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Antes de Partir

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Direção: Rob Reiner.
Elenco/Vozes: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd, Rob Morrow, Alfonso Freeman.

A sessão da tarde está repleta de filmes sobre estórias de personagens que lutaram contra uma doença grave e também sobre personagens completamente diferentes, potenciais inimigos, que acabam descobrindo que suas semelhanças são maiores que suas diferenças e se tornam bons amigos. E se depender do diretor Rob Reiner muitos outros filmes de sessão da tarde serão produzidos. Ele já foi responsável por “Dizem Por Aí…” e “Harry e Sally - Feitos um Para o Outro”, e agora surge com a mistura super batida de estória sobre doentes terminais e atores de peso.

Não é difícil imaginar que Jack Nicholson e Morgan Freeman salvam o filme. A atuação dos dois sempre foi excelente, e com este filme não poderia ser diferente. Mas vê-se em algumas cenas um certo desânimo, principalmente de Nicholson, com o enredo nada empolgante e cheio de clichês. Morgan Freeman interpreta seu papel de forma um tanto burocrática e é salvo apenas pelas situações e declarações engraçadas e inteligentes de seu personagem sabe-tudo. Mas até a questão do personagem de Freeman ser um mecânico que nunca cursou a faculdade mas que sabe muito sobre uma série de assuntos, principalmente cultura de almanaque, soa como um grande clichê.

Entretanto o drama sobre a doença terminal dos dois personagens, os dois com cancêr em estágio de metastase, acaba sendo aliviado pelo clima leve do restante do filme, pela diversão dos personagens em suas proezas adolescente e pela viagem de visita a lugares maravilhosos como a Muralha da China, o Taj Mahal e o Himalaia. E também pelo sarcasmo do personagem de Jack Nicholson. É um filme muito lugar-comum, muito água-com-açucar, mas serve como diversão leve e como motivo de choro, principalmente para as mulheres.

O ponto fortemente condenável do filme é o excesso do uso de chroma key. Eles fazem uma viagem de volta ao mundo mas não estiveram efetivamente em nenhum dos lugares mostrados. A cena nas Pirâmides do Egito, por exemplo, chega a ser hilária tamanha a montagem necessária. Fora a iluminação forçada tentando imitar o sol escaldante do deserto. Ridículo.

Dizem que o roteirista Justin Zackham demorou apenas 2 semanas para escrever o roteiro deste filme. Eu diria que ele demorou muito.

Jumper

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Direção: Doug Liman.
Elenco/Vozes: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Tom Hulce, Michael Rooker, Sean Baek, Katie Boland, Nathalie Cox, Teddy Dunn, Barbara Garrick, Meredith Henderson, AnnaSophia Robb, Max Thieriot.

Consegue enganar bem no trailer, mas é um filme muito fraco. Fica cada vez mais comprovado que esse ator que fez o Anakin não é bom, muito menos carismático. E olha que o filme tem uma história legal, sobre pessoas que teletransportam, os conhecidos “Jumpers”.

Começa bem divertido, mas depois as falhas e lacunas do roteiro bagunçam completamente o filme, que ora foge dos clichês, ora cai diretamente, demonstrando claramente inconsistência, além de uma fotografia limitada, insistindo em usar sempre as mesmas imagens.

L. Jackson vem caricato como Morgan Freeman em O Apanhador de Sonhos (que sobrancelhas!), um cabelo branco e bem tosco, mas também, depois de aceitar fazer um filme “judônico” envolvendo um avião cheio de cobras, a carreira de Jackson vai em zig-zag. Curioso que temos um novo confronto entre Mace Windu e Anakin Skywalker, dessa vez é um Jumper versus Paladino. Quase esqueço de falar nos tais Paladinos, caçadores de Jumper desde uma época bastante remota, e que o roteiro não se preocupa em explicar com cuidado a origem dessa classe.

Uma triste decepção, justamente quando eu tentava ser mais compreensível, Jumper não passa de um filme pra enganar adolescente bobo.

A Última Legião

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Direção: Doug Lefler.
Elenco/Vozes: Collin Firth, Sir Ben Kingsley, John Hanna, Aishwarya Rai, Kevin McKidd.

