Direção: Zack Snyder.
Elenco/Vozes: Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro.
Não é preciso ser fã de quadrinhos para saber que bom momento vive o cinema no que diz respeito à HQ’s e super-heróis. Após tantos fiascos por tantos anos, vemos uma leva de filmes que constantemente surpreendem. Frank Miller, criador de 300 e também de Sin City – que revolucionou estas adaptações -, é um dos responsáveis por esta evolução, e seu último filme é talvez o melhor e mais impressionante do estilo.
Mas não vamos creditar tudo a Miller. São tantos acertos que fica impossível não destacar o incrível trabalho da equipe cinematográfica. Desde a primeira cena de 300 vemos como conseguiram criar um mundo com tal perfeição que, muitas vezes, nos perguntamos se estamos realmente assistindo a um filme. Não seria um quadrinho? Não seria uma animação? Ou estamos de fato na mística Grécia de Miller, 480 anos antes de Cristo? Estas são perguntas que serão comumente feitas durante a incrível experiência de 117 minutos que o filme proporciona.
E o magnífico trabalho surpreende ainda mais quando analisamos alguns fatos. Zack Snyder é um diretor que não poderia ser menos adequado ao épico em questão – com pouca experiência no cinema, tinha apenas um filme sobre zombies como garantia do seu trabalho. Gerard Butler, após receber críticas com seu difícil papel em Fantasma da Ópera, e ter participado de fiascos como Linha do Tempo, não parecia ter nome para levar o papel principal do filme. E mesmo Rodrigo Santoro, cujo personagem foi criticado antes e depois da exibição do filme, poderia ser uma ameaça ao épico. Mas, impressionantemente, a excelência do filme não foi questionada por ninguém desde o momento em que as primeiras cenas foram exibidas, sejam em trailers ou mesmo em quadros na Internet. A fotografia, os detalhes, a emoção, a fidelidade, os personagens. Tudo estava perfeito, quase que hipnotizante.
E vale salientar que não foi preciso um imenso elenco para o filme dar certo, ou milhões de dólares gastos em efeitos especiais. Foi tudo feito de forma enxuta, simples talvez. Esqueça blockbusters, esqueça Hollywood. Não se trata de nada disso. Sin City conseguiu fugir destes fúteis padrões e entregou uma das maiores surpresas de 2005. 300 fez a mesma coisa, e com muito menos. Menos dinheiro, menos elenco (nada de Bruce Willis, Jessica Alba ou Clive Owen), menos tempo. Parece a mágica do cinema europeu: tanto, com tão pouco (seria coincidência Snyder ter estudado em Londres?). E um filme que seria mais uma adaptação das inúmeras excelentes histórias que temos em quadrinhos, torna-se um dos mais importantes e impactantes filmes de uma década.
Não vou me aprofundar tanto nas questões técnicas do filme. Atuações, cinematografia, efeitos especiais, existem muitas coisas boas a serem faladas, mas pretendo resumir tudo isso em dois comentários. Primeiramente, veja o trailer. Se existe um filme que entrega tudo que o trailer promete, e ainda com surpresas positivas, é este. O filme inteiro é uma extensão da sensação que se tem ao ver os poucos minutos revelados. O mesmo entusiasmo ali presente repete-se durante as duas horas, e a incrível história da Batalha de Termópilas (contada com diversas licenças poéticas), ou a sangrenta nação Espartana da época, chegam a ter papéis coadjuvantes perante a imensa experiência visual que o filme proporciona. E o segundo comentário é um pouco mais arriscado: não me surpreenderia ver este filme, lançado no início deste ano e sem maiores pretensões, nomeado e vencedor de Oscars, Globos de Ouro e outros prêmios. Trata-se do filme mais esperado e surpreendente até aqui, digno que qualquer premiação e louvor. Um épico inquestionável, uma adaptação de quadrinhos que beira a perfeição, e um filme, no geral, completo e magnífico. As 5 estrelas mais merecidas dos últimos anos.
