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Um Olhar No Paraíso

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Direção: Peter Jackson.
Elenco/Vozes: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Saoirse Ronan, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Nikki SooHoo, Michael Imperioli, Amanda Michalka.

Peter Jackson deixa de lado os mega projetos, como O Senhor dos Anéis e King Kong, e volta às origens, do tempo de Almas Gêmeas. Um Olhar no Paraíso é um dramalhão, e infelizmente me fez lembrar, em alguns momentos, aquele filme ruim com o Robin Williams, Amor Além da Vida. Principalmente pelos momentos psicodélicos empregados por Peter Jackson para mostrar o paraíso.

Paraíso esse, habitado pela protagonista do filme, aquela mesma menina estranha de Desejo e Reparação, por sinal uma boa atriz. Susie Salmon (como o peixe) é assassinada brutalmente logo no início do filme. “Morando” nesse tal paraíso, essa menina de 14 anos assiste todo o sofrimento que sua família (pai, mãe, irmã mais nova) atravessa devido ao fato ocorrido.

Sugerindo uma ordem natural das coisas, o roteiro apresenta várias transições de sentimentos durante o filme. Já falei sobre angústia, depois vem o desejo de vingança, perfeitamente natural nesse contexto. Mas diferente de outros filmes que focam apenas nesse sentimento e terminam extravasando, muitas vezes sem mostrar consequências disso, outra transição ocorre. E não é simplesmente o sentimento de perdoar. Soou mais como uma aceitação, junto da justiça/providência divina.

Falando um pouco das demais atuações, temos Mark Wahlberg sem graça como sempre. A charmosa Rachel Weisz nada pode fazer para ajudar, muito pouco usada. E ainda tem um surto e fica fora de casa um tempo. Por sorte, temos um psicopata bem feito por Stanley Tucci, que mesmo não sendo grandes coisas é uma das boas atuações do filme. Um personagem caricato, mas bom. Enfim, esperei bem mais do filme, e as expectativas não foram atendidas, mesmo assim é um bom filme.

A Órfã

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Direção: Jaume Collet-Serra.
Elenco: Isabelle Fuhrman, Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Aryana Engineer, Lorry Ayers.

Tenho extrema admiração por atuação de astros mirins em filmes adultos, especialmente em filmes de terror. E desde muito tempo as crianças vem provando que são capazes de se colocar a frente de um projeto e por algumas vezes roubar a cena. Baseado nessas tendências, a mais nova criança- prodígio do mal está em A órfã – um filme de suspense que impressiona mais pela atuação de sua protagonista do que pelo seu conteúdo. A direção fica a cargo de Jaume Collet-Serra diretor de A Casa de Cera – portanto esqueça a referência.

Uma família perfeita, um casal e dois filhos lindos – na verdade eram três – pois um fato trágico tira a vida de um deles, antes mesmo de nascer, fato que chega a abalar a estrutura do casamento dos pais e fazendo com que a esposa mergulhe no alcoolismo e tenha pesadelos a noite com o ocorrido. Vera Farmiga (excelente atriz) e Stellan Sarsgaard são os chefes de família, e mesmo diante da perda eles decidem apelar para uma adoção. E em meio a tantas crianças pequenas dóceis e bonitas, o marido cruza justamente com uma já crescidinha. Esther é a imagem da fragilidade e delicadeza. Sem ninguém no mundo, ela canta, pinta e se mostra esperta e parecendo adivinhar os rumores que a família vem enfrentando, não demora para que Esther caia nas graças do casal.

Esther vai morar com seu novos país adotivos e a impressão de estranheza na garota só tende a aumentar cada vez mais. Sempre com vestimentas grandes e uma Bíblia na mão a garota começa a ser hostilizada pelos colegas e até pelo seu novo irmão. A mãe (sempre) é a primeira a notar que as coisas não andam bem – a garota sempre aparece quando o casal está em suas intimidades e é capaz de chantagear qualquer um, sempre baseando-se nas fraquezas cuidadosamente estudadas por ela- o que chama a atenção da mulher. Mas quem vai acreditar numa alcólatra?

