Cinéfilos » 2009 - Blog de cinema com críticas e comentários sobre filmes
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A Órfã

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Direção: Jaume Collet-Serra.
Elenco: Isabelle Fuhrman, Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Aryana Engineer, Lorry Ayers.

Tenho extrema admiração por atuação de astros mirins em filmes adultos, especialmente em filmes de terror. E desde muito tempo as crianças vem provando que são capazes de se colocar a frente de um projeto e por algumas vezes roubar a cena. Baseado nessas tendências, a mais nova criança- prodígio do mal está em A órfã – um filme de suspense que impressiona mais pela atuação de sua protagonista do que pelo seu conteúdo. A direção fica a cargo de Jaume Collet-Serra diretor de A Casa de Cera – portanto esqueça a referência.

Uma família perfeita, um casal e dois filhos lindos – na verdade eram três – pois um fato trágico tira a vida de um deles, antes mesmo de nascer, fato que chega a abalar a estrutura do casamento dos pais e fazendo com que a esposa mergulhe no alcoolismo e tenha pesadelos a noite com o ocorrido. Vera Farmiga (excelente atriz) e Stellan Sarsgaard são os chefes de família, e mesmo diante da perda eles decidem apelar para uma adoção. E em meio a tantas crianças pequenas dóceis e bonitas, o marido cruza justamente com uma já crescidinha. Esther é a imagem da fragilidade e delicadeza. Sem ninguém no mundo, ela canta, pinta e se mostra esperta e parecendo adivinhar os rumores que a família vem enfrentando, não demora para que Esther caia nas graças do casal.

Esther vai morar com seu novos país adotivos e a impressão de estranheza na garota só tende a aumentar cada vez mais. Sempre com vestimentas grandes e uma Bíblia na mão a garota começa a ser hostilizada pelos colegas e até pelo seu novo irmão. A mãe (sempre) é a primeira a notar que as coisas não andam bem – a garota sempre aparece quando o casal está em suas intimidades e é capaz de chantagear qualquer um, sempre baseando-se nas fraquezas cuidadosamente estudadas por ela- o que chama a atenção da mulher. Mas quem vai acreditar numa alcólatra?

Existe uma boa dose de tensão no filme, por exemplo – há uma cena em que a câmera entra dentro de um brinquedo de criança num parque transformando o local em algo claustrofóbico. O filme tem alguns momentos polêmicos também colocando crianças pequenas em meio a cenários de assassinatos e até uma cena de sedução incrível, por parte da diaba. A atuação da atriz Isabelle Fuhrman diga-se de passagem foi elogiada em todos os lugares onde o filme chegou porém o filme não vai muito longe, mostrando que veio mesmo fazer barulho e desconforto. A grande diferença aqui é o clímax do filme – ou a grande explicação – que não deixa de causar espanto, mas é um pouco difícil de engolir quem é Esther.

Marcelo Ferreira

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Mary and Max

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Direção: Adam Elliot.
Vozes: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Ian Meldrum.

Ainda não sei que nome o filme terá aqui no Brasil, por isso o título está em inglês. Já dizia o poeta “diga o que disserem, o mal do século é a solidão”, e essa é a semente que faz surgir uma das mais belas histórias sobre humor, solidão e amizades. Se é que eu posso ser tão simplório ao ponto de rotular as emoções contidas no filme. Trata-se de uma animação, aquelas de massinha como A Fuga das Galinhas entre outros, e conta um pouco da vida dos personagens que dão título ao filme, Mary e Max.

Mary é uma garotinha que vive na Austrália e possui uma marca de nascença na testa, que, segunda ela própria, tem cor de cocô. Que maldade. Interessante como o filme abre parênteses a todo instante para definir características, emoções e lembranças dos personagens. Acho que não preciso citar características da personagem, principalmente quando o filme o faz com maestria e sensibilidade. Garantindo boas risadas, ao mesmo tempo navega no limite entre o humor e o drama. Prometi não falar sobre a personagem, mas preciso do link para Max, e a curiosidade de Mary nos leva até ele.

Max já é um senhor, vive em Nova Iorque e freqüenta os vigilantes do peso. Extremamente ansioso e tímido, passa a vida sozinho. Até que é surpreendido pela curiosidade de Mary. Começa uma bela amizade à distância, o que não impede de passar por todos os ciclos de uma amizade presencial.

