Direção: Clark Gregg.
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.
Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão alocados na sociedade, convivendo trabalhando e assexuando por aí. Quem não lembra, foi ele quem escreveu o livro que originou Clube da Luta, que se tornou um dos melhores filmes da década passada. O mérito caiu sobre David Fincher, mas o autor de toda aquela paranóia foi Chuck Palahniuk.
Em sua segunda adaptação para as telas, o filme não teve reconhecimento nenhum nos cinemas estreando apenas em algumas sessões na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, chegando diretamente nas locadoras, e o motivo pelo qual há tanta subestimação se deve ao fato de que as obras desse cara são fortes, tocantes e corrosivas demais para o espectador médio, digamos assim.
Victor Mancini é um desses errantes que figuram nas histórias do autor, vive de aplicar golpes em restaurantes se sufocando com a própria comida, frequenta grupos de auto-ajuda para viciados em sexo, apenas com o intuito de conhecer mulheres e praticar mais sexo. O único emprego que o cara consegue é num museu ao ar livre, onde ele é obrigado a se vestir como se estivesse em 1700. Tem uma mãe internada a beira da sanidade, com o Mal de Alzheimer (Anjelica Huston, ótima) a qual precisa de um tubo intestinal para se alimentar direito. O melhor amigo de Victor é um cara tão maluco quanto ele que coleciona pedras e se masturba incontrolavelmente.
O filme transcorre em meios a essas sucessões bizarras e aos diálogos causticantes que fazem mais efeitos nas páginas do livro, pois há ótimas sacadas no livro, como o fato de que a mãe de Victor conta a ele que ele é o filho do Messias, por causa de um prepúcio sagrado roubado. Esses momentos passam despercebidos na tela, mas não porque o diretor Clark Gregg (que também atua no filme como o Lorde High Charlie) não sabe aproveitar o material de Chuck, mas por que as histórias do cara beiram o inadaptável.
Em Choke: No Sufoco, assim como em Clube da Luta, há uma grande surpresa no desfecho final, mas até isso fica comprometido nas telas, causando mais impacto na leitura mesmo. No mais, o filme é uma alegoria ácida contra a sociedade e seus podres, um filme totalmente injustiçado mais pelo fato da complexidade da história, que para um maior aprofundamento e diversão seria mesmo excursionando nas páginas do livro desse autor.
Marcelo Ferreira
Basta deixar um comentário ou enviar um e-mail para
Nota dos Leitores para “Choke: No Sufoco”
10 Votos
Nota média: 3.5
Aproveite e deixe um comentário com sua opinião sobre o filme.



23/6/2009 às 20:09
Concordo plenamente com o que você escreveu no segundo parágrafo, Marcelo. Ainda não assisti o filme (quero ver logo), mas acho uma sacanagem um filme que foi conceituado lá fora, chegar aqui somente nas (raras) locadoras.
Gostei muito do blog e já adicionei à minha lista.
Abraço!
26/6/2009 às 16:04
Procurei aqui mas n encontrei nada sobreo filme: The man from Earth…deve ter..mas se n tiver, bem, qualquer site ou blog que n tenha sobre esse filme está pecando demais……”The man from Earth”
2/8/2009 às 10:29
oi pessoal seu bllog é demais
curto muito cinema por isso comecei um também
mas não tenho leitores por isso estou divulgando
gostaria que vocês me dessem um apoio.
ainda tem pouco escrito estou esperando ter um numero bom de pessoas valeu
se der dê uma passadinha
lá
:http://momentocine.blogspot.com/
27/8/2009 às 00:20
Muito justo o que você disse. Concordo em genero numero e grau!
9/2/2010 às 23:55
Achei muito boa a resenha/crítica! Acabei de assistir o filme e tive a mesma opinião! Cheguei ao filme pelo autor, por causa do Clube da Luta também e fiquei louca para ler o livro. Parabéns!
11/2/2010 às 15:52
Que bom que gostou Laura,
leia sim o livro que foi adaptado o filme. Se você gostou do filme, vai adorar a história também.
Deixo como sugestão outros livros do Chuck