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O Cheiro do Ralo

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Direção: Heitor Dhalia.
Elenco/Vozes: Selton Mello, Silvia Lourenço, Flavio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Susana Alves.

A culpa é sempre do maldito e fedorento ralo. Tá sentindo o cheiro? Não sou eu, é o ralo. Não, eu não sou frio, ganancioso, é só minha profissão que exige. Mulher implica em problema, e quando você menos espera os convites estão na gráfica. Eu prefiro viver só, consumir, pagar e dar o fora. Lógico que eu gosto de bunda, mas bunda paga. E o maldito cheiro continua, maldito ralo, é sempre culpa dos ralos.

Essa é a insana e inteligente premissa do filme. O Cheiro do Ralo surge como uma luz no fim do túnel para mudar, pelo menos de vez em quando, o ritmo do cinema brasileiro. Esse Selton Melo é corajoso e admirável, capaz de sair da fama dos personagens engraçados dos filmes anteriores, e mergulhar fundo num personagem mais sombrio, complexo e controverso. Selton vive Lourenço, um comprador de objetos usados de pessoas desesperadas por dinheiro. Os mais variados tipos de pessoas frequentam a loja de Lourenço e participam desse jogo cruel feito por ele, onde não importa muito nem as pessoas nem o valor das coisas que estão lá para vender.

Misture a essa diversidade de tipos de pessoas, um humor negro e um cinismo exacerbado que rende boas risadas para quem gosta do gênero. Interessante que os personagens nem precisam de nomes, pois acabam sendo associados a algo tão específico, se tornando a própria coisa, como por exemplo, a noiva, a drogada, a prostituta, a dona da bunda. Que por falar em bunda, ela é a responsável pelo início da transformação estilo Taxi Driver, como disse o próprio Selton. E realmente tem suas semelhanças, pois temos um cara frio, sem sentimento, que acaba se envolvendo com a dona da bunda, e ai se dá início o surto de Lourenço. Tudo sempre com a referência simbólica do ralo.

O filme é baseado no livro do Lourenço Mutarelli, que inclusive faz o personagem Segurança da loja do, não por acaso, Lourenço (Selton). Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas espero ler quando eu conseguir terminar todos esses livros inacabados que eu insisto em começar. Enfim, temos mais uma prova de que uma idéia boa e uma câmera na mão pode render um bom filme, apesar das dificuldades financeiras, fica comprovado que é possível fazer um cinema descente nesse país. O Cheiro do Ralo é uma idéia daquelas de dar inveja, é simples e poderoso, servindo como crítica a muita coisa, principalmente a si próprio, já que a culpa não é sua, mas sim do cheiro do ralo, do vizinho, do carro da frente, do seu chefe, da sua faxineira…

Sunshine - Alerta Solar

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Direção: Danny Boyle.
Elenco/Vozes: Rose Byrne, Cliff Curtis, Chris Evans, Troy Garity, Cillian Murphy, Hiroyuki Sanada, Mark Strong, Benedict Wong, Michelle Yeoh.

Na linha do tempo da ficção científica temos os marcos: 2001 – Uma Odisséia no Espaço, depois Star Wars IV e Matrix mais recente. Muita coisa mudou da percepção sobre o tema. Não entendam mal, eu gosto de 2001, mas convenhamos que tem coisas mais-do-que-chatas. Queira ou não, é um divisor de águas, aclamado e duramente criticado é o nosso ponto de partida. George Lucas já está eternizado com os 6 filmes dele, fez uma obra-prima, colocou ação no gênero. Lucas nem precisava fazer mais nada, vai acabar se complicando com umas direções desastrosas. Matrix foi a última revolução do gênero, misturando filosofia, computadores e ação, simplesmente perfeito.

