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À Prova de Morte

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Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Kurt Russell, Zoe Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Marley Shelton, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Marcy Harriell, Eli Roth.

Por alguns problemas com direitos de reprodução o filme chega somente agora ao Brasil, três anos depois de sua criação. O que é uma pena. O filme nos mostra a perseguição armada por um dublê psicopata a dois grupos de garotas. Não se equipara às obras que consagraram Tarantino. Contudo, para aqueles que são fãs do diretor (que é o meu caso), o filme é deleite certo.

Isto porque, estão presentes no filme marcas registradas do diretor; sangue jorrando, membros voando, violência de maneira inteligente e refinada, tomadas de câmera de lugares inusitados, mulheres se superando e dando a volta por cima, uma trilha sonora que faz qualquer um entrar no embalo do filme, diálogos espetacularmente verossímeis e até mesmo a aparição do próprio diretor. O filme proporciona vários dos elementos que ajudaram a consagrar Tarantino. Particularmente, gosto muito dos diálogos que perpassam o filme. Não que eles atinjam a genialidade do diálogo inicial de Cães de Aluguel, por exemplo. Mas eles são muito bem trabalhados, de tal forma que parece simples fazer pessoas fictícias assemelharem-se tanto a pessoas reais dialogando. Acho que este é o ponto mais forte dos filmes de Tarantino; fazer com que determinado tipo de pessoa pareça uma pessoa como todas as outras, e não um estereótipo. Em suma, Tarantino é um realmente um gênio dos diálogos e “À Prova de Morte” não deixa de ser uma demonstração disto.

Como disse anteriormente, para aqueles que admiram os trabalhos de Tarantino, o filme é uma boa opção por todos os aspectos que mencionei acima e que estão presentes no filme. Contudo, não podemos deixar de avaliar e comparar este filme com relação às obras anteriores do diretor, e com isso, notar que o filme está aparentemente longe de “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”, que o consagraram.

Henrique Torres

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Os Perdedores

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Direção: Sylvain White.
Elenco/Vozes: Jeffrey Dean Morgan, Chris Evans, Zoe Saldana, Idris Elba, Jason Patric, Columbus Short, Holt McCallany, Peter Macdissi, Óscar Jaenada, Peter Francis James.

Existe uma grande diferença entre ser um idiota e parecer ser um idiota. Muitos filmes acabam errando na medida e se tornam uma piada ao invés de fazer uma piada. Sátiras geralmente caem nessa armadilha, e se tornam mais ridículas ainda. Há uma linha tênue entre esse dois mundos. E no caso de “Os Perdedores” essa linha jamais é ultrapassada. A proposta é ser um filme divertido, mas não necessariamente ruim; outro erro que muitos cometem. Escuto o tempo todo “Ah, é um filme divertido”. Não. É um filme ruim. E pronto. Pode até ter sido feito com esse objetivo, mas existe filme divertido e bom, vide Homem de Ferro, Piratas do Caribe, e esse sobre o qual vos escrevo.

“Os Perdedores” são um grupo liderado por Clay (Jeffrey Dean Morgan, quase sósia do Javier Bardem), dono também do personagem Comediante em Watchmen, e dentre os seus comandados está Chris Evans (Tocha em Quarteto Fantástico). A missão da unidade é limpar a sujeira feita pelo governo. E numa dessas missões acabam sendo traídos, e o filme gira em torno dessa vingança. Surge então na trama a atriz protagonista de Avatar, Zoe Saldanha.

Desconheço a série de HQ que deu origem ao filme, mas trata-se de uma série criada por Andy Diggle e Jock, que foi publicada pela Vertigo/DC Comics entre 2003 e 2006. O filme é recheado de ação e de uma mistura, na medida certa, de humor entre as cenas e diálogos. “Os Perdedores” cumpre o prometido: não leve nada a sério, e se divirta. Ignore o vilão caricato, as “mentiras”, explosões, pois o filme é honesto. Honesto, essa é a palavra, “Os Perdedores” não é um filme idiota, só quer parecer.

