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Homem de Ferro

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Direção: Jon Favreau.
Elenco/Vozes: Robert Downey Jr., Terrence Howard, Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges, Leslie Bibb, Bill Smitrovich.

Eis que surge mais uma abertura de filme com as páginas de quadrinhos se sobrepondo. A expectativa não era das maiores, pelo trailer o protagonista parecia o Tocha (Quarteto Fantástico), cheio de piadinhas que poderia tirar a seriedade do filme. Felizmente isso não aconteceu, e o Homem de Ferro saiu acima das expectativas.

Obviamente, como filme introdutório, não poderia deixar de ter uma grande parte usada na origem do personagem, e me surpreendeu, positivamente, os recursos utilizados nessas cenas. Uma boa parte foi gasta na elaboração da armadura, fazendo questão de mostrar a complexidade de tal feito. Pena que sempre falta espaço para a construção/apresentação do vilão, e sempre vemos uma coisa forçada, com risadas maléficas e frases de poder fundamentadas na ganância.

Não concordo quando falam que o Robert ressurgiu das cinzas e ainda relembram Chaplin, quanto exagero, até concordo que não tinha feito mais nenhum Blockbuster, mas nos últimos anos ele esteve em Zodíaco e O Homem Duplo. Ainda na linha de personagens, não vi química alguma no “casal” do filme, Paltrow está bem sem sal como de costume, e a relação entre eles parece pouco provável, e o roteiro fugiu desse óbvio (por enquanto, claro!). Discordo também que Jeff Bridge esteja irreconhecível, não tem como não saber que é ele, a não ser que você fique olhando pra barba. Pena que teve que lidar com o vilão, juntamente com todas as características pobres que eu citei anteriormente.

Na escala inevitável da comparação, temos Homem de Ferro acima de Hulk, Quarteto 1 e 2, Aranha 3, Superman – O Retorno, porém abaixo de Batman Begins, Aranha 1 e 2, e a trilogia X-Men (continua sendo a melhor). Vale a pena assistir? Claro, inclusive até depois dos créditos, tem uma cena lá no finalzinho.

Os Reis da Rua

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Direção:David Ayer
Elenco:Keanu Reeves, Forest Whitaker, Hugh Laurie, Chris Evans, Martha Higareda, Cedric the Entertainer

Eu confesso, descaradamente, que fui assistir esse filme por causa do seu elenco, afinal temos o oscarizado Forest Whitaker, o globalizado Hugh Laurie(O simpático Dr. House) e o eterno Keanu “Neo” Reeves, com esse elenco o filme poderia ter somente duas saídas possíveis, fracasso total ou sucesso absoluto. Particulamente fico com a segunda opção.

Estava eu, com vontade de ir ao cinema, fazer algo diferente ou até mesmo aproveitar a promoção do meio da semana, mas essa vontade acaba passando quando não se tem o que escolher, fiquei sem opção para ir ao cinema, mas o destino conspirou ao meu favor e vi algum comentário sobre esse filme, comentário este que foi outro fator decisivo para eu ir ao cinema depois de uma longa hibernação cinematográfica.

Somente um ótimo elenco + roteiro maduro e centrado + promoção da semana ++ Dr House como policial = filme policial com muita adrenalina e suspense.

Os Reis da Rua certamente não é mais um o novo filme policial da Fox. Afinal quando, Tom Ludlow (Keanu Reeves) é um detetive veterano que faz e aplica sua própria lei àqueles que nem a polícia consegue alcançar. Ludlow conta com o suporte de um jovem detetive do departamento de roubo e homicídios (Chris Evans, o Tocha Humana de “Quarteto Fantástico”) para rastrear todos os assassinos de Washington através de comunidades de Los Angeles. Tal determinação fica ameaçada quando os dois detetives deparam-se com assassinos e partem para um confronto, cujo objetivo é fazer com que vigore a justiça. O filme é dirigido com maestria por David Ayer (”Tempos De Violência”), tem o roteiro baseado em uma história de James Ellroy (roteirista de “A Dália Negra”) e escrito pelo mesmo, em parceria com Kurt Wimmer (roteirista de “Ultravioleta” e “Equilibrium”) e o novato Jamie Moss.