É com essa base histórica que surge Sunshine, indiscutivelmente “inspirado” em 2001 em alguns aspectos, que acaba vindo junto coisas boas e coisas ruins, mas tendo uma certa preocupação em não ser tão monótono e filosófico como sua “musa”. A premissa do roteiro é que o Sol está se apagando, e com ele a Terra não duraria muito, o que faz o maior sentido. A missão espacial é reacender o Sol (!), e para isso uma tripulação fica responsável por essa tarefa. Essa á a segunda missão arquitetada para resolver esse problema, pois a primeira, Ícaro I, perdeu a comunicação com a Terra, e aparentemente não atingiu seu objetivo. É a vez da Ícaro II entrar em ação.

Gostei muito do roteiro bem amarrado, da preocupação com os detalhes, e não se amarrou com datas para justificar o futuro, e sim com ações. Quando, por exemplo, no momento que um dos tripulantes precisa fazer um conserto fora da nave, e fica nervoso, um outro tripulante tenta acalmar dizendo: você já fez isso centenas de vezes na órbita da Terra. Comprovando obviamente que para atingir um objetivo como ir até o Sol era preciso ter um conhecimento bem maior do que temos hoje. Outro ponto interessante é a presença de asiáticos, cada vez mais firmados como um povo de tecnologia de ponta, e em constante evolução.

Um fato bem interessante, e que merece elogio, é a presença de um tripulante psicólogo. Imagine a sensação de chegar perto do Sol, o que não pode causar na mente de uma pessoa? A tripulação só sonha com o Sol. E o papel do psicólogo é tão essencial como um físico, ou a especialista em botânica. Realmente uma ótima sacada. Apesar de todos os elogios o filme tem suas falhas, que é copiar o lado chato e burocrático de 2001, e além disso, algo que talvez nem seja falha, o filme não tem um protagonista bem definido, isso até o finalzinho do filme. O papel principal é dividido aos poucos entre os tripulantes da Ícaro II, o que não é convencional, mas pra mim fez falta. Contudo, temos uma boa ficção científica, bem fundamentada, que inclusive tem a ousadia de mudar totalmente o rumo para um final pouco convencional, e acaba virando um filme tenso e de suspense (vale lembrar a repetição da dupla Danny Boyle e Cillian Murphy em Extermínio).

O Bom Pastor

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Direção: Robert DeNiro.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Angelina Jolie, Alec Baldwin, John Turturro, Billy Crudup, Robert DeNiro, Michael Gambon, William Hurt, Joe Pesci.

Dentre os destaques do ano passado, esse foi um dos únicos que demorei a ver. Houveram algumas críticas negativas (oficiais e de amigos), o que acabou influenciando-me a não vê-lo com tanta pressa e expectativa, mas algo me dizia que eu não me arrependeria de assistir a este filme. Agora em DVD tive a oportunidade de assisti-lo, e não poderia deixar de registrar algumas palavras sobre este bom filme.

Antes de mais nada, não conhecia o trabalho de diretor de DeNiro, que tinha apenas um filme dirigido de fato por ele, e confesso ter me surpreendido. Desde o início vemos que ele conseguiu definir um estilo sério, com cenas fortes e intrigantes. Com isso ele conseguiu ser um pouco mais realista e artístico do que muitos dos diretores da atualidade, deixando alguns traços de filmes noir e dando um clima mais seco, sem exageros de emoção.

Na trama, Matt Damon interpreta Edward Wilson, um estudante de Yale que acaba ingressando na sociedade secreta Skulls & Bones, se destaca por diversas vezes como um excelente aluno, e é chamado para trabalhar na OSS, agência de inteligência americana na Segunda Guerra. Mostrando cada vez mais sua capacidade de contra-inteligência (espionagem) e sua esperteza, acaba crescendo em importância na carreira e se tornando um dos primeiros a fazer parte da recente criada CIA. O filme retrata diversos momentos da vida de Wilson, como a morte de seu pai ainda na infância, dois romances de sua vida, sua relação com seu filho e, finalmente, sua situação atual na CIA, participando de um visível fracasso na operação “Baía dos Porcos”, em Cuba. Durante este tempo, reveza o foco entre a capacidade e comprometimento do personagem com o seu trabalho, e seus defeitos pessoais, muitos deles agravados pela dedicação ao seu país.

