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Os Indomáveis

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Direção: James Mangold.
Elenco/Vozes: Christian Bale, Vinessa Shaw, Russell Crowe, Ben Foster, Peter Fonda, Gretchen Mol, Alan Tudyk, Logan Lerman.

Não sou um profundo conhecedor do “gênero Faroeste”, na verdade eu não conheço nada além de Os Imperdoáveis, que por sinal dizem que foi o renascimento do gênero. Mas eu sei que todo faroeste é seguido por uma série de elementos, além de muita poeira, cavalos, xerifes e armas, faroestes são conhecidos pela audácia do “mocinho” e pela criação de mitos. E esse filme tem todos esses elementos citados.

Bale parece ser o cara do momento, vem enfileirando filmes, o mais esperado é o novo Batman que sai em 2008. Já Russell depois de perder seu título de troglodita do momento para Gerard Butler, resolveu entrar numas geladas, mas dessa vez ele se saiu bem. Bem, com os elementos certos, agora só falta um bom roteiro. E 3:10 To Yuma (nome original) tem um roteiro consistente, sem grandes reviravoltas, nem malabarismos, sem arriscar muito e nem ser tão clichê. Na verdade, estou tentando dizer que gostei mas não chega a ser um espetáculo de roteiro. Reafirmo, nada como Os Imperdoáveis.

Resumindo, tem tudo que um filme precisa para não fazer feio: elementos necessários, bons atores, e um roteiro e direção que não estragam os itens anteriores. Ah, e um bom final.

Curiosidades (fonte: http://www.adorocinema.com.br/):

- Russell Crowe foi a 1ª escolha do diretor James Mangold para o personagem Ben Wade, mas apenas pôde ser confirmado no papel após a desistência de Tom Cruise.
- Eric Bana esteve cotado para interpretar Dan Evans, quando Tom Cruise ainda estava envolvido com a produção.
- A escolha de Christian Bale foi decidida em conjunto por James Mangold, Russell Crowe e a produtora Cathy Konrad.
- As filmagens ocorreram entre 23 de outubro de 2006 e 20 de janeiro de 2007.
- A estória de Elmore Leonard na qual Os Indomáveis foi baseado foi publicada na revista Dime Western Magazine, em 1953.
- O nome de Russell Crowe não aparece nos créditos finais quando são citadas as pessoas que trabalharam com ele durante as filmagens. No lugar é sempre citado Ben Wade, nome de seu personagem no filme.
- Refilmagem de Galante e Sanguinário (1957).
- O orçamento de Os Indomáveis foi de US$ 50 milhões.

A Lenda de Beowulf

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Direção: Robert Zemeckis.
Elenco/Vozes: Angelina Jolie, Ray Winstone, Brendan Gleeson, Crispin Glover, Anthony Hopkins, Robin Wright Penn, John Malkovich, Alison Lohman, Sebastian Roché.

Até agora fico pensando o que Beowulf tentou fazer, a não ser a inovação tecnológica. Não sei se ele quis ser um filme da Pixar, ou um Senhor dos Anéis, ou 300 de Esparta. Se bem que não importa muito, seja qual for, a tentativa foi equivocada. Eu só não fiquei tão decepcionado pois não participei de todo o processo de geração de expectativas: ver notícias, trailers, etc…

Talvez a preocupação visual tenha prejudicado o roteiro, ou a própria lenda não tenha a força necessária. Não sou responsável por ficar buscando justificativas para o sofrível Beowulf. A primeira metade é lenta e ruim, você olha para as caras dos atores e não sabe o que raios é aquilo, ou é ou não gente, ou é ou não é digital, sei lá, deixo essa bola para o pessoal do Oscar, se é que eles vão ter que se preocupar com isso.

Na segunda metade, o filme flui bem melhor, apesar das cenas bobas de ficar escondendo o bilau do Beowulf, que insiste em lutar nu para ficar equivalente ao seu oponente. Mas os diálogos são péssimos, e não tem uma frase de efeito para justificar tal fama de herói. Imagino o trabalho para a produção do filme, mas sinceramente não dá pra engolir, é muito ruim.