Se você não acreditar em tudo que foi dito e mesmo assim, necessitar de mais informações para se convencer, fique no cinema pelo menos até a primeira cena do nosso destemido Ludlow, pronto você será fisgado e certamente ficará até a última linha dos créditos.

Eu sei que você sairá do cinema dizendo que não vi nada diferente, de fato, o filme não inova muito, mas certamente é o melhor filme policial do ano. Agora se você é daqueles que ficam falando “01″ pra cá, “pede pra sair” pra lá e ainda a frase filosófica do mestre Tião “Quer moleza? Va mastigar água de cabeça pra baixo”, ficará muito familiarizado com o filme, até porque tem algumas semelhanças. A principal delas é abordar o universo dos policiais que, investidos da máxima autoridade, tornam-se tão ou mais criminosos do que os bandidos.

Bem, tudo que era possível ser dito, foi dito, agora é só separar a carteirinha o dinheiro da pipoca e esperar a quarta-feira pra ir assisti-lo….. Bom filme!! >;-D

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

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Direção: Tim Burton.
Elenco/Vozes: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Jamie Campbell Bower, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Jayne Wisener.

Antes um aviso: se você não suporta musicais, não gosta de filmes sombrios ou não se dá bem com sangue, fique longe de Sweeney Todd. Digo isso porque vi, por cima, uma dúzia de casais se retirando da sala de cinema na estréia. Metade quando notaram que era um musical. Metade quando o sangue começou.

Por outro lado se você no mínimo atura musicais e suportas crueldades e violências, Sweeney Todd será uma das experiências cinematográficas mais maravilhosas deste ano. O musical, que faz jus ao gênero tragédia clássico e tem fortes toques de terror e comédia, é um dos mais originais já vistos, entregando com maestria o que promete. Tudo no filme é feito com perfeição: os cenários, sombrios e bizarros no melhor estilo Tim Burton (Ed Wood, Peixe Grande); o elenco, com nomes de destaque em excelentes atuações; a fotografia, propositalmente acinzentada mas que destaca sempre que possível belíssimas cores; a história, trágica e cruel, mas que prende o interesse por toda sua duração. E o filme não deixa a desejar como musical, mostrando dignas interpretações pra as belíssimas canções da peça da Broadway.

Na história, Benjamin Barker (Johnny Depp, de Piratas do Caribe) é um barbeiro condenado injustamente à prisão por um juiz que planeja tomar sua esposa. Quinze anos depois ele retorna à Londres sob o nome de Sweeney Todd e o motivo claro de se vingar do juiz e externar o ódio que possui por todos daquela cidade. Outros grandes nomes participam do elenco, como Alan Rickman (Harry Potter), em uma interpretação magnífica do juiz Turpin, e Helena Bonham Carter (Noiva Cadáver, Harry Potter), esposa do diretor que interpreta papéis sempre semelhantes, mas convincentes.

Apesar da presença de Johnny Depp, em mais uma excelente atuação, a direção de Tim Burton e os trabalhos técnicos acabam sendo os destaques do filme. Depp faz um ótimo, de fato demoníaco Sweeney Todd, mas é um papel um tanto já visto no cinema, o que acaba diminuindo seu destaque. Por outro lado os magníficos cenários do filme, a direção mais ousada e sofisticada de Burton e a fotografia sombria que procura sempre cores para destacar (oferecendo cenas de tirar o fôlego daqueles que puderam prestar atenção nos detalhes), tornam Sweeney Todd um dos grandes filmes do ano. A montagem e edição de som são também excepcionais, proporcionando cenas fortíssimas e precisamente coordenadas. Misturam-se vozes com navalhas, lenços com espumas de barbear, e no fundo a intenção sempre clara e odiosa de Sweeney Todd. Tudo isso sob um clima sombrio, cruel e sangrento, mas sem deixar de lado a essência do delicado gênero musical, obtendo surpreendentemente sucesso ao manter a história interessante e repleta de belas canções (destaque aqui para o esforço dos atores já que a maioria não havia feito musicais).