O filme conta ainda com um excelente elenco, que é certamente o seu maior destaque. Ver Matt Damon em um convincente papel (apesar de frio demais), Angelina Jolie em uma ótima interpretação (a melhor dela em anos), e tantos outros excelentes atores (como o ótimo e envelhecido Joe Pesci) é o melhor ponto do filme. Mas é também no elenco que o filme apresenta seus primeiros erros. A dificuldade em envelhecer Matt Damon acaba deixando o filme confuso e algumas vezes irreal, e o fato do personagem principal ter tão pouco carisma pode deixar o filme sacal para muitos.

Ainda nos erros do filme, existe um mais marcante: a edição. Infelizmente esse ponto prejudicou-o seriamente, pois muitas cenas não estão bem posicionadas, existe um certo excesso de idas e vindas no tempo, e ainda por cima o filme é longo demais - são 2 horas e 40 minutos de filmes, pelo menos 30 minutos a mais do que o necessário. Mas isso não comprometeu por completo o filme, pois não deixa de ser um ótimo thriller de espionagem, altamente inteligente e intrigante, forçando o espectador a se envolver na trama, raciocinar e indagar em muitos momentos para acompanhá-la. Sendo razoavelmente inspirado em personagens e fatos reais (Edward Wilson é baseado em um agente verídico da CIA, assim como alguns outros personagens), é um daqueles filmes que nos dá vontade de pesquisar mais sobre o que aconteceu e quem realmente existiu, retratando ainda diversos momentos cruciais como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil.

Tem para mim tudo que um bom filme precisa ter, deixando algumas falhas mas que podem ser superadas. Boas atuações, uma história completa e convincente, muitas tramas e conflitos entre os personagens, surpresas constantes e uma emoção sutil, mas realista. Alguns personagens bem trabalhados, trechos históricos amplamente retratados, e uma direção que foge a mesmice de Hollywood. Pode não ser uma boa pedida para quem não suporta filmes lentos e detalhistas, mas é uma boa sugestão para quem gosta de filmes do gênero, e seria excelente não fosse pelo trabalho de edição e pela extensa duração.

Bodão

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Duro de Matar 4.0

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Direção: Len Wiseman.
Elenco/Vozes: Bruce Willis, Timothy Olyphant, Maggie Q, Justin Long, Jeffrey Wright, Mary Elizabeth Winstead, Andrew Friedman, Cliff Curtis, Maggie Q.

Bem que poderia ser Duro de Assistir. Sem dúvida alguma o pior filme que eu vi esse ano, disparado o pior. E olha que eu tenho até certo carinho, apesar de não lembra mais de nada, do primeiro filme da série. Mas não deu, foi duro, difícil, um problema que eu tive que dividir pra terminar. Pra eu não assistir um filme de uma só vez, ou é muito ruim ou eu estou exausto, muito exausto.

Um caldeirão de clichês, explosões, coisas sem nexo, história batida, e mais um monte de defeitos que podem ser apontados pelo menos exigente cinéfilo. Resumidamente isso é Duro de Matar 4.0. Um filme que você não acredita que gastou seu tempo pra assistir, mas já “pagou o ingresso” e agora é ir até o fim, antes que a paciência acabe.

O que me admira é ver Bruce Willis entrar numa roubada dessas. Eu até queimei minha língua com Rocky VI, então não custava nada dar uma chance ao careca. Mas foi um fiasco, e é triste ver Bruce Willis aceitando um projeto desse nível, visto que de grana ele não deve precisar, então poderia aprender com Jack Nicholson sobre como envelhecer bem no cinema.

