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Max Payne

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Direção: John Moore.
Elenco: : Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris ‘Ludacris’ Bridges, Chris O’Donnell.

Mark Wahlberg é um dos caras mais marrentos do cinema e essa marra vem desde a época que ainda se chamava Marky Mark, um rapper marrento. Enfim o cara é fera! Sou admirador do seu trabalho no decorrer desses anos e por isso agradeço por ele ter saido da música e se tornado um ícone pop do cinema.

Por ser um ator bastante adaptado a papéis fortes, violentos e marrentos, ele caiu como uma luva na pele de outro sujeito “esquentado”, Max Payne, e podemos ver seu desempenho em alguns filmes, como Uma Saída de Mestre e Quatro Irmãos.

Basta lembrar que em 2007 Mark Wahlberg foi indicado ao Golden Globe Awards e ao Oscar, por sua interpretação em “Os Infiltrados” e foi indicado a mais 4 premiações importantes pelo mesmo papel.

Max Payne tem uma história semelhante ao Frank “Justiceiro” Castle, mas com objetivos bem diferentes. No entanto, o seu sofrimento, a sua loucura e o seu desejo de vingança não deixam nada a dever ao nosso amigo Frank, pois ambos vivem com os dentes cerrados e armados com trabucos para lidar com a escória do mundo.

Um jogo de tiro em terceira pessoa que narra a história do policial Max Payne, que ao se infiltrar na máfia com o objetivo de investigá-la, vê a máfia e a própria polícia se voltarem contra ele. Isso o coloca numa vingança sem controle contra os fantasmas da sua vida. Isso mesmo, o filme é baseado nesse jogo! Confesso que após fazer minha pesquisa sobre o jogo e assistir ao filme, fiquei com vontade de jogá-lo…por enquanto só na vontade. Voltando ao filme, posso dizer que ele retrata bem o jogo, buscando ser o mais fiel possível. Mas conversando com algums viciados no jogo, fiquei sabendo que a voz do Mark Wahlberg não ficou muito boa. E ainda tem mais: os amantes do jogo ainda me disseram que o John Bravura é de origem européia e na adaptação para o cinema tornou-se um afro-americano interpretado pelo rapper chamado Ludacris. Também vemos o Fernando – Prison Break, bem diferente.

O filme usa muito o efeito “bullet time” que foi criado e muito explorado no filme Matrix, sendo o que o jogo usa muito mais do que o próprio filme. Outra coisa muito perceptível são as formas de coreografia dos personagens e movimentos de câmera que tornam-se um show à parte.

A história do filme é contada como num “film noir”(estilo de filme primariamente associado a filmes policiais, que retrata seus personagens principais num mundo cínico e antipático – definição da Wikipedia), o que pode ser notado na moralidade do próprio Max Payne. Também é marcante no filme a presença de elementos da mitologia nórdica na forma de nomes como valquíria, aesir, e a noite sob uma terrível tempestade de neve em alusão ao ragnarok, o fim do mundo. Pode não parecer, mas é um filme policial com requintes sobrenaturais.

O enredo do filme é basicamente o mesmo do jogo, diferenciando-se por algumas adaptações, mas trata-se da história de Max Payne, um policial que estava se tornando bem sucedido. Tinha se casado, acabou de ter uma filha e via o sonho americano se realizando em sua vida. Tudo acabou no dia em que sua casa foi invadida por viciados pela droga Valquíria enquanto estava no trabalho, e acabam por assassinar sua esposa e sua filha.

Max Payne então disposto a tudo para ter uma vingança sem limites e sangrenta contra tudo e todos. Apesar do filme ter uma numerosa quantidade de beldades por metro quadrado, outro chamariz do filme.

Não pode deixar de falar desse filme sem falar do diretor John Moore, um irlandês responsável pelo remake de “A Profecia”, o cara fez e desfez de várias cenas , sempre procurando a melhor e inventando novas maneiras de fazê-la e armando tudo para a sequência, isso mesmo, Max Payne voltará. John Moore visa sempre a diversão do seu público, o cara ralou muito para deixar o filme interessante, mesmo porque ele também é jogador dedicado, juntou o útil ao agradável e buscou deixar o filme mais fiel possível.

Max Payne se resume da seguinte forma: Pegue um ator competente e marrento, um jogo alucinante, um roteiro inteligente e um diretor viciado em jogos de vídeo game e com uma boa pitada de efeitos especiais, aí parceiro: você tem um filme que vale a pena perder tempo em assisti-lo.

