e é o máximo que eu posso dizer), que para mim, depois disso torna-se um roteiro excepcional. Pois o final é como se fosse a consumação do grande truque do mágico, que esconde a surpresa até o último momento sem se entregar, quando então chega o instante em que o coelho sai da cartola, e agora basta se encurvar e receber os aplausos.

Onde Os Fracos Não Têm Vez

64 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Ethan Coen e Joel Coen.
Elenco/Vozes: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harrelson, Stephen Root, Josh Brolin, Garret Dillahunt, Kelly Macdonald.

Logo de cara, o novo filme dos irmãos Coen mostra pra que veio, uma fotografia espetacular é exibida enquanto o prólogo do filme é narrado. Sem dúvida, uma das melhores fotografias e ângulos de filmagem que eu já vi. Pra variar, a tradução do título brasileiro é sensacionalista, como quase tudo nesse país, e não representa a essência do filme, que em inglês tem o título No Country For Old Men.

Interessante o ritmo empregado do filme, onde há momentos em que personagens entram em cena do nada, sem introdução alguma, apenas para conversar (diálogos muito bons) com os personagens principais. Fugindo com louvor do mundo clichê, Onde Os Fracos Não Têm Vez, apesar de alguns exageros, é um filme que soa realidade. Não sou bom em prever o futuro, mas acredito que esse vem pra levar Oscar.

Uma escolha primorosa de elenco, junto com uma direção impecável, que sem dúvida alguma, soube tirar de cada ator o seu melhor, mesmo que seja por 5 minutos de participação. Finalmente Javier Bardem surgiu para o mundo, brilhante atuação. Lee Jones faz o de sempre, e bem.

Era o que faltava para eu por os irmãos Coen na linha de frente dos bom diretores, além de roteiristas, claro. Impecável, sinceramente não conseguir achar algo que não gostasse. Só de escrever essa pequena resenha já sinto vontade de ver novamente.

Tropa de Elite

33 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: José Padilha.
Elenco/Vozes: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda Machado, Maria Ribeiro, Fernanda de Freitas, Milhem Cortaz, Suzana Pires, Paulo Vilela e Fábio Lago.

Lá vem o Brasil em busca do Oscar de filme estrangeiro, e o carro chefe provavelmente deve ser esse mesmo. Pena que o filme vazou antes de chegar ao cinema, inclusive vazou pela empresa que estaria colocando as legendas em inglês. Tanto, que a versão que corre solta por ai, que inclusive eu vi, está com cara pra gringo ver, além de mal acabada. Sinceramente eu acho que esse polêmica toda deve gerar mais bilheteria que o normal, eu mesmo vou ver novamente no cinema (eu já vi duas vezes).

Já soube até que rolou ou tá rolando umas apresentações em São Paulo, isso porque o Oscar exige que o filme seja apresentado nos cinemas até no máximo no final de Setembro (desculpem a falta de precisão e de fonte de notícias). Só espero que depois de toda essa confusão e polêmica o filme volte a ser comentado e badalado pelo motivo certo, que é seu excelente roteiro, montagem, edição e atuações. É isso mesmo, mais um “Cidade de Deus” produzido pelo cinema brasileiro, nas suas devidas proporções.

O filme tem um ar de documentário, e o roteiro é baseado em depoimentos de pessoas que fizeram ou fazem parte do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE. A história gira em torno do Capitão Nascimento, vivido de forma impecável por Wagner Moura (é, o Olavo da novela), sua rotina na polícia, em casa, treinamentos e na tensão e estresse vivido pelos participantes dessa polícia, dita no filme como “melhor” que o exército israelita. Na verdade o BOPE nem deveria ser considerado um tipo de polícia, é realmente um exército em ação. Não tem como negar um certo orgulho e patriotismo ao ouvir tantos elogios e cenas que exaltam o tal esquadrão de elite, mas o outro lado da história é um verdadeiro tapa na cara da sociedade brasileira. A final de contas de quem é culpa pela situação?

Essa, e outras perguntas são respondidas e bem explicadas numa sequência de cenas marcantes durante todo o filme. Talvez até seja injustiça minha citar uma única cena, além de estragar o impacto que vai causar em quem não assistiu ainda. Não posso deixar de falar também no diretor José Padilha, responsável também pelo excelente documentário Ônibus 174, que dirige de forma brilhante, dando uma aula pra esses diretores de novela que insistem em fazer filmes (Olga), apesar de uma insistência, acredito que proposital para dar ar de documentário, em mostrar muito os rostos dos atores. Mas quando abre o plano o faz com maestria, retratando uma fotografia totalmente condizente com o filme.