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Nota dos Leitores para “300”
11 Votos
Nota média: 4.27
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8/8/2007 às 09:08
Não me aguentei e comprei o DVD duplo ontem :). Devia ter feito a resenha após a segunda assitida, mas tudo bem… dificilmente a minha opinião geral vai mudar. Hoje “cinema em casa” com 300 e Burger King… boa.
8/8/2007 às 11:56
Bodão, cara, concordo contigo. 300 até agora, pra mim, foi o filme do ano. Impressionante a filmagem, as cenas de batalhas estão entre as melhores já vistas no cinema. Mas tenho uma crítica negativa a fazer em relação á adaptação. Mr. Snyder pecou ao colocar elementos que não tinha na graphic novel. Elementos estes que me fariam não dar as cinco estrelas. Trata-se da trama paralela que passa em Esparta. Outro elemento foram os guerreiros persas… de onde o Zack tirou aquelas aberrações? Por ser um exército imenso, cabia sim uma diversidade étnica, mas daí a colocar figuras que mais lembram os Orks de Senhor dos Anéis, não me agradou. Fez perder uma estrela minha.
8/8/2007 às 13:32
B-O-A hehehehee
Cara eu daria 5 estrelas pela euforia, mas 300 tem umas falhas chatas que eu não consegui deixar passar. A trama paralela com mulher lá eu não gostei nem um pouco. Totalmente dispensável, pra não dizer que estragou o filme. Eu teria gasto mais tempo em outras coisas, no treinamento quando criança, nas batalhas.
[]´s
9/8/2007 às 09:33
Eu vi ontem denovo, então a memória está bem fresca. Realmente, existem falhas nesse filme, como existem em tantos outros. Mas confesso que elas não chegaram a me incomodar tanto. De longe as caracterísitcas positivas do filme relevam as negativas.
No caso da trama, senti a mesma coisa na primeira vez que vi, mas estranhamente não senti mais nesta segunda. Vejo agora que foi razoavelmente plausível a idéia da trama e de dar uma maior importância à mulher… o tipo da “influência de estúdio” que não prejudica tão fortemente o filme. Além disso, após ter lido um bocado sobre a história, vi que não era totalmente incomum para as mulheres que ficavam longe de seus maridos possuir amantes ou casos – bem menos incomum do que em tempos mais modernos. Não que fosse uma baderna, ou não fosse uma desonra, mas o fato dela ter se oferecido é bem menos vulgar no contexto da Esparta da época do que seria hoje, entende?
E quanto aos monstros, mesmo tendo algumas novidades, a revistinha também tinha seu misticismo e “fantasia”, então não vejo como seria um problema.
Enfim, achei o filme tão bem projetado que acabei relevando estes detalhes com certa facilidade, principalmente na segunda vez, quando pude prestar mais atenção em outros detalhes – atuações, cenários, a beleza visual das cenas, a edição (ponto que geralmente é falho nos “blockbusters” de hoje) – e tudo está tão perfeito, que eu não conseguiria dar outra nota se não as 5 estrilhas :).
9/8/2007 às 14:11
Compartilho das opiniões do Mitchel e do Daniel: deformados persas sem precisar e a trama da rainha gangueira desnecessária.
Dos blockbusters, o 300 ainda tá no topo esse ano. Bom no técnico, mas sem revoluções. Sin City teve mais impacto nesse mesmo estilo de fotografia e foi antes. :D
[]’s
9/8/2007 às 14:17
Acho até louvável que você tenha tentado extrair algo de valor na trama com a mulher, mas sinceramente não existe. Essa mania de querer agradar todo mundo e conseguir mais dinheiro é que estraga os filmes. Essa lance da mulher é apenas pra agradar as fêmeas dos marmanjos que foram ver o filme. E o fato dela inocentemente ter “oferecido” o butico ao cafajeste do filme foi ridículo. Não menos que repetir as frases do cara ai enfiar uma espada nele.
Curioso, e eu já falei sobre isso, é que tem uma cena dessa trama citada, em que a esposa dele vem receber o tal amigo dela do senado, e tem uma tomada onde exibe várias pegadas num chão de terra. Seria pra demonstrar que ela recebeu outros senadores? Teria “oferecido” o butico a eles também?
