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Super 8

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Direção: J. J. Abrams.
Elenco/Vozes: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Joel McKinnon Miller, Noah Emmerich, Glynn Turman, David Gallagher, Ron Eldard.

Quando os filmes deixaram de ser divertidos? – essa foi a pergunta que ficou em minha cabeça no final do filme. “Super 8″ nos remete há um tempo em que os filmes eram mais mágicos, divertidos, interessantes. Um tempo em que eram combustível para nossa criatividade. Tempo em que a hoje famosa frase – “Cinema é a maior diversão” – realmente fazia sentido.

Quando os filmes perderam esse brilho?

Talvez seja a busca inconseqüente pela originalidade. O suspense, por exemplo, há muito deixou de fazer medo ou assustar. Agora só enoja. Cheio de violência gratuita e busca pelos limites do suportável, esquece de divertir. A comédia também se perdeu: não é mais engraçada! Exagerada, tola, apelativa… Mas engraçada mesmo? Não. Que tipo de comédia é essa, que não faz rir? E as aventuras, tão magníficas que foram no passado, hoje desrespeitam tanto a realidade, concentram-se tanto nos efeitos e na artificialidade, que falham no desenvolvimento dos personagens e na atração do público, mais parecendo videogames. Esquecem de divertir.

Nada contra o cinema de arte ou filmes mais reflexivos. Também os adoro. Mas em boa parte do tempo, procuro diversão. Uma diversão a altura de outros passatempos que temos hoje: séries de TV, jogos, hobbies, documentários. Pouco a pouco o cinema vinha perdendo essa batalha, por isso “Super 8″ é uma grande surpresa. É engraçado, sentimental, interessante e, o mais importante, divertido. O filme mais divertido que assisti em muitos anos.

“Super 8″ funciona igualmente bem como homenagem e resgate. Em uma determinada cena, temos a certeza de estar acompanhando Indiana Jones em uma de suas espetaculares fugas. Apenas quando a câmera faz um close-up (em um travelling típico dos filmes do arqueólogo), é que lembramos se tratar de outro personagem. Em outra passagem, um garoto aponta a lanterna para uma garagem onde um ser desconhecido faz uma tremenda bagunça. Esperamos que a bola de baseball seja jogada, mas claro que ela não é. E, apesar das bugigangas serem trocadas por fogos de artifícios e bombas, temos a impressão de que o jovem Data está presente por todo o filme.

Mas “Super 8″ não se resume a isso. Logo no início do filme temos uma importante aproximação dos personagens. De tão familiar que é aquele grupo de jovens e suas emoções, viram reais. As melhores cenas do filme envolvem simples interações entre os amigos, mesmo nos momentos mais extremos. Os efeitos especiais são muito bem utilizados, são honestos. A cena envolvendo o trem é magnífica: tanto pelo argumento usado pelos personagens na aproximação do trem, como no seu destino. Trabalhando várias dimensões de emoção em uma só cena, J.J. Abrams prova ali que ação é algo que ele realmente entende.

A comédia está muito bem presente (não perca os créditos), o suspense também. Os sustos são inevitáveis. E o relacionamento entre dois personagens é muito bem trabalhado em um romance tímido, mas convincente. É através da ligação entre os dois personagens principais (Joel Courtney, excelente, e Elle Fanning, melhor ainda) que o filme vai bem além das homenagens ao cinema e aos sucessos oitentistas. Os personagens nos mostram suas aflições, perdas, problemas. E também suas paixões, o que os motiva, sua esperança. E apenas imergindo nesse relacionamento podemos nos preparar para um final tão sentimental e emotivo como o de todos aqueles filmes que adorávamos. Ou será que esquecemos?

Bodão

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Meia-Noite em Paris

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Direção: Woody Allen.
Elenco/Vozes: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Michael Sheen, Kathy Bates, Carla Bruni, Alison Pill, Tom Hiddleston, Léa Seydoux, Adrien Brody, Kurt Fuller, Corey Stoll, Mimi Kennedy, Gad Elmaleh, Nina Arianda, Marcial Di Fonzo Bo, Adrien de Van.