Tem certos filmes com crianças que eu realmente odeio. Lógico que muitos casos se salvam, mas quando falamos de um filme de ação onde a criança é “protagonista” e não refém fica nitido que alguma coisa está errada. Até hoje acredito que o sucesso de Senhor dos Anéis no cinema não foi repetido por que todos os protagonistas dos filmes são crianças. Com exceção de alguns casos, como a cinesérie Harry Potter (apesar do primeiro ser muito bobo) a maioria, incluso nesses casos este “A Última Legião” é de uma chatisse e de uma falsidade no desenvolvimento da criança que é impressionante.

O filme conta a história do herdeiro de Cesar, que devido a instabilidade de Roma naquele periodo vai ficar sob a guarda do general Aurelius (Colin Firth) para que seu crescimento seja preservado e que se torne o imperador. Além disso conhecemos seu tutor, interpretado por Sir Ben Kingsley, que é o guardião do segredo de uma espada secreta, feita para Julio Cesar de metal vindo do espaço.

Como pode se esperar tudo da errado, o jovem é sequestrado e deve ser resgatado pelos soldados sobreviventes de Aurelius, gerando a partir dai uma viagem até a Britania, a visita a muralha de Adriano e o encontro com a ultima legião do filme. A, esqueci de contar, esse filme é feito para contar a história da lenda de Excalibur, e não necessáriamente do rei Arthur como esta escrito de forma estranha no poster nacional do filme (”O surgimento da lenda do rei Arthur”).

Com personagens chatos, todos aparentemente desinteressados, e algumas interpretações estranhas o filme parece uma montanha russa de acontecimentos e situações clichês, algumas delas que eu vou comentar aqui. A personagem de Ben Kingsley (sem nome) em um momento da trama será “expulsa” de Roma por que é necessário que desempenhe um papel fundamental na sobrevivência do jovem César em um futuro próximo, porém o relacionamento dele com o pai do menino é ridículo, me
fazendo pensar que o pai era o vilão do filme, já que aparece sempre brigando ou afastando o filho do seu tutor. Não seria mais interessante para o menino que o pai fosse uma pessoa boa, e que o seu tutor após ter ensinado tudo o que podia se afastar para continuar pela busca da espada. A coincidencia seria até melhor e sentiriamos o efeito do ataque contra a vila de Cesar de uma maneira mais pessoal.

Outro clichê idiota é a cena do ataque contra a muralha de Adriano no último ato do filme, e foi nessa cena que eu tive vontade de matar Cesar. Ele sai de dentro da muralha, onde estavam ocorrendo lutas naturalmente, porém era um ambiente mais seguro do que ele ir para fora e ficar no meio do exército inimigo, sendo necessário esse subterfúgio sem explicação nenhuma somente para que houvesse a famosa luta final.

Já malhei bastante o roteiro então sigo para as interpretações. Colin Firth discursando para seu exército em cena imortalizada e copiada inumeras vezes depois de Coração Valente me deu vontade de chorar, só comparável ao Batman sem voz de Val Kilmer. Se ele fosse meu comandante com aquele pulso que ele demonstra em cena eu teria certeza que perderiamos a batalha. Será que é necessário passar por isso por alguns dólares, ou sera que a pessoa que seleciona o elenco e o diretor não consegue enxergar que ele não serve para filme de ação, pelo menos para esse tipo.

Ben Kingsley como o mágico tutor está no padrão normal de salvador e guia, papel imortalizado ultimamente por Lian Nesson, porém não prejudica mais o que já esta muito ruim. Por último Kevin Mckidd que interpreta exatamente Lucios Vorenos da telesérie Roma, porém dessa vez do lado dos nórdicos, vilão e com mais barba.

Não tem o que falar desse filme, a não ser que gastei dinheiro a toa. Só como curiosidade Aurélia, o feminino de Aurelius, é o nome da personagem portuguesa que Colin Firth se apaixona no filme Simplemente Amor.

Augusto

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Ike - O Dia D

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Direção: Robert Harmon.
Elenco/Vozes: Tom Selleck, James Remar, Timothy Bottoms, Gerald McRaney.

O filme conta a história real de Dwight “Ike” Eisenhower, homem escolhido pelo presidente americano Teodore Roosevelt e pelo primeiro-ministro ingles Winston Churchill como comandante supremo da força aliada e todo o planejamento para a execução do Dia-D, que consistia da invasão da França ocupada pelos nazistas e o plano de retomada da Europa.

