Direção: Darren Lynn Bousman.
Elenco/Vozes: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Debra McCabe, Costas Mandylor, Betsy Russell.
Por que Jogos Mortais (JM) continua sua sequência? São filmes de baixo custo, com atores pouco conhecidos, milhares de litros de sangue, e que geram algumas dezenas de milhões de lucro. Não tem como não continuar fazendo, é uma máquina de ganhar dinheiro. Não pense no termo de forma pejorativa, mas seu público alvo é adolescente, não tem como negar. Tem um montão de violência (nem vou mencionar se é gratuita ou não), mortes “legais” e um roteiro parecido uma colcha de retalhos.
Desde o primeiro não consegui despertar interesse. Já falei um milhão de vezes que aquele roteiro é fraco, a premissa é fraca, mas admito que foi algo, na medida do possível, novo no cinema. Explicar o filme todo nos últimos dois minutos não tem nada de genialidade, chega a ser preguiçoso e desonesto com quem está assistindo. JM tá virando Faces da Morte de mentirinha, pois o que se aproveita (se é que tem proveito) são as mortes extremamente violentas e agoniantes. E olha que eu acreditava já ter visto muito coisa brutal no cinema, mas nada se compara com as mortes desses filmes.
O filme tem quase a mesma estrutura dos demais, isso não vai surpreender ninguém. A mesma historinha batida do psicopata que acha que tá fazendo o pessoal valorizar suas vidas, envolvendo policiais, armadilhas, brinquedinhos, formas horrendas de mortes, e tudo se explica no dois últimos minutos. Dessa vez eles vão tentar confundir, mas é a mesma besteira de sempre, nem precisa ver de novo.
Direção: M. Night Shyamalan.
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Bob Balaban, Jeffrey Wright, M. Night Shyamalan, Cindy Cheung, Freddy Rodriguez, Bill Irwin, Mary Beth Hurt, Noah Gray-Cabey, Jared Harris.
Desde que criou o excelente Sexto Sentido, Shyamalan carrega uma cruz pesada perante os expectadores de seus filmes. Todos esperam ser surpreendido no final. Entre tantas comparações absurdas, tipo Robinho com Pelé, Shyalaman já foi comparado a Hitchcock, o que parece tão absurdo quanto o exemplo dado. A questão é que não deve ser fácil ser Shyamalan. Isso por culpa da crítica, dos expectadores, e grande parte pelo ego inflado quando decidiu peitar tudo e todos realizando esse projeto. A verdade é que o indiano tem crédito, e esse fardo de Sexto Sentido também tem seus benefícios. Quem deixaria de ver um filme “daquele mesmo cara que fez” Sexto Sentido? Mas infelizmente o público vai se sentir enganado dessa vez. Pra mim, o indiano vem tropeçando a cada filme, principalmente nos roteiros pouco inspirados e com muitas falhas. Continua com sua ótima direção e ângulos de câmera interessantes. O próprio diretor, percebendo a fragilidade de seu roteiro, decide criar personagens e cenas para que seu filme se autodefenda. Shyalaman usa o personagem de um crítico de cinema com o simples intuito de ignorar a crítica. E em determinado momento ele sugere que para gostar do seu filme você tem que pensar como criança. Devo concordar um pouco o primeiro argumento, contradizendo assim a mim mesmo, mas não tem como negar, com que razões você pode julgar um trabalho que alguém fez durante meses, com esforço e coração, como se pode uma única pessoa apontar falhas, dar uma nota, para um projeto que envolve centenas de pessoas? Complexo, pois por outro lado cada um tem o direito de ter sua opinião. O problema é que querendo ou não a crítica é sim formadora de opinião para mentes fracas, assim como toda a mídia em si. Não vou entrar no mérito dessa discussão. O que eu não posso concordar é com o segundo argumento, e acho que faltou foi humildade pra ele saber que aquilo realmente é só uma historinha improvisada pra embalar crianças com sono, nada mais que isso. E tudo fica claro no quão absurdo a coisa se transforma. O que é uma pena para, assim como eu, os fãs de Paul Giamatti, que verão um excelente ator ser tão mal usado, sem contar com uma gagueira totalmente desnecessária. Enfim, como li outro dia: experiência é tudo aquilo que você fez e deu errado.
Direção: Frank Coraci.
Elenco: Adam Sandler, Christopher Walken, Kate Beckinsale, David Hasselhoff, Katie Cassidy.