Existe uma boa dose de tensão no filme, por exemplo – há uma cena em que a câmera entra dentro de um brinquedo de criança num parque transformando o local em algo claustrofóbico. O filme tem alguns momentos polêmicos também colocando crianças pequenas em meio a cenários de assassinatos e até uma cena de sedução incrível, por parte da diaba. A atuação da atriz Isabelle Fuhrman diga-se de passagem foi elogiada em todos os lugares onde o filme chegou porém o filme não vai muito longe, mostrando que veio mesmo fazer barulho e desconforto. A grande diferença aqui é o clímax do filme – ou a grande explicação – que não deixa de causar espanto, mas é um pouco difícil de engolir quem é Esther.

Marcelo Ferreira

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Choke: No Sufoco

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Direção: Clark Gregg.
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.

Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão alocados na sociedade, convivendo trabalhando e assexuando por aí. Quem não lembra, foi ele quem escreveu o livro que originou Clube da Luta, que se tornou um dos melhores filmes da década passada. O mérito caiu sobre David Fincher, mas o autor de toda aquela paranóia foi Chuck Palahniuk.

Em sua segunda adaptação para as telas, o filme não teve reconhecimento nenhum nos cinemas estreando apenas em algumas sessões na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, chegando diretamente nas locadoras, e o motivo pelo qual há tanta subestimação se deve ao fato de que as obras desse cara são fortes, tocantes e corrosivas demais para o espectador médio, digamos assim.

Victor Mancini é um desses errantes que figuram nas histórias do autor, vive de aplicar golpes em restaurantes se sufocando com a própria comida, frequenta grupos de auto-ajuda para viciados em sexo, apenas com o intuito de conhecer mulheres e praticar mais sexo. O único emprego que o cara consegue é num museu ao ar livre, onde ele é obrigado a se vestir como se estivesse em 1700. Tem uma mãe internada a beira da sanidade, com o Mal de Alzheimer (Anjelica Huston, ótima) a qual precisa de um tubo intestinal para se alimentar direito. O melhor amigo de Victor é um cara tão maluco quanto ele que coleciona pedras e se masturba incontrolavelmente.

O filme transcorre em meios a essas sucessões bizarras e aos diálogos causticantes que fazem mais efeitos nas páginas do livro, pois há ótimas sacadas no livro, como o fato de que a mãe de Victor conta a ele que ele é o filho do Messias, por causa de um prepúcio sagrado roubado. Esses momentos passam despercebidos na tela, mas não porque o diretor Clark Gregg (que também atua no filme como o Lorde High Charlie) não sabe aproveitar o material de Chuck, mas por que as histórias do cara beiram o inadaptável.

Em Choke: No Sufoco, assim como em Clube da Luta, há uma grande surpresa no desfecho final, mas até isso fica comprometido nas telas, causando mais impacto na leitura mesmo. No mais, o filme é uma alegoria ácida contra a sociedade e seus podres, um filme totalmente injustiçado mais pelo fato da complexidade da história, que para um maior aprofundamento e diversão seria mesmo excursionando nas páginas do livro desse autor.

Marcelo Ferreira

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O Último Trem

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Direção: Ryuhei Kitamura.
Elenco: Bradley Cooper, Vinnie Jones, Leslie Bibb, Brooke Shields, Roger Bart, Tony Curran.

Clive Barker nunca teve tanto reconhecimento como Stephen King, embora seus contos ultrapassassem os limites da realidade, e mesmo pouco adaptado para o cinema Clive teve seu maior reconhecimento quando fora adaptado através do conto “The Hellbound Heart” que deu origem ao clássico Hellaiser. Um escritor do porte de Clive jamais poderia ficar de fora das adaptações do mundo do horror e da fantasia, e melhor ainda, não poderiamos nos contentar com meras adaptações.

Quem já teve o prazer de acompanhar os Livros de Sangue deve ter ouvido falar em “The Midnight Meat Train”, um dos maiores feitos desse autor de contos fantásticos, e que mora hoje com seu maridão em Los Angeles.

Ano passado, O Último Trem aportou em milhares de lugares (exceto nos lugares onde deveriam passar, ou seja, os cinemas) e causou uma certa expectativa nos fãs de carteirinha desse autor que desafia a imaginação de seus fiéis leitores. A história, não é exatamente a que vemos na tela, já que o conto de Clive tem apenas 40 páginas e mesmo assim o diretor Ryuhei Kitamura não consegue dar a vitalidade necessária que fomos brindados ao ler The Midnight Train. O medo que passa nas veias do leitor, aqui é transportado para a película num amontoado de sangue artificial que chega a impressionar, mas como sempre acontece nas adaptações de tudo quanto é material, a obra é sempre feita para a grande maioria, para evitar o fracasso. Assim, boicotaram o filme para que não estreasse nas telas grandes.