Homem de Ferro 2

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Direção: Jon Favreau.
Elenco/Vozes: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson, Mickey Rourke, Sam Rockwell, Jon Favreau, John Slattery, Stan Lee.

Definitivamente as seqüências não conseguem manter o mesmo nível do primeiro filme. Apesar de ter gostado bastante de Homem de Ferro, confesso que não esperava muito do segundo. Tudo bem, Robert continua bem no papel de Tony Stark, os efeitos visuais continuam bacanas, mas o roteiro não evoluiu, e Homem de Ferro 2 virou um filme bobo estilo sessão da tarde.

O que poderia ter atrapalhado? Talvez, o fato do primeiro filme ter surpreendido demais. Agora era momento de elevar o nível. Trazer problemas mais sérios para o nosso egocêntrico herói (!). Precisava ser novamente sobre um vilão usando uma armadura de robô? Tem coisas que eu não entendo, chegou a me lembrar esse último filme do Hulk, a velha historinha de um vilão tão forte quanto o mocinho, mas de cor diferente. Para parecer um Davi versus Golias. Isso é baboseira demais, esqueçam isso. Não precisa ser um vilão bem elaborado como o Coringa, mas não pode ser sempre a mesma coisa.

Coitado do Mickey, nem de longe lembra o cara que fez O Lutador. Meu Deus, ele usa um palito de dente no canto da boca o filme inteiro! Clichê dos grandes, e brega. Dava vergonha ver o cara fazendo uma merda daquela. Russo? Sério, o vilão é russo? Tá bom…

Não teve um momento sequer que tivesse vontade de gritar um “URRÚ”. A apresentação do Jericó foi mais bacana do que a grande maioria das cenas do filme. Mas nem tudo é perdido, pois uma cena bacana acontece em Mônaco. Além disso, temos uma trilha completamente ACDC, muito boa por sinal. Outra coisa bacana de HOmem de Ferro 2 é ter explorado esse lance do governo tentar conseguir a tecnologia utilizada na armadura do Homem de Ferro (apesar de ser a mesma idéia do Hulk). Mas ai envolveu outro grande ator, porém mal utilizado, Sam Rockwell, como outro vilão. Inclusive o personagem de Sam ficou a cara do Gordon de Batman. Quase me esqueço da Scarlet, que faz um papel bobo e uma cena de luta também boba.

Impressão minha ou o mundo está tão politicamente correto que estão mudando a cor dos personagens dos quadrinhos?

Coração Louco

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Direção: Scott Cooper.
Elenco/Vozes: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, James Keane, Robert Duvall, Colin Farrell.

Quase impossível não associar Coração Louco ao filme do Darren Aronofsky, O Lutador. Infelizmente (!), O Lutador é bem mais consistente em vários aspectos, que pretendo explorar mais abaixo. E se for pra fazer uma análise item a item, acho que apenas a atuação do Jeff Bridges supera Mickey Rourke.

De fato, Jeff convence ao viver como um decadente músico country (Bad). E isso fica bem claro logo na primeira cena, quando o cantor chega pra fazer um show num boliche. A grana é curta até pra fazer o que ele faz de melhor, beber. Ajudado pelo carisma e poucos “fãs”, Bad vive de espelunca em espelunca tocando para pequenos públicos, enquanto seu empresário telefona oferecendo propostas de trabalhos.

Pelo menos dois grandes clichês foram evitados: o empresário aproveitador, e o pupilo ingrato. Apesar do empresário também não ser um mar de rosas, também não é um inescrupuloso e ganancioso. Já o seu pupilo é vivido por Colin Farrell, um cara que continua idolatrando e agradecendo tudo que aprendeu com o seu mentor. Inclusive convida Bad para abrir alguns shows de sua temporada.

Em contrapartida, o relacionamento amoroso vivido com a personagem de Maggie Gyllenhaal não convence, mesmo com a premissa de uma fã repórter entrevistando o seu ídolo. Outro relacionamento que não convence é de Bad com o filho de sua namorada, que rapidamente se tornam grandes amigos, e Bad vive todo aquele papo de bom tio, quase pai. Depois você entende que isso foi feito para demonstrar o quanto a família nova ia fazer bem, mas totalmente forçado e desnecessário. Assim como as cenas que Bad vai para a clínica de desintoxicação, muito rápida e não condiz com a realidade.

