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Pagando Bem, Que Mal Tem?

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Direção: Kevin Smith.
Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jason Mewes, Brandon Routh, Justin Long.

Miri: Ninguém quer ver a gente transando.
Zack: Todo mundo quer ver qualquer um transando!

Nas congregações nerd espalhadas pelo mundo, Kevin Smith é rei. Fora delas, também. Cineasta e especialista em quadrinhos, não é difícil simpatizar com o trabalho dele. A naturalidade e o humor ácido com o qual aborda temas como sexo, amizade, amor e morte fazem dele o filho nerd que o Woody Allen não teve. Em seu novo filme Pagando bem Que Mal Tem?, Smith invade um submundo que embora muita gente dê uma espiadinha, ainda é visto como algo marginal pela sociedade: a pornografia.

Zack (Seth Rogen) e Miriam (Elizabeth Banks) são amigos de infância que moram juntos há 10 anos. Nesse tempo todo nunca houve nada na intimidade deles além de amizade e cumplicidade. Quando comparecem juntos no encontro da turma do segundo grau percebem o quanto a vida deles está estagnada. Nadando em dívidas e torrando dinheiro onde não devem, eles resolvem fazer um filme pornô e distribuí-lo na internet para organizar as contas e conseguir uma grana extra. Selecionado o “elenco” do filme eles iniciam as filmagens acreditando que o sexo não irá prejudicar a amizade deles. O resto, todo mundo que já assistiu alguma comédia romântica sabe…

Maaasss, nem todas as comédias românticas são comandadas por Kevin Smith. Embora seu novo trabalho não chegue aos calcanhares de Procura-se Amy – e as referências a Star Wars sirvam apenas pra encher linguiça – o diretor não decepciona seu público. Até os últimos 30 minutos, o filme é um entretenimento sarcástico e politicamente incorreto. Com cenas grotescas e piadinhas infames – “A Paris Hilton, deu para um cara num vídeo de visão noturna e agora vende perfumes para adolescentes” – “Pagando Bem, Que Mal Tem?” se sustenta na despretensão, mas perde o clima quando cai no lugar-comum do romance.

Interpretando o mesmo estereótipo de outras comédias, Seth Rogen mostra que é ótimo nesses papéis de “adulto irresponsável que teima em amadurecer”. O próprio Smith admitiu que procurava alguém como ele para atuar nos seus filmes, e que Rogen acabou encaixando perfeitamente no papel. Uma novidade na produção foi a presença de Katie Morgan. Famosa no ramo de filmes adultos, a atriz pornô mostrou no filme aquilo que sabe fazer melhor.Sorte do Jason Mewes que contracenou com a beldade em cenas até bem picantes.

Embora já tenha utilizado um texto até mais execrável em trabalhos anteriores, Kevin Smith teve problemas para divulgar o novo filme cujo nome original é Zack and Miri Make A Porno. Primeiro o pôster original foi barrado porque foi considerado obsceno. Smith alterou e em seguida emissoras de TV se recusaram a divulgar o filme. Motivo? A palavra pornô. Ou seja, uma palavra que vale mais que mil imagens. Curioso, não? Kevin Smith deve ter ficado satisfeito. Pois nada é mais nerd do que inverter a lógica…

Charles M. Helmich

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Dúvida

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Direção: John Patrick Shanley.
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams, Viola Davis, Alice Drummond, Audrie J. Neenan, Susan Blommaert, Carrie Preston.

Na superfície ornamentada da sacristia da igreja St. Nicholas, no Bronx, o padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) declama seu sermão com palavras macias e serenas: “O que vocês fazem quando não têm certeza de algo?”. Estamos em 1964, ano seguinte à morte do presidente John Kennedy, a quem o pároco utiliza como metáfora para exemplificar o estado de desorientação que por vezes sentimos. Seu rosto revela feições harmoniosas na medida em que desfaz os nós de sua parábola sobre o sentimento de dúvida, tópico principal do seu discurso.

Em meio ao sermão, um vulto negro se levanta e anda na direção do padre. As botas lustrosas espocam no chão em passadas pesadas e onipotentes. Quase ao pé do altar, a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) ouve a oratória de queixo erguido e olhar de reprovação contida. O rosto impetuoso não esconde a frustração.