Outro dia me peguei pesquisando o preço de coisas que não posso comprar. Não era pelo preço de carros 0 km que eu procurava. Nem por computadores, celulares ou outros apetrechos de última geração. Também não estava atrás de roupas super na moda e super caras. Meus trapos ainda me caem bem, ainda suporto o transporte público e meu computador ainda dá conta do recado. O que procurava mesmo era um toca discos. É, isso mesmo, um daqueles aparelhos nos quais se colocavam os discos de vinil e eles emitiam a música que estava no disco. Pode-se adjetivar de várias maneiras estes aparelhos, indo de ultrapassado a desnecessário. Eu prefiro chamar de fascinante.

Tenho a constante impressão de que o presente é completamente decadente quando se trata de cultura. Nada hoje consegue representar um décimo do que significava The Beatles, Elvis Presley ou Bob Dylan criando suas melhores canções. Ou da boêmia literária parisiense dos anos 20 encabeçada por Hemingway e Fitzgerald. Ou dos anos 50 e 60 do cinema, onde encontrávamos em plena produção uma variedade de cineastas geniais, como Bergman, Fellini e Kubrick. Pode-se dizer o mesmo de quase tudo que se queira. Até sobre o futebol se assim for aprazível. Nada é como antes; nem cinema, nem literatura, nem música, nem futebol, nem filosofia. As luzes se apagaram e os gênios morreram. Os poucos vislumbres da luz que restaram são pequenos oásis em desertos de futilidades, vaidades e interesses econômicos.

Digo tudo isso para justificar a minha imensa aprovação ao último filme de Woody Allen. Meia-Noite em Paris, que teve sua primeira sessão no festival de Cannes deste ano, retrata Gil (Owen Wilson), um romancista frustrado, tanto artisticamente como existencialmente, que precisa se mudar para Paris a trabalho. Mas isso é só a casca do filme. Porque em essência, se trata da representação de um jovem frustrado com a vida e com o trabalho, que possui uma adoração por Paris e a impressão de que tudo no passado é melhor que no presente.

A mágica da coisa (literalmente) fica por conta de um acontecimento inusitado. Vagando por Paris tarde da noite, ele se vê convidado para entrar num carro antigo ao badalar da meia-noite. E é entrando neste carro que tudo se transforma e ele é levado de volta aos anos 20 de Paris (sua época preferida), encontrando personagens inusitados como o casal Fitzgerald, Hemingway, Picasso, Dalí, Buñuel, Cole Porter e Gertrud Stein. Num vai e vem entre presente e passado seus anseios se dissipam e ele se vê diante da vida dos seus sonhos. Mas a adesão a esta vida revela seus problemas e se faz necessário tomar consciência do que passado e presente representam para ele e para todos nós. Faz-se necessário perceber que o problema não está no passado. O problema é com a vida. E nesta direção uma das frases mais marcantes do filme resolve a charada. Nós sentimos que o presente é vazio porque a vida é vazia. Eis a essência da reflexão do filme. Mas para ter a noção completa da reflexão e da sensação que ela causa é preciso assistir o filme.

Allen me pegou sinceramente de surpresa, visto que sempre espero dele apenas um filme acima da média, não algo com o qual eu me identificasse tão completamente como Meia-Noite em Paris, que se tornou um dos filmes dele que mais gosto ao lado de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e A Rosa Púrpura do Cairo.

Com tudo isso levado em consideração, acho que nada mais justo do que considerar Woody Allen um daqueles pequenos oásis de genialidade em meio ao imenso deserto de nossa decadência cultural.

Henrique Torres

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Doze Homens e uma Sentença

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Direção: Sidney Lumet.
Elenco/Vozes: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Binns, E.G. Marshall, John Fiedler, Jack Klugman, Joseph Sweeney.

Um rapaz de doze anos é acusado de matar o próprio pai e está prestes a ser sentenciado à cadeira elétrica. Um grupo de doze jurados deve tomar a decisão de julgar o garoto como culpado ou inocente. E a decisão deve ser unânime. Este é o ponto de partida do filme Doze Homens e uma Sentença de Sidney Lumet.

O filme se desenvolve a partir de uma divergência entre os jurados: na votação para decidir se o garoto é culpado ou não, onze deles se pronunciam a favor da condenação, enquanto apenas um é contra a condenação. Desenrolando-se a partir desta divergência, Doze Homens e uma Sentença ganha força na potência dos diálogos que compõem a discussão para definir se o jovem deve ou não ser condenado.

