Direção: Carlos Saldanha.
Vozes: Márcio Garcia, Diogo Vilela e Tadeu Melo.
“O que achou do filme?” Aposto dez tampinhas de fanta uva 2L como a resposta da maioria tem a expressão “que o primeiro”. Algo como: melhor que o primeiro, ou mesmo nível que o primeiro, ou pior que o primeiro. È a mania incansável de medir e comparar que herdamos da raça humana. O que eu responderia? Mesmo nível, talvez melhor “que o primeiro”. Inquestionável o nível que as animações chegaram. Chega a ser perfeito. Cenas com água, com pêlos, sombras, gelo, tudo uma perfeição. Não tem do que reclamar. Estão no limite da possibilidade tecnológica. E nunca se investiu tanto em animações como esse ano. Mas também é filme com renda certa. Na pior das hipóteses acertam o público infantil, e de quebra ganha o ingresso do acompanhante adulto. Graças a PIXAR temos uma nova “corrente” de animação, diferente da Disney, que vai além de traços diferentes, mas roteiros diferentes. Diferentes e melhor. E por falar em roteiro, nessa continuação temos a Era do Degelo. Tudo está para ser inundado e a jornada em busca da “arca de noé” é a premissa básica do roteiro. Temos um mamute solitário, uma preguiça mais chata que o burro do Shrek, um tigre que não sabe nadar. Subliminarmente falando temos um grupo de amigos diferentes, diria uma grande família diferente, talvez uma critica ao racismo e intolerância existente entre os humanos, ou não, talvez eu tenha visto coisa onde não tem. Todas as animações têm sua mensagem politicamente correta. Divertidíssimo, boas risadas são garantidas. Gambás tentam roubar a cena, mas o esquilo neurótico em busca da noz continua. E como não rir da chata preguiça, Sid? Insuportavelmente engraçada. Tadeu Melo faz um belo trabalho de dublagem que teria tudo para ser caricato e nos levar a pensar no programa de domingo do Renato Aragão. Duro mesmo é ouvir Márcio Garcia, até o grande Diogo Vilela não fica bem nessa dublagem.
Direção: João Falcão.
Elenco: Paulo Autran, Gustavo Falcão, Euclides Pegado, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos.
O filme de Falcão é uma maravilhosa adaptação do livro de Adriana Falcão e da peça do próprio diretor do filme, e mais uma vez foca a vida simples, mas nunca simplória, do interior nordestino. “Antônio de Dona Nazaré” (Gustavo Falcão), é um jovem rapaz, que desde o dia que nasceu, já foi destinado a um papel muito importante no mundo.
Apaixonado desde sua infância pela bela Karina (Marina Ximenes), tem sua vida mudada quando para evitar que ela vá embora de sua cidade e se meta de cara no “mundo” em busca de melhores oportunidades de vida, decide ele mesmo ir em busca desse “mundo” para presenteá-la e assim tê-la para sempre.
“A Máquina” é uma belíssima história de amor com uma fortíssima veia de humor. Diálogos maravilhosos, remetem à própria cultura literária nordestina (as falas parecem recitadas de um livrinho de cordel). Atuações muito inspiradas, principalmente as do casal de protagonistas e a maravilhosa participação do Mestre Paulo Autran, como narrador da história. A direção de arte do filme é lindíssima, remetendo bastante ao teatro, já que quase não temos externas durante o filme, lembrando bastante a minissérie Global, “Hoje é Dia de Maria”. Essa característica deixa a história do filme ainda mais semelhante a uma fábula.
Um dos melhores filmes nacionais que já vi. As 5 estrelas são mais do que merecidas.
Direção: Niki Caro.
Elenco: Charlize Theron, Frances McDormand, Sissy Spacek, Woody Harrelson, Sean Bean, Richard Jenkins, Jeremy Renner, Michelle Monaghan, James Cada, Elle Peterson, Thomas Curtis.