Um musical trágico, violento, sombrio, que executa com perfeição todos seus atributos técnicos, exibe um elenco de primeira linha e traz algo a mais do que vemos normalmente no cinema. Acima de tudo um filme com cenas fortes que não serão facilmente esquecidas. Seja pela violência e crueldade mostrada, seja pelas belíssimas cenas de cenários ou cores destacadas (raras vezes vi um mar ou céu tão belo), seja pela trágica história ou pelas intensas canções, Sweeney Todd deixará marcas inesquecíveis.

Bodão

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Conduta de Risco

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Direção: Tony Gilro.
Elenco/Vozes: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sidney Pollack.

Michael Clayton (Clooney) é um especialista em resolver e cobrir problemas em uma grande firma de advocacia. Enquanto a empresa em que trabalha negocia a junção com uma multinacional bilionária, um dos casos mais críticos envolvendo ambas as empresas é posto em risco quando Arthur Edens (Wilkinson), um brilhante advogado que vinha astuciosamente defendendo uma empresa herbicida, tira sua roupa em um tribunal em sinal de protesto contra o caso e possivelmente loucura. Resolver o problema de Arthur e encerrar o caso passa então a ser o principal foco de ambas as empresas, um trabalho complicado e sujo que cai nas mãos de Michael. Mas pouco a pouco a loucura de Arthur mostra-se fundamentada, sua sanidade cada vez mais forte e dedicada a um novo propósito. Enquanto Clayton desconfia das reais causas do problema do amigo e da ética das empresas envolvidas, sua própria vida vai se mostrando cada vez mais vaga, seus problemas financeiros, familiares e pessoais aparentes, e as palavras de Arthur cada vez mais encaixadas na sua realidade. Mas o envolvimento de pessoas interessadas em resolver o problema de forma rápida e crua pode colocar a vida de Clayton e outros em risco.

Com esta inteligente trama, Michael Clayton destaca-se como um dos melhores filmes deste ano. Apesar de não ser um filme rápido ou com grandes pretensões, tudo no drama é tratado com maestria. A direção do estreante Tony Gilroy é brilhante – em poucos minutos o clima tenso, sombrio e reflexivo do filme é estabilizado, as cenas altamente marcantes, tudo isso complementado por uma ótima (e indicada ao Oscar) trilha sonora. As atuações são todas fortíssimas, merecedoras das 3 indicações. Clooney está muito bem no papel e o elenco complementar é um dos grandes destaques. Tilda Swinton, em sua interpretação da executiva Karen Crowder, faz sem dúvidas a melhor das atuações, logo acima do mais uma vez excelente Tom Wilkinson. Além disso, o roteiro é claramente o ponto mais forte do filme, fazendo jus ao imenso currículo de roteiros que Tony Gilroy possui, que conta com Advogado do Diabo, a trilogia Bourne e muitos outros.

