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O Cheiro do Ralo

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Direção: Heitor Dhalia.
Elenco/Vozes: Selton Mello, Silvia Lourenço, Flavio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Susana Alves.

A culpa é sempre do maldito e fedorento ralo. Tá sentindo o cheiro? Não sou eu, é o ralo. Não, eu não sou frio, ganancioso, é só minha profissão que exige. Mulher implica em problema, e quando você menos espera os convites estão na gráfica. Eu prefiro viver só, consumir, pagar e dar o fora. Lógico que eu gosto de bunda, mas bunda paga. E o maldito cheiro continua, maldito ralo, é sempre culpa dos ralos.

Essa é a insana e inteligente premissa do filme. O Cheiro do Ralo surge como uma luz no fim do túnel para mudar, pelo menos de vez em quando, o ritmo do cinema brasileiro. Esse Selton Melo é corajoso e admirável, capaz de sair da fama dos personagens engraçados dos filmes anteriores, e mergulhar fundo num personagem mais sombrio, complexo e controverso. Selton vive Lourenço, um comprador de objetos usados de pessoas desesperadas por dinheiro. Os mais variados tipos de pessoas frequentam a loja de Lourenço e participam desse jogo cruel feito por ele, onde não importa muito nem as pessoas nem o valor das coisas que estão lá para vender.

Misture a essa diversidade de tipos de pessoas, um humor negro e um cinismo exacerbado que rende boas risadas para quem gosta do gênero. Interessante que os personagens nem precisam de nomes, pois acabam sendo associados a algo tão específico, se tornando a própria coisa, como por exemplo, a noiva, a drogada, a prostituta, a dona da bunda. Que por falar em bunda, ela é a responsável pelo início da transformação estilo Taxi Driver, como disse o próprio Selton. E realmente tem suas semelhanças, pois temos um cara frio, sem sentimento, que acaba se envolvendo com a dona da bunda, e ai se dá início o surto de Lourenço. Tudo sempre com a referência simbólica do ralo.

O filme é baseado no livro do Lourenço Mutarelli, que inclusive faz o personagem Segurança da loja do, não por acaso, Lourenço (Selton). Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas espero ler quando eu conseguir terminar todos esses livros inacabados que eu insisto em começar. Enfim, temos mais uma prova de que uma idéia boa e uma câmera na mão pode render um bom filme, apesar das dificuldades financeiras, fica comprovado que é possível fazer um cinema descente nesse país. O Cheiro do Ralo é uma idéia daquelas de dar inveja, é simples e poderoso, servindo como crítica a muita coisa, principalmente a si próprio, já que a culpa não é sua, mas sim do cheiro do ralo, do vizinho, do carro da frente, do seu chefe, da sua faxineira…

Transformers

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Direção: Michael Bay.
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, John Turturro, Kevin Dunn, Bernie Mac, Julie White, Jon Voight e as vozes de Peter Cullen e Hugo Weaving.

A crítica se dividiu. Para alguns é o filme de ação do ano, para outros é um filme para quem sofre de déficit de atenção. Eu como não sou bobo nem nada, prefiro o meio termo. Primeiro porque 300 ainda é o melhor filme de ação do ano, e depois eu não tenho problema nenhum em me concentrar em algo. Aparadas as picuinhas podemos falar um pouco sobre Transformers.

Transformers não tem um roteiro com monólogos existencialistas, também não explica os problemas do mundo, e não vai ajudar em nada matar a fome do universo. Transformers é um filme de Michael Bay, alguém sabe o que isso significa? Eu sei. Portanto não justifica esperar um filme sem explosões. Alguém espera um filme do Mel Gibson sem sadismo?

