Cinéfilos » 2006 - Blog de cinema com críticas e comentários sobre filmes
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As Torres Gêmeas

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Direção: Oliver Stone
Elenco: Nicolas Cage, Michael Pena, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Connor Paolo, Stephen Dorff.

Devo confessar que dei pulos de alegria no dia em que o mundo conheceu a vulnerabilidade do país mais rico do mundo através do pandemônio arquitetado por Osama Bin Laden no dia 11 de setembro de 2001. Muito da arrogância e prepotência ianque ruiu juntamente com as torres do World Trade Center. Infelizmente, aquele velho ditado de que “pra se fazer uma omelete, tem que se quebrar alguns ovos” entra perfeitamente nesse caso e como em toda guerra, o pior sobra sempre para quem não tem nenhuma culpa no cartório. Muitos inocentes morreram (mais de 2.700 vidas foram tiradas nesse dia – nada comparado as mais de 600.000 ceifadas no Iraque desde a absurda e inconseqüente invasão dos donos do mundo), isso é um fato, mas o maior culpado por essas mortes, quem seria? Osama Bin Laden e sua Al Qaeda, ou os milhões de eleitores americanos, que colocaram em seu trono de ouro o inepto George W. Bush? Eu tenho uma opinião formada a esse respeito, mas voltemos ao filme em questão, que é o que realmente interessa.

Oliver Stone se redime de sua última bomba (o horrível “Alexandre”), em um bom filme a partir de uma história verídica, além disso, seu filme por ser visto como uma grande homenagem às pessoas que participaram diretamente da destruição causada pelo atentado terrorista ao WTC. Policiais, bombeiros, para-médicos e militares que arriscaram e perderam a vida tentando retirar as pessoas das torres mais famosas do mundo.

Os protagonistas são Nicolas Cage e Michael Pena que interpretam, respectivamente, os policiais John McLoughlin e Will Jimeno (que participaram diretamente na produção do filme, colaborando com seus intérpretes). McLoughlin e Jimeno foram enviados até as torres após o choque do primeiro avião com o prédio, com o intuito de retirar feridos e com total ignorância sobre o que estava realmente ocorrendo, os policiais tiveram seus planos completamente frustrados e passaram a lutar pela própria vida ao ficarem presos nos destroços da torre que desmoronou quando eles ainda se encontravam no saguão. Paralelamente, acompanhamos as reações de ambas as famílias e seus desesperos em busca de informações sobre os parentes. O roteiro de Andrea Berloff merece um grande elogio nesse momento, já que ele consegue realmente transmitir uma sensação de medo, tristeza e principalmente esperança, não caindo no erro de dar uma patriotada e destilar o conhecido veneno americano contra os executores dos atentados. Aliás, talvez essa seja a maior qualidade do filme de Stone, já que em nenhum momento somos apresentados a uma visão dos responsáveis pelos atos. Stone e Berloff se focalizam em mostrar apenas o lado dos policiais em suas lutas pela sobrevivência e suas respectivas famílias.

E exatamente onde se encontra a maior qualidade de “As Torres Gêmeas” (no caso, o seu foco), também encontramos seu maior defeito. O excesso na utilização de cenas dramáticas acaba tornando alguns momentos do filme um pouco piegas, melodramáticas. Duas cenas provam perfeitamente isso (e até podem ser entendidas como sutis alfinetadas do roteiro e direção à religião de Maomé, de onde a motivação para os atentados foi claramente tirada). A primeira é a cena em que o policial Will Jimeno, ainda nos escombros e já a ponto de perder as esperanças de ser resgatado com vida, tem uma visão de Nossa Senhora, a segunda é ainda pior, pois trata de um fuzileiro que vai até o WTC ajudar na busca de sobreviventes por ter recebido uma ordem do próprio Deus, e adivinhem quem encontra os protagonistas? Esses momentos podem até ser realmente verídicos, mas em minha opinião, completamente descartáveis.

O bom elenco do filme ajuda a dar veracidade á obra e aproximar-nos do sofrimento dos personagens envolvidos. É praticamente impossível conter as lágrimas em alguns momentos. Enfim, o novo trabalho de Oliver Stone possui muito mais acertos do que erros e inicia a provável avalanche de filmes relacionados a esse tema que ainda serão produzidos.

Dália Negra

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Direção: Brian De Palma.
Elenco: Josh Hartnett, Aaron Eckhart, Hilary Swank, Scarlett Johansson, Mia Kirshner, Mike Starr, Fiona Shaw, John Kavanagh, Gregg Henry, Jemima Rooper, Rose McGowan.

