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	<title>Cinéfilos &#187; 4</title>
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	<description>Blog de cinema com cr&#237;ticas e coment&#225;rios sobre filmes</description>
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		<title>Deixa Ela Entrar</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 18:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Tomas Alfredson. Elenco: Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl Robert Lindgren. Não é de hoje que Hollywood vem perdendo espaço e moral em produções de cinema fantástico para outros países do mundo. Nos últimos anos, por exemplo, surgiram filmes coreanos, franceses e espanhóis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Tomas Alfredson.<br />
Elenco: Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl Robert Lindgren.</em></strong></p>
<p>Não é de hoje que Hollywood vem perdendo espaço e moral em produções de cinema fantástico para outros países do mundo.</p>
<p>Nos últimos anos, por exemplo, surgiram filmes coreanos, franceses e espanhóis que se tornaram culto entre os cinéfilos. Grandes e promissores nomes foram cogitados para representar o futuro do gênero terror, suspense e fantasia, gênero que para os americanos parece ter se estancado de vez. Da França saíram obras nervosas e contundentes como A Invasora e Martyrs, os espanhóis mandaram ver em O Labirinto do Fauno e <a href="http://cinefilos.interativo.org/filmes/2008/11/rec/">REC</a>, e os coreanos mostraram em Espíritos &#8211; a morte está ao seu lado e outros filmes de fantasmas sua dose de medo. Isso só para fazer referência, pois há muito mais exemplares que nem sequerchegaram por aqui.</p>
<p>Dentre os países há também a Suécia, um país com um currículo cinematográfico respeitável, e que volta e meia revisita o gênero com muito louvor. É de lá que veio Deixa Ela Entrar, filme que mostra a amizade entre um garoto com fama de perdedor e uma menina muito estranha que logo se mostra uma vampira.</p>
<p>A idéia, não é novidade nenhuma. O assunto que envolve heroísmo e maldição já é do conhecimento do público, desde muito tempo, mas aqui o diretor Tomas Alfredson não pretende mesmo iniciar uma revolução no gênero, tampouco distorcer conceitos básicos conhecidos, mas sim contar uma história de romance e terror com uma sutileza fora do normal.</p>
<p>Oskar é um garoto de cabelos muito claro, que passa a maior parte do tempo sozinho. Sem amigos, o garoto é um saco de pancada para outros garotos na escola, e com um crescente desejo de vingar-se de seus algozes. Certo dia muda-se para o apartamento ao lado um senhor misterioso e uma garota chamada Eli, mais estranha ainda. Em sua ampla inocência, Oskar ignora o fato de Eli só sair de casa á noite, e em meio a paisagem gelada da noite, ela ser incapaz de sentir o frio.</p>
<p>Ao mesmo tempo, surgem na cidade vários assassinatos horríveis, e estão claramente ligados ao fota do senhor que acabou de se mudar com a menina andar com uma maleta cheia de acessórios estranhos. Eli tem doze anos e não se lembra quando faz aniversário e Oskar se sente atraído completamente por ela. E é aí que o filme ganha uma camada de sensibilidade, ao mostrar a passagem da adolescência  contando a história de amor entre dois rejeitados. E mesmo sabendo do verdadeiro segredo de Eli, Oskar não foge dela, mas se aproxima mais &#8220;deixando ela entrar&#8221;, pois sua inocência e idade facilitam o elo com as fantasias. E esse é o ponto máximo de Deixa Ela Entrar, que vem conquistando platéias por onde passa, e a deixa refletindo por muito tempo depois, principalmente por suas estrondosas reviravoltas.</p>
<p>Os americanos, já de olho, trataram de colocar a sua versão, e tentar enganar os desavisados que trata-se de uma versão original. A refilmagem estará a cargo do diretor Matt Reeves que dirigiu Cloverfield.</p>
<p>Tenha medo, tenha muito medo !!!</p>
<p><strong>Marcelo Ferreira</strong></p>
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		<title>Distrito 9</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 11:51:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jedi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Neill Blomkamp. Elenco/Vozes: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike , John Sumner. Dessa vez os extraterrestres resolveram não estacionar sua nave nos Estados Unidos. Incrível, não? Logo, os alienígenas não falam inglês. Fantástico. Distrito 9 já começa bem. Uma nave aparece suspensa em cima da cidade de Johanesburgo, e como era se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Neill Blomkamp.<br />
Elenco/Vozes: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike , John Sumner.</em></strong></p>
<p>Dessa vez os extraterrestres resolveram não estacionar sua nave nos Estados Unidos. Incrível, não? Logo, os alienígenas não falam inglês. Fantástico. Distrito 9 já começa bem. Uma nave aparece suspensa em cima da cidade de Johanesburgo, e como era se esperar a mídia cai em cima do prato cheio. Enquanto isso, o exército resolve criar uma missão para entrar na nave. Missão bem sucedida, eles encontram vários alienígenas famintos e quase morrendo. Não se preocupem, eles mostram rapidamente os ETs, não tem mistério pra isso. O filme foge dos clichês mais óbvios.</p>