E para total azar do filme, a grande trama fala sobre computadores, hackers, invasões, etc. Azar porque eu conheço um pouco dessa área, e de definitivamente, nem o mais futurista, apesar do filme ser no presente, poderia imaginar um cenário como o exibido. Onde adolescentes com computadores na mão conseguem criar o caos absoluto nos EUA. Um simples dedilhar apagava a luz de todos os EUA, outro dedilhar e acessa a câmera do elevador de um prédio, meu medo era que alguém digitasse CTRL ALT DEL.

Desde o início do filme você já sabe o final, então é só esperar e ver. Filme burocrático feito repartição pública, longe do humor sarcástico do primeiro filme, cenas de ação desconexas até com a própria mentira, se é isso é possível, foi duro, de assistir, de matar, de escrever essa resenha, dureza. Só resta deixar como sugestão a criação da categoria Zero para número de Estrelas na nota.

300

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Direção: Zack Snyder.
Elenco/Vozes: Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro.

Não é preciso ser fã de quadrinhos para saber que bom momento vive o cinema no que diz respeito à HQ’s e super-heróis. Após tantos fiascos por tantos anos, vemos uma leva de filmes que constantemente surpreendem. Frank Miller, criador de 300 e também de Sin City – que revolucionou estas adaptações -, é um dos responsáveis por esta evolução, e seu último filme é talvez o melhor e mais impressionante do estilo.

Mas não vamos creditar tudo a Miller. São tantos acertos que fica impossível não destacar o incrível trabalho da equipe cinematográfica. Desde a primeira cena de 300 vemos como conseguiram criar um mundo com tal perfeição que, muitas vezes, nos perguntamos se estamos realmente assistindo a um filme. Não seria um quadrinho? Não seria uma animação? Ou estamos de fato na mística Grécia de Miller, 480 anos antes de Cristo? Estas são perguntas que serão comumente feitas durante a incrível experiência de 117 minutos que o filme proporciona.

E o magnífico trabalho surpreende ainda mais quando analisamos alguns fatos. Zack Snyder é um diretor que não poderia ser menos adequado ao épico em questão - com pouca experiência no cinema, tinha apenas um filme sobre zombies como garantia do seu trabalho. Gerard Butler, após receber críticas com seu difícil papel em Fantasma da Ópera, e ter participado de fiascos como Linha do Tempo, não parecia ter nome para levar o papel principal do filme. E mesmo Rodrigo Santoro, cujo personagem foi criticado antes e depois da exibição do filme, poderia ser uma ameaça ao épico. Mas, impressionantemente, a excelência do filme não foi questionada por ninguém desde o momento em que as primeiras cenas foram exibidas, sejam em trailers ou mesmo em quadros na Internet. A fotografia, os detalhes, a emoção, a fidelidade, os personagens. Tudo estava perfeito, quase que hipnotizante.

E vale salientar que não foi preciso um imenso elenco para o filme dar certo, ou milhões de dólares gastos em efeitos especiais. Foi tudo feito de forma enxuta, simples talvez. Esqueça blockbusters, esqueça Hollywood. Não se trata de nada disso. Sin City conseguiu fugir destes fúteis padrões e entregou uma das maiores surpresas de 2005. 300 fez a mesma coisa, e com muito menos. Menos dinheiro, menos elenco (nada de Bruce Willis, Jessica Alba ou Clive Owen), menos tempo. Parece a mágica do cinema europeu: tanto, com tão pouco (seria coincidência Snyder ter estudado em Londres?). E um filme que seria mais uma adaptação das inúmeras excelentes histórias que temos em quadrinhos, torna-se um dos mais importantes e impactantes filmes de uma década.

