Direção: Danny Boyle.
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Freida Pinto.
Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou para rodar um filme. Realizador descompromissado, abraçou um projeto trivial: adaptar às telas o best-seller indiano “Q & A”, de Vikas Swarup – batizado posteriormente de Slumdog Millionaire (e por aqui Quem Quer Ser Um Milionário?). Detalhe: ele teria que fazer isso com um orçamento modesto – pouco mais de U$ 15 milhões -, e contar com elenco formado por atores locais. Ou seja, uma co-produção longe de ser ambiciosa…
Terminadas as filmagens, Quem Quer Ser Um Milionário? foi para a edição e chegou silenciosamente às salas de cinemas americanas no fim de agosto. Passados seis meses do lançamento oficial, a pergunta é inevitável: como um filme realizado na Índia com atores indianos e dirigido por um cineasta pouco convencional como Boyle faturou cerca de US$ 80 milhões, saiu consagrado nos principais festivais de cinema ganhando inclusive o Oscar de melhor filme? Mas o sucesso do “vira-lata milionário” se deve por muitas razões.
A principal delas: Danny Boyle. Se antes o britânico podia ser rotulado como “o cara que dirigiu Trainspotting e alcançou sucesso comercial com Extermínio” agora a coisa muda de figura. Um de seus méritos em Quem Quer Ser Um Milionário? foi adaptar um conto de fadas urbano, aliando a pirotecnia eletrizante dos trabalhos anteriores com a estética bollywoodiana. Em menores palavras: ele consegue contar uma história simples de maneira surpreendente.
O filme começa com uma interrogação: “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu?” Um novo letreiro lança as alternativas. Terá Jamal (Dev Patel) trapaceado no jogo de perguntas e respostas? É sorte? Ele é um gênio? Ou…hmmm..está escrito? Com um recurso narrativo simples, Boyle arma a bomba que irá acionar lá no fim do filme. Mas até lá, o espectador ficará vidrado.
Na cena seguinte, descobrimos que Jamal é um menino pobre e sem estudo, de apenas 18 anos. Seu bom desempenho no jogo soa incoerente ao apresentador do programa que pede à polícia para torturá-lo até confessar a fraude. Na delegacia, o delegado ouve a trajetória insólita do garoto que apesar da pouca idade conviveu com a pobreza, o preconceito e a criminalidade.
De origem muçulmana, Jamal cresceu sem rumo ao lado do irmão Salim, aliciado ao crime organizado, e de Latika (Freida Pinto, muito gata), o grande amor da sua vida. Foi para reencontrá-la que ele se inscreveu no “show do milhão indiano”. E foi a luta pela sobrevivência o conhecimento que proporcionou a ele acertar as perguntas.
Entre flashbacks e o tempo corrente que meneiam a vida de Jamal, a câmera de Boyle registra uma trama onde a decadente e flagelada capital Bombaim dá lugar ao desenvolvimento social e a prosperidade tecnológica. Na infância, o protagonista é visto numa favela percorrendo vielas, casebres e animais. Uma cena em particular chama a atenção: a câmera abandona Jamal e passa a acompanhar uma galinha em movimento. Se Boyle não quis homenagear Fernando Meireles pela abertura de Cidade de Deus, ele emulou a cena inconscientemente. Das duas uma.
Na vida adulta do garoto vemos o renascimento de Bombaim, que passa a se chamar Mumbai. Salpicada de arranha-céus, a cidade que enriqueceu com a informática é captada com onipotência pelo diretor. E é do alto de um prédio em construção que Jamal reencontra Salim, então braço direito do traficante mais temido da região. É com a ajuda do irmão bastardo que ele conseguirá ter acesso ao seu prêmio mais valioso.
Todos esses elementos – amor, corrupção, violência e instinto – se harmonizam num desfecho previsível e melodramático. Um dramalhão escancarado com ares de fábula, no melhor estilo Bollywood. Alie, portanto, essa despretensão com a crítica social e o ritmo eletrônico de Boyle e temos um dos filmes mais originais do ano. Nesse panorama, o roteiro adaptado de Simon Beaufoy funciona como catalisador no sentido equilibrar os excessos da trama. O final em ritmo de dança é uma homenagem tácita do diretor ao cinema indiano.
Numa trajetória marcada por bons momentos – os ótimos Traisnpotting e Cova Rasa – e outros nem tanto – o mediano Sunshine e o péssimo A Praia – Danny Boyle encontra fora do país, o seu golpe de mestre. Com Quem Quer Ser Um Milionário? o diretor finalmente chegou no seu auge. Como ele conseguiu?
A: Ele trapaceou
B. Ele é sortudo
C. Ele é BOM
D: Está escrito
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Nota dos Leitores para “Quem Quer Ser Um Milionário?”