O Último Trem, conta a história do fotógrafo Leon Kaufman (Bradley Cooper) que tem em suas mãos a tarefa de realizar um ensaio fotográfico para uma galeria de arte que tenta mostrar a obscuridade por trás das facetas humanas, e ao iniciar seu trabalho numa estação de trem, o infeliz fotógrafo encontra o açougueiro Mahogany (Vinnie Jones), uma espécie de Jason Voorhees dos subterrâneos que mata as suas vítimas por uma causa muito estranha. Kaufman vê diante dos olhos a oportunidade da sua vida em desempenhar um trabalho acima do esperado, sem se dar conta de que esse encontro pode custar muito mais que a sua própria vida.

O filme só desaponta mesmo os maiores fãs de carteirinha do autor, pois ainda com toda essa embromação e obviedades da história, o japonês Kitamura dá um show para os admiradores por cinema de terror com bastante violência gráfica. O uso da câmera nas horas do massacre – diga-se de passagem uma certa cena onde a câmera rodopia exatamente de acordo com o impacto da martelada que uma infeliz recebe do açougueiro – com extremo requinte de crueldade. E mesmo esticando a história, o diretor ainda não sabe o que fazer com o final do filme, achatando o clímax do filme com uma desculpinha que não passa despercebido para os fãs do autor. Agora para quem leu a história, e ficou eriçado até com o desfecho da história, essa adaptação precisou mesmo de uma mão firme.

Marcelo Ferreira

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Um Louco Apaixonado

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Direção: Robert Weide.
Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges.

Qualquer um que conheça Simon Pegg sabe que ir ao cinema para vê-lo é risada garantida. Por outro lado, quem não conhece, precisa ser atingido por outros ângulos, como a chamada do filme, direção, atores e atrizes, enfim. Quero falar especialmente do nome, em primeiro lugar.

Como um filme com o nome “How to lose friends and alienate people” foi se tornar “Um louco apaixonado” ?
O título pouco atrativo ao estilo Sessão da tarde acabou cortando o brilho de um filme que tinha tudo para ser no mínimo uma comédia digna de ser bem-curtida.

A simplicidade do roteiro é evidente, as atuações não estão geniais, não há elementos e referências artísticas absurdas, é simples; o filme é basicamente Simon Pegg e seu jeito britânico de fazer humor. Uma mistura de Austin Powers ao estilo tosco de Mr. Bean, com uma historia pouco elaborada, porém cativante.

“Um louco apaixonado” é um filme ótimo para quem quer ir ver um filme onde você não precisa ficar pensando muito para entender cenas, partes, palavras-chave, sacadas, e todas essas coisas que hoje em dia estão tomando conta do cinema. Coisas essas que, às vezes acabam tirando de foco o objetivo principal de muitas pessoas que vão ao cinema: o entretenimento.

Iuri Genovesi

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Modelos Nada Corretos

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Direção: David Wain.
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb’e J. Thompson, Elizabeth Banks.

A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo essa teoria para explicar Modelos Nada Corretos (Role Models), filme estrelado e roteirizado por Rudd e comandado por David Wain, outro cineasta com quem o ator trabalha com frequência.

A comédia, que conta ainda com Sean William Scott (o eterno Stifler de American Pie) e a jovem revelação Christopher Mintz-Plasse (Superbad, É Hoje), aborda de maneira escapista e desencanada questões como a falta de maturidade, vida em família e a importância da amizade. Danny (Paul Rudd) e Wheleer (Sean William Scott) são dois amigos que trabalham juntos vendendo energético em escolas primárias. Danny é um adulto amargo que odeia o emprego sem perspectivas. “Estamos vendendo mijo nuclear de cavalo à 6 dólares a lata.” . Pra piorar está em crise com a namorada Beth (Elisabeth Banks) com quem namora há sete anos. Wheleer é um “adultescente” que se não se apega a nada, a não ser ouvir Kiss e ter noitadas de sexo com mulheres desconhecidas. “Adivinha o que eu fiz ontem à noite?”, diz ele esticando dois dedos na cara de Danny após ser deixado na porta do trabalho por uma mulher num conversível.