Por mais que digam que cinema é diversão, que devemos tirar um dia pra ir ao cinema simplesmente pra pagar caro e ver um filme ruim e achar bom. Discordo completamente, até acredito que um dia na vida você tenha essa vontade louca de ver um filme sessão da tarde. Mas precisa ser no cinema? Precisa pagar tão caro? Com o valor de entradas pro cinema você pode alugar vários filmes ruins, ops, água com açúcar. Sem contar que alugando você pode pausar, ir ao banheiro, adiantar nas partes chatas. Enfim, tem hora e lugar pra tudo, mas, por favor, cinema é muito caro pra ver filme ruim. Você pode até errar por desconhecimento, mas ir a um filme que tem como protagonista Adam Sandler é um risco e tanto. Da mesma forma que critico filmes de zumbi, comédia e/ou comédia romântica também segue o mesmo padrão, talvez porque não exista outra forma de fazer? O que eu não acredito. Esse tipo de filme oscila entre as comedias pastelão tipo Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e humor inteligente como em Melhor Impossível. Portanto, podemos até chamá-los de medianos, no próprio sentido da palavra. A fórmula é rir, chorar, rir, e com uma lição de moral bem rasa trafegando nessas “fases”. Um filme que a parte mais engraçada é usando a flatulência não pode ser confiável, e se tiver torta na cara, ih, nem tente. A recomendação é esperar o DVD. Sabem, cada vez me sinto mais como os caras da loja de discos em Alta Fidelidade.
Direção: John Moore.
Elenco: Liev Schreiber, Julia Stiles, Mia Farrow, David Thewlis, Nikki Amuka-Bird, Reggie Austin, Marshall Cupp, Seamus Davey-Fitzpatrick, Michael Gambon, Pete Postlethwaite.
Em plena época de copa do mundo arranjar tempo pra ir ao cinema é coisa de cinéfilo. Deixando o narcisismo de lado, eu tenho uma pergunta: por que fazem remake? Sempre tem o lado ruim e o lado bom. Uns fazem esse tipo de coisa por dinheiro e falta de originalidade. O lado bom é atualizar um grande sucesso do passado, adequar aos tempos atuais e tentar atrair novos fãs para o clássico. Não posso garantir a intenção dos que fizeram esse remake. A comparação com o clássico da década de setenta é inevitável, e infelizmente decepcionante. Transformaram meu filme “de ter medo” de infância numa porcaria pra adolescente ver. Só espero que não deixem fazer isso com O Exorcista. Transformaram um drama, um suspense psicológico em mais um filme imbecil de sustos feitos com aumento do som. Além disso, deixam as mortes parecendo A Premonição, que eu carinhosamente chamo de “tipo Tom e Jerry” ou “tipo coiote do papa-légua”. Quase tudo é falho, o que copiou não ficou legal e o que mudou tornou pior. Até entendo o apelo, mas usar o ataque de 11 de setembro é forçar a barra. Assim como acontece em O Exorcista, o grande lance do filme é envolver uma criança, da comoção de fazer mal a uma “inofensiva” criança. É o drama que os pais passam numa situação assim. Que nesse caso ficou pouco e mal explorada, e faz o filme acontecer em dez minutos, não dá sequer tempo de sentir pena, de ficar na dúvida. E quando achei que iam ter a coragem de mudar o final, nem isso, pra minha profunda decepção. Eu sempre brinco que a expressão “menino é o cão” surgiu com A Profecia, e esse menino escolhido até que tem seu lado sombrio, mas sinceramente nem nisso conseguiram fazer a altura. Decepcionante é a palavra final.
Direção: Terrence Malick.
Elenco: Colin Farrell, Christian Bale, Christopher Plummer, Ben Chaplin, Jonathan Pryce, David Thewlis, Q’Orianka Kilcher.
Na América (atual território norte americano), no ano de 1606, um grupo de degradados ingleses chega ao novo mundo “descoberto” por Cristóvão Colombo, com o intuito de colonizá-lo. Depois de passar por diversas desventuras ocasionadas principalmente pela fome e falta de ordem, o Capitão John Smith parte em busca do auxílio “indígena” para garantir a sobrevivência do seu grupo. O contato leva ao esperado choque cultural entre o “homem europeu civilizado” e o “nativo selvagem” e uma inesperada paixão ocorre entre Smith (Colin Farrel) e a filha do chefe da tribo, Pocahontas (a fraquinha Q’Orianka Kilcher).