Durante todo o filme vemos a escolha de Ike dos seus comandantes, de como vai funcionar a operação dos paraquedistas, infantaria, marinha, aeronáutica, todo o detalhamento de solo e principalmente das condições clímaticas.

Alinhando um elenco afinado, e um roteiro inteligente que explora bem toda a complexidade da concepção de uma estratégia enorme como a que foi empregada no dia D, é legal analisar também que o elenco esta muito afiado, principalmente Tom Selleck, que some (no sentido positivo da palavra) na interpretação de Ike, pode ser a falta do bigode, mas ele estava muito bem.

O que me incomodou no filme foi somente minha ignorancia acerca de dois fatos. O primeiro é a forma quase perfeita que IKe é tratado. Ele é bonzinho demais, preocupado demais com cada vida humana, não sei se um comandante supremo seria tão “puro”, por isso gostaria de ler um pouco mais sobre esse figura histórica, a outra é a cena com o comandante Francês que nega-se a ajudar na invasão e a aceitar Ike como comandante supremo, mesmo que provisioramente, aceitando que o pais dele fique sem salvação ao invés de apoiar o ataque. Como recentemente houveram problemas entre EUA e França devido a invasão no Iraque, quero muito saber se a cena é verdadeira ou motivada por uma “vingança” de roteiristas patrióticos.

Augusto

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Sangue Negro

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Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco/Vozes: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Ciarán Hinds, Dillon Freasier, Kevin J. O’Connor.

Esse filme fecha uma seqüência de excelentes títulos lançados (internacionalmente) em 2007. Não preciso mencionar todos os bons filmes do ano, mas o que conta é que temos ótimas opções para as premiações anuais e a sétima arte continua surpreendendo. Dentro deste contexto não é surpresa ver que filmes especiais como Sangue Negro acabem perdendo repercussão em relação a outros mais comentados, nomeadamente Onde Os Fracos Não Tem Vez e Juno. Mas a verdade é que Sangue Negro supera estes filmes em diversos quesitos, sendo para este cinéfilo o melhor filme do ano. Trata-se de uma obra de arte da mais refinada qualidade, uma trama brilhantemente levada e um filme com aspectos técnicos e visuais grandiosos.

No filme, que por sua vez é baseado no livro Oil!, de Upton Sinclair, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um minerador frio e ambicioso que rapidamente torna-se um bem sucedido explorador de petróleo. Daniel acaba por receber uma dica de um local perfeito para perfuração de petróleo e segue com seu filho (H.W., interpretado por Dillon Freasier) e sua equipe em uma jornada para adquirir os terrenos que cobrem esta área, montar as torres e firmar ainda mais seu negócio. Mas na pacata região ele encontrará desafios e surpresas, dentre eles o padre Eli Sunday (Paul Dano) e um irmão que não conhecia (Henry Brands, interpretado por Kevin O’Connor).

Antes de tratar da incrível atuação do Daniel Day-Lewis, tema normalmente destacado ao comentar Sangue Negro, o filme surpreende de forma indescritível pela sua direção. Fazendo uma introdução original e magnífica o diretor Paul Thomas Anderson mostra que não é excelente apenas em filmes modernizados (em trama, estilo e técnica) como Magnólia e Boogie Nights, mas sabe adaptar-se aos mais diversos contextos mantendo (e aperfeiçoando) sua qualidade. Os quinze primeiros minutos do filme praticamente não possuem diálogos, e nem estes são necessários. A profundidade e beleza destas cenas são únicas. E não para por aí – o modo como a trama é levada, o excelente roteiro, as cenas fortes e complexas, o desenvolvimento das personagens, e todos os aspectos técnicos do filme (com destaque absoluto para a fotografia e trilha sonora), tornam Sangue Negro um filme incomparável.