Mas não se trata apenas de um debate sobre a inocência ou a culpabilidade de um rapaz. Trata-se de uma exposição sobre a formação de nossas opiniões, sobre o quão elas podem ser influenciadas por coisas simples, o quão carregadas de preconceitos elas podem estar, ou ainda, sobre o quão duvidosas e incertas elas podem ser. É isto que torna o filme tão interessante. Notar como as certezas podem ser desfeitas em incertezas, como os preconceitos modelam nosso julgamento, como deixamos coisas singelas passarem despercebidas, coisas que inverteriam completamente nosso julgamento se as percebêssemos. Enfim, observar o outro lado da moeda, isto é, como as mais evidentes certezas podem se transformar nas mais evidentes incertezas. É um exercício de ceticismo.

O jurado que discorda da condenação, não discorda porque acredite que o garoto é inocente. Discorda porque não está plenamente convencido. Discorda porque há uma “dúvida razoável” sobre a culpabilidade. A partir disso, ele pouco a pouco mostra como cada prova que afirma a culpa do garoto não prova necessariamente. Algumas, pelo contrário, até apontam para a inocência dele. Os jurados são levados por um processo que visa transformar suas certezas em dúvidas. Processo que leve-os a absterem-se do julgamento a favor da culpabilidade. Processo este bastante parecido com o de um cético, que se abstêm de ajuizar sobre tudo, visto que tudo contêm a mesma carga de probabilidade.

Tudo é incerto. A busca de uma prova concreta, que consiga condenar o rapaz com absoluta certeza lembra a dúvida metódica de Descartes. Esta dúvida consistia num método empregado pelo filósofo francês que buscava por algo no mundo que se pudesse afirmar com plena certeza, sem a menor sombra de erro. Qualquer vestígio de dúvida que pudesse pairar sobre uma afirmação seria motivo para descartá-la como falsa. No caso do filme, qualquer prova que não se afirme com 100% de certeza não é capaz de provar verdadeiramente. A diferença fica por conta dos resultados. Se por um lado Descartes alcança a sua certeza com o Cogito, por outro lado os jurados são levados ao estado de dúvida permanente.

Visto que se é inocente até que se prove o contrário, o garoto possui grandes chances desde que todos os jurados sejam tocados pela dúvida.

Henrique Torres

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Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas

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Direção: Rob Marshall.
Elenco/Vozes: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Sam Claflin, Astrid Berges-Frisbey, Kevin McNally, Keith Richards.

Mesmo notórios cinéfilos e críticos reconhecem o poder da série Piratas do Caribe, que acaba de deixar de ser uma trilogia para navegar em águas misteriosas. Sendo um filme da Disney sobre uma atração em um parque de diversões, foi uma imensa surpresa para milhões de espectadores quão bem os primeiros filmes funcionaram. O crédito principal vai claro ao protagonista, o Capt. Jack Sparrow, que rapidamente virou um dos grandes nomes do cinema. Johnny Depp o interpreta com extrema astúcia em todos os filmes, incluindo esse quarto. Mas as histórias, por mais mentirosas, exageradas que fossem, tinham sempre um fundamento interessante, um pouco de filme sério (seja no drama, na trilha sonora pesada, no suspense). Não era o típico blockbuster, era algo mais.

Porém os cinestas não conseguiram manter a criatividade e qualidade durante a sequência dos filmes, que pouco a pouco foram se tornando mais instáveis do que deveriam. E se o terceiro filme foi considerado o pior da trilogia, ele surpeendeu em boa parte por ter um tom mais sombrio, um certo peso dramático muitas vezes ausente em blockbusters. Isso, e os efeitos mais espetaculares do que nunca, sustentaram o filme.

O quarto filme infelizmente não tem um ás na manga. Ele tenta manter o que funcionou nos primeiros filmes, mas sem a mesma competência. O diretor Rob Marshall, que pessoalmente não sou fã (não tendo gostado dos seus musiciais e descordando fortemente do Oscar para Chicago), até faz um trabalho honesto e tenta deixar de lado suas marcas registradas, mas não consegue manter o mesmo clima e ritmo de Gore Verbinski. E se muitos comemoraram a saída de Orlando Bloom e Keira Knightley do elenco, a verdade é que o novo casal coadjuvante proposto no filme (o clérico e a sereia), não tem a mesma química e acabam sendo coadjuvantes demais. Por serem menos focados e trabalhados, não passam vergonha (como passaram o casal anterior em tantos diálogos tolos), mas também não agradam. Uma pena, pois principalmente o personagem do clérico preso num navio pirata poderia ter sido melhor aproveitado.

