Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Gary Oldman, Emma Thompson, Maggie Smith, Richard Griffiths, Fiona Shaw, Brendan Gleeson, George Harris, Natalia Tena, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Katie Leung, Tom Felton, Matthew Lewis, David Thewlis, Julie Walters, Imelda Staunton, Jason Isaacs, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes.
Antes de mais nada, uma pequena história sobre Harry Potter: quando eu tinha 15 anos soube pela primeira vez de HP, e achei, como todos, que era algo infantil e inútil, e não me dei ao trabalho de ler. Meses depois minha irmã, seis anos mais velha, estava lendo-o: havia sido convencida pelo seu chefe, anos mais velho do que ela. Em seguida, meu irmão, também mais velho do que eu. O que deveria eu fazer? Ler também. E foi aí que li os três primeiros em uma semana, e os outros compulsivamente, até o sétimo e último.
Pois bem, ao filme. Confesso que comparando com outras adaptações e séries, os filmes do HP podem deixar a desejar. Não pode ser comparado a Senhor dos Anéis, por exemplo. Mas os últimos filmes foram grandes surpresas, e a Ordem da Fênix não é exceção. Um filme muito bem feito, fiel (dentro dos limites) ao livro, com boas atuações (as melhores até agora) e uma história concisa, resumida (talvez até demais), e forte. Seria o melhor dos filmes se, na opinião do autor, o Prisioneiro de Azkaban não tivesse grande destaque por sua extraordinária visão e direção. Mas não se engane: David Yates não é um Cuáron, mas conseguiu ser mais fiel aos livros do que muitos outros, sem perder em qualidade, ação e emoção. Sem dúvidas, uma excelente escolha para esse e outros filmes da série.
O filme já começa com o clima sombrio e amargo deixado pelo Cálice de Fogo. De cara sabemos que não se trata mais de um filme para crianças: as risadas, as brincadeiras e o fascínio estão cada vez mais distantes, enquanto que o lado sombrio do mundo em que Harry vive cresce e se aproxima dele e de todos os que estão ao seu lado.
Na história, Harry (Radcliffe), que se sente abandonado por seus amigos e por Dumbledore (Gambon), acaba sendo julgado pelo Ministério por usar magia sem autorização, e quase sofre conseqüências maiores. Ele passa o resto das férias na casa de Sirius Black (Oldman), atual quartel general da Ordem da Fênix, um antigo grupo de resistência à Voldemort. Nem mesmo a presença do seu padrinho e de seus amigos melhora o ânimo do garoto: o contato entre eles é curto, e rapidamente eles voltam às aulas em Hogwarts, que também não é mais a mesma. A influência do Ministério da Magia, que se nega a acreditar que o Senhor das Trevas voltou e está claramente afundado em corrupção e jogo sujo, chegou a escola de Dumbledore.
Mas mesmo sendo tratado como mentiroso, tendo sonhos estranhamente ligados à Lorde Voldemort (Fiennes), e estando cada vez mais afastado de Dumbledore, Harry sabe que dias piores virão. Ele, Ron (Grint), Hermione (Watson) e outros amigos acabam por criar um grupo para se preparar para a luta contra os comensais da morte, já que a atual Professora de Defesa contra as Artes das Trevas (Staunton, na mais marcante atuação) está claramente corrompida pelo Ministério e suas sombrias influências. A Armada de Dumbledore é sem dúvidas um dos pontos fortes do filme, e prepara a todos para o excelente confronto no final, dentro do próprio Ministério.
Veredicto: um filme muito bom, dentre os melhores da série, obrigação para qualquer um que goste dos livros ou esteja acompanhando os filmes. Cheio de grandes atuações (ponto fortalecido pela volta de Gary Oldman e presença de novos bons atores - ou melhor, atrizes), cenas marcantes e todo o clima mágico e contagioso da série. Nem mesmo as falhas, como a mudança em visuais importantes deixados pelos outros filmes, a já conhecida lerdeza no meio do história, e outros pequenos detalhes, comprometem este filme que marca o início da trilogia final.
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