A vida fugaz e sem grandes objetivos que ambos levam é interrompida por dia ruim. Ao se envolverem numa briga e baterem a caminhonete em horário de trabalho, eles são obrigados a prestarem 150 horas de serviços comunitários numa instituição de caridade. Ou cumprem o serviço ou vão para a cadeia. O trabalho será cada um apadrinhar uma criança carente. Acontece que a dona da fundação não vai com a cara deles e escolhe logo os dois piores alunos. Danny fica responsável por Augie (Mintz-Plasse), um nerd alienado que passa o dia fantasiado de cavaleiro na companhia de outros nerds participando de RPG ao vivo. Já Wheleer tem sob seus cuidados o delinquente Ronnie (Bobb Thompson), um garoto pervertido e boca suja.

Após o estranhamento inicial, as coisas começam a ir bem para Wheleer e Ronnie. De encrenqueiro, o garoto passa a admirador do seu padrinho emprestado. Há momentos impagáveis entre os dois. Como na cena onde o adulto o ensina a “observar os peitinhos” ou quando ele lhe dá a definição oficial do Kiss: “Eram judeus que cresceram em Nova Iorque, tocavam guitarras e usavam maquiagem para pegar garotas. Todas as músicas deles são sobre transar!” O mesmo não acontece com Danny que não suporta muito o mundo de fadas e elfos de Augie. Começa a simpatizar com o garoto apenas quando conhece sua tortuosa vida familiar composta por uma mãe relapsa e um padrasto negligente.

Sem se apegar muito no drama pessoal dos personagens Modelos Nada Corretos ganha pontos nas piadinhas infames que misturam besteirol com referências cinematográficas. Tudo bem que um garoto de 8 anos nunca tenha ouvido falar na Jéssica Tandy e diga “Foda-se Miss Daisy” no filme. Pois essa despretensão é levada até o fim trama, sem descambar em moralismos ou lições de vida como acontece em muitas comédias pastelão. Em compensação é nas gags mais físicas e nas tiradas mais pesadas que o filme perde pontos. Homens, sem dúvida, irão apreciar mais o longa do que as mulheres já que ele aborda a questão do companheirismo entre amigos – que convenhamos, tem uma dinâmica diferente da amizade feminina. No fim das contas, é um filme alto astral que se não é do nível dos trabalhos de Judd Apatow ao menos é um entretenimento divertido, sem grandes ambições além de arrancar risadas do espectador.

Charles M. Helmich

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Pagando Bem, Que Mal Tem?

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Direção: Kevin Smith.
Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jason Mewes, Brandon Routh, Justin Long.

Miri: Ninguém quer ver a gente transando.
Zack: Todo mundo quer ver qualquer um transando!

Nas congregações nerd espalhadas pelo mundo, Kevin Smith é rei. Fora delas, também. Cineasta e especialista em quadrinhos, não é difícil simpatizar com o trabalho dele. A naturalidade e o humor ácido com o qual aborda temas como sexo, amizade, amor e morte fazem dele o filho nerd que o Woody Allen não teve. Em seu novo filme Pagando bem Que Mal Tem?, Smith invade um submundo que embora muita gente dê uma espiadinha, ainda é visto como algo marginal pela sociedade: a pornografia.

Zack (Seth Rogen) e Miriam (Elizabeth Banks) são amigos de infância que moram juntos há 10 anos. Nesse tempo todo nunca houve nada na intimidade deles além de amizade e cumplicidade. Quando comparecem juntos no encontro da turma do segundo grau percebem o quanto a vida deles está estagnada. Nadando em dívidas e torrando dinheiro onde não devem, eles resolvem fazer um filme pornô e distribuí-lo na internet para organizar as contas e conseguir uma grana extra. Selecionado o “elenco” do filme eles iniciam as filmagens acreditando que o sexo não irá prejudicar a amizade deles. O resto, todo mundo que já assistiu alguma comédia romântica sabe…

Maaasss, nem todas as comédias românticas são comandadas por Kevin Smith. Embora seu novo trabalho não chegue aos calcanhares de Procura-se Amy – e as referências a Star Wars sirvam apenas pra encher linguiça – o diretor não decepciona seu público. Até os últimos 30 minutos, o filme é um entretenimento sarcástico e politicamente incorreto. Com cenas grotescas e piadinhas infames – “A Paris Hilton, deu para um cara num vídeo de visão noturna e agora vende perfumes para adolescentes” – “Pagando Bem, Que Mal Tem?” se sustenta na despretensão, mas perde o clima quando cai no lugar-comum do romance.