Ainda antes de Day-Lewis, dois pontos merecem comentários. A já mencionada fotografia, e a intensa trilha sonora. Vejo que muitos se equivocam (como já o fiz) ao julgar fotografia, dada a equivalência da palavra com a da fotografia convencional. Para o cinema fotografia, ou melhor ainda cinematografia, um termo mais próximo da palavra em inglês Cinematography (usada em premiações), não trata exatamente de beleza de cenários, paisagens e objetos da cena, como uma foto trataria. Fotografia é a arte da iluminação de cenários e escolha de lentes, cores e rolos de filme. Cenários e paisagens tendem a ser muito mais méritos da direção de arte do que da fotografia. Comento isso para justificar meu polêmico julgamento de que não observei fotografia melhor neste ano do que a de Sangue Negro. A iluminação e escolha de cores é simplesmente maravilhosa, ajudando (por sua escuridão e densidade) na construção do próprio filme e das personagens. As cenas são tão bem feitas que conseguem destacar por completo aquilo que PTA considera mais importante. Em algumas mais específicas o rosto de Daniel Plainview aparece isolado na tela, nítido em plena escuridão, formando profundas imagens de tirar o fôlego.

E chegamos também a trilha sonora, tensa e complexa como todo o filme, muitas vezes incômoda. De responsabilidade de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, a trilha ajuda significativamente na construção das personagens e na dramatização, fortalecendo ainda mais as sensações do espectador, sejam estas de raiva, tensão, melancolia ou ironia. Vale o comentário de que parte da trilha já havia sido usada pelo músico e por isso esta não pôde concorrer ao Oscar.

Como se não bastassem qualidades para esse filme, temos a atuação de Daniel Day-Lewis, incomparavelmente a melhor atuação do ano. Day-Lewis cria um personagem fortíssimo, de alta complexidade e profundidade, e mesmo que suas características sejam muitas vezes deploráveis e cruéis, é inevitável se encantar com a interpretação do ator. Poucas vezes poderemos apreciar um gênio da interpretação em um papel tão forte. Ainda no elenco temos o destaque do ator Paul Dano, lançado ao mundo por sua memorável interpretação em Pequena Miss Sunshine. Ele assume aqui um papel extremamente difícil, sem contar o desafio de preencher a tela ao lado de Day-Lewis. Mas Dano supera expectativas, participa de cenas excelentes e de extrema importância para a trama, e não se deixa diminuir perante Day-Lewis.

Há ainda dezenas de qualidades que gostaria de tratar, como a trágica e complexa história (e roteiro) – e sua eventual semelhança com clássicos como Cidadão Kane -, o modo de desenvolvimento da trama usado pelo diretor, as claras metáforas ao mundo contemporâneo e materialista, a filosofia por traz da ambição e destruição tratadas no filme, dentre outras. Mas não há nada melhor para compreender a grandeza desse filme do que assistir por você mesmo e, se possível, repetir a dose. Reconheço não ser um filme para todos os gostos e não terei expectativa alguma quanto à premiações (Oscar). Mas mesmo sendo fã inquestionável dos irmãos Coen e de Onde Os Fracos Não Tem Vez, não tenho opção se não a de venerar Sangue Negro como a melhor obra deste ano. Certamente um dos seletos filmes que ficarão na história do cinema. Uma obra de arte refinada, complexa, profunda e detalhista. Um filme com o melhor que o cinema pode proporcionar.

Bodão

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Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

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Direção: Tim Burton.
Elenco/Vozes: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Jamie Campbell Bower, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Jayne Wisener.

Antes um aviso: se você não suporta musicais, não gosta de filmes sombrios ou não se dá bem com sangue, fique longe de Sweeney Todd. Digo isso porque vi, por cima, uma dúzia de casais se retirando da sala de cinema na estréia. Metade quando notaram que era um musical. Metade quando o sangue começou.

Por outro lado se você no mínimo atura musicais e suportas crueldades e violências, Sweeney Todd será uma das experiências cinematográficas mais maravilhosas deste ano. O musical, que faz jus ao gênero tragédia clássico e tem fortes toques de terror e comédia, é um dos mais originais já vistos, entregando com maestria o que promete. Tudo no filme é feito com perfeição: os cenários, sombrios e bizarros no melhor estilo Tim Burton (Ed Wood, Peixe Grande); o elenco, com nomes de destaque em excelentes atuações; a fotografia, propositalmente acinzentada mas que destaca sempre que possível belíssimas cores; a história, trágica e cruel, mas que prende o interesse por toda sua duração. E o filme não deixa a desejar como musical, mostrando dignas interpretações pra as belíssimas canções da peça da Broadway.

