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Busca Implacável – Taken

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Direção: Pierre Morel.
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Jamssen, Xander Berkeley, Katie Cassidy, Anjul Nigam, Goran Kostic, Holly Valance.

De James Bond à Jack Bauer e Jason Bourne, a linha JB de agentes secretos foi ficando cada vez mais massante e menos explorada. É fato que todos agente secreto tem seu próprio estilo, habilidade e jeito de resolver as coisas, mas Bryan Mills (Liam Neeson) tem o ‘que’ que estava faltando em um agente: Aposentadoria.

-Que?!

Bryan Mills é um Ex-agente do Governo que se aposentou para poder dedicar mais tempo a sua filha Kim (Maggie Grace). Após ter se mudado para perto da cidade onde ela vive, com sua mãe Lenore (Famke Jamssen) e seu padrasto Stuart (Xander Berkeley). Após o aniversario de Kim, ela recebe um convite para ir à França com sua Amiga Amanda (Katie Cassidy). Bryan, acostumado a ver o mundo de sua própria maneira, dá um celular para Kim para que ela ligue sempre para ele, assim podendo estar ciente da segurança de sua filha. Mal sabia ele que, logo no primeiro dia, sua filha e amiga seriam vítimas de um grupo de Albaneses, que comandava o tráfico de mulheres pela Europa.

Cheio de personalidade, Bryan é uma mistura de Daniel Craig com Kiether sutherland munido apenas de conhecimento e uma postura ainda mais revoltada. A ação no filme é repleta de pausas dramáticas, prendendo o espectador do começo ao fim. Mas como todo bando possui seu patinho feio (que não vira Cisne), Taken não é exceção. As atuações de terceiros deixam a desejar, principalmente da filha em questão, que com seus 17 anos, age como se tivesse 12. E fake Jamssen, a eterna Fênix, cada vez mais decaindo em sua carreira, onde seu papel apagado de Mãe de Kim ainda fica meio falso e sem algum apego ao personagem.

O cenário é meio apagado, como toda boa Europa tende a ser, e o jogo de câmeras é o que torna o filme mais empolgante (assim como todo filme de ação), porém, o que realmente chama atenção é o desenrolar da historia, que acaba surpreendendo a cada atitude inesperada do protagonista Liam Neeson.

Enfim, é um ótimo filme de ação para quem gosta do gênero, não há genialidade ou subliminaridades, apenas uma hora e meia de olhos travados na tela tentando entender como uma pessoa só consegue fazer tanta coisa sem ajuda alguma, coisa que Bond, Bauer e Bourne tem de sobra.

Iuri Genovesi

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O Curioso Caso de Benjamin Button

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Direção: David Fincher.
Elenco/Vozes: : Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Elle Fanning, Elias Koteas, Jason Flemyng, Taraji P. Henson, Josh Stewart.

Apesar de inevitável, e inerente à natureza humana, a velhice raramente é tratada com preocupação, e talvez nem deva, mas não custa nada refletir um pouco sobre como ficar velho. A frase mais simplória e comum que podemos ouvir sobre O Curioso Caso de Benjamin Button (Benjamin) é que se trata de “uma fábula sobre o tempo”, e os adjetivos não foram escritos com o intuito de diminuir, convenhamos, é difícil resumir um filme em uma única frase.

Benjamin é baseado no conto de Scott Fitzgerald, e conta como seria viver de trás pra frente. Particularmente nunca li o conto, e pra ser sincero achava que essa idéia era de outra pessoa, inclusive recebi algumas vezes por e-mail uma história parecida. Provavalmente você já percebeu que quando um texto é engraçado vem com a “assinatura” do Veríssimo ou do Arnaldo Jabor, independente de quem seja o autor de verdade.

Ao longo dos seus 166 minutos, Benjamin narra a saga de Benjamin Button, uma criança que nasceu diferente, rejeitada ao nascer, que encontra amor e a carinho numa espécie de abrigo/hotel para idosos (o que torna ainda mais interessante o roteiro). Alias, a palavra “curioso” se encaixa perfeitamente em quase todas as situações do filme, como por exemplo, o fato de um recém-nascido não conseguir andar, assim como um idoso no auge dos seus 80 anos. Interessante como existem outras semelhanças entre essas duas fases da vida (!). Grande parte do filme trata sobre como seria viver uma vida normal, porém com a inversão entre cabeça e corpo em relação ao tempo de vida. Praticamente todas as situações são tratadas, desde a virgindade até a demência.

