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O Albergue

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Direção: Eli Roth.
Elenco: Barbara Nedeljakova, Derek Richardson, Jan Vlasák e Jay Hernandez.

Ainda estou para ver o nome do Tarantino em algo ruim. Devia inventar o selo Tarantino de Qualidade. Graças ao cara, podemos ver filmes como Herói, que em seguida deu margem para O Clã das Adagas Voadoras, e agora Albergue, um filme que cumpre seu propósito. Propósito esse que eu acredito que seja chocar e não assustar, se é que se pode ter uma separação entre sentimentos como esse. Albergue começa como qualquer filme infanto-juvenil como Premonição, Pânico e tantos outros filmes chatos do gênero. Três jovens viajam pela Europa, dois americanos e agora não me lembro a nacionalidade do outro, pode até ser americano também, mas não é tão relevante assim. Eles estão em Amsterdã, capital mundial do livre comercio de maconha. Estão cumprindo o ritual de viajar para Europa em busca de mulheres, para não dizer só uma parte delas. Então se prepare para ver peitos, bundas, nus, drogas, etc. E esse começo é bem lento, parece que nada vai acontecer, ou vai acontecer nos últimos cinco minutos. Obviamente eu não vou estragar a surpresa, que nem chega a ser surpresa surpreendente (!), mas gostaria que você tivesse o mesmo que eu. Tem um roteiro bem amarrado, tudo se encaixa e faz muito sentido depois que termina. Não se pode exigir muito de atores desse tipo de filme, mas foi um bom trabalho, não tão caricato quanto os filmes do gênero. Também não posso dar os créditos apenas ao Tarantino, afinal de contas quem escreveu e dirigiu foi Eli Roth, inclusive foi bastante seguro, ótimas tomadas, arrisco até dizer que foi uma boa fotografia. O filme tem uma curta duração, e a censura é 18 anos. Não é exatamente um filme para se ver com a namorada. Alias, depende da sua namorada.

V de Vingança

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Direção: James McTeigue.
Elenco: Natalie Portman, Hugo WeaVing, Stephen Rea, Stephen Fry e Jhon Hurt.

Veja bem o que a Veja não Viu. V não é só Violência, e também não é uma Verdade absoluta. Vacilo comparar Bin Laden com Guy Fawkes. Acho que não Viram o mesmo que eu. A preocupação em mostrar que aquilo era apenas simbólico era tão grande que tornaVa sendo chata e desrespeitosa, no sentido de todo instante dizer: se Vocês não entenderam o filme está falando de idéias, ideais, de não ao conformismo, que o poVo não deVeria ter medo dos goVernos, os goVernos sim deVeriam ter medo do poVo. Explodir um edifício nesse caso é tão simbólico quanto em Clube da Luta, será que não conseguiram abstrair? Além disso, esqueceram que se trata de um personagem de quadrinhos, que é ficção. Não precisa se preocupar em distinguir se é um filme de ação ou uma crítica política-social. É e não é ao mesmo tempo. Quem tem o controle? Quem pode ter o controle? Essas são as perguntas. Então Vamos marchar para Brasília com coletes de bombas e gritando ViVa a ReVolução? Claro que não. Sorte minha que acordo hoje cedo, ligo a TV e escuto: o primeiro ministro francês cede ao poVo e Volta atrás com a lei do primeiro emprego. Isso é fantástico, depois de dois meses de protestos o poVo Vence. Isso é só a ponta da ponta, da ponta do iceberg que V fala. Depois de 10 anos fuçando na trilogia Matrix, os irmãos de nome complicado Wachowski realizam um noVo projeto, crédito dado apenas ao roteiro. Roteiro este que não foi bem Visto pelos xiitas dos quadrinhos. Mas esses não passam de uns chatos radicais que nunca ficam satisfeitos. TalVez seja mais fácil dizer o que V não é do que tentar resumir o filme em uma frase. O lado curioso fica por conta da Natalie Portman ter raspado de Verdade o cabelo e Hugo WeaVing atua no papel de V e nunca mostra seu rosto. Quanto a isso não se preocupem, Natalie fica linda mesmo careca e é impressionante como dá para perceber sentimentos e emoções de Hugo mesmo com aquela máscara sorridente.

O Plano Perfeito

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Direção: Spike Lee.
Elenco: Denzel Washington, Clive Owen, Joadie Foster, Willem Dafoe.

