Cinéfilos » 2005 - Blog de cinema com críticas e comentários sobre filmes
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Hora de Voltar

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Direção: Zach Braff.
Elenco: Zach Braff, Natalie Portman,Kenneth Graymez, George C. Wolfe, Austin Lysy, Gary Gilbert, Jill Flint, Ian Holm, Peter Sarsgaard, Alex Burns, Jackie Hoffman, Michael Weston, Christopher Carley, Armando Riesco, Amy Ferguson, Trisha LaFache.

Um bom drama exige boas atuações e um bom roteiro, para só assim se tornar emotivo e cativante. Por essa perspectiva Hora de Voltar é um ótimo filme. Com um personagem principal um jovem bastante cativante, Hora de Voltar traz uma história simplória vista de longe. É a história de um filho (o tal jovem cativante) que volta pra casa depois que sua mãe morre. Nesse retorno despretensioso acaba entrando velhos amigos e conhecendo novos. Impossível não se identificar com tal situação, obviamente pra quem, assim como eu, mora fora da cidade natal. Nesse retorno percebe que pouca coisa mudou, que por um lado é bom saber que seus velhos amigos continuam gostando de você, mas ao mesmo tempo é triste saber que seus amigos estão naquela mesma vidinha de anos atrás, com seus subempregos, pensamentos pequenos, imaturidade, etc. Nem vou cair no mérito de discutir o que é melhor ou pior, mas é exatamente isso que eu sinto quando vou pra “casa”. Mas o filme não aborda essa inércia, muito pelo contrário, busca justamente as pequenas coisas boas, os velhos e bons pequenos detalhes. E reviver tudo isso dá um novo ânimo para seguir em frente. O filme conspira pra te deixar triste, enquanto ao mesmo tempo, através da personagem de Natalie Portman, te dá o ânimo para não cair em depressão, de rir de si próprio, de tirar humor até das coisas ruins, e que isso não implique que não possa ficar triste, que tem hora pra tudo, mas autopiedade não ajuda em nada. Não precisa complicar, não precisa de explosões, nem de zumbis, nem de atores bonitos no papel principal, bastaria que fossem bons como esse é.

A Sogra

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Direção: Robert Luketic
Elenco: Jennifer Lopez, Jane Fonda, Michael Vartan, Wanda Sykes, Will Arnett, Lorenzo Caccialanza, Monica Guiza, Jimmy Jean-Louis.

Para começar: “E o delegado, para o genro da vítima:
- Eu não consigo entender como é que o senhor,
ao ver um homem agredindo a sua sogra,
pôde permanecer de braços cruzados!
- Pois é, doutor!
Eu até que estava com vontade de fazer alguma coisa, mas…
- Mas, o quê?
- Achei que dois caras batendo numa velhinha
seria muita covardia!”
, claro que toda e qualquer piada sobre sogra é pouco mediante à sogra deste filme, encarnada de uma forma genial por Jane Fonda, que dá o ar da graça depois de 15 anos, e digamos que valeu a espera pois ela simplesmente toma conta do filme, para não dizer que ela salva o filme. A história de “A Sogra” não é criativa. As piadas também não. Mas vale investir no ingresso pela interpretação primordial de Jane Fonda. Fazendo uma parceria impagável com a engraçadíssima Wanda Sykes na pela da assistente abusada, Ruby, Jane Fonda voltou com o pé no acelerador, dirigida por Robert Luketic, cineasta que usa cabelo moicano e anda de sandálias havaianas e é 40 anos mais novo que ela – ele é o mesmo de Legalmente Loira.
Viola (Jane Fonda) mima seu filho e não está nada satisfeita em saber que ele quer se casar com a “trabalhadora temporária”, como ela mesma diz, Charlie (Jennifer Lopez). Quando sai da clínica de desintoxicação após o ataque nervoso, Viola deve encarar que Kevin (Michael Vartan) está crescendo e vai se casar. Com uma noiva que ela não acredita ser a ideal. Acostumada a criá-lo sozinha, tem dificuldades em assumir que agora o independente é ele. Inconformada, a jornalista faz de tudo para arruinar o casamento, nem que seja apelando para os golpes mais baixos.
Apesar do roteiro sem grande originalidade, fazem o filme valer a pena a ótima química entre Jane e a comediante negra Wanda Sykes.