Essa parada que o Daniel falou é que ficou muito na cara que os bonitos e normais são do bem, e os feios e deformados são do mal. Eu concordo 100%, pois na própria revista não tem tanta gente deformada do lado Persa.
Por falar em comprar DVD, nós que compramos poderíamos fazer tipo a idéia do Tuangr, e evitar ou rachar uns fretes.
9/8/2007 às 15:04
A trama da mulher é aceitável até certo ponto. Ela brigar pelo direito de enviar um exército para ajudar o marido que está na guerra, até que vai. Mas a questão foi: o que ela se submeteu a fazer para ajudar o homem amado. Achei incoerente.
Em relação às aberrações, nada justifica. Jedi, tu falou: “…na própria revista não tem tanta gente deformada do lado Persa.”. O fato é: Não existe na revista sequer um deformado do lado Persa! Os ‘deformados’ dos quadrinhos são o Ephialtes(que por sinal achei também mal adaptada a reviravolta do personagem. Nos qudrinhos ele tenta suicídio e não morre, o que o leva, num ataque de ira, a trair Esparta) e os Éferos, que são velhos, sujos, deixando-os com aquela aparência doentia.
300 é show, mas acredito que faltou um pouco de bom-senso para torná-la uma adaptação sem igual! =]
10/8/2007 às 11:43
É isso aí. Não me levem a mal, concordo também com estas e outras críticas, só não acho que isso chegou a comprometer de forma alguma o filme. E claro, existem alguns glichês, existe uma influência marketeira, existe o manequeísmo exagerado, existem adaptações não tão felizes, e existe o fato da história ter sido razoavelmente deturpada, ficando os racionais Persas (que comparados com os povos ocidentais eram bem mais compreensivos com os conquistados) como maléficos, enquanto que os Espartanos, cruéis e desumanos como foram, saiem como salvadores da democracia e do bem.
Mas o que volto a registrar é que, como filme, isso não impede que este seja um dos mais especiais deste ano, continuando muito bem a revolução que os quadrinhos trouxeram. E comparando-se o glichê e as “desnecessidades” de 300 com tantos outros filmes que saíram (não preciso mencionar né?), fica claro que, na verdade, o que surpreende é a falta de mais glichês e besteiras, e não a presença :). E enquanto as discussões sempre batem nessa questão…
27/8/2007 às 21:56
Adorei esse site, adorei a ideía de um blog de cinema por muitas mãos. Mas odiei 300.
Minha crítica para o filme…
Quando você tem 16 anos (ou cabeça de 16), 300 faz todo o sentido do mundo. Quando você tem 26 anos (ou cabeça de 26), 300 é, no mínimo, um entretenimento constrangedor.
Um filme no qual a violência é esteticizada até a exaustão. O interesse é nos empanturrar com cenas de batalha infinitas. Os garanhões espartanos mostrando porque são a elite militar do mundo.
Ok, ok. Eles podem até ser os melhores. Mas seria um povo que não duraria um mês fora do mundo das HQs for six-teen years. Essa Esparta desconhece a política, desconhece a diplomacia. Um rei que se lança contra um exército 10 vezes maior por um motivo risível não é um grande líder. É um grande paspalho. E os gregos nunca foram paspalhos, nem mesmo os espartanos – que são na verdade a imagem dos atenienses invertida no espelho da retórica.
O tom eloqüente do filme é insustentável. Os personagens falam como se estivessem citando Shakespeare. Ao invés de um “capitão dá cá a espada”, temos um “Irmão de combate, lançai sua espada a minha mão, para que assim eu possa abater o obtuso inimigo”.
E abate mesmo.
Pelo menos minha paciência foi abatida, com a quantidade de planos que se congelam, para que possamos vislumbrar as composições fascistas, artificiais e previsíveis. Os bons e belos espartanos contra a barbárie do mundo, que só coincidentemente tem traços negros, persas (que para alguns é o mesmo que árabes) e asiáticos. Claro, os inimigos são a crioulada da África, os elefantes, os rinocerontes, os mongóis. “Ai… que gente feia vindo invadir nossa bonita terra!”