Fique até o final, após os créditos, pois se você gostar do filme e vai gostar, certamente ficará com água na boca após ver a surpresa.

“Não sei quanto aos anjos, mas é o medo que dá asas aos homens.” – Max Payne

Feliz Natal

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Direção: Selton Mello.
Elenco: Darlene Glória, Paulo Guarnieri, Graziella Moretto, Leonardo Medeiros, Lucio Mauro.

Estréias sempre suscitarão maiores expectativas na crítica e no público, sobretudo quando se trata da transição de ator para diretor de cinema. Isso não quer dizer que a partir do momento que se passa a ser diretor tenha-se que se dispersar da continuidade para uma carreira de ator. Não creio que esta seja a idéia do então diretor e ator Selton Mello, que acabara de nos apresentar sua mais recente realização. O filme Feliz Natal, que ironicamente ou não (acredito que assim tenha sido), surge exatamente em um período natalino, o que me faz apreendê–lo como uma justaposição do intuito do novo diretor a uma denominação especial que classificou as obras de Aristóteles. Pois como livros que tratam da filosofia primeira, o drama dialoga com o espectador através de uma metafísica, isto é, percorrendo por uma investigação do ser enquanto aquilo que realmente é.

É muito natural ver em um ator que fomenta projetos simultâneos e que é provido de um histórico com atuações primorosas, a exemplo de Lavoura Arcaica (2001), de Luis Fernando Carvalho, e O Cheiro do Ralo (2007), de Heitor Dhalia, traços dessas vivências em sua primeira atuação como diretor. Isso se torna aparente na experiência com que Selton conduz Feliz Natal. Penso eu que tamanha segurança certamente fora extraída de sua passagem por grandes produções nacionais, além é claro, de equacioná-las, em principio, a nuanças de referências tarkovskyanas.

O filme inicia com uma extensa ausência da fala, que por sua vez enaltece a boa captação de som na manipulação de objetos e nos movimentos dos atores. Essa passagem é regida por uma fotografia que me parece aludir à atmosfera concebida pela pintura surrealista do belga René Magritte, pois sugere a visualização de uma penumbra sobreposta a luz e constrói uma espécie de enigma na apresentação da face de um personagem que já se mostrara estigmatizado.

Não tardara muito para o diretor explicitar a simbiose de suas influências, já que quando o drama começa a se desenvolver, através da surpreendente aparição de Caio (Leonardo Medeiros) à festa de natal de sua família psicologicamente desestruturada, é possível perceber a predominância dos planos fechados muito explorados por Ingmar Bergman.

Ao ver Feliz Natal o espectador livra-se da sensação de que paráfrases como Feios, Sujos e Malvados (1976), de Ettore Scola, estão ausentes em sua memória. Pois temos na direção de Selton Mello um exemplo ainda mais contundente de como vivemos em um sistema social que nos manipula com crenças ilusórias, para disfarçarem a nebulosidade de nossa verdadeira essência. Assim fora constituída uma escrita que mescla significado e transcrição, sobre a importância de celebrar o “nascimento de cristo” não apenas como forma de reunir uma família e trocar gestos carinhosos através de pequenos presentes, mas, em suma, por possibilitar a apropriação de tal momento para brindar à época que mais evoca tudo que se encontra de mal resolvido entre os familiares.

Embora o diretor não tenha se dado conta de um pequeno excesso em algumas cenas, os entrecortes na montagem e a fragmentação das situações evitaram, inteligentemente, qualquer proximidade a uma espécie de reverberação cinematográfica. Pois através da perspectiva que nos mostra após o rompimento de uma união matrimonial fracassada, composta por uma mãe alcoólatra e um pai arrogante, é que começamos a entender a complexidade nos comportamentos infelizes dos herdeiros dessa má elaboração de vida, que exalam traumas, eufemismos, frustrações e muita culpa.

Com todos esses ingredientes coesos a mais uma feliz seleção de elenco, resgatando grandes e esquecidos nomes como Paulo Guarnieri, somos contemplados – já fazendo a devida justiça ao nome do filme -, com um belo presente de natal. Emitido por um artista que enuncia mais uma promissora carreira no cinema brasileiro, tendo como conseqüência, obviamente, uma futura projeção internacional. Este que já se impõe em um novo posto como agente de grandes reflexões e nos provando que, quando a arte analisa a condição humana, não deveremos nos portar de maneira indiferente, mas ao menos irmos de encontro ao seu registro.