Transformers é a experiência visual de quem teve a infância assistido as aventuras dos robôs que viravam carros. É a eterna e manjada luta entre o bem e o mal, recheada de clichês, propagandas, mulheres bonitas, e reconhecidamente um roteiro com falhas. E daí? Filme é expectativa, e tem gente que gostou de Pearl Harbor (eu não). E foi então que eu percebi que pra você gostar de algo não precisa ser perfeito, basta saber se você se importa ou não com as falhas que o filme tem (Estranho, acho que isso também serve para seres humanos…).

Ninguém pode negar, mas Transformers tem um visual bacana, é engraçado, tem uma gata de cair o queixo que nem precisa atuar, tem uma história principal legal (ignore as subtramas mal exploradas), tem uma mensagem de fé na raça humana (e isso é sempre legal), as transformações são dignas de elogios, as cenas de ações são de tirar o fôlego (ignore algumas sem foco, com câmera tremida, e muito rápidas). E pode ser pretensão minha, mas eu acho que consigo saber algumas cenas onde tem o dedo do Spielberg (produtor executivo).

Porém, ao invés de notar as qualidades, você pode se apegar na cena que faz propaganda do VISA se preferir, ou se perguntar se uma loira bonita pode ser mais inteligente que os cientistas da NASA. Pode pensar também que não tem sentido robôs gigantes existirem. Pode também ler um crítico famoso e nem ir ver o filme. Pode pensar como um soldado dos EUA não tem o celular do Bush, ou na possibilidade de um soldado com um simples tiro derrubar um robô gigante.

É estranho, mas muitos estão me questionando, “como pode, logo você, que sempre foi tão exigente?”. Como se eu tivesse obrigação de ser um esses metidos que só gostam de filmes ditos de “arte”, como se eu não me divertisse vendo um filme pipoca, como se eu fosse ver um filme com papel e caneta na mão, definitivamente eu não sou assim. Não quero aparecer simplesmente por ser intolerante, na verdade eu prefiro ser como Raul, uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Harry Potter e a Ordem da Fênix

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Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Gary Oldman, Emma Thompson, Maggie Smith, Richard Griffiths, Fiona Shaw, Brendan Gleeson, George Harris, Natalia Tena, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Katie Leung, Tom Felton, Matthew Lewis, David Thewlis, Julie Walters, Imelda Staunton, Jason Isaacs, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes.

Antes de mais nada, uma pequena história sobre Harry Potter: quando eu tinha 15 anos soube pela primeira vez de HP, e achei, como todos, que era algo infantil e inútil, e não me dei ao trabalho de ler. Meses depois minha irmã, seis anos mais velha, estava lendo-o: havia sido convencida pelo seu chefe, anos mais velho do que ela. Em seguida, meu irmão, também mais velho do que eu. O que deveria eu fazer? Ler também. E foi aí que li os três primeiros em uma semana, e os outros compulsivamente, até o sétimo e último.

Pois bem, ao filme. Confesso que comparando com outras adaptações e séries, os filmes do HP podem deixar a desejar. Não pode ser comparado a Senhor dos Anéis, por exemplo. Mas os últimos filmes foram grandes surpresas, e a Ordem da Fênix não é exceção. Um filme muito bem feito, fiel (dentro dos limites) ao livro, com boas atuações (as melhores até agora) e uma história concisa, resumida (talvez até demais), e forte. Seria o melhor dos filmes se, na opinião do autor, o Prisioneiro de Azkaban não tivesse grande destaque por sua extraordinária visão e direção. Mas não se engane: David Yates não é um Cuáron, mas conseguiu ser mais fiel aos livros do que muitos outros, sem perder em qualidade, ação e emoção. Sem dúvidas, uma excelente escolha para esse e outros filmes da série.

O filme já começa com o clima sombrio e amargo deixado pelo Cálice de Fogo. De cara sabemos que não se trata mais de um filme para crianças: as risadas, as brincadeiras e o fascínio estão cada vez mais distantes, enquanto que o lado sombrio do mundo em que Harry vive cresce e se aproxima dele e de todos os que estão ao seu lado.