Alguma obras são ditas “definitivas” e/ou “completas” por tratarem um assunto com tamanha segurança e amplitude que pouco temos à acrescentar. Benjamin é assim, e vai além do roteiro, toda a parte técnica é impecável, inclusive efeitos especiais e maquiagem, indispensáveis para o que se propõe o filme. Brad Pitt e Cate Blanchett estão impecáveis, independente de qual seja a fase da vida. Apesar de longo, o filme flui com naturalidade e mantém a linha de interesse do expectador até o fim, mesmo que já saibamos o que vai acontecer.

Benjamin é poético, reflexivo e dramático, sem dúvida um belíssimo trabalho de direção. E as indicações aos prêmios provam isso. Provavelmente um dos grandes favoritos ao Oscar. Visita obrigatória aos cinemas. Como dica sobre o tema fica o livro Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez. Bem, como uma coisa puxa outra, esse livro é citado em outro excelente filme sobre passagem do tempo, chamado Shi Gan (em inglês virou Time, não sei em portguês), do diretor Ki-duk Kim.

Feliz Natal

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Direção: Selton Mello.
Elenco: Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Graziella Moretto, Leonardo Medeiros, Lucio Mauro.

Estréias sempre suscitarão maiores expectativas na crítica e no público, sobretudo quando se trata da transição de ator para diretor de cinema. Isso não quer dizer que a partir do momento que se passa a ser diretor tenha-se que se dispersar da continuidade para uma carreira de ator. Não creio que esta seja a idéia do então diretor e ator Selton Mello, que acabara de nos apresentar sua mais recente realização. O filme Feliz Natal, que ironicamente ou não (acredito que assim tenha sido), surge exatamente em um período natalino, o que me faz apreendê–lo como uma justaposição do intuito do novo diretor a uma denominação especial que classificou as obras de Aristóteles. Pois como livros que tratam da filosofia primeira, o drama dialoga com o espectador através de uma metafísica, isto é, percorrendo por uma investigação do ser enquanto aquilo que realmente é.

É muito natural ver em um ator que fomenta projetos simultâneos e que é provido de um histórico com atuações primorosas, a exemplo de Lavoura Arcaica (2001), de Luis Fernando Carvalho, e O Cheiro do Ralo (2007), de Heitor Dhalia, traços dessas vivências em sua primeira atuação como diretor. Isso se torna aparente na experiência com que Selton conduz Feliz Natal. Penso eu que tamanha segurança certamente fora extraída de sua passagem por grandes produções nacionais, além é claro, de equacioná-las, em principio, a nuanças de referências tarkovskyanas.

O filme inicia com uma extensa ausência da fala, que por sua vez enaltece a boa captação de som na manipulação de objetos e nos movimentos dos atores. Essa passagem é regida por uma fotografia que me parece aludir à atmosfera concebida pela pintura surrealista do belga René Magritte, pois sugere a visualização de uma penumbra sobreposta a luz e constrói uma espécie de enigma na apresentação da face de um personagem que já se mostrara estigmatizado.

Não tardara muito para o diretor explicitar a simbiose de suas influências, já que quando o drama começa a se desenvolver, através da surpreendente aparição de Caio (Leonardo Medeiros) à festa de natal de sua família psicologicamente desestruturada, é possível perceber a predominância dos planos fechados muito explorados por Ingmar Bergman.

Ao ver Feliz Natal o espectador livra-se da sensação de que paráfrases como Feios, Sujos e Malvados (1976), de Ettore Scola, estão ausentes em sua memória. Pois temos na direção de Selton Mello um exemplo ainda mais contundente de como vivemos em um sistema social que nos manipula com crenças ilusórias, para disfarçarem a nebulosidade de nossa verdadeira essência. Assim fora constituída uma escrita que mescla significado e transcrição, sobre a importância de celebrar o “nascimento de cristo” não apenas como forma de reunir uma família e trocar gestos carinhosos através de pequenos presentes, mas, em suma, por possibilitar a apropriação de tal momento para brindar à época que mais evoca tudo que se encontra de mal resolvido entre os familiares.

