Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Uma Thurman, David Carradine, Michael Madsen, Daryl Hannah, Sonny Chiba, Lucy Liu, Vivica A. Fox, Michael J. White, LaTanya Richardson, Julie Dreyfus, Samuel L. Jackson.
Não, você não leu errado, é vol. 2 mesmo. Mais uma vez tive que apelar para a pirataria. Certamente não suportaria esperar até chegar aqui no Brasil. Pois bem, o filme consegue manter o nível do primeiro, a vingança continua, recheada de bons diálogos, cenas de lutas inusitadas e trilha sonora perfeita. Eu pensava a todo instante que tinha que estar num filme só. Fico até sem saber o que escrever, e evitando ser redundante eu acabo não tendo muito que acrescentar. Nessa segunda parte, Tarantino usa um efeito de iluminação diferente, principalmente na cena do massacre na igreja. Além de novas mortes, esse volume traz o enchimento para muitos buracos deixados no primeiro, como por exemplo, porque Bill havia feito aquele massacre. As cenas mais cômicas são mostradas durante o treinamento da protagonista, aquele velho mestre é uma comédia. Se você tiver pânico de lugares apertados, espere para ver a cena que ela (Uma Thurman) é enterrada viva, é agonizante. E no último capítulo, cara a cara com Bill, o clímax do filme não deixa a desejar, o diálogo é um dos mais perfeitos que eu já ouvi no cinema, até convence o telespectador de que tudo vai terminar bem, mas posso garantir que não tem um final tão feliz assim, até porque estragaria o filme. Eu sou até suspeito, mas achei o filme espetacular, espero que vocês gostem também.
* Crítica publicada originalmente em 20/05/2004
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Direção: Jonathan Hensleigh.
Elenco: Tom Jane, John Travolta, Will Patton, Laura Harring, Ben Foster, Rebecca Romijn-Stamos, Samantha Mathis, John Pinette, Mark Collie, Kevin Nash, Roy Scheider.
Como diríamos no Ceará: peeeennnnse numa decepção. O Justiceiro tem fortes elementos que me faria gostar de cara, dentre eles: apesar de não conhecer as revistas eu já sabia do que se tratava a história, uma trama de vingança, alias justiça como diz o próprio filme, um herói humano, e uma ira incontrolável. Pena que tudo desandou, teve momentos que a palavra tosco me vinha à boca. Relevei a história manjada de super-herói que perde um ente querido e resolve salvar o mundo, relevei também os quase super-poderes que fazia com que o cara nunca morresse (o justiceiro, que mais parece o indestrutível, leva vários tiros, surras, facadas, mas nem se abala). Tudo para não bancar o chato que põe defeito em tudo. Mas a maioria das situações são tocas, previsíveis, e muitas vezes sem nexo algum. Só pra se ter idéia, eles usaram o efeito da barba grande pra demonstrar que o tempo havia passado. Nada de grande efeito, nem boas cenas de luta, muito menos uma boa atuação. Gostei da crueldade do personagem quando se encontra com suas vitimas, mas nada assim como aquele x-man com poder de cura e ossos indestrutíveis. Estranho foi ver a ausência total da policia, que a meu ver seria indispensável na trama. Outra coisa sem sentido foi uma relação que tentaram criar de uma nova família, fez perder um pouco a idéia do personagem, que era de ser um justiceiro, pois não tinha nada a perder.
Direção: Alexander Witt.
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Oded Fehr, Thomas Kretschmann, Jared Harris, Sophie Vavasseur, Razaaq Adoti, Mike Epps, Matthew G. Taylor, Sandrine Holt.
Não sou assim um fã, um grande conhecedor do jogo, mas também não sou um leigo que fui ao cinema sem saber de nada. Portanto, acho que tenho o direito de dizer que tudo começa bastante fiel ao jogo. Nos primeiros quinze minutos parece que estamos vendo o jogo, pena que não temos o controle na mão. Acontece que depois desses quinze minutos, tudo vai ficando meio tosco. E coincide justamente com a aparição da personagem da Milla Jovovich, e não tem nada a ver com ela, eu até gosto muito dela, pois além de linda é uma boa atriz. Mas imaginem só a cena: entrada numa igreja, quebrando uma vidraça em cima de uma moto. Ficou tosco e meio brega. Sem contar que tava chato vê-la a todo instante que terminava uma fala, estava sempre engatilhando uma arma. Mas o filme tem seus momentos legais, uma explosão muito bem feita, a uma tensão no confronto com os mortos vivos. Pena que a tosqueira domina a maioria do filme. Da até uma dor dizer isso, mas não recomendo. Pelo menos eu ri muito em Alien x Predador, e nesse eu fiquei torcendo pra ser bom, e não foi.
