O Virgem de 40 Anos

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Direção: Judd Apatow.
Elenco: Steve Carell, Paul Rudd, Catherine Keener, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jane Lynch, David Koechner.

Pelo título parece um daqueles filmes antigos de comédia sobre sexo. Tem alguns ingredientes, mas é muito mais divertido e mais inteligente (Impressionante como um filme, tachado como comédia, tenha tantos diálogos inteligentes). Tantos, que se você pensar muito, talvez não ria da situação. Que situação? O título não mente, e não é uma das façanhas de tradução das distribuidoras, é realmente sobre um cara de 40 anos que ainda é virgem. E aparentemente vai tudo bem com a vida desse cara, curtindo sua vida de colecionador de brinquedos antigos, como por exemplo, bonecos de comandos em ação, e tantas outras coisas de NERD. Vidinha tranqüila, tudo sob controle, até que seus amigos do trabalho ficam sabendo da “novidade”. E aí adeus vida tranqüila. Obviamente a primeira reação é rir e tirar sarro. Depois vem a etapa de querer a todo custo “ajudar” o tal virgem a perder a tal virgindade. E é nesse contexto, de situações extremamente engraçadas, o roteiro se desenrola. Obviamente sem faltarem piadas, trocadilhos e brincadeiras machistas. Quando tudo vai parecendo obvio e previsível (não que não seja!) acontece uma reviravolta. Há uma inversão de papéis e vem a pequena parte séria do filme, e aquela famosa lição de moral. Todos os diálogos são bem elaborados, os relacionamentos substanciais, enfim, um excelente filme, um protagonista (Steve Carell) muito bem escolhido. Inclusive pra quem não sabe, é aquele cara que fez uma pontinha no filme Todo Poderoso, é ele que faz o papel de âncora do jornal e fica falando todo embolado. Certamente um dos melhores filmes do gênero que eu já vi.

Penetras bons de bico

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Direção: David Dobkin.
Elenco: Owen Wilson, Vince Vaughn, Will Ferrell, Rachel McAdams, Ellen Albertini Dow, Jennifer Alden, Stephanie Nevin, Christopher Walken.

É impossível ter mais de 25 anos, e sair da sala de cinema sem exibir um grande sorriso de um lado ao outro do rosto depois de ter visto esse filme. Em primeiro lugar por ser uma excelente comédia, com um humor que lembra as já clássicas histórias com personagens sem escrúpulos e com pitadas sexuais dos anos 80, como Os Cafajestes, Última Festa de Solteiro e os filmes da série Porky’s e em segundo lugar pela excelente química entre Owen Wilson e Vince Vaughn, que formam mais uma dupla memorável dentro dos filmes de comédia. Claro que facilita a amizade entre os atores, que formam um interessante grupo comediantes (e amigos), que ainda conta com os excelentes Will Ferrel (que faz uma ponta sensacional nesse filme) e Ben Stiller, além do irmão do Owen, Luke Wilson. Filmes como Starcky and Hurst, Dias Incríveis e Com a Bola Toda, são excelentes exemplos dessa parceria.
Em Penetras Bom de Bico (o título realmente dispensa mais comentários), John (Wilson) e Jeremy (Vaughn) são grandes amigos e companheiros de trabalho que tem como principal interesse, entrar como penetras em festas de casamento, com o intuito de conquistar as convidadas, já que para a dupla, esse é o melhor momento para ter sexo, devido a fragilidade emocional pela qual elas se encontram. Com essa idéia e seguindo uma espécie de código dos “Wedding Crashers”, eles usam a interessante tática de aparecer, para não serem reconhecidos como penetras, já que penetras são aqueles que tentam passar despercebidos. Em um desses casórios, os amigos se envolvem com as filhas do Secretário do Tesouro Americano (Walken), se metendo em uma série de situações hilárias em um fim de semana com a família.
Penetras Bons de Bico possui todos os elementos dos filmes desse gênero, como: o cara que esconde um segredo, mas no final se regenera, mas não antes de quase perder a mulher que ama, a família problemática da mulher que ele gosta, com direito a avó desbocada, mãe e irmãs ninfo e tudo mais, o noivo FDP e etc etc. E pra que melhor que isso? Quem falou que clichês quando bem utilizados não são bem vindos? Se você quer algumas horas da mais pura e completa diversão, além da sessão retro, não perca esse filme de forma alguma.