Oldboy

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Direção: Chan-wook Park.
Elenco: Min-sik Choi, Ji-tae Yu, Hye-jeong Kang, Dae-han Ji, Byeong-ok Kim, Seung-Shin Lee.

Nem tente ver Oldboy achando que vai sair ileso. Impossível não sair chocado da sala, desacreditado, imaginando que pode sim ter alguém com um pensamento tão cruel. Pena ou raiva é relativo, não consegui distinguir. Trágico como um conto grego, Oldboy conta história de um homem desgastado, longe da família no dia do aniversário da filha. E um dia acorda preso, sem ao menos saber porque. Vivendo trancado num quarto durante anos, acaba descobrindo um dia que foi acusado de matar a própria esposa. Transtornado, ele começa sua saga em busca de vingança, pois certamente não acredita que foi ele o culpado. E esse é só o começo do fim, dessa que certamente é a história de vingança mais FODA (desculpem a palavra) que eu já vi ou ouvi falar na minha vida. Nem é tão violento como a crítica vem falando, tem bem pouco sangue e muito mais provocação psicológica. Oldboy também faz rir usando o estabanado jeito oriental de ser, mas quando o final nos surpreende é impossível rir, o nó na garganta é inevitável, sussurros de “puta que pariu”, um silencio só quebrado pela engolida seca da garganta, fungados e enjôo podia sentir na sala do cinema. Oldboy não faz questão de agradar os telespectadores, não tem herói, não tem vilão, tem um anti-herói (sempre achei esse termo esquisito, mas não vejo outro), tem um psicopata. O que você faria, até onde ia pra se vingar de alguém? Nem tente, Oldboy consegue ser pior de tudo que você imaginar.

O Castelo Animado

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Direção: Hayao Miyazaki.
Elenco (Vozes – versão E.U.A.): Lauren Bacall (Bruxa), Christian Bale (Mago Howl), Billy Crystal (Calcifer), Emily Mortimer (Sofia), Jean Simmons (Sofia – velha).

O mais impressionante acerca do trabalho de Hayao Miyazaki, é que ele constrói as histórias dos seus filmes durante o decorrer dos mesmos, ou seja, ele não prepara o material antes de produzir a animação, dando o rumo que ele acha melhor ao roteiro, a partir da última cena produzida. Isso demonstra o quão criativo é esse excepcional diretor japonês, que vem ganhando cada vez mais notoriedade por essas bandas após o seu premiado filme, “A Viagem de Chihiro”.
E mais uma vez, ele nos brinda com um magnífico filme, novamente protagonizado por um personagem feminino, aqui chamado de Sophie. No “Castelo Animado”, o diretor não utiliza tantos elementos mitológicos nipônicos como em “Chihiro”, o que torna o filme bem mais fácil de entender e acompanhar. Apesar do filme anterior não ser difícil de entender, a série de referências a uma cultura específica, sendo ela ainda desconhecida, não deixa de causar um certo estranhamento aos espectadores que moram do lado esquerdo do globo.
Em “O Castelo Animado”, Sophie é uma jovem garota, moradora de uma cidade pequena, que vive uma aparente e entediante vida. Trabalhando na chapelaria de sua mãe, ela tem sua rotina abalada pelos preparativos do exército de seu país para uma guerra contra um país vizinho e o inusitado encontro com um belo mago. Se metendo, sem querer, em um conflito entre uma bruxa e esse mago, ela acaba sendo amaldiçoada pela bruxa e se transforma em uma senhora de 90 anos. Decidida a se livrar do desmerecido castigo, ela vai embora da sua cidade, e acaba se tornando faxineira de um castelo mágico que vive em movimento. A partir daí, Sophie conhece um excitante mundo, se tornando amiga de magos, aprendizes, demônios, bruxas e outros seres amaldiçoados como ela.
A beleza das cores utilizadas aqui é outro ponto forte da animação de Hayao Miyazaki; suas lindas paisagens são encantadoras e a mistura de animação tradicional com computação gráfica torna tudo isso ainda mais real e belo. Muito melhor que as animações tradicionais da Disney, onde os filmes tem seu ritmo quebrado por aqueles chatíssimos números musicais. “O Castelo Animado” possui emoção e diversão nas doses certas, sem exageros e sem ser forçado.
Para quem viu e gostou de “A Viagem de Chihiro”, esse filme é, com certeza, imperdível. E para quem ainda não conhece o trabalho desse diretor, “O Castelo Animado” é a forma perfeita de reparar esse deslize.