Todas as fichas parecem ter sido apostadas mesmo nas entradas de Penélope Cruz e Ian McShane, como a ex-amante Angelica e seu suposto pai, o terrível Barba Negra. E se Jack Sparrow e os piratas “figurantes” continuam fazendo um bom trabalho no filme, me parece que é aqui a grande falha do filme. Penélope está obviamente muito bem no papel e convence como amante, “donzela” e heroína. Mas isso não significa que seu papel é bem aproveitado, sendo forçoso na maior parte do filme e tomando ações que simplesmente não convencem. E principalmente o Barba Negra, supostamente o mais terrível pirata dos mares, se empaliderecia perante o ex-capitão do Holandês Voador, Davy Jones, que além de ser apresentado no segundo e terceiro filme como muito mais maldoso e sombrio, tem uma história bem convincente de amor, traição e armargura. Já o Barga Negra soa tolo, muitas vezes perdido em cena, além de extramente instável – mesmo quando faz o que o filme trata como uma “atrocidade”, a verdade é que ele não assusta ninguém, chegando a beirar o cômico em algumas cenas. O excelente Ian McShane pouco pode fazer para salvar o personagem, trabalhado erroneamente pelos roteiristas e com isso traindo o quarto filme que fica sem um vilão digno da série, que teve com Capitão Barbossa, Davy Jones e Cutler Beckett vilões de fazer inveja a qualquer filme.

Com isso o destaque do filme se reduz a seu elenco, que conta ainda com Geoffrey Rush mais uma vez excelente no papel de Hector Barbossa, dessa vez trazendo também um certo tom cômico ao personagem. Os efeitos são bons mas não chamam atenção como nos primeiros filmes, e apesar do filme ter ação quase ininterrupta e ser o mais curto dos quatro, é de longe o mais tedioso da série. As lutas, coreografias, além das famosas escapadas “improvisadas” do capitão Jack, nada convence como nos outros.

Mas não se preocupe. Os verdadeiros fãs de Jack Sparrow e da série, junto daqueles que se encantaram com a trilogia inicial, não sairão totalmente desapontados. Talvez não justifique o caro ingresso 3D (que não paguei), mas não deixa de divertir e levar a frente a série, que parece apenas um pouco desgastada. Um retorno de Gore Verbinski a série ou o infalível remédio dos anos pode justificar ainda um quinto filme, no futuro, mais interessante.

Bodão

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Thor

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Direção: Kenneth Branagh.
Elenco/Vozes: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Rene Russo.

Quem é Thor no jogo do bicho? Um personagem dos mais desinteressantes já vistos. Filho de rei, fortão, loiro, cujo grande poder é segurar e arremessar um martelo. Convenhamos, resumidamente é isso mesmo. Logo no início, somos apresentados às duas crianças, que só faltava ser um negro e um branco pra ficar mais maniqueísta e racista. Óbvio que o loirinho é “do bem” e o outro o malvado. Crescendo à sombra do seu pai Odin, Thor não aprende nada de valor com os ensinamentos e discursos do pai. Tornando-se assim um playboy mimado com o seu martelo fodão.

Enchendo a cara num posto com os amigos perto da cidade de ouro, Thor resolve revidar uma pequena invasão feita pelo povo de gelo. Seu irmão de leite, Loki, sempre com cara de “eu sou o vilão”, faz parte do bando da galera, mas sempre se sentindo um cubo de gelo fora da forma. Thor e sua gangue pegam o carro do pai e saem cantando pneu pra cidade, em busca de arruaça e confusão. Começa o quebra pau, Thor sempre martelando o martelão. Quando a coisa fica feia, eis que surge Odin, que resolve por panos quentes na parada e traz a molecada pra casa.

Depois de cortar a mesada, tomar a chave do carro, esconder o PS3, Odin dá o pior castigo do mundo ao seu filhote: manda-o ao inferno, ou seja, a Terra. Além disso, roga uma praga de que ele só poderá pegar seu amaciador de carne quando for digno de fazer um filet. Chegando a Terra, Thor é premiado com a melhor coisa do filme, um atropelamento da Natalie Portman, que depois de fazer Cisne Negro pensou: quero agora um filme que não precise pensar.