Gostaria de entender e conhecer tanto de cinema quanto meus amigos e críticos que eu leio pela internet, mas infelizmente eu não sei fazer um resumo sobre Brian De Palma, justificando todas as suas características, qualidade e defeitos. O que posso dizer é que Dália Negra é um dos filmes tecnicamente mais perfeitos que eu já, algo que vai além da fotografia simplesmente, são ângulos, enquadramentos, uma aula de cinema nesses quesitos. Então no mínimo eu preciso reconhecer a qualidade do responsável por Scarface.

Um elenco de jovens promissores atores, porém apagados de certa forma, ou sem o impacto que um filme passado nessa época e dessa magnitude necessita. Não que eles atrapalhem o filme, mas merecia atuações melhores. O outro revés é o roteiro confuso, com muitas histórias paralelas e mudanças de rumo a todo instante. E o aguardado final, na hora de amarrar as pontas soltas do confuso roteiro, mais confusão ainda. Confesso que me sinto em dúvida até agora sobre algumas passagens do filme.

Resumidamente é isso, não estou aqui pra dar um selo de aprovado ou reprovado, então as cartas estão na mesa, cada um decide se deve ou não apostar.

Xeque-Mate

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Direção: Paul McGuigan.
Elenco: Josh Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Bruce Willis, Lucy Liu, Stanley Tucci, Michael Rubenfeld, Mykelti Williamson, Sam Jaeger, Danny Aiello, Scott Gibson, Robert Forster.

Preciso ter muito cuidado para não falar bobagem e estragar o filme para quem ainda não viu. Então eu só posso encher de elogios e não falar nada da história. Pra falar a verdade eu prefiro dizer que filme é muito legal, inteligente, do que dizer que essa é a história de um cara comum que tinha uma vida comum e que matou um bandido, que amava fulano, que tinha AIDS, e morreu de câncer. Famosos e não famosos “críticos” adoram fazer isso. O Pablo, do cinema em cena, cita até frases. Mas é um cara que escreve bem e tem boas dicas e opiniões sobre filmes. Então eu simplesmente vejo a nota, leio bem por cima, vejo o filme e só depois leio a crítica na íntegra. Geralmente quando cito a história em si é mais pra enchimento de lingüiça, porque se um filme é legal, a trilha é boa, a fotografia é bela, a trama é bem bolada, as atuações são legais, não tem necessidade alguma de citar cenas, ou nos detalhes que só estragam a surpresa de quem está lendo. A minha idéia é mais do “recomendo, veja que é bom”.

Mas obviamente isso não convenceria ninguém, talvez apenas quem já confie tanto na pessoa que escreve. O que eu posso dizer é que não saia da sala antes do final do filme (isso deveria ser lei e não recomendação), mesmo que o filme pareça confuso, pouco convencional, dê uma chance ao filme, que garanto que na meia hora final você vai ver que valeu a pena.

E o quanto é difícil e inteligente fazer um filme como esse. Lembrei bastante de filmes como Snatch e Jogos, Trapaças e dois Canos Fumegantes, do Guy Ritchie. Onde histórias soltas, sem nexo acabam se entrelaçando no fim e fazendo um grande sentido. Quando bem feito sempre funciona essa fórmula. A idéia é deixar o filme te levar, sem a neurose de tentar adivinhar, pois você acaba perdendo as outras qualidades do filme além do excelente, bem montado e editado roteiro. Xeque-mate tem um elenco de peso como devem ter lido, e não poderia deixar de funcionar. Ajudados pelos ótimos diálogos não tem erro, é batata, divertido, inteligente, engraçado e imperdível.

Miami Vice

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Direção: Michael Mann.
Elenco: Jamie Foxx, Colin Farrell, Gong Li, Luis Tosar, John Ortiz, Naomie Harris, Ciarán Hinds, Justin Theroux, Elizabeth Rodriguez, Eddie Marsan, John Hawkes, Barry Shabaka Henley.