Direção: Dwight H. Little.
Elenco: Johnny Messner, KaDee Strickland, Matthew Marsden, Morris Chestnut.
Com um elenco de primeira catiguria e um roteiro felomenal, Anaconda 2 consegue superar e muito o primeiro filme. Sem falar no número de cobras que é muito maior. Nesse, para variar, temos uma ruma de Anacondas gigantes e famintas, prontas para acabar com a constelação de astros que faz esse filme. Primeiro morre fulano, depois cicrano, seguido por beltrano… e por aí vai!!! Tem o vilão inescrupuloso que só quer saber das Taís orquídeas sangrentas que só aparecem de 7 em 7 anos e que podem levar a descoberta de remédios que inibam o envelhecimento do ser humano. Tem o dono do barco que apesar de se fazer de durão, no final ajuda a salvar todo mundo. Tem aquele que todo mundo pensa que vai morrer, mas no final escapa. E logicamente, tem a mocinha que passa pelas maiores agonias, paquera (é o novo!!!) com o marrentão dono do barco e que logicamente também escapa. E pra finalizar, tem a destruição do monte de Sucuri no cio (por isso elas ficarem todas juntas no mesmo local, já que elas geralmente não ficam nas mesmas áreas), feita de uma forma que todos já sabíamos desde o começo do filme. Há, e antes que alguém pergunte como as cobras atingiram aquele tamanho absurdo do filme, eu respondo. As anacondas são cobras que crescem até morrer, então quanto mais velha, maior a danadona. E onde as malandras faziam as surubas???? Isso mesmo caro Padawan, exatamente no local onde nasciam as orquídeas. Se no primeiro tínhamos Jennifer Lopez, Owen Wilson, Jon Voight, Eric Stoltz, e Ice Cube como ração, nesse nem isso. Esse é o tipo de filme que vc só deve ir ver de graça, como eu fui. Pelo menos você vai rir muito, principalmente de quem pagou a entrada!!!
Direção: Paul Greengrass.
Elenco: Matt Damon, Franka Potente, Joan Allen, Brian Cox, Julia Stiles, Karl Urban, Gabriel Mann, Karel Roden, Marton Csokas, Oksana Akinshina.
Matt Damon assume aqui novamente o papel do agente Jason Bourne, resquício do encerrado projeto Treadstone da C.I.A. (Companhia de Inteligência Americana), que trabalhava com os melhores assassinos da agência e que passou por diversos problemas depois de uma missão não cumprida ainda no primeiro filme (A Identidade Bourne). Nesse, ele é acusado de ter matado alguns agentes da C.I.A. para conseguir dinheiro e alguns documentos a seu respeito e é dessa forma que ele acaba voltando a esse mundo que ele havia decidido abandonar. Quem gosta de filmes de espionagem, com um excelente roteiro e uma direção que beira a perfeição deve ir correndo aos cinemas, mesmo que ainda não tenha visto o primeiro filme vale a pena ir conferir esse, mas se você quiser mesmo ficar por dentro desse fascinante mundo, vá até a sua locadora preferida e alugue o primeiro. Impossível não babar com a sensacional luta na Alemanha e com uma das melhores perseguições de carro já feitas até hoje na história do cinema. A única coisa que Ben Afleck tem em relação a um bom ator é a amizade do Matt Damon, que aqui mostra a sua enorme competência.
Direção: Cláudio Torres
Elenco: Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Camila Pitanga, Stênio Garcia, Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Tony Tornado, Lúcio Mauro, José Wilker, Paulo Goulart, Fernanda Torres.