Eu não saberia rotular se é uma animação voltada para o público infantil ou adulto, pois tem bons momentos para todas as idades. E provavelmente vai fazer você rir e chorar algumas vezes. E olha que navegar nesses mares não é nada fácil. Grata surpresa, e faz tempo que não dou uma nota cinco. Toma!

9 – A Salvação

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Direção: Shane Acker.
Vozes: Elijah Wood , John C. Reilly , Jennifer Connelly , Crispin Glover , Martin Landau, Christopher Plummer, Fred Tatasciore, Alan Oppenheimer, Tom Kane, Helen Wilson.

O mercado de filmes de animação tem crescido muito nos últimos tempos. Primeiro porque é uma mercado focado basicamente em crianças, que hoje em dia são os reis do consumo mundial. Elas adoram ir ao cinema para ver os desenhos animados na tela grande e dar muitas risadas.

Segundo porque a tecnologia atual permite filmes belíssimos, com animações perfeitas e ricas em detalhes. A cada novo filme de animação uma nova tecnologia é incorporada e isto permite uma nova experiência nas telas do cinema. Mas este lado do mercado está mais focado nos adultos, mais exigentes quanto aos detalhes e quanto a estória, mais sedentos por filmes complexos.

São muitos os bons exemplos em cada uma destas vertentes, mas o problema é quando aparece um filme que não está de lado nenhum. Ou seja, não agrada nem às crianças nem aos adultos. Apresento-lhes “9 – A Salvação”. Não agrada às crianças porque não é um filme bonitinho, feito para rir e divertir. Os personagens são feios, travam diálogos complexos e vivem aventuras que não estimulam os sentidos dos pequenos. E não agrada aos adultos porque, apesar da parte tecnológica bem feita, tem uma estória simplória, um roteiro sem grandes pretenções, diálogos extremamente chatos e visual bonitinho demais.

Mesmo contando com Tim Burton na produção (seja lá o que isto signifique) o filme não consegue empolgar. A sensação é de que o filme todo é simples demais, muito curto, e explora muito pouco a estória. Como são apenas 79 minutos de animação poderíamos pensar em um filme maior mas não dá pra acreditar que seria melhor. Acho que seria até mais chato já que o filme é muito repetitivo se atendo a momentos de emoção previsíveis.

O lado sombrio da animação, que foi uma das características muito alardeadas no trailler e estaria associada à presença de Tim Burton nos créditos, simplesmente não existe. O mundo onde vivem os bonecos de pano é um mundo destruído mas nem por isto é um cenário de botar medo em alguém. Os próprios bonecos acabam sendo visualmente muito simpáticos, o que mata qualquer pretenção que o roteiro tivesse de ser sombrio, ou coisa parecida.

Em resumo é uma animação fraca que, na minha opinião, pecou por não ter se aprofundado na estória e não ter dado uma visão realmente adulta aos personagens. Podemos dar um desconto pelo fato de ser a estréia de Shane Acker na direção e pelo fato do filme ser uma extensão do curta metragem que o diretor apresentou como projeto de final de curso na faculdade de cinema.

Substitutos

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Direção: Jonathan Mostow.
Elenco/Vozes: Rosamund Pike, James Cromwell, Ving Rhames, Radha Mitchell, Bruce Willis.

Alguns roteiristas esquecem que uma ficção científica não precisa necessariamente ser um filme de ação. Que não basta vomitar as leis da robótica e chamar o Will Smith pra dar bordoadas e tiros. Depois não entendem porque Blade Runner vem sendo cultuado durante tantos anos. Uma boa ficção científica precisa levantar questões e impactos sobre a humanidade e o universo, ir além de sua simples premissa de ir ao futuro e imaginar cenários.

E olha que a premissa desse filme não é ruim. Muito pelo contrário, bem interessante. E seus desdobramentos não são dos piores. A humanidade vive numa época que é possível controlar membros mecânicos com o poder da mente. E esse poder vai além de braços e pernas, as pessoas podem controlar um robô inteiro. O que isso implica? As pessoas ficam em casa controlando seu avatar.Obviamente todos escolhem versões melhoradas (mais jovens e mais bonitas), destaque para o cabelinho nojento do Bruce Willis. A violência diminui consideravelmente, e outra série de conseqüências ocorre.