Team America - Detonando o Mundo

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Direção: Trey Parker.
Roteiro: Trey Parker, Matt Stone e Pam Brady.
Elenco (Vozes): Trey Parker, Matt Stone, Kristen Miller, Masasa, Daran Norris, Phil Hendrie, Maurice LaMarche, Chelsea Magritte e Fred Tatasciore.

Team America é mais um excelente trabalho dos, com certeza pirados, Matt Stone e Trey Parker. Depois de criar o melhor desenho animado desde “Os Simpsons” (apesar de preferir o South Park, reconheço que sem os Simpsons, provavelmente eles nem existiriam) e a exemplo desses, fazer mais uma violenta, mas muito bem humorada, crítica ao governo estadunidense (com destaque aqui à política anti-terrorista absurda de G. W. Bush), esses dois norte americanos nos brindam com um filme que utiliza um recurso até então esquecido por Hollywood, o da utilização de marionetes em vez de atores de carne e osso, ou de animações. Os diálogos são de uma acidez única. Quem teria coragem de comparar as relações humanas atuais, com “p, xox e c” (com certeza os diálogos mais engraçados do filme)? Eu, pelo menos, não conheço ninguém.
Team America trata-se de uma homenagem ao clássico “Thunderbirds”, que também tinha marionetes como protagonistas do seriado e uma sátira aos filmes descerebrados de ação produzidos por Jerry Bruckheimer. E eles tem êxito nos dois quesitos.
Outro ponto muito positivo são os musicais que Matt e Trey desenvolvem em seus filmes, com em “South Park: maior, melhor e sem cortes”. As canções criadas por Marc Shaiman para esse filme, mantém a qualidade e são tão engraçadas quanto as criadas para o longa da turma do South Park. Impossível não se vibrar com o tema da equipe, não bolar de rir com a música detonando Michael Bay e a bomba Pearl Harbor “ (…)só consigo pensar no seu sorriso e naquele filme de merda, Pearl Harbor é uma merda (…)” e não se empolgar com a hilária Aids!Aids!Aids! Os musicais com certeza são pontos altos do filme e nenhum momento quebram o seu ritmo.
A atuação dos bonecos também é sensacional. Vê-los representando as mais famosas posições do Kama Sutra, nas cenas de sexo mais bizarras desde a masturbação de Chucky, em Brinquedo Assassino, e lutar como se estivessem sendo coreografados pelo “Yun Ping Pong” de Matrix, é de sentir aquela conhecida dor no estômago de tanto rir.
A produção não poupa nas cenas de ação, contendo o filme uma série de explosões e cenários dos mais diversos (a equipe vai dos EUA a Coréia, passando por Paris e Egito, representados de forma bastante inteligente e engraçada).
Mas com certeza, o que temos de melhor em Team America, é o seu lado crítico. Temos uma equipe anti-terrorista, que é muito pior do que qualquer tipo de terrorista. Eles são burros, ignorantes, etnocêntricos e não dão uma dentro, parecendo com o “John Mirolha, piloto do ONU”, do Casseta e Planeta, destruindo e matando muito mais do que cuidando e protegendo. O inimigo deixa de ser Saddan Hussein e passa a ser o norte-coreano Kim Jong II, para mim, uma interessante alfinetada a política do caipirão, que sempre terá um grande e perverso inimigo a enfrentar. Parker e Stone não ecomizam nas alfinetadas, avacalhando com o documentarista Michael Moore, Matt Damon (retratado como um imbecil que só sabe repetir o próprio nome) e Ben Afleck e Alec Baldwin, que parecem ser seus preferidos.
Esse é um filme que com certeza merece uma continuação, pois com certeza muito se tem a detonar por aí. Vida longa ao Team América.