Mais uma produção nacional de boa qualidade, com um elenco de peso e, Graças ao Redentor!, não saída do braço cinematográfico de uma emissora de tv, e sim da competente e já premiada produtora de comerciais, e alguns longas, Conspiração. O filme é divertido, muito em função dos atores, é bem agitado, tem bons efeitos especiais, música legal e, claro, uma linguagem meio de comercial de tv, as vezes. Mas também tem fotografia de cinema, enquadramento de cinema, locações de cinema e etcs. Aliás, em termos de música, o ponto alto acaba sendo a inserção de “O Guarani”, de Carlos Gomes, já conhecida na Voz do Brasil, em momentos muito apropriados. O roteiro não é nenhum primor mas consegue colocar em um mesmo balaio, e de forma consistente, diversos “particularidades” nacionais como: corrupção, tráfico de influências, moral duvidosa, pobreza e apego excessivo ao dinheiro. O projeto todo levou dez anos para ficar pronto e é uma ação em família: Cláudio Torres além de dirigir também assinou o roteiro, junto com a irmã Fernanda Torres, que atuou no filme ao lado da mãe, Fernanda Montenegro, e do pai, Fernando Torres. Mas o grande destaque é mesmo Pedro Cardozo que conseguiu adicionar o humor certo ao personagem, sem exageros. Ainda não sei se o filme é tão bom como aparentava ser no trailler mas a safra de nacionais deste ano não está tão boa assim, e o Redentor acaba tendo lugar garantido na lista de bons filmes. Acaba-se achando que mais vale um comercial do que uma novela.
Direção: Antoine Fuqua
Elenco:Clive Owen,Ioan Gruffudd, Keira Knightley, Mads Mikkelsen, Joel Edgerton, Hugh Dancy, Ray Winstone, Ray Stevenson, Stephen Dillane.
Caso você queira assistir “Rei Arthur”, imaginando ver Merlim com seus poderes, a bruxa Morgana, a traição de Lancelot, Camelot, Avalon e a Dama do Lago, então é melhor assistir a outro filme, de preferência Excalibur(1981), que conta toda a estória na sua forma mais fantasiosa possível. Já este filme trata-se de contar de uma forma histórica, baseada em achados que foram encontrados recentemente para dar início a esta aventura.
É quase impossível não comparar os filmes épicos, como este, com “Senhor dos Anéis”, mas digamos que as cenas de luta do Rei Arthur, não são tão ruins assim, a cena da geleira é uma das melhores, dando um clima de suspense bem interessante, assim como a sua conclusão.
“Rei Arthur” focar-se nas disputas políticas, a queda do império romano, o avanço dos bárbaros saxões, os conflitos religiosos entre cristãos e pagãos e a tentativa desesperada de Arthur em manter a Bretanha unida, onde culmina e barbárie desenfreada, afinal tudo era resolvido na espada, com sangue, onde o nome Deus era usado da pior maneira possível.
Infelizmente o filme não passa de algumas boas seqüências, que nos diverte devido as várias seqüências de ação, afinal este é o propósito do filme, diversão. Mesmo tendo embasamento histórico, o roteiro torna-se simples, limitado e com alguns devaneios, e assim deixando de lado a boa parte do contexto histórico. “Rei Arthur”, não passa de uma diversão, onde de preferência assistir no dia na semana que fica mais barato e levar lanche de casa, para não sair uma diversão tão cara.
O filme torna-se interessante pelo fator histórico, a guerra dos bárbaros saxões, contra os bretões, no entanto como disse, todos esses elementos não foram usados corretamente.
Direção: Dai Sijie
Elenco: Zhou Xun, Chen Kun, Liu Ye, Wang Shuangbao, Chung Zhijun, Wang Hongwei, Xiao Xiong, Chen Wei.
Filmes que mostram épocas ditatoriais são sempre muito pesados, muito fortes, porque procuram evidenciar abusos, principalmente os físicos, e tentam mostrar como era ruim, difícil e perigoso ser um rebelde lutando contra um estado, ou um exército, muito maior e mais poderoso que você. Neste caso, Dai Sijie, conseguiu retratar um período conturbado da ditadura de Mao Tse Tung, logo após a Revolução Cultural, de um maneira amena, de certa forma até poética, mostrando as dificuldades e aguras dos rebeldes, claro, mas também mostrando a simplicidade e a fragilidade do povo que sofria a força ditatorial. Ao culpar o capitalismo e o ocidente pelos problemas de fome e pobreza enfrentados pela China, já na ditadura, Mao Tse Tung conseguiu colocar em prática a sua revolução. Fechou universidades e escolas; proibiu livros, revistas e músicas; e promoveu a reeducação, baseada em trabalho braçal, dos intelectuais e seus filhos. Esta reeducação acontecia junto aos componeses das montanhas chinesas, a maioria analfabetos. Nesta situação vemos dois jovens, filhos de inimigos do povo (um médico e um dentista), que lutam contra o próprio corpo para conseguir dar sequência aos trabalhos físicos e ainda conseguem levar uma dose de cultura e conhecimento aos componeses do vilarejo, em especial a costureirinha que se encanta com Balzac. O filme tem uma fotografia belissíma e cenários de tirar o fôlego, e é baseado em um romance homônimo, escrito pelo próprio diretor, que foi campeão de vendas em 1999, além de tratar-se de uma autobiografia já que o autor passou por um processo de reeducação semelhante nas montanhas do Tibet. A sensação ao final do filme é de que realmente a cultura e o conhecimento podem influenciar na vida de uma pessoa ou, como disse um personagem do filme, “as vezes, um livro pode mudar a sua vida”.