Tito Oliveira

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A Duquesa

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Direção: Saul Dibb.
Elenco/Vozes: : Keira Knightley, Ralph Fiennes, Hayley Atwell, Charlotte Rampling, Simon McBurney, Dominic Cooper, Aidan McArdle.

E não é que a magrela de nome complicado, e até bonitinha, Keira Knightley tem o perfil ideal para esse tipo de filme, dito de época. Depois de Desejo e Reparação , Orgulho e Preconceito, Rei Arthur, e porque não Piratas do Caribe, agora vive a duquesa de Devonshire, Georgiana Cavendish, que viveu de 1757 a 1806. O roteiro, baseado numa história verdadeira, assim como o título do filme, tem como foco a vida da duquesa. Numa época em que as mulheres eram criadas pra casar com “grandes” homens e seus títulos.

O machismo, comum na época, permeia todo o andamento do filme, e provavelmente o público feminino sentirá repulsa; em contrapartida gostarão da história de bravura da tal duquesa. A história em si é interessante, e o roteiro flui tranqüilo e ao mesmo tempo instigante, se perde em algumas curvas, mas no fim das contas chega onde deveria. Claro que não passa de um baita dramalhão, mas o que se pode fazer se a história foi assim contada?

Deixando um pouco a Keira de lado, preciso falar sobre a atuação do Ralph Fiennes. Até agora eu não sei como classificar sua atuação, compreendo perfeitamente se alguém achar péssima, pois o cara não atuou, soprou suas falas o filme inteiro, e num lampejo de expressão ele quase sorriu, quase deu pra ver a covinha no rosto. Por outro lado, se você achar magnífica a atuação, e justificar que ele fez aquela cara, o filme inteiro, de propósito e que o personagem precisava daquilo, então ele vai ganhar o Oscar do Heath Ledger. Eu fico bem no meio dessas opiniões, até acredito que o personagem deveria ser insensível, mas não inexpressivo, são coisas totalmente diferentes. Além disso, eu nunca vi uma grande atuação dele, sempre tem essa cara de Paciente Inglês.

Um filme honesto, cumpre seu propósito, rodado na Inglaterra aproveita bem a bela paisagem e mostra uma excelente fotografia. Sua trilha não segue o embalo, é até bem chatinha pra falar a verdade, e repete todo instante, como se fosse se tornar um grande referencial no futuro. Seguindo a linha da supervalorização feminina, A Duquesa traz uma bela história de uma mulher que passa por maus bocados e ainda mantém sua dignidade e influência na medida do possível.

Vicky Cristina Barcelona

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Direção: Woody Allen.
Elenco: Scarlett Johannson, Rebecca Hall, Chris Messina, Javier Bardem, Penélope Cruz.

Entre os altos e baixos de uma década marcada pela transformação sofrida em seu estilo cinematográfico, a hibridez entre as artes plásticas, a fotografia e a disparidade cultural entre Europa e Estados Unidos é corpo para que Woody Allen nos apresente Vicky Cristina Barcelona, uma das expressões cinematográficas que, como as duas que a antecederam (Match Point e Scoop), suscita ainda mais perspicácia para este autor não atuar em seus filmes e, além disso, o ajudará a consumar sua nova linguagem.

A obra trata de temas em que o diretor já visitara em quase todas as suas concepções; a soberania de uma mulher sobre um homem, o que também poderemos, possivelmente, observar que se trata de um estigma pessoal em que este se encarregará de levar até o fim de seus dias. Sua premissa filosófica, neste filme, permeia também a inspiração artística que impele vivacidade, a sobreposição entre uma personalidade e outra, além do hedonismo sofisticado regido por bons vinhos e belos cenários, possíveis apenas nas férias de verão das extraordinárias cidades européias.

A interface das situações se dá também quando Allen exprime uma espécie de obsessão em abordar a oscilação temperamental e psicológica do Homem (sapien), rompendo, nesse caso em específico, com sua característica em superficializar o drama e a comédia – ação indiretamente corriqueira entre um filme e outro de sua autoria. No entanto, em Vicky Cristina Barcelona, que tem como protagonistas as duas amigas Vicky (Scarlett Johannson) e Cristina (Rebecca Hall), a narrativa nos envolve na dicotomia entre os ideais de duas jovens e belas personagens em despeito do amor, comportamento e valores.

Vicky é a menina rica e bem comportada, que pesquisa aprofundadamente a cultura catalã para seu mestrado e está noiva de um homem rico Doug (Chris Messina), membro da alta roda Novaiorquina. No entanto, é também refém de valores absolutistas que a faz desconhecer a verdadeira essência de seus sentimentos. Cristina, por sua vez, embora tenha viajado provida da frustração por seu fracasso em conceber um curta-metragem de caráter pífio e ironicamente consistido no amor que nos faz libertários, é mais aberta a novas experiências e se reinventa na viagem à bela cidade espanhola, imergindo em sua nova paixão; o experimento fotográfico.

