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	<title>Cinéfilos</title>
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	<description>Blog de cinema com cr&#237;ticas e coment&#225;rios sobre filmes</description>
	<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 12:41:43 +0000</pubDate>
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		<title>Choke: No Sufoco</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 12:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Direção: Clark Gregg.
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.
Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Clark Gregg.<br />
Elenco: Sam Rockwell, Kelly MacDonald, Anjelica Huston, Kathryn Alexander, Clark Gregg.</em></strong></p>
<p>Quem teve o prazer de penetrar no universo literário de Chuck Palahniuk sabe do humor que o autor destila em cada parágrafo de suas histórias. São histórias sobre personagens desesperados, rejeitados, ou viciados em alguma coisa e que, de uma certa forma estão alocados na sociedade, convivendo  trabalhando e assexuando por aí. Quem não lembra, foi ele quem escreveu o livro que originou Clube da Luta, que se tornou um dos melhores filmes da década passada. O mérito caiu sobre David Fincher, mas o autor de toda aquela paranóia foi Chuck Palahniuk.</p>
<p>Em sua segunda adaptação para as telas, o filme não teve reconhecimento nenhum nos cinemas estreando apenas em algumas sessões na Mostra Internacional de Cinema do ano passado, chegando diretamente nas locadoras, e o motivo pelo qual há tanta subestimação se deve ao fato de que as obras desse cara são fortes, tocantes e corrosivas demais para o espectador médio, digamos assim.</p>
<p>Victor Mancini é um desses errantes que figuram nas histórias do autor, vive de aplicar golpes em restaurantes se sufocando com a própria comida, frequenta grupos de auto-ajuda para viciados em sexo, apenas com o intuito de conhecer mulheres e praticar mais sexo. O único emprego que o cara consegue é num museu ao ar livre, onde ele é obrigado a se vestir como se estivesse em 1700. Tem uma mãe internada a beira da sanidade, com o Mal de Alzheimer (Anjelica Huston, ótima) a qual precisa de um tubo intestinal para se alimentar direito. O melhor amigo de Victor é um cara tão  maluco quanto ele que coleciona pedras e se masturba incontrolavelmente.</p>
<p>O filme transcorre em meios a essas sucessões bizarras e aos diálogos causticantes que fazem mais efeitos nas páginas do livro, pois há ótimas sacadas no livro, como o fato de que a mãe de Victor conta a ele que ele é o filho do Messias, por causa de um prepúcio sagrado roubado. Esses momentos passam despercebidos na tela, mas não porque o diretor Clark Gregg (que também atua no filme como o Lorde High Charlie) não sabe aproveitar o material de Chuck, mas por que as histórias do cara beiram o inadaptável.</p>
<p>Em Choke: No Sufoco, assim como em Clube da Luta, há uma grande surpresa no desfecho final, mas até isso fica comprometido nas telas, causando mais impacto na leitura mesmo. No mais, o filme é uma alegoria ácida contra a sociedade e seus podres, um filme totalmente injustiçado mais pelo fato da complexidade da história, que para um maior aprofundamento e diversão seria mesmo excursionando nas páginas do livro desse autor.</p>
<p><strong>Marcelo Ferreira</strong></p>
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		<title>O Último Trem</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 13:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Direção: Ryuhei Kitamura.
Elenco: Bradley Cooper, Vinnie Jones, Leslie Bibb,  Brooke Shields, Roger Bart, Tony Curran.
