Direção: Paul Greengrass.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney, Paddy Considine e Edgar Ramirez.
Cinco anos atrás, quando o Identidade Bourne foi lançada, todos sabiam que uma grande série de ação policial e espionagem estava a caminho. De lá para cá, não apenas o esperado tornou-se realidade, como os filmes ficaram constantemente melhores – melhor ação, melhores atuações, cenas mais emocionantes. Tudo impressionantemente, e surpreendentemente, melhor. Destaco isso porque não é fácil para um filme desse estilo superar e impressionar tanto. Vivemos em uma época encharcada de filmes com grandes pretensões e baixíssima qualidade. Chegamos a um ponto em que o filme de ação foi banalizado, sendo a maioria dos recentes lançamentos imersos em mentiras, exageros e falhas técnicas.
Pois em todos esses pontos a trilogia foge do padrão, levando bem a sério a adaptação dos excelentes livros do escritor Robert Ludlum. Temos uma produção impecável, excelentes atuações (e elenco, o que certamente ajuda), cenas convincentes e bem trabalhadas, uma história coerente e envolvente. No primeiro filme, Identidade, conhecemos o personagem Jason Bourne e acompanhamos toda a sua jornada em tentar reaver sua memória e entender seu passado. A partir daí, indo contra a tendência da maioria das continuações, o filme adquire ainda mais qualidades, juntando tudo que havia de melhor no primeiro e trazendo mais dinamismo e emoção às cenas.
Boa parte dessa constante melhoria deve-se a entrada em cena (ou por trás dela) do diretor Paul Greengrass, vindo do mundo do cinema independente e nomeado ano passado ao Oscar por Vôo United 93. Ele consegue, tanto em Supremacia (2004) como no Ultimato Bourne, trazer um realismo inigualável, empurrando de forma surpreendente o espectador no meio da trama. O diretor tem uma visão única, colocando cenas realmente imersas na ação, sempre muito rápidas e intrigantes (até mesmo confusas), mas com isso criando um nível de interação com o público que certamente revolucionará o estilo.
Mais ainda no terceiro do que na Supremacia, o espectador é levado bruscamente para ação. O filme começa com um cena conturbada no mesmo túnel em que O Supremacia Bourne termina, dando a impressão dos dois últimos terem sido filmados em seqüência, apesar dos óbvios três anos de separação entre os lançamentos. Rapidamente estamos com a trama principal montada, acompanhando Bourne nos seus últimos passos, reavendo antigos personagens e também conhecendo alguns novos. Ele está decidido a ir mais a fundo do que nunca na sua história, e acabar de uma vez por todas com esse mistério que lhe persegue.
Se na Supremacia Bourne ele declara guerra definitiva a todos que participaram da sua criação, é no Ultimato que essa guerra finalmente toma forma, todas as peças se encaixam. E muitas das características que garantiram o sucesso da série estão ainda melhor utilizadas agora. As atuações estão mais fortes e marcantes, como a do próprio Matt Damon, conseguindo mais uma vez demonstrar muito bem os dois lados opostos do personagem – um lado frio, treinado para matar e agir sem hesitar, e outro bem mais humano, buscando fazer o que seria certo, e outros destaques como a já consagrada atriz Joan Allen e o ótimo David Strathairn. As cenas de perseguição estão ainda mais intrigantes, feitas cada vez mais em ambientes vivos, como a estação Londrina ou as ruas do Marrocos, onde fica claro que a intenção do diretor é mostrar dinamismo e realidade na cena, evitando uma preparação ou repetição em excesso que muitas vezes torna a seqüência superficial. O desenvolvimento da história, desvendando finalmente os mistérios que assombravam não apenas a Jason, mas a todos nós espectadores. Tudo está primoroso.
Se existem defeitos em Ultimato Bourne, ou nos dois primeiros filmes da série, estes são letalmente apagados pela ação frenética e contagiante da trama. Pequenos detalhes, como cenas em que não se vê tanta coerência nas ações, rivais que nem sempre continuam com os mesmo ferimentos, e seqüência que de tão rápidas e confusas não convencem, são facilmente cobertos pela excelente história e pelas intrigantes cenas de ação do filme. Uma das séries mais importantes dos últimos anos, e um final para se ver e rever sem hesitar.
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Nota dos Leitores para “O Ultimato Bourne”
8 Votos
Nota média: 4.38
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18/9/2007 às 17:08
Bodão, bodão, bodão…
Eu achei muito bom o Ultimato e como você já colocou as qualidades do filme eu não vou repeti-las de novo mais uma vez novamente. ;)
Eu daria quatro estrelas porque eu gostei bastante do roteiro e o filme em sim é bem construído (interpretado, dirigido, etc), mas eu discordo com você em alguns pontos. sobre e outros pontos.
O primeiro é o “realismo inigualável” que você disse. Para mim, o realismo usado no filme é o de Hollywood. Feito para entretenimento, não é o que acontece nas ruas. As cenas de ação se mostram bastante coreografadas, tudo acontece milimetricamente projetado e durante bastante tempo. Não dá pra ser real daquele jeito. Eu não achei ruim, mas é puro entretenimento e só.
Outro ponto que fere o realismo é a rapidez da informação sendo transmitida das ruas da rússia para o QG dos chefões. Eu também não achei ruim, só acho que não é realista.
Realismo para mim foi o mostrado em Miami Vice. Comunicação por e-mail e celular apenas, ou demorando dias para se obtê-la. Igual a Oi, simples assim. O chato é que as pessoas abrem a boca para dizer que o filme não tem aquela cena de ação igual ao duro de matar 4.0 porque tão acostumados a essa coreografia ridícula que Hollywood vende como se fosse real.