Na história, Harry (Radcliffe), que se sente abandonado por seus amigos e por Dumbledore (Gambon), acaba sendo julgado pelo Ministério por usar magia sem autorização, e quase sofre conseqüências maiores. Ele passa o resto das férias na casa de Sirius Black (Oldman), atual quartel general da Ordem da Fênix, um antigo grupo de resistência à Voldemort. Nem mesmo a presença do seu padrinho e de seus amigos melhora o ânimo do garoto: o contato entre eles é curto, e rapidamente eles voltam às aulas em Hogwarts, que também não é mais a mesma. A influência do Ministério da Magia, que se nega a acreditar que o Senhor das Trevas voltou e está claramente afundado em corrupção e jogo sujo, chegou a escola de Dumbledore.

Mas mesmo sendo tratado como mentiroso, tendo sonhos estranhamente ligados à Lorde Voldemort (Fiennes), e estando cada vez mais afastado de Dumbledore, Harry sabe que dias piores virão. Ele, Ron (Grint), Hermione (Watson) e outros amigos acabam por criar um grupo para se preparar para a luta contra os comensais da morte, já que a atual Professora de Defesa contra as Artes das Trevas (Staunton, na mais marcante atuação) está claramente corrompida pelo Ministério e suas sombrias influências. A Armada de Dumbledore é sem dúvidas um dos pontos fortes do filme, e prepara a todos para o excelente confronto no final, dentro do próprio Ministério.

Veredicto: um filme muito bom, dentre os melhores da série, obrigação para qualquer um que goste dos livros ou esteja acompanhando os filmes. Cheio de grandes atuações (ponto fortalecido pela volta de Gary Oldman e presença de novos bons atores – ou melhor, atrizes), cenas marcantes e todo o clima mágico e contagioso da série. Nem mesmo as falhas, como a mudança em visuais importantes deixados pelos outros filmes, a já conhecida lerdeza no meio do história, e outros pequenos detalhes, comprometem este filme que marca o início da trilogia final.

Bodão

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A Vida Secreta das Palavras

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Direção: Isabel Coixet
Elenco: Sarah Polley, Tim Robbins, Javier Cámara, Eddie Marsan, Steven Mackintosh.

Depois de fazer um ótimo e emocionante filme em 2003 (Minha Vida Sem Mim) a diretora espanhola Isabel Coixet volta com mais uma ótima película. Como o anterior este filme também é triste. Na realidade, na minha opinião, este é muito mais triste que o anterior e te faz pensar muito mais sobre a vida, a liberdade, e sobre esta imensa barbárie que está sempre acontecendo pelas ruas e vilas de algum país.

Também é o tipo de filme que gosto de assitir: a medida que a estória vai se desenrolando ela vai se transformando em outra estória completamente diferente. A medida que vamos conhecendo um pouco mais sobre a vida de Hannah (personagem de Sarah Polley) os sentimentos vão tomando outra proporção até chegar a um ápice inimaginável no inicio da trama. E o filme trata muito bem dos sentimentos de solidão, perda e separação que marcaram a vida dos personagens.

Vale destaque, como sempre, a excelente atuação de Tim Robbins, principalmente porque seu personagem também passa por problemas mas se transforma completamente ao descobrir o quanto eles podem ser insignificantes perto dos problemas de outros.
Este segundo filme de Isabel tem novamente o aval da produtora El Deseo, pertencente aos irmãos Almodóvar e, talvez por isto, tenha a participação de Javier Cámara, figurinha carimbada nos filmes de Almodóvar.

Não vou estragar o filme contando a vocês o desenrolar da estória e, por recomendação, não procurem ler mais sobre o filme.
Apenas assistam.

* Prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Produção no Goya.

Silent Hill

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Direção: Christophe Gans.
Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Jodelle Ferland, Alice Krige, Kim Coates, Tanya Allen, Emily Lineham, Eve Crawford.