A polêmica da pirataria tá solta, mas o reflexo vamos ver no cinema, e eu não sou hipócrita de pedir pra você não ver a versão pirata, porém acho que vale a pena ir ao cinema, nem que seja pra prestigiar, além do fato que essa versão pirata não estava bem finalizada, e segundo o próprio diretor, existem mudanças significativas da versão que vai ao cinema, inclusive mensurável: 1 milhão a mais.

Os Simpsons – O Filme

11 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: David Silverman.
Elenco/Vozes: Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer, Hank Azaria, Marcia Wallace, Tress MacNeille, Pamela Hayden, Philip Rosenthal, Albert Brooks, Russi Taylor, Maggie Roswell, Tom Hanks, Joe Mantegna, Billie Joe Armstrong, Tre Cool e Mike Dimt .

Poucas coisas são tão geniais e legais como Os Simpsons. Não é atoa que a coisa já dura tanto tempo. Só pra ter uma idéia já fechou a 18ª Temporada, impressionante. Se me permitem, eu gostaria de comparar Matt Groening e Tolkien, pois ambos criaram um mundo novo, e preencheram de personagens interessantes, respeitando obviamente as proporções e o que chamei de “interessante”, são veias diferentes, claro. Ao conhecer Simpsons, Malvados, South Park, eu me senti burro por não ter uma idéia genial desse tipo, pois apesar de serem engraçados e controversos, não devem ser tão difícil imaginar situações do gênero. Mas eu acho que é ai que se encontra a genialidade, que é fazer algo óbvio que ninguém fez ainda, simplesmente fantástico.

Quando alguém fala que “o filme foi só mais um episódio comprido” pode até soar como um desmerecimento para muitos gêneros (eu mesmo falei isso de Os Normais), mas nesse caso é um baita elogio, pois é a continuação do sucesso, uma fórmula que dá certo e não ia surpreender negativamente ninguém. É sim, só mais um episódio mais demorado, mas é genial, fantástico e todos os adjetivos de sempre. Dá até pra notar um capricho a mais nos traços, e não podia ser diferente, tinha que ter um diferencial.

Quer saber do roteiro? Isso é o de menos, vá curtir os amarelões sem medo. O Homer continua o mesmo, e ainda tem muito a nos ensinar. Assista até os créditos, a final de contas “todos deram um duro danado” e não custa prestigiá-los.

300

10 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Zack Snyder.
Elenco/Vozes: Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro.

Não é preciso ser fã de quadrinhos para saber que bom momento vive o cinema no que diz respeito à HQ’s e super-heróis. Após tantos fiascos por tantos anos, vemos uma leva de filmes que constantemente surpreendem. Frank Miller, criador de 300 e também de Sin City – que revolucionou estas adaptações -, é um dos responsáveis por esta evolução, e seu último filme é talvez o melhor e mais impressionante do estilo.

Mas não vamos creditar tudo a Miller. São tantos acertos que fica impossível não destacar o incrível trabalho da equipe cinematográfica. Desde a primeira cena de 300 vemos como conseguiram criar um mundo com tal perfeição que, muitas vezes, nos perguntamos se estamos realmente assistindo a um filme. Não seria um quadrinho? Não seria uma animação? Ou estamos de fato na mística Grécia de Miller, 480 anos antes de Cristo? Estas são perguntas que serão comumente feitas durante a incrível experiência de 117 minutos que o filme proporciona.

E o magnífico trabalho surpreende ainda mais quando analisamos alguns fatos. Zack Snyder é um diretor que não poderia ser menos adequado ao épico em questão - com pouca experiência no cinema, tinha apenas um filme sobre zombies como garantia do seu trabalho. Gerard Butler, após receber críticas com seu difícil papel em Fantasma da Ópera, e ter participado de fiascos como Linha do Tempo, não parecia ter nome para levar o papel principal do filme. E mesmo Rodrigo Santoro, cujo personagem foi criticado antes e depois da exibição do filme, poderia ser uma ameaça ao épico. Mas, impressionantemente, a excelência do filme não foi questionada por ninguém desde o momento em que as primeiras cenas foram exibidas, sejam em trailers ou mesmo em quadros na Internet. A fotografia, os detalhes, a emoção, a fidelidade, os personagens. Tudo estava perfeito, quase que hipnotizante.

