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O Bom Pastor

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Direção: Robert DeNiro.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Angelina Jolie, Alec Baldwin, John Turturro, Billy Crudup, Robert DeNiro, Michael Gambon, William Hurt, Joe Pesci.

Dentre os destaques do ano passado, esse foi um dos únicos que demorei a ver. Houveram algumas críticas negativas (oficiais e de amigos), o que acabou influenciando-me a não vê-lo com tanta pressa e expectativa, mas algo me dizia que eu não me arrependeria de assistir a este filme. Agora em DVD tive a oportunidade de assisti-lo, e não poderia deixar de registrar algumas palavras sobre este bom filme.

Antes de mais nada, não conhecia o trabalho de diretor de DeNiro, que tinha apenas um filme dirigido de fato por ele, e confesso ter me surpreendido. Desde o início vemos que ele conseguiu definir um estilo sério, com cenas fortes e intrigantes. Com isso ele conseguiu ser um pouco mais realista e artístico do que muitos dos diretores da atualidade, deixando alguns traços de filmes noir e dando um clima mais seco, sem exageros de emoção.

Na trama, Matt Damon interpreta Edward Wilson, um estudante de Yale que acaba ingressando na sociedade secreta Skulls & Bones, se destaca por diversas vezes como um excelente aluno, e é chamado para trabalhar na OSS, agência de inteligência americana na Segunda Guerra. Mostrando cada vez mais sua capacidade de contra-inteligência (espionagem) e sua esperteza, acaba crescendo em importância na carreira e se tornando um dos primeiros a fazer parte da recente criada CIA. O filme retrata diversos momentos da vida de Wilson, como a morte de seu pai ainda na infância, dois romances de sua vida, sua relação com seu filho e, finalmente, sua situação atual na CIA, participando de um visível fracasso na operação “Baía dos Porcos”, em Cuba. Durante este tempo, reveza o foco entre a capacidade e comprometimento do personagem com o seu trabalho, e seus defeitos pessoais, muitos deles agravados pela dedicação ao seu país.

O filme conta ainda com um excelente elenco, que é certamente o seu maior destaque. Ver Matt Damon em um convincente papel (apesar de frio demais), Angelina Jolie em uma ótima interpretação (a melhor dela em anos), e tantos outros excelentes atores (como o ótimo e envelhecido Joe Pesci) é o melhor ponto do filme. Mas é também no elenco que o filme apresenta seus primeiros erros. A dificuldade em envelhecer Matt Damon acaba deixando o filme confuso e algumas vezes irreal, e o fato do personagem principal ter tão pouco carisma pode deixar o filme sacal para muitos.

Ainda nos erros do filme, existe um mais marcante: a edição. Infelizmente esse ponto prejudicou-o seriamente, pois muitas cenas não estão bem posicionadas, existe um certo excesso de idas e vindas no tempo, e ainda por cima o filme é longo demais - são 2 horas e 40 minutos de filmes, pelo menos 30 minutos a mais do que o necessário. Mas isso não comprometeu por completo o filme, pois não deixa de ser um ótimo thriller de espionagem, altamente inteligente e intrigante, forçando o espectador a se envolver na trama, raciocinar e indagar em muitos momentos para acompanhá-la. Sendo razoavelmente inspirado em personagens e fatos reais (Edward Wilson é baseado em um agente verídico da CIA, assim como alguns outros personagens), é um daqueles filmes que nos dá vontade de pesquisar mais sobre o que aconteceu e quem realmente existiu, retratando ainda diversos momentos cruciais como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil.

Tem para mim tudo que um bom filme precisa ter, deixando algumas falhas mas que podem ser superadas. Boas atuações, uma história completa e convincente, muitas tramas e conflitos entre os personagens, surpresas constantes e uma emoção sutil, mas realista. Alguns personagens bem trabalhados, trechos históricos amplamente retratados, e uma direção que foge a mesmice de Hollywood. Pode não ser uma boa pedida para quem não suporta filmes lentos e detalhistas, mas é uma boa sugestão para quem gosta de filmes do gênero, e seria excelente não fosse pelo trabalho de edição e pela extensa duração.

Bodão

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Ratatouille

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Direção: Brad Bird
Elenco: Ian Holm, Brian Dennehy, Brad Garrett, Peter O’Toole.
Vozes de Samara Felippo e Thiago Fragoso na versão dublada.