Embora o diretor não tenha se dado conta de um pequeno excesso em algumas cenas, os entrecortes na montagem e a fragmentação das situações evitaram, inteligentemente, qualquer proximidade a uma espécie de reverberação cinematográfica. Pois através da perspectiva que nos mostra após o rompimento de uma união matrimonial fracassada, composta por uma mãe alcoólatra e um pai arrogante, é que começamos a entender a complexidade nos comportamentos infelizes dos herdeiros dessa má elaboração de vida, que exalam traumas, eufemismos, frustrações e muita culpa.

Com todos esses ingredientes coesos a mais uma feliz seleção de elenco, resgatando grandes e esquecidos nomes como Paulo Guarnieri, somos contemplados – já fazendo a devida justiça ao nome do filme -, com um belo presente de natal. Emitido por um artista que enuncia mais uma promissora carreira no cinema brasileiro, tendo como conseqüência, obviamente, uma futura projeção internacional. Este que já se impõe em um novo posto como agente de grandes reflexões e nos provando que, quando a arte analisa a condição humana, não deveremos nos portar de maneira indiferente, mas ao menos irmos de encontro ao seu registro.

Tito Oliveira

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[REC]

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Direção: Paco Plaza, Jaume Balagueró.
Elenco/Vozes: : Manuela Velasco (Ángela), Vicente Gil (Policial), Ferran Terraza (Manu), Pablo Rosso (Marcos), Martha Carbonell (Sra. Izquierdo).

Lembro que na época, alguns meses atrás, o Chefe me passou um link pro YouTube. Nesse link tinha o trailer desse filme [REC], que curiosamente exibia quase na sua totalidade apenas cenas com as reações do público que o assistia. Achei uma boa idéia, mas fiquei com um pé atrás. Sou um incompreendido quando falo sobre filmes de terror/suspense, eu não faço distinção de gênero, mas a maioria dos filmes de terror e comédia é ruim, isso é estatística, não tem como negar. E eu sempre dou uma chance pro filme, mesmo que no final eu diga: quero minhas duas horas de volta!

Pois bem, acho que só agora o filme ficou em cartaz, pelo menos aqui pelas terras tupiniquins. O filme é simples, bem simples, diria que é cru até demais, mas tem um roteiro que funciona bem, incrivelmente simples e eficiente. Assim como Cloverfield, [REC] aproveita a própria câmera utilizada na história, nesse caso a câmera de um casal de repórteres que vai passar a noite no departamento de bombeiros, acompanhar e mostrar como funciona essa vida noturna de alerta a qualquer instante dos bombeiros.

Obviamente algo acontece, um chamado ocorre, e todo o tédio é quebrado, “finalmente ação” os repórteres pensam. Mal sabem que eles que ali seria o início do terror. E todo o resto filme acontece num pequeno e velho prédio, que com o tempo vai ficando cada fez mais aterrorizante e sufocante. Sustos e mais sustos acontecem no prédio sem luz e com a câmera tremida, e algumas são realmente de arrepiar. Sem saber o que vem acontecendo, os moradores vão tentando preencher lacunas, e nesse momento os inevitáveis conflitos e o instinto de autopreservação surgem.

No desfecho a explicação da origem de tudo aquilo não convence muito, mas você já estará tão assustado e intrigado que pouco vai se importar, pois a tensão continua até o último fio de carga da bateria da câmera. Impressionante a iluminação noturna da câmera. Apesar de usar as velhas técnicas de sustos, [REC] cria a atmosfera necessária para usar tais técnicas, e é bom saber que ainda é possível fazer um filme que assusta sem apelar para o ridículo e histórias sem cabimento.

Ensaio Sobre A Cegueira

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Direção: Fernando Meirelles.
Elenco/Vozes: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Alice Braga, Sandra Oh, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura.

Como bom amante da literatura, antecipei-me ao lançamento do filme e li esta grande obra de José Saramago. Como bom leitor de blogs, acompanhei entusiasmadamente o blog de Fernando Meirelles sobre a produção do filme. Depois disso foi uma longa contagem regressiva até o lançamento. Longa e dolorosa, pois as críticas iniciais do filme eram negativas e a recepção em Cannes não foi boa. E os comentários não eram mal intencionados, pareciam legítimas decepções com o que parecia ser “um filme razoável em que o diretor não se destaca, a história não convence e as atuações não são boas”. Chegaram a me convencer de que seria “mais um filme” ou ainda “um bom filme para os que adoram o livro”. Sorte a minha, fui enganado.

