Direção: Sidney Lumet.
Elenco/Vozes: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Binns, E.G. Marshall, John Fiedler, Jack Klugman, Joseph Sweeney.
Um rapaz de doze anos é acusado de matar o próprio pai e está prestes a ser sentenciado à cadeira elétrica. Um grupo de doze jurados deve tomar a decisão de julgar o garoto como culpado ou inocente. E a decisão deve ser unânime. Este é o ponto de partida do filme Doze Homens e uma Sentença de Sidney Lumet.
O filme se desenvolve a partir de uma divergência entre os jurados: na votação para decidir se o garoto é culpado ou não, onze deles se pronunciam a favor da condenação, enquanto apenas um é contra a condenação. Desenrolando-se a partir desta divergência, Doze Homens e uma Sentença ganha força na potência dos diálogos que compõem a discussão para definir se o jovem deve ou não ser condenado.
Mas não se trata apenas de um debate sobre a inocência ou a culpabilidade de um rapaz. Trata-se de uma exposição sobre a formação de nossas opiniões, sobre o quão elas podem ser influenciadas por coisas simples, o quão carregadas de preconceitos elas podem estar, ou ainda, sobre o quão duvidosas e incertas elas podem ser. É isto que torna o filme tão interessante. Notar como as certezas podem ser desfeitas em incertezas, como os preconceitos modelam nosso julgamento, como deixamos coisas singelas passarem despercebidas, coisas que inverteriam completamente nosso julgamento se as percebêssemos. Enfim, observar o outro lado da moeda, isto é, como as mais evidentes certezas podem se transformar nas mais evidentes incertezas. É um exercício de ceticismo.
O jurado que discorda da condenação, não discorda porque acredite que o garoto é inocente. Discorda porque não está plenamente convencido. Discorda porque há uma “dúvida razoável” sobre a culpabilidade. A partir disso, ele pouco a pouco mostra como cada prova que afirma a culpa do garoto não prova necessariamente. Algumas, pelo contrário, até apontam para a inocência dele. Os jurados são levados por um processo que visa transformar suas certezas em dúvidas. Processo que leve-os a absterem-se do julgamento a favor da culpabilidade. Processo este bastante parecido com o de um cético, que se abstêm de ajuizar sobre tudo, visto que tudo contêm a mesma carga de probabilidade.
Tudo é incerto. A busca de uma prova concreta, que consiga condenar o rapaz com absoluta certeza lembra a dúvida metódica de Descartes. Esta dúvida consistia num método empregado pelo filósofo francês que buscava por algo no mundo que se pudesse afirmar com plena certeza, sem a menor sombra de erro. Qualquer vestígio de dúvida que pudesse pairar sobre uma afirmação seria motivo para descartá-la como falsa. No caso do filme, qualquer prova que não se afirme com 100% de certeza não é capaz de provar verdadeiramente. A diferença fica por conta dos resultados. Se por um lado Descartes alcança a sua certeza com o Cogito, por outro lado os jurados são levados ao estado de dúvida permanente.
Visto que se é inocente até que se prove o contrário, o garoto possui grandes chances desde que todos os jurados sejam tocados pela dúvida.
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Nota dos Leitores para “Doze Homens e uma Sentença”
6 Votos
Nota média: 5
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26/9/2011 às 20:37
Henrique,
Apoiado na crítica e na nota. Esse é um dos clássicos que merece cada uma das letras do adjetivo. Clássico para ninguém botar defeito!
Demorei para “redescobrir” esse filme mas hoje o DVD fica sempre por perto. É simplesmente genial o filme, a narrativa, os diálogos, as atuações. Lumet se tornou aí um dos meus diretores favoritos – por sinal, recomendo demais o último dele, Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto. Espero que ele ainda esteja aproveitando os seus 30 minutos!
Abraços!