<p>Bonzinhos, como os humanos são, resolvem criar uma comunidade pros manos alienígenas. Acontece que essa tal comunidade começa a crescer, e a galera lá dentro precisa sobreviver precariamente. Uma clara alusão ao famoso evento conhecido como apartheid é ambientada.  Depois disso, temos cenas de violência e racismo. A situação fica incontrolável. E a solução é despejar a galera. Os camarões, como passam a ser conhecidos os alienígenas, precisam ir pra outro lugar. E um programa de despejo é iniciado.</p>
<p>É ai que conhecemos o protagonista da história, o bobão casado com a filha do dono. O cara é eleito como chefe da missão de despejo, e pessoalmente vai recolher as assinaturas dos ETs. O lugar é uma grande favela, e nós brasileiros sabemos bem como funciona a parada. Sempre acompanhado por uma câmera típica de documentário, o nosso protagonista entra em ambiente hostil com papel e caneta na mão e um exército armado na retaguarda. Apesar do roteiro bastante original, o mais interessante do filme é a mudança radical do protagonista. Algo digno de Hitchcock em Psicose. A tal transformação acontece psicologicamente e fisicamente. Posso ter visto demais, mas tem uma referência ao filme A Mosca. </p>
<p>O ex-gordo Peter Jackson assina a obra, mas não dirige. E acho que nem precisava, afinal de contas o diretor fez um excelente trabalho, soube usar bem os efeitos especiais, que por sinal são muito bons. Ótima surpresa, bom filme, nenhum ator mega astro no elenco. Não chega a ser uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, até porque devem ter gasto uma grana boa com os efeitos, mas sem dúvida vale a pena gastar um pouco de grana e tempo com esse filme.</p>
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		<title>Bastardos Inglórios</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/10/bastardos-inglorios/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 11:31:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jedi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Quentin Tarantino. Elenco/Vozes: Diane Kruger, Daniel Brühl, Mike Myers, Michael Fassbender, Julie Dreyfus, Omar Doom, Michael Bacall, Martin Wuttke, Jacky Ido, Til Schweiger, Mélanie Laurent, Brad Pitt, Samuel L. Jackson, Eli Roth, Samm Levine, B.J. Novak, Christoph Waltz, Paul Rust. Falar do estilo Tarantino é o mesmo que chover no molhado. Tarantino é Pop [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Quentin Tarantino.<br />
Elenco/Vozes: Diane Kruger, Daniel Brühl, Mike Myers, Michael Fassbender, Julie Dreyfus, Omar Doom, Michael Bacall, Martin Wuttke, Jacky Ido, Til Schweiger, Mélanie Laurent, Brad Pitt, Samuel L. Jackson, Eli Roth, Samm Levine, B.J. Novak, Christoph Waltz, Paul Rust.</em></strong></p>
<p>Falar do estilo Tarantino é o mesmo que chover no molhado. Tarantino é Pop e Cult ao mesmo tempo, e por isso, qualquer um se sente no direito de explicar as referências utilizadas pelo diretor. Seu estilo diferente vai desde a escolha da fonte nos créditos iniciais até os escalpos arrancados. Tarantino não tem medo de misturar, seja música clássica, faroeste, nazismo e apache. E toda essa mistura, aparentemente sem sentido, gerou mais uma obra-prima do diretor.</p>
<p>Embora com uma filmografia curta, Tarantino corre o risco constante de virar clichê da sua própria obra. Eu mesmo cheguei a pensar “ih, lá vem mais uma história de vingança”. Mas seria uma análise muito rasa, e bastou ver primeira cena para comprovar o quanto eu estava enganado. Um plano espetacular garantia uma fotografia muito bonita logo de cara, e dava o cartão de visitas “ei, Tarantino não é só diálogos”.</p>
<p>Por falar na cena inicial, não que seja uma pegadinha, mas guarde na memória, pois você vai precisar lá no meio do filme. Outra coisa que merece ser citada como espetacular e ainda na primeira cena é o tal do Caçador de Judeu. Que personagem, e que ator. O cara simplesmente dá um show, e rouba a cena sempre que aparece. Óbvio que o Brad Pitt é o protagonista e também não faz feio, e é responsável pelas cenas mais cômicas. Um baita humor negro.</p>
<p>Tarantino abriu a caixa de ferramentas: diálogos geniais (destaque pra comparação entre um rato e um esquilo), trilha sonora bacana como sempre, violência estilizada, roteiro amarrado e inovador. Quem nunca quis tirar escalpos dos nazistas? Hein? Genial, não? Tem por ai um filme do Tom Cruise que ele tem a missão de matar o bigodudo nazista, mas acaba sendo frustrante, pois o roteiro resolve ser fiel à história, e a gente sabe que a missão falhou. Tarantino não respeita sequer a quantidade de litros de sangue que temos no corpo, imagine a pobre e mal contada história. Ainda bem.</p>
<p>Já que o bigodudo nazista se matou quando soube que ia perder a guerra, a nossa única forma de vingança é usando a arte. Filmes e mais filmes foram feitos retratando essa época e as cenas insanas dos berros da criatura, e Tarantino também resolve usar o cinema como arma, obviamente numa forma menos poética da que estamos acostumados a ver.</p>
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		<title>Uma Prova de Amor</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 12:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Nick Cassavetes. Elenco: Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist. Antes de ir ao cinema para ver a produção de Nick Cassavetes (The Notebook), certifique-se de levar duas coisas: água e lenço. Pois &#8220;Uma Prova de Amor&#8221; (My Sister&#8217;s Keeper, no original), baseado no livro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Nick Cassavetes.<br />