Clive Barker nunca teve tanto reconhecimento como Stephen King, embora seus contos ultrapassassem os limites da realidade, e mesmo pouco adaptado para o cinema Clive teve seu maior reconhecimento quando fora adaptado através do conto &#8220;The Hellbound Heart&#8221; que deu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Ryuhei Kitamura.<br />
Elenco: Bradley Cooper, Vinnie Jones, Leslie Bibb,  Brooke Shields, Roger Bart, Tony Curran.</em></strong></p>
<p>Clive Barker nunca teve tanto reconhecimento como Stephen King, embora seus contos ultrapassassem os limites da realidade, e mesmo pouco adaptado para o cinema Clive teve seu maior reconhecimento quando fora adaptado através do conto &#8220;The Hellbound Heart&#8221; que deu origem ao clássico Hellaiser. Um escritor do porte de Clive jamais poderia ficar de fora das adaptações do mundo do horror e da fantasia, e melhor ainda, não poderiamos nos contentar com meras adaptações.</p>
<p>Quem já teve o prazer de acompanhar os Livros de Sangue deve ter ouvido falar em &#8220;The Midnight Meat Train&#8221;, um dos maiores feitos desse autor de contos fantásticos, e que mora hoje com seu maridão em Los Angeles.</p>
<p>Ano passado, O Último Trem aportou em milhares de lugares (exceto nos lugares onde deveriam passar, ou seja, os cinemas) e causou uma certa expectativa nos fãs de carteirinha desse autor que desafia a imaginação de seus fiéis leitores. A história, não é exatamente a que vemos na tela, já que o conto de Clive tem apenas 40 páginas e mesmo assim o diretor Ryuhei Kitamura não consegue dar a vitalidade necessária que fomos brindados ao ler The Midnight Train. O medo que passa nas veias do leitor, aqui é transportado para a película num amontoado de sangue artificial que chega a impressionar, mas como sempre acontece nas adaptações de tudo quanto é material, a obra é sempre feita para a grande maioria, para evitar o fracasso. Assim, boicotaram o filme para que não estreasse nas telas grandes.</p>
<p>O Último Trem, conta a história do fotógrafo Leon Kaufman (Bradley Cooper) que tem em suas mãos a tarefa de realizar um ensaio fotográfico para uma galeria de arte que tenta mostrar a obscuridade por trás das facetas humanas, e ao iniciar seu trabalho numa estação de trem, o infeliz fotógrafo encontra o açougueiro Mahogany (Vinnie Jones), uma espécie de Jason Voorhees dos subterrâneos que mata as suas vítimas por uma causa muito estranha. Kaufman vê diante dos olhos a oportunidade da sua vida em desempenhar um trabalho acima do esperado, sem se dar conta de que esse encontro pode custar muito mais que a sua própria vida.</p>
<p>O filme só desaponta mesmo os maiores fãs de carteirinha do autor, pois ainda com toda essa embromação e obviedades da história, o japonês Kitamura dá um show para os admiradores por cinema de terror com bastante violência gráfica. O uso da câmera nas horas do massacre - diga-se de passagem uma certa cena onde a câmera rodopia exatamente de acordo com o impacto da martelada que uma infeliz recebe do açougueiro - com extremo requinte de crueldade. E mesmo esticando a história, o diretor ainda não sabe o que fazer com o final do filme, achatando o clímax do filme com uma desculpinha que não passa despercebido para os fãs do autor. Agora para quem leu a história, e ficou eriçado até com o desfecho da história, essa adaptação precisou mesmo de uma mão firme.</p>
<p><strong>Marcelo Ferreira</strong></p>
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		<title>Um Louco Apaixonado</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/04/um-louco-apaixonado/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 20:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[3]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: Robert Weide.
Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges.
Qualquer um que conheça Simon Pegg sabe que ir ao cinema para vê-lo é risada garantida. Por outro lado, quem não conhece, precisa ser atingido por outros ângulos, como a chamada do filme, direção, atores e atrizes, enfim. Quero falar especialmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Robert Weide.<br />
Elenco: Simon Pegg, Kirsten Dunst, Danny Huston, Gillian Anderson, Megan Fox, Jeff Bridges.</em></strong></p>
<p>Qualquer um que conheça Simon Pegg sabe que ir ao cinema para vê-lo é risada garantida. Por outro lado, quem não conhece, precisa ser atingido por outros ângulos, como a chamada do filme, direção, atores e atrizes, enfim. Quero falar especialmente do nome, em primeiro lugar.</p>
<p>Como um filme com o nome “How to lose friends and alienate people” foi se tornar “Um louco apaixonado” ?<br />
O título pouco atrativo ao estilo Sessão da tarde acabou cortando o brilho de um filme que tinha tudo para ser no mínimo uma comédia digna de ser bem-curtida.</p>
<p>A simplicidade do roteiro é evidente, as atuações não estão geniais, não há elementos e referências artísticas absurdas, é simples; o filme é basicamente Simon Pegg e seu jeito britânico de fazer humor. Uma mistura de Austin Powers ao estilo tosco de Mr. Bean, com uma historia pouco elaborada, porém cativante.</p>
<p>“Um louco apaixonado” é um filme ótimo para quem quer ir ver um filme onde você não precisa ficar pensando muito para entender cenas, partes, palavras-chave, sacadas, e todas essas coisas que hoje em dia estão tomando conta do cinema. Coisas essas que, às vezes acabam tirando de foco o objetivo principal de muitas pessoas que vão ao cinema: o entretenimento.</p>
<p><strong>Iuri Genovesi</strong></p>
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		<title>Gran Torino</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/03/gran-torino/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 14:16:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[4]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: Clint Eastwood.