Na história, Benjamin Barker (Johnny Depp, de Piratas do Caribe) é um barbeiro condenado injustamente à prisão por um juiz que planeja tomar sua esposa. Quinze anos depois ele retorna à Londres sob o nome de Sweeney Todd e o motivo claro de se vingar do juiz e externar o ódio que possui por todos daquela cidade. Outros grandes nomes participam do elenco, como Alan Rickman (Harry Potter), em uma interpretação magnífica do juiz Turpin, e Helena Bonham Carter (Noiva Cadáver, Harry Potter), esposa do diretor que interpreta papéis sempre semelhantes, mas convincentes.

Apesar da presença de Johnny Depp, em mais uma excelente atuação, a direção de Tim Burton e os trabalhos técnicos acabam sendo os destaques do filme. Depp faz um ótimo, de fato demoníaco Sweeney Todd, mas é um papel um tanto já visto no cinema, o que acaba diminuindo seu destaque. Por outro lado os magníficos cenários do filme, a direção mais ousada e sofisticada de Burton e a fotografia sombria que procura sempre cores para destacar (oferecendo cenas de tirar o fôlego daqueles que puderam prestar atenção nos detalhes), tornam Sweeney Todd um dos grandes filmes do ano. A montagem e edição de som são também excepcionais, proporcionando cenas fortíssimas e precisamente coordenadas. Misturam-se vozes com navalhas, lenços com espumas de barbear, e no fundo a intenção sempre clara e odiosa de Sweeney Todd. Tudo isso sob um clima sombrio, cruel e sangrento, mas sem deixar de lado a essência do delicado gênero musical, obtendo surpreendentemente sucesso ao manter a história interessante e repleta de belas canções (destaque aqui para o esforço dos atores já que a maioria não havia feito musicais).

Um musical trágico, violento, sombrio, que executa com perfeição todos seus atributos técnicos, exibe um elenco de primeira linha e traz algo a mais do que vemos normalmente no cinema. Acima de tudo um filme com cenas fortes que não serão facilmente esquecidas. Seja pela violência e crueldade mostrada, seja pelas belíssimas cenas de cenários ou cores destacadas (raras vezes vi um mar ou céu tão belo), seja pela trágica história ou pelas intensas canções, Sweeney Todd deixará marcas inesquecíveis.

Bodão

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O Caçador de Pipas

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Direção: Marc Forster.
Elenco/Vozes: Khalid Abdalla, Homayon Ershadi, Zekeria Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada, Shaun Toub, Nabi Tanha, Ali Dinesh, Saïd Taghmaoui, Atossa Leoni, Abdul Qadir Farookh, Maimoona Ghizal, Abdul Salam Yusoufzai, Elham Ehsas, Ehsan Aman, Vsevolod Bardashev.

Ainda não li o livro homônimo que deu origem ao filme, mas já havia ouvido falar que era bem pesada a atmosfera do enredo. E realmente tem um clima pesado, e até mesmo o final não deixa tantas esperanças de melhoria. A história se passa no Afeganistão, próximo da época da invasão russa, invasão essa que tem grande importância no enredo do filme. Não sei o que tem de auto-biográfico no livro, visto que o auto é afegão, mas isso serviu, sem dúvida alguma, para a riqueza de detalhes do filme.

A trilha sonora é um ponto alto do filme, deixando de lado o ritmo puramente popular, mas sem perder as raízes da cultura da região. Gostei bastante da atuações dos garotos, principalmente do menino pobre. Ambos fazem parte de um história de uma amizade quase do nível de intensidade entre Frodo e Sam, porém com características um pouco diferentes, e bem mais complexas.

Não pude deixar de notar o recurso usado nas câmeras acima das pipas, até agora não imagino como aquilo foi feito, talvez um recuro de CGI, mas é extremamente bem elaborado. A fotografia também não deixa desejar, alias, tecnicamente o filme é muito bom, exceto por uma edição com cortes bruscos que não tem como deixar de notar, um corte de uns 10 anos no mínimo, sem explicação ou suavização alguma.

Apesar dos problema eu gostei bastante, e acho que vale sim a pena uma conferida. Quem sabe aprendemos um pouco sobre amizade, idealismo, e a importância de quem somos e de onde viemos. Curiosamente lembrei de Persépolis em alguns momentos, inclusive tem um momento em que a protagonista diz algo como “as pessoas devem achar que somos apenas um bando de loucos que atiram bombas uns nos outros”. Comunicação e tolerância com as diferenças parece ser ainda os ingredientes básicos para um mundo melhor.