A Ilha

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Direção: Michael Bay.
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon Honsou, Michael Clarke Duncan, Steve Buscemi.

O que esperar de um diretor que adora explodir as coisas? Perdoe o trocadilho, mas só pode se esperar uma bomba. Até admito que tem uma ótima idéia e dois bons e carismáticos atores no elenco. Mas infelizmente só isso não foi o bastante. Acredito que era pra ser uma ficção cientifica, mas acabou se tornando Bad Boys III. O filme não tem preocupação nenhuma em surpreender, e quem viu o trailer sabe do que estou falando. Muito previsível, longo, e até as explosões se tornam chatas, pois se repetem quase da mesma forma. Um festival de estilhaços de vidros e metal pra todo lado, e nada mais. Ora lembrava Matrix, ora lembrava Admirável Mundo Novo, e apesar da idéia coerente e bastante plausível, a coisa parecia não se encaixar bem. Pra falar do roteiro preciso contar um pouco além do que devia, mas garanto que não vai estragar a surpresa (?). Um grupo de pessoas vive numa sociedade controlada por um médico. Para essas pessoas o mundo foi contaminado e o único lugar onde estarão seguros é na tal Ilha que dá nome ao filme. Ser escolhido para ir pra Ilha é como ganhar na loteria, literalmente. Tudo ia bem, até que algumas pessoas da sociedade começaram a questionar além do que deviam. Um homem acaba descobrindo a verdade, e que a tal Ilha não existe (isso dá pra saber no trailer). E para minha surpresa, saber disso não tem impacto nenhum no filme. Seria o mesmo que contar sem preocupação nenhuma o final de Sexto Sentido, Os Outros, Clube da Luta. E meu amigo, a partir daí tudo vai pelos ares. O filme explode tanto que até o roteiro ficou cheio de buracos. Bem que eu queria ter visto Hora de Voltar…

Em Boa Companhia

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Direção: Paul Weitz.
Elenco: Dennis Quaid, Topher Grace, Scarlett Johansson, Marg Helgenberger, David Paymer, Clark Gregg, Philip Baker Hall, Selma Blair, Frankie Faison, Ty Burrell, Kevin Chapman, Amy Aquino.