A Luta Pela Esperança

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Direção: Ron Howard.
Elenco: Russell Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti, Craig Bierko, Paddy Considine, Bruce McGill, David Huband.

Mais um filme de boxe com cara de muitas indicações para o Oscar do próximo ano. A Luta Pela Esperança é mais um filme na linha de “Rocky” e “Menina de Ouro”, onde o personagem principal passa por diversas adversidades, representa sempre as aspirações e sofrimentos do povo, mas no fim dão a volta por cima (ta bom, “Menina de Ouro” escapa disso, mas no restante é assustadoramente parecido). Isso indica, pelo menos para mim, que todas essas histórias de filmes ligadas ao assunto, partem de uma mesma matriz, a história de Jim “Buldogue” Braddock, ou “Cinderella Man”, como passou a ser chamado após o seu retorno triunfal da miséria generalizada pós quebra da bolsa de Nova York em 1929.
Braddock é sempre mostrado como o homem perfeito, que ama sua família mais que tudo, honesto mesmo nos momentos mais difíceis, com um orgulho atingido apenas em momentos extremos, quando é obrigado a se humilhar em busca de dinheiro para sustentar sua família. Mas o mais forte em sua personalidade é com certeza sua motivação, o que o leva a voltar a ter vitórias na profissão que tanto ama. A frase “gosto de lutar, pois no ringue pelo menos sei quem está me batendo” dita por Jim, é de arrepiar, pois explicita o sofrimento de uma geração, que não sabe nem a quem culpar por seus problemas. Nada mais atual que isso.
Mas isso torna o filme ruim? De forma alguma. Trata-se sim, de um bom filme, com uma excelente direção, uma reconstituição de época maravilhosa e com atuações impecáveis. Russel Crowe em sua segunda colaboração com o diretor Ron Roward se porta mais uma vez muito bem, mostrando mais uma vez que é um bom ator. Mas na minha opinião, o destaque mais uma vez se encontra com Paul Giamatti, que interpreta o treinador de Braddock.
No mais, o filme segue os vários clichês do gênero, mas de forma bastante positiva, principalmente para quem também gosta desse esporte, ou seja, Braddock sai de um lugar positivo, passa por diversas agruras, dá a volta por cima, derrotando muitos favoritos, mesmo desacreditado por todos, torna-se ídolo de milhares e no final enfrenta o seu pior rival, o pugilista Max Baer campeão dos pesos pesados, que não por acaso é mostrado como o oposto do protagonista, a personificação absoluta do mal e da arrogância. Então, quem vencerá a luta final? O azarão em fim de carreira ou o campeão representante de todos os males que o povo americano vinham sofrendo? Mesmo assim, pode ir ao cinema na tranqüilidade de ver um bom filme. Há, e façam as suas apostas.

O Operário

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Direção: Brad Anderson.
Elenco: Christian Bale, Jennifer Jason Leigh, Michael Ironside, Aitana Sánchez-Gijón, John Sharian.

Não tem como negar, inicialmente e durante quase todo o filme o que chama mais atenção é a figura esquelética de Christian Bale. Obviamente fui pesquisar e achei coisas do tipo: Christian Bale perdeu 28 quilos para interpretar seu personagem em O Operário. A dieta feita pelo ator consistia apenas em uma lata de atum e uma maçã por dia. Christian Bale perdeu 1/3 do peso total de seu corpo e o recuperou em um mês para “Batman Begins”. Literalmente o cara tava só a capa do Batman, dava agonia ver aquilo, eu achava que a qualquer momento o cara ia se quebrar, sinceramente. A causa da aparência? Um ano sem dormir, se alimentando mal, se gastando fisicamente e emocionalmente. Agora situe essa figura num ambiente totalmente sombrio, numa iluminação pesada, e uma trama envolvendo alucinações, e um final bacana. Pronto, temos um bom resumo de O Operário. Sem trocadilho, mas não é assim um filme que vai te fazer perder o sono, mudar tua vida, te fazer pensar, mas só pela atuação e todo o desgaste que teve Bale já vale a pena vê-lo. Falhas? Pra não dizer que só falei de flores, posso dizer que não ficou legal entregar de cara o estado mental do personagem, e demorou muito pro personagem perceber que estava surtando. Isso tornou o filme lento e chato em alguns pontos, deixava o espectador anos luz à frente do personagem. Lembra muito Clube da Luta, e eu torcia pra não ser só isso. Mais aí vem um final daqueles com reviravolta, uma velha lição de moral, nada muito surpreendente, mas longe do obvio.