Para temperar ainda mais tamanho antagonismo entre a filosofia de vida das duas belas e jovens americanas, numa certa noite, ambas conhecem, simultaneamente, em um vernissage, o pintor espanhol Juan Antonio (Javier Bardem), que é bom anfitrião, boêmio e um impetuoso galanteador, mesmo que ainda estivesse se recuperando da recente e desastrosa separação com sua esposa Maria Elena (Penélope Cruz), mulher estupendamente linda, talentosa e ainda mais sedutora que seu marido, a ponto de fincar violentamente uma faca em seu corpo e não suprimir a paixão que o mesmo desenvolverá por ela, o que despertou grande curiosidade em Cristina para conhecê-la em sua total intimidade.

Entre seduções, conquistas e decepções se desenrola uma trama inteligentemente hilária, provida de muito requinte e imagens grandiosas (sobretudo as fotografias produzidas no filme), performances envolventes e que evocam reflexões complexas ao sair do cinema. Com o exemplo: questionarmos-nos se os valores que estabelecemos como primordiais para um matrimonio são realmente relevantes para atingirmos a felicidade, ou se ficamos tão bitolados com as interferências externas, impostas em suma pelas “regras” da sociedade em que estamos inseridos, a ponto de não enxergarmos nossa previsibilidade.

Com mais uma grande escolha desse extraordinário diretor, feliz em suas provocações e na parceria com grande elenco, o que representa perfeitamente bem sua fantástica inquietude, atribuo a minha cinemateca mais uma obra de arte que perdurará por gerações posteriores e se constituirá como um grande clássico.

Tito Oliveira

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[REC]

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Direção: Paco Plaza, Jaume Balagueró.
Elenco/Vozes: : Manuela Velasco (Ángela), Vicente Gil (Policial), Ferran Terraza (Manu), Pablo Rosso (Marcos), Martha Carbonell (Sra. Izquierdo).

Lembro que na época, alguns meses atrás, o Chefe me passou um link pro YouTube. Nesse link tinha o trailer desse filme [REC], que curiosamente exibia quase na sua totalidade apenas cenas com as reações do público que o assistia. Achei uma boa idéia, mas fiquei com um pé atrás. Sou um incompreendido quando falo sobre filmes de terror/suspense, eu não faço distinção de gênero, mas a maioria dos filmes de terror e comédia é ruim, isso é estatística, não tem como negar. E eu sempre dou uma chance pro filme, mesmo que no final eu diga: quero minhas duas horas de volta!

Pois bem, acho que só agora o filme ficou em cartaz, pelo menos aqui pelas terras tupiniquins. O filme é simples, bem simples, diria que é cru até demais, mas tem um roteiro que funciona bem, incrivelmente simples e eficiente. Assim como Cloverfield, [REC] aproveita a própria câmera utilizada na história, nesse caso a câmera de um casal de repórteres que vai passar a noite no departamento de bombeiros, acompanhar e mostrar como funciona essa vida noturna de alerta a qualquer instante dos bombeiros.

Obviamente algo acontece, um chamado ocorre, e todo o tédio é quebrado, “finalmente ação” os repórteres pensam. Mal sabem que eles que ali seria o início do terror. E todo o resto filme acontece num pequeno e velho prédio, que com o tempo vai ficando cada fez mais aterrorizante e sufocante. Sustos e mais sustos acontecem no prédio sem luz e com a câmera tremida, e algumas são realmente de arrepiar. Sem saber o que vem acontecendo, os moradores vão tentando preencher lacunas, e nesse momento os inevitáveis conflitos e o instinto de autopreservação surgem.

No desfecho a explicação da origem de tudo aquilo não convence muito, mas você já estará tão assustado e intrigado que pouco vai se importar, pois a tensão continua até o último fio de carga da bateria da câmera. Impressionante a iluminação noturna da câmera. Apesar de usar as velhas técnicas de sustos, [REC] cria a atmosfera necessária para usar tais técnicas, e é bom saber que ainda é possível fazer um filme que assusta sem apelar para o ridículo e histórias sem cabimento.

