Direção: Sergio Bianchi.
Elenco: Cecil Thiré, Betty Gofman, Dan Stulbach, Daniel Dantas, Dira Paes.
Cronicamente Inviável, de Sergio Bianchi, apresenta histórias episódicas e discute aspectos das crises social e política do Brasil. Mas precisamente, critica a letargia da classe média e os mais diversos mitos de brasilidade decadente. Sua narrativa constróí uma espécie de simbiose entre ficção e domentário superficial, compondo, através de um histórico de cada personagem, fragmentos crueis de um humor ácido e inescrupuloso.
A partir dessa permeabilidade, o diretor alça vôos anárquicos filmando de Norte a Sul do país. E, por onde passa, tece comentários reveladores, sobretudo quando se dispôs a análizar os mitos da felicidade baiana e do trabalho sulista, apresentados como uma perfeita forma de afirmação autoritária. Já para os sambodromos dos desfiles carnavalescos, são colocados como currais onde oprimidos reverenciam opressores. O cineasta cutuca ainda a burguesia, cujo ideal progressista não resiste a uma camisa mal-passada pela empregada.
O filme foi rodado em 1999, possui uma estética obsoleta em sua fotografia, uma câmera insossa e um elenco que, embora composto por grandes atores, a exemplo de Cecil Thiré, Betty Gofman, Dan Stulbach, Daniel Dantas, Dira Paes e outros, suas atuações são de cárater limitado. Mas vale como pesquisa e discussão sociológica. Pois este tem pelo menos uma cena que poderia fazer parte de qualquer antologia do cinema brasileiro: a da mãe que diante do filho assaltado defende o infrator. Perturbadora, a sequência mostra como é difícil julgar num país inviabilizado pela injustiça.
Uma paráfrase do Brasil, Cronicamente Inviável pode despertar amor ou ódio. Indiferença, jamais.
Tito Oliveira
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