Não vou me aprofundar tanto nas questões técnicas do filme. Atuações, cinematografia, efeitos especiais, existem muitas coisas boas a serem faladas, mas pretendo resumir tudo isso em dois comentários. Primeiramente, veja o trailer. Se existe um filme que entrega tudo que o trailer promete, e ainda com surpresas positivas, é este. O filme inteiro é uma extensão da sensação que se tem ao ver os poucos minutos revelados. O mesmo entusiasmo ali presente repete-se durante as duas horas, e a incrível história da Batalha de Termópilas (contada com diversas licenças poéticas), ou a sangrenta nação Espartana da época, chegam a ter papéis coadjuvantes perante a imensa experiência visual que o filme proporciona. E o segundo comentário é um pouco mais arriscado: não me surpreenderia ver este filme, lançado no início deste ano e sem maiores pretensões, nomeado e vencedor de Oscars, Globos de Ouro e outros prêmios. Trata-se do filme mais esperado e surpreendente até aqui, digno que qualquer premiação e louvor. Um épico inquestionável, uma adaptação de quadrinhos que beira a perfeição, e um filme, no geral, completo e magnífico. As 5 estrelas mais merecidas dos últimos anos.

Bodão

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Transformers

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Direção: Michael Bay.
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, John Turturro, Kevin Dunn, Bernie Mac, Julie White, Jon Voight e as vozes de Peter Cullen e Hugo Weaving.

A crítica se dividiu. Para alguns é o filme de ação do ano, para outros é um filme para quem sofre de déficit de atenção. Eu como não sou bobo nem nada, prefiro o meio termo. Primeiro porque 300 ainda é o melhor filme de ação do ano, e depois eu não tenho problema nenhum em me concentrar em algo. Aparadas as picuinhas podemos falar um pouco sobre Transformers.

Transformers não tem um roteiro com monólogos existencialistas, também não explica os problemas do mundo, e não vai ajudar em nada matar a fome do universo. Transformers é um filme de Michael Bay, alguém sabe o que isso significa? Eu sei. Portanto não justifica esperar um filme sem explosões. Alguém espera um filme do Mel Gibson sem sadismo?

Transformers é a experiência visual de quem teve a infância assistido as aventuras dos robôs que viravam carros. É a eterna e manjada luta entre o bem e o mal, recheada de clichês, propagandas, mulheres bonitas, e reconhecidamente um roteiro com falhas. E daí? Filme é expectativa, e tem gente que gostou de Pearl Harbor (eu não). E foi então que eu percebi que pra você gostar de algo não precisa ser perfeito, basta saber se você se importa ou não com as falhas que o filme tem (Estranho, acho que isso também serve para seres humanos…).

Ninguém pode negar, mas Transformers tem um visual bacana, é engraçado, tem uma gata de cair o queixo que nem precisa atuar, tem uma história principal legal (ignore as subtramas mal exploradas), tem uma mensagem de fé na raça humana (e isso é sempre legal), as transformações são dignas de elogios, as cenas de ações são de tirar o fôlego (ignore algumas sem foco, com câmera tremida, e muito rápidas). E pode ser pretensão minha, mas eu acho que consigo saber algumas cenas onde tem o dedo do Spielberg (produtor executivo).

Porém, ao invés de notar as qualidades, você pode se apegar na cena que faz propaganda do VISA se preferir, ou se perguntar se uma loira bonita pode ser mais inteligente que os cientistas da NASA. Pode pensar também que não tem sentido robôs gigantes existirem. Pode também ler um crítico famoso e nem ir ver o filme. Pode pensar como um soldado dos EUA não tem o celular do Bush, ou na possibilidade de um soldado com um simples tiro derrubar um robô gigante.

É estranho, mas muitos estão me questionando, “como pode, logo você, que sempre foi tão exigente?”. Como se eu tivesse obrigação de ser um esses metidos que só gostam de filmes ditos de “arte”, como se eu não me divertisse vendo um filme pipoca, como se eu fosse ver um filme com papel e caneta na mão, definitivamente eu não sou assim. Não quero aparecer simplesmente por ser intolerante, na verdade eu prefiro ser como Raul, uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Ratatouille

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Direção: Brad Bird
Elenco: Ian Holm, Brian Dennehy, Brad Garrett, Peter O’Toole.
Vozes de Samara Felippo e Thiago Fragoso na versão dublada.