Se ainda fosse Trovão Azul eu poderia dizer que lembro e vi uns episódios. Mas apesar do nome ser familiar eu nunca vi um episódio sequer de Miami Vice. Dizem que os ignorantes são mais felizes. Nem caso não me tornou feliz, mas eu prefiro analisar algo evitando comparações, torna mais imparcial, se é que existe isso. Percebe-se com clareza que parece ser um episódio estendido. Talvez por isso a reclamação maior seja que o filme é longo, meio chato, pouca ação. Concordo em parte, fica meio obvio que o filme precisava de mais ação, e a forma da apresentação é bem bolada, dando entender que vai acontecer algo, mas é apenas uma missão que acaba não dando em nada. Apesar dessa falha, a palavra que define Miami Vice é crível. A cada cena você percebe o cuidado com a veracidade. Nada de exageros, carros explodindo, tecnologias inexistentes. Tudo é perfeitamente possível. Acredito que trouxeram Miami Vice para o nosso século, só esqueceram de tirar o “mullet” do Colin Farrell. Não é uma grande trama policial, como falei antes, parece ser apenas mais um episódio num formato pra cinema, respeitando as regras do novo habitat, diferente do que aconteceu com Os Normais, que evidentemente não funcionou como filme, era forçar demais. Enfim, dois policiais parceiros, amigões e tal, numa missão juntos, infiltrados, momentos de paixão, não entre eles (pensei em terminar com “claro”, mas soaria muito machista), e por falar em paixões, as cenas de sexo foram extremamente bem elegantes, fugindo um pouco do óbvio, e o mais importante, sem apelas tanto. Uma trilha sonora bem encaixada e temos um filme legal de se ver. Como vivemos na moda da falta de criatividade, quem sabe um dia fazem uma refilmagem do seriado? Não duvido. Mas acho que já temos Jack Bauer.

A Casa Monstro

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Direção: Gil Kenan.
Elenco: Mitchel Musso, Sam Lerner, Spencer Locke, Steve Buscemi, Nick Cannon, Matthew Fahey, Maggie Gyllenhaal, Kathleen Turner, Jason Lee.

D.J. é um garoto comum, membro de uma família comum, residindo em uma rua comum, de um bairro comum em uma cidade comum. Entrando, começando a enfrentar a puberdade e fascinado em observar os atos de um vizinho recluso, D.J tem toda essa normalidade de sua vida quebrada, quando ele e seu atrapalhado amigo, Bocão, tem que pegar uma bola de basquete no gramado da casa do tal vizinho recluso, que odeia crianças e quem quer que chegue próximo de sua casa, que por sinal, é digna dos melhores filmes de terror já feitos. O confronto entre as crianças e o velho acaba em um terrível acidente, que leva ao despertar de algo muito mais assustador e perigoso que as costumeiras rabugices do dono da casa. Então, quando uma menina é atacada pela casa e os amigos decidem salvá-la, eles passam a lutar de todas as formas contra os perigos criados pela demoníaca Mansão.
Steven Spilberg e Robert Zemecks se unem ao diretor Gil Kenan para realizar “A Casa Monstro”. Uma animação nos mesmos moldes do, para mim, razoável “Expresso Polar”, com a utilização da tecnologia que capta os movimentos diretamente de atores de carne e osso e digitaliza-os na tentativa de torná-los mais reais. Mas nesse caso, a animação não é utilizada na tentativa de recriar com perfeição as formas humanas dos atores por trás das vozes, e a preferência aqui está na criação de formas mais cartunescas para os personagens, o que torna o filme muito mais divertido e verdadeiramente com cara de desenho animado. Mas mesmo se tratando de uma animação protagonizada por crianças e criada direcionada a esse público, “A Casa Monstro” possui uma história que pode até ser considerada um pouco pesada (uma casa sedenta de vingança e engolidora de pessoas não é algo muito leve ou infantil), cheia de momentos realmente assustadores. Por outro lado, o filme é repleto de cenas alucinantes, misturadas com um ótimo senso de humor que com certeza agradará bastante os pimpolhos e seus acompanhantes.
Como defeito, a história apresenta alguns absurdos primários e impressionantes como: a ausência de pessoas nas ruas, mesmo com todo o barulho e destruição causados pela casa enlouquecida em determinado momento do filme; D. J. apresenta sinais de sua puberdade logo no início do filme, o que não é mais abordado em nenhum momento, o que torna a cena, engraçada por sinal, completamente desnecessária; em determinado momento do clímax do filme, um paciente chega à casa em uma ambulância, e parece que os animadores simplesmente esqueceram de incluir os para-médicos que deveriam acompanhar o paciente; e por aí vai. Felizmente, nada que estrague o filme, que vale muito a pena ser visto.

