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Ike - O Dia D

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Direção: Robert Harmon.
Elenco/Vozes: Tom Selleck, James Remar, Timothy Bottoms, Gerald McRaney.

O filme conta a história real de Dwight “Ike” Eisenhower, homem escolhido pelo presidente americano Teodore Roosevelt e pelo primeiro-ministro ingles Winston Churchill como comandante supremo da força aliada e todo o planejamento para a execução do Dia-D, que consistia da invasão da França ocupada pelos nazistas e o plano de retomada da Europa.

Durante todo o filme vemos a escolha de Ike dos seus comandantes, de como vai funcionar a operação dos paraquedistas, infantaria, marinha, aeronáutica, todo o detalhamento de solo e principalmente das condições clímaticas.

Alinhando um elenco afinado, e um roteiro inteligente que explora bem toda a complexidade da concepção de uma estratégia enorme como a que foi empregada no dia D, é legal analisar também que o elenco esta muito afiado, principalmente Tom Selleck, que some (no sentido positivo da palavra) na interpretação de Ike, pode ser a falta do bigode, mas ele estava muito bem.

O que me incomodou no filme foi somente minha ignorancia acerca de dois fatos. O primeiro é a forma quase perfeita que IKe é tratado. Ele é bonzinho demais, preocupado demais com cada vida humana, não sei se um comandante supremo seria tão “puro”, por isso gostaria de ler um pouco mais sobre esse figura histórica, a outra é a cena com o comandante Francês que nega-se a ajudar na invasão e a aceitar Ike como comandante supremo, mesmo que provisioramente, aceitando que o pais dele fique sem salvação ao invés de apoiar o ataque. Como recentemente houveram problemas entre EUA e França devido a invasão no Iraque, quero muito saber se a cena é verdadeira ou motivada por uma “vingança” de roteiristas patrióticos.

Augusto

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O Caçador de Pipas

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Direção: Marc Forster.
Elenco/Vozes: Khalid Abdalla, Homayon Ershadi, Zekeria Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada, Shaun Toub, Nabi Tanha, Ali Dinesh, Saïd Taghmaoui, Atossa Leoni, Abdul Qadir Farookh, Maimoona Ghizal, Abdul Salam Yusoufzai, Elham Ehsas, Ehsan Aman, Vsevolod Bardashev.

Ainda não li o livro homônimo que deu origem ao filme, mas já havia ouvido falar que era bem pesada a atmosfera do enredo. E realmente tem um clima pesado, e até mesmo o final não deixa tantas esperanças de melhoria. A história se passa no Afeganistão, próximo da época da invasão russa, invasão essa que tem grande importância no enredo do filme. Não sei o que tem de auto-biográfico no livro, visto que o auto é afegão, mas isso serviu, sem dúvida alguma, para a riqueza de detalhes do filme.

A trilha sonora é um ponto alto do filme, deixando de lado o ritmo puramente popular, mas sem perder as raízes da cultura da região. Gostei bastante da atuações dos garotos, principalmente do menino pobre. Ambos fazem parte de um história de uma amizade quase do nível de intensidade entre Frodo e Sam, porém com características um pouco diferentes, e bem mais complexas.

Não pude deixar de notar o recurso usado nas câmeras acima das pipas, até agora não imagino como aquilo foi feito, talvez um recuro de CGI, mas é extremamente bem elaborado. A fotografia também não deixa desejar, alias, tecnicamente o filme é muito bom, exceto por uma edição com cortes bruscos que não tem como deixar de notar, um corte de uns 10 anos no mínimo, sem explicação ou suavização alguma.

Apesar dos problema eu gostei bastante, e acho que vale sim a pena uma conferida. Quem sabe aprendemos um pouco sobre amizade, idealismo, e a importância de quem somos e de onde viemos. Curiosamente lembrei de Persépolis em alguns momentos, inclusive tem um momento em que a protagonista diz algo como “as pessoas devem achar que somos apenas um bando de loucos que atiram bombas uns nos outros”. Comunicação e tolerância com as diferenças parece ser ainda os ingredientes básicos para um mundo melhor.

Meu Nome Não é Johnny

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Direção: Mauro Lima.
Elenco: Selton Mello, Cleo Pires, Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, André di Biasi, Eva Todor, Ângelo Paes Leme, Rodrigo Amarante, João Guilherme Estrella.