O último fator que eu vou citar é a câmera tremida em cenas de diálogos calmos. Para que serve? Certamente o diretor queria inovar ou copiar 24 horas na tensão, mas ficou chato e exagerado.
Pronto, por esses pontos eu tiro uma estrela. E você porque deu 4 estrelas se falou tão bem?
18/9/2007 às 21:30
Xô 007, eu sou mais Jason Bourne! Excelente filme, excelente tudo, pequenas falhas, mas no geral eu metia o 5 sem medo. Por falar em notas, estamos (cinéfilos) estudando uma forma de criar nossa nota pela média, na verdade serão duas notas, da pessoa que fez o texto e das pessoas que comentam. Tudo isso pra dizer que a gente não é dono da verdade e que respeitamos a opinião de todos. Ah, voltando ao filme eu achei forçado a parte que ele não atira no outro espião e convence o cara com aquele papo furado. Só pra não dizer que só falei flores!
[]´s
19/9/2007 às 09:01
Tarso,
Engraçado você entrar no ponto do realismo, porque na verdade aquele parágrafo estava bem maior e eu tive que resumir (você sabe porquê). Eu teria explicado melhor o que quis dizer, e sabia que ia ficar ambíguo.
Bem, o que eu explicava melhor é que não estava falando realismo no sentido de veracidade, pois confesso que ainda existem muitos pontos no filme, apesar de menos no 2 e 3 do que no primeiro. Estava falando no sentido de imersão na cena, estando a câmera no meio ação e o espectador vendo tudo da forma que os personagens viam, vendo tudo acontecer.
É nesse sentido sabe? Mas como eu acabei falando mais na frente disso tudo, acabei “podando”. Sendo que realmente ficou o “Realismo” criando problema :).
Quanto a questão das informações, é estranho mesmo, mas acho que o filme quis dar uma dimensão grande para a coisa, exagerando um pouco na tecnologia/processos de espionagem mas mostrando como poderia ser. É aquele caso: não é assim que acontece, mas também não é mentira.
E Jedi, eu não achei nem ruim ele não ter atirado no cara, achei ruim a maneira como o cara volta e já está bonzinho da silva. Tive discussões disso, e até onde pude acompanhar, da cena do carro até o fim não deve ter tido tempo suficiente para o cara se curar. Ou estou errado? :-(.
Achei ruim também a cena no marrocos que o agente mata o cara com uma bomba, o Jason cai no chão e teoricamente o cara poderia matar também o Jason, mas vai embora atrás da Julia Stiles. Não sei se havia algum motivo para aquilo que eu não tenha notada, mas achei estranho.
P.S: Miami Vice é muito bom mesmo, e certamente mais realista.
19/9/2007 às 14:34
isso mesmo Bode, bem lembrado. Eu fiquei exatamente com a mesma impressão, realmente não deu tempo o cara ficar bom. Mas além disso, o que me incomodou foi convencer um agente com uma frase: você nem sabe porque tem que me matar…
[]´s
19/9/2007 às 18:11
vou assistir
24/9/2007 às 13:52
É claro que a lei de Charles Darwin se aplica em Hollywood, digamos que, as vezes, com excelência. Acredito que Jason Bourne ou JB é bem melhor do que 007, mesmo sem o “le pacu”.
A sessão que dá que a trilogia ainda não foi fechada, que faltou alguma coisa, sei que no livro de Robert Ludlum termina exatamente assim, no entanto ficou aquela vontade de quero mais. Quem sabe hollywood não nos supreenda.
Mandou bem Bodão
2/11/2007 às 09:02
Na realidade Amroth, a trilogia é bastante diferente dos livros do Ludlum. So pra vc ter uma ideia, a trilogia inteira se encaixaria mais como adaptação apenas do livro Identidade Bourne, ja que dos outros dois nao tem quase nada alem dos titulos. Fora que os filmes fizeram alterações drasticasnas versões para o cinema da obra de Robert Ludlum. Por isso, pelo menos em relação a material baseado na obra escrita realmente por Ludlum (existem mais dois livros com o personagem Jason Bourne escrito por outro autor), Hollywood pode no minimo dobrar esse numero de filmes do agente Jason Bourne.
3/1/2008 às 11:05
Oi, como já disseram acima, mandou bem, Bodão.
Ultimato Bourne é, de fato um filmaço, especialmente se posto ao lado de Duro de Matar 4. E a analogia fica ainda mais adequada de analisarmos a progressão de ambos. O primeiro para melhor, o segundo…
Eu gostei demais. A única crítica mais essencial que faria, revelando um pouco de romantismo hollywoodiano, é a morte da personagem de Franca Potente. Sinto a falta da personagem e ainda mais da atriz.
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O outro agente, vocês questionam porque mudou. Duas coisas eu diria, primeiro ele devia estar sentindo os mesmos efeitos de pressão e sofrimento que Jason, o que o coloca em certa instabilidade emocional. Segundo, não é todo dia que se tem um encontro com um oponente tão letal. E que ainda surpreende com uma inesperada atitude de misericórdia. Jason Bourne despertou nele respeito profissional. Com estes dois ingredientes se pode concordar com a virada de caráter.
O que fica difícil de engolir é a disposição e saúde do cara. Uma regeneração a lá Claire Bennet, de Heroes, hehehe.
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Se me permitem a sugestão, aqueles que querem mais de Jason Bourne podem ter um gostinho nostálgico do personagem se conferirem a versão de Identidade Bourne com Richard Chamberlain e a bela Jaklyn Smith (As Panteras) de 1988.
O filme é longo e feito para TV mas é bem legal. A conta a trajetória toda.
Abraço