A Dama Na Água

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Direção: M. Night Shyamalan.
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Bob Balaban, Jeffrey Wright, M. Night Shyamalan, Cindy Cheung, Freddy Rodriguez, Bill Irwin, Mary Beth Hurt, Noah Gray-Cabey, Jared Harris.

Desde que criou o excelente Sexto Sentido, Shyamalan carrega uma cruz pesada perante os expectadores de seus filmes. Todos esperam ser surpreendido no final. Entre tantas comparações absurdas, tipo Robinho com Pelé, Shyalaman já foi comparado a Hitchcock, o que parece tão absurdo quanto o exemplo dado. A questão é que não deve ser fácil ser Shyamalan. Isso por culpa da crítica, dos expectadores, e grande parte pelo ego inflado quando decidiu peitar tudo e todos realizando esse projeto. A verdade é que o indiano tem crédito, e esse fardo de Sexto Sentido também tem seus benefícios. Quem deixaria de ver um filme “daquele mesmo cara que fez” Sexto Sentido? Mas infelizmente o público vai se sentir enganado dessa vez. Pra mim, o indiano vem tropeçando a cada filme, principalmente nos roteiros pouco inspirados e com muitas falhas. Continua com sua ótima direção e ângulos de câmera interessantes. O próprio diretor, percebendo a fragilidade de seu roteiro, decide criar personagens e cenas para que seu filme se autodefenda. Shyalaman usa o personagem de um crítico de cinema com o simples intuito de ignorar a crítica. E em determinado momento ele sugere que para gostar do seu filme você tem que pensar como criança. Devo concordar um pouco o primeiro argumento, contradizendo assim a mim mesmo, mas não tem como negar, com que razões você pode julgar um trabalho que alguém fez durante meses, com esforço e coração, como se pode uma única pessoa apontar falhas, dar uma nota, para um projeto que envolve centenas de pessoas? Complexo, pois por outro lado cada um tem o direito de ter sua opinião. O problema é que querendo ou não a crítica é sim formadora de opinião para mentes fracas, assim como toda a mídia em si. Não vou entrar no mérito dessa discussão. O que eu não posso concordar é com o segundo argumento, e acho que faltou foi humildade pra ele saber que aquilo realmente é só uma historinha improvisada pra embalar crianças com sono, nada mais que isso. E tudo fica claro no quão absurdo a coisa se transforma. O que é uma pena para, assim como eu, os fãs de Paul Giamatti, que verão um excelente ator ser tão mal usado, sem contar com uma gagueira totalmente desnecessária. Enfim, como li outro dia: experiência é tudo aquilo que você fez e deu errado.

Click

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Direção: Frank Coraci.
Elenco: Adam Sandler, Christopher Walken, Kate Beckinsale, David Hasselhoff, Katie Cassidy.

Por mais que digam que cinema é diversão, que devemos tirar um dia pra ir ao cinema simplesmente pra pagar caro e ver um filme ruim e achar bom. Discordo completamente, até acredito que um dia na vida você tenha essa vontade louca de ver um filme sessão da tarde. Mas precisa ser no cinema? Precisa pagar tão caro? Com o valor de entradas pro cinema você pode alugar vários filmes ruins, ops, água com açúcar. Sem contar que alugando você pode pausar, ir ao banheiro, adiantar nas partes chatas. Enfim, tem hora e lugar pra tudo, mas, por favor, cinema é muito caro pra ver filme ruim. Você pode até errar por desconhecimento, mas ir a um filme que tem como protagonista Adam Sandler é um risco e tanto. Da mesma forma que critico filmes de zumbi, comédia e/ou comédia romântica também segue o mesmo padrão, talvez porque não exista outra forma de fazer? O que eu não acredito. Esse tipo de filme oscila entre as comedias pastelão tipo Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e humor inteligente como em Melhor Impossível. Portanto, podemos até chamá-los de medianos, no próprio sentido da palavra. A fórmula é rir, chorar, rir, e com uma lição de moral bem rasa trafegando nessas “fases”. Um filme que a parte mais engraçada é usando a flatulência não pode ser confiável, e se tiver torta na cara, ih, nem tente. A recomendação é esperar o DVD. Sabem, cada vez me sinto mais como os caras da loja de discos em Alta Fidelidade.

Silent Hill

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Direção: Christophe Gans.
Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Jodelle Ferland, Alice Krige, Kim Coates, Tanya Allen, Emily Lineham, Eve Crawford.