Mais um filme brasileiro de sucesso e mais uma vez um filme relacionado ao submundo, ao tráfico e à violência. A estória de João Estrella mostra uma realidade comum na classe média brasileira: drogas, festas e diversão. Estão todos o tempo todo vivendo no limite entre a “simples” diversão e o envolvimento com o crime. Pelo que mostra o filme o envolvimento de João neste mundo acontece por acaso. As coisas vão acontecendo, crescendo, sem muito domínio. A vida levada sem rédeas. O próprio João Estrella fez questão de reforçar em entrevistas que a coisa aconteceu assim mesmo, bem no estilo viva e deixe viver.

Quanto ao filme em si, Selton Mello volta a fazer uma interpretação muito boa, dando um ar de malandragem e despreocupação fundamental para caracterizar o personagem. A facilidade que Selton tem de lidar com as palavras, seu jeito rápido de falar, complementam João Estrella nas telas. Ele é, com certeza, ator principal e grande motor da película.

Por outro lado a atriz Cássia Kiss, famosa e com diversos filmes na carreira, é responsável pela pior interpretação do filme ao encarnar a juiza que condena João Estrella. Alias as cenas do julgamento são de longe as piores. Parece que não existe ali a mesma energia presente no restante do filme, os atores parecem estar gravando aquilo de forma burocrática, obrigatória, sem emoção. Nem Júlia Lemmertz, no papel de mãe, consegue chorar com emoção durante o julgamento. E Júlia engrossa a lista de boas atrizes com interpretação decepcionante.

Quanto a Cleo Pires, além da beleza ela não acrescenta muita coisa ao filme. Não sei se podemos chamá-la de atriz.

O filme conta ainda com a excelente, mas pequena, participação de Eva Todor, uma simpática velhinha que realiza transações não tão simpáticas assim, e com as aparições de Rodrigo Amarante do Los Hermanos, na pele do personagem que forneceu o primeiro baseado da vida de João Estrella, e do próprio João Guilherme Estrella que aparece como um dos enfermeiros do manicômio.

Como qualquer filme de sucesso, principalmente filme brasileiro, “Meu Nome Não é Johnny” tem recebido duras críticas por parte da imprensa especializada. Mas por outro lado temos que levar em conta que o filme é baseado em fatos reais. Então não acho correto dizer que as cenas na cadeia procuram imitar “Carandiru” ou que as cenas de manicômio tentam copiar o sucesso de “Bicho de 7 Cabeças“. Se tudo isto aconteceu a João Estrella tem que estar no filme, e não está lá para copiar ninguém. Está lá porque aconteceu.

Concordo que alguns personagens, na cadeia principalmente, são estereotipados. Mas isto tem se tornado lugar comum em filmes nacionais. Se o filme fosse rodado no Nordeste veríamos muito mais “tipos brasileiros” em cena com certeza. Uma pena por um lado, garantia de diversão por outro. Outra coisa ruim é a insitência em contextualizar a época do filme através da citação direta de algumas referências. É desnecessária a fala forçada do personagem que diz que preferia ficar em casa vendo Magnum e comendo Mirabel a estar na rua aquela hora. Teria sido mais fácil e elegante escrever “1980″ no canto da tela.

Concluindo eu acho que o filme pode ser considerado mesmo um filme divertido, tornando o cinema um ótimo programa para o domingo, e se não fosse o excesso de cocaína e viciados em tela seria também candidato a tela quente.

Eu Sou A Lenda

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Direção: Francis Lawrence.
Elenco/Vozes: Will Smith, Alicia Braga, Thomas J. Pilutik, Salli Richardson, Charlie Tahan.

Eu já vi em outros filmes uma cidade deserta, mas nada se compara com as imagens desse filme. Não sei como conseguiram filmar isso, ficou simplesmente fantástico. Mas, além disso, não vi grandes novidades, nem mesmo aperfeiçoamento de uma mesma e batida história (incrível como Os Outros conseguiu depois de O Sexto Sentido).

Não consigo desprender a imagem que eu tenho do Will Smith fazendo aquele seriado bobo metido a engraçado (com risada ao fundo), mas tudo bem, o cara agora é Galã, e eu diria o mesmo adjetivo que usei para o Tom Cruise, um cara esforçado, não faz feio.

