Cinéfilos » 2006 - Blog de cinema com críticas e comentários sobre filmes
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Superman, O Filme

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Direção: Richard Donner.
Elenco: Marlon Brando, Gene Hackman, Cristopher Reeve, Margot Kidder, Ned Beatty, Valerie Perrine, Glenn Ford.

O filme segue a maioria dos filmes de heróis no que diz respeito a sua primeira parte. Busca mostrar as origens do personagem, mandado ainda bebê, por seu pai Jor El, do moribundo planeta Krypton, que está prestes a ser destruído devido a extinção de seu sol. Ao chegar a nossa terra, o menino Kal El, recebe de seus pais adotivos, Jonathan e Martha, o nome de Clark Kent e recebe todo o tratamento e educação de uma criança comum até a morte de seu pai adotivo. Essa tragédia familiar o leva a buscar respostas para as muitas perguntas que seu passado e sua natureza única, sempre trouxeram, e acaba levando-o ao encontro de toda sua história ao ter acesso a uma impressionate reconstituição física de seu planeta natal, local conhecido como Fortaleza da Solidão. Vários anos de reclusão e treinamentos se passam até que Clark encontre-se pronto para retornar ao mundo que o adotou. O local escolhido para esse retorno, é a grande cidade de Metrópolis, onde assume a profissão de repórter em um dos maiores jornais da cidade, o Planeta Diário. Em sua primeira aventura, além de se apresentar ao mundo e conseguir a sua aceitação, Superman tem que manter a vida de seu alter ego (como disse o personagem Bill no filme do Tarantino, Clark Kent é apenas um alter ego criado por ele, para viver com pessoas que não compreenderiam, nem aceitariam suas diferenças) separada da sua e enfrentar o que há de melhor e pior no ser humano, representado na figura do egocêntrico e megalomaníaco Lex Luthor (Hackman).
Luthor é um excêntrico vilão, que busca na especulação imobiliária, uma lucrativa forma de se tornar milionário e reconhecido pelo mundo. Para isso, ele compra uma grande quantidade de terras em desertos que circundam o Estado da Califórnia. A segunda etapa do plano, consiste em roubar bombas atômicas e explodi-las em um determinado local que levaria ao fim de toda a atual costa americana, transformando suas terras recém adquiridas em um novo litoral para o país. E logicamente, só uma pessoa pode evitar a morte de milhões de inocentes e barrar os sonhos insandecidos desse simpático vilão.
O Superman de Donner também pode ser visto como a representação máxima da idealização do americano perfeito no período de guerra fria, um homem que luta pela “paz, liberdade e pelo jeito americano de viver”, segundo palavras do próprio personagem em sua primeira entrevista para a repórter Lois Lane (Kidder). Inclusive, o excesso de patriotismo sempre foi uma característica da personagem (como o Capitão América da Editora Marvel), e nada melhor para representar uma ufanista nação do que um homem perfeito, que não mente, não fala palavrão e nem namora em pé.
Não é a toa que Cristopher Reeve se tornou um ator reverenciado mesmo fazendo tão poucos filmes importantes. Reeve encarna o último filho do planeta Kripton de forma definitiva. Criando um personagem que nos faz acreditar que o impossível pode se tornar possível. É maravilhosa a diferença que ele cria entre Clark Kent e Superman. Kent é excessivamente tímido e desajeitado, além disso, Reeve busca consegue realizar uma impressionante mudança de postura quando o interpreta, que acaba tornando-o mais baixo, além de esconder mais seu rosto, diferença que é completada por um penteado diferente, um enorme par de óculos e uma significativa alteração na forma de falar. O restante do elenco mantém o alto nível da obra, apesar de não achar Margot Kidder suficientemente bonita (não quero ser mal educado chamando-a de feia) para interpretar Lois Lane e achar que o Luthor de Hackman poderia ser um pouco mais sério, deixando o lado cômico apenas para os coadjuvantes. A presença de Marlon Brando como Jor El, é marcante do início ao fim, e com certeza deu o tom de seriedade necessária a um filme dessa natureza. Seus ensinamentos através de hologramas na Fortaleza da Solidão, são fundamentais para o desenvolvimento de Kal El e para a aceitação de sua missão na terra, a de nos proteger, principalmente de nós mesmos.
A trilha composta por John Willians dispensa comentários. O tema de Superman é um dos mais marcantes da história do cinema. Emoção e empolgação nas medidas certas. E é no roteiro, escrito a partir de uma história criada pelo escritor Mario Puzo (o mesmo do Poderoso Chefão), que se encontra a maior força do filme. Uma ótima trama, uma envolvente história de amor, com grandes atores e personagens muito bem desenvolvidos. Tudo devido a mais uma excelente condução do senhor Richard Donner.
Apesar da ingenuidade da história em alguns momentos (nada de mortos em um filme que envolve armas nucleares e poderes inimagináveis e ilimitados como os do herói) e do exagero na abordagem dos poderes do Kryptoniano, que até poderia prejudicar futuros filmes do herói (não tem como não achar estranho a limitação dos poderes do Super nos outros filmes, já que no final do primeiro ele chegou a alterar a realidade através da absurda mudança do sentido de rotação do nosso planeta – isso é que é amor), e a forma rápida de como as informação são jogadas no filme (como Luthor ter descoberto que os resíduos do planeta natal do Super seria altamente tóxico para ele, tornando-se sua única fraqueza, e inclusive chamando esses resíduos de Kryptonita como algo comum de se ver), “Superman – O filme”, é, sem dúvida, um marco do cinema de aventura e uma revolução em efeitos especiais, além de uma das melhores abordagens de um personagem de histórias em quadrinhos no cinema até os dias de hoje.