Por falar em violência, entra o impasse causado pela morte de dois operadores através da morte de seus robôs. E de repente temos um filme de ação com todos os seus possíveis clichês. Willis vive um policial deprimido pela morte de filho (oh!). As reviravoltas do roteiro são fracas, e os estereótipos rolam soltos. Em nenhum momento empolga, e não passa de uma fic-ação pseudo-científica.

Deixa Ela Entrar

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Direção: Tomas Alfredson.
Elenco: Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl Robert Lindgren.

Não é de hoje que Hollywood vem perdendo espaço e moral em produções de cinema fantástico para outros países do mundo.

Nos últimos anos, por exemplo, surgiram filmes coreanos, franceses e espanhóis que se tornaram culto entre os cinéfilos. Grandes e promissores nomes foram cogitados para representar o futuro do gênero terror, suspense e fantasia, gênero que para os americanos parece ter se estancado de vez. Da França saíram obras nervosas e contundentes como A Invasora e Martyrs, os espanhóis mandaram ver em O Labirinto do Fauno e REC, e os coreanos mostraram em Espíritos – a morte está ao seu lado e outros filmes de fantasmas sua dose de medo. Isso só para fazer referência, pois há muito mais exemplares que nem sequerchegaram por aqui.

Dentre os países há também a Suécia, um país com um currículo cinematográfico respeitável, e que volta e meia revisita o gênero com muito louvor. É de lá que veio Deixa Ela Entrar, filme que mostra a amizade entre um garoto com fama de perdedor e uma menina muito estranha que logo se mostra uma vampira.

A idéia, não é novidade nenhuma. O assunto que envolve heroísmo e maldição já é do conhecimento do público, desde muito tempo, mas aqui o diretor Tomas Alfredson não pretende mesmo iniciar uma revolução no gênero, tampouco distorcer conceitos básicos conhecidos, mas sim contar uma história de romance e terror com uma sutileza fora do normal.

Oskar é um garoto de cabelos muito claro, que passa a maior parte do tempo sozinho. Sem amigos, o garoto é um saco de pancada para outros garotos na escola, e com um crescente desejo de vingar-se de seus algozes. Certo dia muda-se para o apartamento ao lado um senhor misterioso e uma garota chamada Eli, mais estranha ainda. Em sua ampla inocência, Oskar ignora o fato de Eli só sair de casa á noite, e em meio a paisagem gelada da noite, ela ser incapaz de sentir o frio.

Ao mesmo tempo, surgem na cidade vários assassinatos horríveis, e estão claramente ligados ao fota do senhor que acabou de se mudar com a menina andar com uma maleta cheia de acessórios estranhos. Eli tem doze anos e não se lembra quando faz aniversário e Oskar se sente atraído completamente por ela. E é aí que o filme ganha uma camada de sensibilidade, ao mostrar a passagem da adolescência contando a história de amor entre dois rejeitados. E mesmo sabendo do verdadeiro segredo de Eli, Oskar não foge dela, mas se aproxima mais “deixando ela entrar”, pois sua inocência e idade facilitam o elo com as fantasias. E esse é o ponto máximo de Deixa Ela Entrar, que vem conquistando platéias por onde passa, e a deixa refletindo por muito tempo depois, principalmente por suas estrondosas reviravoltas.

Os americanos, já de olho, trataram de colocar a sua versão, e tentar enganar os desavisados que trata-se de uma versão original. A refilmagem estará a cargo do diretor Matt Reeves que dirigiu Cloverfield.

Tenha medo, tenha muito medo !!!

Marcelo Ferreira

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Distrito 9

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Direção: Neill Blomkamp.
Elenco/Vozes: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike , John Sumner.

Dessa vez os extraterrestres resolveram não estacionar sua nave nos Estados Unidos. Incrível, não? Logo, os alienígenas não falam inglês. Fantástico. Distrito 9 já começa bem. Uma nave aparece suspensa em cima da cidade de Johanesburgo, e como era se esperar a mídia cai em cima do prato cheio. Enquanto isso, o exército resolve criar uma missão para entrar na nave. Missão bem sucedida, eles encontram vários alienígenas famintos e quase morrendo. Não se preocupem, eles mostram rapidamente os ETs, não tem mistério pra isso. O filme foge dos clichês mais óbvios.