Depois de muitos fracassos, o que não é difícil, eis que surge um filme de terror que vale a pena ser visto. Hollywood anda mesmo sem idéias, até a horrenda re-filmagem de A Profecia foi fraca demais. Então que tal copiar dos games? Até que não é uma péssima idéia, beber de outra fonte. Se bem que se olhar pra trás não veremos tanto sucesso assim. Final Fantasy não foi nada além de plasticamente bonito de se ver, mas pelo que conheço não tem nada a ver. Residente Evil também não chega a ser essa maravilha toda, portanto arrisco dizer que essa é a melhor adaptação que já vi dos games. Alguém já viu Doom? Pois bem, pelo título do post vocês devem perceber meu sutil protesto quanto ao título ridículo e caricato que o filme recebeu aqui no Brasil, pra variar. Eu me recusei a usar o termo “Terror em…”, considero desnecessário. Não sou um grande jogador de games, arrisco uns passos mas não chego a ser um expert como alguns amigos que tenho. Inclusive ontem mesmo enquanto conversávamos surgiu o assunto desse filme. A fidelidade da tensão, obviamente com alterações, porém perfeitamente aceitáveis, visto que livro é livro e filme é filme, então jogo é jogo e filme é filme. Somos presenteados com uma fotografia brilhante, além de um belo figurino, muito bom mesmo. Considerando que não precise de grandes atores em filmes do gênero, basta ver a caça vampiros (espero que o fã clube dela não leia isso, por isso evitei escrever tal nome), acho que o casting foi bem feito. Uma mulher que convence, uma criança bizarra e um marido desesperado. Silent Hill tem um roteiro pouco simples, pra não dizer confuso, e talvez você tenha a sensação de que o filme não explicou tudo direitinho, pelo menos essa foi a minha sensação, o que não quer dizer que seja um roteiro ruim, quem disse que tudo deve ser explicado? O cinema, ainda bem, não segue tantas regras assim. Silent Hill assusta sem ser caricato, sem a profundidade rasa da maioria dos filmes do gênero, algumas lições de moral, a maldita intolerância de sempre e uma cena envolvendo arames farpados e muito sangue. Pra que melhor?

Separados Pelo casamento

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Direção: Peyton Reed.
Elenco: Vince Vaughn, Jennifer Aniston, Jon Favreau, Vincent D’Onofrio, Joey Lauren Adams, Cole Hauser, Judy Davis, Justin Long, Jason Bateman, John Michael Higgins, Ann-Margret.

Um filme com esse título, com Jennifer Aniston e Vince Vaughn, só pode ser uma? Comédia Romântica! Errado! Tá bom, tudo bem, tem seus momentos comédia romântica, mas é bem mais profundo que esses pratos rasos que são produzidos aos montes. Não me surpreendeu porque eu li uma crítica antes, mas pelo próprio público percebia que a isca era comédia romântica. Venderam gato por lebre pra vender mais. O tema é de comédia romântica, mas eu invés de cair no clichê de sempre, fizeram um dos mais perfeitos diálogos que explica por si só as grandes diferenças entre homens e mulheres. Não é um filme feminista, nem machista, é exatamente a realizada nua e crua, é a situação em si que mostra que falamos em idiomas diferentes. Não tem a pretensão de mostrar quem está certo e errado, simplesmente expõe como somos e principalmente o que fazemos pra destruir um relacionamento. Quem me conhece sabe o quanto eu falo isso: brigar todo mundo vai brigar, seja qual for o relacionamento, o que importa é como cada um reage depois da briga. O grande problema é a bola de neve, que começa com uma discussão boba, e vai aumentando a medida em que frases desesperadas são jogadas. Tudo isso em busca da razão, que muitas vezes ninguém tem. Egoístas e mimados levamos toda briga ao extremo, geramos uma guerra de nervos pra saber quem vai vencer, ou quem é o lado mais fraco. Inflamamos de orgulho pra no fim das contas não ganhar nada com isso. Óbvio que tem seus bons momentos engraçados e o final meio adocicado. Agradável surpresa a abertura dos créditos, com fotos representando a passagem de tempo, inclusive o cuidado de ter fotos com defeito para dar mais realismo. Sempre achei que deveria ter uma prêmio pra esse tipo de coisa.

