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Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas

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Direção: Rob Marshall.
Elenco/Vozes: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Sam Claflin, Astrid Berges-Frisbey, Kevin McNally, Keith Richards.

Mesmo notórios cinéfilos e críticos reconhecem o poder da série Piratas do Caribe, que acaba de deixar de ser uma trilogia para navegar em águas misteriosas. Sendo um filme da Disney sobre uma atração em um parque de diversões, foi uma imensa surpresa para milhões de espectadores quão bem os primeiros filmes funcionaram. O crédito principal vai claro ao protagonista, o Capt. Jack Sparrow, que rapidamente virou um dos grandes nomes do cinema. Johnny Depp o interpreta com extrema astúcia em todos os filmes, incluindo esse quarto. Mas as histórias, por mais mentirosas, exageradas que fossem, tinham sempre um fundamento interessante, um pouco de filme sério (seja no drama, na trilha sonora pesada, no suspense). Não era o típico blockbuster, era algo mais.

Porém os cinestas não conseguiram manter a criatividade e qualidade durante a sequência dos filmes, que pouco a pouco foram se tornando mais instáveis do que deveriam. E se o terceiro filme foi considerado o pior da trilogia, ele surpeendeu em boa parte por ter um tom mais sombrio, um certo peso dramático muitas vezes ausente em blockbusters. Isso, e os efeitos mais espetaculares do que nunca, sustentaram o filme.

O quarto filme infelizmente não tem um ás na manga. Ele tenta manter o que funcionou nos primeiros filmes, mas sem a mesma competência. O diretor Rob Marshall, que pessoalmente não sou fã (não tendo gostado dos seus musiciais e descordando fortemente do Oscar para Chicago), até faz um trabalho honesto e tenta deixar de lado suas marcas registradas, mas não consegue manter o mesmo clima e ritmo de Gore Verbinski. E se muitos comemoraram a saída de Orlando Bloom e Keira Knightley do elenco, a verdade é que o novo casal coadjuvante proposto no filme (o clérico e a sereia), não tem a mesma química e acabam sendo coadjuvantes demais. Por serem menos focados e trabalhados, não passam vergonha (como passaram o casal anterior em tantos diálogos tolos), mas também não agradam. Uma pena, pois principalmente o personagem do clérico preso num navio pirata poderia ter sido melhor aproveitado.

Todas as fichas parecem ter sido apostadas mesmo nas entradas de Penélope Cruz e Ian McShane, como a ex-amante Angelica e seu suposto pai, o terrível Barba Negra. E se Jack Sparrow e os piratas “figurantes” continuam fazendo um bom trabalho no filme, me parece que é aqui a grande falha do filme. Penélope está obviamente muito bem no papel e convence como amante, “donzela” e heroína. Mas isso não significa que seu papel é bem aproveitado, sendo forçoso na maior parte do filme e tomando ações que simplesmente não convencem. E principalmente o Barba Negra, supostamente o mais terrível pirata dos mares, se empaliderecia perante o ex-capitão do Holandês Voador, Davy Jones, que além de ser apresentado no segundo e terceiro filme como muito mais maldoso e sombrio, tem uma história bem convincente de amor, traição e armargura. Já o Barga Negra soa tolo, muitas vezes perdido em cena, além de extramente instável – mesmo quando faz o que o filme trata como uma “atrocidade”, a verdade é que ele não assusta ninguém, chegando a beirar o cômico em algumas cenas. O excelente Ian McShane pouco pode fazer para salvar o personagem, trabalhado erroneamente pelos roteiristas e com isso traindo o quarto filme que fica sem um vilão digno da série, que teve com Capitão Barbossa, Davy Jones e Cutler Beckett vilões de fazer inveja a qualquer filme.

Com isso o destaque do filme se reduz a seu elenco, que conta ainda com Geoffrey Rush mais uma vez excelente no papel de Hector Barbossa, dessa vez trazendo também um certo tom cômico ao personagem. Os efeitos são bons mas não chamam atenção como nos primeiros filmes, e apesar do filme ter ação quase ininterrupta e ser o mais curto dos quatro, é de longe o mais tedioso da série. As lutas, coreografias, além das famosas escapadas “improvisadas” do capitão Jack, nada convence como nos outros.

Mas não se preocupe. Os verdadeiros fãs de Jack Sparrow e da série, junto daqueles que se encantaram com a trilogia inicial, não sairão totalmente desapontados. Talvez não justifique o caro ingresso 3D (que não paguei), mas não deixa de divertir e levar a frente a série, que parece apenas um pouco desgastada. Um retorno de Gore Verbinski a série ou o infalível remédio dos anos pode justificar ainda um quinto filme, no futuro, mais interessante.

Bodão

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Nota dos Leitores para “Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas”

6 Votos
Nota média: 4.5

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