Houve uma época em que as mulheres sofriam caladas. Medo, preconceito, insegurança era um sentimento comum. Isso acabou? De forma alguma, ora, de vez em quando nos deparamos com escravidão. Já pensaram? Escravidão! Tratar gente feito bicho. Imagine séculos de uma sociedade patriarcal. Não dá para se livrar de uma década para outra. A diferença é que a mulher hoje denuncia. Grita, expõe o rosto na capa da revista se for preciso. Histórias absurdas de abuso e violência aconteciam e acontecem todos os dias. E Terra Fria é uma dessas histórias. Pode-se louvar a história e a intenção, mas como filme é fraquíssimo. Não quero entrar no mérito do quanto aconteceu de verdade, pois a idéia que se passa é de um filme caricato demais. Dava aquela sensação de ver um filme que tem cenas na prisão. Guerra entre negros e brancos, homossexualismo, todos são inocentes. Enfim, toda a velha história que sempre vemos nos filmes. Isso é bem chato. Juntar todos os elementos machistas e jogar num filme. Foi isso que fizeram com Terra Fria.
Direção: Shawn Levy.
Elenco: Steve Martin, Kevin Kline, Beyoncé Knowles, Jean Reno, Emily Mortimer, Jason Statham.
Não tenho a menor dúvida que depois que esse remake da “Pantera Cor de Rosa” foi lançado, Petter Sellers deu um Triplo Twist Carpado dentro de seu caixão que faria uma inveja mortal (ops!) a nossa Dayane dos Santos.
É fácil fazer uma lista de culpados para o fracasso dessa empreitada. Em primeiro lugar os estúdios que liberaram o sacrilégio, em segundo a direção e o roteiro (pelo menos para quem não ri mais apenas com piadas de peidos e escatologias do tipo), mas o pior, se encontra principalmente no intérprete do personagem principal da obra original de Blake Edwards, o exageradamente chato Steve Martin (que também assina o roteiro). Martin aposta erradamente nesse seu estilo chato e insuportável de fazer comédias para compor o Inspetor Closeau, com uma caracterização esdrúxula (para não usar um palavrão) e caricata, o inverso da feita pelo gênio Peter Sellers.
Piadas envolvendo flatulências e quedas já saíram do prazo de validade desde a série “Corra que a Polícia Vem Aí” e também servem para tentar esconder o roteiro muito mal escrito e a péssima direção, digna dos atuais filmes do Renato Aragão. Impressionante os filmes ainda se utilizarem desses tipos de recursos, como se essas fossem a forma mais garantida de fazer rir (teoria infelizmente comprovada através da observação da reação de algumas pessoas nos cinemas).
O elenco, além do insuportável Steve Martin, conta com o inadequado Jean Reno (pelo menos o Jackie Chan seria mais parecido com o Sato) e a insossa Beyoncé Knowles (que como atriz, não presta nem como cantora). Por último Kelvin Kline, que nem fede nem cheira.
A história do filme se dá quando o diamante que dá nome ao filme é roubado e o responsável pelas investigações, o Inspetor-Chefe Dreyfus, chama o mais incompetente policial da França (Clouseau) para tomar conta do caso e tirar as atenções da verdadeira investigação liderada pelo Inspetor-Chefe. O resto da história todos já conhecem (ou pelo menos imaginam), já que final surpresa é algo que passa bem longe desse remake feito para espectadores com idade mental inferior a 5 anos.
PS: A nota dada não condiz com o filme, mas por falta de menor, fica essa mesmo.
Direção: Duncan Tucker.
Elenco: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Elizabeth Peña.
Como um bom cinéfilo desinformado, não sei dizer se já existe título em português. Para ser sincero espero que seja o mesmo. Pois sabemos das barbaridades que podem cometer. Provavelmente se você vive longe da civilização de verdade como eu, nem deve ter ouvido falar nesse filme. Esse sim é filme B de verdade, baixo orçamento e péssima distribuição. Voltando ao título, acreditem que nem imaginava que o sufixo trans erra de transexual, essa minha mente corrompida só imaginava aquela emissora de rádio. Ridículo! Estou começando a gostar dessa idéia de falar do que se trata o filme. Uma transexual que descobre as vésperas da sua cirurgia que tem um filho. Obviamente é uma pesada carga dramática, vivida pela excelente Felicity Huffman, que muitos dizem que merecia o Oscar de melhor atriz. Sinceramente estou tentando ser indiferente ao Oscar. Não tem o exagero nem a viadagem do Almodóvar, o que pode ou não ser um elogio. Mas nem tudo é dramalhão mexicano, também alterna entre momentos engraçados, um humor bem sombrio e não o clássico pastelão. Relacionamentos e questionamentos interessantes, problemas que muitas vezes fingimos que não existem. Vale a pena pela cutucada na ferida, e pela boa atuação de Felicity.