Tem todos os elementos de uma comedia romântica, mas alguém duvida que um bom contador de historias não consiga torna uma historia, mesmo conhecida, interessante? Eu não duvido. O diretor é o mesmo do bom Um Grande Garoto, e curiosamente utiliza praticamente a mesma idéia, que é a convivência e a troca de experiências entre pessoas com grande diferença de idade. A diferença agora é justamente as idades (?), que antes era um pré-adolescente e um trintão, agora é um jovem adulto e um cinqüentão. Pra mostrar que não apenas a historia de um casal, o roteiro traz também um plano de fundo bastante interessante, que fala sobre nosso mundo capitalista, empregos, demissões, desvalorização dos mais velhos, jovens inseguros, velhos desmotivados, enfim, mais uma vez ficando claro que o segredo de tudo é o meio termo, harmonia e cooperação. Impossível não se identificar com o jovem de vinte e poucos anos. Aprendeu a viver na “selva” e nunca se questionou o porque, parece tão natural saber que tem que estudar, ser bem sucedido, que esquece de saber se quer mesmo aquilo, se gosta daquilo, se é feliz sendo assim. Obviamente os mais velhos também têm muito que aprender com os mais jovens, nem que seja apenas pra se redescobrir, se animar, e reaprender mesmo a viver, afinal de contas o mundo muda, e os conceitos já não são mais os mesmo. Acho extremamente desnecessário falar do casal que caracteriza a comédia romântica. Sempre dizem que o mais importante do filme é o final, e talvez por isso eu tenha falado tão bem de um filme desse gênero. Um final inesperado, uma ótima sacada. Final feliz ou não é uma questão de ponto de vista. Devo deixar minha insatisfação ao ouvir comentários ridículos na saída da sala.

A Fantástica Fábrica de Chocolates

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Direção: Tim Burton.
Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter, Noah Taylor, Missi Pyle, James Fox, Deep Roy, Christopher Lee.

Tim Burton é um contador de histórias por excelência, e vem sempre provando isso a cada filme que faz. Quando venho com essa afirmação, não estou falando do Tim Burton responsável pelo remake de Planeta dos Macacos, ou por sua visão do Homem Morcego, que apesar de bons filmes, não se enquadram no estilo ao qual o diretor é especialista e ao dos filmes que mais me agradam dele.
O remake da Fantástica Fábrica de Chocolate, para mim, se enquadra entre os melhores filmes de Burton, como Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e o Estranho Mundo de Jack. Mundos diferentes, estranhos e sombrios, onde a pureza sempre é encontrada nos personagens mais estranhos e bizarros.
Na visão de Tim Burton, Willy Wonka é um recluso mestre confeiteiro, que possui uma grande fábrica de chocolates em uma pequena cidade e tem aversão a crianças. Depois de vários anos de portas fechadas, mas mantendo a produção de doces, Wonka resolve fazer uma promoção onde os vencedores terão o direito de conhecer a sua fábrica, em um passeio de um dia por ela. 5 crianças (cada uma, com a exceção de Charlie, representando o que há de pior nessas pequenas criaturinhas quando mal criadas, como a gula, comportamento agressivo, excesso de mimo, curiosidade extrema, mania de grandeza e por aí vai) e seus acompanhantes embarcam nessa aventura cheia de surpresas em um local extraído da mente delirante de Tim Burton. Se o primeiro filme possuía cores vivas, o que tornava o filme bem cafona (a roupa do Wonka de Wilder e os Oompa Loompas em si são de um mal gosto impressionante), esse possui cores mais sóbrias, é colorido sem ser berrante.
Além da excelente direção e do ótimo roteiro (bem melhor do que o do filme da década de 70), prefereri todas as caracterizações dos personagens do remake a do original, como os Oompa Loompa interpretados pelo ator indiano Deep Roy, onde aqui cada um possui sua própria personalidade, inclusive com funções na fábrica e vozes diferenciadas. Freddie Highmore mostra mais uma vez o ótimo ator que é, com seu sorriso que amolece corações (impossível não ficar com os olhos cheios de água a cada sorriso ou cara de tristeza do muleke). E logicamente, temos mais um show de interpretação de Johnny Depp, que a cada filme que faz, a cada parceria com Tim Burton, surpreende-nos. Depp cria aqui, mais um personagem memorável, colocando o seu Willy Wonka em sua galeria, juntamente com Edward, Jack Sparrow e Ed Wood. Wonka é um personagem excêntrico, andrógeno e que tem aversão pelo maior público consumidor de seus produtos, as crianças. A inclusão no roteiro da infância de Wonka também é outro ponto alto do filme, pois nos aproxima ainda mais dos personagem (além de nos presentear com mais uma excelente e curta participação do Mago Christopher Lee, em um grande filme).