Assim como vem acontecendo ao longo dos anos, todo filme que ganha Oscar de melhor ator, significa que o filme é O Ator. Jeff está fenomenal, e uma grande injustiça foi reparada. Outra grata surpresa é a trilha sonora, simplesmente espetacular, e também não foi à toa que ganhou Oscar de melhor canção. Definitivamente existe música boa em qualquer estilo. Confesso que não sou fã de música country, mas depois do filme passei umas duas semanas ouvindo a trilha sonora.

Um Olhar No Paraíso

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Direção: Peter Jackson.
Elenco/Vozes: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Saoirse Ronan, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Nikki SooHoo, Michael Imperioli, Amanda Michalka.

Peter Jackson deixa de lado os mega projetos, como O Senhor dos Anéis e King Kong, e volta às origens, do tempo de Almas Gêmeas. Um Olhar no Paraíso é um dramalhão, e infelizmente me fez lembrar, em alguns momentos, aquele filme ruim com o Robin Williams, Amor Além da Vida. Principalmente pelos momentos psicodélicos empregados por Peter Jackson para mostrar o paraíso.

Paraíso esse, habitado pela protagonista do filme, aquela mesma menina estranha de Desejo e Reparação, por sinal uma boa atriz. Susie Salmon (como o peixe) é assassinada brutalmente logo no início do filme. “Morando” nesse tal paraíso, essa menina de 14 anos assiste todo o sofrimento que sua família (pai, mãe, irmã mais nova) atravessa devido ao fato ocorrido.

Sugerindo uma ordem natural das coisas, o roteiro apresenta várias transições de sentimentos durante o filme. Já falei sobre angústia, depois vem o desejo de vingança, perfeitamente natural nesse contexto. Mas diferente de outros filmes que focam apenas nesse sentimento e terminam extravasando, muitas vezes sem mostrar consequências disso, outra transição ocorre. E não é simplesmente o sentimento de perdoar. Soou mais como uma aceitação, junto da justiça/providência divina.

Falando um pouco das demais atuações, temos Mark Wahlberg sem graça como sempre. A charmosa Rachel Weisz nada pode fazer para ajudar, muito pouco usada. E ainda tem um surto e fica fora de casa um tempo. Por sorte, temos um psicopata bem feito por Stanley Tucci, que mesmo não sendo grandes coisas é uma das boas atuações do filme. Um personagem caricato, mas bom. Enfim, esperei bem mais do filme, e as expectativas não foram atendidas, mesmo assim é um bom filme.

A Órfã

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Direção: Jaume Collet-Serra.
Elenco: Isabelle Fuhrman, Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Aryana Engineer, Lorry Ayers.

Tenho extrema admiração por atuação de astros mirins em filmes adultos, especialmente em filmes de terror. E desde muito tempo as crianças vem provando que são capazes de se colocar a frente de um projeto e por algumas vezes roubar a cena. Baseado nessas tendências, a mais nova criança- prodígio do mal está em A órfã – um filme de suspense que impressiona mais pela atuação de sua protagonista do que pelo seu conteúdo. A direção fica a cargo de Jaume Collet-Serra diretor de A Casa de Cera – portanto esqueça a referência.

Uma família perfeita, um casal e dois filhos lindos – na verdade eram três – pois um fato trágico tira a vida de um deles, antes mesmo de nascer, fato que chega a abalar a estrutura do casamento dos pais e fazendo com que a esposa mergulhe no alcoolismo e tenha pesadelos a noite com o ocorrido. Vera Farmiga (excelente atriz) e Stellan Sarsgaard são os chefes de família, e mesmo diante da perda eles decidem apelar para uma adoção. E em meio a tantas crianças pequenas dóceis e bonitas, o marido cruza justamente com uma já crescidinha. Esther é a imagem da fragilidade e delicadeza. Sem ninguém no mundo, ela canta, pinta e se mostra esperta e parecendo adivinhar os rumores que a família vem enfrentando, não demora para que Esther caia nas graças do casal.