Interpretando o mesmo estereótipo de outras comédias, Seth Rogen mostra que é ótimo nesses papéis de “adulto irresponsável que teima em amadurecer”. O próprio Smith admitiu que procurava alguém como ele para atuar nos seus filmes, e que Rogen acabou encaixando perfeitamente no papel. Uma novidade na produção foi a presença de Katie Morgan. Famosa no ramo de filmes adultos, a atriz pornô mostrou no filme aquilo que sabe fazer melhor.Sorte do Jason Mewes que contracenou com a beldade em cenas até bem picantes.

Embora já tenha utilizado um texto até mais execrável em trabalhos anteriores, Kevin Smith teve problemas para divulgar o novo filme cujo nome original é Zack and Miri Make A Porno. Primeiro o pôster original foi barrado porque foi considerado obsceno. Smith alterou e em seguida emissoras de TV se recusaram a divulgar o filme. Motivo? A palavra pornô. Ou seja, uma palavra que vale mais que mil imagens. Curioso, não? Kevin Smith deve ter ficado satisfeito. Pois nada é mais nerd do que inverter a lógica…

Charles M. Helmich

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Dúvida

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Direção: John Patrick Shanley.
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams, Viola Davis, Alice Drummond, Audrie J. Neenan, Susan Blommaert, Carrie Preston.

Na superfície ornamentada da sacristia da igreja St. Nicholas, no Bronx, o padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) declama seu sermão com palavras macias e serenas: “O que vocês fazem quando não têm certeza de algo?”. Estamos em 1964, ano seguinte à morte do presidente John Kennedy, a quem o pároco utiliza como metáfora para exemplificar o estado de desorientação que por vezes sentimos. Seu rosto revela feições harmoniosas na medida em que desfaz os nós de sua parábola sobre o sentimento de dúvida, tópico principal do seu discurso.

Em meio ao sermão, um vulto negro se levanta e anda na direção do padre. As botas lustrosas espocam no chão em passadas pesadas e onipotentes. Quase ao pé do altar, a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) ouve a oratória de queixo erguido e olhar de reprovação contida. O rosto impetuoso não esconde a frustração.

Com esse prelúdio de seres opostos podemos pressentir a atmosfera de conflito que virá em Dúvida, segundo trabalho do há muito tempo oscarizado diretor e roteirista John Patrick Shanley. O filme destacou-se na cerimônia do Oscar por arrebatar cinco indicações, quatro delas nas categorias de atuação. Meryl foi indicada a melhor atriz e Hoffman a ator coadjuvante, enquanto Viola Davis e Amy Adams se enfrentaram no prêmio de atriz coadjuvante. A outra indicação foi pelo roteiro adaptado de uma peça de teatro escrita pelo próprio cineasta.

O epicentro da polêmica abordada no filme se dá na escola da paróquia, onde a irmã Beauvier imprime aos alunos e professores um regime mão de ferro .“Lamento terem permitido canetas-tinteiro aqui na escola. Hoje em dia é tudo do jeito mais fácil”, pragueja ela para uma professora. Padre Flynn tem idéias moderadas e tenta aos poucos fazer a diretora adaptar-se aos novos tempos. As idéias progressistas do pároco e seus sermões nada convencionais perturbam a religiosa devota. E quando irmã James (Amy Adams) levanta suspeita dele num suposto caso de abuso sexual a um aluno, irmã Beauvier encontra o bote certeiro para expulsá-lo da paróquia. Aí é que as interrogações se salientam sobre nossa cabeça. Será que o padre, tão bonzinho e dedicado, é realmente o culpado? Ou a diretora, mais simpática do que uma bacia de roupa suja, é paranóica e se apega em convicções cegas?