Direção: Rob Marshall.
Elenco: Zhang Ziyi, Michelle Yeoh, Ken Watanabe, Gong Li, Koji Yakusho.
Agora fica fácil escrever já sabendo o resultado do Oscar 2006. Memórias de uma Gueixa levou quase tudo visual: fotografia, direção de arte e figurino. O que nos leva a crer ser um filme bonito de se ver. Sem dúvida é. Mas é chato também, lento e clichê. Seria muita exigência minha que um filme sobre Gueixas usasse a linguagem japonesa? Todo aquele cenário japonês e atrizes chinesas, essa mistura não ficou muito bom. Rolou até uma pequena polêmica por atrizes chinesas interpretarem japonesas. Devem ser escassas atrizes com feições orientais, pois mais uma vez temos Zhang Ziyi que a partir de hoje será conhecida como Aquela-que-faz-todos-filmes-com-orientais. Quanta falta de criatividade ou opção? Sempre fui um apreciador da cultura japonesa, e apesar de tantas falhas, Memórias de uma Gueixa tem roteiro interessante inspirado no livro homônimo de Arthur Golden. Uma forma de apresentar ao mundo o que era ser uma Gueixa, e posteriormente toda sua degradação com a chegada das grandes guerras. Criou-se uma visão deturpada de que gueixas eram prostitutas. Mas nesse ponto o filme é competente. Fora isso não tem muito que aproveitar, mais uma história de amor impossível. Mas como diz o poeta: toda história de amor é igual porque não existe outro amor.
Direção: Bennett Miller.
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban, Amy Ryan.
Truman Capote revolucionou a literatura moderna, ao recontar o chocante assassinato de uma familia inteira no estado de Kansas nos Estados Unidos, ocorrido em novembro de 1959. Seu livro “A Sangue Frio” uniu o jornalismo à literatura, mostrando que a não-ficção pode ser tão interessante para o grande público quanto a ficção. Depois de ver nos jornais o caso, Capote, com o apoio de sua revista “New Yorker” e acompanhado de sua grande amiga e pesquisadora Harper Lee, se dirigiu até a pequena localidade com um intuito de escrever uma matéria sobre o impacto do massacre na sociedade local. Cheio de trejeitos e afetações, excêntrico, egomaníaco e homossexual assumido em uma época e local completamente adversos a sua opinião sexual (E.U.A., década de 50), Capote vê que o material que caiu em suas mãos poderia dar-lhe muito mais do que ele imaginava, poderia tornar-se uma das maiores obras primas da literatura americana no século XX.
O que Capote com certeza não esperava, é que o aprofundamento no caso resultaria em algo quase tão destrutivo quanto a pena de morte recebida pelos assassinos.
O maior vigor do filme deve-se com certeza a grande atuação de Hoffman, que mostra o lado irônico, egoísta e egocêntrico de seu personagem, que não hesita em passar por cima das pessoas se utilizando de mentiras para alcançar seu objetivo maior, a concretização de sua obra-prima. Ao mesmo tempo, Hoffman preocupa-se em mostrar o lado mais humano de Capote, que sofre por saber (apesar de desejar) da proximidade da execução de um dos assassinos.
Muito bem dirigido por Bennett Miller e com uma soberba atuação do excelente Philip Seymour Hoffman (meu favorito na categoria de Melhor Ator), além do ótimo roteiro de Dan Futterman. Completam a obra a excelente trilha sonora do filme e a belíssima fotografia. Capote faz jus às suas indicações ao Oscar desse ano.
Direção: James Mangold.
Elenco: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Shelby Lynne, Dan Beene, Larry Bagby, Lucas Till, Ridge Canipe, Hailey Anne Nelson.