Mas este filme torna-se um dos maiores nomes do ano pela sua importante trama – inteligente e politicamente envolvida. Um filme no melhor estilo Syriana e Jardineiro Fiel, melhor ainda que o primeiro e tão bom quanto o segundo. Um drama tão excelente que nos lembra de honrar estes que continuam batalhando para fazer filmes sérios e marcantes, mesmo que pouco lucrativos. Clooney já é um dos maiores ativistas destes dramas políticos, mas ao ver a lista de produtores executivos vi o quão independente e interessante essa produção foi. Nomes como Steven Soderbergh, Anthony Minghella e dois atores do filme, Clooney e o também diretor Sidney Pollack, são alguns dos listados. Não é surpresa então ver como o filme evita clichês e toda aquela superficialidade hollywodiana, desenvolvendo fortemente seus personagens e mostrando cenas realistas e pesadas, mas altamente marcantes. O tipo de filme que fica na sua mente por diversos dias, seus personagens e frases constantemente lembrados, e sua brilhante trama inconscientemente revisitada. Um filme que busca mudar o espectador e o mundo em que vivemos, trazer a tona alguns dos nossos maiores problemas, e tratar com sinceridade e seriedade o ser humano. Um filme idealizado e realizado pelos reais defensores da sétima arte.

Bodão

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Juno

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Direção: Jason Reitman.
Elenco/Vozes: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Olivia Thirlby, J.K. Simmons, Allison Janney, Rainn Wilson, Lucas MacFadden.

Um novo gênero de filme vem surgindo. São filmes estilo Pequena Miss Sunshine, tipo comédia, com pitadas de drama, meio cult, alternativo, trilha sonora legal, diálogos sobre músicas, filmes, e todas as coisas legais da vida. Resumidamente filmes sem grande compromisso, e não menos importantes.

Ellen Page vem agradando bastante, com sua carinha de MeninaMá.com, dessa vez vive uma adolescente e tem que lidar com o fato de ter ficado grávida. Em breve, ele se torna uma Natalie Portman da vida. Ellen faz dupla com Michael Cera, que mais uma vez (Superbad – É Hoje) vive um adolescente meio diferente (!), bobão, mas tem seu carisma e se encaixa perfeitamente no papel. Sempre pensei o que torna um ator canastrão é o mesmo que o torna lembrado por determinado papel, e por isso acaba fazendo mais filmes. Melhor parar antes de gerar um paradoxo.

A gravidez só não é atípica pois sabemos como a maioria engravidam, mas não deixa de ser curiosa, e principalmente inesperada. E quando pensamos que tudo vai desabar num dramalhão, eis que tomam outro rumo, e surgem boas risadas. Claro que o drama é inevitável, mas não te deixa pra baixo nunca.

Apesar de previsíveis, adolescentes nunca vão deixar de ser assunto, principalmente pela sua imprevisibilidade dentro do previsto (sabia que eu ia criar um paradoxo), aquela mistura de adulto com criança, de achar que já conhece o mundo apenas lendo livros ou ouvindo música, se rebelando contra si próprio. Essa gangorra de emoções são bem apresentadas no filme.

Pronto, agora é torcer pra esse novo gênero pegar de vez, pois ele gera ótimos filmes.

Grindhouse

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Direção: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.
Elenco/Vozes: Planet Terror - Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Jeff Fahey, Michael Biehn, Rebel Rodriguez, Bruce Willis, Naveen Andrews, Julio Oscar Mechoso, Stacy Ferguson, Nicky Katt, Hung Nguyen, Tom Savini, Carlos Gallardo, Skip Reissig, Electra Avellan, Elise Avellan, Quentin Tarantino, Greg Kelly, Michael Parks, Jerili Romero, Felix Sabates. Death Proff - Kurt Russell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Zoë Bell, Omar Doom, Michael Bacall, Eli Roth, Quentin Tarantino, Monica Staggs, Michael Parks, James Parks, Tim Murphy, Marta Mendoza, Electra Avellan, Elise Avellan, Marley Shelton, Jonathan Loughran.

De acordo com o WIKIPEDIA, Grindhouse é um “filme duplo” estadosunidense, escrito, dirigido e produzido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O filme é um homenagem aos filmes de horror dos anos 70. Há dois filmes dentro de Grindhouse: “Planet Terror”, dirigido por Rodriguez, que mostra rebeldes lidando com zumbis enquanto enfrentam militares; e “Death Proof”, dirigido por Tarantino, que mostra um dublê misógino que usa seu carro para matar pessoas. Entre os filmes, trailers falsos aparecem.