Bonzinhos, como os humanos são, resolvem criar uma comunidade pros manos alienígenas. Acontece que essa tal comunidade começa a crescer, e a galera lá dentro precisa sobreviver precariamente. Uma clara alusão ao famoso evento conhecido como apartheid é ambientada. Depois disso, temos cenas de violência e racismo. A situação fica incontrolável. E a solução é despejar a galera. Os camarões, como passam a ser conhecidos os alienígenas, precisam ir pra outro lugar. E um programa de despejo é iniciado.

É ai que conhecemos o protagonista da história, o bobão casado com a filha do dono. O cara é eleito como chefe da missão de despejo, e pessoalmente vai recolher as assinaturas dos ETs. O lugar é uma grande favela, e nós brasileiros sabemos bem como funciona a parada. Sempre acompanhado por uma câmera típica de documentário, o nosso protagonista entra em ambiente hostil com papel e caneta na mão e um exército armado na retaguarda. Apesar do roteiro bastante original, o mais interessante do filme é a mudança radical do protagonista. Algo digno de Hitchcock em Psicose. A tal transformação acontece psicologicamente e fisicamente. Posso ter visto demais, mas tem uma referência ao filme A Mosca.

O ex-gordo Peter Jackson assina a obra, mas não dirige. E acho que nem precisava, afinal de contas o diretor fez um excelente trabalho, soube usar bem os efeitos especiais, que por sinal são muito bons. Ótima surpresa, bom filme, nenhum ator mega astro no elenco. Não chega a ser uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, até porque devem ter gasto uma grana boa com os efeitos, mas sem dúvida vale a pena gastar um pouco de grana e tempo com esse filme.

Bastardos Inglórios

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Direção: Quentin Tarantino.
Elenco/Vozes: Diane Kruger, Daniel Brühl, Mike Myers, Michael Fassbender, Julie Dreyfus, Omar Doom, Michael Bacall, Martin Wuttke, Jacky Ido, Til Schweiger, Mélanie Laurent, Brad Pitt, Samuel L. Jackson, Eli Roth, Samm Levine, B.J. Novak, Christoph Waltz, Paul Rust.

Falar do estilo Tarantino é o mesmo que chover no molhado. Tarantino é Pop e Cult ao mesmo tempo, e por isso, qualquer um se sente no direito de explicar as referências utilizadas pelo diretor. Seu estilo diferente vai desde a escolha da fonte nos créditos iniciais até os escalpos arrancados. Tarantino não tem medo de misturar, seja música clássica, faroeste, nazismo e apache. E toda essa mistura, aparentemente sem sentido, gerou mais uma obra-prima do diretor.

Embora com uma filmografia curta, Tarantino corre o risco constante de virar clichê da sua própria obra. Eu mesmo cheguei a pensar “ih, lá vem mais uma história de vingança”. Mas seria uma análise muito rasa, e bastou ver primeira cena para comprovar o quanto eu estava enganado. Um plano espetacular garantia uma fotografia muito bonita logo de cara, e dava o cartão de visitas “ei, Tarantino não é só diálogos”.

Por falar na cena inicial, não que seja uma pegadinha, mas guarde na memória, pois você vai precisar lá no meio do filme. Outra coisa que merece ser citada como espetacular e ainda na primeira cena é o tal do Caçador de Judeu. Que personagem, e que ator. O cara simplesmente dá um show, e rouba a cena sempre que aparece. Óbvio que o Brad Pitt é o protagonista e também não faz feio, e é responsável pelas cenas mais cômicas. Um baita humor negro.

Tarantino abriu a caixa de ferramentas: diálogos geniais (destaque pra comparação entre um rato e um esquilo), trilha sonora bacana como sempre, violência estilizada, roteiro amarrado e inovador. Quem nunca quis tirar escalpos dos nazistas? Hein? Genial, não? Tem por ai um filme do Tom Cruise que ele tem a missão de matar o bigodudo nazista, mas acaba sendo frustrante, pois o roteiro resolve ser fiel à história, e a gente sabe que a missão falhou. Tarantino não respeita sequer a quantidade de litros de sangue que temos no corpo, imagine a pobre e mal contada história. Ainda bem.

