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O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias

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Direção: Cao Hamburger.
Elenco/Vozes: Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Simone Spoladare, Eduardo Moreira, Caio Blat, Paulo Autran.

É certo que a maioria dos filmes brasileiros procuram retratar nossos problemas políticos e sociais como contrapartes às belezas do nosso país – O ano em que meus pais saíram de férias não é exceção. Mas poucos filmes são tão brasileiros como o do quase estreante Cao Hamburger, cujos primeiros trabalhos eram para televisão (geralmente infantil) e teve experiência única no cinema com Castelo Rá-Tim-Bum (1999). O Brasil é fortemente tratado nesse filme, que mais uma vez fala sobre a ditadura militar, mas desta vez por uma perspectiva diferente (superficial) e com estilo e história bem afastados dessa leva de filmes.

Mauro, jovem mineiro apaixonado por Futebol, é levado às pressas para São Paulo, onde passará um tempo com seu avô, enquanto seus pais supostamente viajam de férias. Ao chegar na sua temporária casa o garoto se depara com uma realidade difícil ao saber que seu avô não o receberá da forma esperada, seus pais não tem previsão para voltar e não conseguem entrar em contato, e as pessoas agora responsáveis por ele não estavam nem um pouco preparadas. Ele acaba então se aproximando de um velho judeu (Shlomo) e de um grupo de garotos que moram no mesmo prédio, criando amizades importantes mas frágeis, já que as únicas coisas que aparentemente alegram o menino são o futebol e a expectativa de que seus pais o levarão o mais breve possível para casa.

A produção obteve sucesso ao contar a história da maneira mais politicamente correta e familiarmente divertida possível. O retrato da empolgante copa do mundo de 1970 ao mesmo tempo em que a ditadura atinge elevados índices de repressão e o garoto passa por momentos difíceis da sua vida é marcante. A aflição da história que, desde o seu início parece ter um fim óbvio e trágico, é muito bem amenizada pelas paixões do protagonista, em especial o futebol, e sua aproximação com algumas personagens interessantes.

O desenvolvimento de alguns dos principais papéis, em especial o do teimoso Mauro (Michel Joelsas) e o da desinibida jovem Hanna (Daniela Pipeszyk), valem as curtas 1 hora e 40 minutos de filme. Mas é no complemento às personagens e tramas principais que o filme pode deixar a desejar. Muitos pontos interessantes deixam de ser melhor explorados (o misterioso namorado na moto, o amigo revolucionário do pai) enquanto que partes nem tão importantes arriscam diminuir a qualidade do filme. Temos a impressão de que todos os ingredientes foram bem escolhidos e inseridos, mas pouco trabalhados. A superficialidade da história acaba por inibir qualidades importantes, e a copa do mundo e as brincadeiras com os amigos acabam tomando um destaque especial mas levemente apelativo na trama.

Enfim, é um filme que supera com tranqüilidade outras obras nacionais do ano. Um filme família que contagia e diverte todos os gostos, que não deixa de destacar o orgulho de ser brasileiro, mesmo na difícil época retratada. É também um filme sobre povos e culturas, o que certamente facilitou sua aceitação em premiações. O retrato dos judeus, italianos e gregos catapulta as chances de “O Ano” ganhar prêmios e reconhecimento (Oscar?), mas fazendo um julgamento mais frio a obra não chega ao patamar de outros grandes filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus ou Tropa de Elite. O último, esse sim, merecendo essa vaga e outra meia dúzia de indicações e prêmios – mas não é difícil entender o porque de ter perdido espaço para o mais correto, digerível e sentimental O Ano em que meus pais saíram de férias. Contudo, vendo por todas as outras perspectivas, é um filme que orgulhosamente representa o Brasil nos festivais do mundo, e merece nosso reconhecimento e torcida.

Bodão

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Nota dos Leitores para “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”

21 Votos
Nota média: 3.95

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18 Comentários para “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”

  1. Jedi disse:

    não vejo outra nota que não seja 3. Muito bom saber que estamos evoluindo, porém continuamos covardes e superficiais.

  2. Camila disse:

    Olá! Não sei como vim parar aqui e gostei do blog. O ano em que meus pais… é um dos meus filmes nacionais preferidos.
    Outro dia estava na locadora em dúvida sobre O último rei da Escócia, mas agora que li a crítica aqui neste blog, vou assistir em breve.
    Camila

  3. Bodao disse:

    Camila,

    Espero que continue gostando :). Eu gostei muito do Último Rei. Aqueles filmes que você se surpreende ao vê, e passa alguns dias lembrando. Se tiver gostado de outros filmes do estilo, pode alugar sem medo.

    Abraços.

  4. Aline disse:

    Olá,
    Assisti esse filme na escola, e agora terei uma prova sobre ele, achei um filme muito interessante e triste…
    gosto desse estilo de filme, se alguém souber sobre mais algum filme assim, me fale!!
    Obrigada
    Aline.

  5. Ogro disse:

    o filme ficou muito infantil. bah! deviam ter escolhido tropa pra concorrer no oscar!! talvez o “soco no estomago” poderia abalar a academia e dar a indicação pra ele!