Quando se assiste muito filme você acaba vendo combinações entre os filmes. Pensando assim, eu vejo Eu Sou A Lenda como uma mistura de Residente Evil e Extermínio. Que, resumindo, vem a ser mais um filme sobre zumbi. Até tem um gancho legal, um apelo interessante, que eu não quero falar muito para não estragar.

Black Snake Moan

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Direção: Craig Brewer.
Elenco: Samuel L. Jackson, Christina Ricci, Justin Timberlake, S. Epatha Merkerson, John Cothran Jr., Son House.

O mote do filme é simples mas um pouco retrógado para os dias de hoje, é verdade. Um fazendeiro conservador e religioso tentando “curar” uma jovem fogosa não daria um filme interessante em quase lugar nenhum. A não ser que a estória se passasse no sul dos Estados Unidos (lugar de gente extremamente racista), o fazendeiro fosse negro (Samuel L. Jackson), a guria fosse uma baita ninfomaníaca (Christina Ricci), e o cara mantivesse ela acorrentada pelo pé dentro de casa. Aí já começou a ficar melhor. Some-se ainda o fato de que o tal fazendeiro negro é também um ex-guitarrista de blues, e que o filme tem a participação do incrível bluzeiro Son House, via vídeos da época; e você já tem uma ótima diversão para a noite de sábado.

No geral o filme não chega a ser um primor e se deixa cair facilmente em uma série de lugares comuns provocativos só para aumentar a audiência. A própria questão do negro que “escraviza” uma branca é uma boa pontada na cultura sulista americana, mas também parece muito forçada às vezes. Lazarus tinha mil formas de “curar” Rae. Mas lógico que poucas delas dariam pelo menos um bom filme.

Para se redimir de alguns deslizes, Craig Brewer nos premia com a ótima cena em que Lazarus volta a empunhar sua guitarra de blues e promove uma catarse coletiva em um bar local. O som leva os presentes ao delírio, incluindo aí a “quase curada” Rae. Dá vontade de estar no bar, tomando uma cerveja e curtindo o som.

Mas no fundo, Black Snake Moan é uma estória de amor e superação. Com direito a final feliz e tudo mais. Devo dizer que não sou chegado a filmes com estória de amor mas este me convenceu. Deve ser culpa da Christina Ricci de calcinha acorrentada pelo pé…

Os Indomáveis

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Direção: James Mangold.
Elenco/Vozes: Christian Bale, Vinessa Shaw, Russell Crowe, Ben Foster, Peter Fonda, Gretchen Mol, Alan Tudyk, Logan Lerman.

Não sou um profundo conhecedor do “gênero Faroeste”, na verdade eu não conheço nada além de Os Imperdoáveis, que por sinal dizem que foi o renascimento do gênero. Mas eu sei que todo faroeste é seguido por uma série de elementos, além de muita poeira, cavalos, xerifes e armas, faroestes são conhecidos pela audácia do “mocinho” e pela criação de mitos. E esse filme tem todos esses elementos citados.

Bale parece ser o cara do momento, vem enfileirando filmes, o mais esperado é o novo Batman que sai em 2008. Já Russell depois de perder seu título de troglodita do momento para Gerard Butler, resolveu entrar numas geladas, mas dessa vez ele se saiu bem. Bem, com os elementos certos, agora só falta um bom roteiro. E 3:10 To Yuma (nome original) tem um roteiro consistente, sem grandes reviravoltas, nem malabarismos, sem arriscar muito e nem ser tão clichê. Na verdade, estou tentando dizer que gostei mas não chega a ser um espetáculo de roteiro. Reafirmo, nada como Os Imperdoáveis.

Resumindo, tem tudo que um filme precisa para não fazer feio: elementos necessários, bons atores, e um roteiro e direção que não estragam os itens anteriores. Ah, e um bom final.

Curiosidades (fonte: http://www.adorocinema.com.br/):

- Russell Crowe foi a 1ª escolha do diretor James Mangold para o personagem Ben Wade, mas apenas pôde ser confirmado no papel após a desistência de Tom Cruise.
- Eric Bana esteve cotado para interpretar Dan Evans, quando Tom Cruise ainda estava envolvido com a produção.
- A escolha de Christian Bale foi decidida em conjunto por James Mangold, Russell Crowe e a produtora Cathy Konrad.
- As filmagens ocorreram entre 23 de outubro de 2006 e 20 de janeiro de 2007.
- A estória de Elmore Leonard na qual Os Indomáveis foi baseado foi publicada na revista Dime Western Magazine, em 1953.
- O nome de Russell Crowe não aparece nos créditos finais quando são citadas as pessoas que trabalharam com ele durante as filmagens. No lugar é sempre citado Ben Wade, nome de seu personagem no filme.
- Refilmagem de Galante e Sanguinário (1957).
- O orçamento de Os Indomáveis foi de US$ 50 milhões.