Elenco: Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist.</em></strong></p>
<p>Antes de ir ao cinema para ver a produção de Nick Cassavetes (The Notebook), certifique-se de levar duas coisas: água e lenço. Pois &#8220;Uma Prova de Amor&#8221; (My Sister&#8217;s Keeper, no original), baseado no livro de Jodi Picoult, promete fazer com que o espectador fique desidratado ou tenha vontade de doar o quer que seja para ajudar Kate (vivida por Sofia Vassilieva), que sofre de leucemia.</p>
<p>É difícil achar uma cena em que Kate não leve o público as lágrimas. Se por acaso você resistir ao filme sem derramar nenhuma gota, ou você não tem coração, ou está morto por dentro. De um jeito terno e emocionante, a menina vive os problemas de uma adolescente comum, com o agravante de contar que seus dias podem estar acabando</p>
<p>O filme ainda conta com atores extremamente talentosos, que fazem com que você se apaixone perdidamente pelo drama. Cameron Diaz vive Sara, mãe de Kate, que não desiste nunca de buscar a cura para a doença da filha. E após descobrir que junto com seu marido Brian (Jason Patric), e o seu filho não podem doar medula para a filha doente, resolvem fazer inseminação in vitro, para gerar uma nova criança, que seja geneticamente compatível para ser doadora de Kate</p>
<p>E ai que entra em cena Anna, interpretada por Abigail Breslin. A &#8220;pequena miss shunshine&#8221;, mostra que é muito mais do que apenas um brilho, é na verdade o sol. De um jeito peculiar a menina questiona o fato de ter nascido apenas para ajudar a irmã, e começa a pensar que tem direito a decisões. Já que em 11 anos de vida, viveu apenas para ir ao hospital ajudar a irmã.</p>
<p>O filme guarda muitas outras discusões durante os 109 minutos. E conta ainda com Alec Baldwin e Joan Cusack, que também tem seus problemas dramáticos. &#8220;Uma Prova de Amor&#8221; é um filme lindo e dramático, que dará a muitas pessoas o que pensar. Não chega a ser brilhante, mas com certeza merece aplausos no fim.</p>
<p><strong><a href="http://www.escritoramador.blogspot.com" target=_blank>Filipe Cerolim</a></strong></p>
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		<title>Arraste-me Para o Inferno</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/09/arraste-me-para-o-inferno/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 17:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Sam Raimi. Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, David Paymer, Dillep Rao, Chelsie Ross. Sam Raimi construiu um império cinematográfico, para o bem ou para o mal das pessoas em geral, ele já deixou sua marca no mundo da sétima arte. A frente de um dos filmes mais cultuados do gênero do terror [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Sam Raimi.<br />
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, David Paymer, Dillep Rao, Chelsie Ross.</em></strong></p>
<p>Sam Raimi construiu um império cinematográfico, para o bem ou para o mal das pessoas em geral, ele já deixou sua marca no mundo da sétima arte.</p>
<p>A frente de um dos filmes mais cultuados do gênero do terror &#8220;Evil Dead&#8221; ele conseguiu colocar uma dose extra de respeito em quem pronunciasse seu nome. E desde 1981, ano de produção de Evil Dead, ele vem fazendo filmes com certo grau de reconhecimento, tanto na trilogia desse filme, como na trilogia de Homem Aranha (eu havia dito pelo bem ou pelo mal). Aqui ele tira poeira dos filmes de terror novamente e brinda seus fãs, já cansados de tanta bobagem do gênero nas telas grandes, e faz um obra redondinha, pra matar a saudade dos filmes podreiras que costumavam ser feitos nos anos 80. Aqui a história é bem simples, portanto nem precisamos levar a sério para embarcar num festival de cenas gores, com muitas pitadas de humor.</p>
<p>Christine Brown trabalha numa corretora de empréstimo, namora um cara da cidade grande e está de olhos grandes numa promoção da  empresa. Sua vida vai muito bem, até que numa manhã como qualquer outra, aparece Ganush, uma senhora aterradora prestes a perder sua casa. Tudo o que a bruxa velha quer é um empréstimo pra não poder ser despejada e perder a casa. E é aí que Christine vai mergulhar em seu pior pesadelo. Pra impressionar seu chefe, a mocinha com cara de anjo, nega o pedido a senhora Ganush. Nas mãos de um diretor incompetente provável que o filme descambaria pro óbvio, porém aqui é Sam Raimi que está na frente e faz de uma maldição um prato cheio para os fãs do gênero de terror com  muitas cenas nojentas. De posse de um objeto da vítima a senhora Ganush roga uma maldição onde em três dias, Christine será levada por um feroz espírito para as profundezas do inferno. Numa sequência dentro de um estacionamento vemos uma das cenas mais inesquecíveis desta década no gênero terror.</p>
<p>Com uma quantidade razoável de filmes no currículo e com mais 3 projetos para o ano que vem &#8211; incluindo o novo Evil Dead &#8211; Sam Raimi tem seu espaço no mundo do cinema. Aqui ele não mudou a cara do cinema, nem inovou nada, mas soube homenagear os fãs desse gênero tão desgastado ultimamente. Contando com uma trilha sonora assustadora e efeitos visuais de primeira qualidade, esse foi uma das maiores surpresas do ano. Podemos fechar essa década com um top de 10 filmes de terror e coloca-lo numa posição muita boa. Mesmo que alguns atores como Justin Long (insosso) não façam a menos diferença em tela, ainda sobra muitas coisas para um eficiente entretenimento, e era disso que andávamos precisando &#8211; pelo menos eu.</p>