Na minha humilde opinião, esse dois caras estão no hall dos caras que, não importa sua participação, vale a pena ver tudo que tenham seus dedos apontados. E, obviamente, dessa vez não é diferente, Death Proof é Tarantino mais uma vez mostrando belezuras do sexo feminino, peitos, bundas, sangue, violência, tudo recheado com diálogos bacanas, que é a característica mais evidente dele. Pena que o filme termina com a percepção de “ah, legal, mas só isso?”, que na minha opinião, e nessa maldita idéia de ficar sempre comparando, eu colocaria à frente apenas de Jackie Brown.

Acho que já falei isso, mas eu sempre acho que o Tarantino deve se divertir pra caramba digirindo seus filmes. Ele tira aquelas idéias malucas, sem sentido nenhum muitas vezes, e deve rir depois de tudo pronto e rodando. Mas dessa vez ficou faltando mais roteiro, é bom, mas eu prefiro o do Robert. Apesar do Death Proff ter a batida de carros mais legal já visto no cinema.

Ao contrário do filme do Tarantino, Planet Terror começa tosco, parecendo simplesmente um filme bobo sobre zumbis. Mas com o tempo se mostra um filme muito interessante de ação, pois os diálogos e o roteiro continuam vagos e toscos, a preocupação é mais visual do que lógica. Uma trama bem boba, mas as loucuras são idênticas as do Tarantino. Os caras realmente formam uma dupla perfeita de idéias. Ambos os filmes são divertidos à sua maneira, e sem dúvida que a vale a pena gastar uns tostões. Pena que essa idéia do “pague um e veja dois” não vai rolar por aqui. Grande novidade…

O Último Rei da Escócia

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Direção: Kevin Macdonald.
Elenco/Vozes: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBourney.

Quem não assistiu a esse filme antes do Oscar e outras premiações foi, assim como eu, enganado. Fomos levados a crer que tratava-se meramente de um filme com uma estupenda atuação de Forest Whitaker (Quarto do Pânico, Platoon), em sua personificação do ditador africano Idi Amim, de Uganda. Já assisti a muitos filmes apenas para ver atuações marcantes, e dependendo do ator pode ater valer a pena. Mas essa não é a realidade do excelente O Último Rei da Escócia, que apesar de ter de fato a atuação mais marcante do ano (quem sabe da década), possui muitos outros pontos positivos à altura do gigantesco Whitaker.

O filme toma uma perspectiva bem inusitada, trazendo um clima especial para o filme. Se não fosse pelo rosto estampada do General Amim no pôster do filme ou o conhecimento geral que temos sobre a história do ditador, ficaria difícil saber que se trata de uma história sobre as barbaridades do continente africano. O filme foge totalmente a linha de dramas como Hotel Rwanda, possuindo um clima leve e irônico no ar, muitas vezes até cômico. O diretor Kevin MacDonald, aclamado documentarista, busca não focar exclusivamente na parte histórica e pesada da trama, mas sim destacar o lado humano de todas as personagens e centrar a história no fictício Nicholas Carrigan, jovem médico escocês muito bem interpretado por James McAvoy (Band of Brothers).

E é exatamente a personagem do médico que traz um bom ar ao filme. Conhecemos mais sobre ele do que sobre o próprio ditador, acompanhamos toda a sua aventura e sofremos com seus erros e tensões. O estilo um tanto irreverente, despreocupado do escocês é trabalhado durante a história, e torna-se um fato importante para aproximação dele com o General Amim. O filme conta desde a sua decisão de ir para a África até o complicado final da sua história no país de Uganda. E conta a sua amizade com Idi Amim, que se inicia após Nicholas assistir, junto a personagem de Gillian Anderson (Arquivo X), a um discurso do novo presidente. Ao tratar medicamente Amim numa situação inusitada, agir de forma destemida mesmo na frente do exército, e finalmente contar-lhe que é escocês, Nicholas acaba chamando a atenção do General, que rapidamente o influencia a se tornar médico particular do presidente, e a largar o trabalho que estava fazendo por uma vida de nobreza como amigo e conselheiro pessoal de Amim.