Bem, devemos reconhecer que pelo menos isso é grego, cruzou a linha dos E.U.A, digo da Grécia, começa a barbárie.
É um filme de contrapontos, de um lado os lacônicos espartanos – que infelizmente nesse filme não são lacônicos – do outro lado os luxuriosos persas. Aqui em Esparta um rei muy macho (quase um John Wayne), lá na Pérsia um gigante afeminado.
Cinema estava cheio. Os six-teen years pulavam na cadeira a cada fala de Leônidas, vibrando com as espadadas e as torneirinhas de sangue esguichantes.
Dizem que os americanos estão com dificuldades para conseguir novos soldados para o Iraque. Fosse eu o responsável pelo recrutamento, ficaria na saída do cinema, abordaria os pirralhos ainda entusiasmados e perguntaria: “quer ir lutar contra Xerxes e os árabes lá no Iraque?”
Ao que eles responderiam:
“Sure! It’s Spartas”
A cada 5 minutos, nasce um novo idiota.
1/10/2007 às 11:48
Cara,
Não descordo totalmente de você. A visão maniqueísta e historicamente distorcida da batalha é complicada mesmo, mas é sempre difícil falar de uma história sem inserir certos elementos, ou fica banal demais para a maioria. Afinal de contas, se for pra fazer um relato histórico da batalha, da crueldade dos Espartanos, e tudo mais, o certo é ficar em casa assistindo “History Channel”, e não ir ao cinema :). Então, creio que seja o típico caso de ir esperando algo, quando não se deveria. Se você tivesse ido esperando o que o filme realmente é – uma fiel adaptação de uma história em quadrinhos, focando em elementos visuais, cenários belíssimos, força e honra entre soldados (o que mesmo para um pacífico como eu, acaba sendo emocionante de se ver) e um exercíto incrivelmente superior, você teria adorado o filme como eu. O fato de ser “parcialmente” inspirado em uma história real melhora ainda mais o filme.
E isso não tem nada haver com idade não, por sinal esse argumento é muito instintivo, porém na maioria das vezes falho :). Eu por exemplo assisti nesse final de semana um filme francês sobre traumas familiares, solidão e escolhas sexuais, e pouco antes um desenho da dreamworks chamado “Por Água Abaixo”. Onde entra a idade nisso tudo? Em lugar nenhum.
E quanto aos seus argumentos, existem ainda alguns pontos a considerar. Primeiramente a história é verídica, então os 300 Espartanos de fato foram a guerra contra milhares de árabes, por motivos similares ao mencionados no filme. A elite militar dos Espartanos é, também, fato inquestionável na história. E as frases que realmente dão a impressão de estar deslocadas, acabei pesquisando e muitas delas são de fato as registradas pelos historiadores da época (Herodotos, salvo engano). Mesmo as que parecem ser puro clichê hollywoodiano (“Our arrows will block out the sun… Good, then we’ll fight in the shades.” etc…) são historicamente verídicas.
E por fim, seus argumentos políticos também estão meio forçados. Acho que você está meio possuído pelo lado esquerdista da força, caro Padwan :). Por sinal, pelos trabalhos que conheço do Frank Miller, não duvidaria nada ele ter mais influências esquerdistas do que qualquer coisa. E ele que escreveu os quadrinhos que resultaram no filme, e que, também, nunca foram focados no público dos “sixteen years old” que você tanto mencionou :). Pelo contrário, são quadrinhos para público adulto, dada a violência, nudez e outros pontos que você também notou.
Enfim, concordo com partes dos seus argumentos, mas não precisei me esforçar nem um pouco para deixar isso de lado e aproveitar esse que foi sem dúvidas um dos melhores filmes. Assisti pela segunda vez e foi a mesma emoção e sensação da primeira. Talvez até melhor. E estou só esperando devolverem o emprestímo para ver a terceira vez :). É um filme excelente, espero que um dia você possa aproveitá-lo como eu pude.
1/10/2009 às 16:26
ñ viu o filme q merda