Cinéfilos » Arquivo » Nome Próprio - Blog de cinema com críticas e comentários sobre filmes
Novidade! O Cinéfilos está no Twitter.
Siga o Cinéfilos em http://twitter.com/CinefilosBlog

Nome Próprio

Comentários     Dê sua nota: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas Loading ... Loading ...

Direção: Murilo Salles.
Elenco: Leandra Leal, Juliano Casaré, Munir Kanaan, Reginaldo Faidi, Alex Didier, Martha Nowill, Milhem Cortaz..

É assustadora a quantidade de cineastas brasileiros que insistem em basear-se em livros para indolentes, interpretam estéticas desenxabidas como arrojadas e costumeiramente terminam por desprezar o que poderia vir a ser um bom conteúdo, através de suas retinas, para beirarem o ridículo em suas propostas cinematográficas.

A referência da vez são os livros Máquina de Pinball e Cama de Gato, da escritora e blogueira Clarah Averbuck, adaptados para o filme Nome Próprio, do diretor Murilo Salles, que por sua vez torna-se um dos últimos exemplos dessa imaturidade no cinema nacional. A impressão que fica, ao ver a suposta obra, é que há uma expressiva indefinição no que se pretende transmitir. Em vez de pensarmos que estejam nos mostrando o comportamento dos jovens das grandes cidades e suas vulnerabilidades perante a dificultosa situação que venham à atravessar, em outra a insinuação é que existe uma certa excentricidade em pessoas que exprimem talentos artísticos, afirmando que esses são incapazes de se impor de maneira civilizada e/ou eloquênte em uma esfera social – o que seria taxativo para os novos artistas que habitam o mundo contemporâneo. No entanto, nada fica claro, também não fica subjetivo ou metafórico, mas, perdido, desconexo.

O filme é tomado por um diálogo que quando não raso era verborrágico, insólido. Essa classificação já é enunciada no que permeia a briga de um jovem casal, que imigram para a gigantesca São Paulo e, quando na cidade se encontram instalados, descobrem que estavam enganados em seus ideais utópicos – dos quais apenas isso, a utopia, é evidente. Ignoram então o valor da descrição e da cumplicidade em um relacionamento, através do “adultério” de Camila (Leandra Leal) para seu namorado/marido (Juliano Cazarré) e estabelecem o fim do alicerce. Logo, a garota de 25 anos é expulsa de sua casa e em seguida apresentada à típica promiscuidade das grandes metrópoles, assumindo seu caráter enfadonho e tornando-se o próprio caos.

É realmente difícil discernirmos algo de errado nesse tipo de sinopse, pois poderiamos imaginar a situação das mais variadas formas possiveis. Entretanto, e em minha óptica é claro, após ter visto o filme; não há sentido um longa percorrer em discussões compostas apenas por xingamentos e exposições de ressentimentos banais. Nada sublimado ou plausível, regido em suma pela gratuita explosão da blogueira Camila e seus coadjuvantes, em performances que não descreviam nem o máximo e nem o ínfimo.

Há quem acredite haver nuances de uma boa fotografia e planos menos convencionais na direção de arte, entretanto, digo eu: nada além do razoável e repetitivo. Em verdade o que nos restou foi uma trilha sonora altamente compátivel à inconsistencia dos fatos, ou seja; ultrapassada. Uma exploração de nús excessivamente piegas – quase que uma obsessão pela forma física de uma ex gordinha global, para atrair os noveleiros de plantão. Também tivemos que aturar, por inúmeras vezes, uma espécie de eufemismo sexual desnecessariamente prolongado – era como se víssemos um filme pornô estrelado por iniciantes inseguros. Se não obstante fosse, ainda havia a deficiência técnica da edição, a ponto de percebermos nitidamente a sombra do câmera em uma das cenas. Notável lacuna de amadorismo. Lastimável!

Daí por diante nos tornariamos cúmplices de exemplos da falta do bom senso, do usufruto exagerado das drogas, da trivialidade do que entendemos como poética, da patifaria consentida em comum senso e dos demais adjetivos que couber nesse acúmulo de alusões irrelevantes.

Desse tipo de calda de dinossauro em movimento giratório e sem conteúdo, nossa sociedade já se encontra saturada! Nos deparamos com isso todo o tempo em nosso cotidiano e não consigo enxergar estimulo algum em tornar esse declínio na condição humana em arte. A menos que possua um objetivo pertinente, sem clichês, provocando reflexões menos rotuladas. Precisamos de algo que nos permita sonhar além de nossa realidade medíocre. Penso que somos inconscientemente ávidos por sugestões e isso é uma mera ilustração da ilusão que alimentamos como vivência.

Cheguei a remeter toda essa esbórnia à delinquência de Kids, do diretor americano Larry Clark, mas seria demais injustiça, pois esse mostrou critério e foi sucinto no que se prestou à apresentar.

O mais agravante é nos submetermos, com as melhores intenções, ao registro de toda essa expressão sem propósito e percebermos o aparente rompimento da hermética crítica, pela simples facilidade que o público possui em se iludir com o talento pueril de um diretor. Que por sua vez impele tal domínio através da lotação nas salas dos cinemas, se transformando em uma espécie de signo da grande idéia. Bom, nesse caso podemos dizer que tal valor também cabe à obra literária que originou o filme.

Como já dizia o grande Roberto Freire “Só é feliz quem não tem medo do ridículo”. Muito embora seja preciso ressaltar que este escritor e militante do tesão – como se define -, já torne claro no título de um de seus livros, “AME E DÊ VEXAME”, sobre a relevância que possui em sua concepção de como devemos nos portar ridículos perante um estado de coisas: com paixão. Se assim não formos, “violentos” em nossas paixões, seremos apenas expostos.

Quanto a uma grande produção, nossos vizinhos argentinos estão mais evoluídos, a exemplo de Plata Quemada, do diretor Marcelo Piñeyro. É lamentável que assim seja.

Tito Oliveira

Você também pode ter sua crítica publicada no Cinéfilos.
Basta deixar um comentário ou enviar um e-mail para Email.

Nota dos Leitores para “Nome Próprio”

3 Comentários para “Nome Próprio”

  1. Robson Saldanha disse:

    Quero ver. Só é triste que você fale dessa forma, que o filme seja amador a esse ponto, preciso ver e queria muito discordar!! =D

  2. Bruno disse:

    O filme é pesado e triste mesmo. Mas eu achei que tem uma visão nova, bem diferente dos tradicionais filmes americanos. Veja aqui.

  3. nFernanda disse:

    Eu gostei do filme mais desse site NÃO.
    Esse site é uma poracaria.
    Eu queria o resumo do filme e não um monte de MERDA.

    Obs:O filme é BEM triste

Deixe um Comentário

 
Layout & Icones by N.Design Studio
RSS RSS Comentários Login