  6. Toddynho disse:

    pena que não foi indicado ao oscar …

    acho que o meu neto vai ver o brasil ganhar um oscar eheheheheheehehehe

  7. Haydée Lua disse:

    Assisti ao filme na escola, gostei muito da história, uma criança inocente sofrendo com a ditadura, muito interessante mesmo!!

  8. Bárbara disse:

    Não gostei muito do filme, acho que foi por conta do conteúdo que ele trás, mesmo.
    Mas, por ser brasileiro, até que não está tão ruim.
    Não indico para ninguém.
    Até mais, Bah =]

  9. Isabella disse:

    Oiee tive que assistir essi filme para um trabalho da escola.Achei muito sem graça pois o menino sofreu, e não teve uma historia curiosa e sim mais sobre o futebol… ficou muito ensima do personagem Mauro e esqueceram de falar sobre o pai e a mãe dele e da ditadura militar! achei meio mortinhoo[mais fazer o que néh um filme Brasileiro !]

  10. Priscila Pereira Moreira disse:

    praa miim esse fooi o meelhoo fiilmee que eool jáã assiistiir muuuuuuuuuuuuuuiitooooooooooo boooooooooooooo

  11. kriskris disse:

    Acho que as pessoas assistiram ao filme mas nao entenderam o “espirito da coisa”. o filme nao fala de futebool, nem da ditadura e sim das transformações da adolescência. Mauro passa o ano todo ali sozinho, esperando o pior, como o goleiro, e como o pai já havia dito ele nao pode falhar. Pra isso tem que deixar de ser criança e ser homem.

  12. Amanda disse:

    Quando eu leio coisas do genero “até que por ser brasileiro esta bom”, imagino que quem fala isso realmente não conhece quase nada dos filmes nacionais. O Brasil tem sim consideraveis obras cinematográficas. ;D

  13. diego japona disse:

    otimo filme , assim como esse mauro o ator mirin Michel Joelsas. temos varios mauro pelo nosso brasil nos tempo de hj

  14. Janaina disse:

    Até que eu gostei do filme, mas pela metade dele parec q perde um pouco a proposta principal do filme q é o olhar d uma criança sobre a ditadura militar. Parece mais “O Ano em que o Brasil ganhou a Copa de 70″. Faltou o desenvolvimento do personagem do Caio Blat, e do rapaz da moto que poderiam levar, mais, o enredo a sua proposta inicial.
    Mas de resto é um bom filme.

  15. Aloísio disse:

    Mais um filmeco sobre a malvada “Ditadura Militar”, tema já mais do que surrado no cinema brasileiro. Só foi selecionado pela Ancine para concorrer ao Oscar, no lugar de “Tropa de Elite” pela conotação político-ideológica e por seus produtores fazerem parte da panelinha da ANCINE.

  16. Isabella e Thais disse:

    olá, nós assistimos o filme porque tinhamos um trabalho de escola para fazer.
    no começo achei que era muito lento mais no final me surpreendi…
    gostei muito do filme espero que tenha outros filmes brasileiros bons assim se alguem souber de mais filmes assim me liga: (19) 3256-3595

    .

  17. Ana Vieira disse:

    Achei o filme de uma sensibilidade tamanha, o tema foi abordado “superficialmente”, mas teve o seus motivos. Se o dono dessa critica (muito mal analisada e injusta, por sinal) soubesse, de principio, analisar quem e’ o narrador da historia, com certeza entenderia o porque de ser “superficial”. O que esperar de um garoto de 12 anos? Uma narracao historica a la Eric Hobsbawm?

    Outro ponto que o “critico” nao conseguiu enxergar foi a metafora existente entre o futebol e a vida de Mauro. “Meu pai disse que todos podem falhar, menos o goleiro. POIS PASSAM A VIDA ALI, SOZINHOS ESPERANDO O PIOR” E qual foi a pergunta do menino no final do filme: “Mas sera que ele sabia que eu ia virar goleiro? Ou sera que ja sabia?”

    Para aqueles que analisam o filme superficialmente e nao enxergam qual a proposta do enredo, caem nos temas: ditadura militar e futebol.

    ps.: ate a sinopse contida na resenha nao apresenta fidelidade com o roteiro do filme. Pessimo pra quem se deixar levar por essas “criticas”

  18. Bode disse:

    Ana,

    Pelos seus fervorosos comentários, só posso assumir que ou não leu a crítica ou viu outras críticas negativas e trouxe a raiva para cá. A verdade é que você parece estar defendendo um filme ofendido, mas eu não o ofendi. Pelo contrário, elogiei e dei uma boa nota.

    Você fala ainda sobre a metáfora do futebol, e ressalto que ela foi sim tratada na crítica. Você realmente leu?

    Em um momento você concorda que o filme é superficial, depois diz que superficial é a minha resenha…

    Por fim, você se preocupou com quem se deixa levar por “essas críticas”, mas já recebi várias mensagens de quem viu o filme exatamente POR ter lido a minha crítica, e não o contrário.

    Eu apenas não achei o melhor filme brasileiro dos últimos 10 anos, e expliquei o motivo disso. Se você achou, legal. Se quiser gastar um pouco de tempo explicando os seus motivos, sem raiva nem arrogância, ótimo!

    Abcs.

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