Já que o bigodudo nazista se matou quando soube que ia perder a guerra, a nossa única forma de vingança é usando a arte. Filmes e mais filmes foram feitos retratando essa época e as cenas insanas dos berros da criatura, e Tarantino também resolve usar o cinema como arma, obviamente numa forma menos poética da que estamos acostumados a ver.

Uma Prova de Amor

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Direção: Nick Cassavetes.
Elenco: Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist.

Antes de ir ao cinema para ver a produção de Nick Cassavetes (The Notebook), certifique-se de levar duas coisas: água e lenço. Pois “Uma Prova de Amor” (My Sister’s Keeper, no original), baseado no livro de Jodi Picoult, promete fazer com que o espectador fique desidratado ou tenha vontade de doar o quer que seja para ajudar Kate (vivida por Sofia Vassilieva), que sofre de leucemia.

É difícil achar uma cena em que Kate não leve o público as lágrimas. Se por acaso você resistir ao filme sem derramar nenhuma gota, ou você não tem coração, ou está morto por dentro. De um jeito terno e emocionante, a menina vive os problemas de uma adolescente comum, com o agravante de contar que seus dias podem estar acabando

O filme ainda conta com atores extremamente talentosos, que fazem com que você se apaixone perdidamente pelo drama. Cameron Diaz vive Sara, mãe de Kate, que não desiste nunca de buscar a cura para a doença da filha. E após descobrir que junto com seu marido Brian (Jason Patric), e o seu filho não podem doar medula para a filha doente, resolvem fazer inseminação in vitro, para gerar uma nova criança, que seja geneticamente compatível para ser doadora de Kate

E ai que entra em cena Anna, interpretada por Abigail Breslin. A “pequena miss shunshine”, mostra que é muito mais do que apenas um brilho, é na verdade o sol. De um jeito peculiar a menina questiona o fato de ter nascido apenas para ajudar a irmã, e começa a pensar que tem direito a decisões. Já que em 11 anos de vida, viveu apenas para ir ao hospital ajudar a irmã.

O filme guarda muitas outras discusões durante os 109 minutos. E conta ainda com Alec Baldwin e Joan Cusack, que também tem seus problemas dramáticos. “Uma Prova de Amor” é um filme lindo e dramático, que dará a muitas pessoas o que pensar. Não chega a ser brilhante, mas com certeza merece aplausos no fim.

Filipe Cerolim

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Arraste-me Para o Inferno

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Direção: Sam Raimi.
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, David Paymer, Dillep Rao, Chelsie Ross.

Sam Raimi construiu um império cinematográfico, para o bem ou para o mal das pessoas em geral, ele já deixou sua marca no mundo da sétima arte.

A frente de um dos filmes mais cultuados do gênero do terror “Evil Dead” ele conseguiu colocar uma dose extra de respeito em quem pronunciasse seu nome. E desde 1981, ano de produção de Evil Dead, ele vem fazendo filmes com certo grau de reconhecimento, tanto na trilogia desse filme, como na trilogia de Homem Aranha (eu havia dito pelo bem ou pelo mal). Aqui ele tira poeira dos filmes de terror novamente e brinda seus fãs, já cansados de tanta bobagem do gênero nas telas grandes, e faz um obra redondinha, pra matar a saudade dos filmes podreiras que costumavam ser feitos nos anos 80. Aqui a história é bem simples, portanto nem precisamos levar a sério para embarcar num festival de cenas gores, com muitas pitadas de humor.

Christine Brown trabalha numa corretora de empréstimo, namora um cara da cidade grande e está de olhos grandes numa promoção da empresa. Sua vida vai muito bem, até que numa manhã como qualquer outra, aparece Ganush, uma senhora aterradora prestes a perder sua casa. Tudo o que a bruxa velha quer é um empréstimo pra não poder ser despejada e perder a casa. E é aí que Christine vai mergulhar em seu pior pesadelo. Pra impressionar seu chefe, a mocinha com cara de anjo, nega o pedido a senhora Ganush. Nas mãos de um diretor incompetente provável que o filme descambaria pro óbvio, porém aqui é Sam Raimi que está na frente e faz de uma maldição um prato cheio para os fãs do gênero de terror com muitas cenas nojentas. De posse de um objeto da vítima a senhora Ganush roga uma maldição onde em três dias, Christine será levada por um feroz espírito para as profundezas do inferno. Numa sequência dentro de um estacionamento vemos uma das cenas mais inesquecíveis desta década no gênero terror.