Mandando Bala

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Direção: Michael Davis.
Elenco/Vozes: Clive Owen, Paul Giamatti, Monica Bellucci, Stephen McHattie, Daniel Pilon, Sidney Mende-Gibson, Lucas Mende-Gibson, Ramona Pringle e Greg Byrk.

O trailer não engana, Mandando Bala é tão mentiroso que é engraçado. E qual o problema? Pra mim, nenhum. Clive vive Smith, um cara estiloso que adora bancar o Pernalonga. Já Paul Giamatti vive o Gaguinho inimigo do Pernalonga. Exatamente 100 pessoas morrem no filme. Smith deve usar a técnica do deslizamento umas 3 ou 4 vezes. O cara é uma mistura de Duro de Matar mais Jack Bauer, praticamente imortal. Além disso, o cara tem uma pontaria digna de medalha de ouro em olimpíada, ou seja, o cara é realmente “o cara”. Não chega a ter uma violência chocante, é mais engraçado e divertido do que violento. Nem pense em levar a sério, não faz o menor sentido com a realidade. Logo no trailer eu imaginei que era uma cópia do estilo do Tarantino, sendo mais POP claro. Fiquei receoso do filme não ter o estilo necessário para fazer aquelas cenas bizarras, pois existe uma grande diferença entre um filme bobo e e saber que ele é descartável, e fazer um filme bobo achando que ele é bom (vide Michael Bay). Boa surpresa, não dá pra ficar esperando sempre o Tarantino e sua gangue por filme legais e diferentes.

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias

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Direção: Cao Hamburger.
Elenco/Vozes: Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Simone Spoladare, Eduardo Moreira, Caio Blat, Paulo Autran.

É certo que a maioria dos filmes brasileiros procuram retratar nossos problemas políticos e sociais como contrapartes às belezas do nosso país - O ano em que meus pais saíram de férias não é exceção. Mas poucos filmes são tão brasileiros como o do quase estreante Cao Hamburger, cujos primeiros trabalhos eram para televisão (geralmente infantil) e teve experiência única no cinema com Castelo Rá-Tim-Bum (1999). O Brasil é fortemente tratado nesse filme, que mais uma vez fala sobre a ditadura militar, mas desta vez por uma perspectiva diferente (superficial) e com estilo e história bem afastados dessa leva de filmes.

Mauro, jovem mineiro apaixonado por Futebol, é levado às pressas para São Paulo, onde passará um tempo com seu avô, enquanto seus pais supostamente viajam de férias. Ao chegar na sua temporária casa o garoto se depara com uma realidade difícil ao saber que seu avô não o receberá da forma esperada, seus pais não tem previsão para voltar e não conseguem entrar em contato, e as pessoas agora responsáveis por ele não estavam nem um pouco preparadas. Ele acaba então se aproximando de um velho judeu (Shlomo) e de um grupo de garotos que moram no mesmo prédio, criando amizades importantes mas frágeis, já que as únicas coisas que aparentemente alegram o menino são o futebol e a expectativa de que seus pais o levarão o mais breve possível para casa.

A produção obteve sucesso ao contar a história da maneira mais politicamente correta e familiarmente divertida possível. O retrato da empolgante copa do mundo de 1970 ao mesmo tempo em que a ditadura atinge elevados índices de repressão e o garoto passa por momentos difíceis da sua vida é marcante. A aflição da história que, desde o seu início parece ter um fim óbvio e trágico, é muito bem amenizada pelas paixões do protagonista, em especial o futebol, e sua aproximação com algumas personagens interessantes.