Ensaio Sobre a Cegueira é uma das mais fiéis e merecidas adaptações da literatura para o cinema. Poucas produções conseguiram capturar o espírito de uma obra tão bem. Até o ponto em que, mesmo em suas falhas (como o excesso de narrações mal aproveitadas de um importante personagem), consegue com perfeição simular a sensação de estar lendo e vivenciando a brilhante história. Sem querer entrar nos detalhes do livro, que é um dos mais fortes e impactantes no lado social, psicológico e humano que já li, não entendo como puderam desmerecer o trabalho cinematográfico realizado. Comecemos pela fotografia: esta é usada de forma extremamente eficiente, representando muito bem a sensação da cegueira branca e oferecendo detalhes preciosos para os mais atentos, como objetos que se confundem com o branco tão presente no plano de fundo; em seguida, a edição, Muito bem empregada e instigante, lembra em alguns momentos o estilo americano (corrido, perturbador, como em Ultimato Bourne), e em outros o bom e velho cinema europeu.

A direção merece um parágrafo a parte. Não existe nada de trivial e simples na direção de Meirelles. Está mais para uma condução refinada e primorosa. Talvez não seja tão marcante ou surpreendente como em Cidade de Deus, mas é mais presente até do que em Jardineiro Fiel, e um ponto de grande importância do filme. Em uma cena particular vemos o policial se aproximar do ladrão através de um reflexo, e acompanhamos simultaneamente o desenrolar da cena. Em outra nos assustamos com uma mesa que não é exibida até o momento certo, em um belíssimo trabalho de direção e montagem. E o final, bem, o final. Qualquer pessoa que tenha lido o livro ficará sem fôlego e sem palavras quando presenciar o final do filme.

Por fim as atuações. Não se deixem enganar por qualquer desprestígio quanto ao trabalho do elenco. Julianne está mais uma vez maravilhosa, uma das grandes atrizes do nosso tempo. Danny Glover e Mark Ruffalo não desapontam. Alice Braga é a grande surpresa, com uma atuação forte e madura. E Gael García está mais uma vez excelente.

Não se deixem enganar como eu e assistam ao filme sem medo, principalmente se já leram o livro. Se não leram, tentem não se incomodar com detalhes que foram muito criticados mas são fiéis e justificáveis, como a ausência de nomes dos personagens, a localização incerta das cenas, entre outras minúcias que são importantes para o livro e para o filme, não podendo ser de outra forma.

Bodão

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Linha de Passe

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Direção: Walter Salles e Daniela Thomas.
Elenco: João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Sandra Corveloni, Ana Carolina Dias.

Recentemente, em uma de minhas críticas sobre o cinema brasileiro, apontei certa falta de amadurecimento em muitas das produções aqui realizadas. Neste momento, estou a enunciar a existência dessa controvérsia. O filme “Linha de Passe”, de Walter Salles e co dirigido por Daniela Thomas, nos apresenta, de maneira veemente, a verdadeira realidade na rotina de uma família periférica da capital paulista. Família composta por pessoas que não buscam suas identidades na criminalidade – contrariando a justaposição feita por cineastas que se submeteram a descrever os sonhos dos originários das periferias e favelas -, mas na esperança permeada pela honestidade. Que por sua vez é limitada ao mercado de trabalho informal ou a busca às peneiras de futebol, além da desesperada necessidade de crença, essa última incitada através de igrejas protestantes.

A trajetória da película é regida por interpretações plausíveis, haja vista o desempenho da personagem Cleuza, interpretada pela atriz Sandra Corveloni, ganhadora da Palma de Ouro. Embora colorido, o filme concebe uma fotografia que me remete ao clima noir do estilo Nouvelle Vague de cinema, sobretudo muito visto nas obras de Godard. Entretanto, esta é estabelecida inteligentemente como forma de preservação de uma originalidade atmosférica, típica do habitar de classes menos favorecidas.