<p><strong>Marcelo Ferreira</strong></p>
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		<item>
		<title>Up &#8211; Altas Aventuras</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/09/up-altas-aventuras/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 19:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amroth</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Pete Docter, Bob Peterson. Elenco: Christopher Plummer (voz), Edward Asner (Carl Fredricksen &#8211; voz), John Ratzenberger (voz), Jordan Nagai (Russell &#8211; voz) Elenco Brazuca: Chico Anysio (Carl Fredricksen &#8211; voz), Jomeri Pozzoli (Charles Muntz &#8211; voz), Eduardo Drummond (Russell &#8211; voz), Nizo Neto (Dug &#8211; voz) &#8220;A imaginação é mais importante que o conhecimento.&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Pete Docter, Bob Peterson.<br />
Elenco: Christopher Plummer (voz), Edward Asner (Carl Fredricksen &#8211; voz), John Ratzenberger (voz), Jordan Nagai (Russell &#8211; voz)<br />
Elenco Brazuca: Chico Anysio (Carl Fredricksen &#8211; voz), Jomeri Pozzoli (Charles Muntz &#8211; voz), Eduardo Drummond (Russell &#8211; voz), Nizo Neto (Dug &#8211; voz)</em></strong></p>
<p>&#8220;A imaginação é mais importante que o conhecimento.&#8221; Albert Einstein</p>
<p>&#8220;UP&#8221; tem uma boa imaginação que prende atenção do telespectador, e por isso podemos comprovar afirmação do nosso amigo Einstein. Tava eu curtindo o feriadão em Brasília, nada pra fazer, então pego a molecada e me arrisco ir ao cinema. A dúvida surgiu, qual filme assistir? A disputa ficou em &#8220;Foça G&#8221; e &#8220;UP&#8221;, particularmente queria assistir &#8220;Força G&#8221;, mas fui vencido pelo &#8220;UP &#8211; 3D&#8221;, afinal de conta o primeiro filme da Pixar produzido para o formato Disney Digital 3-D, é um fato histórico.</p>
<p>Fui assistir &#8220;UP&#8221; com certo desprezo, afinal o que o senhor de 78 anos e um garoto de 8 anos poderiam oferecer de entretenimento, mas para minha felicidade, descobri que há uma história de vida, muito bem contada, narrada e descrita em detalhes. Enquanto as crianças se encantavam com os efeitos 3D, eu ficava numa reflexão silenciosa a cada cena, a cada passo do revigorado Carl Fredricksen e com a disposição e inocência de Russell.</p>
<p>A sensação que tenho é que a Pixar tenta se superar a cada desenho, sem a preocupação de vender bonecos, camisetas ou qualquer outro produto originado do desenho, mas o que a Pixar quer vender são histórias bem contadas, animações bem feitas e acima de tudo vender sonhos. Pois percebe-se claramente que &#8220;UP&#8221;, assim como &#8220;Wall-E&#8221; é voltado para o público adulto.</p>
<p>A história é simples, basta um destemido vendedor de balões de 78 anos, que após prometer a sua esposa realizar o sonho de uma vida, prender algumas centenas de milhares de balões a sua casa e alçar voo e partir para a maior aventura de sua pacata vida, rumo as florestas da América do Sul. Só que o velho Carl não esperava por uma surpresa de 8 anos, rechonchudo e extremamente carente, sim ele mesmo, o escoteiro Russell e sua mochila. A partir desse momento surge uma dupla curiosa, que está preparada para enfrentas os vilões inesperados e criaturas selvagens.</p>
<p>&#8220;UP&#8221; está com bastante moral, tanto é que a animação abriu o Festival de Cannes 2009, afinal quem não ficaria curioso em saber o que acontecerá com um senhor de 78 anos que viaja em balões para América do Sul.</p>
<p>Como todo desenho, assisti a versão dublada, afinal nossa dublagem é a melhor do mundo. No papel do Carl temos outro idoso muito talentoso, Chico Anysio, que estreia como dublador. Até não ficou ruim, ele fez bem o tipo rabugento, assim como o idoso aventureiro, além do mais Chico Anysio dar a pegada mais brasileira ao personagem.</p>
<p>&#8220;UP&#8221; tem assinatura dos diretores e desenhistas Pete Docter (Monstros S.A.) e Bob Peterson. Bob ainda assinam os dois Toy Story além de ser co-roteirista de Procurando Nemo. Portanto &#8220;UP&#8221; é diversão garantida.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Gran Torino</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/03/gran-torino/</link>
		<comments>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/03/gran-torino/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 14:16:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
				<category><![CDATA[4]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: Clint Eastwood. Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her. [GRAN TORINO – Cena 1] INTERNA – IGREJA – MANHÃ Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um cara durão. Tão sólido quanto aço, matéria- prima da cidade industrial de Detroit, sua terra natal. No funeral da mulher, o patriarca de coração de ferro recebe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Clint Eastwood.<br />
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her.</em></strong></p>
<p>[GRAN TORINO – Cena 1]<br />
INTERNA – IGREJA – MANHÃ</p>