Casshern

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Direção: Kazuaki Kiriya.
Elenco: Yusuke Iseya, Kumiko Aso, Akira Terão, Kanako Higuchi, Kanako Higuchi, Fumiyo Kohinata, Hiroyuki Miyasako, Jun Kaname, Hidetoshi Nishijima, Mitsuhiro Oikawa, Susumu Terajima, Hideji Otaki.

Mais um filme japonês surge para encher nossos olhos e mostrar ao mundo, que o cinema produzido no oriente não se resume apenas a alguns filmes de terror com crianças e mulheres cabeludas, que, diga-se de passagem, já estão enchendo o saco (mesmo assim, gostaria de ver o Dark Water, como voto de confiança ao Walter Salles).
Baseado em um Anime Japonês da década de 70, Casshern se passa no futuro, onde a poluição e as guerras entre Eurasia e Zona 7 (alguém lembrou do livro 1984 de George Orwell?) vem paulatinamente destruindo o planeta. Como forma de salvar os soldados e civis feridos na guerra, mas com o real intuito de salvar a esposa que sofre de uma doença degenerativa, o cientista Azuma, cria as Neo-Células, que são capazes de reconstituir qualquer mutilação ou dano sofrido pelo corpo humano. Mas daí o inesperado acontece, uma estranha força age sobre os enormes tanques do laboratório, dando vida a uma nova espécie, chamada de Neo-Sapiens. Perseguidos e quase exterminados pelos homens, esses novos seres iniciam uma violenta cruzada de extermínio a raça humana, para eles, a grande responsável por todos os males do mundo. Casshern é Tetsuya, filho de Azuma, que morto na guerra, é ressuscitado nos mesmos tanques onde nascem os Neo-Sapiens, o que o torna semelhante a eles. Além disso, ele é obrigado a utilizar uma armadura feita pelo pai de sua namorada, que de quebra, lhe dá várias habilidades especiais.
Casshern é mais um filme que utiliza a técnica de filmagem dos atores em fundos verdes e azuis e a colocação dos cenários, juntamente com os efeitos especiais, através de computação gráfica. E mais uma vez o resultado é deslumbrante, com tomadas de tirar o fôlego, cores maravilhosas e cenas de ação de deixar qualquer fã do estilo de queixo caído (a cena em que o personagem principal destrói quase todo um exército de robôs é de encher os olhos d’água), com alucinantes lutas e cenas de vôo. É sensacional, vermos as batalhas violentas e sangrentas (e exageradas, claro) entre os personagens principais, onde ambos se ferem de forma impressionante, mas nunca desistem mostrando sempre uma motivação sobrenatural, ao melhor estilo, Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho e Dragon Ball Z.
Essa tecnologia, que é cada vez mais utilizada, é fundamental para a criação dessa obra e representação do universo dos animes, pois seria impossível realizá-lo de forma convencional e atingir resultados tão positivos como os que foram aqui alcançados.

2 Filhos de Francisco

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Direção: Breno Silveira.
Elenco: Ângelo Antônio, Dira Paes, Dablio Moreira, Marcos Henrique, Márcio Kieling, Thiago Mendonça, Paloma Duarte, Natália Lage, Jackson Antunes, Lima Duarte e José Dumont.