O desenvolvimento de alguns dos principais papéis, em especial o do teimoso Mauro (Michel Joelsas) e o da desinibida jovem Hanna (Daniela Pipeszyk), valem as curtas 1 hora e 40 minutos de filme. Mas é no complemento às personagens e tramas principais que o filme pode deixar a desejar. Muitos pontos interessantes deixam de ser melhor explorados (o misterioso namorado na moto, o amigo revolucionário do pai) enquanto que partes nem tão importantes arriscam diminuir a qualidade do filme. Temos a impressão de que todos os ingredientes foram bem escolhidos e inseridos, mas pouco trabalhados. A superficialidade da história acaba por inibir qualidades importantes, e a copa do mundo e as brincadeiras com os amigos acabam tomando um destaque especial mas levemente apelativo na trama.

Enfim, é um filme que supera com tranqüilidade outras obras nacionais do ano. Um filme família que contagia e diverte todos os gostos, que não deixa de destacar o orgulho de ser brasileiro, mesmo na difícil época retratada. É também um filme sobre povos e culturas, o que certamente facilitou sua aceitação em premiações. O retrato dos judeus, italianos e gregos catapulta as chances de “O Ano” ganhar prêmios e reconhecimento (Oscar?), mas fazendo um julgamento mais frio a obra não chega ao patamar de outros grandes filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus ou Tropa de Elite. O último, esse sim, merecendo essa vaga e outra meia dúzia de indicações e prêmios – mas não é difícil entender o porque de ter perdido espaço para o mais correto, digerível e sentimental O Ano em que meus pais saíram de férias. Contudo, vendo por todas as outras perspectivas, é um filme que orgulhosamente representa o Brasil nos festivais do mundo, e merece nosso reconhecimento e torcida.

Bodão

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Jogos Mortais IV

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Direção: Darren Lynn Bousman.
Elenco/Vozes: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Debra McCabe, Costas Mandylor, Betsy Russell.

Por que Jogos Mortais (JM) continua sua sequência? São filmes de baixo custo, com atores pouco conhecidos, milhares de litros de sangue, e que geram algumas dezenas de milhões de lucro. Não tem como não continuar fazendo, é uma máquina de ganhar dinheiro. Não pense no termo de forma pejorativa, mas seu público alvo é adolescente, não tem como negar. Tem um montão de violência (nem vou mencionar se é gratuita ou não), mortes “legais” e um roteiro parecido uma colcha de retalhos.

Desde o primeiro não consegui despertar interesse. Já falei um milhão de vezes que aquele roteiro é fraco, a premissa é fraca, mas admito que foi algo, na medida do possível, novo no cinema. Explicar o filme todo nos últimos dois minutos não tem nada de genialidade, chega a ser preguiçoso e desonesto com quem está assistindo. JM tá virando Faces da Morte de mentirinha, pois o que se aproveita (se é que tem proveito) são as mortes extremamente violentas e agoniantes. E olha que eu acreditava já ter visto muito coisa brutal no cinema, mas nada se compara com as mortes desses filmes.

O filme tem quase a mesma estrutura dos demais, isso não vai surpreender ninguém. A mesma historinha batida do psicopata que acha que tá fazendo o pessoal valorizar suas vidas, envolvendo policiais, armadilhas, brinquedinhos, formas horrendas de mortes, e tudo se explica no dois últimos minutos. Dessa vez eles vão tentar confundir, mas é a mesma besteira de sempre, nem precisa ver de novo.

Grindhouse

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Direção: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.
Elenco/Vozes: Planet Terror - Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Jeff Fahey, Michael Biehn, Rebel Rodriguez, Bruce Willis, Naveen Andrews, Julio Oscar Mechoso, Stacy Ferguson, Nicky Katt, Hung Nguyen, Tom Savini, Carlos Gallardo, Skip Reissig, Electra Avellan, Elise Avellan, Quentin Tarantino, Greg Kelly, Michael Parks, Jerili Romero, Felix Sabates. Death Proff - Kurt Russell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Zoë Bell, Omar Doom, Michael Bacall, Eli Roth, Quentin Tarantino, Monica Staggs, Michael Parks, James Parks, Tim Murphy, Marta Mendoza, Electra Avellan, Elise Avellan, Marley Shelton, Jonathan Loughran.