Posseidon

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Direção: Wolfgang Petersen.
Elenco: Josh Lucas, Kurt Russell, Jacinda Barrett, Richard Dreyfuss, Jimmy Bennett, Emmy Rossum, Kevin Dillon.

Um filme com um super orçamento (140 milhões de dólares) sobre um enorme navio que afunda no meio do oceano matando centenas de pessoas, utilizando efeitos visuais de última geração, com cenas fortes e cheias de adrenalina e personagens retiradas diretamente da “enciclopédia cinematográfica de clichês para filmes descerebrados norte-americanos”, como tentativa de esconder a mediocridade do roteiro (e passando muito, mas muito longe de conseguir), não é novidade desde que um certo James Cameron encheu os bolsos de dinheiro e a estante de prêmios no início da década de 90.
Posseidon é um grandioso e luxuosíssimo navio, que na noite de reveillon, é vítima da força destruidora de uma grande tsunami, que o vira de cabeça para baixo e força os sobreviventes do desastre a uma desesperadora e perigosa luta pela sobrevivência.
Wolfgang Peterson (Tróia e Mar em Fúria), realiza o remake do filme o “Destino do Posseidon”, mudando a característica do filme, que passa de “filme catástrofe de suspense” para “filme de ação com super herói sabe tudo, que apesar de todas as absurdas dificuldades enfrentadas salvará um punhado de pessoas, inclusive a “surpreendente” única criança da história, no final”. Mas se Peterson erra em alterar o clima da obra original, acerta na dose de realismo colocada no acidente. É inimaginável em um acidente dessa magnitude, a presença de corpos em toda a extensão do navio. E nesse quesito, o diretor não poupa o espectador em nenhum momento, mostrando sempre a gravidade da situação através do número de vítimas encontradas pelos personagens principais.
No mais, é só ficar aguardando a morte dos personagens menos importantes e rir do plano mirabolante de fuga dos sobreviventes (alguém duvida que dá certo?). Posseidon é mais um daqueles “pipocões” que até chegam a divertir (os efeitos especiais são ótimos) durante a exibição, mas infelizmente, nunca passa disso.

Separados Pelo casamento

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Direção: Peyton Reed.
Elenco: Vince Vaughn, Jennifer Aniston, Jon Favreau, Vincent D’Onofrio, Joey Lauren Adams, Cole Hauser, Judy Davis, Justin Long, Jason Bateman, John Michael Higgins, Ann-Margret.