Apesar de correr o risco de ser repetitivo, de vocês já terem lido muito disto por aí, uma verdade deve ser dita: com Ratatouille a Pixar acertou a mão de novo! A empresa é hoje, sem sombra de dúvidas, a melhor e mais criativa criadora de filmes de animação. Foi a melhor compra que os Estúdios Disney poderiam ter feito.

Mas só que, na minha opinião, acertar a mão não significa fazer o melhor filme de animação dos últimos tempos. Nem de perto este Ratatouille supera os sucessos anteriores da Pixar, como Procurando Nemo e Os Incríveis. Claro que quando falamos em cinema de animação cada ano que passa, cada novo computador e/ou software e/ou tecnologia lançada melhora muito o desempenho dos desenhos. E neste sentido o filme é muito bom. Boa camêra, rico em detalhes, efeitos de animação incríveis e etcs.

Mas também é inegável que, cada vez mais, os filmes de animação pretendem agradar a nós, adultos, e não às crianças. Neste caso esta constatação começa pelo curta exibido antes do filme. Presenciei no cinema a dificuldade de um pai ao tentar explicar ao filho o que significava “abduzido”.

Como em todo filme do gênero, sempre existe uma lição a ser dada, um incentivo para aqueles que estão de cabeça baixa. No caso de Ratatouille o mantra ouvido o filme inteiro é: “Qualquer um consegue cozinhar”. Bom que eles não fazem disto um mote piegas e conseguem levar muito bem o enredo incluindo as tiradas, frases e situações necessárias para nos fazer acreditar que realmente qualquer um pode cozinhar. Mas, não é para crianças.

Bom, a estória é sobre um ratinho que sabe ler e sonha em ser chef de cozinha. E este pra mim é um dos pontos altos e mais engraçados do filme. Alguém aí já parou para pensar que os ratos são os animais mais odiados em uma cozinha? Que seria inconcebível imaginar que aquela comida deliciosa à sua frente foi obra de um chefe genial que, por descuido da natureza, também é um rato? Hilário.

Harry Potter e a Ordem da Fênix

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Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Gary Oldman, Emma Thompson, Maggie Smith, Richard Griffiths, Fiona Shaw, Brendan Gleeson, George Harris, Natalia Tena, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Katie Leung, Tom Felton, Matthew Lewis, David Thewlis, Julie Walters, Imelda Staunton, Jason Isaacs, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes.

Antes de mais nada, uma pequena história sobre Harry Potter: quando eu tinha 15 anos soube pela primeira vez de HP, e achei, como todos, que era algo infantil e inútil, e não me dei ao trabalho de ler. Meses depois minha irmã, seis anos mais velha, estava lendo-o: havia sido convencida pelo seu chefe, anos mais velho do que ela. Em seguida, meu irmão, também mais velho do que eu. O que deveria eu fazer? Ler também. E foi aí que li os três primeiros em uma semana, e os outros compulsivamente, até o sétimo e último.

Pois bem, ao filme. Confesso que comparando com outras adaptações e séries, os filmes do HP podem deixar a desejar. Não pode ser comparado a Senhor dos Anéis, por exemplo. Mas os últimos filmes foram grandes surpresas, e a Ordem da Fênix não é exceção. Um filme muito bem feito, fiel (dentro dos limites) ao livro, com boas atuações (as melhores até agora) e uma história concisa, resumida (talvez até demais), e forte. Seria o melhor dos filmes se, na opinião do autor, o Prisioneiro de Azkaban não tivesse grande destaque por sua extraordinária visão e direção. Mas não se engane: David Yates não é um Cuáron, mas conseguiu ser mais fiel aos livros do que muitos outros, sem perder em qualidade, ação e emoção. Sem dúvidas, uma excelente escolha para esse e outros filmes da série.