Persépolis

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Direção: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi.
Elenco/Vozes: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites.

Dessa vez temos um forte concorrente para acabar com a hegemonia da Pixar no Oscar. Persépolis não tem o carisma e nem as cores dos desenhos da Pixar, mas consegue ser mais poderoso visualmente, mesmo sendo, na sua grande maioria, feito de preto, branco e cinza.

Persépolis é dublado em francês pelas principais atrizes francesas, e conta a história, na visão de uma criança, do Irã e sua revolução, bem como sua guerra contra o Iraque. É nesse plano de fundo que acompanhamos o crescimento de uma engraçada e curiosa menina iraniana.

O filme não possui grandes efeitos, mas usa com maestria e sensibilidade suas imagens, criando momentos espetaculares durante sua exibição. Definitivamente simples e extremamente poderoso, não consigo imaginar outras palavras. Sem deixar o humor de lado, muitas vezes até pesado, Persépolis brinca na hora certa.

Além de tudo isso, Persépolis tem ótimas sacadas para demonstrar a passagem do tempo, explicando através de música e filmes de cada época. O filme mostra também a formação de uma cultura, e a importância de não esquecer de onde somos. Uma mensagem forte, simples e poderosa, sem perder o tempo de fazer humor.

Conduta de Risco

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Direção: Tony Gilro.
Elenco/Vozes: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sidney Pollack.

Michael Clayton (Clooney) é um especialista em resolver e cobrir problemas em uma grande firma de advocacia. Enquanto a empresa em que trabalha negocia a junção com uma multinacional bilionária, um dos casos mais críticos envolvendo ambas as empresas é posto em risco quando Arthur Edens (Wilkinson), um brilhante advogado que vinha astuciosamente defendendo uma empresa herbicida, tira sua roupa em um tribunal em sinal de protesto contra o caso e possivelmente loucura. Resolver o problema de Arthur e encerrar o caso passa então a ser o principal foco de ambas as empresas, um trabalho complicado e sujo que cai nas mãos de Michael. Mas pouco a pouco a loucura de Arthur mostra-se fundamentada, sua sanidade cada vez mais forte e dedicada a um novo propósito. Enquanto Clayton desconfia das reais causas do problema do amigo e da ética das empresas envolvidas, sua própria vida vai se mostrando cada vez mais vaga, seus problemas financeiros, familiares e pessoais aparentes, e as palavras de Arthur cada vez mais encaixadas na sua realidade. Mas o envolvimento de pessoas interessadas em resolver o problema de forma rápida e crua pode colocar a vida de Clayton e outros em risco.

Com esta inteligente trama, Michael Clayton destaca-se como um dos melhores filmes deste ano. Apesar de não ser um filme rápido ou com grandes pretensões, tudo no drama é tratado com maestria. A direção do estreante Tony Gilroy é brilhante – em poucos minutos o clima tenso, sombrio e reflexivo do filme é estabilizado, as cenas altamente marcantes, tudo isso complementado por uma ótima (e indicada ao Oscar) trilha sonora. As atuações são todas fortíssimas, merecedoras das 3 indicações. Clooney está muito bem no papel e o elenco complementar é um dos grandes destaques. Tilda Swinton, em sua interpretação da executiva Karen Crowder, faz sem dúvidas a melhor das atuações, logo acima do mais uma vez excelente Tom Wilkinson. Além disso, o roteiro é claramente o ponto mais forte do filme, fazendo jus ao imenso currículo de roteiros que Tony Gilroy possui, que conta com Advogado do Diabo, a trilogia Bourne e muitos outros.

Mas este filme torna-se um dos maiores nomes do ano pela sua importante trama – inteligente e politicamente envolvida. Um filme no melhor estilo Syriana e Jardineiro Fiel, melhor ainda que o primeiro e tão bom quanto o segundo. Um drama tão excelente que nos lembra de honrar estes que continuam batalhando para fazer filmes sérios e marcantes, mesmo que pouco lucrativos. Clooney já é um dos maiores ativistas destes dramas políticos, mas ao ver a lista de produtores executivos vi o quão independente e interessante essa produção foi. Nomes como Steven Soderbergh, Anthony Minghella e dois atores do filme, Clooney e o também diretor Sidney Pollack, são alguns dos listados. Não é surpresa então ver como o filme evita clichês e toda aquela superficialidade hollywodiana, desenvolvendo fortemente seus personagens e mostrando cenas realistas e pesadas, mas altamente marcantes. O tipo de filme que fica na sua mente por diversos dias, seus personagens e frases constantemente lembrados, e sua brilhante trama inconscientemente revisitada. Um filme que busca mudar o espectador e o mundo em que vivemos, trazer a tona alguns dos nossos maiores problemas, e tratar com sinceridade e seriedade o ser humano. Um filme idealizado e realizado pelos reais defensores da sétima arte.