007 – Quantum of Solace

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Direção: Marc Forster.
Elenco/Vozes: : Jeffrey Wright (Felix Leiter), Gemma Arterton (Agente Fields), Olga Kurylenko (Camille), Giancarlo Giannini (Mathis), Daniel Craig (James Bond/007), Jesper Christensen (Sr. White), Mathieu Amalric (Dominic Greene).

Jason Bourne trouxe um novo estilo de herói espião de alguma organização secreta, mas quem diria que isso causaria impacto até mesmo no “intocável” 007. Particularmente nunca gostei dos 20 primeiros filmes da série. Mas falando assim parece que 007 copiou o estilo Jason Bourne de ser, e não foi bem assim, incrivelmente conseguiram manter as características marcantes do personagem e deram uma melhorada em outras. E definitivamente, Cassino Royale foi um marco na longa carreira do espião inglês.

Obviamente que os envolvidos não iriam deixar morrer a onda de sucesso gerada por Cassino Royale, e resolveram continuar, e já adianto que foi uma pena não terem conseguido manter a crista da onda no mesmo nível. Tudo até está no lugar certo, e tudo de bom foi mantido, Daniel Craig continua muito bem no papel, acredito que agora mais tranqüilo, depois de ter passado pela primeira prova de fogo, e ter se saído muito bem. Mas a trama central é fraca, e a bondgirl parece que acompanhou o ritmo da trama.

As cenas de ação um pouco confusas, com cortes e movimentos rápidos demais, causando mais enjôo do que demonstrando ação. O vilão até que conseguiu extrair uma boa atuação, mas o cara é bom, o tal do Mathieu Amalric, que inclusive atuou em O Escafandro e a Borboleta. Fora isso, temos uma bondgirl meio sem graça, que inclusive ainda consegue ser ofuscada por outra atriz que aparece por poucos instantes, você saberá quando ela aparecer.

Agora é torcer e esperar o próximo. Aparentemente as arestas foram aparadas, e o final é meio truncado, mas nada que atrapalhe, muito menos faça sentido para continuar a mesma trama do anterior. James Bond precisa de um roteiro mais complexo, muito além de uma simples briga por recursos naturais envolvendo uma ultra-secreta organização que ninguém sabia que existia. Ah, até mesmo a abertura, famosa por ser sempre espetacular (vide Cassino Royale), dessa vez não ficou tão boa, a música e a arte ficaram aquém.

Os Estranhos

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Direção: Bryan Bertino.
Elenco/Vozes: Liv Tyler, Scott Speedman, Gemma Ward, Kip Weeks, Laura Margolis, Alex Fisher, Peter Clayton-Luce, Glenn Howerton.

Que eu não gosto de filme de terror é notório. Não é nem que eu não goste, mas alguém deve concordar comigo que grande parte dos filmes desse gênero não vale uma pipoca molhada. Então o que poderia me fazer assistir um filme assim? Provavelmente saber que tem a Liv Tyler no elenco, e não somente pela sua beleza, mas pela mórbida curiosidade de ver aquele rostinho elfo num filme de terror.

Infelizmente o filme cai no clichê de todos os outros, peca na falta de história, seria uma crítica sobre a violência gratuita e sem sentido? Ou seria apenas isso mesmo? Difícil imaginar a primeira opção, muito menos quando começa dizendo que é baseado em fatos reais, o que não muda em nada minha opinião.

Tentando sempre assustar aumentando o volume do som, ou mostrando pessoas com máscaras por trás de suas vítimas, Os Estranhos não rende uma boa trama, e só assusta com esses cenários citados. Nem sei se vale a pena fala do roteiro, mas resumidamente é um filme sobre nada, nada está acontecendo, sem razão alguma, e quando termina se confirma quanta bobagem tem no filme.

No fim das contas, esse tipo de filme só funciona pra ter raiva. Ficar a todo instante pensando “por que ele fez isso? Sai daí. Corre.”. Enquanto o roteirista/diretor tenta justificar as razões para que isso não aconteça. Mas é claro que eu posso estar totalmente errado.

Ensaio Sobre A Cegueira

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Direção: Fernando Meirelles.
Elenco/Vozes: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Alice Braga, Sandra Oh, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura.

Como bom amante da literatura, antecipei-me ao lançamento do filme e li esta grande obra de José Saramago. Como bom leitor de blogs, acompanhei entusiasmadamente o blog de Fernando Meirelles sobre a produção do filme. Depois disso foi uma longa contagem regressiva até o lançamento. Longa e dolorosa, pois as críticas iniciais do filme eram negativas e a recepção em Cannes não foi boa. E os comentários não eram mal intencionados, pareciam legítimas decepções com o que parecia ser “um filme razoável em que o diretor não se destaca, a história não convence e as atuações não são boas”. Chegaram a me convencer de que seria “mais um filme” ou ainda “um bom filme para os que adoram o livro”. Sorte a minha, fui enganado.