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her.
[GRAN TORINO – Cena 1]
INTERNA – IGREJA – MANHÃ
Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um cara durão. Tão sólido quanto aço, matéria- prima da cidade industrial de Detroit, sua terra natal. No funeral da mulher, o patriarca de coração de ferro recebe secamente seus familiares. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Clint Eastwood.<br />
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her.</em></strong></p>
<p>[GRAN TORINO – Cena 1]<br />
INTERNA – IGREJA – MANHÃ</p>
<p>Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um cara durão. Tão sólido quanto aço, matéria- prima da cidade industrial de Detroit, sua terra natal. No funeral da mulher, o patriarca de coração de ferro recebe secamente seus familiares. Os olhos destinam desdém aos filhos. Aos netos o olhar é de reprovação pela falta de modos na igreja. Mesmo velando a companheira, não é capaz de demonstrar consternação. Tampouco olha para o caixão em sinal de luto.</p>
<p>Durante a missa, ouve com repúdio o sermão do jovem padre Janovich (Christopher Carley). O tema do sermão é a morte. Assunto que conhece bem, mas prefere guardar para si. Ele tem vontade de cuspir. Algo que sempre faz quando está nervoso. Não o procede por questão de respeito.</p>
<p>[GRAN TORINO - Cena 2]<br />
INTERNA – CASA DE KOWALSKI – MANHÃ</p>
<p>Terminado o enterro, Kowalski recebe os convidados em sua casa. Um grande domicílio com pátio modesto e uma grande garagem. É lá que se encontra sua relíquia mais preciosa. O ford Gran Torino, modelo 72, adquirido nos velhos e bons tempos da Ford, empresa que trabalhou boa parte da vida. O sótão da casa é o arauto da nostalgia. Caixas velhas, álbuns de fotos e outras recordações estão espalhados pelo subsolo e passam a ser revirados pelos seus netos.</p>
<p>Algo lhes chama a atenção. É a medalha de condecoração que o avô recebeu pelos serviços prestados na Guerra da Coréia em 1952. A experiência o marcou para sempre. Desde lá, tornou-se um patriota amargo. Um xenófobo anti-social da pior espécie. Preconceituoso a ponto de brigar com os filhos por comprarem carros da Toyota. “Morreria se comprasse um carro americano?” Um septuagenário solitário que passa seus dias na varanda de casa tomando cerveja e conversando com seu cachorro.</p>
<p>Quando o vizinho oriental da casa ao lado bate na porta e lhe pede emprestado um cabo de extensão, ele não o poupa de suas grosserias. O cabeça-de-zíper, como costuma chamar os asiáticos, se chama Thao (Bee Vang), um garoto tímido e sem rumo vivendo num bairro com perspectivas não muito animadoras aos imigrantes.</p>
<p>Alguns dias após o atrito com Kowalski, o jovem é instigado pela gangue do seu primo a entrar para o mundo do crime. Sua iniciação será furtar o Gran Torino do vizinho idoso e solitário. Mas como não tem aptidão nenhuma para a delinquência, Thao acaba sendo apanhado pelo velho combatente, armado até os dentes com revolver e espingarda. O flagrante dará origem a provação mais importante da vida de Kowalski. Em vez de chamar a polícia, ele acaba acidentalmente salvando a vida do garoto que a partir dali terá a vida infernizada pela gangue. A situação acaba o aproximando da família de asiáticos, principalmente de Thao e da sua doce irmã Sue Lor (Ahney Her). Faz amizade com todos, menos com a “vovó”, com quem trava “duelos de cuspe”. </p>
<p>Fluente em temáticas, Gran Torino pode ser visto sob diferentes pontos de vista. Numa maneira superficial é um filme sobre redenção (bem besta, por sinal). Mas numa leitura mais aguçada vemos que Clint Eastwood, também diretor e roteirista do filme, nos coloca diante de uma América suburbana com seus valores em xeque. Um lugar com crianças sem respeito e noção de valores, educados por adultos negligentes e passivos, gerando assim uma família fugaz e desunida que não se vê nem nos dias de Ação de Graças. Os poucos espaços que restam no país, estão ocupados por gente de fora que chegam ali com seus bons e maus costumes. Enquanto isso, a Igreja viceja seu discurso alienante para a sociedade, sem o mínimo conhecimento de causa.</p>