41 Votos
Nota média: 4.24
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11/3/2009 às 18:21
Se o filme fosse filmado em solo americano, seria apenas mais um blockbuster com orçamento astronômico. Mas o que difere “Quem Quer Ser Um Milionário?” é que ele foi gravado na Índia, com atores indianos, locações indianas e favelas indianas. Isso torna o filme curioso por ser tratar de um dos países mais populoso do mundo e com contrastes semelhantes aos do Brasil, por isso é muito fácil se identificar com Jamal. Danny Boyle conseguiu imacular a essência dessa fabulosa história, onde a cada pergunta você se volta para sua própria vida.
A Índia é retratada de uma forma que passa bem longe da novela “Caminho das Índias”, pois o filme mostra a verdadeira e transparente Índia.
12/3/2009 às 06:52
Não vi, ainda. Porém, veria só porque Extermínio (28 days later) é uma maravilha.
A Índia não é Bollywood, mas Bollywood é a Índia. Assim como Globo está para Portugal.
Mas no Brasil, quem quer ser um milionário, parodiar Fernando Meirelles, fazer um take com galinha correndo, retratar o tráfico?
My hero Boyle.
13/3/2009 às 12:32
Concordo que foi um GOLPE, quanto a ser de mestre…
No meu blog fiz uma crítica do filme, mas em outra linha, analisando as “semelhanças” com “Cidade de Deus”.
http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009/03/quem-quer-ser-um-milionario-plagio-e.html
13/3/2009 às 18:05
Muito bom. Ultimamente os filmes considerados B estão ganhando a simpatia do público. Se bem que 15 milhões… não é tão B assim…
Abraços!
14/3/2009 às 23:02
Concordo com vc Amroth, acho que o fato de o filme ter sido filmado na Índia é fantástico, acho que toda história que se passa em um determinado país, o filme deveria ser filmado naquele país. Nós ficamos muito mais encantados quando sabemos que a locação é realmente o local retratado na história. Quando ouvi falar deste filme eu pensei” Essa personagem deve ser um gênio” mas é totalmente diferente. Eu gostei muito do filme pq mostra que as experiências da vida de Jamal lhe dão as respostas. Muito bacana.
16/3/2009 às 11:30
Mauricio, vc tem toda razão em seguir essa linha, mesmo pq o Danny Boyle é fã assumido de “Cidade de Deus” e amigo pessoal de Meireles, portanto qualquer semelhante não é mera coincidência.
16/3/2009 às 17:26
Ahaaaaaaaaaaaa
Quem quer ser milionário?Qual é a resposta certa a esta pergunta?Euuuuuuuuuuuuuuuuuu
Ahaaaaaaaaa.Compar o filme com o novelão cliché da globo não dá , _né gente la de cima ?
Realmente o filme no inicio tem semelhanças com o tipo de filmagem de Cidade de Deus . A diferença é que o filme tem um ritimo alucinante e ao mesmo tempo desperta a reflexão
È o principio da filosofia oriental da “Ação “, “não ação” .Correria , reflexão que faz o filme superar aCidade de Deus, outros filmes candidatos ao Oscar e a novelinha Caminho da Indias , para os que querem colocar a idiotice da globo no mesmo patamar dos filmes.
Quem que ser milionario?
Qual é a resposta certa?
Euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
17/3/2009 às 17:23
Scarlett, na realidade eu fiz uma crítica de como a globo apresenta a Índia. Pois a globo demonstra de forma fútil e alegórica uma nação tão rica e misteriosa. Agora fomos apresentados a uma Índia que só Danny Boyle consegue mostra.
Eu tbm quero ser milionário e pode ser em Rúpia >:-D
22/3/2009 às 16:31
ok Amroth. Rupia para voce e dolores em notas com imagems de Benjamim Frankly poara mim.
23/3/2009 às 00:11
euu keriia sabê u nomii da muusika q eles dançam nu finaal du filme *-*
hasuahsuahushuahs³
qeeim sabe dizÊ??? \õ/
26/3/2009 às 14:01
Eh Jai Ho kii tem agr ateh participação especial das Pussycat Dolls
30/3/2009 às 14:00
Pode até ser que Danny Boyle tenha copiado Fernando Meireles, como frisam os criticos. No entanto, nenhum outro cineasta seria capaz de ocultar a violencia em um filme tão violento como: Quem quer ser um milionario?
8/4/2009 às 16:05
Acho que não é o fato de ter sido filmado em um lugar diferente, ou ser feito por alguém que não tinha antecedentes que nos fariam criar expectativas de que o filme fosse chegar onde chegou…
O mais intrigante do filme para mim foi o formato.