Dalton Russell, personagem de Clive Owen, abre o filme informando diretamente ao espectador que conseguiu realizar o assalto à banco perfeito. Após sua pequena fala, somos levados diretamente até o banco em questão, já no momento da chegada da quadrilha comandada pelo ator. Passamos a acompanhar, então, três frentes. Uma guiada pelos assaltantes, onde não sabemos quais os passos que eles tomarão para atingir o dito por Owen no início do filme. Outra comandada por Keith Frazier (Denzel Washington), aparentemente honesto e muito competente, detetive de polícia que vê o assalto como uma forma mais rápida de ascensão em sua carreira. E por fim, Madeline White (Jodie Foster), uma misteriosa executiva (possuidora de uma influência assombrosa, inclusive no meio político) que tem como trabalho proteger um precioso objeto que se encontra dentro do banco.
Apesar de já no primeiro momento, ficar claro que o que os assaltantes procuram, é justamente o que Madeline White tem que proteger, o filme não perde nada com isso, concentrando suas surpresas na forma em que o roubo é conduzido (achei genial) e principalmente nas relações entre as três frentes. O misterioso assaltante, o obstinado policial e a arrogante executiva.
As críticas sociais do diretor, apesar de mais sutis que em outros filmes de sua filmografia, estão sempre presentes, seja em momentos mais claros, como no caso do tratamento dado pela polícia a um funcionário do banco com características árabes, ou em momentos mais discretos, mas não menos fortes, como quando um cartaz com a frase “Nunca Esqueceremos”, com uma imagem das duas torres, como plano de fundo em um certo diálogo do filme. A arrogância e prepotência da personagem de Foster também pode ser vista como uma alusão à truculenta e desrespeitosa política internacional do Sr. George W. Bush (ou seria White o sobrenome da personagem por acaso?).
Um forte sentimento de tensão está presente durante todo o filme, já que o assalto envolve reféns (algo mais ou menos novo nos muitos filmes de assalto feitos ultimamente). A atuação do elenco é algo a se destacar, como esperado em um elenco tão bom.
Preparem-se então, para mais uma ótima viagem com o mestre Spike Lee.

A Era do Gelo 2

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Direção: Carlos Saldanha.
Vozes: Márcio Garcia, Diogo Vilela e Tadeu Melo.

“O que achou do filme?” Aposto dez tampinhas de fanta uva 2L como a resposta da maioria tem a expressão “que o primeiro”. Algo como: melhor que o primeiro, ou mesmo nível que o primeiro, ou pior que o primeiro. È a mania incansável de medir e comparar que herdamos da raça humana. O que eu responderia? Mesmo nível, talvez melhor “que o primeiro”. Inquestionável o nível que as animações chegaram. Chega a ser perfeito. Cenas com água, com pêlos, sombras, gelo, tudo uma perfeição. Não tem do que reclamar. Estão no limite da possibilidade tecnológica. E nunca se investiu tanto em animações como esse ano. Mas também é filme com renda certa. Na pior das hipóteses acertam o público infantil, e de quebra ganha o ingresso do acompanhante adulto. Graças a PIXAR temos uma nova “corrente” de animação, diferente da Disney, que vai além de traços diferentes, mas roteiros diferentes. Diferentes e melhor. E por falar em roteiro, nessa continuação temos a Era do Degelo. Tudo está para ser inundado e a jornada em busca da “arca de noé” é a premissa básica do roteiro. Temos um mamute solitário, uma preguiça mais chata que o burro do Shrek, um tigre que não sabe nadar. Subliminarmente falando temos um grupo de amigos diferentes, diria uma grande família diferente, talvez uma critica ao racismo e intolerância existente entre os humanos, ou não, talvez eu tenha visto coisa onde não tem. Todas as animações têm sua mensagem politicamente correta. Divertidíssimo, boas risadas são garantidas. Gambás tentam roubar a cena, mas o esquilo neurótico em busca da noz continua. E como não rir da chata preguiça, Sid? Insuportavelmente engraçada. Tadeu Melo faz um belo trabalho de dublagem que teria tudo para ser caricato e nos levar a pensar no programa de domingo do Renato Aragão. Duro mesmo é ouvir Márcio Garcia, até o grande Diogo Vilela não fica bem nessa dublagem.

O Segredo de Brokeback Mountain

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Direção: Ang Lee.
Elenco: Jake Gyllenhaal, Heath Ledger, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Linda Cardellini, Anna Faris.

