Direção: J. J. Abrams.
Elenco/Vozes: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Ryan Lee, Joel McKinnon Miller, Noah Emmerich, Glynn Turman, David Gallagher, Ron Eldard.
Quando os filmes deixaram de ser divertidos? – essa foi a pergunta que ficou em minha cabeça no final do filme. “Super 8″ nos remete há um tempo em que os filmes eram mais mágicos, divertidos, interessantes. Um tempo em que eram combustível para nossa criatividade. Tempo em que a hoje famosa frase – “Cinema é a maior diversão” – realmente fazia sentido.
Quando os filmes perderam esse brilho?
Talvez seja a busca inconseqüente pela originalidade. O suspense, por exemplo, há muito deixou de fazer medo ou assustar. Agora só enoja. Cheio de violência gratuita e busca pelos limites do suportável, esquece de divertir. A comédia também se perdeu: não é mais engraçada! Exagerada, tola, apelativa… Mas engraçada mesmo? Não. Que tipo de comédia é essa, que não faz rir? E as aventuras, tão magníficas que foram no passado, hoje desrespeitam tanto a realidade, concentram-se tanto nos efeitos e na artificialidade, que falham no desenvolvimento dos personagens e na atração do público, mais parecendo videogames. Esquecem de divertir.
Nada contra o cinema de arte ou filmes mais reflexivos. Também os adoro. Mas em boa parte do tempo, procuro diversão. Uma diversão a altura de outros passatempos que temos hoje: séries de TV, jogos, hobbies, documentários. Pouco a pouco o cinema vinha perdendo essa batalha, por isso “Super 8″ é uma grande surpresa. É engraçado, sentimental, interessante e, o mais importante, divertido. O filme mais divertido que assisti em muitos anos.
“Super 8″ funciona igualmente bem como homenagem e resgate. Em uma determinada cena, temos a certeza de estar acompanhando Indiana Jones em uma de suas espetaculares fugas. Apenas quando a câmera faz um close-up (em um travelling típico dos filmes do arqueólogo), é que lembramos se tratar de outro personagem. Em outra passagem, um garoto aponta a lanterna para uma garagem onde um ser desconhecido faz uma tremenda bagunça. Esperamos que a bola de baseball seja jogada, mas claro que ela não é. E, apesar das bugigangas serem trocadas por fogos de artifícios e bombas, temos a impressão de que o jovem Data está presente por todo o filme.
Mas “Super 8″ não se resume a isso. Logo no início do filme temos uma importante aproximação dos personagens. De tão familiar que é aquele grupo de jovens e suas emoções, viram reais. As melhores cenas do filme envolvem simples interações entre os amigos, mesmo nos momentos mais extremos. Os efeitos especiais são muito bem utilizados, são honestos. A cena envolvendo o trem é magnífica: tanto pelo argumento usado pelos personagens na aproximação do trem, como no seu destino. Trabalhando várias dimensões de emoção em uma só cena, J.J. Abrams prova ali que ação é algo que ele realmente entende.
A comédia está muito bem presente (não perca os créditos), o suspense também. Os sustos são inevitáveis. E o relacionamento entre dois personagens é muito bem trabalhado em um romance tímido, mas convincente. É através da ligação entre os dois personagens principais (Joel Courtney, excelente, e Elle Fanning, melhor ainda) que o filme vai bem além das homenagens ao cinema e aos sucessos oitentistas. Os personagens nos mostram suas aflições, perdas, problemas. E também suas paixões, o que os motiva, sua esperança. E apenas imergindo nesse relacionamento podemos nos preparar para um final tão sentimental e emotivo como o de todos aqueles filmes que adorávamos. Ou será que esquecemos?
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