Achei fantástico que ele conseguiu prender o espectador de maneira tão intensa. Gosto de assistir dramas, mas nenhum nunca me prendeu como esse filme. Pode ser que o ambiente do cinema, onde eu o vi, tenha ajudado. Mas usar a curiosidade natural que desperta um jogo de perguntas e respostas eliminatórias para manter vivo o interesse de quem assiste, ao mesmo tempo, contando a história (que realmente dá sentido ao filme) em flashs coincidentes às perguntas foi irada! Sem contar o fato dele falando de algumas dessas experiencias vendo a si mesmo por vídeo, falando com o policial que o está interrogando!
Além disso, o início, com a pergunta “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu?” e as cenas dele torturado, me deixaram tipo: HÃ? O QUE ACONTECEU JÁ?
E os atores, apesar de locais, não deixaram a desejar! Só a dancinha de encerramento que brocha! hahaha mas aí eu já me apaixonei pelo filme :)
8/4/2009 às 19:23
O cinema brasileiro tem muito a aprender: fazer um filme realista sem violencia e sem apelações desnecessárias.
A ìndia (quem diria), tem muito a nos ensinar.
14/4/2009 às 19:09
O clima de miséria é do começo ao fim. Não há alternancia de emoções,já q o premio em jogo era a liberdade…frio. A escolha dos artistas foi ruim.Salim estava + para Michael Jackson q justiceiro.Era tão esperto,q preferiu a morte do q assumir o controle da bandidagem.Não quis uma segunda chance e resolveu matar seu chefe, qdo Jamal estava conquistando seu amor, sua liberdade.A garota poderia ter respondido Aramis e selar o destino.Comparar um filme com novela da globo, tudo bem…sou mais então SS,lálá…lálálá…
16/4/2009 às 14:03
Adorei o filme. Que gostosa trilha sonora!Valeu o Oscar.
17/4/2009 às 23:30
O filme é muito interessante. Na realidade o filme é bom. E o segredo é que o filme é criativo, ilusorio, imaginativo. O cenario parece real, não sei construiram uma favela, mas é realista, assim como os persogagens, indianos, e alguns do suburbio da cidade, nao parecem estranhos, paredem pessoas comuns, não artificiais. O filme é realçado pelo abismo que há, entre a miseria e o sonho dos personagens, vivendo em Mumbai, o que prende a atenção do espectador. Há semelhanças com todas as favelas do mundo, e aí está a beleza do filme. O filme transporta o espectador para uma jornada de sonhos e dasafios.
27/4/2009 às 23:09
eu ainda não olhei o filme, gostaria de olhar, mais antes eu gostaria de saber alguns fatos sociais do filme. alguém se despoem a me ajudar ? obrigado
12/5/2009 às 17:40
Na verdade, eu tinha muita expectativa com o filme, já que conhecia o diretor de filmes como Trainspotting e Cova Rasa. Mas, realmente foi além do que eu imaginava. O ritmo acelerado de Boyle persistiu com maestria. O filme é frenético, violento e ao mesmo romântico. Em tempos de ‘Caminhos das Ìndias’, Quem quer ser milionário? mostra um pouco da realidade da periferia indiana numa ficção de qualidade. Muito bom!!!!!!!!!!
12/6/2009 às 14:59
Me decepcionei muito com o filme. Achei a história boba. Um conto de fadas da Disney. A salvação do filme são as cenas da India mas isso valia o Oscar de melhor fotografia e não melhor filme.
19/7/2009 às 20:20
Indiscutivelmente, um dos melhores filmes lancados recentemente! Uma historia linda e emocionante!
3/9/2009 às 16:51
O filme demostra que os nossos sonhos podem se realizar so depente do nosso enpelho e procura-lo
8/9/2009 às 11:19
Assisti ontem a este filme e decidi entrar na net para ver se alguém falaria sobre a excelente música. Na verdade o que mais me interessou foi a história ter sido tirada de um romance, que com certeza procurarei ler. Achei intrigante a crítica acima de um cinéfilo que não gostou do filme pois achou muito “conto de fadas da disney”. Talvez o tipo certo de filme para sua personalidade, meu amigo, seja O Exterminador do Futuro. Talvez você ache mais criativo e interessante do que um filme que trata de maneira fantasiosa a realidade da Índia (ou mesmo do nosso Brasil).
4/10/2009 às 13:36
adorei este filme sem comentarioss!perfect!
19/5/2010 às 13:28
Culturas diferentes…favelas iguais.Se alguém “adorou”o filme, deve dizer porque.Parabéns para quem conseguiu acompanhar o rítmo do filme.Eu não consegui e não gostei. Modestamente, gostaria de entender a razão de tanto sucesso…