Ensaio Sobre a Cegueira é uma das mais fiéis e merecidas adaptações da literatura para o cinema. Poucas produções conseguiram capturar o espírito de uma obra tão bem. Até o ponto em que, mesmo em suas falhas (como o excesso de narrações mal aproveitadas de um importante personagem), consegue com perfeição simular a sensação de estar lendo e vivenciando a brilhante história. Sem querer entrar nos detalhes do livro, que é um dos mais fortes e impactantes no lado social, psicológico e humano que já li, não entendo como puderam desmerecer o trabalho cinematográfico realizado. Comecemos pela fotografia: esta é usada de forma extremamente eficiente, representando muito bem a sensação da cegueira branca e oferecendo detalhes preciosos para os mais atentos, como objetos que se confundem com o branco tão presente no plano de fundo; em seguida, a edição, Muito bem empregada e instigante, lembra em alguns momentos o estilo americano (corrido, perturbador, como em Ultimato Bourne), e em outros o bom e velho cinema europeu.

A direção merece um parágrafo a parte. Não existe nada de trivial e simples na direção de Meirelles. Está mais para uma condução refinada e primorosa. Talvez não seja tão marcante ou surpreendente como em Cidade de Deus, mas é mais presente até do que em Jardineiro Fiel, e um ponto de grande importância do filme. Em uma cena particular vemos o policial se aproximar do ladrão através de um reflexo, e acompanhamos simultaneamente o desenrolar da cena. Em outra nos assustamos com uma mesa que não é exibida até o momento certo, em um belíssimo trabalho de direção e montagem. E o final, bem, o final. Qualquer pessoa que tenha lido o livro ficará sem fôlego e sem palavras quando presenciar o final do filme.

Por fim as atuações. Não se deixem enganar por qualquer desprestígio quanto ao trabalho do elenco. Julianne está mais uma vez maravilhosa, uma das grandes atrizes do nosso tempo. Danny Glover e Mark Ruffalo não desapontam. Alice Braga é a grande surpresa, com uma atuação forte e madura. E Gael García está mais uma vez excelente.

Não se deixem enganar como eu e assistam ao filme sem medo, principalmente se já leram o livro. Se não leram, tentem não se incomodar com detalhes que foram muito criticados mas são fiéis e justificáveis, como a ausência de nomes dos personagens, a localização incerta das cenas, entre outras minúcias que são importantes para o livro e para o filme, não podendo ser de outra forma.

Bodão

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Linha de Passe

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Direção: Walter Salles e Daniela Thomas.
Elenco: João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Sandra Corveloni, Ana Carolina Dias.

Recentemente, em uma de minhas críticas sobre o cinema brasileiro, apontei certa falta de amadurecimento em muitas das produções aqui realizadas. Neste momento, estou a enunciar a existência dessa controvérsia. O filme “Linha de Passe”, de Walter Salles e co dirigido por Daniela Thomas, nos apresenta, de maneira veemente, a verdadeira realidade na rotina de uma família periférica da capital paulista. Família composta por pessoas que não buscam suas identidades na criminalidade – contrariando a justaposição feita por cineastas que se submeteram a descrever os sonhos dos originários das periferias e favelas -, mas na esperança permeada pela honestidade. Que por sua vez é limitada ao mercado de trabalho informal ou a busca às peneiras de futebol, além da desesperada necessidade de crença, essa última incitada através de igrejas protestantes.

A trajetória da película é regida por interpretações plausíveis, haja vista o desempenho da personagem Cleuza, interpretada pela atriz Sandra Corveloni, ganhadora da Palma de Ouro. Embora colorido, o filme concebe uma fotografia que me remete ao clima noir do estilo Nouvelle Vague de cinema, sobretudo muito visto nas obras de Godard. Entretanto, esta é estabelecida inteligentemente como forma de preservação de uma originalidade atmosférica, típica do habitar de classes menos favorecidas.

A parceria entre Walter Salles e Daniela Thomas, percorre nesse trabalho, por uma trilha à margem dos chavões sociais já expostos nos cinemas brasileiros. Não há relevância em saber se a intenção deles foi ou não diferenciar sua obra das demais produções nacionais que se submeteram a discorrer sobre o assunto em questão. O importante mesmo é que conseguiram. Pois nos possibilitaram sermos cúmplices de uma solidez envolvente, que traduz a narrativa no gesto, na espontaneidade que os abstiveram da especulação ou banalização dos fatos.

