Direção: Steven Soderbergh.
Elenco: Brad Pitt, Catherine Zeta-Jones, George Clooney, Julia Roberts, Andy Garcia, Scott Caan, Shaobo Qin, Matt Damon, Carl Reiner, Vincent Cassel, Albert Finney, Bruce Willis.
Sabemos que todo cuidado é pouco quando o filme a assistir se trata de uma continuação. Mais ainda quando a estória narrada no primeiro filme já não é lá estas coisas, apesar de ter o seu charme, e você fica intrigado para saber de onde tiraram mais estória para fazer o segundo. No caso de “Onze Homens e Um Segredo” a estória se basea em um remake do filme homônimo de 1960, tem todo o charme de um elenco de peso e a boa direção de Steven Soderbergh, que fez os astros bailarem frente as câmeras. Já esta continuação, não tem estória onde se basear ou pior, se baseia em um roteiro horrível e repleto de reviravoltas, exagerou na quantidade de astros e estrelas do cinema a ponto de subutilizá-las, e teve um Soderbergh irreconhecível fazendo a câmera se movimentar descontroladamente enquanto os atores passsam a maior parte do tempo parados e realizando cortes e edições que tentam nos convencer que ele ainda é um diretor independente. O roteiro é um caso a parte já que as reviravoltas são extremamente exageradas e sem sentido. É inevitável não se sentir um otário frente aquele pastelão sendo apresentado. Em certos momentos temos a nítida impressão de que a estória está sendo contada por nada e tudo o que foi realizado e está sendo mostrado naquele momento tem a única intenção de ser desmentido e modificado daí a poucos segundos. Além das piadas enfadonhas e sem graça, que são levadas a exaustão. Só se salva a trilha sonora, que é boa e apropriada mas insuficiente para melhorar o filme. Fica a impressão de que o único objetivo foi colocar atores e atrizes famosos em um filme para arrecadar mais dinheiro e alavancar a carreira de alguns, caso de Bruce Willis.
Direção: Terry Zwigoff
Elenco: Billy Bob Thornton, Tony Cox, Brett Kelly, Lauren Graham, Lauren Tom, Bernie Mac, John Ritter.
A partir de um conceito criado pelos irmãos Coen, com humor muito bem elaborado, com palavrões bem encaixados dentro do contexto, onde o título reflete literalmente o que o filme é, e qual a sua proposta, afinal vai contra o espírito natalino visto até aqui.
Billy Bob Thornton está muito bem como papai noel pilantra, pois ele representa uma personagem que vai contra a maré de tudo que o bom velhinho faz, especialmente quando se rende ao sarcasmo cheio de tédio.
O filme deixa claro qual é a sua mensagem, fazendo duras críticas contra o consumismo desenfreado, corrupção de crianças e acima de tudo, que o natal não passa de uma simples época comercial, onde tudo é dinheiro e convenção.
Com diálogos inteligentes e incisivos, demonstrando um lado impiedoso e crítico, mas o que faz “Papai Noel às Avessas” funcionar é o elenco.
O filme fica mais perto da realidade do que aqueles filmes que mostram todos os problemas se resolvendo magicamente na noite de 24 de dezembro.
A grande sacada de “Papai Noel às Avessas” é nunca sair do seu espírito politicamente incorreto, nem se render às soluções simples e melosas dos filmes natalinos.
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Andrew Ableson, Debbie Lee Carrington, Tom Hanks, Eddie Deezen, Josh Hutcherson, Chantel Valdivieso, Michael Jeter, Hayden McFarland, Peter Scolari, Chris Coppola.
Baseado no livro de Chris Van Allsburg, que também escreveu Jumanji, onde conta a história de um garoto que não acredita em Papai Noel, claro que está história todos conhecem de uma forma ou de outra, no entanto o que difere desta é maneira como ela é contada, dirigida, interpretada e principalmente feita. Onde podemos destacar atuação de Tom Hanks, juntamente com todo processo de animação, técnica usada em “O Senhor dos Anéis”, chamada de “captura de imagem e movimento”, mas a grande diferença é que os atores são inseridos nas telas gráficas.
Temos o Tom Hanks interpretando cinco personagens, e por favor não assistam dublado, pois assim pode esconder todo talento de Tom Hanks.
Seria para ser um filme natalino, mas nos deparamos com um desenho de aventura, com várias situações de adrenalina pura e recomendo sentar na frente para curtir os efeitos de 180° que acontecem em determinados momentos.
Tem até Steven Tyler, da banda Aerosmith, participa como um elfo, prestem atenção.