Apesar de correr o risco de ser repetitivo, de vocês já terem lido muito disto por aí, uma verdade deve ser dita: com Ratatouille a Pixar acertou a mão de novo! A empresa é hoje, sem sombra de dúvidas, a melhor e mais criativa criadora de filmes de animação. Foi a melhor compra que os Estúdios Disney poderiam ter feito.

Mas só que, na minha opinião, acertar a mão não significa fazer o melhor filme de animação dos últimos tempos. Nem de perto este Ratatouille supera os sucessos anteriores da Pixar, como Procurando Nemo e Os Incríveis. Claro que quando falamos em cinema de animação cada ano que passa, cada novo computador e/ou software e/ou tecnologia lançada melhora muito o desempenho dos desenhos. E neste sentido o filme é muito bom. Boa camêra, rico em detalhes, efeitos de animação incríveis e etcs.

Mas também é inegável que, cada vez mais, os filmes de animação pretendem agradar a nós, adultos, e não às crianças. Neste caso esta constatação começa pelo curta exibido antes do filme. Presenciei no cinema a dificuldade de um pai ao tentar explicar ao filho o que significava “abduzido”.

Como em todo filme do gênero, sempre existe uma lição a ser dada, um incentivo para aqueles que estão de cabeça baixa. No caso de Ratatouille o mantra ouvido o filme inteiro é: “Qualquer um consegue cozinhar”. Bom que eles não fazem disto um mote piegas e conseguem levar muito bem o enredo incluindo as tiradas, frases e situações necessárias para nos fazer acreditar que realmente qualquer um pode cozinhar. Mas, não é para crianças.

Bom, a estória é sobre um ratinho que sabe ler e sonha em ser chef de cozinha. E este pra mim é um dos pontos altos e mais engraçados do filme. Alguém aí já parou para pensar que os ratos são os animais mais odiados em uma cozinha? Que seria inconcebível imaginar que aquela comida deliciosa à sua frente foi obra de um chefe genial que, por descuido da natureza, também é um rato? Hilário.

As Torres Gêmeas

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Direção: Oliver Stone
Elenco: Nicolas Cage, Michael Pena, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Connor Paolo, Stephen Dorff.

Devo confessar que dei pulos de alegria no dia em que o mundo conheceu a vulnerabilidade do país mais rico do mundo através do pandemônio arquitetado por Osama Bin Laden no dia 11 de setembro de 2001. Muito da arrogância e prepotência ianque ruiu juntamente com as torres do World Trade Center. Infelizmente, aquele velho ditado de que “pra se fazer uma omelete, tem que se quebrar alguns ovos” entra perfeitamente nesse caso e como em toda guerra, o pior sobra sempre para quem não tem nenhuma culpa no cartório. Muitos inocentes morreram (mais de 2.700 vidas foram tiradas nesse dia – nada comparado as mais de 600.000 ceifadas no Iraque desde a absurda e inconseqüente invasão dos donos do mundo), isso é um fato, mas o maior culpado por essas mortes, quem seria? Osama Bin Laden e sua Al Qaeda, ou os milhões de eleitores americanos, que colocaram em seu trono de ouro o inepto George W. Bush? Eu tenho uma opinião formada a esse respeito, mas voltemos ao filme em questão, que é o que realmente interessa.

Oliver Stone se redime de sua última bomba (o horrível “Alexandre”), em um bom filme a partir de uma história verídica, além disso, seu filme por ser visto como uma grande homenagem às pessoas que participaram diretamente da destruição causada pelo atentado terrorista ao WTC. Policiais, bombeiros, para-médicos e militares que arriscaram e perderam a vida tentando retirar as pessoas das torres mais famosas do mundo.

Os protagonistas são Nicolas Cage e Michael Pena que interpretam, respectivamente, os policiais John McLoughlin e Will Jimeno (que participaram diretamente na produção do filme, colaborando com seus intérpretes). McLoughlin e Jimeno foram enviados até as torres após o choque do primeiro avião com o prédio, com o intuito de retirar feridos e com total ignorância sobre o que estava realmente ocorrendo, os policiais tiveram seus planos completamente frustrados e passaram a lutar pela própria vida ao ficarem presos nos destroços da torre que desmoronou quando eles ainda se encontravam no saguão. Paralelamente, acompanhamos as reações de ambas as famílias e seus desesperos em busca de informações sobre os parentes. O roteiro de Andrea Berloff merece um grande elogio nesse momento, já que ele consegue realmente transmitir uma sensação de medo, tristeza e principalmente esperança, não caindo no erro de dar uma patriotada e destilar o conhecido veneno americano contra os executores dos atentados. Aliás, talvez essa seja a maior qualidade do filme de Stone, já que em nenhum momento somos apresentados a uma visão dos responsáveis pelos atos. Stone e Berloff se focalizam em mostrar apenas o lado dos policiais em suas lutas pela sobrevivência e suas respectivas famílias.