<p>Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um cara durão. Tão sólido quanto aço, matéria- prima da cidade industrial de Detroit, sua terra natal. No funeral da mulher, o patriarca de coração de ferro recebe secamente seus familiares. Os olhos destinam desdém aos filhos. Aos netos o olhar é de reprovação pela falta de modos na igreja. Mesmo velando a companheira, não é capaz de demonstrar consternação. Tampouco olha para o caixão em sinal de luto.</p>
<p>Durante a missa, ouve com repúdio o sermão do jovem padre Janovich (Christopher Carley). O tema do sermão é a morte. Assunto que conhece bem, mas prefere guardar para si. Ele tem vontade de cuspir. Algo que sempre faz quando está nervoso. Não o procede por questão de respeito.</p>
<p>[GRAN TORINO - Cena 2]<br />
INTERNA – CASA DE KOWALSKI – MANHÃ</p>
<p>Terminado o enterro, Kowalski recebe os convidados em sua casa. Um grande domicílio com pátio modesto e uma grande garagem. É lá que se encontra sua relíquia mais preciosa. O ford Gran Torino, modelo 72, adquirido nos velhos e bons tempos da Ford, empresa que trabalhou boa parte da vida. O sótão da casa é o arauto da nostalgia. Caixas velhas, álbuns de fotos e outras recordações estão espalhados pelo subsolo e passam a ser revirados pelos seus netos.</p>
<p>Algo lhes chama a atenção. É a medalha de condecoração que o avô recebeu pelos serviços prestados na Guerra da Coréia em 1952. A experiência o marcou para sempre. Desde lá, tornou-se um patriota amargo. Um xenófobo anti-social da pior espécie. Preconceituoso a ponto de brigar com os filhos por comprarem carros da Toyota. “Morreria se comprasse um carro americano?” Um septuagenário solitário que passa seus dias na varanda de casa tomando cerveja e conversando com seu cachorro.</p>
<p>Quando o vizinho oriental da casa ao lado bate na porta e lhe pede emprestado um cabo de extensão, ele não o poupa de suas grosserias. O cabeça-de-zíper, como costuma chamar os asiáticos, se chama Thao (Bee Vang), um garoto tímido e sem rumo vivendo num bairro com perspectivas não muito animadoras aos imigrantes.</p>
<p>Alguns dias após o atrito com Kowalski, o jovem é instigado pela gangue do seu primo a entrar para o mundo do crime. Sua iniciação será furtar o Gran Torino do vizinho idoso e solitário. Mas como não tem aptidão nenhuma para a delinquência, Thao acaba sendo apanhado pelo velho combatente, armado até os dentes com revolver e espingarda. O flagrante dará origem a provação mais importante da vida de Kowalski. Em vez de chamar a polícia, ele acaba acidentalmente salvando a vida do garoto que a partir dali terá a vida infernizada pela gangue. A situação acaba o aproximando da família de asiáticos, principalmente de Thao e da sua doce irmã Sue Lor (Ahney Her). Faz amizade com todos, menos com a “vovó”, com quem trava “duelos de cuspe”. </p>
<p>Fluente em temáticas, Gran Torino pode ser visto sob diferentes pontos de vista. Numa maneira superficial é um filme sobre redenção (bem besta, por sinal). Mas numa leitura mais aguçada vemos que Clint Eastwood, também diretor e roteirista do filme, nos coloca diante de uma América suburbana com seus valores em xeque. Um lugar com crianças sem respeito e noção de valores, educados por adultos negligentes e passivos, gerando assim uma família fugaz e desunida que não se vê nem nos dias de Ação de Graças. Os poucos espaços que restam no país, estão ocupados por gente de fora que chegam ali com seus bons e maus costumes. Enquanto isso, a Igreja viceja seu discurso alienante para a sociedade, sem o mínimo conhecimento de causa.</p>
<p>A visão amarga do protagonista, no entanto, não reflete a visão do autor. Ela serve apenas para expor um microcosmo social da sociedade americana, julgado pela ótica de uma pessoa que, se por um lado é preconceituosa e resistente às mudanças, por outro tem lá suas razões. Como na cena em que Kowalski enfrenta uma gangue de negros, prestes a praticar estupro. Ou quando cobra mais responsabilidade de Thao em arranjar uma profissão e escapar do destino comum dos imigrantes do bairro: “As garotas vão para a faculdade. Os garotos para a cadeia”. Usa também o humor quando seu personagem desconhece a descendência hmong dos vizinhos do sudeste asiático. A típica alienação do americano médio -a capital do Brasil é Buenos Aires, disse um certo presidente. É uma pena que Clint contorne os conflitos da história de forma descompromissada e faça uma reviravolta brusca do personagem.             </p>
<p>Em vez de ter uma mudança gradual, Kowalski passa do xenófobo odiável ao dirty Harry da paz, que defende os fracos e oprimidos com sua pistola justiceira. O típico personagem-fantoche que exorciza uma vida de pecados capitais num ato de bravura descomedida. Tudo pela coerência do heroísmo. Tudo pelo final hollywoodiano. Tudo pela lágrima do espectador.  </p>
<p>Embora seja um americano nato, Clint Eastwood sempre foi um cidadão do mundo. Como ator de filmes de faroeste, ganhou fama pelas lentes do genial artífice italiano Sergio Leone. Quando decidiu se tornar cineasta foi bastante incentivado pelos europeus, sobretudo na França onde recentemente agradeceu o apoio após receber a Palma de Ouro em Cannes pelo conjunto da obra. Recentemente retratou com perfeição a versão japonesa da 2°Guerra no filme Cartas de Iwo Gima.</p>
<p>Após decretar em Gran Torino sua despedida em frente às câmeras, Clint teve a atuação indicada pela Associação de Críticos de Chicago. Chegou-se a especular uma indicação ao Oscar, o que acabou não acontecendo. Um fato curioso é que na sua última tentativa de levar a estatueta ele escolheu um papel muito parecido com o de Henry Fonda (Era uma Vez no Oeste) em Num Lago Dourado.</p>