Um filme com esse título, com Jennifer Aniston e Vince Vaughn, só pode ser uma? Comédia Romântica! Errado! Tá bom, tudo bem, tem seus momentos comédia romântica, mas é bem mais profundo que esses pratos rasos que são produzidos aos montes. Não me surpreendeu porque eu li uma crítica antes, mas pelo próprio público percebia que a isca era comédia romântica. Venderam gato por lebre pra vender mais. O tema é de comédia romântica, mas eu invés de cair no clichê de sempre, fizeram um dos mais perfeitos diálogos que explica por si só as grandes diferenças entre homens e mulheres. Não é um filme feminista, nem machista, é exatamente a realizada nua e crua, é a situação em si que mostra que falamos em idiomas diferentes. Não tem a pretensão de mostrar quem está certo e errado, simplesmente expõe como somos e principalmente o que fazemos pra destruir um relacionamento. Quem me conhece sabe o quanto eu falo isso: brigar todo mundo vai brigar, seja qual for o relacionamento, o que importa é como cada um reage depois da briga. O grande problema é a bola de neve, que começa com uma discussão boba, e vai aumentando a medida em que frases desesperadas são jogadas. Tudo isso em busca da razão, que muitas vezes ninguém tem. Egoístas e mimados levamos toda briga ao extremo, geramos uma guerra de nervos pra saber quem vai vencer, ou quem é o lado mais fraco. Inflamamos de orgulho pra no fim das contas não ganhar nada com isso. Óbvio que tem seus bons momentos engraçados e o final meio adocicado. Agradável surpresa a abertura dos créditos, com fotos representando a passagem de tempo, inclusive o cuidado de ter fotos com defeito para dar mais realismo. Sempre achei que deveria ter uma prêmio pra esse tipo de coisa.

Carros

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Direção: John Lasseter.
Vozes: Owen Wilson, Paul Newman, Richard Petty, Bonnie Hunt, Dan Whitney, John Ratzenberger, Cheech Marin.

As machetes dos grandes portais brasileiros estavam corretas, Carros é Pixar com filosofia Disney, não tem como negar. O que significa isso? Bom ou ruim? Depende. Só porque a Pixar veio com inovações não significa que devemos descartar tudo que a Disney já fez de bom. A Disney tem sim ótimos filmes e uma filosofia bem familiar e bonita, o problema é que a Pixar veio e superou a forma de fazer animações. Então ao meu ver é uma ótima fusão, uma boa forma de protocooperação. Não que eu ache que uma não viva sem a outra. Elogiar a animação feita pela Pixar é chover no molhado, e eu já gastei todos meus adjetivos com Os Incríveis. Mas não canso de me entusiasmar com tamanha perfeição de cores, luz, detalhes de reflexos, é tudo uma obra de arte, e que deve dar o maior trabalho fazer. Dessa vez com poucas referências à outros filmes, e no mais todo aquele mapeamento como se carros fossem gente. Várias lições de moral, relacionadas à amizade, companheirismo, amor, o novo, o velho, saudosismo, passado e futuro. Além de muito divertido, legal e muito engraçado. Para não dizer que só falei de flores, o tal curta de animação que sempre é exibido antes, foi um dos mais fracos que eu já vi. Enfim, uma aula de animação e roteiro, resultado de um trabalho em conjunto de duas gigantes talentosas. É aquele filme de levar a criançada e ainda dar boas risadas, e se você for um saudosista sensível pode até ficar com os olhos rasos d´água. Ah, fique até final, pois enquanto rolam letras passa vídeo.

eXistenZ

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Direção: David Cronenberg.
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Willem Dafoe, Ian Holm, Don McKellar, Callum Keith Rennie, Sarah Polley, Christopher Eccleston.

Allegra Geller (J. J. Leigh) é a maior criadora de jogos em realidade virtual do mundo e funcionária da mega corporação Antenna Research. Em um encontro promovido pela empresa com a presença de Allegra e outros jogadores para testar um novo e revolucionário jogo chamado eXistenZ, é atacada por um estranho grupo terrorista contrário ao jogo e tem que fugir para salvar sua vida e não ter seu trabalho destruído, com a ajuda de um simples funcionário (Jude Law) da Antenna. Os jogos são rodados em uma espécie de ser vivo, com implantes eletrônicos retirados de animais mutantes e conectados diretamente a coluna dos jogadores, que são assim transportados a uma estranha realidade, onde o que é real pode ser facilmente confundido com o imaginário. Um dos maiores destaques do filme é, com certeza, o excelente elenco que Cronemberg conseguiu reunir. Com pontas de ótimos atores, como Ian Holm, Willem DaFoe e Sarah Polley. Uma fraca compensação para a já batida história de confusões envolvendo múltiplas realidades. O grotesco está, juntamente com o estranho, de volta à obra de David Cronemberg. “eXistenZ” segue exatamente a mesma linha de outros importantes filmes do Diretor, como “Videodrome” (principalmente) e “A Mosca”. Sinceramente, prefiro seu lado “Marcas da Violência” e apesar de essa não ser uma obra de fácil digestão, provavelmente agradará apreciadores de ficção científica e os fãs mais puristas do diretor.