O filme já começa com o clima sombrio e amargo deixado pelo Cálice de Fogo. De cara sabemos que não se trata mais de um filme para crianças: as risadas, as brincadeiras e o fascínio estão cada vez mais distantes, enquanto que o lado sombrio do mundo em que Harry vive cresce e se aproxima dele e de todos os que estão ao seu lado.

Na história, Harry (Radcliffe), que se sente abandonado por seus amigos e por Dumbledore (Gambon), acaba sendo julgado pelo Ministério por usar magia sem autorização, e quase sofre conseqüências maiores. Ele passa o resto das férias na casa de Sirius Black (Oldman), atual quartel general da Ordem da Fênix, um antigo grupo de resistência à Voldemort. Nem mesmo a presença do seu padrinho e de seus amigos melhora o ânimo do garoto: o contato entre eles é curto, e rapidamente eles voltam às aulas em Hogwarts, que também não é mais a mesma. A influência do Ministério da Magia, que se nega a acreditar que o Senhor das Trevas voltou e está claramente afundado em corrupção e jogo sujo, chegou a escola de Dumbledore.

Mas mesmo sendo tratado como mentiroso, tendo sonhos estranhamente ligados à Lorde Voldemort (Fiennes), e estando cada vez mais afastado de Dumbledore, Harry sabe que dias piores virão. Ele, Ron (Grint), Hermione (Watson) e outros amigos acabam por criar um grupo para se preparar para a luta contra os comensais da morte, já que a atual Professora de Defesa contra as Artes das Trevas (Staunton, na mais marcante atuação) está claramente corrompida pelo Ministério e suas sombrias influências. A Armada de Dumbledore é sem dúvidas um dos pontos fortes do filme, e prepara a todos para o excelente confronto no final, dentro do próprio Ministério.

Veredicto: um filme muito bom, dentre os melhores da série, obrigação para qualquer um que goste dos livros ou esteja acompanhando os filmes. Cheio de grandes atuações (ponto fortalecido pela volta de Gary Oldman e presença de novos bons atores - ou melhor, atrizes), cenas marcantes e todo o clima mágico e contagioso da série. Nem mesmo as falhas, como a mudança em visuais importantes deixados pelos outros filmes, a já conhecida lerdeza no meio do história, e outros pequenos detalhes, comprometem este filme que marca o início da trilogia final.

Bodão

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A Vida Secreta das Palavras

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Direção: Isabel Coixet
Elenco: Sarah Polley, Tim Robbins, Javier Cámara, Eddie Marsan, Steven Mackintosh.

Depois de fazer um ótimo e emocionante filme em 2003 (Minha Vida Sem Mim) a diretora espanhola Isabel Coixet volta com mais uma ótima película. Como o anterior este filme também é triste. Na realidade, na minha opinião, este é muito mais triste que o anterior e te faz pensar muito mais sobre a vida, a liberdade, e sobre esta imensa barbárie que está sempre acontecendo pelas ruas e vilas de algum país.

Também é o tipo de filme que gosto de assitir: a medida que a estória vai se desenrolando ela vai se transformando em outra estória completamente diferente. A medida que vamos conhecendo um pouco mais sobre a vida de Hannah (personagem de Sarah Polley) os sentimentos vão tomando outra proporção até chegar a um ápice inimaginável no inicio da trama. E o filme trata muito bem dos sentimentos de solidão, perda e separação que marcaram a vida dos personagens.

Vale destaque, como sempre, a excelente atuação de Tim Robbins, principalmente porque seu personagem também passa por problemas mas se transforma completamente ao descobrir o quanto eles podem ser insignificantes perto dos problemas de outros.
Este segundo filme de Isabel tem novamente o aval da produtora El Deseo, pertencente aos irmãos Almodóvar e, talvez por isto, tenha a participação de Javier Cámara, figurinha carimbada nos filmes de Almodóvar.

Não vou estragar o filme contando a vocês o desenrolar da estória e, por recomendação, não procurem ler mais sobre o filme.
Apenas assistam.

* Prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Produção no Goya.

 
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