Com esse prelúdio de seres opostos podemos pressentir a atmosfera de conflito que virá em Dúvida, segundo trabalho do há muito tempo oscarizado diretor e roteirista John Patrick Shanley. O filme destacou-se na cerimônia do Oscar por arrebatar cinco indicações, quatro delas nas categorias de atuação. Meryl foi indicada a melhor atriz e Hoffman a ator coadjuvante, enquanto Viola Davis e Amy Adams se enfrentaram no prêmio de atriz coadjuvante. A outra indicação foi pelo roteiro adaptado de uma peça de teatro escrita pelo próprio cineasta.

O epicentro da polêmica abordada no filme se dá na escola da paróquia, onde a irmã Beauvier imprime aos alunos e professores um regime mão de ferro .“Lamento terem permitido canetas-tinteiro aqui na escola. Hoje em dia é tudo do jeito mais fácil”, pragueja ela para uma professora. Padre Flynn tem idéias moderadas e tenta aos poucos fazer a diretora adaptar-se aos novos tempos. As idéias progressistas do pároco e seus sermões nada convencionais perturbam a religiosa devota. E quando irmã James (Amy Adams) levanta suspeita dele num suposto caso de abuso sexual a um aluno, irmã Beauvier encontra o bote certeiro para expulsá-lo da paróquia. Aí é que as interrogações se salientam sobre nossa cabeça. Será que o padre, tão bonzinho e dedicado, é realmente o culpado? Ou a diretora, mais simpática do que uma bacia de roupa suja, é paranóica e se apega em convicções cegas?

Embora o conflito travado entre os religiosos na trama se passe nos anos 60, a questão reflete um problema atual do sacerdócio católico: a pedofilia. Shanley, que no currículo de diretor tem apenas Joe contra o Vulcão, conseguiu em feito notável em 1987. Com o roteiro que escreveu para Feitiço da Lua , ajudou a cantora Cheer a ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Em Dúvida, o grande mérito do texto é impor uma dinâmica de mistérios e incertezas nos personagens. O menino que sofre o abuso, por exemplo, demonstra o oposto do rancor quando vê o padre. A mãe do garoto (Viola Davis) talvez saiba a verdade, mas prefere ser obtusa em relação ao assunto. A irmã James, por sua vez, ora acredita ora duvida do que aconteceu.

O desfecho distribuiu pistas para os dois lados para onde a verdade potencialmente se enverga. E aí está um grande mérito do filme. O dualismo dúvida versus certeza, tolerância versus ceticismo travado pelos protagonistas é uma pedrada que escurece o lago de soluções idealizadas pelo espectador. E como o padre Flynn antecipa no seu primeiro sermão: “A dúvida pode ser um elo tão poderoso e sustentável como a certeza”.

Em Dúvida, a intenção de Shanley como cineasta é das melhores, mas sua inexperiência atrás das câmeras ofusca um pouco o resultado. Já as atuações de Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman são tão grandiosas quanto inverossímeis. Embora dêem um show de interpretação vemos de mais os atores e de menos seus personagens. É o que se pode chamar de incongruências do talento…

Charles M. Helmich

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Max Payne

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Direção: John Moore.
Elenco: : Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris ‘Ludacris’ Bridges, Chris O’Donnell.

Mark Wahlberg é um dos caras mais marrentos do cinema e essa marra vem desde a época que ainda se chamava Marky Mark, um rapper marrento. Enfim o cara é fera! Sou admirador do seu trabalho no decorrer desses anos e por isso agradeço por ele ter saido da música e se tornado um ícone pop do cinema.

Por ser um ator bastante adaptado a papéis fortes, violentos e marrentos, ele caiu como uma luva na pele de outro sujeito “esquentado”, Max Payne, e podemos ver seu desempenho em alguns filmes, como Uma Saída de Mestre e Quatro Irmãos.

Basta lembrar que em 2007 Mark Wahlberg foi indicado ao Golden Globe Awards e ao Oscar, por sua interpretação em “Os Infiltrados” e foi indicado a mais 4 premiações importantes pelo mesmo papel.

Max Payne tem uma história semelhante ao Frank “Justiceiro” Castle, mas com objetivos bem diferentes. No entanto, o seu sofrimento, a sua loucura e o seu desejo de vingança não deixam nada a dever ao nosso amigo Frank, pois ambos vivem com os dentes cerrados e armados com trabucos para lidar com a escória do mundo.