De acordo com o WIKIPEDIA, Grindhouse é um “filme duplo” estadosunidense, escrito, dirigido e produzido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O filme é um homenagem aos filmes de horror dos anos 70. Há dois filmes dentro de Grindhouse: “Planet Terror”, dirigido por Rodriguez, que mostra rebeldes lidando com zumbis enquanto enfrentam militares; e “Death Proof”, dirigido por Tarantino, que mostra um dublê misógino que usa seu carro para matar pessoas. Entre os filmes, trailers falsos aparecem.

Na minha humilde opinião, esse dois caras estão no hall dos caras que, não importa sua participação, vale a pena ver tudo que tenham seus dedos apontados. E, obviamente, dessa vez não é diferente, Death Proof é Tarantino mais uma vez mostrando belezuras do sexo feminino, peitos, bundas, sangue, violência, tudo recheado com diálogos bacanas, que é a característica mais evidente dele. Pena que o filme termina com a percepção de “ah, legal, mas só isso?”, que na minha opinião, e nessa maldita idéia de ficar sempre comparando, eu colocaria à frente apenas de Jackie Brown.

Acho que já falei isso, mas eu sempre acho que o Tarantino deve se divertir pra caramba digirindo seus filmes. Ele tira aquelas idéias malucas, sem sentido nenhum muitas vezes, e deve rir depois de tudo pronto e rodando. Mas dessa vez ficou faltando mais roteiro, é bom, mas eu prefiro o do Robert. Apesar do Death Proff ter a batida de carros mais legal já visto no cinema.

Ao contrário do filme do Tarantino, Planet Terror começa tosco, parecendo simplesmente um filme bobo sobre zumbis. Mas com o tempo se mostra um filme muito interessante de ação, pois os diálogos e o roteiro continuam vagos e toscos, a preocupação é mais visual do que lógica. Uma trama bem boba, mas as loucuras são idênticas as do Tarantino. Os caras realmente formam uma dupla perfeita de idéias. Ambos os filmes são divertidos à sua maneira, e sem dúvida que a vale a pena gastar uns tostões. Pena que essa idéia do “pague um e veja dois” não vai rolar por aqui. Grande novidade…

O Último Rei da Escócia

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Direção: Kevin Macdonald.
Elenco/Vozes: Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBourney.

Quem não assistiu a esse filme antes do Oscar e outras premiações foi, assim como eu, enganado. Fomos levados a crer que tratava-se meramente de um filme com uma estupenda atuação de Forest Whitaker (Quarto do Pânico, Platoon), em sua personificação do ditador africano Idi Amim, de Uganda. Já assisti a muitos filmes apenas para ver atuações marcantes, e dependendo do ator pode ater valer a pena. Mas essa não é a realidade do excelente O Último Rei da Escócia, que apesar de ter de fato a atuação mais marcante do ano (quem sabe da década), possui muitos outros pontos positivos à altura do gigantesco Whitaker.

O filme toma uma perspectiva bem inusitada, trazendo um clima especial para o filme. Se não fosse pelo rosto estampada do General Amim no pôster do filme ou o conhecimento geral que temos sobre a história do ditador, ficaria difícil saber que se trata de uma história sobre as barbaridades do continente africano. O filme foge totalmente a linha de dramas como Hotel Rwanda, possuindo um clima leve e irônico no ar, muitas vezes até cômico. O diretor Kevin MacDonald, aclamado documentarista, busca não focar exclusivamente na parte histórica e pesada da trama, mas sim destacar o lado humano de todas as personagens e centrar a história no fictício Nicholas Carrigan, jovem médico escocês muito bem interpretado por James McAvoy (Band of Brothers).