Missão Impossível 3

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Direção: J.J. Abrams.
Elenco: Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup, Michelle Monaghan, Simon Pegg, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Keri Russell, Laurence Fishburne.

Podem falar o que for, mas Tom Cruise é um cara esforçado. Ele se mete em muita roubada, faz cada filme ruim, mas é empenhado naquilo que faz. Não tem quem diga que ele não seja um agente secreto quando participa da franquia Missão Impossível. O cara corre, pulas, atira, chuta, como se realmente fosse de verdade. E na terceira franquia não é diferente das outras, arriscaria dizer a melhor. Prepare-se para mentiras de ótima qualidade. Digna de filmes como True Lies e A Outra Face. Momentos tensos que parecia o seriado 24 Horas, e Jack Bauer agora é Ethan. Explosões de dar inveja a Michael Bay. O filme repete a fórmula dos outros, ou seja, tem uma mulher no meio, um lugar extremamente difícil para entrar, um plano perfeito (!) e reviravoltas envolvendo máscaras, vozes e uma trama que confunde um pouco quando explicada depois de tanta explosão e uma rede de intriga. O mérito vai para J.J. Abrams, o famoso co-criador do também famoso seriado Lost, e obviamente para Cruise, o filme é dele. Se você não tem ideia porque Hoffman ganhou o último Oscar por Capote então veja MI3 e entenderá a transformação que o ator fez para fazer Capote. Já me senti muito intolerante quanto a filmes pipoca, mas descobri que não gosto mesmo é de filme ruim. E esse é Pipoca de Ótima Qualidade.

Uma Vida Iluminada

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Direção: Liev Schreiber.
Elenco: Elijah Wood, Boris Leskin, Eugene Hutz e Jonathan Safran Foer.

Quem nunca teve vontade de saber algo sobre seus ancestrais? Cri… cri… cri. Bem, eu tive, e muita. Sei muito pouco sobre meus avós. Como foi a infância de cada um, o momento político da época, as dificuldades, e por fim o final feliz, afinal meus pais nasceram e eu nasci. Uma Vida Iluminada é um filme sobre essa busca. Busca essa que o personagem Jonathan interpretado por Elijah Wood vai enfrentar. Jonathan é um colecionador quase obsessivo de pertencentes dos seus familiares. Objetos que representavam ou representam algo importante para ser lembrado. Uma espécie de museu da família. Após a morte do seu avô, sua avó lhe entrega uma antiga fotografia dele para a tal coleção. E essa fotografia o levará até a Ucrânia. E é lá onde as coisas acontecem, tanto boas e engraçadas como coisas tristes. Um roteiro envolvente, que conta uma história que fala do terror vivido pelos judeus, mas principalmente de uma jornada em busca das suas origens. Essa busca de Jonathan acaba desencadeando outros fatos há tempos esquecidos, e também outras buscas. Segue a receita de fazer rir, depois se emocionar. Rir dos óculos de Jonathan, da cadela, de inúmeras situações. E chorar por alguns momentos de revelação, descobertas e muito carinho. Sem contar um campo de girassóis belíssimo, de encher os olhos, causando uma excelente fotografia.

O Albergue

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Direção: Eli Roth.
Elenco: Barbara Nedeljakova, Derek Richardson, Jan Vlasák e Jay Hernandez.