A Profecia (2006)

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Direção: John Moore.
Elenco: Liev Schreiber, Julia Stiles, Mia Farrow, David Thewlis, Nikki Amuka-Bird, Reggie Austin, Marshall Cupp, Seamus Davey-Fitzpatrick, Michael Gambon, Pete Postlethwaite.

Em plena época de copa do mundo arranjar tempo pra ir ao cinema é coisa de cinéfilo. Deixando o narcisismo de lado, eu tenho uma pergunta: por que fazem remake? Sempre tem o lado ruim e o lado bom. Uns fazem esse tipo de coisa por dinheiro e falta de originalidade. O lado bom é atualizar um grande sucesso do passado, adequar aos tempos atuais e tentar atrair novos fãs para o clássico. Não posso garantir a intenção dos que fizeram esse remake. A comparação com o clássico da década de setenta é inevitável, e infelizmente decepcionante. Transformaram meu filme “de ter medo” de infância numa porcaria pra adolescente ver. Só espero que não deixem fazer isso com O Exorcista. Transformaram um drama, um suspense psicológico em mais um filme imbecil de sustos feitos com aumento do som. Além disso, deixam as mortes parecendo A Premonição, que eu carinhosamente chamo de “tipo Tom e Jerry” ou “tipo coiote do papa-légua”. Quase tudo é falho, o que copiou não ficou legal e o que mudou tornou pior. Até entendo o apelo, mas usar o ataque de 11 de setembro é forçar a barra. Assim como acontece em O Exorcista, o grande lance do filme é envolver uma criança, da comoção de fazer mal a uma “inofensiva” criança. É o drama que os pais passam numa situação assim. Que nesse caso ficou pouco e mal explorada, e faz o filme acontecer em dez minutos, não dá sequer tempo de sentir pena, de ficar na dúvida. E quando achei que iam ter a coragem de mudar o final, nem isso, pra minha profunda decepção. Eu sempre brinco que a expressão “menino é o cão” surgiu com A Profecia, e esse menino escolhido até que tem seu lado sombrio, mas sinceramente nem nisso conseguiram fazer a altura. Decepcionante é a palavra final.

Paradise Now

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Direção: Hany Abu-Assad.
Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Lubna Azabal, Amer Hlehel, Hiam Abbass, Ashraf Barhom, Mohammad Bustami.

Depois de ver o ponto de vista do cinema americano sobre os homens por trás de atos terroristas suicidas no excelente “Syriana”, temos o grato prazer, de ver esse polêmico tema a partir do ponto de vista de um cineasta que faz parte desse meio. Ou seja, em “Paradise Now”, temos a oportunidade de conhecer o lado de lá sem correr o risco de cair no preconceito maniqueísta ao qual nos habituamos, principalmente após o fatídico 11 de Setembro de 2001.
Said (Nashef) e Khaled (Suliman), são dois amigos de infância que vivem em uma destruída cidade palestina (campo de refugiados), onde a miséria, a falta de oportunidades e o revanchismo contra Israel ocupam a cabeça de boa parte dos seus cidadãos, em especial os mais jovens. Said e Khaled são chamados então, por um grupo ultra-radical, a se tornarem homens bomba e realizar um atentado contra soldados israelenses na belíssima e “americanesca” Tel Aviv. O plano sofre um sério revés quando os amigos se separam e tem que alterar todo o plano de ataque. É nessa busca, um pelo o outro, que as principais questões do filme são colocadas, e onde também é discutido o próprio sentido de como reagir a uma situação como essa enfrentada pelos personagens. O que os motiva e até onde essas motivações podem levá-los?
A partir daí, o ótimo diretor/roteirista Hany Abu-Assad, passa a mostrar algumas razões que levam pessoas simples e comuns, sem nenhuma espécie de radicalismo político ou religioso, uma forte ligação familiar, a tomar formas tão drásticas de combate. Estariam os homens bombas realmente convictos da necessidade de se explodirem, no intuito de destruir alvos considerados inimigos? Seria a violência a melhor forma de lutar contra um sistema opressor, mesmo sendo ele exageradamente violento, como comprovadamente foi Israel em relação à Palestina?
Hany Abu-Assad também busca quebrar com seu filme alguns dos estereótipos em relação ao povo palestino, mostrando a heterogeneidade de pensamento daquele povo, que também acredita em formas pacíficas de luta como alternativas à violência. E apesar de ser uma produção palestina, e a história ser toda focada no ponto de vista desse povo, em nenhum momento ocorre uma demonização judia, bem diferente do que é visto em algumas declarações do governo americano, constantemente reproduzidas pela mídia e alguns filmes de Hollywood, onde o maniqueísmo e o medo do “terror” são recursos de uso constante.