É preciso reconhecer que o cinema mexicano, argentino e, em proporção ainda que menor, também o cinema brasileiro têm rompido com a hermética das premiações européias e americanas. Por outro lado, devemos nos tornar capazes do discernimento para o real valor de tais obras. Pois muitas alcançam tal prestigio desprovidas de critérios para exprimir suas idéias ou insinuações. É, para mim, de grande notabilidade, perceber a profundidade da proposta através da sutileza com que os diretores de “Linha de Passe” conduziram o longa. Construindo em situações aparentemente simples, a complexidade. Pois o que se pode apreender na busca do personagem Dario e de seus demais irmãos como uma busca para uma identidade, pode ser ainda mais profundo se pensarmos que tal busca encontra-se associada à obsessão para provar a sociedade que possuem postos de cidadãos, exageradamente exigido pela mesma através de um determinado nível social. Transmitir na cena em que um jovem, filho de uma serviçal, é convidado pelo filho da patroa de sua mãe, a participar de uma “pelada” no condomínio de classe média e, demonstrando sua habilidade, torna-se hostilizado pela intolerância de um dos moradores do respectivo condomínio, que por sua vez; diante de uma indagação sobre sua atitude inóspita, exclama ” Ta bom, agora eu também vou trazer o filho da minha empregada para jogar em meu time!”. Nos mostra o desprezo que sentimos por essa dicotomia e ao mesmo tempo nos afirma que insistimos em permanecermos demagogos, quando pensamos não sermos complacentes com tamanha estupidez, arrogância. Quando vamos ao cinema e contemplamos nossas ações inconseqüentes através de determinadas mensagens, sejam essas pragmáticas ou metafóricas, precisamos suprimir a indolência e enxergar a verdadeira essência que nos compete, pois essa oportunidade não se encontra em uma esquina qualquer.

Bom, ao que me resta, diante do exemplo de lucidez apresentado através de uma obra cinematográfica e, sobretudo brasileira, devo parabenizar o Walter Salles e a Daniela Thomas por nos exemplificar que nem tudo está perdido em despeito de nossas consciências. Que ainda há entre os membros da classe artística, os que enxergam além da ilusão. E, em maior importância, os que se encontram cientes de que o grande problema não está na pobreza, mas na ignorância. Os que notam na ignorância, a grande responsável por agravar ainda mais as dificuldades da população carente. Tornando o cotidiano das pessoas que vivem nesse contexto em um purgatório. Onde se houve a perturbadora ironia: “Vai para onde assim, fazer exame de fezes?!” diante de uma simples vestimenta formal, entre outras tantas provocações gratuitas e desnecessárias. Devemos, sobretudo, parabenizar os idealizadores do filme por nos mostrar que se as classes políticas atenuassem a ignorância, não nos absteríamos em refletir sobre determinadas ações por serem provenientes de realidades menos favoráveis economicamente e desprovidas da educação, que por sua vez lhes proporcionariam a noção devida de civilidade e do que é realmente necessário para tornar suas vidas melhores, mas, discorreríamos sobre tais ações nos baseando no caráter individual de cada cidadão. E isso, em minha opinião, é mais evoluído.

Prêmio de Melhor Atriz para Sandra Corveloni, no Festival de Cannes.

Tito Oliveira

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Nome Próprio

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Direção: Murilo Salles.
Elenco: Leandra Leal, Juliano Casaré, Munir Kanaan, Reginaldo Faidi, Alex Didier, Martha Nowill, Milhem Cortaz..

É assustadora a quantidade de cineastas brasileiros que insistem em basear-se em livros para indolentes, interpretam estéticas desenxabidas como arrojadas e costumeiramente terminam por desprezar o que poderia vir a ser um bom conteúdo, através de suas retinas, para beirarem o ridículo em suas propostas cinematográficas.

A referência da vez são os livros Máquina de Pinball e Cama de Gato, da escritora e blogueira Clarah Averbuck, adaptados para o filme Nome Próprio, do diretor Murilo Salles, que por sua vez torna-se um dos últimos exemplos dessa imaturidade no cinema nacional. A impressão que fica, ao ver a suposta obra, é que há uma expressiva indefinição no que se pretende transmitir. Em vez de pensarmos que estejam nos mostrando o comportamento dos jovens das grandes cidades e suas vulnerabilidades perante a dificultosa situação que venham à atravessar, em outra a insinuação é que existe uma certa excentricidade em pessoas que exprimem talentos artísticos, afirmando que esses são incapazes de se impor de maneira civilizada e/ou eloquênte em uma esfera social – o que seria taxativo para os novos artistas que habitam o mundo contemporâneo. No entanto, nada fica claro, também não fica subjetivo ou metafórico, mas, perdido, desconexo.

