Direção: Hany Abu-Assad.
Elenco: Kais Nashef, Ali Suliman, Lubna Azabal, Amer Hlehel, Hiam Abbass, Ashraf Barhom, Mohammad Bustami.
Depois de ver o ponto de vista do cinema americano sobre os homens por trás de atos terroristas suicidas no excelente “Syriana”, temos o grato prazer, de ver esse polêmico tema a partir do ponto de vista de um cineasta que faz parte desse meio. Ou seja, em “Paradise Now”, temos a oportunidade de conhecer o lado de lá sem correr o risco de cair no preconceito maniqueísta ao qual nos habituamos, principalmente após o fatídico 11 de Setembro de 2001.
Said (Nashef) e Khaled (Suliman), são dois amigos de infância que vivem em uma destruída cidade palestina (campo de refugiados), onde a miséria, a falta de oportunidades e o revanchismo contra Israel ocupam a cabeça de boa parte dos seus cidadãos, em especial os mais jovens. Said e Khaled são chamados então, por um grupo ultra-radical, a se tornarem homens bomba e realizar um atentado contra soldados israelenses na belíssima e “americanesca” Tel Aviv. O plano sofre um sério revés quando os amigos se separam e tem que alterar todo o plano de ataque. É nessa busca, um pelo o outro, que as principais questões do filme são colocadas, e onde também é discutido o próprio sentido de como reagir a uma situação como essa enfrentada pelos personagens. O que os motiva e até onde essas motivações podem levá-los?
A partir daí, o ótimo diretor/roteirista Hany Abu-Assad, passa a mostrar algumas razões que levam pessoas simples e comuns, sem nenhuma espécie de radicalismo político ou religioso, uma forte ligação familiar, a tomar formas tão drásticas de combate. Estariam os homens bombas realmente convictos da necessidade de se explodirem, no intuito de destruir alvos considerados inimigos? Seria a violência a melhor forma de lutar contra um sistema opressor, mesmo sendo ele exageradamente violento, como comprovadamente foi Israel em relação à Palestina?
Hany Abu-Assad também busca quebrar com seu filme alguns dos estereótipos em relação ao povo palestino, mostrando a heterogeneidade de pensamento daquele povo, que também acredita em formas pacíficas de luta como alternativas à violência. E apesar de ser uma produção palestina, e a história ser toda focada no ponto de vista desse povo, em nenhum momento ocorre uma demonização judia, bem diferente do que é visto em algumas declarações do governo americano, constantemente reproduzidas pela mídia e alguns filmes de Hollywood, onde o maniqueísmo e o medo do “terror” são recursos de uso constante.
Nota dos Leitores para “Paradise Now”
2 Votos
Nota média: 5
Aproveite e deixe um comentário com sua opinião sobre o filme.

7/6/2006 às 12:04
legal meu primo, um filme 5*
vou ver. Viu aonde?
7/6/2006 às 19:02
Vi no Dragão, mas já tem em dvd. Pense num filme do final sensacional. Chocante como o de Syriana.
8/6/2006 às 02:53
ótima dica! alias, ja que ta falando nisso, qual a tua visao pro final do filme? ficou meio aberto o Sai’d ali sozinho no onibus e o clarao branco.explodiu o onibus? era o paraiso?
8/6/2006 às 17:50
SPOILERSPOILERSPOILER
Meu caro Edge, o final de “Paradise Now”, apesar de contundente como o de “Syriana” como coloquei na critica, possui uma dubiedade que o filme de Clooney não possui. Minha opinião pende mais para a explosão devido a forte convicção do personagem em levar sua missão até o fim. Mas podemos fazer outras leituras a partir da cena, já que o amigo dele, no início, era o maior entusiasta em relação a ser homem bomba, enquanto ele não queria.
9/6/2006 às 01:01
Eu to doido pra ve esse filme, mas sempre que penso em alugá-lo eu acabo me distraindo com outro filme. Vou ver se consigo alugar esse fim-de-semana. E olha só, eu mudei de blog!!! Passei do http://www.cinefilo.blogger.com.br para o http://www.cinefilo-online.blogspot.com apenas para organizar mais as minhas críticas!!!
10/6/2006 às 22:01
Pareceu-me interessante e pretendo assistir assim que for possível. Quanto ao maniqueísmo das declarações de Bush, que demonizam árabes em geral, só digo uma coisa: “O medo é uma ótima fonte de obediência cega!”.
11/6/2006 às 10:56
Conforme eu já imaginava, me parece ser um interessante contraponto a “Munique”. Pretendo assistir. Um abraço!
14/6/2006 às 17:45
Estou louco para assisti-lo, já está na minha lista, deve ser muito bom mesmo.
Aliás, meu blog, Cinemania S.A mudou de endereço, é só clicar ali em endereço, já aproveite e visite o meu, publiquei uma lista de alguns poucos filmes que assisti recentemente. Até mais!
5/7/2006 às 09:45
Vou ver claro. Ainda mais depois da excelente sinopse apresentada.
Alguém aí já viu (na linha) “Intervenção Divina”? Se sim, qual a cena mais maneira?
abraços aos cinéfilos.