<p>A visão amarga do protagonista, no entanto, não reflete a visão do autor. Ela serve apenas para expor um microcosmo social da sociedade americana, julgado pela ótica de uma pessoa que, se por um lado é preconceituosa e resistente às mudanças, por outro tem lá suas razões. Como na cena em que Kowalski enfrenta uma gangue de negros, prestes a praticar estupro. Ou quando cobra mais responsabilidade de Thao em arranjar uma profissão e escapar do destino comum dos imigrantes do bairro: “As garotas vão para a faculdade. Os garotos para a cadeia”. Usa também o humor quando seu personagem desconhece a descendência hmong dos vizinhos do sudeste asiático. A típica alienação do americano médio -a capital do Brasil é Buenos Aires, disse um certo presidente. É uma pena que Clint contorne os conflitos da história de forma descompromissada e faça uma reviravolta brusca do personagem.             </p>
<p>Em vez de ter uma mudança gradual, Kowalski passa do xenófobo odiável ao dirty Harry da paz, que defende os fracos e oprimidos com sua pistola justiceira. O típico personagem-fantoche que exorciza uma vida de pecados capitais num ato de bravura descomedida. Tudo pela coerência do heroísmo. Tudo pelo final hollywoodiano. Tudo pela lágrima do espectador.  </p>
<p>Embora seja um americano nato, Clint Eastwood sempre foi um cidadão do mundo. Como ator de filmes de faroeste, ganhou fama pelas lentes do genial artífice italiano Sergio Leone. Quando decidiu se tornar cineasta foi bastante incentivado pelos europeus, sobretudo na França onde recentemente agradeceu o apoio após receber a Palma de Ouro em Cannes pelo conjunto da obra. Recentemente retratou com perfeição a versão japonesa da 2°Guerra no filme Cartas de Iwo Gima.</p>
<p>Após decretar em Gran Torino sua despedida em frente às câmeras, Clint teve a atuação indicada pela Associação de Críticos de Chicago. Chegou-se a especular uma indicação ao Oscar, o que acabou não acontecendo. Um fato curioso é que na sua última tentativa de levar a estatueta ele escolheu um papel muito parecido com o de Henry Fonda (Era uma Vez no Oeste) em Num Lago Dourado.</p>
<p>Quando interpretou nesse filme um velho rabugento que alimenta uma relação difícil com a filha, Fonda tinha 76 anos e sagrou-se o ator mais velho a receber o prêmio da Academia.  E assim como Walt Kowalski, seu personagem acaba se afeiçoando com um garoto que não é da sua família. Mas é claro que tudo não passa de uma coincidência. O fato é que Clint, nunca foi um ator genial, embora tenha tido grandes momentos, como em As Pontes de Madison, por exemplo. Coisa que não importa muito se considerarmos sua impecável e vitoriosa carreira de cineasta. Afinal, não dá pra vencer todas.</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>O Visitante</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/03/o-visitante/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 14:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[4]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: Tom McCarthy.
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Hiam Abbass.
O tempo passa, mas o 11 de setembro continua tão próximo do presente quanto o dia de ontem. Ninguém duvida que o acontecimento seja o mais significativo do século 21 e o que mais mudanças acarretou na sociedade, sobretudo na norte-americana. Um desses desdobramentos é a vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Tom McCarthy.<br />
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Hiam Abbass.</em></strong></p>
<p>O tempo passa, mas o 11 de setembro continua tão próximo do presente quanto o dia de ontem. Ninguém duvida que o acontecimento seja o mais significativo do século 21 e o que mais mudanças acarretou na sociedade, sobretudo na norte-americana. Um desses desdobramentos é a vida dos imigrantes árabes nos Estados Unidos, pano de fundo de O Visitante, segundo filme do diretor/ator Tom McCarthy e que rendeu a Richard Jenkins a indicação de melhor ator dada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.       </p>
<p>Eterno coadjuvante no cinema, Jenkins tornou-se conhecido do público da televisão na série A Sete Palmos, onde interpreta o patriarca morto de uma família de agentes funerários e que volta e meia “aparece” para conversar com a mulher e os filhos. Sarcástico e com uma gargalhada marota ele dá pitacos sobre erros do passado e aconselha os filhos nas suas decisões. Um morto com vivacidade. Em O Visitante, ele é o oposto disso.</p>
<p>Seu personagem, o professor Valter Vale é um viúvo recluso, monossilábico que empurra a vida com a barriga. Na universidade em Connecticut, leciona a mesma matéria há 20 anos e nas folgas livres tenta sem sucesso escrever um novo livro e aprender piano. O olhar vazio e o jeito seco e educado de cortar as pessoas dão a dimensão do seu isolamento. Ao ser convocado para ir numa conferência em Nova Iorque, ele não esconde a frustração.</p>
