Direção: Mauro Lima.
Elenco: Selton Mello, Cleo Pires, Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, André di Biasi, Eva Todor, Ângelo Paes Leme, Rodrigo Amarante, João Guilherme Estrella.
Mais um filme brasileiro de sucesso e mais uma vez um filme relacionado ao submundo, ao tráfico e à violência. A estória de João Estrella mostra uma realidade comum na classe média brasileira: drogas, festas e diversão. Estão todos o tempo todo vivendo no limite entre a “simples” diversão e o envolvimento com o crime. Pelo que mostra o filme o envolvimento de João neste mundo acontece por acaso. As coisas vão acontecendo, crescendo, sem muito domínio. A vida levada sem rédeas. O próprio João Estrella fez questão de reforçar em entrevistas que a coisa aconteceu assim mesmo, bem no estilo viva e deixe viver.
Quanto ao filme em si, Selton Mello volta a fazer uma interpretação muito boa, dando um ar de malandragem e despreocupação fundamental para caracterizar o personagem. A facilidade que Selton tem de lidar com as palavras, seu jeito rápido de falar, complementam João Estrella nas telas. Ele é, com certeza, ator principal e grande motor da película.
Por outro lado a atriz Cássia Kiss, famosa e com diversos filmes na carreira, é responsável pela pior interpretação do filme ao encarnar a juiza que condena João Estrella. Alias as cenas do julgamento são de longe as piores. Parece que não existe ali a mesma energia presente no restante do filme, os atores parecem estar gravando aquilo de forma burocrática, obrigatória, sem emoção. Nem Júlia Lemmertz, no papel de mãe, consegue chorar com emoção durante o julgamento. E Júlia engrossa a lista de boas atrizes com interpretação decepcionante.
Quanto a Cleo Pires, além da beleza ela não acrescenta muita coisa ao filme. Não sei se podemos chamá-la de atriz.
O filme conta ainda com a excelente, mas pequena, participação de Eva Todor, uma simpática velhinha que realiza transações não tão simpáticas assim, e com as aparições de Rodrigo Amarante do Los Hermanos, na pele do personagem que forneceu o primeiro baseado da vida de João Estrella, e do próprio João Guilherme Estrella que aparece como um dos enfermeiros do manicômio.
Como qualquer filme de sucesso, principalmente filme brasileiro, “Meu Nome Não é Johnny” tem recebido duras críticas por parte da imprensa especializada. Mas por outro lado temos que levar em conta que o filme é baseado em fatos reais. Então não acho correto dizer que as cenas na cadeia procuram imitar “Carandiru” ou que as cenas de manicômio tentam copiar o sucesso de “Bicho de 7 Cabeças“. Se tudo isto aconteceu a João Estrella tem que estar no filme, e não está lá para copiar ninguém. Está lá porque aconteceu.
Concordo que alguns personagens, na cadeia principalmente, são estereotipados. Mas isto tem se tornado lugar comum em filmes nacionais. Se o filme fosse rodado no Nordeste veríamos muito mais “tipos brasileiros” em cena com certeza. Uma pena por um lado, garantia de diversão por outro. Outra coisa ruim é a insitência em contextualizar a época do filme através da citação direta de algumas referências. É desnecessária a fala forçada do personagem que diz que preferia ficar em casa vendo Magnum e comendo Mirabel a estar na rua aquela hora. Teria sido mais fácil e elegante escrever “1980″ no canto da tela.
Concluindo eu acho que o filme pode ser considerado mesmo um filme divertido, tornando o cinema um ótimo programa para o domingo, e se não fosse o excesso de cocaína e viciados em tela seria também candidato a tela quente.
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