E é nesse contexto que surge a “Jar Jar Binks” do filme. Uma menina peituda (oba!) fazendo piadas sobre facebook, ipod, e outras coisas que daqui a alguns anos vai ter o mesmo significado de um walkman pra uma criança de 10 anos hoje (2011). Algumas pessoas riram durante as piadas, e tocaram levemente seus bolsos em busca do seu precioso ipod.

Disputando espaço com a SHIELD, Thor tenta ser um cozinheiro digno e merecer o seu amaciador de carne. Por sorte ele assistiu algumas horas de Ana Maria Braga e conseguiu. Então martela o martelão, vou te botar na roda e fazer muita pressão. Enquanto isso, na sua terra natal dourada, seu irmão Loki está tocando o terror. Aproveitando que seu pai tomou um antidepressivo para suportar as peripécias feitas por Thor, Loki dá uma de vilão dos Power Rangers e manda um robô gigante matar seu irmão.

Thor precisa pegar o próximo vôo pra casa. Chegando lá tem uma luta tipo pedra papel e tesoura com seu mano de gelo, e acaba destruindo a ponte do orgulho gay, consequentemente o acesso à Terra ou qualquer outra estação de metrô. Ou seja, adeus Copa do Mundo no Brasil. Odin acorda e diz estar orgulhoso de Thor, mas quem não estaria, em apenas dois dias o cara mudou da água ao vinho. Thor termina o filme conversando com o porteiro, que por sua vez tem ouvido de tuberculoso, e consegue ouvir Portman na terra. Thor pergunta: o que ela esta fazendo? E o porteiro responde: Chorando. Thor continua: Por mim? Porteiro conclui: Não, por ter participado da merda desse filme.

Rio

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Direção: Carlos Saldanha.
Elenco/Vozes: Leslie Mann, Kelly Keaton, Jesse Eisenberg, Wanda Sykes, Jane Lynch, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Will i Am, Phil Miler, Anne Hathaway.

Ainda marcado pelos filmes da franquia “A Era do Gelo”, Carlos Saldanha tem a chance de provar que não entende apenas de sair de uma fria. Rio começa bem colorido, com pássaros sambando e uma paisagem espetacular do Rio do Janeiro. De repente a festa dos pássaros acaba, e muitos são presos por contrabandistas de aves exóticas. Durante a distribuição das aves pelo mundo, Blu, a pequena ararinha protagonista do filme, cai do caminhão em algum lugar que certamente não é o Rio (legenda bem humorada NOT RIO). Reparem na traseira do caminhão as ranhuras do mecanismo de abrir e fechar a porta do caminhão, um exemplo claro da preocupação com o visual e detalhes do filme. Diga-se de passagem, bacana.

Mas, infelizmente, Rio fica preso as preocupações visuais, e traz um roteiro fraco, que mal consegue justificar a necessidade de certas cenas, como por exemplo, atravessar a Sapucaí pra chegar a uma pista de pouso e decolagem meio clandestina. Bem como a participação dos tais macaquinhos ladrões, que estão completamente desconexos à história. Sem contar que certamente os brasileiros vão achar estranha a escolha de macacos ladrões. Nem vou imaginar que isso foi feito com esse objetivo, me recuso. Não, isso não, mas certamente poderemos dizer que Saldanha tem uma visão nostálgica do Rio de Janeiro, pois apesar de brasileiro, aparentemente não tem visitado muito o seu país. Ficou mais preocupado em mostrar os postais da cidade, funcionando mais como um guia turístico do que como filme.

Saldanha adota uma postura muito caricata para retratar o Brasil, começando desde o cachecol verde e amarelo, até os exageros carnavalescos dos personagens masculinos. Reparem que todo personagem masculino tem uma fantasia pra soltar a franga no carnaval, até o Buldogue tem essa característica, além de trazer outro pitoresco e caricato símbolo brasileiro. Embora esboce uma crítica social ao exibir com detalhes uma favela, não aprofunda no tema, somente uma bela cena que mostra um garotinho em cima de um telhado, e por trás o plano de fundo da cidade maravilhosa. Deixando claro nosso país de contrastes. No resto é samba, futebol, redentor e pão de açúcar.