A parceria entre Walter Salles e Daniela Thomas, percorre nesse trabalho, por uma trilha à margem dos chavões sociais já expostos nos cinemas brasileiros. Não há relevância em saber se a intenção deles foi ou não diferenciar sua obra das demais produções nacionais que se submeteram a discorrer sobre o assunto em questão. O importante mesmo é que conseguiram. Pois nos possibilitaram sermos cúmplices de uma solidez envolvente, que traduz a narrativa no gesto, na espontaneidade que os abstiveram da especulação ou banalização dos fatos.

É preciso reconhecer que o cinema mexicano, argentino e, em proporção ainda que menor, também o cinema brasileiro têm rompido com a hermética das premiações européias e americanas. Por outro lado, devemos nos tornar capazes do discernimento para o real valor de tais obras. Pois muitas alcançam tal prestigio desprovidas de critérios para exprimir suas idéias ou insinuações. É, para mim, de grande notabilidade, perceber a profundidade da proposta através da sutileza com que os diretores de “Linha de Passe” conduziram o longa. Construindo em situações aparentemente simples, a complexidade. Pois o que se pode apreender na busca do personagem Dario e de seus demais irmãos como uma busca para uma identidade, pode ser ainda mais profundo se pensarmos que tal busca encontra-se associada à obsessão para provar a sociedade que possuem postos de cidadãos, exageradamente exigido pela mesma através de um determinado nível social. Transmitir na cena em que um jovem, filho de uma serviçal, é convidado pelo filho da patroa de sua mãe, a participar de uma “pelada” no condomínio de classe média e, demonstrando sua habilidade, torna-se hostilizado pela intolerância de um dos moradores do respectivo condomínio, que por sua vez; diante de uma indagação sobre sua atitude inóspita, exclama ” Ta bom, agora eu também vou trazer o filho da minha empregada para jogar em meu time!”. Nos mostra o desprezo que sentimos por essa dicotomia e ao mesmo tempo nos afirma que insistimos em permanecermos demagogos, quando pensamos não sermos complacentes com tamanha estupidez, arrogância. Quando vamos ao cinema e contemplamos nossas ações inconseqüentes através de determinadas mensagens, sejam essas pragmáticas ou metafóricas, precisamos suprimir a indolência e enxergar a verdadeira essência que nos compete, pois essa oportunidade não se encontra em uma esquina qualquer.

Bom, ao que me resta, diante do exemplo de lucidez apresentado através de uma obra cinematográfica e, sobretudo brasileira, devo parabenizar o Walter Salles e a Daniela Thomas por nos exemplificar que nem tudo está perdido em despeito de nossas consciências. Que ainda há entre os membros da classe artística, os que enxergam além da ilusão. E, em maior importância, os que se encontram cientes de que o grande problema não está na pobreza, mas na ignorância. Os que notam na ignorância, a grande responsável por agravar ainda mais as dificuldades da população carente. Tornando o cotidiano das pessoas que vivem nesse contexto em um purgatório. Onde se houve a perturbadora ironia: “Vai para onde assim, fazer exame de fezes?!” diante de uma simples vestimenta formal, entre outras tantas provocações gratuitas e desnecessárias. Devemos, sobretudo, parabenizar os idealizadores do filme por nos mostrar que se as classes políticas atenuassem a ignorância, não nos absteríamos em refletir sobre determinadas ações por serem provenientes de realidades menos favoráveis economicamente e desprovidas da educação, que por sua vez lhes proporcionariam a noção devida de civilidade e do que é realmente necessário para tornar suas vidas melhores, mas, discorreríamos sobre tais ações nos baseando no caráter individual de cada cidadão. E isso, em minha opinião, é mais evoluído.

Prêmio de Melhor Atriz para Sandra Corveloni, no Festival de Cannes.

Tito Oliveira

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Cronicamente Inviável

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Direção: Sergio Bianchi.
Elenco: Cecil Thiré, Betty Gofman, Dan Stulbach, Daniel Dantas, Dira Paes.

Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi, apresenta histórias episódicas e discute aspectos das crises social e política do Brasil. Mas precisamente, critica a letargia da classe média e os mais diversos mitos de brasilidade decadente. Sua narrativa constróí uma espécie de simbiose entre ficção e domentário superficial, compondo, através de um histórico de cada personagem, fragmentos crueis de um humor ácido e inescrupuloso.