Bodão

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Meu Nome Não é Johnny

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Direção: Mauro Lima.
Elenco: Selton Mello, Cleo Pires, Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, André di Biasi, Eva Todor, Ângelo Paes Leme, Rodrigo Amarante, João Guilherme Estrella.

Mais um filme brasileiro de sucesso e mais uma vez um filme relacionado ao submundo, ao tráfico e à violência. A estória de João Estrella mostra uma realidade comum na classe média brasileira: drogas, festas e diversão. Estão todos o tempo todo vivendo no limite entre a “simples” diversão e o envolvimento com o crime. Pelo que mostra o filme o envolvimento de João neste mundo acontece por acaso. As coisas vão acontecendo, crescendo, sem muito domínio. A vida levada sem rédeas. O próprio João Estrella fez questão de reforçar em entrevistas que a coisa aconteceu assim mesmo, bem no estilo viva e deixe viver.

Quanto ao filme em si, Selton Mello volta a fazer uma interpretação muito boa, dando um ar de malandragem e despreocupação fundamental para caracterizar o personagem. A facilidade que Selton tem de lidar com as palavras, seu jeito rápido de falar, complementam João Estrella nas telas. Ele é, com certeza, ator principal e grande motor da película.

Por outro lado a atriz Cássia Kiss, famosa e com diversos filmes na carreira, é responsável pela pior interpretação do filme ao encarnar a juiza que condena João Estrella. Alias as cenas do julgamento são de longe as piores. Parece que não existe ali a mesma energia presente no restante do filme, os atores parecem estar gravando aquilo de forma burocrática, obrigatória, sem emoção. Nem Júlia Lemmertz, no papel de mãe, consegue chorar com emoção durante o julgamento. E Júlia engrossa a lista de boas atrizes com interpretação decepcionante.

Quanto a Cleo Pires, além da beleza ela não acrescenta muita coisa ao filme. Não sei se podemos chamá-la de atriz.

O filme conta ainda com a excelente, mas pequena, participação de Eva Todor, uma simpática velhinha que realiza transações não tão simpáticas assim, e com as aparições de Rodrigo Amarante do Los Hermanos, na pele do personagem que forneceu o primeiro baseado da vida de João Estrella, e do próprio João Guilherme Estrella que aparece como um dos enfermeiros do manicômio.

Como qualquer filme de sucesso, principalmente filme brasileiro, “Meu Nome Não é Johnny” tem recebido duras críticas por parte da imprensa especializada. Mas por outro lado temos que levar em conta que o filme é baseado em fatos reais. Então não acho correto dizer que as cenas na cadeia procuram imitar “Carandiru” ou que as cenas de manicômio tentam copiar o sucesso de “Bicho de 7 Cabeças“. Se tudo isto aconteceu a João Estrella tem que estar no filme, e não está lá para copiar ninguém. Está lá porque aconteceu.

Concordo que alguns personagens, na cadeia principalmente, são estereotipados. Mas isto tem se tornado lugar comum em filmes nacionais. Se o filme fosse rodado no Nordeste veríamos muito mais “tipos brasileiros” em cena com certeza. Uma pena por um lado, garantia de diversão por outro. Outra coisa ruim é a insitência em contextualizar a época do filme através da citação direta de algumas referências. É desnecessária a fala forçada do personagem que diz que preferia ficar em casa vendo Magnum e comendo Mirabel a estar na rua aquela hora. Teria sido mais fácil e elegante escrever “1980″ no canto da tela.

Concluindo eu acho que o filme pode ser considerado mesmo um filme divertido, tornando o cinema um ótimo programa para o domingo, e se não fosse o excesso de cocaína e viciados em tela seria também candidato a tela quente.

 
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