E exatamente onde se encontra a maior qualidade de “As Torres Gêmeas” (no caso, o seu foco), também encontramos seu maior defeito. O excesso na utilização de cenas dramáticas acaba tornando alguns momentos do filme um pouco piegas, melodramáticas. Duas cenas provam perfeitamente isso (e até podem ser entendidas como sutis alfinetadas do roteiro e direção à religião de Maomé, de onde a motivação para os atentados foi claramente tirada). A primeira é a cena em que o policial Will Jimeno, ainda nos escombros e já a ponto de perder as esperanças de ser resgatado com vida, tem uma visão de Nossa Senhora, a segunda é ainda pior, pois trata de um fuzileiro que vai até o WTC ajudar na busca de sobreviventes por ter recebido uma ordem do próprio Deus, e adivinhem quem encontra os protagonistas? Esses momentos podem até ser realmente verídicos, mas em minha opinião, completamente descartáveis.

O bom elenco do filme ajuda a dar veracidade á obra e aproximar-nos do sofrimento dos personagens envolvidos. É praticamente impossível conter as lágrimas em alguns momentos. Enfim, o novo trabalho de Oliver Stone possui muito mais acertos do que erros e inicia a provável avalanche de filmes relacionados a esse tema que ainda serão produzidos.

Dália Negra

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Direção: Brian De Palma.
Elenco: Josh Hartnett, Aaron Eckhart, Hilary Swank, Scarlett Johansson, Mia Kirshner, Mike Starr, Fiona Shaw, John Kavanagh, Gregg Henry, Jemima Rooper, Rose McGowan.

Gostaria de entender e conhecer tanto de cinema quanto meus amigos e críticos que eu leio pela internet, mas infelizmente eu não sei fazer um resumo sobre Brian De Palma, justificando todas as suas características, qualidade e defeitos. O que posso dizer é que Dália Negra é um dos filmes tecnicamente mais perfeitos que eu já, algo que vai além da fotografia simplesmente, são ângulos, enquadramentos, uma aula de cinema nesses quesitos. Então no mínimo eu preciso reconhecer a qualidade do responsável por Scarface.

Um elenco de jovens promissores atores, porém apagados de certa forma, ou sem o impacto que um filme passado nessa época e dessa magnitude necessita. Não que eles atrapalhem o filme, mas merecia atuações melhores. O outro revés é o roteiro confuso, com muitas histórias paralelas e mudanças de rumo a todo instante. E o aguardado final, na hora de amarrar as pontas soltas do confuso roteiro, mais confusão ainda. Confesso que me sinto em dúvida até agora sobre algumas passagens do filme.

Resumidamente é isso, não estou aqui pra dar um selo de aprovado ou reprovado, então as cartas estão na mesa, cada um decide se deve ou não apostar.

Miami Vice

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Direção: Michael Mann.
Elenco: Jamie Foxx, Colin Farrell, Gong Li, Luis Tosar, John Ortiz, Naomie Harris, Ciarán Hinds, Justin Theroux, Elizabeth Rodriguez, Eddie Marsan, John Hawkes, Barry Shabaka Henley.

Se ainda fosse Trovão Azul eu poderia dizer que lembro e vi uns episódios. Mas apesar do nome ser familiar eu nunca vi um episódio sequer de Miami Vice. Dizem que os ignorantes são mais felizes. Nem caso não me tornou feliz, mas eu prefiro analisar algo evitando comparações, torna mais imparcial, se é que existe isso. Percebe-se com clareza que parece ser um episódio estendido. Talvez por isso a reclamação maior seja que o filme é longo, meio chato, pouca ação. Concordo em parte, fica meio obvio que o filme precisava de mais ação, e a forma da apresentação é bem bolada, dando entender que vai acontecer algo, mas é apenas uma missão que acaba não dando em nada. Apesar dessa falha, a palavra que define Miami Vice é crível. A cada cena você percebe o cuidado com a veracidade. Nada de exageros, carros explodindo, tecnologias inexistentes. Tudo é perfeitamente possível. Acredito que trouxeram Miami Vice para o nosso século, só esqueceram de tirar o “mullet” do Colin Farrell. Não é uma grande trama policial, como falei antes, parece ser apenas mais um episódio num formato pra cinema, respeitando as regras do novo habitat, diferente do que aconteceu com Os Normais, que evidentemente não funcionou como filme, era forçar demais. Enfim, dois policiais parceiros, amigões e tal, numa missão juntos, infiltrados, momentos de paixão, não entre eles (pensei em terminar com “claro”, mas soaria muito machista), e por falar em paixões, as cenas de sexo foram extremamente bem elegantes, fugindo um pouco do óbvio, e o mais importante, sem apelas tanto. Uma trilha sonora bem encaixada e temos um filme legal de se ver. Como vivemos na moda da falta de criatividade, quem sabe um dia fazem uma refilmagem do seriado? Não duvido. Mas acho que já temos Jack Bauer.