Não nego que só fui ver o filme devido a críticas favoráveis. Afinal de contas eu não vivo de escrever resenhas, eu só gosto de ver filme bom. E como poderia ser bom um filme brasileiro contando a história de uma dupla sertaneja? Acredite, está longe de ser um filme ruim. Pode não ser essas cinco estrelas que andam dando por ai, mas ruim não é. O filme vai pouco a pouco quebrando os tabus e preconceitos. Quando eu pensava “imagine a trilha sonora…”, vinha Maria Bethânia. Quando eu pensava “imagine o dramalhão que vai ser…”, vinha um filme seguro, pé no chão, obviamente tem sua carga dramática, e é impossível não se emocionar com história desse tipo, de pessoas extremamente pobres conseguirem vencer na vida com seus talentos. Confesso que sempre admirei o jeitão de vida de algumas duplas sertanejas, na maioria são caras humildes (e permanecem assim na medida do possível), e me impressiona a amizades entre eles, mesmo sendo “concorrentes”, o que é raro nesse mundo da música. Já pelo título percebemos que a idéia é mesmo mostrar Seu Francisco como o grande responsável pela vitória, que não é a história de Zezé de Camargo e Luciano, mas sim dos filhos de Francisco. Os atores mirins estão muito convincentes, Ângelo Antônio e José Dumont dão um show à parte, esse último sempre muito bom, inclusive gerando momentos cômicos (chega a dizer: “eu sou esse aqui, lá atrás em primeiro plano”). O ator que faz Zezé já na fase adulta até que ficou parecido, mas não consegue se desprender de suas atuações em Malhação. Pontos Fracos? Alguns. Nas cenas que os meninos estão aprendendo a tocar os instrumentos simplesmente enche o saco. Não é um filme de música sertaneja, mas sim de uma família pobre, passando por inúmeras dificuldades, e como eu disse antes, não tem quem não se emocione com histórias assim. Parafraseando a maioria dos críticos: acredite, é bom.
PS:. Impossível não lembrar dos amigos lá “do” Goiás.

Hora de Voltar

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Direção: Zach Braff.
Elenco: Zach Braff, Natalie Portman,Kenneth Graymez, George C. Wolfe, Austin Lysy, Gary Gilbert, Jill Flint, Ian Holm, Peter Sarsgaard, Alex Burns, Jackie Hoffman, Michael Weston, Christopher Carley, Armando Riesco, Amy Ferguson, Trisha LaFache.

Um bom drama exige boas atuações e um bom roteiro, para só assim se tornar emotivo e cativante. Por essa perspectiva Hora de Voltar é um ótimo filme. Com um personagem principal um jovem bastante cativante, Hora de Voltar traz uma história simplória vista de longe. É a história de um filho (o tal jovem cativante) que volta pra casa depois que sua mãe morre. Nesse retorno despretensioso acaba entrando velhos amigos e conhecendo novos. Impossível não se identificar com tal situação, obviamente pra quem, assim como eu, mora fora da cidade natal. Nesse retorno percebe que pouca coisa mudou, que por um lado é bom saber que seus velhos amigos continuam gostando de você, mas ao mesmo tempo é triste saber que seus amigos estão naquela mesma vidinha de anos atrás, com seus subempregos, pensamentos pequenos, imaturidade, etc. Nem vou cair no mérito de discutir o que é melhor ou pior, mas é exatamente isso que eu sinto quando vou pra “casa”. Mas o filme não aborda essa inércia, muito pelo contrário, busca justamente as pequenas coisas boas, os velhos e bons pequenos detalhes. E reviver tudo isso dá um novo ânimo para seguir em frente. O filme conspira pra te deixar triste, enquanto ao mesmo tempo, através da personagem de Natalie Portman, te dá o ânimo para não cair em depressão, de rir de si próprio, de tirar humor até das coisas ruins, e que isso não implique que não possa ficar triste, que tem hora pra tudo, mas autopiedade não ajuda em nada. Não precisa complicar, não precisa de explosões, nem de zumbis, nem de atores bonitos no papel principal, bastaria que fossem bons como esse é.

Oldboy

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Direção: Chan-wook Park.
Elenco: Min-sik Choi, Ji-tae Yu, Hye-jeong Kang, Dae-han Ji, Byeong-ok Kim, Seung-Shin Lee.