E é exatamente a personagem do médico que traz um bom ar ao filme. Conhecemos mais sobre ele do que sobre o próprio ditador, acompanhamos toda a sua aventura e sofremos com seus erros e tensões. O estilo um tanto irreverente, despreocupado do escocês é trabalhado durante a história, e torna-se um fato importante para aproximação dele com o General Amim. O filme conta desde a sua decisão de ir para a África até o complicado final da sua história no país de Uganda. E conta a sua amizade com Idi Amim, que se inicia após Nicholas assistir, junto a personagem de Gillian Anderson (Arquivo X), a um discurso do novo presidente. Ao tratar medicamente Amim numa situação inusitada, agir de forma destemida mesmo na frente do exército, e finalmente contar-lhe que é escocês, Nicholas acaba chamando a atenção do General, que rapidamente o influencia a se tornar médico particular do presidente, e a largar o trabalho que estava fazendo por uma vida de nobreza como amigo e conselheiro pessoal de Amim.

A partir daí o filme centra nas duas personagens, Amim e Nicholas, e trabalha intensamente o relacionamento entre eles e as suas personalidades. Vemos um lado bem humano do ditador, muitas vezes infantil e engraçado, outras vezes inconseqüente. Nesse momento as tensões aumentam, o clima fica bem mais pesado, e pouco a pouco o General Amim mostra seu senso de egocentrismo e abuso de poder. Enquanto isso o médico se envolve em diversas situações, como traições e influências políticas. Até que as verdadeiras intenções do ditador ficam mais claras, e a vida do próprio Nicholas, cada vez mais preso àquele país e ao próprio Amim, passa a correr perigo.

Apesar do tema sério e pesado que o filme trata, a visão humana que foi proposta para o drama foi certamente um ponto forte. Esquecemos o tão comum maniqueísmo, e passamos a conhecer os lados opostos dos protagonistas e antagonistas. Acompanhamos as inúmeras falhas do médico escocês, que com seu estilo também inconseqüente acaba trazendo infortúnio para muitas pessoas próximas a ele. E vemos também o melhor lado do General, sua admiração pela cultura escocesa, seu lado bem humorado e amigo, sua honra e dedicação. Trata-se de um excelente e honesto filme sobre seres humanos. Numa das cenas mais emocionantes do cinema recente não é por sofrimento e dor que vemos lágrimas serem derramadas, mas por amizade e compaixão. As lágrimas são do próprio ditador.

Bodão

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Tropa de Elite

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Direção: José Padilha.
Elenco/Vozes: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda Machado, Maria Ribeiro, Fernanda de Freitas, Milhem Cortaz, Suzana Pires, Paulo Vilela e Fábio Lago.

Lá vem o Brasil em busca do Oscar de filme estrangeiro, e o carro chefe provavelmente deve ser esse mesmo. Pena que o filme vazou antes de chegar ao cinema, inclusive vazou pela empresa que estaria colocando as legendas em inglês. Tanto, que a versão que corre solta por ai, que inclusive eu vi, está com cara pra gringo ver, além de mal acabada. Sinceramente eu acho que esse polêmica toda deve gerar mais bilheteria que o normal, eu mesmo vou ver novamente no cinema (eu já vi duas vezes).

Já soube até que rolou ou tá rolando umas apresentações em São Paulo, isso porque o Oscar exige que o filme seja apresentado nos cinemas até no máximo no final de Setembro (desculpem a falta de precisão e de fonte de notícias). Só espero que depois de toda essa confusão e polêmica o filme volte a ser comentado e badalado pelo motivo certo, que é seu excelente roteiro, montagem, edição e atuações. É isso mesmo, mais um “Cidade de Deus” produzido pelo cinema brasileiro, nas suas devidas proporções.