Mandando Bala

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Direção: Michael Davis.
Elenco/Vozes: Clive Owen, Paul Giamatti, Monica Bellucci, Stephen McHattie, Daniel Pilon, Sidney Mende-Gibson, Lucas Mende-Gibson, Ramona Pringle e Greg Byrk.

O trailer não engana, Mandando Bala é tão mentiroso que é engraçado. E qual o problema? Pra mim, nenhum. Clive vive Smith, um cara estiloso que adora bancar o Pernalonga. Já Paul Giamatti vive o Gaguinho inimigo do Pernalonga. Exatamente 100 pessoas morrem no filme. Smith deve usar a técnica do deslizamento umas 3 ou 4 vezes. O cara é uma mistura de Duro de Matar mais Jack Bauer, praticamente imortal. Além disso, o cara tem uma pontaria digna de medalha de ouro em olimpíada, ou seja, o cara é realmente “o cara”. Não chega a ter uma violência chocante, é mais engraçado e divertido do que violento. Nem pense em levar a sério, não faz o menor sentido com a realidade. Logo no trailer eu imaginei que era uma cópia do estilo do Tarantino, sendo mais POP claro. Fiquei receoso do filme não ter o estilo necessário para fazer aquelas cenas bizarras, pois existe uma grande diferença entre um filme bobo e e saber que ele é descartável, e fazer um filme bobo achando que ele é bom (vide Michael Bay). Boa surpresa, não dá pra ficar esperando sempre o Tarantino e sua gangue por filme legais e diferentes.

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias

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Direção: Cao Hamburger.
Elenco/Vozes: Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Simone Spoladare, Eduardo Moreira, Caio Blat, Paulo Autran.

É certo que a maioria dos filmes brasileiros procuram retratar nossos problemas políticos e sociais como contrapartes às belezas do nosso país - O ano em que meus pais saíram de férias não é exceção. Mas poucos filmes são tão brasileiros como o do quase estreante Cao Hamburger, cujos primeiros trabalhos eram para televisão (geralmente infantil) e teve experiência única no cinema com Castelo Rá-Tim-Bum (1999). O Brasil é fortemente tratado nesse filme, que mais uma vez fala sobre a ditadura militar, mas desta vez por uma perspectiva diferente (superficial) e com estilo e história bem afastados dessa leva de filmes.

Mauro, jovem mineiro apaixonado por Futebol, é levado às pressas para São Paulo, onde passará um tempo com seu avô, enquanto seus pais supostamente viajam de férias. Ao chegar na sua temporária casa o garoto se depara com uma realidade difícil ao saber que seu avô não o receberá da forma esperada, seus pais não tem previsão para voltar e não conseguem entrar em contato, e as pessoas agora responsáveis por ele não estavam nem um pouco preparadas. Ele acaba então se aproximando de um velho judeu (Shlomo) e de um grupo de garotos que moram no mesmo prédio, criando amizades importantes mas frágeis, já que as únicas coisas que aparentemente alegram o menino são o futebol e a expectativa de que seus pais o levarão o mais breve possível para casa.

A produção obteve sucesso ao contar a história da maneira mais politicamente correta e familiarmente divertida possível. O retrato da empolgante copa do mundo de 1970 ao mesmo tempo em que a ditadura atinge elevados índices de repressão e o garoto passa por momentos difíceis da sua vida é marcante. A aflição da história que, desde o seu início parece ter um fim óbvio e trágico, é muito bem amenizada pelas paixões do protagonista, em especial o futebol, e sua aproximação com algumas personagens interessantes.

O desenvolvimento de alguns dos principais papéis, em especial o do teimoso Mauro (Michel Joelsas) e o da desinibida jovem Hanna (Daniela Pipeszyk), valem as curtas 1 hora e 40 minutos de filme. Mas é no complemento às personagens e tramas principais que o filme pode deixar a desejar. Muitos pontos interessantes deixam de ser melhor explorados (o misterioso namorado na moto, o amigo revolucionário do pai) enquanto que partes nem tão importantes arriscam diminuir a qualidade do filme. Temos a impressão de que todos os ingredientes foram bem escolhidos e inseridos, mas pouco trabalhados. A superficialidade da história acaba por inibir qualidades importantes, e a copa do mundo e as brincadeiras com os amigos acabam tomando um destaque especial mas levemente apelativo na trama.