Um jogo de tiro em terceira pessoa que narra a história do policial Max Payne, que ao se infiltrar na máfia com o objetivo de investigá-la, vê a máfia e a própria polícia se voltarem contra ele. Isso o coloca numa vingança sem controle contra os fantasmas da sua vida. Isso mesmo, o filme é baseado nesse jogo! Confesso que após fazer minha pesquisa sobre o jogo e assistir ao filme, fiquei com vontade de jogá-lo…por enquanto só na vontade. Voltando ao filme, posso dizer que ele retrata bem o jogo, buscando ser o mais fiel possível. Mas conversando com algums viciados no jogo, fiquei sabendo que a voz do Mark Wahlberg não ficou muito boa. E ainda tem mais: os amantes do jogo ainda me disseram que o John Bravura é de origem européia e na adaptação para o cinema tornou-se um afro-americano interpretado pelo rapper chamado Ludacris. Também vemos o Fernando – Prison Break, bem diferente.

O filme usa muito o efeito “bullet time” que foi criado e muito explorado no filme Matrix, sendo o que o jogo usa muito mais do que o próprio filme. Outra coisa muito perceptível são as formas de coreografia dos personagens e movimentos de câmera que tornam-se um show à parte.

A história do filme é contada como num “film noir”(estilo de filme primariamente associado a filmes policiais, que retrata seus personagens principais num mundo cínico e antipático – definição da Wikipedia), o que pode ser notado na moralidade do próprio Max Payne. Também é marcante no filme a presença de elementos da mitologia nórdica na forma de nomes como valquíria, aesir, e a noite sob uma terrível tempestade de neve em alusão ao ragnarok, o fim do mundo. Pode não parecer, mas é um filme policial com requintes sobrenaturais.

O enredo do filme é basicamente o mesmo do jogo, diferenciando-se por algumas adaptações, mas trata-se da história de Max Payne, um policial que estava se tornando bem sucedido. Tinha se casado, acabou de ter uma filha e via o sonho americano se realizando em sua vida. Tudo acabou no dia em que sua casa foi invadida por viciados pela droga Valquíria enquanto estava no trabalho, e acabam por assassinar sua esposa e sua filha.

Max Payne então disposto a tudo para ter uma vingança sem limites e sangrenta contra tudo e todos. Apesar do filme ter uma numerosa quantidade de beldades por metro quadrado, outro chamariz do filme.

Não pode deixar de falar desse filme sem falar do diretor John Moore, um irlandês responsável pelo remake de “A Profecia”, o cara fez e desfez de várias cenas , sempre procurando a melhor e inventando novas maneiras de fazê-la e armando tudo para a sequência, isso mesmo, Max Payne voltará. John Moore visa sempre a diversão do seu público, o cara ralou muito para deixar o filme interessante, mesmo porque ele também é jogador dedicado, juntou o útil ao agradável e buscou deixar o filme mais fiel possível.

Max Payne se resume da seguinte forma: Pegue um ator competente e marrento, um jogo alucinante, um roteiro inteligente e um diretor viciado em jogos de vídeo game e com uma boa pitada de efeitos especiais, aí parceiro: você tem um filme que vale a pena perder tempo em assisti-lo.

Fique até o final, após os créditos, pois se você gostar do filme e vai gostar, certamente ficará com água na boca após ver a surpresa.

“Não sei quanto aos anjos, mas é o medo que dá asas aos homens.” – Max Payne

A Duquesa

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Direção: Saul Dibb.
Elenco/Vozes: : Keira Knightley, Ralph Fiennes, Hayley Atwell, Charlotte Rampling, Simon McBurney, Dominic Cooper, Aidan McArdle.

E não é que a magrela de nome complicado, e até bonitinha, Keira Knightley tem o perfil ideal para esse tipo de filme, dito de época. Depois de Desejo e Reparação , Orgulho e Preconceito, Rei Arthur, e porque não Piratas do Caribe, agora vive a duquesa de Devonshire, Georgiana Cavendish, que viveu de 1757 a 1806. O roteiro, baseado numa história verdadeira, assim como o título do filme, tem como foco a vida da duquesa. Numa época em que as mulheres eram criadas pra casar com “grandes” homens e seus títulos.