O filme tem um ar de documentário, e o roteiro é baseado em depoimentos de pessoas que fizeram ou fazem parte do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE. A história gira em torno do Capitão Nascimento, vivido de forma impecável por Wagner Moura (é, o Olavo da novela), sua rotina na polícia, em casa, treinamentos e na tensão e estresse vivido pelos participantes dessa polícia, dita no filme como “melhor” que o exército israelita. Na verdade o BOPE nem deveria ser considerado um tipo de polícia, é realmente um exército em ação. Não tem como negar um certo orgulho e patriotismo ao ouvir tantos elogios e cenas que exaltam o tal esquadrão de elite, mas o outro lado da história é um verdadeiro tapa na cara da sociedade brasileira. A final de contas de quem é culpa pela situação?

Essa, e outras perguntas são respondidas e bem explicadas numa sequência de cenas marcantes durante todo o filme. Talvez até seja injustiça minha citar uma única cena, além de estragar o impacto que vai causar em quem não assistiu ainda. Não posso deixar de falar também no diretor José Padilha, responsável também pelo excelente documentário Ônibus 174, que dirige de forma brilhante, dando uma aula pra esses diretores de novela que insistem em fazer filmes (Olga), apesar de uma insistência, acredito que proposital para dar ar de documentário, em mostrar muito os rostos dos atores. Mas quando abre o plano o faz com maestria, retratando uma fotografia totalmente condizente com o filme.

A polêmica da pirataria tá solta, mas o reflexo vamos ver no cinema, e eu não sou hipócrita de pedir pra você não ver a versão pirata, porém acho que vale a pena ir ao cinema, nem que seja pra prestigiar, além do fato que essa versão pirata não estava bem finalizada, e segundo o próprio diretor, existem mudanças significativas da versão que vai ao cinema, inclusive mensurável: 1 milhão a mais.

Os Simpsons – O Filme

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Direção: David Silverman.
Elenco/Vozes: Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer, Hank Azaria, Marcia Wallace, Tress MacNeille, Pamela Hayden, Philip Rosenthal, Albert Brooks, Russi Taylor, Maggie Roswell, Tom Hanks, Joe Mantegna, Billie Joe Armstrong, Tre Cool e Mike Dimt .

Poucas coisas são tão geniais e legais como Os Simpsons. Não é atoa que a coisa já dura tanto tempo. Só pra ter uma idéia já fechou a 18ª Temporada, impressionante. Se me permitem, eu gostaria de comparar Matt Groening e Tolkien, pois ambos criaram um mundo novo, e preencheram de personagens interessantes, respeitando obviamente as proporções e o que chamei de “interessante”, são veias diferentes, claro. Ao conhecer Simpsons, Malvados, South Park, eu me senti burro por não ter uma idéia genial desse tipo, pois apesar de serem engraçados e controversos, não devem ser tão difícil imaginar situações do gênero. Mas eu acho que é ai que se encontra a genialidade, que é fazer algo óbvio que ninguém fez ainda, simplesmente fantástico.

Quando alguém fala que “o filme foi só mais um episódio comprido” pode até soar como um desmerecimento para muitos gêneros (eu mesmo falei isso de Os Normais), mas nesse caso é um baita elogio, pois é a continuação do sucesso, uma fórmula que dá certo e não ia surpreender negativamente ninguém. É sim, só mais um episódio mais demorado, mas é genial, fantástico e todos os adjetivos de sempre. Dá até pra notar um capricho a mais nos traços, e não podia ser diferente, tinha que ter um diferencial.

Quer saber do roteiro? Isso é o de menos, vá curtir os amarelões sem medo. O Homer continua o mesmo, e ainda tem muito a nos ensinar. Assista até os créditos, a final de contas “todos deram um duro danado” e não custa prestigiá-los.

O Ultimato Bourne

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Direção: Paul Greengrass.
Elenco/Vozes: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney, Paddy Considine e Edgar Ramirez.

