Direção: Spike Lee.
Elenco: Denzel Washington, Clive Owen, Joadie Foster, Willem Dafoe.
Dalton Russell, personagem de Clive Owen, abre o filme informando diretamente ao espectador que conseguiu realizar o assalto à banco perfeito. Após sua pequena fala, somos levados diretamente até o banco em questão, já no momento da chegada da quadrilha comandada pelo ator. Passamos a acompanhar, então, três frentes. Uma guiada pelos assaltantes, onde não sabemos quais os passos que eles tomarão para atingir o dito por Owen no início do filme. Outra comandada por Keith Frazier (Denzel Washington), aparentemente honesto e muito competente, detetive de polícia que vê o assalto como uma forma mais rápida de ascensão em sua carreira. E por fim, Madeline White (Jodie Foster), uma misteriosa executiva (possuidora de uma influência assombrosa, inclusive no meio político) que tem como trabalho proteger um precioso objeto que se encontra dentro do banco.
Apesar de já no primeiro momento, ficar claro que o que os assaltantes procuram, é justamente o que Madeline White tem que proteger, o filme não perde nada com isso, concentrando suas surpresas na forma em que o roubo é conduzido (achei genial) e principalmente nas relações entre as três frentes. O misterioso assaltante, o obstinado policial e a arrogante executiva.
As críticas sociais do diretor, apesar de mais sutis que em outros filmes de sua filmografia, estão sempre presentes, seja em momentos mais claros, como no caso do tratamento dado pela polícia a um funcionário do banco com características árabes, ou em momentos mais discretos, mas não menos fortes, como quando um cartaz com a frase “Nunca Esqueceremos”, com uma imagem das duas torres, como plano de fundo em um certo diálogo do filme. A arrogância e prepotência da personagem de Foster também pode ser vista como uma alusão à truculenta e desrespeitosa política internacional do Sr. George W. Bush (ou seria White o sobrenome da personagem por acaso?).
Um forte sentimento de tensão está presente durante todo o filme, já que o assalto envolve reféns (algo mais ou menos novo nos muitos filmes de assalto feitos ultimamente). A atuação do elenco é algo a se destacar, como esperado em um elenco tão bom.
Preparem-se então, para mais uma ótima viagem com o mestre Spike Lee.
Nota dos Leitores para “O Plano Perfeito”
2 Votos
Nota média: 4.5
Aproveite e deixe um comentário com sua opinião sobre o filme.


10/4/2006 às 11:39
achei bem bacana. Engracado foi ouvir dois caras no cinema falando: Esse Spike Lee é bom fazendo filme de violencia. Quase morro de rir. Eles nunca ouviram falar em Malcom-X
15/4/2006 às 15:39
Turambar, suas observações são tão perfeitas quanto o crime do filme. Boa Páscoa!
17/4/2006 às 13:35
Interessante ver como a criatividade realmente não tem limites. Com uma boa história e bons personagens, até um filme de assalto ainda pode ser bom.
29/4/2006 às 09:45
Obra-prima contemporânea do gênio Spike Lee que não produz algo significativo na sétima arte a bastante tempo. Seus últimos filmes andaram meio em baixa, mas, após utilizar-se (inteligentemente) da antiga parceira com Denzel Washington - do ótimo Malcolm X -, o diretor retorna a cena e volta a figurar entre os mestres do cinema atual. Ótimo blog. Voltarei aqui mais vezes.Abraços de um admirador de blogs alheios e fã de cinema
3/5/2006 às 11:36
Só vi agora (ando sempre atrasado) e gostei muito. Spike Lee mais uma vez mandando muito bem. E o Denzel Washington ficou muito bem no papel do policial arrogante. Bom também ver a Joadie Foster fazendo papel de megera, manipuladora. Uma boa estória, com ótimos atores bem conduzidos = bom filme.
25/5/2006 às 13:34
Me amarro no Spike Lee, desde “Faça a coisa certa”, mas este filme não faz justiça a carreira dele. É burocrático e cheio de clichês, como todos os filmes de assalto a banco. As questões raciais, sempre presente em seus filmes, são suavemente tratadas, como em qualquer filme americano atual.
Vou aguardar seu próximo filme, satisfeito em saber que o cara ganhou uma graninha fazendo um filme dentro do padrão exigido pela indústria do cinema americano.
Abraços e parabéns pelo blog, é muito bom.