Enfim, um filme para diversão, um verdadeiro cine-pipoca, que mostra mais uma vez a competência de Hanks e Zemeckis.
Direção: Joe Roth
Elenco: Tim Allen, Jamie Lee Curtis, Julie Gonzalo, Julia Roth, Jordan Alec, Billy Asher, Dan Aykroyd, Raymond Braun, Cheech Marin.
Numa quarta-feira no shopping, com toda a paciência do mundo, fazendo compras, então pra relaxar resolvi encarar esta comédia com espírito natalino embutido, sem ler nada a respeito ou ter qualquer tipo de referência, entrei no cinema para ver as surpresas que este filme reservara para mim.
Interessante que este filme é baseado num livro de John Grisham, “Esquecer o natal”, que eu considero um dos melhores escritores da atualidade, engraçado que ele sai do seu estilo de tribunais, advogados para entrar no ramo da comédia, e deu certo.
O filme tem várias situações engraçadas, rendendo boas risadas, com boas atuações de Tim Allen e Jamie Lee Curtis, com um bom roteiro.
Depois de haver, fiel e alegremente, comemorado o Natal durante a vida inteira, e com sua filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther (Tim Allen) e Nora (Jamie Lee Curtis) Krank estão tendo que encarar a probabilidade de passar um Natal muito solitário e aí que as coisas acontecem.
Como todo filme de natal, tem uma mensagem altruísta no final, mas certamente o que marca mais são as situações hilárias que o protagonista se submete para ter um natal perfeito.
Direção: Daniela Fejerman e Inés París
Elenco: Leonor Watling, Rosa Maria Sardà, Maria Pujalte, Silvia Abascal, Eliska Sirová, Chisco Amado, Xabier Elorriaga, Álex Angulo.
Apesar do título um tanto comprometedor, quem for ao cinema procurando por um filme carregado de cenas homosexuais ou imaginando ficar frente a frente com algum porta-voz do lesbianismo, vai se deparar na verdade com uma comédia despretensiosa, inteligente e com algumas cenas extremamente engraçadas. E a graça está exatamente no fato do mote do filme não ser a alardeada revelação da mãe, mas sim o impacto que isto traz na vida das filhas. É um filme muito mais sobre cada um de nós, e sobre como interpretamos os fatos e como enfrentamos nossos próprios problemas, ou melhor, como tentamos esconder os nossos problemas atrás dos problemas daqueles que estão a nossa volta. A atuação de Leonor Watling, a bailarina em coma de “Fale Com Ela”, é maravilhosa, espontânea e propicia as cenas mais engraçadas do filme. Outro destaque fica por conta da música tema, que foi composta exclusivamente para o filme e é uma diversão a parte. Esta é a primeira incursão no mundo dos longa metragem das roteiristas e diretoras Inés Paris e Daniela Fejerman, e é também o primeiro filme dirigido por mulheres na Espanha. Não sei porque uma produção de 2002 demorou tanto tempo para aportar no Brasil, mas assistí-lo é fundamental para entender como é possível fazer um bom filme de forma despretensiosa e alegre. Se os americanos bebessem nesta fonte com certeza teríamos filmes melhores sendo produzidos em Los Angeles.
Direção: Brad Bird.
Vozes: Craig T. Nelson, Holly Hunter, Samuel L. Jackson, Jason Lee, Spencer Fox, Sarah Vowell, Elizabeth Peña, Brad Bird, John Ratzenberger.
Agora sim, depois de ter visto a versão dublada e legendada, me sinto a vontade de falar sobre o filme, e posso garantir que esse é o melhor filme feito pela Pixar. Admito que ainda gosto mais do roteiro de Monstros SA, mas como o visual de Os Incríveis não tem igual. Não sei onde a Pixar vai parar com tanta perfeição de cores, luzes, sombras. Como vi o filme duas vezes, pude ficar observando com atenção todos os mínimos detalhes do filme, e posso garantir que é praticamente tudo perfeito, o movimento dos personagens, as cenas que tinham água, e muitos outros detalhes. E o mais legal de tudo, além de destacar muito bem pequenos detalhes como um suspiro de um personagem, a Pixar não quis tornar os personagens quase humanos, fizeram questão mesmo de mostrar que são desenhos, desenhos muito bem feitos, mas desenhos. Fiquei indignado com a versão dublada, nem vou entrar mais uma vez nesse ponto, todos sabem da minha preferência pela legenda, mas não posso deixar de comentar sobre a péssima tradução e dublagem em vários momentos, “Roberto Pêra” foi demais pra mim. E o mais engraçado que não versão legendada também traduziu, e pior, muitas vezes chamava Bob, depois Beto. Não achei Os Incríveis um filme tão infantil, obvio que a criançada vai se amarrar, e os adultos também vão dar boas risadas, mas o filme tem muita coisa embutida nele. Pode ter certeza que é um bom filme, e os cinemas estão lotados, é comprar antecipado e ir pra fila.