Cinco anos atrás, quando o Identidade Bourne foi lançada, todos sabiam que uma grande série de ação policial e espionagem estava a caminho. De lá para cá, não apenas o esperado tornou-se realidade, como os filmes ficaram constantemente melhores – melhor ação, melhores atuações, cenas mais emocionantes. Tudo impressionantemente, e surpreendentemente, melhor. Destaco isso porque não é fácil para um filme desse estilo superar e impressionar tanto. Vivemos em uma época encharcada de filmes com grandes pretensões e baixíssima qualidade. Chegamos a um ponto em que o filme de ação foi banalizado, sendo a maioria dos recentes lançamentos imersos em mentiras, exageros e falhas técnicas.

Pois em todos esses pontos a trilogia foge do padrão, levando bem a sério a adaptação dos excelentes livros do escritor Robert Ludlum. Temos uma produção impecável, excelentes atuações (e elenco, o que certamente ajuda), cenas convincentes e bem trabalhadas, uma história coerente e envolvente. No primeiro filme, Identidade, conhecemos o personagem Jason Bourne e acompanhamos toda a sua jornada em tentar reaver sua memória e entender seu passado. A partir daí, indo contra a tendência da maioria das continuações, o filme adquire ainda mais qualidades, juntando tudo que havia de melhor no primeiro e trazendo mais dinamismo e emoção às cenas.

Boa parte dessa constante melhoria deve-se a entrada em cena (ou por trás dela) do diretor Paul Greengrass, vindo do mundo do cinema independente e nomeado ano passado ao Oscar por Vôo United 93. Ele consegue, tanto em Supremacia (2004) como no Ultimato Bourne, trazer um realismo inigualável, empurrando de forma surpreendente o espectador no meio da trama. O diretor tem uma visão única, colocando cenas realmente imersas na ação, sempre muito rápidas e intrigantes (até mesmo confusas), mas com isso criando um nível de interação com o público que certamente revolucionará o estilo.

Mais ainda no terceiro do que na Supremacia, o espectador é levado bruscamente para ação. O filme começa com um cena conturbada no mesmo túnel em que O Supremacia Bourne termina, dando a impressão dos dois últimos terem sido filmados em seqüência, apesar dos óbvios três anos de separação entre os lançamentos. Rapidamente estamos com a trama principal montada, acompanhando Bourne nos seus últimos passos, reavendo antigos personagens e também conhecendo alguns novos. Ele está decidido a ir mais a fundo do que nunca na sua história, e acabar de uma vez por todas com esse mistério que lhe persegue.

Se na Supremacia Bourne ele declara guerra definitiva a todos que participaram da sua criação, é no Ultimato que essa guerra finalmente toma forma, todas as peças se encaixam. E muitas das características que garantiram o sucesso da série estão ainda melhor utilizadas agora. As atuações estão mais fortes e marcantes, como a do próprio Matt Damon, conseguindo mais uma vez demonstrar muito bem os dois lados opostos do personagem – um lado frio, treinado para matar e agir sem hesitar, e outro bem mais humano, buscando fazer o que seria certo, e outros destaques como a já consagrada atriz Joan Allen e o ótimo David Strathairn. As cenas de perseguição estão ainda mais intrigantes, feitas cada vez mais em ambientes vivos, como a estação Londrina ou as ruas do Marrocos, onde fica claro que a intenção do diretor é mostrar dinamismo e realidade na cena, evitando uma preparação ou repetição em excesso que muitas vezes torna a seqüência superficial. O desenvolvimento da história, desvendando finalmente os mistérios que assombravam não apenas a Jason, mas a todos nós espectadores. Tudo está primoroso.

Se existem defeitos em Ultimato Bourne, ou nos dois primeiros filmes da série, estes são letalmente apagados pela ação frenética e contagiante da trama. Pequenos detalhes, como cenas em que não se vê tanta coerência nas ações, rivais que nem sempre continuam com os mesmo ferimentos, e seqüência que de tão rápidas e confusas não convencem, são facilmente cobertos pela excelente história e pelas intrigantes cenas de ação do filme. Uma das séries mais importantes dos últimos anos, e um final para se ver e rever sem hesitar.

Bodão

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