A partir dessa permeabilidade, o diretor alça vôos anárquicos filmando de Norte a Sul do país. E, por onde passa, tece comentários reveladores, sobretudo quando se dispôs a análizar os mitos da felicidade baiana e do trabalho sulista, apresentados como uma perfeita forma de afirmação autoritária. Já para os sambodromos dos desfiles carnavalescos, são colocados como currais onde oprimidos reverenciam opressores. O cineasta cutuca ainda a burguesia, cujo ideal progressista não resiste a uma camisa mal-passada pela empregada.

O filme foi rodado em 1999, possui uma estética obsoleta em sua fotografia, uma câmera insossa e um elenco que, embora composto por grandes atores, a exemplo de Cecil Thiré, Betty Gofman, Dan Stulbach, Daniel Dantas, Dira Paes e outros, suas atuações são de cárater limitado. Mas vale como pesquisa e discussão sociológica. Pois este tem pelo menos uma cena que poderia fazer parte de qualquer antologia do cinema brasileiro: a da mãe que diante do filho assaltado defende o infrator. Perturbadora, a sequência mostra como é difícil julgar num país inviabilizado pela injustiça.

Uma paráfrase do Brasil, Cronicamente Inviável pode despertar amor ou ódio. Indiferença, jamais.

Tito Oliveira

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Jogo de Amor em Las Vegas

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Direção:Tom Vaughan
Elenco: Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Queen Latifah, Krysten Ritter, Zach Galifianakis, Lake Bell

Eu sou um assumido fã das comédias românticas, sempre que posso estou assistindo-as. É claro ou melhor é cristalino que comédias romãnticas são cheias de clichês, afinal são filmes leves, suaves que servem para deixar os casais mais apaixonados, envolventes e principalmente proativos (os homens).

Não tem uma comédia romântica bem feita que não explicita alguma dica (clichê) para os casais, eu já peguei várias e principalmente, coloquei-as em prática…..não é que funciona mesmo!!!!

Outra coisa que que percebo que em muitas enredos dessas comédias, vemos nossas próprias histórias ou parte delas e nos pegamos a pensar qual seria a consequência daquela determinada decisão.

Bem, minha história não chega nem perto a do filme, afinal ela começa assim: A trama gira em torno de Joy (Diaz) e Jack (Kutcher), que se conhecem em Las Vegas em uma noite de bebedeira e acordam casados no dia seguinte. Pra piorar as coisas, o casal ganha um prêmio de 3 milhões de dólares no cassino, forçando os dois a se manterem casados até conseguirem todo o prêmio só para eles.

A certeza que tenho é que Cameron Diaz e Ashton Kutcher até tentam trabalhar em outros gêneros, mas certamente eles têm comédia em seus dna´s e tornam-se sempre referências de sucesso nesses tipos de filmes.

Enfim, uma comédia para quebrar qualquer clima ruim ou pesado do casal, pois aprendi com essa comédia que nem tudo tem que ser levado tão sério que não posso se tornar engraçado, pois a alegria une muito mais o casal do que uma temida DR. >;-D

O Escafandro e a Borboleta

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Direção: Julian Schnabel.
Elenco/Vozes: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Patrick Chesnais, Olatz Lopez Garmendia, Marina Hands, Max von Sydow.

O filme é baseado no livro homônimo e biográfico de Jean-Dominique Bauby, que conta a tragetória do próprio após ficar paralizado em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). O ponto principal da estória é que Jean-Dominique apresenta um quadro clínico raro após o AVC: uma paralisia completa. Chamada Síndrome de “locked-in”, que, como o nome faz entender, prende o paciente dentro do seu próprio corpo; este quadro clínico intriga os médicos e tira todos os movimentos de Jean-Dominique, que passa a poder movimentar apenas um dos olhos e sequer pode falar.

Jean-Do, como é conhecido pelos amigos, era o editor da revista “Elle” e também escritor. Separado e pai de três filhos, tinha uma bela e apaixonada namorada. Uma pessoa ativa que repentinamente é condenada a viver trancada em seu próprio corpo. Neste aspecto, a referência que o próprio Jean-Do faz ao escafandro é perfeita. Vemos claramente, principalmente no início do filme, a luta e a angustia do personagem frente a sua situação atual, e sua vontade de se ver livre das amarras.