O machismo, comum na época, permeia todo o andamento do filme, e provavelmente o público feminino sentirá repulsa; em contrapartida gostarão da história de bravura da tal duquesa. A história em si é interessante, e o roteiro flui tranqüilo e ao mesmo tempo instigante, se perde em algumas curvas, mas no fim das contas chega onde deveria. Claro que não passa de um baita dramalhão, mas o que se pode fazer se a história foi assim contada?

Deixando um pouco a Keira de lado, preciso falar sobre a atuação do Ralph Fiennes. Até agora eu não sei como classificar sua atuação, compreendo perfeitamente se alguém achar péssima, pois o cara não atuou, soprou suas falas o filme inteiro, e num lampejo de expressão ele quase sorriu, quase deu pra ver a covinha no rosto. Por outro lado, se você achar magnífica a atuação, e justificar que ele fez aquela cara, o filme inteiro, de propósito e que o personagem precisava daquilo, então ele vai ganhar o Oscar do Heath Ledger. Eu fico bem no meio dessas opiniões, até acredito que o personagem deveria ser insensível, mas não inexpressivo, são coisas totalmente diferentes. Além disso, eu nunca vi uma grande atuação dele, sempre tem essa cara de Paciente Inglês.

Um filme honesto, cumpre seu propósito, rodado na Inglaterra aproveita bem a bela paisagem e mostra uma excelente fotografia. Sua trilha não segue o embalo, é até bem chatinha pra falar a verdade, e repete todo instante, como se fosse se tornar um grande referencial no futuro. Seguindo a linha da supervalorização feminina, A Duquesa traz uma bela história de uma mulher que passa por maus bocados e ainda mantém sua dignidade e influência na medida do possível.

007 – Quantum of Solace

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Direção: Marc Forster.
Elenco/Vozes: : Jeffrey Wright (Felix Leiter), Gemma Arterton (Agente Fields), Olga Kurylenko (Camille), Giancarlo Giannini (Mathis), Daniel Craig (James Bond/007), Jesper Christensen (Sr. White), Mathieu Amalric (Dominic Greene).

Jason Bourne trouxe um novo estilo de herói espião de alguma organização secreta, mas quem diria que isso causaria impacto até mesmo no “intocável” 007. Particularmente nunca gostei dos 20 primeiros filmes da série. Mas falando assim parece que 007 copiou o estilo Jason Bourne de ser, e não foi bem assim, incrivelmente conseguiram manter as características marcantes do personagem e deram uma melhorada em outras. E definitivamente, Cassino Royale foi um marco na longa carreira do espião inglês.

Obviamente que os envolvidos não iriam deixar morrer a onda de sucesso gerada por Cassino Royale, e resolveram continuar, e já adianto que foi uma pena não terem conseguido manter a crista da onda no mesmo nível. Tudo até está no lugar certo, e tudo de bom foi mantido, Daniel Craig continua muito bem no papel, acredito que agora mais tranqüilo, depois de ter passado pela primeira prova de fogo, e ter se saído muito bem. Mas a trama central é fraca, e a bondgirl parece que acompanhou o ritmo da trama.

As cenas de ação um pouco confusas, com cortes e movimentos rápidos demais, causando mais enjôo do que demonstrando ação. O vilão até que conseguiu extrair uma boa atuação, mas o cara é bom, o tal do Mathieu Amalric, que inclusive atuou em O Escafandro e a Borboleta. Fora isso, temos uma bondgirl meio sem graça, que inclusive ainda consegue ser ofuscada por outra atriz que aparece por poucos instantes, você saberá quando ela aparecer.

Agora é torcer e esperar o próximo. Aparentemente as arestas foram aparadas, e o final é meio truncado, mas nada que atrapalhe, muito menos faça sentido para continuar a mesma trama do anterior. James Bond precisa de um roteiro mais complexo, muito além de uma simples briga por recursos naturais envolvendo uma ultra-secreta organização que ninguém sabia que existia. Ah, até mesmo a abertura, famosa por ser sempre espetacular (vide Cassino Royale), dessa vez não ficou tão boa, a música e a arte ficaram aquém.

Som do Coração

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Direção: Kirsten Sheridan.
Elenco/Vozes: Robin Willians, Keri Russel, Jonatham Rhys Meyers, Terence Howard, Willian Sadler, Freddie Highmore.