De repente é amor

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Direção: Nigel Cole
Elenco: Amanda Peet, Ashton Kutcher, Taryn Manning, Aimee Garcia, Lee Garlington, Birdie M. Hale, Tyrone Giordano, Melissa van der Schyff.

Um bom filme que obrigatoriamente tem-se que assistir acompanhado, de preferência bem acompanhado, afinal de contas quando um clima de romance está no ar, nada melhor do que uma comédia romântica sobre destino, ligação e perseverança que rompe o passar dos anos, verdade que é bem melosa e com roteiro bem feito que as vezes se perde, mas assim mesmo mantêm o interesse do público, caso este pública não esteja se beijando nos momentos chatos do filme.
Devo confessar que o carisma de Ashton Kutcher ajuda bastante para o desenvolvimento do filme, a química com Amanda Peet funciona muito bem, mesmo porque ela mesma não se enquadra tão bem assim, pelo menos vestida.
De Repente É Amor é uma comédia para casais, que recicla o velho tema dos amigos que se descobrem apaixonados. O humor é mais suave e nada físico.
O enredo é do tipo “simples-que-funciona”, trata-se de duas pessoas que se conhecem e iniciam uma esquisita amizade, encontrando-se de tempos em tempos, sem jamais perceber que, na verdade, entre ambos pode existir algo mais do que uma empatia conveniente. Letreiros no início da projeção indicam que a ação é contada em flashback, começando sete anos antes do presente e saltando a cada novo encontro dos protagonistas: três anos, um ano, seis meses, e por aí vai. Nada muito original, mas funciona, e é isso que importa.
Todos sabem que para um filme assim funcionar é preciso de química entre os atores – e isso é algo que Kutcher e Peet, dois atores apenas razoáveis, têm de sobra. Eles funcionam muito bem juntos, tanto que um faz a atuação do outro crescer. As risadas tímidas dele casam bem com os olhares insinuantes dela, de forma que até as cenas mais bobas e insensatas (destacando, a “briga” de cusparadas de água mineral dentro do restaurante chinês) têm algum charme. Casais vão se abraçar mais agarradinho a cada vez que Oliver e Emily dividirem a tela, o que sempre é uma boa notícia para uma comédia romântica.

Zatoichi

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Direção: Takeshi Kitano.
Elenco: Takeshi Kitano, Michyio Ookusu, Gadarukanaru Taka, Daigorô Tachibana, Yuuko Daike, Tadanobu Asano.

Não canso de me surpreender com filmes orientais. Não é que estão mesmo aprendendo a fazer filmes! E dessa vez nem seguiu o estilo de Herói, O Tigre e o Dragão, O Clã das Adagas Voadoras. Só pra se ter uma idéia, imagine sangue digital espirrando dos golpes que nem nos quadrinhos, um musical tipo Dançando no Escuro, e uma comédia bem pastelão. Imaginou? Agora misture que isso dá Zatoichi, que ainda por cima tem como personagem principal um samurai cego. Samurai este que acaba se tornando a única esperança de livrar humildes aldeias das explorações das gangues que se formam. Esqueça aquelas lutas bobas de cavaleiros do zodíaco, em Zatichi as lutas acabam rápido, muito rápido, o que parece ser bem mais real pra quem está lutando com espadas afiadas (!). Alguns podem não gostar disso, e nem do sangue que espirra nas lutas, admito que ficou meio tosco mesmo, eu particularmente gostei. Podem não acreditar, mas eu venho ultimamente rindo mais dos filmes orientais do que do “famoso humor inglês” (blergh!). Tem no mínimo duas cenas pra rir até chorar. Zatiochi tem uma excelente trilha sonora, uma historia repleta de lições de moral, mas infelizmente tem elementos caricatos demais, que até não atrapalha, mas é o mesmo que o Brasil só fazer filme de pobreza e violência, ou seja, tem hora que cansa. A curiosidade é que o diretor Takeshi Kitano foi aquele famoso cara que bateu o escanteio, correu pra cabecear, e só não fez o gol porque ele mesmo defendeu. Ele simplesmente dirigiu, atuou como o samurai cego e escreveu o roteiro (!). Soube que existe toda uma saga a respeito do personagem, e seria uma pena se ficássemos apenas com esse capítulo.