A partir daí o filme centra nas duas personagens, Amim e Nicholas, e trabalha intensamente o relacionamento entre eles e as suas personalidades. Vemos um lado bem humano do ditador, muitas vezes infantil e engraçado, outras vezes inconseqüente. Nesse momento as tensões aumentam, o clima fica bem mais pesado, e pouco a pouco o General Amim mostra seu senso de egocentrismo e abuso de poder. Enquanto isso o médico se envolve em diversas situações, como traições e influências políticas. Até que as verdadeiras intenções do ditador ficam mais claras, e a vida do próprio Nicholas, cada vez mais preso àquele país e ao próprio Amim, passa a correr perigo.

Apesar do tema sério e pesado que o filme trata, a visão humana que foi proposta para o drama foi certamente um ponto forte. Esquecemos o tão comum maniqueísmo, e passamos a conhecer os lados opostos dos protagonistas e antagonistas. Acompanhamos as inúmeras falhas do médico escocês, que com seu estilo também inconseqüente acaba trazendo infortúnio para muitas pessoas próximas a ele. E vemos também o melhor lado do General, sua admiração pela cultura escocesa, seu lado bem humorado e amigo, sua honra e dedicação. Trata-se de um excelente e honesto filme sobre seres humanos. Numa das cenas mais emocionantes do cinema recente não é por sofrimento e dor que vemos lágrimas serem derramadas, mas por amizade e compaixão. As lágrimas são do próprio ditador.

Bodão

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O Ultimato Bourne

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Direção: Paul Greengrass.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney, Paddy Considine e Edgar Ramirez.

Cinco anos atrás, quando o Identidade Bourne foi lançada, todos sabiam que uma grande série de ação policial e espionagem estava a caminho. De lá para cá, não apenas o esperado tornou-se realidade, como os filmes ficaram constantemente melhores – melhor ação, melhores atuações, cenas mais emocionantes. Tudo impressionantemente, e surpreendentemente, melhor. Destaco isso porque não é fácil para um filme desse estilo superar e impressionar tanto. Vivemos em uma época encharcada de filmes com grandes pretensões e baixíssima qualidade. Chegamos a um ponto em que o filme de ação foi banalizado, sendo a maioria dos recentes lançamentos imersos em mentiras, exageros e falhas técnicas.

Pois em todos esses pontos a trilogia foge do padrão, levando bem a sério a adaptação dos excelentes livros do escritor Robert Ludlum. Temos uma produção impecável, excelentes atuações (e elenco, o que certamente ajuda), cenas convincentes e bem trabalhadas, uma história coerente e envolvente. No primeiro filme, Identidade, conhecemos o personagem Jason Bourne e acompanhamos toda a sua jornada em tentar reaver sua memória e entender seu passado. A partir daí, indo contra a tendência da maioria das continuações, o filme adquire ainda mais qualidades, juntando tudo que havia de melhor no primeiro e trazendo mais dinamismo e emoção às cenas.

Boa parte dessa constante melhoria deve-se a entrada em cena (ou por trás dela) do diretor Paul Greengrass, vindo do mundo do cinema independente e nomeado ano passado ao Oscar por Vôo United 93. Ele consegue, tanto em Supremacia (2004) como no Ultimato Bourne, trazer um realismo inigualável, empurrando de forma surpreendente o espectador no meio da trama. O diretor tem uma visão única, colocando cenas realmente imersas na ação, sempre muito rápidas e intrigantes (até mesmo confusas), mas com isso criando um nível de interação com o público que certamente revolucionará o estilo.