Enfim, é um filme que supera com tranqüilidade outras obras nacionais do ano. Um filme família que contagia e diverte todos os gostos, que não deixa de destacar o orgulho de ser brasileiro, mesmo na difícil época retratada. É também um filme sobre povos e culturas, o que certamente facilitou sua aceitação em premiações. O retrato dos judeus, italianos e gregos catapulta as chances de “O Ano” ganhar prêmios e reconhecimento (Oscar?), mas fazendo um julgamento mais frio a obra não chega ao patamar de outros grandes filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus ou Tropa de Elite. O último, esse sim, merecendo essa vaga e outra meia dúzia de indicações e prêmios – mas não é difícil entender o porque de ter perdido espaço para o mais correto, digerível e sentimental O Ano em que meus pais saíram de férias. Contudo, vendo por todas as outras perspectivas, é um filme que orgulhosamente representa o Brasil nos festivais do mundo, e merece nosso reconhecimento e torcida.

Bodão

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Sunshine - Alerta Solar

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Direção: Danny Boyle.
Elenco/Vozes: Rose Byrne, Cliff Curtis, Chris Evans, Troy Garity, Cillian Murphy, Hiroyuki Sanada, Mark Strong, Benedict Wong, Michelle Yeoh.

Na linha do tempo da ficção científica temos os marcos: 2001 – Uma Odisséia no Espaço, depois Star Wars IV e Matrix mais recente. Muita coisa mudou da percepção sobre o tema. Não entendam mal, eu gosto de 2001, mas convenhamos que tem coisas mais-do-que-chatas. Queira ou não, é um divisor de águas, aclamado e duramente criticado é o nosso ponto de partida. George Lucas já está eternizado com os 6 filmes dele, fez uma obra-prima, colocou ação no gênero. Lucas nem precisava fazer mais nada, vai acabar se complicando com umas direções desastrosas. Matrix foi a última revolução do gênero, misturando filosofia, computadores e ação, simplesmente perfeito.

É com essa base histórica que surge Sunshine, indiscutivelmente “inspirado” em 2001 em alguns aspectos, que acaba vindo junto coisas boas e coisas ruins, mas tendo uma certa preocupação em não ser tão monótono e filosófico como sua “musa”. A premissa do roteiro é que o Sol está se apagando, e com ele a Terra não duraria muito, o que faz o maior sentido. A missão espacial é reacender o Sol (!), e para isso uma tripulação fica responsável por essa tarefa. Essa á a segunda missão arquitetada para resolver esse problema, pois a primeira, Ícaro I, perdeu a comunicação com a Terra, e aparentemente não atingiu seu objetivo. É a vez da Ícaro II entrar em ação.

Gostei muito do roteiro bem amarrado, da preocupação com os detalhes, e não se amarrou com datas para justificar o futuro, e sim com ações. Quando, por exemplo, no momento que um dos tripulantes precisa fazer um conserto fora da nave, e fica nervoso, um outro tripulante tenta acalmar dizendo: você já fez isso centenas de vezes na órbita da Terra. Comprovando obviamente que para atingir um objetivo como ir até o Sol era preciso ter um conhecimento bem maior do que temos hoje. Outro ponto interessante é a presença de asiáticos, cada vez mais firmados como um povo de tecnologia de ponta, e em constante evolução.

Um fato bem interessante, e que merece elogio, é a presença de um tripulante psicólogo. Imagine a sensação de chegar perto do Sol, o que não pode causar na mente de uma pessoa? A tripulação só sonha com o Sol. E o papel do psicólogo é tão essencial como um físico, ou a especialista em botânica. Realmente uma ótima sacada. Apesar de todos os elogios o filme tem suas falhas, que é copiar o lado chato e burocrático de 2001, e além disso, algo que talvez nem seja falha, o filme não tem um protagonista bem definido, isso até o finalzinho do filme. O papel principal é dividido aos poucos entre os tripulantes da Ícaro II, o que não é convencional, mas pra mim fez falta. Contudo, temos uma boa ficção científica, bem fundamentada, que inclusive tem a ousadia de mudar totalmente o rumo para um final pouco convencional, e acaba virando um filme tenso e de suspense (vale lembrar a repetição da dupla Danny Boyle e Cillian Murphy em Extermínio).