O filme é tomado por um diálogo que quando não raso era verborrágico, insólido. Essa classificação já é enunciada no que permeia a briga de um jovem casal, que imigram para a gigantesca São Paulo e, quando na cidade se encontram instalados, descobrem que estavam enganados em seus ideais utópicos – dos quais apenas isso, a utopia, é evidente. Ignoram então o valor da descrição e da cumplicidade em um relacionamento, através do “adultério” de Camila (Leandra Leal) para seu namorado/marido (Juliano Cazarré) e estabelecem o fim do alicerce. Logo, a garota de 25 anos é expulsa de sua casa e em seguida apresentada à típica promiscuidade das grandes metrópoles, assumindo seu caráter enfadonho e tornando-se o próprio caos.

É realmente difícil discernirmos algo de errado nesse tipo de sinopse, pois poderiamos imaginar a situação das mais variadas formas possiveis. Entretanto, e em minha óptica é claro, após ter visto o filme; não há sentido um longa percorrer em discussões compostas apenas por xingamentos e exposições de ressentimentos banais. Nada sublimado ou plausível, regido em suma pela gratuita explosão da blogueira Camila e seus coadjuvantes, em performances que não descreviam nem o máximo e nem o ínfimo.

Há quem acredite haver nuances de uma boa fotografia e planos menos convencionais na direção de arte, entretanto, digo eu: nada além do razoável e repetitivo. Em verdade o que nos restou foi uma trilha sonora altamente compátivel à inconsistencia dos fatos, ou seja; ultrapassada. Uma exploração de nús excessivamente piegas – quase que uma obsessão pela forma física de uma ex gordinha global, para atrair os noveleiros de plantão. Também tivemos que aturar, por inúmeras vezes, uma espécie de eufemismo sexual desnecessariamente prolongado – era como se víssemos um filme pornô estrelado por iniciantes inseguros. Se não obstante fosse, ainda havia a deficiência técnica da edição, a ponto de percebermos nitidamente a sombra do câmera em uma das cenas. Notável lacuna de amadorismo. Lastimável!

Daí por diante nos tornariamos cúmplices de exemplos da falta do bom senso, do usufruto exagerado das drogas, da trivialidade do que entendemos como poética, da patifaria consentida em comum senso e dos demais adjetivos que couber nesse acúmulo de alusões irrelevantes.

Desse tipo de calda de dinossauro em movimento giratório e sem conteúdo, nossa sociedade já se encontra saturada! Nos deparamos com isso todo o tempo em nosso cotidiano e não consigo enxergar estimulo algum em tornar esse declínio na condição humana em arte. A menos que possua um objetivo pertinente, sem clichês, provocando reflexões menos rotuladas. Precisamos de algo que nos permita sonhar além de nossa realidade medíocre. Penso que somos inconscientemente ávidos por sugestões e isso é uma mera ilustração da ilusão que alimentamos como vivência.

Cheguei a remeter toda essa esbórnia à delinquência de Kids, do diretor americano Larry Clark, mas seria demais injustiça, pois esse mostrou critério e foi sucinto no que se prestou à apresentar.

O mais agravante é nos submetermos, com as melhores intenções, ao registro de toda essa expressão sem propósito e percebermos o aparente rompimento da hermética crítica, pela simples facilidade que o público possui em se iludir com o talento pueril de um diretor. Que por sua vez impele tal domínio através da lotação nas salas dos cinemas, se transformando em uma espécie de signo da grande idéia. Bom, nesse caso podemos dizer que tal valor também cabe à obra literária que originou o filme.

Como já dizia o grande Roberto Freire “Só é feliz quem não tem medo do ridículo”. Muito embora seja preciso ressaltar que este escritor e militante do tesão – como se define -, já torne claro no título de um de seus livros, “AME E DÊ VEXAME”, sobre a relevância que possui em sua concepção de como devemos nos portar ridículos perante um estado de coisas: com paixão. Se assim não formos, “violentos” em nossas paixões, seremos apenas expostos.

Quanto a uma grande produção, nossos vizinhos argentinos estão mais evoluídos, a exemplo de Plata Quemada, do diretor Marcelo Piñeyro. É lamentável que assim seja.

Tito Oliveira

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