<p>Quando interpretou nesse filme um velho rabugento que alimenta uma relação difícil com a filha, Fonda tinha 76 anos e sagrou-se o ator mais velho a receber o prêmio da Academia.  E assim como Walt Kowalski, seu personagem acaba se afeiçoando com um garoto que não é da sua família. Mas é claro que tudo não passa de uma coincidência. O fato é que Clint, nunca foi um ator genial, embora tenha tido grandes momentos, como em As Pontes de Madison, por exemplo. Coisa que não importa muito se considerarmos sua impecável e vitoriosa carreira de cineasta. Afinal, não dá pra vencer todas.</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>O Visitante</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 14:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Tom McCarthy. Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Hiam Abbass. O tempo passa, mas o 11 de setembro continua tão próximo do presente quanto o dia de ontem. Ninguém duvida que o acontecimento seja o mais significativo do século 21 e o que mais mudanças acarretou na sociedade, sobretudo na norte-americana. Um desses desdobramentos é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Tom McCarthy.<br />
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Hiam Abbass.</em></strong></p>
<p>O tempo passa, mas o 11 de setembro continua tão próximo do presente quanto o dia de ontem. Ninguém duvida que o acontecimento seja o mais significativo do século 21 e o que mais mudanças acarretou na sociedade, sobretudo na norte-americana. Um desses desdobramentos é a vida dos imigrantes árabes nos Estados Unidos, pano de fundo de O Visitante, segundo filme do diretor/ator Tom McCarthy e que rendeu a Richard Jenkins a indicação de melhor ator dada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.       </p>
<p>Eterno coadjuvante no cinema, Jenkins tornou-se conhecido do público da televisão na série A Sete Palmos, onde interpreta o patriarca morto de uma família de agentes funerários e que volta e meia “aparece” para conversar com a mulher e os filhos. Sarcástico e com uma gargalhada marota ele dá pitacos sobre erros do passado e aconselha os filhos nas suas decisões. Um morto com vivacidade. Em O Visitante, ele é o oposto disso.</p>
<p>Seu personagem, o professor Valter Vale é um viúvo recluso, monossilábico que empurra a vida com a barriga. Na universidade em Connecticut, leciona a mesma matéria há 20 anos e nas folgas livres tenta sem sucesso escrever um novo livro e aprender piano. O olhar vazio e o jeito seco e educado de cortar as pessoas dão a dimensão do seu isolamento. Ao ser convocado para ir numa conferência em Nova Iorque, ele não esconde a frustração.</p>
<p>Por sorte ele tem um apartamento na cidade que não visita há meses. Dentro dele, ele encontra um casal de imigrantes ilegais que foi enganado por um falso corretor que subalugou o imóvel. O nome do garoto é Tarek (Haaz Sleiman), um percussionista sírio. Sua namorada africana se chama Zainab (Danai Gurira) , que ganha a vida como vendedora ambulante. Desfeito o mal entendido, Vale se compadece com os dois e os deixa ficar no apartamento por uns tempos até encontrarem um novo lar.</p>
<p>A amizade cresce entre ele e o simpático Tarek que o ensina os meandros da percussão. Apaixonado por música e viúvo de uma ex-pianista, o professor se encanta com o instrumento e desfruta de uma empolgação inédita. Logo os dois amigos estarão fazendo exibições pelas ruas da cidade. Até que num “mal-entendido” da polícia, o músico acaba preso pela imigração.</p>
<p>Nesse ponto, o diretor dá sua tacada de mestre. Sai um coadjuvante, entre outro. Após a prisão de Tarek, Mouna ,interpretada pela atriz Hiam Habbas (Paradise Now), aparece no apartamento em busca de notícias do filho. A ligação de Vale com a nova hóspede é ainda mais forte e tonificante, sacudindo de vez  asua tépida existência. Com ela, ele encontra uma razão para sair pela porta e não apenas abri-la para outras pessoas.</p>
<p>Conduzido com mãos leves e passadas curtas, O Visitante é um filme pequeno, mas caprichado, com as arestas bem aparadas. O pouco tempo atrás das câmeras não foi uma barreira para McCarthy. Embora tenha no currículo apenas o filme O Agente da Estação, o fato se ser também ator parece ter lhe dado o know-how para extrair o melhor do elenco. Tanto a dupla de jovens, quanto a dupla de veteranos mantém a regularidade das atuações. Haaz Sleiman e Danai Gurira são muito carismáticos, principalmente o ator. Hiam Habbas tem uma aparição curta, mas marcante. A voz contida e os traços fortes do rosto realçam na tela as inquietações da sua personagem. Já Richard Jankins não recebeu à toa sua indicação ao Oscar.</p>
<p>O olhar de esguelha que lança nas pessoas, os gestos claudicantes e inseguros dele, compõem um estereótipo preciso do homem de carreira sólida, mas que parte solitário  da meia-idade para a última fase da vida. E quando uma situação insólita lhe proporciona uma nova guinada, ele não perde a oportunidade de reviver sentimentos há muito tempo apagados.</p>
