Direção: David Wain.
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb’e J. Thompson, Elizabeth Banks.
A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo essa teoria para explicar Modelos Nada Corretos (Role Models), filme estrelado e roteirizado por Rudd e comandado por David Wain, outro cineasta com quem o ator trabalha com frequência.
A comédia, que conta ainda com Sean William Scott (o eterno Stifler de American Pie) e a jovem revelação Christopher Mintz-Plasse (Superbad, É Hoje), aborda de maneira escapista e desencanada questões como a falta de maturidade, vida em família e a importância da amizade. Danny (Paul Rudd) e Wheleer (Sean William Scott) são dois amigos que trabalham juntos vendendo energético em escolas primárias. Danny é um adulto amargo que odeia o emprego sem perspectivas. “Estamos vendendo mijo nuclear de cavalo à 6 dólares a lata.” . Pra piorar está em crise com a namorada Beth (Elisabeth Banks) com quem namora há sete anos. Wheleer é um “adultescente” que se não se apega a nada, a não ser ouvir Kiss e ter noitadas de sexo com mulheres desconhecidas. “Adivinha o que eu fiz ontem à noite?”, diz ele esticando dois dedos na cara de Danny após ser deixado na porta do trabalho por uma mulher num conversível.
A vida fugaz e sem grandes objetivos que ambos levam é interrompida por dia ruim. Ao se envolverem numa briga e baterem a caminhonete em horário de trabalho, eles são obrigados a prestarem 150 horas de serviços comunitários numa instituição de caridade. Ou cumprem o serviço ou vão para a cadeia. O trabalho será cada um apadrinhar uma criança carente. Acontece que a dona da fundação não vai com a cara deles e escolhe logo os dois piores alunos. Danny fica responsável por Augie (Mintz-Plasse), um nerd alienado que passa o dia fantasiado de cavaleiro na companhia de outros nerds participando de RPG ao vivo. Já Wheleer tem sob seus cuidados o delinquente Ronnie (Bobb Thompson), um garoto pervertido e boca suja.
Após o estranhamento inicial, as coisas começam a ir bem para Wheleer e Ronnie. De encrenqueiro, o garoto passa a admirador do seu padrinho emprestado. Há momentos impagáveis entre os dois. Como na cena onde o adulto o ensina a “observar os peitinhos” ou quando ele lhe dá a definição oficial do Kiss: “Eram judeus que cresceram em Nova Iorque, tocavam guitarras e usavam maquiagem para pegar garotas. Todas as músicas deles são sobre transar!” O mesmo não acontece com Danny que não suporta muito o mundo de fadas e elfos de Augie. Começa a simpatizar com o garoto apenas quando conhece sua tortuosa vida familiar composta por uma mãe relapsa e um padrasto negligente.
Sem se apegar muito no drama pessoal dos personagens Modelos Nada Corretos ganha pontos nas piadinhas infames que misturam besteirol com referências cinematográficas. Tudo bem que um garoto de 8 anos nunca tenha ouvido falar na Jéssica Tandy e diga “Foda-se Miss Daisy” no filme. Pois essa despretensão é levada até o fim trama, sem descambar em moralismos ou lições de vida como acontece em muitas comédias pastelão. Em compensação é nas gags mais físicas e nas tiradas mais pesadas que o filme perde pontos. Homens, sem dúvida, irão apreciar mais o longa do que as mulheres já que ele aborda a questão do companheirismo entre amigos – que convenhamos, tem uma dinâmica diferente da amizade feminina. No fim das contas, é um filme alto astral que se não é do nível dos trabalhos de Judd Apatow ao menos é um entretenimento divertido, sem grandes ambições além de arrancar risadas do espectador.
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Nota dos Leitores para “Modelos Nada Corretos”
4 Votos
Nota média: 1.75
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