Com relação ao filme, o diretor procura nos aproximar do dia-a-dia de Jean-Do, e da sua própria situação de vida, fazendo uso de uma visão subjetiva da estória. Durante boa parte do filme estamos vendo imagens de uma camêra que nos mostra a visão do protagonista. São incluídos aí efeitos que nos permitem presenciar as dificuldades que Jean-Do tinha de enxergar, o seu limitado campo de visão e os problemas advindos de sua total falta de movimentos. Principalmente no início do filme, esta visão deixa a estória ainda mais triste e melancólica.

Mas, ao contrário do que possa parecer, o filme não é triste o tempo todo. Jean-Dominique se revela uma pessoa bem humorada e muito cínica. Mesmo sem falar, ele passa o tempo as voltas com seus pensamentos mirabolantes e as vezes nos apresenta situações extremamente hilárias. Para ajudá-lo a se expressar, sua fonoaudióloga desenvolve um método baseado nas letras mais usadas nas palavras em francês e nas piscadas que o protagonista dá ao tentar se comunicar. Com isto Jean-Dominique passa a conversar “piscando”.

No momento em que decide não se entregar à doença, Jean-Do decide escrever um livro sobre sua vida. E passa a empreender um esforço gigantesco para ditá-lo. Para sorte do protagonista, o fato de ser escritor e de não ter perdido a lucidez, permite que ele não seja devorado pela situação. A imaginação fértil ajuda Jean-Do a viver o piores momentos e serve de inspiração e força para a tarefa de escrever o livro. Mesmo com todas as dificuldades, sua vontade de externar as idéias acaba vencendo suas limitações. E libertando-o.

* Globo de Ouro de Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro.
* Prêmios de Melhor Diretor e o Grande Prêmio Técnico no Festival de Cannes.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

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Direção: Steven Spielberg.
Elenco/Vozes: Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent, Igor Jijikine, Dimitri Diatchenko.

Há alguns anos atrás, eu imaginava como seria uma quarta aventura de Indiana Jones, o arqueólogo (E aventureiro!) que já enfrentou nazistas e cultos demoníacos. Pensava na possibilidade de vermos um Indiana Jovem, ou quem sabe o filho de “Indy” em ação. Enganei-me! Eis que Harrison Ford voltou em todo o seu esplendor! O resultado? Confira abaixo!

Assisti Indiana Jones no mês passado. O resultado? Foi ótimo! Muitos dizem que Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não é tão bom quanto os outros. Ah, vamos! Caveira de Cristal é melhor que Templo da Perdição! E não fica muito atrás de Caçadores da Arca Perdida e Indiana Jones e a Última Cruzada.

O novo Indiana Jones tem um enredo bem diferente dos outros filmes da série. Também, pudera! Passaram-se anos desde Ultima Cruzada. Ora, o Indiana já está velho! Mas, voltando ao assunto… A história do novo filme é a seguinte: Indiana está no seu canto, apenas trabalhando como professor de arqueologia. Sua ultima aventura teria sido um confronto com soviéticos, ou pelo menos, ele pensava que assim seria. Porém… um jovem pede socorro a Indiana, dizendo que a mãe dele (E segundo ele, conhecida do Indy) está em perigo e mandou chamar Indiana Jones para ajudar. O que Indiana ganha em troca? A Caveira de Cristal de Akator, um tesouro arqueológico de uma grandeza que nem Indiana Jones poderia imaginar.

A trama segue o caminho padrão dos filmes de Indiana Jones. E o espectador gosta disso! A cada descoberta feita por Indy, o espectador encaixa uma peça do quebra-cabeça, até chegarmos ao final óbvio, porém nostálgico e maravilhosamente “indiânico”.

Dizem que o filme deixa a desejar… Discordo! Só a sensação de ver Indiana Jones já é o suficiente. E claro, a vilã de Cate Blanchett está anormalmente maníaca. Conseguiu superar o arrogante Belloq na galeria de vilões de Indy. O que o filme tem de bom? Muita diversão e nostalgia… Os elementos certos para um filme-pipoca de qualidade!

E reclamam do final… Pois eu achei interessantíssimo! Usar aquilo (Não mencionarei o que é pois posso soltar spoilers, apesar de que quase todo mundo já viu o filme) foi uma boa sacada, no fim das contas, por mais que absurda. E sejamos sinceros, desde quando Indiana Jones se preocupa com o possível? Nada é impossível para o arqueólogo!

Gabriel Costa

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