E vale salientar que não foi preciso um imenso elenco para o filme dar certo, ou milhões de dólares gastos em efeitos especiais. Foi tudo feito de forma enxuta, simples talvez. Esqueça blockbusters, esqueça Hollywood. Não se trata de nada disso. Sin City conseguiu fugir destes fúteis padrões e entregou uma das maiores surpresas de 2005. 300 fez a mesma coisa, e com muito menos. Menos dinheiro, menos elenco (nada de Bruce Willis, Jessica Alba ou Clive Owen), menos tempo. Parece a mágica do cinema europeu: tanto, com tão pouco (seria coincidência Snyder ter estudado em Londres?). E um filme que seria mais uma adaptação das inúmeras excelentes histórias que temos em quadrinhos, torna-se um dos mais importantes e impactantes filmes de uma década.

Não vou me aprofundar tanto nas questões técnicas do filme. Atuações, cinematografia, efeitos especiais, existem muitas coisas boas a serem faladas, mas pretendo resumir tudo isso em dois comentários. Primeiramente, veja o trailer. Se existe um filme que entrega tudo que o trailer promete, e ainda com surpresas positivas, é este. O filme inteiro é uma extensão da sensação que se tem ao ver os poucos minutos revelados. O mesmo entusiasmo ali presente repete-se durante as duas horas, e a incrível história da Batalha de Termópilas (contada com diversas licenças poéticas), ou a sangrenta nação Espartana da época, chegam a ter papéis coadjuvantes perante a imensa experiência visual que o filme proporciona. E o segundo comentário é um pouco mais arriscado: não me surpreenderia ver este filme, lançado no início deste ano e sem maiores pretensões, nomeado e vencedor de Oscars, Globos de Ouro e outros prêmios. Trata-se do filme mais esperado e surpreendente até aqui, digno que qualquer premiação e louvor. Um épico inquestionável, uma adaptação de quadrinhos que beira a perfeição, e um filme, no geral, completo e magnífico. As 5 estrelas mais merecidas dos últimos anos.

Bodão

Você também pode ter sua crítica publicada no Cinéfilos.
Basta deixar um comentário ou enviar um e-mail para Email.

Xeque-Mate

5 Comentários »     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Carregando ... Carregando ...

Direção: Paul McGuigan.
Elenco: Josh Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Bruce Willis, Lucy Liu, Stanley Tucci, Michael Rubenfeld, Mykelti Williamson, Sam Jaeger, Danny Aiello, Scott Gibson, Robert Forster.

Preciso ter muito cuidado para não falar bobagem e estragar o filme para quem ainda não viu. Então eu só posso encher de elogios e não falar nada da história. Pra falar a verdade eu prefiro dizer que filme é muito legal, inteligente, do que dizer que essa é a história de um cara comum que tinha uma vida comum e que matou um bandido, que amava fulano, que tinha AIDS, e morreu de câncer. Famosos e não famosos “críticos” adoram fazer isso. O Pablo, do cinema em cena, cita até frases. Mas é um cara que escreve bem e tem boas dicas e opiniões sobre filmes. Então eu simplesmente vejo a nota, leio bem por cima, vejo o filme e só depois leio a crítica na íntegra. Geralmente quando cito a história em si é mais pra enchimento de lingüiça, porque se um filme é legal, a trilha é boa, a fotografia é bela, a trama é bem bolada, as atuações são legais, não tem necessidade alguma de citar cenas, ou nos detalhes que só estragam a surpresa de quem está lendo. A minha idéia é mais do “recomendo, veja que é bom”.

Mas obviamente isso não convenceria ninguém, talvez apenas quem já confie tanto na pessoa que escreve. O que eu posso dizer é que não saia da sala antes do final do filme (isso deveria ser lei e não recomendação), mesmo que o filme pareça confuso, pouco convencional, dê uma chance ao filme, que garanto que na meia hora final você vai ver que valeu a pena.

E o quanto é difícil e inteligente fazer um filme como esse. Lembrei bastante de filmes como Snatch e Jogos, Trapaças e dois Canos Fumegantes, do Guy Ritchie. Onde histórias soltas, sem nexo acabam se entrelaçando no fim e fazendo um grande sentido. Quando bem feito sempre funciona essa fórmula. A idéia é deixar o filme te levar, sem a neurose de tentar adivinhar, pois você acaba perdendo as outras qualidades do filme além do excelente, bem montado e editado roteiro. Xeque-mate tem um elenco de peso como devem ter lido, e não poderia deixar de funcionar. Ajudados pelos ótimos diálogos não tem erro, é batata, divertido, inteligente, engraçado e imperdível.

 
Layout & Icones by N.Design Studio
RSS RSS Comentários Entrar