Esther vai morar com seu novos país adotivos e a impressão de estranheza na garota só tende a aumentar cada vez mais. Sempre com vestimentas grandes e uma Bíblia na mão a garota começa a ser hostilizada pelos colegas e até pelo seu novo irmão. A mãe (sempre) é a primeira a notar que as coisas não andam bem – a garota sempre aparece quando o casal está em suas intimidades e é capaz de chantagear qualquer um, sempre baseando-se nas fraquezas cuidadosamente estudadas por ela- o que chama a atenção da mulher. Mas quem vai acreditar numa alcólatra?

Existe uma boa dose de tensão no filme, por exemplo – há uma cena em que a câmera entra dentro de um brinquedo de criança num parque transformando o local em algo claustrofóbico. O filme tem alguns momentos polêmicos também colocando crianças pequenas em meio a cenários de assassinatos e até uma cena de sedução incrível, por parte da diaba. A atuação da atriz Isabelle Fuhrman diga-se de passagem foi elogiada em todos os lugares onde o filme chegou porém o filme não vai muito longe, mostrando que veio mesmo fazer barulho e desconforto. A grande diferença aqui é o clímax do filme – ou a grande explicação – que não deixa de causar espanto, mas é um pouco difícil de engolir quem é Esther.

Marcelo Ferreira

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Choke: No Sufoco

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Direção: Clark Gregg.
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.

Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão alocados na sociedade, convivendo trabalhando e assexuando por aí. Quem não lembra, foi ele quem escreveu o livro que originou Clube da Luta, que se tornou um dos melhores filmes da década passada. O mérito caiu sobre David Fincher, mas o autor de toda aquela paranóia foi Chuck Palahniuk.

Em sua segunda adaptação para as telas, o filme não teve reconhecimento nenhum nos cinemas estreando apenas em algumas sessões na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, chegando diretamente nas locadoras, e o motivo pelo qual há tanta subestimação se deve ao fato de que as obras desse cara são fortes, tocantes e corrosivas demais para o espectador médio, digamos assim.

Victor Mancini é um desses errantes que figuram nas histórias do autor, vive de aplicar golpes em restaurantes se sufocando com a própria comida, frequenta grupos de auto-ajuda para viciados em sexo, apenas com o intuito de conhecer mulheres e praticar mais sexo. O único emprego que o cara consegue é num museu ao ar livre, onde ele é obrigado a se vestir como se estivesse em 1700. Tem uma mãe internada a beira da sanidade, com o Mal de Alzheimer (Anjelica Huston, ótima) a qual precisa de um tubo intestinal para se alimentar direito. O melhor amigo de Victor é um cara tão maluco quanto ele que coleciona pedras e se masturba incontrolavelmente.

O filme transcorre em meios a essas sucessões bizarras e aos diálogos causticantes que fazem mais efeitos nas páginas do livro, pois há ótimas sacadas no livro, como o fato de que a mãe de Victor conta a ele que ele é o filho do Messias, por causa de um prepúcio sagrado roubado. Esses momentos passam despercebidos na tela, mas não porque o diretor Clark Gregg (que também atua no filme como o Lorde High Charlie) não sabe aproveitar o material de Chuck, mas por que as histórias do cara beiram o inadaptável.

Em Choke: No Sufoco, assim como em Clube da Luta, há uma grande surpresa no desfecho final, mas até isso fica comprometido nas telas, causando mais impacto na leitura mesmo. No mais, o filme é uma alegoria ácida contra a sociedade e seus podres, um filme totalmente injustiçado mais pelo fato da complexidade da história, que para um maior aprofundamento e diversão seria mesmo excursionando nas páginas do livro desse autor.

Marcelo Ferreira

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O Último Trem

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Direção: Ryuhei Kitamura.
Elenco: Bradley Cooper, Vinnie Jones, Leslie Bibb, Brooke Shields, Roger Bart, Tony Curran.