Diferente do seu protagonista, Blu, Carlos Saldanha entrou numa fria, mas não conseguiu sair. Com um roteiro fraco e uma direção com foco específico, mergulhou em personagens pouco interessantes, inventando situações para mostrar os pontos turísticos que não cabiam na história. Enfim, ele usou os macacos, mas acabou pisando na casca da banana.

Meu Malvado Favorito

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Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud.
Elenco/Vozes: Danny McBride, Jack McBrayer, Julie Andrews, Will Arnett, Jason Segel, Russell Brand, Steve Carell, Kristen Wiig.

Gru é o nome do malvado favorito citado no título do filme em português. Personagem este que parece ter sido “inspirado” em algum membro da família Adams, algo próximo ao tio Chico. Mas obviamente, “seguindo” a linha das animações, traz traços físicos do seu dublador Steve Carell. Logo no início somos levados a crer que esse cara não é tão malvado assim, reparem a cena em que um garotinho derruba a bola de sorte no chão. Essa dúvida não dura muito tempo, e Gru é categoricamente retratado como sombrio.

Gru não tem um carro, ele usa uma nave, e sai destruindo tudo que fica pela sua frente, demonstrando claramente que não se importa com nada a não ser seu objetivo, no caso comprar café. Sua casa lembra o castelo do Drácula, mas fica entre casas normais e coloridas. Sua grama não é verde, e seu cachorro não é um bichinho bonitinho.

Reconhecidamente o maior vilão da atualidade, Gru vê seu reinado em xeque após a revelação de um grande roubo. Resolve então por em prática um plano ainda mais ambicioso. Mas para isso, será necessário um empréstimo bancário. No banco vemos a figura do gerente com traços diabólicos, que só não confundido pelo próprio, pois esse deve ser o dono. Gru tem o empréstimo negado, e o gerente alega que precisa de garantias e, além disso, alerta para existência de novos vilões, jovens e mais ambiciosos.

Corroído de inveja, como se fosse um choque de gerações, Gru, da “escola antiga” se recusa a acreditar que aquela criatura de aparência boba pudesse ser capaz de ser um vilão melhor (pior?) que ele. E é nesse meio tempo que surgem as meninas do orfanato, responsáveis pela emissão dos sonoros “oh” por parte da platéia, obviamente pelos destacados e tocantes olhos grandes, comumente usados para representar os bonzinhos nas animações (o gato de botas em Shrek).

Outro ponto utilizado para causar expressões cômicas e sentimentais são os ajudantes do laboratório de Gru, liderados por uma figura pitoresca, por não dizer dantesca, de um velhinho cientista. Esses “Umpa Lumpas” funcionam razoavelmente bem para partes cômicas do filme, bem como para a dinâmica da relação entre Gru e as meninas. Relação esta que surge inicialmente como parte do plano de Gru para derrubar seu inimigo, mas que suavemente vai se desenvolvendo ao ponto de ser considerado um malvado favorito.

Meu Malvado favorito segue a “cartilha” das animações no que se refere à estrutura, personagens e referências a outros filmes. E talvez por isso tenha pecado tanto, pois soa como uma preguiça misturada com falta de criatividade. Convenhamos que não seja uma tarefa fácil competir com a Pixar, mas não justifica fazer filme ruim por conta disso.

Cisne Negro

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Direção: Darren Aronofsky.
Elenco/Vozes: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder.

Tchaikovsky. Um nome plenamente conhecido no mundo da música clássica e nem de longe esquecido pela sétima arte: ainda nesse século um certo herói mascarado se inspirou no compositor russo em uma belíssima abertura enquanto que, décadas antes, filmes como Fellini 8 1/2 já usavam composições dele. O compositor romântico é ainda importante por seus balés, tendo obtido com O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes grande reconhecimento. Por ser alguém importante nestes três mundos o russo, que teve uma vida bastante controversa sob suspeita de homossexualidade e possível suícidio, teve sua obra escolhida por Aronofsky (Fonte da Vida, O Lutador) e um trio de roteiristas como fonte de inspiração para uma história que, inicialmente, se passaria nos bastidores de uma peça de teatro.