Direção: Beeban Kidron.
Elenco: Renée Zellweger, Jacinda Barrett, Jim Broadbent, Colin Firth, Hugh Grant, Gemma Jones, Shirley Henderson.
A heroína das mulheres comuns está de volta. Namorando de verdade, feliz da vida, Bridget Jones começa sua segunda jornada. Mas nada tão perfeito assim, pois agora ela vai enfrentar os problemas de estar namorando, ao invés dos problemas de não ter namorado. Seguindo a mesma linha, mesmas situações “sempre entrando numa fria”, mas mantendo bem o nível do humor inteligente, apesar de repetitivo demais, Bridget Jones: No limite da razão não faz feio. Sei que vão ficar com raiva, mas assim como Kid Abelha, Bridget Jones é coisa de mulher. E não vejam isso como pejorativo, é até um elogio e uma explicação por eu não ter ficado tão empolgado assim. Bridget Jones reflete 90% das mulheres do mundo, e vai além, pois ela faz as loucuras que nenhuma teria coragem de fazer. Jones está longe de ser perfeita, não é rica, não é realizada profissionalmente, fuma e dessa vez está com alguns quilos a mais. E é isso que a torna mais humana, mais comum e assim mais próxima das mulheres ditas comuns também. A continuação vem com o mesmo elenco, mas dessa vez Hugh Grant vem como personagem “terciário” de tão pouco que aparece. O que é uma pena, pois dos três, é o personagem que eu mais gosto, e por quem eu sempre torcia, apesar de saber de todos os clichês do filme. Enfim, Bridget Jones é um filme pra ir com a (o) namorada (o), pois além dele rir um pouco, ela vai sair realizada de alguma forma. Só espero que termine numa longa noite de amor, ao invés de uma discussão sobre o relacionamento.
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Fele Martínez, Gael Garcia Bernal, Daniel Giménez Cacho, Lluís Homar, Javier Cámara.
Na minha opinião esse foi um filme muito complicado de se ver. Não vi todos os filmes do Almodóvar, então com certeza esse foi o mais difícil de ver e de formar uma opinião a respeito.
O tema homossexualismo está presente em quase todos, senão todos, os seus filmes, mas em nenhum deles tão explícito como esse (como já disse, não vi todos). Talvez por isso muita gente que viu que não tenha gostado muito, eu mesmo que gostei bastante do filme, confesso que em muitos momentos me sentia bastante constrangido, não sou de forma alguma homofóbico, mas com certeza ainda não me acostumei em ver cenas de homossexualismo como as muitas exibidas no filme. E talvez esse seja um dos maiores méritos do grande Pedro Almodóvar, que mostra aqui, que o que não achamos comum, é sim comum, simples e é claro, normal.
Tudo começa quando Ignácio, um jovem ator, procura seu ex-colega de escola que agora é um conceituado diretor de cinema, em busca de trabalho. Ignácio deixa com Enrique uma de suas histórias que o amigo adorava, onde mistura momentos de suas infâncias com ficção, para quem sabe virar filme. E é lendo a história e depois dirigindo o filme dela, que Enrique relembra todos os seus bons momentos com Ignácio (sua primeira paixão) quando ambos eram crianças e estudavam em um colégio de padres. Paralelamente a isso vemos a via crucis de Ignácio, obrigado pelo Padre, Diretor de sua escola quando criança em seus constantes abusos sexuais. Podemos observar então as diversas etapas pelas quais o jovem Ignácio passa até o seu fatídico fim.
Gael Garcia Bernal mostra mais uma vez o excelente ator que ele é. São em papéis como esse que podemos constatar a complexidade desse trabalho e o quanto ele pode ser fascinante para nós espectadores.
Tente comparar Bernal em seus filmes mais famosos, O Crime do Padre Amaro, Diários da Motocicleta e esse A Má Educação, que vocês entenderão perfeitamente o que estou dizendo.
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Denzel Washington, Meryl Streep, John Voight.