Freddie Highmore interpreta Evan, um garoto largado em um orfanato nos arredores de Nova Iorque que possue um dom especial, ele escuta música em todos os barulhos do cotidiano, desde o vento em um milharal até a tensão da energia passando nos fios do poste. Fruto de uma única noite de amor entre Louis Conneny (Rhys Meyers) e Lyla Novacek (Keri Russel), ele cantor, guitarrista e compositor de uma banda de rock ( Os irmãos Connely) e ela violoncista com crescente prestígio, o menino não conheceu os pais mais, porém acredita que pode ser encontrador por eles através da música.

Contemplando a clássica trama inicial de pai contra namoro e por ventura gravidez da filha o filme acompanha toda a aventura que a busca de Evan toma, desde sua chegada a cidade de Nova Iorque até seu batizado como August Rush, nome artístico idealizado pelo protetor do menino nas ruas, o “agente” de nome “Mago”, personagem ambiguo e perigoso vivido com um pouco de exagero por Robin Willians. Contando ainda com Terence Howard mal-aproveitado e até mesmo ínutil no papel de um funcionário do orgão protetor infantil nos Estados Unidos o filme dá ínumeras voltas sem parecer (muito) irreal.

Um dos pontos fortes do filme é a performance do menino Freddie Highmore, o menino se assemelha muito com a performance de Russel Crowe em A mente brilhante, salvo as devidas ressalvas lógico, já que demonstra uma fascinação tremenda pela sua paixão e foco da sua genialidade (matemática no filme de Russel Crowe e nesse filme a música) o que é extremamente necessário para criarmos a identificação com o protagonista, para quem a música é mais importante que comida.

Ainda assim o filme é muito esquemático, forçando um pouco as situações para que a história tenha continuidade e com cenas sem contexto dentro do plano geral mostrado no filme. Como a cena da pulseira de Lyla na discussão do pai o até mesmo na cena onde Louis conversa com a vizinha de Lyla em Chicago. Sem contar na motivação (ou a falta dela) para que o mesmo Louis volte a Nova Iorque.

Contando com uma história de perseverança e com uma mensagem clara de siga os seus sonhos (este blog faz parte do meu por isso vou continuar apesar dos periodos longe) o filme é sincero em seu material e não tem a necessidade de esclarecer o além da situação futura de Lyla, Evan e Louis, já que o importante é mostrar como a música, como o amor, nos une e nos torna felizes.

Melhor cena: Em homenagem ao dia dos pais, e por ser belíssima a entrega dos dois atores principalmente de Freddie Highmore, uma das melhores cenas do longa é a Jam session no Central Park entre Evan e seu pai Louis. Inclusive com o conselho que vai mudar a vida dos três personagens principais.

Augusto (Tio Verde)

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O Incrível Hulk

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Direção: Louis Leterrier.
Elenco/Vozes: Edward Norton (Bruce Banner/Hulk), William Hurt (General Thaddeus “Thunderbolt” Ross), Tim Roth (Emil Blonsky), Liv Tyler (Betty Ross), Tim Blake Nelson (Samuel Sterns/O Líder), Ty Burrell (Doc Samson), Christina Cabot.

Obviamente o filme anterior (Ang Lee) não agradou muito aos xiit… oops fãs e de quebra o pessoal da Marvel, a final de contas eles resolveram ignorar completamente. Fizeram a besteira de tentar explicar toda a origem do Hulk em 5 minutos, com flashes rápidos e cenas cortadas, ficou ruim.

Para nosso “orgulho” as cenas iniciais se passam no Brasil – Favela da Rocinha. Sem dúvida as mais belas cenas do filme. Fora isso, temos algo bem curioso para um roteiro, Bruce Banner (Norton) resolve se esconder (?) numa favela brasileira sem saber falar nada de português. Achei curioso também que algumas vozes de atores brasileiros darem aparência de ter sido dublada, curioso, muito curioso, pra não dizer estranho.

Hulk parece uma gangorra de emoções, e eu não posso deixar de elogiar a preocupação em tornar o filme próximo da realidade, gastando tempo para explicar o caso, por exemplo, da calça do Hulk não rasgar durante a transformação. E principalmente, quando Bruce treina (se não me engano é com o Rickson Gracie) para aprender a controlar sua raiva.