A escolha parece inusitada já que muitos espectadores devem ter se perguntado por que ir ao cinema ver um filme dramático sobre uma dançarina de balé? De fato não fossem pelas indicações ao Oscar e a presença de Natalie Portman muitos nunca teriam ido, o que seria uma pena pois Cisne Negro é um filme tão especial a ponto de questionar a preferência das premiações a outros filmes menos artísticos e interessantes. Sendo possivelmente a obra prima de Aronofsky até aqui, Cisne Negro é um filme completo que conta com atuações brilhantes, história intrigante, direção e técnica impecáveis, mas principalmente cenas fortes e belas que merecem ser vistas na grande tela. Não é um filme tão ingerível como outros bons filmes deste ano mas isso só aumenta seus méritos, já que o peso psicológico do filme apenas agrega intensidade a uma experiência inesquecível.

Além do próprio balé e da trama por trás de O Lago dos Cisnes o filme tem mais um tema importante, que é certamente o mais abordado pelo diretor em suas obras: a obsessão. Já tendo explorado desde a obsessão pela busca por padrões matemáticos até a obsessão pela vida eterna, ele é inclusive reconhecido por ser obcecado pela qualidade dos seus trabalhos. Em Cisne Negro Aronofsky nos insere na vida de Nina (interpretada por Portman, que levará o Oscar), uma bailarina obcecada por sua carreira e pela perfeição que tem, com a oportunidade de estrelar O Lago dos Cisnes, as portas abertas para o sucesso. Porém a sua própria obsessão acaba virando seu principal obstáculo.

Colocando a dança como parte importante do filme, Aronofsky nos apresenta sua beleza e harmonia mas não nos esconde o rigor e sofrimento tão comuns em grandes espetáculos. Retratando fortemente a dor física e psicológica a que os artistas são submetidos o diretor consegue aumentar o interesse e a grandeza da arte apresentada, resultando em cenas de tirar o fôlego até mesmo de desinteressados. É então nessa dualidade que a história ganha peso como trama, já que o lado puro e perfeito da arte é comparado com seu lado sombrio e espontâneo da mesma forma que a personagem principal do balé, Odette, pura e meiga, tem uma equivalente representação sombria. Como o grande diferencial desta versão do balé é usar a mesma dançarina em dois papéis (heroína e vilã), cabe a Nina convencer a todos que pode interpretar ambos os lados tendo que, para isso, explorar seu próprio lado sombrio (o Cisne Negro) e renegar sua fragilidade, pureza, infantilidade.

É aqui que Aronofsky insere um simbolismo importantíssimo no filme: o espelho. Contando com uma quase totalidade de cenas em que aparecem espelhos ou reflexões claras, o filme explora a dualidade em diversos aspectos, retratando os conflitos psicológicos da personagem principal; o sucesso e o fracasso das carreiras, muitas vezes por decisões extremas; e até mesmo a sexualidade, algo natural e prazeroso que no caso de Nina é reprimido por uma relação complicada com sua mãe. E não por acaso o diretor do balé, Thomas (Cassel) já aparece nas primeiras cenas através de um espelho. Thomas é retratado com complexidade, sendo muitas vezes destacado como o gênio por trás do espetáculo para em seguida ser mostrado como um mero aproveitador de donzelas.

Aqui a personagem principal se envolve com outra importante figura: uma nova bailarina (interpretada por Kunis) que chama a atenção do diretor principalmente por seu lado espontâneo e sensual, adequado para a interpretação da vilã e contestador do conceito de perfeição adotado por Nina na sua dança. Mesmo sendo algumas vezes amiga e bem intencionada a nova bailarina não convence Nina, que acaba nutrindo por ela emoções diversas como inveja, raiva e atração. Na medida em que a trama se desenrola a personagem principal aumenta sua obsessão e paranóia, começando a ver partes de si (o lado sombrio, que ela precisa encontrar para o papel) em conhecidos, estranhos e, principalmente, nos espelhos.

E como somos apresentados logo no início a história de O Lago dos Cisnes, que possui um final se não triste certamente fatal, não demora a nos perguntarmos se a viagem psicológica e emocional que o filme retrata não levará inevitavelmente a um final tão dramático como o do próprio balé. E nesse questionamento o espelho tem participação novamente importante, tornando-se um personagem do filme e representando o confronto direto entre os lados puros e sombrios de Nina. É então nesse clima de conflito interno que o filme nos presenteia com um dos finais mais memoráveis do cinema recente: um desfecho emocionante para o balé e para a trama. Será que trágico, triste? Difícil julgar. Eu ficaria com a opinião sugerida pelo próprio filme: perfeito.

Bodão

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