Com uma quantidade razoável de filmes no currículo e com mais 3 projetos para o ano que vem – incluindo o novo Evil Dead – Sam Raimi tem seu espaço no mundo do cinema. Aqui ele não mudou a cara do cinema, nem inovou nada, mas soube homenagear os fãs desse gênero tão desgastado ultimamente. Contando com uma trilha sonora assustadora e efeitos visuais de primeira qualidade, esse foi uma das maiores surpresas do ano. Podemos fechar essa década com um top de 10 filmes de terror e coloca-lo numa posição muita boa. Mesmo que alguns atores como Justin Long (insosso) não façam a menos diferença em tela, ainda sobra muitas coisas para um eficiente entretenimento, e era disso que andávamos precisando – pelo menos eu.

Marcelo Ferreira

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Up – Altas Aventuras

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Direção: Pete Docter, Bob Peterson.
Elenco: Christopher Plummer (voz), Edward Asner (Carl Fredricksen – voz), John Ratzenberger (voz), Jordan Nagai (Russell – voz)
Elenco Brazuca: Chico Anysio (Carl Fredricksen – voz), Jomeri Pozzoli (Charles Muntz – voz), Eduardo Drummond (Russell – voz), Nizo Neto (Dug – voz)

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” Albert Einstein

“UP” tem uma boa imaginação que prende atenção do telespectador, e por isso podemos comprovar afirmação do nosso amigo Einstein. Tava eu curtindo o feriadão em Brasília, nada pra fazer, então pego a molecada e me arrisco ir ao cinema. A dúvida surgiu, qual filme assistir? A disputa ficou em “Foça G” e “UP”, particularmente queria assistir “Força G”, mas fui vencido pelo “UP – 3D”, afinal de conta o primeiro filme da Pixar produzido para o formato Disney Digital 3-D, é um fato histórico.

Fui assistir “UP” com certo desprezo, afinal o que o senhor de 78 anos e um garoto de 8 anos poderiam oferecer de entretenimento, mas para minha felicidade, descobri que há uma história de vida, muito bem contada, narrada e descrita em detalhes. Enquanto as crianças se encantavam com os efeitos 3D, eu ficava numa reflexão silenciosa a cada cena, a cada passo do revigorado Carl Fredricksen e com a disposição e inocência de Russell.

A sensação que tenho é que a Pixar tenta se superar a cada desenho, sem a preocupação de vender bonecos, camisetas ou qualquer outro produto originado do desenho, mas o que a Pixar quer vender são histórias bem contadas, animações bem feitas e acima de tudo vender sonhos. Pois percebe-se claramente que “UP”, assim como “Wall-E” é voltado para o público adulto.

A história é simples, basta um destemido vendedor de balões de 78 anos, que após prometer a sua esposa realizar o sonho de uma vida, prender algumas centenas de milhares de balões a sua casa e alçar voo e partir para a maior aventura de sua pacata vida, rumo as florestas da América do Sul. Só que o velho Carl não esperava por uma surpresa de 8 anos, rechonchudo e extremamente carente, sim ele mesmo, o escoteiro Russell e sua mochila. A partir desse momento surge uma dupla curiosa, que está preparada para enfrentas os vilões inesperados e criaturas selvagens.

“UP” está com bastante moral, tanto é que a animação abriu o Festival de Cannes 2009, afinal quem não ficaria curioso em saber o que acontecerá com um senhor de 78 anos que viaja em balões para América do Sul.

Como todo desenho, assisti a versão dublada, afinal nossa dublagem é a melhor do mundo. No papel do Carl temos outro idoso muito talentoso, Chico Anysio, que estreia como dublador. Até não ficou ruim, ele fez bem o tipo rabugento, assim como o idoso aventureiro, além do mais Chico Anysio dar a pegada mais brasileira ao personagem.

“UP” tem assinatura dos diretores e desenhistas Pete Docter (Monstros S.A.) e Bob Peterson. Bob ainda assinam os dois Toy Story além de ser co-roteirista de Procurando Nemo. Portanto “UP” é diversão garantida.

 
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