Depois que transformaram Green Mile em A Espera De Um Milagre pode-se esperar tudo das distribuidoras no Brasil. Não sei se é exatamente o título de uma música do Johnny Cash, mas certamente é um trecho de uma de suas músicas, obviamente cantada no filme. Só sei que o título Johnny e June soa brega demais. Fica parecendo simplesmente uma história de amor. Obviamente June tem sua importância na biografia de Johnny contada nesse filme, mas definitivamente é um filme biográfico, vai além de uma história de amor. Elementos bem parecidos com a história de Ray, e coincidentemente Joaquin Phoenix está concorrendo ao Oscar de melhor ator. Inclusive uma ótima atuação, assim como a legalmente loira Reese Witherspoon. Mas é atuação pra ganhar Oscar? Só vou saber quando ver Capote, em breve. Tudo começa com uma ótima apresentação de personagens, simples, mas dizia muito. E o resto é rock, drogas e amor. Infância complicada e marcada por um trauma, seguida pela dificuldade para entrar no meio artístico, envolvimento com drogas e o triunfo da recuperação. São ou não são elementos parecidos com Ray? Escuto o nome Johnny Cash e sei que foi alguém importante para música, pro rock, mas conheço quase nada, e nem posso dizer se Phoenix foi fiel à interpretação do Cash real. Enfim, bastante regular, com a sensibilidade que as biografias geralmente têm. Talvez seja interessante conhecer um pouco da história do rock dos anos 50 e 60, pois outros grandes nomes aparecerem nessa biografia, e tem um Rei no meio que nem precisa ser citado seu nome no filme.
Direção: Tony Scott.
Elenco: Keira Knightley, Mickey Rourke, Jaqueline Bisset, Lucy Lyu , Christopher Walken, Edgar Ramirez e Mena Suvari.
Baita elenco, não é? Mas sinceramente, sem rodeios, não vale a pena. Keira continua linda até com cabelo curto, mas acho que vale mais a pena esperar pela careca de Natalie Portman, se é que V-ocês me entendem. Filme B atualmente é conhecido como filme ruim, mas o correto conceito de filme B é um filme feito com pouco orçamento, independente de ficar bom ou ruim. Domino se encaixa na idéia errada que temos hoje de filme B. Lembrava de longe, bem de longe, roteiros de Tarantino e câmeras de Guy Ritchie. Mas nada tão original assim. Mas é um filme sobre o que? Sempre lembro da resposta do Veríssimo quando perguntado “Titanic é sobre o que?”, e ele responde: um homem, uma mulher e uma pedra de gelo. Então, utilizando a mesma técnica, Domino é sobre uma menina rica que perde o pai e um peixe dourado, e resolve virar caçadora de recompensas. Só isso? É, só isso. Alguns lampejos de originalidade e um final politicamente correto.
Direção:Bruce Hunt
Elenco:Cole Hauser, Morris Chestnut, Eddie Cibrian, Rick Ravanello, Marcel Iures, Lena Headey.
Como filme de horror, “A Caverna” obedece uma fórmula repetitiva, com uma única exceção: seus monstros vivem debaixo da terra. Não em uma gruta qualquer, mas em uma antiga caverna romena. O que significa um ecossistema isolado com rios, cachoeiras, galerias enormes, um banho térmico sulfúrico, uma caverna de gelo, restos arqueológicos e, sim, animais invertebrados malévolos. Os ataques são precedidos por um barulho estranho de tique-taque, mas a tensão deriva da trilha sonora de Reinhold Heil e Johnny Klimek. O diretor australiano de comerciais Bruce Hunt, em sua estréia num longa, mantém a câmera em close e a ação violenta, portanto nem sempre o espectador sabe onde os personagens estão ou o que está acontecendo. No interior da floresta romena, um grupo de cientistas se depara com as ruínas de uma abadia do século 13. Durante a inspeção, eles fazem uma descoberta surpreendente – a abadia foi construída sobre a entrada de uma gigantesca caverna subterrânea. Biólogos locais acreditam que a caverna possa ser a moradia de um eco-sistema não descoberto, e por isso contratam um grupo de exploradores americanos para ajudá-los a investigar essas profundezas.
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