Outro ponto alto do filme é a esperada aparição do velhinho simpático e criador da criatura Stan Lee, bem como do eterno Hulk das nossas tardes de sessão aventura Lou Ferrigno. Depois disso não vejo grandes méritos do filme, e eis que surge uma série de clichês desnecessários e frases bobas, como por exemplo, “só eu vou conseguir” ou da cena com as mãos se separando, bem como aquele vilão maior que o Hulk.

O Hulk mudou de cor, saiu do verde Shrek pra um verde mais escuro, mais realista, é verdade, mas continua uma massa verde visivelmente “falsa”, ta na hora de procurar outras empresas. Certamente os que não gostaram da versão Ang Lee vão gostar desse, tem uma luta de CGI brutal, e o Hulk ta bruto como nunca, o que é sempre legal de ver. Tem gente que se contenta com pouco e só de ouvir “Hulk Esmaga” tem algum tipo de orgasmo. Enfim, é pagar pra ver. Ah, tem uma cena legal no final, mas não tem nada depois dos créditos.

Ike – O Dia D

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Direção: Robert Harmon.
Elenco/Vozes: Tom Selleck, James Remar, Timothy Bottoms, Gerald McRaney.

O filme conta a história real de Dwight “Ike” Eisenhower, homem escolhido pelo presidente americano Teodore Roosevelt e pelo primeiro-ministro ingles Winston Churchill como comandante supremo da força aliada e todo o planejamento para a execução do Dia-D, que consistia da invasão da França ocupada pelos nazistas e o plano de retomada da Europa.

Durante todo o filme vemos a escolha de Ike dos seus comandantes, de como vai funcionar a operação dos paraquedistas, infantaria, marinha, aeronáutica, todo o detalhamento de solo e principalmente das condições clímaticas.

Alinhando um elenco afinado, e um roteiro inteligente que explora bem toda a complexidade da concepção de uma estratégia enorme como a que foi empregada no dia D, é legal analisar também que o elenco esta muito afiado, principalmente Tom Selleck, que some (no sentido positivo da palavra) na interpretação de Ike, pode ser a falta do bigode, mas ele estava muito bem.

O que me incomodou no filme foi somente minha ignorancia acerca de dois fatos. O primeiro é a forma quase perfeita que IKe é tratado. Ele é bonzinho demais, preocupado demais com cada vida humana, não sei se um comandante supremo seria tão “puro”, por isso gostaria de ler um pouco mais sobre esse figura histórica, a outra é a cena com o comandante Francês que nega-se a ajudar na invasão e a aceitar Ike como comandante supremo, mesmo que provisioramente, aceitando que o pais dele fique sem salvação ao invés de apoiar o ataque. Como recentemente houveram problemas entre EUA e França devido a invasão no Iraque, quero muito saber se a cena é verdadeira ou motivada por uma “vingança” de roteiristas patrióticos.

Augusto

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O Caçador de Pipas

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Direção: Marc Forster.
Elenco/Vozes: Khalid Abdalla, Homayon Ershadi, Zekeria Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada, Shaun Toub, Nabi Tanha, Ali Dinesh, Saïd Taghmaoui, Atossa Leoni, Abdul Qadir Farookh, Maimoona Ghizal, Abdul Salam Yusoufzai, Elham Ehsas, Ehsan Aman, Vsevolod Bardashev.

Ainda não li o livro homônimo que deu origem ao filme, mas já havia ouvido falar que era bem pesada a atmosfera do enredo. E realmente tem um clima pesado, e até mesmo o final não deixa tantas esperanças de melhoria. A história se passa no Afeganistão, próximo da época da invasão russa, invasão essa que tem grande importância no enredo do filme. Não sei o que tem de auto-biográfico no livro, visto que o auto é afegão, mas isso serviu, sem dúvida alguma, para a riqueza de detalhes do filme.

A trilha sonora é um ponto alto do filme, deixando de lado o ritmo puramente popular, mas sem perder as raízes da cultura da região. Gostei bastante da atuações dos garotos, principalmente do menino pobre. Ambos fazem parte de um história de uma amizade quase do nível de intensidade entre Frodo e Sam, porém com características um pouco diferentes, e bem mais complexas.

Não pude deixar de notar o recurso usado nas câmeras acima das pipas, até agora não imagino como aquilo foi feito, talvez um recuro de CGI, mas é extremamente bem elaborado. A fotografia também não deixa desejar, alias, tecnicamente o filme é muito bom, exceto por uma edição com cortes bruscos que não tem como deixar de notar, um corte de uns 10 anos no mínimo, sem explicação ou suavização alguma.