A Casa Monstro

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Direção: Gil Kenan.
Elenco: Mitchel Musso, Sam Lerner, Spencer Locke, Steve Buscemi, Nick Cannon, Matthew Fahey, Maggie Gyllenhaal, Kathleen Turner, Jason Lee.

D.J. é um garoto comum, membro de uma família comum, residindo em uma rua comum, de um bairro comum em uma cidade comum. Entrando, começando a enfrentar a puberdade e fascinado em observar os atos de um vizinho recluso, D.J tem toda essa normalidade de sua vida quebrada, quando ele e seu atrapalhado amigo, Bocão, tem que pegar uma bola de basquete no gramado da casa do tal vizinho recluso, que odeia crianças e quem quer que chegue próximo de sua casa, que por sinal, é digna dos melhores filmes de terror já feitos. O confronto entre as crianças e o velho acaba em um terrível acidente, que leva ao despertar de algo muito mais assustador e perigoso que as costumeiras rabugices do dono da casa. Então, quando uma menina é atacada pela casa e os amigos decidem salvá-la, eles passam a lutar de todas as formas contra os perigos criados pela demoníaca Mansão.
Steven Spilberg e Robert Zemecks se unem ao diretor Gil Kenan para realizar “A Casa Monstro”. Uma animação nos mesmos moldes do, para mim, razoável “Expresso Polar”, com a utilização da tecnologia que capta os movimentos diretamente de atores de carne e osso e digitaliza-os na tentativa de torná-los mais reais. Mas nesse caso, a animação não é utilizada na tentativa de recriar com perfeição as formas humanas dos atores por trás das vozes, e a preferência aqui está na criação de formas mais cartunescas para os personagens, o que torna o filme muito mais divertido e verdadeiramente com cara de desenho animado. Mas mesmo se tratando de uma animação protagonizada por crianças e criada direcionada a esse público, “A Casa Monstro” possui uma história que pode até ser considerada um pouco pesada (uma casa sedenta de vingança e engolidora de pessoas não é algo muito leve ou infantil), cheia de momentos realmente assustadores. Por outro lado, o filme é repleto de cenas alucinantes, misturadas com um ótimo senso de humor que com certeza agradará bastante os pimpolhos e seus acompanhantes.
Como defeito, a história apresenta alguns absurdos primários e impressionantes como: a ausência de pessoas nas ruas, mesmo com todo o barulho e destruição causados pela casa enlouquecida em determinado momento do filme; D. J. apresenta sinais de sua puberdade logo no início do filme, o que não é mais abordado em nenhum momento, o que torna a cena, engraçada por sinal, completamente desnecessária; em determinado momento do clímax do filme, um paciente chega à casa em uma ambulância, e parece que os animadores simplesmente esqueceram de incluir os para-médicos que deveriam acompanhar o paciente; e por aí vai. Felizmente, nada que estrague o filme, que vale muito a pena ser visto.

Superman - O Retorno

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Direção: Bryan Singer.
Elenco: Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Frank Langella, Parker Posey, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Kal Penn, David Fabrizio.