Ainda estou para ver o nome do Tarantino em algo ruim. Devia inventar o selo Tarantino de Qualidade. Graças ao cara, podemos ver filmes como Herói, que em seguida deu margem para O Clã das Adagas Voadoras, e agora Albergue, um filme que cumpre seu propósito. Propósito esse que eu acredito que seja chocar e não assustar, se é que se pode ter uma separação entre sentimentos como esse. Albergue começa como qualquer filme infanto-juvenil como Premonição, Pânico e tantos outros filmes chatos do gênero. Três jovens viajam pela Europa, dois americanos e agora não me lembro a nacionalidade do outro, pode até ser americano também, mas não é tão relevante assim. Eles estão em Amsterdã, capital mundial do livre comercio de maconha. Estão cumprindo o ritual de viajar para Europa em busca de mulheres, para não dizer só uma parte delas. Então se prepare para ver peitos, bundas, nus, drogas, etc. E esse começo é bem lento, parece que nada vai acontecer, ou vai acontecer nos últimos cinco minutos. Obviamente eu não vou estragar a surpresa, que nem chega a ser surpresa surpreendente (!), mas gostaria que você tivesse o mesmo que eu. Tem um roteiro bem amarrado, tudo se encaixa e faz muito sentido depois que termina. Não se pode exigir muito de atores desse tipo de filme, mas foi um bom trabalho, não tão caricato quanto os filmes do gênero. Também não posso dar os créditos apenas ao Tarantino, afinal de contas quem escreveu e dirigiu foi Eli Roth, inclusive foi bastante seguro, ótimas tomadas, arrisco até dizer que foi uma boa fotografia. O filme tem uma curta duração, e a censura é 18 anos. Não é exatamente um filme para se ver com a namorada. Alias, depende da sua namorada.

V de Vingança

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Direção: James McTeigue.
Elenco: Natalie Portman, Hugo WeaVing, Stephen Rea, Stephen Fry e Jhon Hurt.

Veja bem o que a Veja não Viu. V não é só Violência, e também não é uma Verdade absoluta. Vacilo comparar Bin Laden com Guy Fawkes. Acho que não Viram o mesmo que eu. A preocupação em mostrar que aquilo era apenas simbólico era tão grande que tornaVa sendo chata e desrespeitosa, no sentido de todo instante dizer: se Vocês não entenderam o filme está falando de idéias, ideais, de não ao conformismo, que o poVo não deVeria ter medo dos goVernos, os goVernos sim deVeriam ter medo do poVo. Explodir um edifício nesse caso é tão simbólico quanto em Clube da Luta, será que não conseguiram abstrair? Além disso, esqueceram que se trata de um personagem de quadrinhos, que é ficção. Não precisa se preocupar em distinguir se é um filme de ação ou uma crítica política-social. É e não é ao mesmo tempo. Quem tem o controle? Quem pode ter o controle? Essas são as perguntas. Então Vamos marchar para Brasília com coletes de bombas e gritando ViVa a ReVolução? Claro que não. Sorte minha que acordo hoje cedo, ligo a TV e escuto: o primeiro ministro francês cede ao poVo e Volta atrás com a lei do primeiro emprego. Isso é fantástico, depois de dois meses de protestos o poVo Vence. Isso é só a ponta da ponta, da ponta do iceberg que V fala. Depois de 10 anos fuçando na trilogia Matrix, os irmãos de nome complicado Wachowski realizam um noVo projeto, crédito dado apenas ao roteiro. Roteiro este que não foi bem Visto pelos xiitas dos quadrinhos. Mas esses não passam de uns chatos radicais que nunca ficam satisfeitos. TalVez seja mais fácil dizer o que V não é do que tentar resumir o filme em uma frase. O lado curioso fica por conta da Natalie Portman ter raspado de Verdade o cabelo e Hugo WeaVing atua no papel de V e nunca mostra seu rosto. Quanto a isso não se preocupem, Natalie fica linda mesmo careca e é impressionante como dá para perceber sentimentos e emoções de Hugo mesmo com aquela máscara sorridente.

 
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