O Bom Pastor

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Direção: Robert DeNiro.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Angelina Jolie, Alec Baldwin, John Turturro, Billy Crudup, Robert DeNiro, Michael Gambon, William Hurt, Joe Pesci.

Dentre os destaques do ano passado, esse foi um dos únicos que demorei a ver. Houveram algumas críticas negativas (oficiais e de amigos), o que acabou influenciando-me a não vê-lo com tanta pressa e expectativa, mas algo me dizia que eu não me arrependeria de assistir a este filme. Agora em DVD tive a oportunidade de assisti-lo, e não poderia deixar de registrar algumas palavras sobre este bom filme.

Antes de mais nada, não conhecia o trabalho de diretor de DeNiro, que tinha apenas um filme dirigido de fato por ele, e confesso ter me surpreendido. Desde o início vemos que ele conseguiu definir um estilo sério, com cenas fortes e intrigantes. Com isso ele conseguiu ser um pouco mais realista e artístico do que muitos dos diretores da atualidade, deixando alguns traços de filmes noir e dando um clima mais seco, sem exageros de emoção.

Na trama, Matt Damon interpreta Edward Wilson, um estudante de Yale que acaba ingressando na sociedade secreta Skulls & Bones, se destaca por diversas vezes como um excelente aluno, e é chamado para trabalhar na OSS, agência de inteligência americana na Segunda Guerra. Mostrando cada vez mais sua capacidade de contra-inteligência (espionagem) e sua esperteza, acaba crescendo em importância na carreira e se tornando um dos primeiros a fazer parte da recente criada CIA. O filme retrata diversos momentos da vida de Wilson, como a morte de seu pai ainda na infância, dois romances de sua vida, sua relação com seu filho e, finalmente, sua situação atual na CIA, participando de um visível fracasso na operação “Baía dos Porcos”, em Cuba. Durante este tempo, reveza o foco entre a capacidade e comprometimento do personagem com o seu trabalho, e seus defeitos pessoais, muitos deles agravados pela dedicação ao seu país.

O filme conta ainda com um excelente elenco, que é certamente o seu maior destaque. Ver Matt Damon em um convincente papel (apesar de frio demais), Angelina Jolie em uma ótima interpretação (a melhor dela em anos), e tantos outros excelentes atores (como o ótimo e envelhecido Joe Pesci) é o melhor ponto do filme. Mas é também no elenco que o filme apresenta seus primeiros erros. A dificuldade em envelhecer Matt Damon acaba deixando o filme confuso e algumas vezes irreal, e o fato do personagem principal ter tão pouco carisma pode deixar o filme sacal para muitos.

Ainda nos erros do filme, existe um mais marcante: a edição. Infelizmente esse ponto prejudicou-o seriamente, pois muitas cenas não estão bem posicionadas, existe um certo excesso de idas e vindas no tempo, e ainda por cima o filme é longo demais - são 2 horas e 40 minutos de filmes, pelo menos 30 minutos a mais do que o necessário. Mas isso não comprometeu por completo o filme, pois não deixa de ser um ótimo thriller de espionagem, altamente inteligente e intrigante, forçando o espectador a se envolver na trama, raciocinar e indagar em muitos momentos para acompanhá-la. Sendo razoavelmente inspirado em personagens e fatos reais (Edward Wilson é baseado em um agente verídico da CIA, assim como alguns outros personagens), é um daqueles filmes que nos dá vontade de pesquisar mais sobre o que aconteceu e quem realmente existiu, retratando ainda diversos momentos cruciais como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil.

Tem para mim tudo que um bom filme precisa ter, deixando algumas falhas mas que podem ser superadas. Boas atuações, uma história completa e convincente, muitas tramas e conflitos entre os personagens, surpresas constantes e uma emoção sutil, mas realista. Alguns personagens bem trabalhados, trechos históricos amplamente retratados, e uma direção que foge a mesmice de Hollywood. Pode não ser uma boa pedida para quem não suporta filmes lentos e detalhistas, mas é uma boa sugestão para quem gosta de filmes do gênero, e seria excelente não fosse pelo trabalho de edição e pela extensa duração.

Bodão

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