Era uma vez um grupo de homossexuais baianos que resolveram fazer uma excursão para Pelotas. Fretaram um microônibus e
partiram rumo a felicidade. Purpurina no ar e regados a espumantes, todos, inclusive o motorista, estavam soltos cantarolando Village People. Opa, o motorista? Mas quem está dirigindo? Deu no que tinha que dar, maquiagens borradas de sangue, o ônibus capotou 24 vezes e todas as meninas morreram, exceto uma. Esta que ainda em choque viu aquilo como um sinal divino, uma praga do todo-poderoso, e decidiu que dali para frente ia viver como um homem de verdade, casar e ter filhos. E foi isso que fez ao longo de tantos anos. Até que morreu, quem conhecesse saberia que foi de desgosto, uma vida inteira de mentiras e privações. Sua singela e triste alma sobe ao céu, pois tinha sido um bom pai e bom marido na medida do possível. Quando de repente avista uma enorme nuvem rosa, com música e vozes conhecidas ao fundo. Chegando no mesmo nível da colorida nuvem ouve um coro repetindo a frase: NEM ERA PECADO!

Sintetizando talvez essa seja a lição de moral de O Segredo de Brokeback Mountain, mas basta trocar os elementos da história que continua funcionando e muito bem. Por exemplo, imagine alguém que queria ser professor, mas achava que não ia ser feliz com um salário de professor, então resolve fazer direito e passa a vida inteira num trabalho que não gosta e imaginando como seria sua vida de professor. Por isso, eu considero verdade o que vêm dizendo por ai, é um filme que vai além do contexto homossexual. O que não reflete no público, que pelo menos na minha sessão era na grande maioria homossexuais.
Fiquei até brincando que a bilheteria seria um censo para identificar a quantidade de homossexuais aqui em Fortaleza. Deixando de lado as brincadeiras, mais uma vez vemos a essência de Ang Lee, um respeitável diretor, dono de uma sensibilidade incrível e responsável por O Tigre E O Dragão e Hulk, este último não foi bem aceito pelos “geeks” dos quadrinhos, mas eu gostei muito. O Segredo de Brokeback Mountain é um filme extremamente bonito com uma fotografia impecável, que eu não via desde Herói. E as atuações? Bem, ninguém faz feio, mas eu não achei merecidas tantas indicações. Jake Gyllenhaal e Heath Ledger estão muito bem, esse primeiro eu sou fã, um excelente ator. Agora preparem para atirar pedras, eu tenho certeza que vão me xingar, mas eu achei um saco o jeito de falar de Heath Ledger, insuportável mesmo. Sei que muitos vão elogiar justamente isso. Mas eu achei irritante. Vou cair na armadilha da comparação, mas sinceramente eu continuo preferindo Munique, mas estou fazendo duas listas: os que eu estou torcendo e os que eu acho que vão ganhar. Acho que para Academia é o ano do Ang Lee.

As Loucuras de Dick e Jane

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Direção: Dean Parisot.
Elenco: Jim Carrey, Téa Leoni, Angie Harmon, Alec Baldwin, Luis Chávez, Richard Burgi.

Nada melhor em um filme de comédia do que a presença do excelente Jim Carrey. Melhor ainda quando o filme possui uma grande história, uma boa direção, muitas críticas sociais e ótimas piadas e situações engraçadas. “As Loucuras de Dick e Jane” é um remake do filme “Advinhe quem vem para roubar” de 1977 (que eu nunca ouvi falar), com George Seagal e Jane Fonda.
Depois de cair na miséria devido à falência da mega-corporação em que Dick (Carrey) trabalha, o casal resolve partir para a marginalidade no melhor estilo Bonnie e Clyde, praticando assaltos para pagar as dívidas, recuperar o (alto) nível social perdido e como protesto pela falta de oportunidades de trabalho.
O bom diretor Dean Parisot, resolveu acertadamente situar o seu remake no início do século XXI, colocando Dick como um executivo em plena ascensão, que ao tornar-se vice-presidente de comunicação de sua empresa, recebe a terrível notícia de que ela está falida, que todos os funcionários estão na rua e na miséria, e a única pessoa que saiu por cima e com dinheiro em toda a história foi o rico/especulador/mau caráter e ex-patrão de Dick, interpretado por Alec Baldwin, que encarna perfeitamente o lado cínico desse personagem.