Direção: Marcelo Masagão
Impressionante, mas eu nunca tinha ouvido falar em Marcelo Masagão. E ainda soube que além dessa obra-prima que é 1.99 Um Supermercado Que Vende Palavras, ele já tem nas costas duas outras boas produções: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos (1999) e Nem Gravata, Nem Honra (2001). Mas é uma pena que produções assim não sejam bem divulgadas, pois esse filme deveria ser visto por todos, inclusive estudado em escolas. O problema exposto é essa nossa sociedade consumista, onde fale mais o que você tem do que o que você é. Onde não compramos produtos, mas sim conceitos, estilos de vida que vêm embutidos nas marcas. Brilhantemente, Masagão compara o ato de sacar dinheiro ao de fazer sexo. Várias outras mensagens são mostradas, umas de forma sutil, outras nem tanto. E é impossível perceber tudo vendo apenas uma vez e sem discutir com outras pessoas. Masagão vai além de exibir o problema, basta observar uma cena onde pessoas trazem uma bandeira de como combater o tédio e através de um trabalho corporal, usando a criatividade acabam mostrando que nem tudo está perdido. Não esquece também de mostrar os excluídos, que são as pessoas sem poder de consumo, sem esquecer também a crítica de como tratamos os idosos, pessoas de um enorme conhecimento que são simplesmente postas na geladeira como algo inútil. E graça a magnífica trilha sonora, mesmo não havendo vozes no filme, não se torna monótono de se ver. A música consegue acompanhar com maestria cada momento do filme. Uma grata surpresa, pena que certamente é visto por uma pequena minoria que se importa com coisas fora do circuito cinema-pipoca.
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Hanks, Stanley Tucci, Catherine Zeta-Jones, Chi McBride, Diego Luna, Kumar Pallana, Zoe Saldana, Barry Shabaka Henley.
É sabido que Spielberg e sinônimo de sucesso e bilheteria, raramente essa afirmação não é justificada, muito raramente. “O Terminal” certamente entra no rol de sucessos da galeria de Spielberg. Inspirado na real história de Merhan Nasseri, Tom Hanks interpreta a personagem de Viktor Navorski, onde encontrar-se dentro de uma “falha do sistema”. Rapidamente somos apresentados ao personagem de uma maneira sutil, onde desenvolve-se uma forte relação com Viktor, isso é conseguido devido ao excelente argumento, como a magistral interpretação do próprio Tom Hanks. Há um ponto em que a personagem de Viktor Navorski deixa de ser tangível e interessante, e passa a ser edificante e caricatural, conforme o filme quer pregar ao espectador ou entretê-lo. E a partir daí, só acredita nela quem quiser, mas nada que possa comprometer a narrativa do filme. No decorrer da fita e a aproximação sucessiva de Viktor ao cotidiano do aeroporto, vimos as cenas mais cômicas produzidas por Spielberg até hoje, bem com a intensidade dramática em algumas cenas que nos surpreende, claro que tudo isso é devido à interação dos atores, pode-se citar vários, dentre eles, Stanley Tucci que interpreta Frank Dixon, agente de alfândega, em certos momentos pode-se achá-lo “mal” e em outros “bom”, onde torna-se um personagem admiravelmente interessante, não falarei dos outros para não entregar tudo, como por exemplo o faxineiro indiano, mas claro que o resultado não poderia ter sido outro, afinal o elenco escolhido a dedo pelo próprio Spielberg. Não posso esquecer de comentar a maestria da composição sonora , proporcionada por John William, companheiro e sempre presente nos filmes de Spielberg, onde pode-se perceber toques, frios, dramáticos, alegres e animados, sincronizados com as respectivas cenas.
Concluindo, “O Terminal” é um filme obrigatório. Vejam e revejam pois disto não temos todos os dias.


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