Pois bem, depois de um bom tempo fora das telas, roteiros jogados fora, diretores sondados, atores preteridos, finalmente o azulão está de volta. O ponto de partida considerado foi Superman II, que na minha humilde opinião é bem inferior ao Superman I, mas isso não vem ao caso. Na ocasião o Super havia derrotado Zod e sua gangue, feito amor com Lois, e no final usou o beijo do esquecimento, e a coitada da Lois não sabe mais que o Clark é o Super, ou vice-versa. Coloque uma janela de cinco anos, e pronto, podemos começar a falar de Superman - O Retorno. O Super havia passado todo esse tempo em busca de resquícios de seu planeta natal, Lois Lane se tornou mãe e está noiva do sobrinho do diretor do Planeta Diário. Lex Luthor está estranhamente em liberdade, por uma razão ainda mais estranha, e continua maquinando a mesma coisa de sempre. O esqueleto do roteiro, se é que usam esse termo pra roteiro, é quase idêntico ao do Superman I, o que tornou a história um pouco cansativa e obviamente repetitiva. Ao mesmo tempo eu banco o advogado do diabo e penso: como você faria para matar o Super? Todos sabemos a resposta. Não tem como fugir, é a fraqueza, o calcanhar de Aquiles do cara. O casting não foi dos mais felizes, atores jovens pro papel do casal principal. Mas pior que a aparência foi ver uma Lois sem um pingo de “eletricidade” da Lois de Superman II, uma Lois extremamente meiga, talvez seja a maternidade que mudou a vida dela, mas foi muito estranho essa mudança. O “destaque” dela é simplesmente ter um olho azul e outro verde. Brandon não chega a fazer feio, foi até bem demais, porém não conseguiu o mais importante em ser Superman, que é se dividir em dois, Clark e Superman, que obviamente vai bem mais além de um óculos e uma cabelo. Não chega a comprometer o filme, mas se você ver o Superman I perceberá o que estou falando. Singer tentou agradar à todos e reuniu características de tudo relacionado ao Super, obviamente os filmes anteriores, os famosos quadrinhos e, para minha grata surpresa, Smallville. Entendo a dificuldade de lidar com um ícone desse tipo, mas O Retorno não foi essa maravilha toda, apesar de todo seu aparato técnico de excelente qualidade, que pela grana gasta não poderia ser diferente, o filme fica devendo uma boa parte de aventura, como deve ser toda história de super-herói. Nada contra um Superman emotivo, eu inclusive gostei muito do Hulk do Ang Lee. Por causa da parte técnica excelente você pode sair do cinema com a idéia de ter visto um excelente filme, mas espere a adrenalina baixar, pense bem e deixe a razão dominar e vai perceber que é um bom filme, até melhor que Superman II, mas bem inferior ao Superman I. Recomendo que revejam os filmes anteriores, mesmo que isso apague um pouco o brilho da sua nostálgica lembrança de infância. Afinal de contas, coisas boas não envelhecem, mas infelizmente a maturidade é cruel e pode tornar algumas coisas que eram boas ruins.

Posseidon

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Direção: Wolfgang Petersen.
Elenco: Josh Lucas, Kurt Russell, Jacinda Barrett, Richard Dreyfuss, Jimmy Bennett, Emmy Rossum, Kevin Dillon.

Um filme com um super orçamento (140 milhões de dólares) sobre um enorme navio que afunda no meio do oceano matando centenas de pessoas, utilizando efeitos visuais de última geração, com cenas fortes e cheias de adrenalina e personagens retiradas diretamente da “enciclopédia cinematográfica de clichês para filmes descerebrados norte-americanos”, como tentativa de esconder a mediocridade do roteiro (e passando muito, mas muito longe de conseguir), não é novidade desde que um certo James Cameron encheu os bolsos de dinheiro e a estante de prêmios no início da década de 90.
Posseidon é um grandioso e luxuosíssimo navio, que na noite de reveillon, é vítima da força destruidora de uma grande tsunami, que o vira de cabeça para baixo e força os sobreviventes do desastre a uma desesperadora e perigosa luta pela sobrevivência.
Wolfgang Peterson (Tróia e Mar em Fúria), realiza o remake do filme o “Destino do Posseidon”, mudando a característica do filme, que passa de “filme catástrofe de suspense” para “filme de ação com super herói sabe tudo, que apesar de todas as absurdas dificuldades enfrentadas salvará um punhado de pessoas, inclusive a “surpreendente” única criança da história, no final”. Mas se Peterson erra em alterar o clima da obra original, acerta na dose de realismo colocada no acidente. É inimaginável em um acidente dessa magnitude, a presença de corpos em toda a extensão do navio. E nesse quesito, o diretor não poupa o espectador em nenhum momento, mostrando sempre a gravidade da situação através do número de vítimas encontradas pelos personagens principais.
No mais, é só ficar aguardando a morte dos personagens menos importantes e rir do plano mirabolante de fuga dos sobreviventes (alguém duvida que dá certo?). Posseidon é mais um daqueles “pipocões” que até chegam a divertir (os efeitos especiais são ótimos) durante a exibição, mas infelizmente, nunca passa disso.

eXistenZ

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Direção: David Cronenberg.
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Willem Dafoe, Ian Holm, Don McKellar, Callum Keith Rennie, Sarah Polley, Christopher Eccleston.