X-Men: O Confronto Final

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Direção: Brett Ratner.
Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, Shawn Ashmore, Ellen Page, Ben Foster, Ken Leung, Aaron Stanford, James Marsden, Olivia Williams, Daniel Cudmore, Vinnie Jones.

No terceiro e último (aparentemente) capitulo da saga dos heróis mutantes da Editora Marvel na tela grande, temos o encerramento do arco de histórias iniciado pelo diretor Brian Singer no ano 2000 (filme de uma importância incontestável, pois reabriu as portas do cinema para os quadrinhos) . De mais significativo na produção dessa nova etapa da saga, temos, além do excelente roteiro escrito por Zak Penn e Simon Kinberg, o polêmico abandono de Singer, que trocou seus mutantes pelo início de uma nova franquia (Superman) com um personagem de outra editora (dupla traição). Logicamente, todo o peso da produção caiu nas costas do diretor Brett Ratner, que poucos sabem, esteve cotado para dirigir o primeiro filme da série, e para sorte, ou melhor, prazer de todos os fãs dos mutantes da Marvel, Ratner dirigiu o melhor filme da série, deixando de lado todo o temor em relação a substituição e ganhando uma moral inimaginável até pouco tempo para ser o principal condutor da franquia (se ela continuar) daqui em diante.
“X-Men: O Confronto Final” segue dois arcos principais de histórias. O primeiro é a tão esperada guerra entre mutantes e seres humanos devido à criação de uma possível cura para o fator X, o que alegra muitos mutantes que se sentem constrangidos devido a suas condições, e por outro lado, enfurece diversos outros, liderados por Magneto (Sir Ian McKellen), não aceitam que suas diferenças sejam tratadas como uma doença que deva ser curada. Paralelamente a isso, acompanhamos o retorno de Jean Grey (Famke Janssen), supostamente morta no filme anterior, mas que retorna portando um poder ilimitado e incontrolável, que pode destruir todos os homo sapiens e mutantes. Diversos personagens pertencentes aos quadrinhos que nunca haviam aparecido, ou apenas figuraram nos anteriores, dão as caras no filme, alguns assumindo papéis de grande relevância, como o Fera (Kelsey Grammer), Kitty Pride (Ellen Page) e Colossus (Daniel Cudmore). Outros personagens, como Ororo/Tempestade (Halle Berry) e o Homem de Gelo (Shawn Ashmore) assumem posições mais importantes na história, enquanto outros cedem a vez para os novatos, o que dá um novo fôlego sensacional à saga. Wolverine (o espetacular Hugh Jackman) é o novo líder do grupo e é mais uma vez fundamental, além de botar pra *$#*& em cenas matadoras e alucinantes, como nunca vimos.
E é no quesito realismo, na coragem de mostrar cenas violentas (não existe guerra sem baixas) nas batalhas e na própria constituição do caráter do personagem de Jackman, que indiscutivelmente possui um lado bestial, violento, muito mal abordado nos filmes até então, que Brett Ratner se destaca. Wolverine se mostra muito mais complexo nessa terceira parte, alternando momentos de ternura, amor, liderança e até paternalismo, com a mais completa fúria. Magnífico!
Além das maravilhosas e irretocáveis cenas de ação, temos no excelente roteiro (impossível não ser repetitivo em se tratando de elogiá-lo), que fecha quase a totalidade dos caminhos abertos nos filmes anteriores (logicamente a origem de Wolverine fica em aberto para o aguardado filme solo do personagem), o aprofundamento da questão racista que envolve a aceitação ou não, dos mutantes pelos seres humanos. A criação de uma possível “cura” para o Fator X, coloca em questão temas bem próximos a nós como o exemplo das clínicas de reabilitação de homossexuais, que segundo seus responsáveis existem para “curar degenerados de suas doenças e vícios”; ou até em caso mais complexos, como a dificuldade de aceitação de certos grupos pertencentes a “etnias diferentes”. O roteiro trabalha muito bem esse tema, abrindo uma interessante reflexão sobre a existência de diferenças entre e dentro desses grupos.
“X-Men: A Batalha Final” é um filme que deve ser visto e revisto, daqueles que deve ser comprado em DVD logo na pré-venda, independente do preço. Até o momento, sem dúvida alguma, o melhor filme de heróis já produzido. Méritos para todo o elenco (com certeza mutantes de verdade), os roteiristas e ao diretor Bret Ratner, que respeitou o trabalho iniciado por Brian Singer dando continuidade a ele e fazendo algo que talvez nem o próprio Singer conseguisse. O melhor filme do ano!!!