Embora o conflito travado entre os religiosos na trama se passe nos anos 60, a questão reflete um problema atual do sacerdócio católico: a pedofilia. Shanley, que no currículo de diretor tem apenas Joe contra o Vulcão, conseguiu em feito notável em 1987. Com o roteiro que escreveu para Feitiço da Lua , ajudou a cantora Cheer a ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Em Dúvida, o grande mérito do texto é impor uma dinâmica de mistérios e incertezas nos personagens. O menino que sofre o abuso, por exemplo, demonstra o oposto do rancor quando vê o padre. A mãe do garoto (Viola Davis) talvez saiba a verdade, mas prefere ser obtusa em relação ao assunto. A irmã James, por sua vez, ora acredita ora duvida do que aconteceu.

O desfecho distribuiu pistas para os dois lados para onde a verdade potencialmente se enverga. E aí está um grande mérito do filme. O dualismo dúvida versus certeza, tolerância versus ceticismo travado pelos protagonistas é uma pedrada que escurece o lago de soluções idealizadas pelo espectador. E como o padre Flynn antecipa no seu primeiro sermão: “A dúvida pode ser um elo tão poderoso e sustentável como a certeza”.

Em Dúvida, a intenção de Shanley como cineasta é das melhores, mas sua inexperiência atrás das câmeras ofusca um pouco o resultado. Já as atuações de Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman são tão grandiosas quanto inverossímeis. Embora dêem um show de interpretação vemos de mais os atores e de menos seus personagens. É o que se pode chamar de incongruências do talento…

Charles M. Helmich

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Max Payne

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Direção: John Moore.
Elenco: : Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris ‘Ludacris’ Bridges, Chris O’Donnell.

Mark Wahlberg é um dos caras mais marrentos do cinema e essa marra vem desde a época que ainda se chamava Marky Mark, um rapper marrento. Enfim o cara é fera! Sou admirador do seu trabalho no decorrer desses anos e por isso agradeço por ele ter saido da música e se tornado um ícone pop do cinema.

Por ser um ator bastante adaptado a papéis fortes, violentos e marrentos, ele caiu como uma luva na pele de outro sujeito “esquentado”, Max Payne, e podemos ver seu desempenho em alguns filmes, como Uma Saída de Mestre e Quatro Irmãos.

Basta lembrar que em 2007 Mark Wahlberg foi indicado ao Golden Globe Awards e ao Oscar, por sua interpretação em “Os Infiltrados” e foi indicado a mais 4 premiações importantes pelo mesmo papel.

Max Payne tem uma história semelhante ao Frank “Justiceiro” Castle, mas com objetivos bem diferentes. No entanto, o seu sofrimento, a sua loucura e o seu desejo de vingança não deixam nada a dever ao nosso amigo Frank, pois ambos vivem com os dentes cerrados e armados com trabucos para lidar com a escória do mundo.

Um jogo de tiro em terceira pessoa que narra a história do policial Max Payne, que ao se infiltrar na máfia com o objetivo de investigá-la, vê a máfia e a própria polícia se voltarem contra ele. Isso o coloca numa vingança sem controle contra os fantasmas da sua vida. Isso mesmo, o filme é baseado nesse jogo! Confesso que após fazer minha pesquisa sobre o jogo e assistir ao filme, fiquei com vontade de jogá-lo…por enquanto só na vontade. Voltando ao filme, posso dizer que ele retrata bem o jogo, buscando ser o mais fiel possível. Mas conversando com algums viciados no jogo, fiquei sabendo que a voz do Mark Wahlberg não ficou muito boa. E ainda tem mais: os amantes do jogo ainda me disseram que o John Bravura é de origem européia e na adaptação para o cinema tornou-se um afro-americano interpretado pelo rapper chamado Ludacris. Também vemos o Fernando – Prison Break, bem diferente.

O filme usa muito o efeito “bullet time” que foi criado e muito explorado no filme Matrix, sendo o que o jogo usa muito mais do que o próprio filme. Outra coisa muito perceptível são as formas de coreografia dos personagens e movimentos de câmera que tornam-se um show à parte.

A história do filme é contada como num “film noir”(estilo de filme primariamente associado a filmes policiais, que retrata seus personagens principais num mundo cínico e antipático – definição da Wikipedia), o que pode ser notado na moralidade do próprio Max Payne. Também é marcante no filme a presença de elementos da mitologia nórdica na forma de nomes como valquíria, aesir, e a noite sob uma terrível tempestade de neve em alusão ao ragnarok, o fim do mundo. Pode não parecer, mas é um filme policial com requintes sobrenaturais.