Mais ainda no terceiro do que na Supremacia, o espectador é levado bruscamente para ação. O filme começa com um cena conturbada no mesmo túnel em que O Supremacia Bourne termina, dando a impressão dos dois últimos terem sido filmados em seqüência, apesar dos óbvios três anos de separação entre os lançamentos. Rapidamente estamos com a trama principal montada, acompanhando Bourne nos seus últimos passos, reavendo antigos personagens e também conhecendo alguns novos. Ele está decidido a ir mais a fundo do que nunca na sua história, e acabar de uma vez por todas com esse mistério que lhe persegue.

Se na Supremacia Bourne ele declara guerra definitiva a todos que participaram da sua criação, é no Ultimato que essa guerra finalmente toma forma, todas as peças se encaixam. E muitas das características que garantiram o sucesso da série estão ainda melhor utilizadas agora. As atuações estão mais fortes e marcantes, como a do próprio Matt Damon, conseguindo mais uma vez demonstrar muito bem os dois lados opostos do personagem – um lado frio, treinado para matar e agir sem hesitar, e outro bem mais humano, buscando fazer o que seria certo, e outros destaques como a já consagrada atriz Joan Allen e o ótimo David Strathairn. As cenas de perseguição estão ainda mais intrigantes, feitas cada vez mais em ambientes vivos, como a estação Londrina ou as ruas do Marrocos, onde fica claro que a intenção do diretor é mostrar dinamismo e realidade na cena, evitando uma preparação ou repetição em excesso que muitas vezes torna a seqüência superficial. O desenvolvimento da história, desvendando finalmente os mistérios que assombravam não apenas a Jason, mas a todos nós espectadores. Tudo está primoroso.

Se existem defeitos em Ultimato Bourne, ou nos dois primeiros filmes da série, estes são letalmente apagados pela ação frenética e contagiante da trama. Pequenos detalhes, como cenas em que não se vê tanta coerência nas ações, rivais que nem sempre continuam com os mesmo ferimentos, e seqüência que de tão rápidas e confusas não convencem, são facilmente cobertos pela excelente história e pelas intrigantes cenas de ação do filme. Uma das séries mais importantes dos últimos anos, e um final para se ver e rever sem hesitar.

Bodão

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O Cheiro do Ralo

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Direção: Heitor Dhalia.
Elenco/Vozes: Selton Mello, Silvia Lourenço, Flavio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Susana Alves.

A culpa é sempre do maldito e fedorento ralo. Tá sentindo o cheiro? Não sou eu, é o ralo. Não, eu não sou frio, ganancioso, é só minha profissão que exige. Mulher implica em problema, e quando você menos espera os convites estão na gráfica. Eu prefiro viver só, consumir, pagar e dar o fora. Lógico que eu gosto de bunda, mas bunda paga. E o maldito cheiro continua, maldito ralo, é sempre culpa dos ralos.

Essa é a insana e inteligente premissa do filme. O Cheiro do Ralo surge como uma luz no fim do túnel para mudar, pelo menos de vez em quando, o ritmo do cinema brasileiro. Esse Selton Melo é corajoso e admirável, capaz de sair da fama dos personagens engraçados dos filmes anteriores, e mergulhar fundo num personagem mais sombrio, complexo e controverso. Selton vive Lourenço, um comprador de objetos usados de pessoas desesperadas por dinheiro. Os mais variados tipos de pessoas frequentam a loja de Lourenço e participam desse jogo cruel feito por ele, onde não importa muito nem as pessoas nem o valor das coisas que estão lá para vender.

Misture a essa diversidade de tipos de pessoas, um humor negro e um cinismo exacerbado que rende boas risadas para quem gosta do gênero. Interessante que os personagens nem precisam de nomes, pois acabam sendo associados a algo tão específico, se tornando a própria coisa, como por exemplo, a noiva, a drogada, a prostituta, a dona da bunda. Que por falar em bunda, ela é a responsável pelo início da transformação estilo Taxi Driver, como disse o próprio Selton. E realmente tem suas semelhanças, pois temos um cara frio, sem sentimento, que acaba se envolvendo com a dona da bunda, e ai se dá início o surto de Lourenço. Tudo sempre com a referência simbólica do ralo.