Apesar dos problema eu gostei bastante, e acho que vale sim a pena uma conferida. Quem sabe aprendemos um pouco sobre amizade, idealismo, e a importância de quem somos e de onde viemos. Curiosamente lembrei de Persépolis em alguns momentos, inclusive tem um momento em que a protagonista diz algo como “as pessoas devem achar que somos apenas um bando de loucos que atiram bombas uns nos outros”. Comunicação e tolerância com as diferenças parece ser ainda os ingredientes básicos para um mundo melhor.

Meu Nome Não é Johnny

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Direção: Mauro Lima.
Elenco: Selton Mello, Cleo Pires, Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, André di Biasi, Eva Todor, Ângelo Paes Leme, Rodrigo Amarante, João Guilherme Estrella.

Mais um filme brasileiro de sucesso e mais uma vez um filme relacionado ao submundo, ao tráfico e à violência. A estória de João Estrella mostra uma realidade comum na classe média brasileira: drogas, festas e diversão. Estão todos o tempo todo vivendo no limite entre a “simples” diversão e o envolvimento com o crime. Pelo que mostra o filme o envolvimento de João neste mundo acontece por acaso. As coisas vão acontecendo, crescendo, sem muito domínio. A vida levada sem rédeas. O próprio João Estrella fez questão de reforçar em entrevistas que a coisa aconteceu assim mesmo, bem no estilo viva e deixe viver.

Quanto ao filme em si, Selton Mello volta a fazer uma interpretação muito boa, dando um ar de malandragem e despreocupação fundamental para caracterizar o personagem. A facilidade que Selton tem de lidar com as palavras, seu jeito rápido de falar, complementam João Estrella nas telas. Ele é, com certeza, ator principal e grande motor da película.

Por outro lado a atriz Cássia Kiss, famosa e com diversos filmes na carreira, é responsável pela pior interpretação do filme ao encarnar a juiza que condena João Estrella. Alias as cenas do julgamento são de longe as piores. Parece que não existe ali a mesma energia presente no restante do filme, os atores parecem estar gravando aquilo de forma burocrática, obrigatória, sem emoção. Nem Júlia Lemmertz, no papel de mãe, consegue chorar com emoção durante o julgamento. E Júlia engrossa a lista de boas atrizes com interpretação decepcionante.

Quanto a Cleo Pires, além da beleza ela não acrescenta muita coisa ao filme. Não sei se podemos chamá-la de atriz.

O filme conta ainda com a excelente, mas pequena, participação de Eva Todor, uma simpática velhinha que realiza transações não tão simpáticas assim, e com as aparições de Rodrigo Amarante do Los Hermanos, na pele do personagem que forneceu o primeiro baseado da vida de João Estrella, e do próprio João Guilherme Estrella que aparece como um dos enfermeiros do manicômio.

Como qualquer filme de sucesso, principalmente filme brasileiro, “Meu Nome Não é Johnny” tem recebido duras críticas por parte da imprensa especializada. Mas por outro lado temos que levar em conta que o filme é baseado em fatos reais. Então não acho correto dizer que as cenas na cadeia procuram imitar “Carandiru” ou que as cenas de manicômio tentam copiar o sucesso de “Bicho de 7 Cabeças“. Se tudo isto aconteceu a João Estrella tem que estar no filme, e não está lá para copiar ninguém. Está lá porque aconteceu.

Concordo que alguns personagens, na cadeia principalmente, são estereotipados. Mas isto tem se tornado lugar comum em filmes nacionais. Se o filme fosse rodado no Nordeste veríamos muito mais “tipos brasileiros” em cena com certeza. Uma pena por um lado, garantia de diversão por outro. Outra coisa ruim é a insitência em contextualizar a época do filme através da citação direta de algumas referências. É desnecessária a fala forçada do personagem que diz que preferia ficar em casa vendo Magnum e comendo Mirabel a estar na rua aquela hora. Teria sido mais fácil e elegante escrever “1980″ no canto da tela.

Concluindo eu acho que o filme pode ser considerado mesmo um filme divertido, tornando o cinema um ótimo programa para o domingo, e se não fosse o excesso de cocaína e viciados em tela seria também candidato a tela quente.

 
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