Depois de muitos fracassos, o que não é difícil, eis que surge um filme de terror que vale a pena ser visto. Hollywood anda mesmo sem idéias, até a horrenda re-filmagem de A Profecia foi fraca demais. Então que tal copiar dos games? Até que não é uma péssima idéia, beber de outra fonte. Se bem que se olhar pra trás não veremos tanto sucesso assim. Final Fantasy não foi nada além de plasticamente bonito de se ver, mas pelo que conheço não tem nada a ver. Residente Evil também não chega a ser essa maravilha toda, portanto arrisco dizer que essa é a melhor adaptação que já vi dos games. Alguém já viu Doom? Pois bem, pelo título do post vocês devem perceber meu sutil protesto quanto ao título ridículo e caricato que o filme recebeu aqui no Brasil, pra variar. Eu me recusei a usar o termo “Terror em…”, considero desnecessário. Não sou um grande jogador de games, arrisco uns passos mas não chego a ser um expert como alguns amigos que tenho. Inclusive ontem mesmo enquanto conversávamos surgiu o assunto desse filme. A fidelidade da tensão, obviamente com alterações, porém perfeitamente aceitáveis, visto que livro é livro e filme é filme, então jogo é jogo e filme é filme. Somos presenteados com uma fotografia brilhante, além de um belo figurino, muito bom mesmo. Considerando que não precise de grandes atores em filmes do gênero, basta ver a caça vampiros (espero que o fã clube dela não leia isso, por isso evitei escrever tal nome), acho que o casting foi bem feito. Uma mulher que convence, uma criança bizarra e um marido desesperado. Silent Hill tem um roteiro pouco simples, pra não dizer confuso, e talvez você tenha a sensação de que o filme não explicou tudo direitinho, pelo menos essa foi a minha sensação, o que não quer dizer que seja um roteiro ruim, quem disse que tudo deve ser explicado? O cinema, ainda bem, não segue tantas regras assim. Silent Hill assusta sem ser caricato, sem a profundidade rasa da maioria dos filmes do gênero, algumas lições de moral, a maldita intolerância de sempre e uma cena envolvendo arames farpados e muito sangue. Pra que melhor?

Superman – O Retorno

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Direção: Bryan Singer.
Elenco: Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Frank Langella, Parker Posey, Sam Huntington, Eva Marie Saint, Kal Penn, David Fabrizio.

Pois bem, depois de um bom tempo fora das telas, roteiros jogados fora, diretores sondados, atores preteridos, finalmente o azulão está de volta. O ponto de partida considerado foi Superman II, que na minha humilde opinião é bem inferior ao Superman I, mas isso não vem ao caso. Na ocasião o Super havia derrotado Zod e sua gangue, feito amor com Lois, e no final usou o beijo do esquecimento, e a coitada da Lois não sabe mais que o Clark é o Super, ou vice-versa. Coloque uma janela de cinco anos, e pronto, podemos começar a falar de Superman – O Retorno. O Super havia passado todo esse tempo em busca de resquícios de seu planeta natal, Lois Lane se tornou mãe e está noiva do sobrinho do diretor do Planeta Diário. Lex Luthor está estranhamente em liberdade, por uma razão ainda mais estranha, e continua maquinando a mesma coisa de sempre. O esqueleto do roteiro, se é que usam esse termo pra roteiro, é quase idêntico ao do Superman I, o que tornou a história um pouco cansativa e obviamente repetitiva. Ao mesmo tempo eu banco o advogado do diabo e penso: como você faria para matar o Super? Todos sabemos a resposta. Não tem como fugir, é a fraqueza, o calcanhar de Aquiles do cara. O casting não foi dos mais felizes, atores jovens pro papel do casal principal. Mas pior que a aparência foi ver uma Lois sem um pingo de “eletricidade” da Lois de Superman II, uma Lois extremamente meiga, talvez seja a maternidade que mudou a vida dela, mas foi muito estranho essa mudança. O “destaque” dela é simplesmente ter um olho azul e outro verde. Brandon não chega a fazer feio, foi até bem demais, porém não conseguiu o mais importante em ser Superman, que é se dividir em dois, Clark e Superman, que obviamente vai bem mais além de um óculos e uma cabelo. Não chega a comprometer o filme, mas se você ver o Superman I perceberá o que estou falando. Singer tentou agradar à todos e reuniu características de tudo relacionado ao Super, obviamente os filmes anteriores, os famosos quadrinhos e, para minha grata surpresa, Smallville. Entendo a dificuldade de lidar com um ícone desse tipo, mas O Retorno não foi essa maravilha toda, apesar de todo seu aparato técnico de excelente qualidade, que pela grana gasta não poderia ser diferente, o filme fica devendo uma boa parte de aventura, como deve ser toda história de super-herói. Nada contra um Superman emotivo, eu inclusive gostei muito do Hulk do Ang Lee. Por causa da parte técnica excelente você pode sair do cinema com a idéia de ter visto um excelente filme, mas espere a adrenalina baixar, pense bem e deixe a razão dominar e vai perceber que é um bom filme, até melhor que Superman II, mas bem inferior ao Superman I. Recomendo que revejam os filmes anteriores, mesmo que isso apague um pouco o brilho da sua nostálgica lembrança de infância. Afinal de contas, coisas boas não envelhecem, mas infelizmente a maturidade é cruel e pode tornar algumas coisas que eram boas ruins.