Nem tente ver Oldboy achando que vai sair ileso. Impossível não sair chocado da sala, desacreditado, imaginando que pode sim ter alguém com um pensamento tão cruel. Pena ou raiva é relativo, não consegui distinguir. Trágico como um conto grego, Oldboy conta história de um homem desgastado, longe da família no dia do aniversário da filha. E um dia acorda preso, sem ao menos saber porque. Vivendo trancado num quarto durante anos, acaba descobrindo um dia que foi acusado de matar a própria esposa. Transtornado, ele começa sua saga em busca de vingança, pois certamente não acredita que foi ele o culpado. E esse é só o começo do fim, dessa que certamente é a história de vingança mais FODA (desculpem a palavra) que eu já vi ou ouvi falar na minha vida. Nem é tão violento como a crítica vem falando, tem bem pouco sangue e muito mais provocação psicológica. Oldboy também faz rir usando o estabanado jeito oriental de ser, mas quando o final nos surpreende é impossível rir, o nó na garganta é inevitável, sussurros de “puta que pariu”, um silencio só quebrado pela engolida seca da garganta, fungados e enjôo podia sentir na sala do cinema. Oldboy não faz questão de agradar os telespectadores, não tem herói, não tem vilão, tem um anti-herói (sempre achei esse termo esquisito, mas não vejo outro), tem um psicopata. O que você faria, até onde ia pra se vingar de alguém? Nem tente, Oldboy consegue ser pior de tudo que você imaginar.

O Castelo Animado

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Direção: Hayao Miyazaki.
Elenco (Vozes – versão E.U.A.): Lauren Bacall (Bruxa), Christian Bale (Mago Howl), Billy Crystal (Calcifer), Emily Mortimer (Sofia), Jean Simmons (Sofia - velha).

O mais impressionante acerca do trabalho de Hayao Miyazaki, é que ele constrói as histórias dos seus filmes durante o decorrer dos mesmos, ou seja, ele não prepara o material antes de produzir a animação, dando o rumo que ele acha melhor ao roteiro, a partir da última cena produzida. Isso demonstra o quão criativo é esse excepcional diretor japonês, que vem ganhando cada vez mais notoriedade por essas bandas após o seu premiado filme, “A Viagem de Chihiro”.
E mais uma vez, ele nos brinda com um magnífico filme, novamente protagonizado por um personagem feminino, aqui chamado de Sophie. No “Castelo Animado”, o diretor não utiliza tantos elementos mitológicos nipônicos como em “Chihiro”, o que torna o filme bem mais fácil de entender e acompanhar. Apesar do filme anterior não ser difícil de entender, a série de referências a uma cultura específica, sendo ela ainda desconhecida, não deixa de causar um certo estranhamento aos espectadores que moram do lado esquerdo do globo.
Em “O Castelo Animado”, Sophie é uma jovem garota, moradora de uma cidade pequena, que vive uma aparente e entediante vida. Trabalhando na chapelaria de sua mãe, ela tem sua rotina abalada pelos preparativos do exército de seu país para uma guerra contra um país vizinho e o inusitado encontro com um belo mago. Se metendo, sem querer, em um conflito entre uma bruxa e esse mago, ela acaba sendo amaldiçoada pela bruxa e se transforma em uma senhora de 90 anos. Decidida a se livrar do desmerecido castigo, ela vai embora da sua cidade, e acaba se tornando faxineira de um castelo mágico que vive em movimento. A partir daí, Sophie conhece um excitante mundo, se tornando amiga de magos, aprendizes, demônios, bruxas e outros seres amaldiçoados como ela.
A beleza das cores utilizadas aqui é outro ponto forte da animação de Hayao Miyazaki; suas lindas paisagens são encantadoras e a mistura de animação tradicional com computação gráfica torna tudo isso ainda mais real e belo. Muito melhor que as animações tradicionais da Disney, onde os filmes tem seu ritmo quebrado por aqueles chatíssimos números musicais. “O Castelo Animado” possui emoção e diversão nas doses certas, sem exageros e sem ser forçado.
Para quem viu e gostou de “A Viagem de Chihiro”, esse filme é, com certeza, imperdível. E para quem ainda não conhece o trabalho desse diretor, “O Castelo Animado” é a forma perfeita de reparar esse deslize.

 
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