Quarteto Fantástico

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Direção: Tim Story.
Elenco: Ioan Gruffudd, Michael Chiklis, Jessica Alba, Chris Evans, Julian McMahon, Kerry Washington, Stan Lee.

Criados há mais de quarenta anos atrás pelos mestres Jack Kirby e Stan Lee, o Quarteto Fantástico foi o primeiro grupo de heróis da Marvel e o grande responsável pela sua salvação financeira. Quase meio século depois, o grupo recebe a sua segunda adaptação para o cinema (na realidade a primeira, já que a outra era tão ruim e foi feita tão nas coxas que só existe hoje por meio de cópias piratas e de péssima qualidade). Essa atual adaptação, pode não ser um primor de qualidade, principalmente se tivermos como referência filmes como Homem-Aranha, Hulk, X2 ou Batman Begins (esse da DC Comics), mas com certeza trata-se de um divertido e bacana filme de origem, como foi o primeiro X-Men. Um filme que apresentam os personagens em questão e seu universo e que serve como prólogo para suas inevitáveis e esperadas continuações.
Ponto para Tim Story, que depois de assustar a todos por ter feito a bomba Táxi (o filme com a participação da Gisele Bundchen) antes da realização desse filme, acabou nos apresentando uma divertida e simpática aventura, digna das primeiras aventuras dos heróis, com toques das atuais publicações (principalmente do Universo Ultimate). Talvez isso tenha até sido positivo para o filme, já que poucos acreditavam que seria o mesmo teria alguma qualidade e após a sessão, apesar de facilmente detectarmos as falhas da obra, é difícil não se divertir com o filme. As brigas de Bem e Johnny são o melhor exemplo disso.
Inegável também a esperada semelhança com o filme de heróis da Pixar (Incríveis), que obrigou a Fox a investir um pouco mais no filme (o investimento foi absurdamente pequeno para um filme desse porte, principalmente pela falta de confiança do estúdio no resultado) e refazer toda a seqüência final da história que estava bastante parecida com o desfecho dos Incríveis.
A história todos já conhecem. 4 astronautas e um milionário vão a uma estação espacial em busca de analisar um estranho e raro fenômeno envolvendo o sol. Após serem atingidos por a radiação desse fenômeno, ambos começam a apresentar uma série de poderes que os transformam no Quarteto Fantástico. O milionário, que também sofre os efeitos colaterais do fenômeno, também ganha poderes, mas enlouquece e assumindo o nome de Dr. Destino (Julian McMahon), como uma alusão ao seu nome Victor Von Doom, se torna uma ameaça para Reed Richards, o Sr. fantástico (Ioan Gruffudd), Suzan Storm, a Mulher Invisível(Jessica Alba), Johnny Storm, o Tocha-Humana(Chris Evans) e Ben Grin, o Coisa(Michael Chiklis).
Apesar de um roteiro cheio de buracos que às vezes mais parece um samba do criolo doido (o que felizmente não esculhamba o filme), mas por outro lado, uma direção interessante de Tim Story, com bons momentos de ação, Além de efeitos especiais muito interessantes e competentes (pontos para as transformações do Tocha Humana e a maquiagem do coisa), mas com muitas coisas a melhorar nesse sentido (a elasticidade do Sr. Fantástico ainda tem muito a melhorar), o filme do Quarteto se torna uma das grandes opções das férias. Vá sem preconceitos e divirta-se.

 
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