Cinema, Aspirinas e Urubu

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Direção: Marcelo Gomes.
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, José Leite, Zezita Matos, Hermilda Guedes, Oswaldo Mil e Fabiana Pirro.

Talvez a receita do sucesso seja evitar os clichês ou refazê-los melhor. O cinema brasileiro vem sem dúvida alguma se reinventando, já estava cansado de ouvir falar em Glauber Rocha. Temos agora uma nova safra de talentosos e desconhecidos diretores e atores. Há tempos aquele pornô sutil deixou de existir, e agora é a vez da pobreza, da seca e da violência barata. Muito corajoso escolher esse título para um filme, mas estamos acostumados com aberrações, e já que iam fazer algo diferente, então porque não começar pelo título? Mas Cinema, Aspirinas e Urubu fala sobre seca? Fala. Sobre pobreza? Também. Então faz o mesmo que tantos outros? Absolutamente não! Usa esses elementos como deveriam ser usados, como plano de fundo para qualquer história que se passe no sertão nordestino. Por sinal um belo trabalho do diretor de fotografia Mauro Pinheiro, quase dava para sentir o calor e a aridez das cenas, ótimo trabalho mesmo. E as tomadas e câmeras não ficam atrás, de muito bom gosto. No roteiro, temos dois personagens para lá de interessantes, e com muito mais coisas em comum do que imaginam. Dois fugitivos, um da guerra e outro da seca. Ambos fugindo de uma vida que não querem, em busca de algo melhor. E desse encontro surgem risos, confidencias, tristezas, companheirismo e principalmente cumplicidade. Fica claro que aquele encontro vai mudar o destino de ambos, como realmente muda. Tinha tudo para ser caricato, um pensativo alemão foge da II Guerra Mundial, enquanto um sertanejo resmungão foge da seca. Mas passou longe de ser caricato, muito pelo contrário, estão distintos e dão alma verdadeira ao filme, com duas ótimas interpretações. Finalmente vejo uma luz no fim do túnel, e não é um trem, há sim vida inteligente no cinema brasileiro. Sorte nossa.

Marcas da Violência

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Direção: David Cronenberg.
Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Peter MacNeill.

O que um apaixonado e atencioso marido, pacato pai de família, e dono e uma pequena lanchonete pode ter de especial? Que justificativa pode ser dada quando em uma situação adversa, esse mesmo homem age de forma tão violenta, mortal e precisa durante um assalto em seu estabelecimento? E se depois disso, um estranho (Ed Harris) e mal encarado homem aparecesse e insistisse já conhecê-lo e que toda essa sua vida não passa de uma farsa?
Viggo Mortensen é Tom Stall, o simplório e inexpressivo homem de família descrito no parágrafo anterior, que tem sua vida completamente transformada após a reação a um assalto, que levou a morte dois perigosos assassinos. Transformado em herói nacional e recebendo atenção de toda a mídia, fantasmas do passado despertam e começam a assombrar Tom e sua família.
Cronemberg trabalha perfeitamente a angústia do personagem de Mortensen em relação à dúvida do que deve ser feito. Tentar apaziguar a situação e se esconder, esperando que a tempestade passe, independente da destruição que ela possa causar; ou ir de encontro ao seu possível passado e retribuir tudo que está acontecendo em sua vida de uma forma ainda mais violenta.
David Cronemberg, que na verdade nunca foi um dos meus diretores preferidos, cria aqui, uma angustiante trama , onde vemos o esfacelamento da relação aparentemente perfeita da família de Tom. Onde a dúvida de seu passado põe em risco tudo o que foi construído em quase 20 anos de convivência. Sua esposa Edie (Maria Bello) e seu filho mais velho, Jack (Ashton Holmes), com certeza são as pessoas que mais sofrem com isso.
Mortensen acerta bonito na maneira que decide interpretar Tom, sua forma introspectiva e seus modos moderados, além da voz sempre mantida em baixo tom, dão ainda mais vida ao seu personagem e tornam toda a história ainda mais visceral. Não foi uma das melhores atuações do ano, mas serve para mostrar o quanto esse ator melhorou depois de ter sido rei.
Marcas da Violência não é de forma alguma um filme de ação, é sim um instigante estudo sobre as conseqüências de algo inesperado, e principalmente, violento na vida de pessoas aparentemente comuns.