Malick, depois de nos brindar com um dos melhores filmes de guerra já feitos, o soberbo “Além da Linha Vermelha”, erra feio ao apresentar os primeiros contatos entre os colonos europeus e os nativos americanos sob o preconceituoso ponto de vista eurocêntrico, onde os nativos são os primeiros a atacar e por isso recebem a violenta resposta dos colonos brancos, que não queriam nada mais do que ocupar a terra, extrair dela o que pudessem e explorar todos os seus reais donos em trocas absurdas, como por exemplo, escravos por panelas ou outras bugigangas quaisquer trazidas do velho mundo, o que fomentava ainda mais os conflitos entre as tribos que já ocupavam a terra.
A fotografia do filme é belíssima (o filme foi inteiramente rodado sob luz natural), e uma das únicas qualidades da obra. A trilha sonora, composta antes do filme ser realizado não é essas coisas, já as atuações parecem extremamente preguiçosas, como se os atores na realidade não quisessem estar ali. Tão preguiçosas quanto o ritmo do filme, que é de uma monotonia quase insuportável. O filme é lento, parece não ter fim, com certeza poderia ter sido reduzido em pelo menos uma hora sem o prejudicar em nada.
“Novo Mundo” não passa de um filme extremamente chato e moroso, onde seu enredo não acrescenta nada a atual discussão em relação ao início da colonização das Américas, já que reproduz uma teoria batida e preconceituosa, mas que serve para provar o quão forte ela ainda é nos países considerados “desenvolvidos”.
Direção: Len Wiseman.
Elenco: Kate Beckinsale, Scott Speedman, Tony Curran, Derek Jacobi, Bill Nighy, Steven Mackintosh, Shane Brolly.
Infelizmente para o diretor Len Wiseman, e nós, apreciadores do estilo, a maravilhosa beleza e sensualidade de Kate Backinsale não é o suficiente para fazer de “Anjos da noite 2” um grande filme. O resultado alcançado aqui, apesar dos melhores efeitos visuais,maquiagem e produção, é inferior ao alcançado no primeiro filme, e “Anjos da noite 2” não passa de mais um enlatado descartável, cinema pipoca em sua expressão máxima (que com certeza ainda agradará a muitos).
O filme inicia com uma pequena apresentação dos principais vilões da continuação. O primeiro, o vampiro Marcos Corvino, o segundo, William Corvino, irmãos de sangue que seriam os primeiros transformados em vampiro (Marcus) e lobisomem (Willian). Em uma emboscada, William é aprisionado pelos vampiros em um local secreto. Voltando para o presente, a história retorna ao exato momento em que terminou o primeiro filme, a destruição de Viktor, o início do despertar de Marcus como híbrido e a fuga de Selena e Michael Korbin. A trama se prende na busca de Markus por seu irmão gêmeo com o intuito de libertá-lo de sua secular prisão.
Como já comentei, os efeitos visuais do filme superam (e muito) os do seu antecessor, o que salva o filme do desastre total. Desastre que ocorreria devido ao fraquíssimo roteiro, com mais buracos que a Br 116 e com mais “mini flash backs” que todos os episódios de “Os normais” juntos (o que deveria explicar melhor a história, serve apenas para quebrar o seu ritmo).Tudo bem que não tinha muito o que ser feito a partir da história original, mas não acho isso desculpa para o preguiçoso e frio roteiro escrito por Danny McBride.
Mas realmente, os efeitos visuais servem para encobrir um pouco essas falhas, já que a série de lutas, tiroteios, explosões e criaturas monstruosas que aparecem a todo o momento, acabam tornando o filme, pelo menos uma boa diversão para os apreciadores do estilo ou espectadores menos exigentes. Agora é só esperar o fim da trilogia para ver no que vai dar a saga de vampiros e lobisomens criada por Wiseman.
Direção: Niki Caro.
Elenco: Charlize Theron, Frances McDormand, Sissy Spacek, Woody Harrelson, Sean Bean, Richard Jenkins, Jeremy Renner, Michelle Monaghan, James Cada, Elle Peterson, Thomas Curtis.
Houve uma época em que as mulheres sofriam caladas. Medo, preconceito, insegurança era um sentimento comum. Isso acabou? De forma alguma, ora, de vez em quando nos deparamos com escravidão. Já pensaram? Escravidão! Tratar gente feito bicho. Imagine séculos de uma sociedade patriarcal. Não dá para se livrar de uma década para outra. A diferença é que a mulher hoje denuncia. Grita, expõe o rosto na capa da revista se for preciso. Histórias absurdas de abuso e violência aconteciam e acontecem todos os dias. E Terra Fria é uma dessas histórias. Pode-se louvar a história e a intenção, mas como filme é fraquíssimo. Não quero entrar no mérito do quanto aconteceu de verdade, pois a idéia que se passa é de um filme caricato demais. Dava aquela sensação de ver um filme que tem cenas na prisão. Guerra entre negros e brancos, homossexualismo, todos são inocentes. Enfim, toda a velha história que sempre vemos nos filmes. Isso é bem chato. Juntar todos os elementos machistas e jogar num filme. Foi isso que fizeram com Terra Fria.