Superman II, A Aventura Continua

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Direção: Richard Lester.
Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Ned Beatty, Jackie Cooper, Margot Kidder, Valerie Perrine, Terence Stamp, Sarah Douglas, E.G. Marshall.

A idéia inicial consistia em filmar os dois primeiros filmes da série juntos, como Peter Jackson fez na trilogia “O Senhor dos Anéis”. Problemas com a produção acabaram afastando Richard Donner da direção e colocando Richard Lester em seu lugar. Apesar de perder um pouco da profundidade nessa segunda parte, os produtores não mudaram quase nada e seguiram o que já estava previsto, inclusive aproveitando a maioria das cenas já realizadas por Donner. E é exatamente por isso, que essa continuação perece muito mais com um segundo ato de uma obra maior, do que um outro filme.
Logo no início do primeiro filme, quando éramos apresentados a Jor El (Marlon Brando), acompanhamos o julgamento de três Kryptonianos, liderados pelo temível General Zod (Terence Stamp sensacional, com sua maravilhosa frase: “Ajoelhe-se perante ZOD!”), condenados pelo Conselho de Anciãos de Krypton, por tentarem realizar uma revolução no planeta, a passar a eternidade em um terrível local chamado “Zona Fantasma”. Jor El, decisivo em suas condenações é então, ameaçado de vingança por Zod. Muitos anos se passam e ao salvar mais uma vez o mundo de uma catástrofe nuclear e atirar o devastador artefato no espaço, Superman, sem querer, acaba libertando os kryptonianos de sua prisão. Chegando à Terra, os três iniciam uma grande destruição e tentativa de dominar o mundo sob ordem do General Zod e a ajuda, bem pequena diga-se de passagem, de Lex Luthor (Hackman), que nessa continuação torna-se definitivamente, e infelizmente, o personagem cômico do filme, distanciando-se ainda mais do arquiinimigo do Homem de Aço, tão perigoso nos quadrinhos.
Em Superman II, vemos ainda um grande aprofundamento da relação entre Clark (Reeve ainda mais confortável no papel) e Lois (Kidder) e seu dilema em continuar como herói ou abdicar de seus poderes e tornar-se uma pessoa “comum”, podendo assim viver tranqüilo ao lado de sua escolhida. Já Zod assume aqui o papel de grande vilão da história, já que possui os mesmos poderes do Super e ainda descobre que o mesmo é Kal El, filho de seu odiado algoz. Poderia então, Zod aproveitar-se das dúvidas do Superman para assim derrotá-lo e humilhá-lo, vingando-se assim, de Jor El.
Apesar de não possuir a carga dramática que o primeiro possui, essa continuação aposta nas cenas de ação para segurar o filme. E acerta em cheio ao mostrar um herói com poderes mais limitados, com combatentes a sua altura e que juntos poderiam até chegar a derrotá-lo, necessitando o herói, utilizar artifícios paralelos à sua força bruta. Cenas impressionantes, como a invasão da Casa Branca (quase idêntica à cena da invasão de Noturno em X-Men 2) e a grandiosa luta no centro de Metrópolis.
Mesmo sendo latente a ausência de Richard Donner, os responsáveis conseguiram segurar as pontas, mantendo todo o ufanismo (o filme termina com Superman colocando de volta a bandeira dos Estados Unidos na cúpula da Casa Branca e prometendo nunca mais abandonar o seu povo) a ingenuidade e inocência de seu antecessor, fazendo mais um filme memorável do herói.

 
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