<p>A forma como o diretor une e desune as pessoas é outra virtude do filme. É muito sutil o modo como os personagens vão se transformando conforme o destino. De batucada em batucada, Vale vai pulsando suas emoções enquanto os outros perdem sua musicalidade. Da ópera ao afrobeat, a trilha musical embala com suavidade os dramas pessoais dos personagens. A crítica à maneira que o governo americano trata os imigrantes também é posta sem exageros na trama.</p>
<p>Um dos poucos deslizes cometidos por McCarthy é o desenvolvimento de alguns conflitos. Sabe aquela história de que antes da cena acontecer tu já se adianta dizendo: “Ele vai fazer isso!”. O roteiro não bate uma, mas várias vezes nessa tecla. Pegar o espectador de surpresa, no entanto, não foi a pretensão do cineasta. Pois O Visitante é consistente o bastante para precisar de cartas de manga.</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Quem Quer Ser Um Milionário?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 14:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Danny Boyle. Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Freida Pinto. Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Danny Boyle.<br />
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Freida Pinto.</em></strong></p>
<p>Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou para rodar um filme. Realizador descompromissado, abraçou um projeto trivial: adaptar às telas o best-seller indiano &#8220;Q &#038; A&#8221;, de Vikas Swarup &#8211; batizado posteriormente de Slumdog Millionaire (e por aqui Quem Quer Ser Um Milionário?). Detalhe: ele teria que fazer isso com um orçamento modesto – pouco mais de U$ 15 milhões -, e contar com elenco formado por atores locais. Ou seja, uma co-produção longe de ser ambiciosa…</p>
<p>Terminadas as filmagens, Quem Quer Ser Um Milionário? foi para a edição e chegou silenciosamente às salas de cinemas americanas no fim de agosto. Passados seis meses do lançamento oficial, a  pergunta é inevitável: como um filme realizado na Índia com atores indianos e dirigido por um cineasta pouco convencional como Boyle faturou cerca de US$ 80 milhões, saiu consagrado nos principais festivais de cinema ganhando inclusive o Oscar de melhor filme? Mas o sucesso do “vira-lata milionário” se deve por muitas razões.</p>
<p>A principal delas: Danny Boyle. Se antes o britânico podia ser rotulado como “o cara que dirigiu Trainspotting e alcançou sucesso comercial com Extermínio” agora a coisa muda de figura. Um de seus méritos em Quem Quer Ser Um Milionário? foi adaptar um conto de fadas urbano, aliando a pirotecnia eletrizante dos trabalhos anteriores com a estética bollywoodiana. Em menores palavras: ele consegue contar uma história simples de maneira surpreendente.</p>
<p>O filme começa com uma interrogação: “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu?” Um novo letreiro lança as alternativas. Terá Jamal (Dev Patel) trapaceado no jogo de perguntas e respostas? É sorte? Ele é um gênio? Ou…hmmm..está escrito? Com um recurso narrativo simples, Boyle arma a bomba que irá acionar lá no fim do filme. Mas até lá, o espectador ficará vidrado. </p>
<p>Na cena seguinte, descobrimos que Jamal é um menino pobre e sem estudo, de apenas 18 anos. Seu bom desempenho no jogo soa incoerente ao apresentador do programa que pede à polícia para torturá-lo até confessar a fraude. Na delegacia, o delegado ouve a trajetória insólita do garoto que apesar da pouca idade conviveu com a pobreza, o preconceito e a criminalidade.</p>
<p>De origem muçulmana, Jamal cresceu sem rumo ao lado do irmão Salim, aliciado ao crime organizado, e de Latika (Freida Pinto, muito gata), o grande amor da sua vida. Foi para reencontrá-la que ele se inscreveu no “show do milhão indiano”. E foi a luta pela sobrevivência o conhecimento que proporcionou a ele acertar as perguntas.       </p>
<p>Entre flashbacks e o tempo corrente que meneiam a vida de Jamal, a câmera de Boyle registra uma trama onde a decadente e flagelada capital Bombaim dá lugar ao desenvolvimento social e a prosperidade tecnológica. Na infância, o protagonista é visto numa favela percorrendo vielas, casebres e animais. Uma cena em particular chama a atenção: a câmera abandona Jamal e passa a acompanhar uma galinha em movimento. Se Boyle não quis homenagear Fernando Meireles pela abertura de Cidade de Deus, ele emulou a cena inconscientemente. Das duas uma.         </p>
<p>Na vida adulta do garoto vemos o renascimento de Bombaim, que passa a se chamar Mumbai. Salpicada de arranha-céus, a cidade que enriqueceu com a informática é captada com onipotência pelo diretor. E é do alto de um prédio em construção que Jamal reencontra Salim, então braço direito do traficante mais temido da região. É com a ajuda do irmão bastardo que ele conseguirá ter acesso ao seu prêmio mais valioso.         </p>
<p>Todos esses elementos – amor, corrupção, violência e instinto &#8211; se harmonizam num desfecho previsível e melodramático. Um dramalhão escancarado com ares de fábula, no melhor estilo Bollywood. Alie, portanto, essa despretensão com a crítica social e o ritmo eletrônico de Boyle e temos um dos filmes mais originais do ano. Nesse panorama, o roteiro adaptado de Simon Beaufoy funciona como catalisador no sentido equilibrar os excessos da trama. O final em ritmo de dança é uma homenagem tácita do diretor ao cinema indiano. </p>
<p>Numa trajetória marcada por bons momentos – os ótimos Traisnpotting e Cova Rasa &#8211; e outros nem tanto – o mediano Sunshine e o péssimo A Praia &#8211; Danny Boyle encontra fora do país, o seu golpe de mestre. Com Quem Quer Ser Um Milionário? o diretor finalmente chegou no seu auge. Como ele conseguiu?       </p>