O Código da Vinci

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Direção: Ron Howard.
Elenco: Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno, Paul Bettany, Alfred Molina, Jürgen Prochnow, Jean-Yves Berteloot, Etienne Chicot, Jean-Pierre Marielle.

Finalmente estreou o tão esperado (!) e polêmico filme do ano. Desde A Paixão de Cristo não se fazia uma celeuma a cerca de um filme. E graças a tanto rebuliço por parte de xiitas imbecis, O Código da Vinci se tornou a segunda maior bilheteria de estréia até hoje. Se vale a pena assistir? Coma bosta, milhões de moscas não devem estar erradas. Brincadeirinha. Se fosse para pendurar um rótulo seria: nem tanto. Porque não é tão ruim quanto a crítica falou, nem tão bom quanto a bilheteria faz parecer. Não vou entrar no mérito da qualidade literária do livro do Dan Brown, eu só sei que até quem não sabe lê, leu. Mas a grande falha do filme é justamente acreditar nessa última frase. Pois nem todos leram o livro, não era pra ser pré-requisito. E como diria um sábio: filme é filme e livre é livro (o mesmo inventor do clássico é clássico). Para suprir a necessidade de tanta informação foi usada a técnica dos flashbacks, que é legal quando bem usada, mas não é o caso. Fica difícil para mim que leu o livro, saber se alguém que não leu o livro vai entender completamente o filme. Mas se for para apostar eu digo: duvido que entenda completamente. Buracos dignos de um queijo suíço. Por falar em comida, mas que vergonha um casal de protagonistas tão sem sal. Hanks até tenta, mas é limitado pela pouca chance de apresentação do seu personagem. Já nossa Amelie Poulain está apagada, sem ritmo, sem química, sem física, matemática, inglês, etc. Depois de celeuma, é a vez de usar a palavra sinestesia, que falta de sinestesia entre esse casal. Já nosso Magneto, Gandalf, mata a pau como sempre, e só não mostra o pau porque ele gosta é da cobra (ui!). No bom e velho malandrês, o velho se garante. Se Ron Howard fosse esperto, teria se preocupado mais com o roteiro, teria retirado apenas a boa trama do livro e deixado de lado tanto clichê que tem nos livros do Dan Brown. Mas o que mudou não melhorou em nada, e algumas vezes até piorou. Para agradar a todos ele fez um Langdon defensor da Igreja Católica (que meigo, que politicamente correto, se não fosse um lixo). Na tentativa de agradar todo mundo e abraçar o mundo com as pernas acabou sumindo algo, e sabemos aonde foi parar. Mas uma história assim precisa ser contada no cinema. Estava tudo pronto, era só filmar, mas ainda erraram, e muito.

Missão Impossível 3

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Direção: J.J. Abrams.
Elenco: Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup, Michelle Monaghan, Simon Pegg, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Keri Russell, Laurence Fishburne.

Podem falar o que for, mas Tom Cruise é um cara esforçado. Ele se mete em muita roubada, faz cada filme ruim, mas é empenhado naquilo que faz. Não tem quem diga que ele não seja um agente secreto quando participa da franquia Missão Impossível. O cara corre, pulas, atira, chuta, como se realmente fosse de verdade. E na terceira franquia não é diferente das outras, arriscaria dizer a melhor. Prepare-se para mentiras de ótima qualidade. Digna de filmes como True Lies e A Outra Face. Momentos tensos que parecia o seriado 24 Horas, e Jack Bauer agora é Ethan. Explosões de dar inveja a Michael Bay. O filme repete a fórmula dos outros, ou seja, tem uma mulher no meio, um lugar extremamente difícil para entrar, um plano perfeito (!) e reviravoltas envolvendo máscaras, vozes e uma trama que confunde um pouco quando explicada depois de tanta explosão e uma rede de intriga. O mérito vai para J.J. Abrams, o famoso co-criador do também famoso seriado Lost, e obviamente para Cruise, o filme é dele. Se você não tem ideia porque Hoffman ganhou o último Oscar por Capote então veja MI3 e entenderá a transformação que o ator fez para fazer Capote. Já me senti muito intolerante quanto a filmes pipoca, mas descobri que não gosto mesmo é de filme ruim. E esse é Pipoca de Ótima Qualidade.

 
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