Taí dois atores que quando pegam um bom papel em um bom filme, com certeza arrasam. Denzel Washington e Mery Streep são daqueles excelentes atores que se misturam tanto aos personagens que estão representando que aumentam ainda mais o envolvimento do espectador com o filme. Isso se torna ainda mais latente quando se tem a mesma inspirada direção do já Clássico “Silêncio dos Inocentes”, aqui nos brindando com um belo remake.
Sob o Domínio do mal é um daqueles filmes que envolvem conspirações mirabolantes, que são desvendadas passo a passo, de forma nervosa e angustiante. Somos enganados e também desvendamos a trama juntamente com os personagens do filme. A história desse filme me lembrou muito os ótimos livros do grande autor Frederick Forsith (O Punho de Deus, O Dia do Chacal, Cães de Guerra).
Denzel Washington é um militar que esteve na Guerra do Golfo liderando uma pequena equipe que é atacada em uma emboscada e é salva pelo jovem Raymond Shaw, que sozinho afugenta os inimigos e salva os companheiros. Dez anos depois, Raymond já senador pelo estado de Nova York, se torna candidato a vice-presidente dos E.U.A., tendo como principal interessada, a sua mãe (Meryl Streep), também senadora. Tudo isso seria normal, se não fosse os constantes pesadelos dos combatentes que lá estavam e as discrepâncias de memória do que realmente aconteceu naquele fatídico dia. Some a isso uma grande empresa de tecnologia (a tal Manchuria do título) que tem bastante interesse na continuidade de guerras como a do Iraque e uma conspiração de deixar até os cabelos do “suvaco de pé”.
Logicamente que o filme tem aquelas velhas pequenas falhas de roteiro, mas de forma alguma chegam a prejudicar o todo. E ao término do filme fiquei com aquela sensação de que existe mais alguma história nesse universo (o filme é a adaptação de um livro), mas disso não tenho certeza.
Se você é um daqueles caras que sempre vai ver um filme com aquela terrível opinião formada dizendo “puta que o pariu, que filme mentiroso é esse?”, passe longe que esse filme com certeza não é para você. Agora se você é o contrário disso, então pode ir sem medo de ser feliz.
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Sean Gullette, Mark Margolies, Ben Shenkman, Pamela Hart, Stephen Pearlman.
É bastante fácil dizer uma palavra que represente esse complexo filme do diretor Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho): ESTUPENDO!!!
Sem exageros, PI (é aquele símbolo grego que na matemática significa 3,14…) é um dos melhores filmes que vi esse ano, que diga-se de passagem foi muito bom nesse sentido. Uma história muito interessante e envolvente, uma fotografia maravilhosa (o filme é todo em preto e branco. Lindo!!!), personagens superinteressantes interpretados por um excelente elenco. No final, mesmo você sendo um chato que procura defeitos em tudo que vê, fica difícil apontar algum. Max (Sean Gullette) é um excêntrico e genial matemático que vive enclausurado em seu apartamento, tendo como únicos companheiros sua dores de cabeça terríveis controladas por doses cada vez maiores de remédios (as cenas do personagens tomando são muito semelhantes as dos personagens do “Réquiem” se drogando) e terríveis alucinações. Max busca através de um super computador criado por ele e de sua inteligência ímpar, provar sua maior teoria, a de que o PI tem uma seqüência lógica e que pode ser descoberta e o mais interessante, descoberto isso, as respostas para as maiores perguntas do homem poderiam ser reveladas. Tudo fica mais complicado quando uma agência que trabalha com a bolsa e um grupo de judeus estudiosos da Kabala entram na história e mostram que o interesse dessa descoberta não seria apenas uma grande realização pessoal. É sensacional o grau de envolvimento que o roteiro do filme nos leva, mesmo sem entender e gostar porcaria nenhuma de matemática e não se identificar em nenhum momento com nenhum dos personagens. Durante cada tentativa frustrada de Max, nos angustiamos junto com ele, durante cada fato novo desvendado nos filmes passamos a acreditar ainda mais em tudo que está sendo dito. Aronofsky mostra aqui que além de um excelente diretor é um roteirista de mão cheia. Gostei bastante de seu filme mais famoso, Réquiem para um sonho, que na minha opinião seria ainda melhor com um elenco mais desconhecido (o que acontece aqui nessa pequena obra-prima, principalmente por se tratar de um filme independente). Então, quando você chegar na locadora e ver no final da última prateleira aquele empoeirado filme estranho, com cara de ficção científica sem futuro, de capa preta e com um símbolo grego na capa, pelamordedeus, não o julgue pela capa (como eu fiz na hora que meu amigo (Valeu DAN) o escolheu) e alugue!!!
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