<p>A: Ele trapaceou<br />
B. Ele é sortudo<br />
C. Ele é BOM<br />
D: Está escrito</p>
<p>Resposta fácil!</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Frost/Nixon</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 14:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direção: Ron Howard. Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones. O escândalo Watergate é uma página negra da história americana. Mas ao contrário de outros colapsos que abalaram os Estados Unidos como a Guerra do Vietnã, a crise de 29 ou o assassinato de John [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Ron Howard.<br />
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones.</em></strong></p>
<p>O escândalo Watergate é uma página negra da história americana. Mas ao contrário de outros colapsos que abalaram os Estados Unidos como a Guerra do Vietnã, a crise de 29 ou o assassinato de John Kennedy, esse incidente deu pouco pano para a manga no cinema. Seu exemplar mais conhecido e contundente é &#8220;Todos os Homens do Presidente&#8221;. O filme lançado em 1976 por Alan J. Pakula disseca os percalços que levaram os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein a desmascarar o presidente Richard Nixon e sua conduta criminosa de solicitar escutas na sede do partido democrata. </p>
<p>Além desse filme, umas poucas menções a Watergate foram abordadas em &#8220;Nixon&#8221;, de Oliver Stone, e uma paródia ainda foi feita por Robert Zemeckis em &#8220;Forrest Gump&#8221;. Passados 26 anos do incidente, o diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante) retoma as repercussões do escândalo em Frost/Nixon, num belo trabalho que retrata os bastidores da entrevista do apresentador britânico David Frost com Richard Nixon, três anos após o chefe de estado ter renunciado a presidência. A conversa, gravada em quatro dias diferentes, foi marcada por estratégias e momentos tumultuosos nos bastidores.</p>
<p>Enquanto Nixon pretendia valer-se da sua retórica e fazer da entrevista um trampolim para a renovação de sua carreira política, Frost buscava retornar aos Estados Unidos onde não obteve sucesso com seu programa de variedades. Para isso, teria que fazer com que Nixon admitisse seus erros e explicasse Watergate, assuntos que não vieram à tona no seu discurso de renúncia. O material gerou uma das entrevistas mais vistas da história da televisão e ganhou os palcos antes de ir às telas.</p>
<p>Representando os mesmos papéis da montagem teatral, Michael Sheen – o Frost – e Frank Langella – o Nixon – protagonizam um duelo pessoal pela melhor performance; tão acirrado quanto a própria disputa travada pelos personagens reais no incidente. Na vida real Frost levou a melhor. Na ficção, o Nixon de Langella foi quem ganhou indicação para os festivais, inclusive ao Oscar de melhor ator.</p>
<p>Visto por muitos como um diretor de mão pesada, Ron Howard mostra em Frost/Nixon sua capacidade de surpreender. Se em trabalhos anteriores o cineasta produziu filmes maçantes, nesse ele abriu mão da habitual mesmice burocrática. Filmes políticos são geralmente chatos e tediosos e são bem diferentes do clima eletrizante e da estrutura movimentada do filme que ele concebeu. Para ter esse efeito, colaboram a edição em forma de making-of &#8211; com assessores do político e do apresentador narrando os episódios para as câmeras &#8211; e a habilidade do diretor atrás das câmeras. Um close-up aqui, outro ali e as lentes vão revelando imagens fortes, onde uma única expressão ou um silêncio embaraçoso são vitais para a compreensão dos fatos.</p>
<p>Nesse aspecto, outro recurso importante é a trilha sonora de Hans Zimmer. É ela, ou a ausência dela, que ambientam o suspense e aguçam o poder das imagens. Mas nada foi mais importante para o mérito do filme do que a caracterização de Langella e Sheen de seus personagens. David Frost é o apresentador de auditório mulherengo e de erudição rasa, mas brilhante na frente das câmeras. E Sheen transparece bem essa essência.</p>
<p>Nos primeiros dias de entrevista ele é engolido pela sabedoria e a imponência sofista de Richard Nixon, um leão ferido, mas sedento para sair da jaula de isolamento que é sua vida fora da vida pública. Uma das cenas mais emblemáticas do filme acontece quando o presidente, embriagado, liga para Frost e desabafa nas vésperas da última gravação: dessa disputa, só um deles vencerá… Não foi fácil para Langella humanizar um dos presidentes mais odiados dos Estados Unidos. E ele conseguiu. É impossível não se compadecer com a derrocada política e até mesmo psicológica de Nixon.</p>
<p>Com tantos adjetivos favoráveis, Frost/Nixon só podia entrar para a safra dos grandes filmes sobre os bastidores da política e da comunicação de massa tais como, &#8220;Rede de Intrigas&#8221;, &#8220;Todos os Homens do Presidente&#8221;, &#8220;A Montanha dos Sete Abutres&#8221; e o recente &#8220;<a href="http://cinefilos.interativo.org/filmes/2006/02/boa-noite-e-boa-sorte/">Boa Noite, Boa Sorte</a>&#8220;.  Mesmo não tendo levado nenhuma estatueta das cinco que concorreu no Oscar, faz um recorte interessante de um episódio histórico ainda não apagado na sociedade americana.  </p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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