O filme é baseado no livro do Lourenço Mutarelli, que inclusive faz o personagem Segurança da loja do, não por acaso, Lourenço (Selton). Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas espero ler quando eu conseguir terminar todos esses livros inacabados que eu insisto em começar. Enfim, temos mais uma prova de que uma idéia boa e uma câmera na mão pode render um bom filme, apesar das dificuldades financeiras, fica comprovado que é possível fazer um cinema descente nesse país. O Cheiro do Ralo é uma idéia daquelas de dar inveja, é simples e poderoso, servindo como crítica a muita coisa, principalmente a si próprio, já que a culpa não é sua, mas sim do cheiro do ralo, do vizinho, do carro da frente, do seu chefe, da sua faxineira…

Transformers

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Direção: Michael Bay.
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, John Turturro, Kevin Dunn, Bernie Mac, Julie White, Jon Voight e as vozes de Peter Cullen e Hugo Weaving.

A crítica se dividiu. Para alguns é o filme de ação do ano, para outros é um filme para quem sofre de déficit de atenção. Eu como não sou bobo nem nada, prefiro o meio termo. Primeiro porque 300 ainda é o melhor filme de ação do ano, e depois eu não tenho problema nenhum em me concentrar em algo. Aparadas as picuinhas podemos falar um pouco sobre Transformers.

Transformers não tem um roteiro com monólogos existencialistas, também não explica os problemas do mundo, e não vai ajudar em nada matar a fome do universo. Transformers é um filme de Michael Bay, alguém sabe o que isso significa? Eu sei. Portanto não justifica esperar um filme sem explosões. Alguém espera um filme do Mel Gibson sem sadismo?

Transformers é a experiência visual de quem teve a infância assistido as aventuras dos robôs que viravam carros. É a eterna e manjada luta entre o bem e o mal, recheada de clichês, propagandas, mulheres bonitas, e reconhecidamente um roteiro com falhas. E daí? Filme é expectativa, e tem gente que gostou de Pearl Harbor (eu não). E foi então que eu percebi que pra você gostar de algo não precisa ser perfeito, basta saber se você se importa ou não com as falhas que o filme tem (Estranho, acho que isso também serve para seres humanos…).

Ninguém pode negar, mas Transformers tem um visual bacana, é engraçado, tem uma gata de cair o queixo que nem precisa atuar, tem uma história principal legal (ignore as subtramas mal exploradas), tem uma mensagem de fé na raça humana (e isso é sempre legal), as transformações são dignas de elogios, as cenas de ações são de tirar o fôlego (ignore algumas sem foco, com câmera tremida, e muito rápidas). E pode ser pretensão minha, mas eu acho que consigo saber algumas cenas onde tem o dedo do Spielberg (produtor executivo).

Porém, ao invés de notar as qualidades, você pode se apegar na cena que faz propaganda do VISA se preferir, ou se perguntar se uma loira bonita pode ser mais inteligente que os cientistas da NASA. Pode pensar também que não tem sentido robôs gigantes existirem. Pode também ler um crítico famoso e nem ir ver o filme. Pode pensar como um soldado dos EUA não tem o celular do Bush, ou na possibilidade de um soldado com um simples tiro derrubar um robô gigante.

É estranho, mas muitos estão me questionando, “como pode, logo você, que sempre foi tão exigente?”. Como se eu tivesse obrigação de ser um esses metidos que só gostam de filmes ditos de “arte”, como se eu não me divertisse vendo um filme pipoca, como se eu fosse ver um filme com papel e caneta na mão, definitivamente eu não sou assim. Não quero aparecer simplesmente por ser intolerante, na verdade eu prefiro ser como Raul, uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

 
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