Allegra Geller (J. J. Leigh) é a maior criadora de jogos em realidade virtual do mundo e funcionária da mega corporação Antenna Research. Em um encontro promovido pela empresa com a presença de Allegra e outros jogadores para testar um novo e revolucionário jogo chamado eXistenZ, é atacada por um estranho grupo terrorista contrário ao jogo e tem que fugir para salvar sua vida e não ter seu trabalho destruído, com a ajuda de um simples funcionário (Jude Law) da Antenna. Os jogos são rodados em uma espécie de ser vivo, com implantes eletrônicos retirados de animais mutantes e conectados diretamente a coluna dos jogadores, que são assim transportados a uma estranha realidade, onde o que é real pode ser facilmente confundido com o imaginário. Um dos maiores destaques do filme é, com certeza, o excelente elenco que Cronemberg conseguiu reunir. Com pontas de ótimos atores, como Ian Holm, Willem DaFoe e Sarah Polley. Uma fraca compensação para a já batida história de confusões envolvendo múltiplas realidades. O grotesco está, juntamente com o estranho, de volta à obra de David Cronemberg. “eXistenZ” segue exatamente a mesma linha de outros importantes filmes do Diretor, como “Videodrome” (principalmente) e “A Mosca”. Sinceramente, prefiro seu lado “Marcas da Violência” e apesar de essa não ser uma obra de fácil digestão, provavelmente agradará apreciadores de ficção científica e os fãs mais puristas do diretor.

O Código da Vinci

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Direção: Ron Howard.
Elenco: Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno, Paul Bettany, Alfred Molina, Jürgen Prochnow, Jean-Yves Berteloot, Etienne Chicot, Jean-Pierre Marielle.

Finalmente estreou o tão esperado (!) e polêmico filme do ano. Desde A Paixão de Cristo não se fazia uma celeuma a cerca de um filme. E graças a tanto rebuliço por parte de xiitas imbecis, O Código da Vinci se tornou a segunda maior bilheteria de estréia até hoje. Se vale a pena assistir? Coma bosta, milhões de moscas não devem estar erradas. Brincadeirinha. Se fosse para pendurar um rótulo seria: nem tanto. Porque não é tão ruim quanto a crítica falou, nem tão bom quanto a bilheteria faz parecer. Não vou entrar no mérito da qualidade literária do livro do Dan Brown, eu só sei que até quem não sabe lê, leu. Mas a grande falha do filme é justamente acreditar nessa última frase. Pois nem todos leram o livro, não era pra ser pré-requisito. E como diria um sábio: filme é filme e livre é livro (o mesmo inventor do clássico é clássico). Para suprir a necessidade de tanta informação foi usada a técnica dos flashbacks, que é legal quando bem usada, mas não é o caso. Fica difícil para mim que leu o livro, saber se alguém que não leu o livro vai entender completamente o filme. Mas se for para apostar eu digo: duvido que entenda completamente. Buracos dignos de um queijo suíço. Por falar em comida, mas que vergonha um casal de protagonistas tão sem sal. Hanks até tenta, mas é limitado pela pouca chance de apresentação do seu personagem. Já nossa Amelie Poulain está apagada, sem ritmo, sem química, sem física, matemática, inglês, etc. Depois de celeuma, é a vez de usar a palavra sinestesia, que falta de sinestesia entre esse casal. Já nosso Magneto, Gandalf, mata a pau como sempre, e só não mostra o pau porque ele gosta é da cobra (ui!). No bom e velho malandrês, o velho se garante. Se Ron Howard fosse esperto, teria se preocupado mais com o roteiro, teria retirado apenas a boa trama do livro e deixado de lado tanto clichê que tem nos livros do Dan Brown. Mas o que mudou não melhorou em nada, e algumas vezes até piorou. Para agradar a todos ele fez um Langdon defensor da Igreja Católica (que meigo, que politicamente correto, se não fosse um lixo). Na tentativa de agradar todo mundo e abraçar o mundo com as pernas acabou sumindo algo, e sabemos aonde foi parar. Mas uma história assim precisa ser contada no cinema. Estava tudo pronto, era só filmar, mas ainda erraram, e muito.

 
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