Direção: Rob Marshall.
Elenco: Zhang Ziyi, Michelle Yeoh, Ken Watanabe, Gong Li, Koji Yakusho.
Agora fica fácil escrever já sabendo o resultado do Oscar 2006. Memórias de uma Gueixa levou quase tudo visual: fotografia, direção de arte e figurino. O que nos leva a crer ser um filme bonito de se ver. Sem dúvida é. Mas é chato também, lento e clichê. Seria muita exigência minha que um filme sobre Gueixas usasse a linguagem japonesa? Todo aquele cenário japonês e atrizes chinesas, essa mistura não ficou muito bom. Rolou até uma pequena polêmica por atrizes chinesas interpretarem japonesas. Devem ser escassas atrizes com feições orientais, pois mais uma vez temos Zhang Ziyi que a partir de hoje será conhecida como Aquela-que-faz-todos-filmes-com-orientais. Quanta falta de criatividade ou opção? Sempre fui um apreciador da cultura japonesa, e apesar de tantas falhas, Memórias de uma Gueixa tem roteiro interessante inspirado no livro homônimo de Arthur Golden. Uma forma de apresentar ao mundo o que era ser uma Gueixa, e posteriormente toda sua degradação com a chegada das grandes guerras. Criou-se uma visão deturpada de que gueixas eram prostitutas. Mas nesse ponto o filme é competente. Fora isso não tem muito que aproveitar, mais uma história de amor impossível. Mas como diz o poeta: toda história de amor é igual porque não existe outro amor.
Direção: Tony Scott.
Elenco: Keira Knightley, Mickey Rourke, Jaqueline Bisset, Lucy Lyu , Christopher Walken, Edgar Ramirez e Mena Suvari.
Baita elenco, não é? Mas sinceramente, sem rodeios, não vale a pena. Keira continua linda até com cabelo curto, mas acho que vale mais a pena esperar pela careca de Natalie Portman, se é que V-ocês me entendem. Filme B atualmente é conhecido como filme ruim, mas o correto conceito de filme B é um filme feito com pouco orçamento, independente de ficar bom ou ruim. Domino se encaixa na idéia errada que temos hoje de filme B. Lembrava de longe, bem de longe, roteiros de Tarantino e câmeras de Guy Ritchie. Mas nada tão original assim. Mas é um filme sobre o que? Sempre lembro da resposta do Veríssimo quando perguntado “Titanic é sobre o que?”, e ele responde: um homem, uma mulher e uma pedra de gelo. Então, utilizando a mesma técnica, Domino é sobre uma menina rica que perde o pai e um peixe dourado, e resolve virar caçadora de recompensas. Só isso? É, só isso. Alguns lampejos de originalidade e um final politicamente correto.
Direção: Mark Dindal.
Vozes: Zach Braff, Joan Cusack, Katie Finneran, Don Knotts, Garry Marshall, Amy Sedaris, Jeremy Shada, Steve Zahn.
Papel e caneta na mão, anotem a receita de como pegar milhões de trouxas:
- Crie um personagem de animação bonitinho, fofinho, daqueles que quando virem façam um sonoro “ohhhhhh”;
- Faça o mesmo com os personagens secundários;
- Pegue uma música animada do momento e faça um trailer;
- Escolha um roteiro qualquer, isso não é importante;
- Gaste milhões com marketing, e pronto, temos um filme de sucesso.
Eu deveria guardar essa resenha, pois será usada em muitos outros filmes. Já estou até me cansando de sempre escrever a mesma coisa. Não adianta continuar fazendo animações apenas para crianças. Onde ficou aquela bonita lição de moral dos desenhos antigos? A lição de moral dessa animação é mostrar que se você fizer algo de errado ou vergonhoso, só vão esquecer se você fizer algo nobre, ou provar que você estava certo. Ou seja, nele diz que você é culpado até que prove que não é. Essa é a grande lição de moral do filme. Mas acho que existe uma outra lição de moral: não gaste seu dinheiro com qualquer filme. Talvez essa seja a grande lição de moral do filme.
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