O enredo do filme é basicamente o mesmo do jogo, diferenciando-se por algumas adaptações, mas trata-se da história de Max Payne, um policial que estava se tornando bem sucedido. Tinha se casado, acabou de ter uma filha e via o sonho americano se realizando em sua vida. Tudo acabou no dia em que sua casa foi invadida por viciados pela droga Valquíria enquanto estava no trabalho, e acabam por assassinar sua esposa e sua filha.

Max Payne então disposto a tudo para ter uma vingança sem limites e sangrenta contra tudo e todos. Apesar do filme ter uma numerosa quantidade de beldades por metro quadrado, outro chamariz do filme.

Não pode deixar de falar desse filme sem falar do diretor John Moore, um irlandês responsável pelo remake de “A Profecia”, o cara fez e desfez de várias cenas , sempre procurando a melhor e inventando novas maneiras de fazê-la e armando tudo para a sequência, isso mesmo, Max Payne voltará. John Moore visa sempre a diversão do seu público, o cara ralou muito para deixar o filme interessante, mesmo porque ele também é jogador dedicado, juntou o útil ao agradável e buscou deixar o filme mais fiel possível.

Max Payne se resume da seguinte forma: Pegue um ator competente e marrento, um jogo alucinante, um roteiro inteligente e um diretor viciado em jogos de vídeo game e com uma boa pitada de efeitos especiais, aí parceiro: você tem um filme que vale a pena perder tempo em assisti-lo.

Fique até o final, após os créditos, pois se você gostar do filme e vai gostar, certamente ficará com água na boca após ver a surpresa.

“Não sei quanto aos anjos, mas é o medo que dá asas aos homens.” – Max Payne

A Duquesa

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Direção: Saul Dibb.
Elenco/Vozes: : Keira Knightley, Ralph Fiennes, Hayley Atwell, Charlotte Rampling, Simon McBurney, Dominic Cooper, Aidan McArdle.

E não é que a magrela de nome complicado, e até bonitinha, Keira Knightley tem o perfil ideal para esse tipo de filme, dito de época. Depois de Desejo e Reparação , Orgulho e Preconceito, Rei Arthur, e porque não Piratas do Caribe, agora vive a duquesa de Devonshire, Georgiana Cavendish, que viveu de 1757 a 1806. O roteiro, baseado numa história verdadeira, assim como o título do filme, tem como foco a vida da duquesa. Numa época em que as mulheres eram criadas pra casar com “grandes” homens e seus títulos.

O machismo, comum na época, permeia todo o andamento do filme, e provavelmente o público feminino sentirá repulsa; em contrapartida gostarão da história de bravura da tal duquesa. A história em si é interessante, e o roteiro flui tranqüilo e ao mesmo tempo instigante, se perde em algumas curvas, mas no fim das contas chega onde deveria. Claro que não passa de um baita dramalhão, mas o que se pode fazer se a história foi assim contada?

Deixando um pouco a Keira de lado, preciso falar sobre a atuação do Ralph Fiennes. Até agora eu não sei como classificar sua atuação, compreendo perfeitamente se alguém achar péssima, pois o cara não atuou, soprou suas falas o filme inteiro, e num lampejo de expressão ele quase sorriu, quase deu pra ver a covinha no rosto. Por outro lado, se você achar magnífica a atuação, e justificar que ele fez aquela cara, o filme inteiro, de propósito e que o personagem precisava daquilo, então ele vai ganhar o Oscar do Heath Ledger. Eu fico bem no meio dessas opiniões, até acredito que o personagem deveria ser insensível, mas não inexpressivo, são coisas totalmente diferentes. Além disso, eu nunca vi uma grande atuação dele, sempre tem essa cara de Paciente Inglês.

Um filme honesto, cumpre seu propósito, rodado na Inglaterra aproveita bem a bela paisagem e mostra uma excelente fotografia. Sua trilha não segue o embalo, é até bem chatinha pra falar a verdade, e repete todo instante, como se fosse se tornar um grande referencial no futuro. Seguindo a linha da supervalorização feminina, A Duquesa traz uma bela história de uma mulher que passa por maus bocados e ainda mantém sua dignidade e influência na medida do possível.

 
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