O Exorcismo de Emily Rose

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Direção: Scott Derrickson.
Elenco:Laura Linney, Tom Wilkinson, Campbell Scott, Jennifer Carpenter, Colm Feore, Shohreh Aghdashloo.

Em primeiro lugar, “O exorcismo de Emily Rose”, não pode ser definido como um filme de terror. Apesar das características do gênero, além dos muitos clichês que sempre fazem parte do pacote, estarem sempre presentes durante toda a história, o Diretor e também roteirista Scott Derrickson, foi bastante feliz em manter o foco da história no julgamento do Padre Moore, pároco da família Rose e possível responsável pela dramática e estranha morte da jovem depois de sessões de exorcismo.
Um grande mérito do filme e com certeza o seu maior diferencial, com certeza se dá em relação à abordagem do caso. O filme, como falado anteriormente, gira em torno do julgamento, portanto, somos a todo instante, apresentados às duas versões do caso, sempre através de flash backs, ora de testemunhas oculares, ora de cientistas e médicos.
Dois pontos de vista extremamente diversos se opõem no tribunal. De um lado a promotoria, acusando o Pároco Moore de assassinato culposo por negligência, devido ao impedimento do tratamento médico de Emily, que segundo os médicos ligados a acusação, sofria de epilepsia e de uma grave psicose, o que ocasionava crises que responderiam cientificamente seus sérios problemas. Já de outro lado, temos a família e o Pároco, defendidos por uma ambiciosa e até o momento cética advogada, que em sua defesa, afirma que Emily realmente foi possuída por demônios, e por isso, a única chance de salvação se daria através do exorcismo.
Apesar de pender claramente para o lado mais sobrenatural da história, e de um final no mínimo compromissado, “O Exorcismo de Emily Rose” é uma interessante forma de presenciar mais umas das grandes divergências entre fé e razão.

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e O Guarda Roupa.

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Direção: Andrew Adamson.
Elenco: Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Popplewell, Tilda Swinton, Sophie Winkleman, James McAvoy, Jim Broadbent, Liam Neeson (Voz de Aslan).

Primeiramente, não pense que as histórias de Nárnia são parecidas com as da Terra Média (Tolkien), muito pelo contrário, os contos de C.S. Lewis (pelo menos esse adaptado) são especificamente direcionados ao público infantil, mas logicamente podem agradar, e muito, aos marmanjos que gostem de uma boa aventura. Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia, são quatro crianças que são enviadas para um castelo no campo, para fugir do bombardeio a Londres pelo exército alemão durante a segunda guerra mundial. Entediados, eles tentam inventar brincadeiras como forma de distração. Sem querer, Lúcia descobre, em um dos guarda roupas da casa, uma passagem para um estranho e diferente mundo, povoado por faunos e outras criaturas e onde os homens são chamados de “filhos de Adão” e as mulheres de “Filhas de Eva”.
Esse lugar é Nárnia, um território dentro de um mundo desconhecido, um local mágico onde seres da mitologia grega (faunos, centauros, dríades, grifos), dividem seus espaços com animais falantes e são governados pelo Leão Aslan (voz de Liam Neeson). Depois de uma ausência do saberano de Nárnia, a região é dominada por uma terrível bruxa, que domina Nárnia de forma assustadora, transformando todos os seus adversários em pedra e mudando drasticamente a região, tornando tudo um continente gelado. A possibilidade da concretização de uma profecia e o retorno de Aslan, levam a uma guerra entre as forças do bem e as criaturas do mal, que definirão o futuro de Nárnia. A obra de Lewis seria uma mistura de referências bíblicas (filhos de Adão e Eva; referência a traição, sacrifício e ressurreição de Cristo; alusão ao Leão como uma divindade) com elementos da mitologia greco-romana e Nórdica (até Papai Noel aparece no filme).
O lado técnico do filme está primoroso, com criaturas digitais beirando a perfeição (mais um excelente trabalho da WETA DIGITAL). Fotografia excelente (Nova Zelândia ajuda mesmo). Atuações seguras e uma ótima escolha em relação às crianças que ficaram com os papéis principais, principalmente Georgie Henley, intérprete de Lúcia Pevensie. Tudo isso, conduzido através da boa direção de Andrew Adamson, que tem aqui, a sua primeira direção com personagens de carne osso, já que até o momento ele havia dirigido apenas as aventuras do ogro verde Sherk.

 
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