Clive Barker nunca teve tanto reconhecimento como Stephen King, embora seus contos ultrapassassem os limites da realidade, e mesmo pouco adaptado para o cinema Clive teve seu maior reconhecimento quando fora adaptado através do conto “The Hellbound Heart” que deu origem ao clássico Hellaiser. Um escritor do porte de Clive jamais poderia ficar de fora das adaptações do mundo do horror e da fantasia, e melhor ainda, não poderiamos nos contentar com meras adaptações.

Quem já teve o prazer de acompanhar os Livros de Sangue deve ter ouvido falar em “The Midnight Meat Train”, um dos maiores feitos desse autor de contos fantásticos, e que mora hoje com seu maridão em Los Angeles.

Ano passado, O Último Trem aportou em milhares de lugares (exceto nos lugares onde deveriam passar, ou seja, os cinemas) e causou uma certa expectativa nos fãs de carteirinha desse autor que desafia a imaginação de seus fiéis leitores. A história, não é exatamente a que vemos na tela, já que o conto de Clive tem apenas 40 páginas e mesmo assim o diretor Ryuhei Kitamura não consegue dar a vitalidade necessária que fomos brindados ao ler The Midnight Train. O medo que passa nas veias do leitor, aqui é transportado para a película num amontoado de sangue artificial que chega a impressionar, mas como sempre acontece nas adaptações de tudo quanto é material, a obra é sempre feita para a grande maioria, para evitar o fracasso. Assim, boicotaram o filme para que não estreasse nas telas grandes.

O Último Trem, conta a história do fotógrafo Leon Kaufman (Bradley Cooper) que tem em suas mãos a tarefa de realizar um ensaio fotográfico para uma galeria de arte que tenta mostrar a obscuridade por trás das facetas humanas, e ao iniciar seu trabalho numa estação de trem, o infeliz fotógrafo encontra o açougueiro Mahogany (Vinnie Jones), uma espécie de Jason Voorhees dos subterrâneos que mata as suas vítimas por uma causa muito estranha. Kaufman vê diante dos olhos a oportunidade da sua vida em desempenhar um trabalho acima do esperado, sem se dar conta de que esse encontro pode custar muito mais que a sua própria vida.

O filme só desaponta mesmo os maiores fãs de carteirinha do autor, pois ainda com toda essa embromação e obviedades da história, o japonês Kitamura dá um show para os admiradores por cinema de terror com bastante violência gráfica. O uso da câmera nas horas do massacre – diga-se de passagem uma certa cena onde a câmera rodopia exatamente de acordo com o impacto da martelada que uma infeliz recebe do açougueiro – com extremo requinte de crueldade. E mesmo esticando a história, o diretor ainda não sabe o que fazer com o final do filme, achatando o clímax do filme com uma desculpinha que não passa despercebido para os fãs do autor. Agora para quem leu a história, e ficou eriçado até com o desfecho da história, essa adaptação precisou mesmo de uma mão firme.

Marcelo Ferreira

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Um Louco Apaixonado

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Direção: Robert Weide.
Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges.

Qualquer um que conheça Simon Pegg sabe que ir ao cinema para vê-lo é risada garantida. Por outro lado, quem não conhece, precisa ser atingido por outros ângulos, como a chamada do filme, direção, atores e atrizes, enfim. Quero falar especialmente do nome, em primeiro lugar.

Como um filme com o nome “How to lose friends and alienate people” foi se tornar “Um louco apaixonado” ?
O título pouco atrativo ao estilo Sessão da tarde acabou cortando o brilho de um filme que tinha tudo para ser no mínimo uma comédia digna de ser bem-curtida.

A simplicidade do roteiro é evidente, as atuações não estão geniais, não há elementos e referências artísticas absurdas, é simples; o filme é basicamente Simon Pegg e seu jeito britânico de fazer humor. Uma mistura de Austin Powers ao estilo tosco de Mr. Bean, com uma historia pouco elaborada, porém cativante.

“Um louco apaixonado” é um filme ótimo para quem quer ir ver um filme onde você não precisa ficar pensando muito para entender cenas, partes, palavras-chave, sacadas, e todas essas coisas que hoje em dia estão tomando conta do cinema. Coisas essas que, às vezes acabam tirando de foco o objetivo principal de muitas pessoas que vão ao cinema: o entretenimento.

Iuri Genovesi

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Modelos Nada Corretos

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Direção: David Wain.
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb’e J. Thompson, Elizabeth Banks.

A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo essa teoria para explicar Modelos Nada Corretos (Role Models), filme estrelado e roteirizado por Rudd e comandado por David Wain, outro cineasta com quem o ator trabalha com frequência.

A comédia, que conta ainda com Sean William Scott (o eterno Stifler de American Pie) e a jovem revelação Christopher Mintz-Plasse (Superbad, É Hoje), aborda de maneira escapista e desencanada questões como a falta de maturidade, vida em família e a importância da amizade. Danny (Paul Rudd) e Wheleer (Sean William Scott) são dois amigos que trabalham juntos vendendo energético em escolas primárias. Danny é um adulto amargo que odeia o emprego sem perspectivas. “Estamos vendendo mijo nuclear de cavalo à 6 dólares a lata.” . Pra piorar está em crise com a namorada Beth (Elisabeth Banks) com quem namora há sete anos. Wheleer é um “adultescente” que se não se apega a nada, a não ser ouvir Kiss e ter noitadas de sexo com mulheres desconhecidas. “Adivinha o que eu fiz ontem à noite?”, diz ele esticando dois dedos na cara de Danny após ser deixado na porta do trabalho por uma mulher num conversível.

A vida fugaz e sem grandes objetivos que ambos levam é interrompida por dia ruim. Ao se envolverem numa briga e baterem a caminhonete em horário de trabalho, eles são obrigados a prestarem 150 horas de serviços comunitários numa instituição de caridade. Ou cumprem o serviço ou vão para a cadeia. O trabalho será cada um apadrinhar uma criança carente. Acontece que a dona da fundação não vai com a cara deles e escolhe logo os dois piores alunos. Danny fica responsável por Augie (Mintz-Plasse), um nerd alienado que passa o dia fantasiado de cavaleiro na companhia de outros nerds participando de RPG ao vivo. Já Wheleer tem sob seus cuidados o delinquente Ronnie (Bobb Thompson), um garoto pervertido e boca suja.

Após o estranhamento inicial, as coisas começam a ir bem para Wheleer e Ronnie. De encrenqueiro, o garoto passa a admirador do seu padrinho emprestado. Há momentos impagáveis entre os dois. Como na cena onde o adulto o ensina a “observar os peitinhos” ou quando ele lhe dá a definição oficial do Kiss: “Eram judeus que cresceram em Nova Iorque, tocavam guitarras e usavam maquiagem para pegar garotas. Todas as músicas deles são sobre transar!” O mesmo não acontece com Danny que não suporta muito o mundo de fadas e elfos de Augie. Começa a simpatizar com o garoto apenas quando conhece sua tortuosa vida familiar composta por uma mãe relapsa e um padrasto negligente.

Sem se apegar muito no drama pessoal dos personagens Modelos Nada Corretos ganha pontos nas piadinhas infames que misturam besteirol com referências cinematográficas. Tudo bem que um garoto de 8 anos nunca tenha ouvido falar na Jéssica Tandy e diga “Foda-se Miss Daisy” no filme. Pois essa despretensão é levada até o fim trama, sem descambar em moralismos ou lições de vida como acontece em muitas comédias pastelão. Em compensação é nas gags mais físicas e nas tiradas mais pesadas que o filme perde pontos. Homens, sem dúvida, irão apreciar mais o longa do que as mulheres já que ele aborda a questão do companheirismo entre amigos – que convenhamos, tem uma dinâmica diferente da amizade feminina. No fim das contas, é um filme alto astral que se não é do nível dos trabalhos de Judd Apatow ao menos é um entretenimento divertido, sem grandes ambições além de arrancar risadas do espectador.

Charles M. Helmich

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