<p>Por sorte ele tem um apartamento na cidade que não visita há meses. Dentro dele, ele encontra um casal de imigrantes ilegais que foi enganado por um falso corretor que subalugou o imóvel. O nome do garoto é Tarek (Haaz Sleiman), um percussionista sírio. Sua namorada africana se chama Zainab (Danai Gurira) , que ganha a vida como vendedora ambulante. Desfeito o mal entendido, Vale se compadece com os dois e os deixa ficar no apartamento por uns tempos até encontrarem um novo lar.</p>
<p>A amizade cresce entre ele e o simpático Tarek que o ensina os meandros da percussão. Apaixonado por música e viúvo de uma ex-pianista, o professor se encanta com o instrumento e desfruta de uma empolgação inédita. Logo os dois amigos estarão fazendo exibições pelas ruas da cidade. Até que num “mal-entendido” da polícia, o músico acaba preso pela imigração.</p>
<p>Nesse ponto, o diretor dá sua tacada de mestre. Sai um coadjuvante, entre outro. Após a prisão de Tarek, Mouna ,interpretada pela atriz Hiam Habbas (Paradise Now), aparece no apartamento em busca de notícias do filho. A ligação de Vale com a nova hóspede é ainda mais forte e tonificante, sacudindo de vez  asua tépida existência. Com ela, ele encontra uma razão para sair pela porta e não apenas abri-la para outras pessoas.</p>
<p>Conduzido com mãos leves e passadas curtas, O Visitante é um filme pequeno, mas caprichado, com as arestas bem aparadas. O pouco tempo atrás das câmeras não foi uma barreira para McCarthy. Embora tenha no currículo apenas o filme O Agente da Estação, o fato se ser também ator parece ter lhe dado o know-how para extrair o melhor do elenco. Tanto a dupla de jovens, quanto a dupla de veteranos mantém a regularidade das atuações. Haaz Sleiman e Danai Gurira são muito carismáticos, principalmente o ator. Hiam Habbas tem uma aparição curta, mas marcante. A voz contida e os traços fortes do rosto realçam na tela as inquietações da sua personagem. Já Richard Jankins não recebeu à toa sua indicação ao Oscar.</p>
<p>O olhar de esguelha que lança nas pessoas, os gestos claudicantes e inseguros dele, compõem um estereótipo preciso do homem de carreira sólida, mas que parte solitário  da meia-idade para a última fase da vida. E quando uma situação insólita lhe proporciona uma nova guinada, ele não perde a oportunidade de reviver sentimentos há muito tempo apagados.</p>
<p>A forma como o diretor une e desune as pessoas é outra virtude do filme. É muito sutil o modo como os personagens vão se transformando conforme o destino. De batucada em batucada, Vale vai pulsando suas emoções enquanto os outros perdem sua musicalidade. Da ópera ao afrobeat, a trilha musical embala com suavidade os dramas pessoais dos personagens. A crítica à maneira que o governo americano trata os imigrantes também é posta sem exageros na trama.</p>
<p>Um dos poucos deslizes cometidos por McCarthy é o desenvolvimento de alguns conflitos. Sabe aquela história de que antes da cena acontecer tu já se adianta dizendo: “Ele vai fazer isso!”. O roteiro não bate uma, mas várias vezes nessa tecla. Pegar o espectador de surpresa, no entanto, não foi a pretensão do cineasta. Pois O Visitante é consistente o bastante para precisar de cartas de manga.</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Modelos Nada Corretos</title>
		<link>http://cinefilos.interativo.org/filmes/2009/03/modelos-nada-corretos/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 14:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[3]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: David Wain.
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb&#8217;e J. Thompson, Elizabeth Banks.
A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: David Wain.<br />
Elenco: Seann William Scott, Paul Rudd, Christopher Mintz-Plasse, Bobb&#8217;e J. Thompson, Elizabeth Banks.</em></strong></p>
<p>A experiência de ter atuado para Judd Apatow fez bem a Paul Rudd. As tiradas inteligentes e o humor físico dosado do cineasta de O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos fervilharam de idéias a cabeça do ator. Só mesmo essa teoria para explicar Modelos Nada Corretos (Role Models), filme estrelado e roteirizado por Rudd e comandado por David Wain, outro cineasta com quem o ator trabalha com frequência.     </p>
<p>A comédia, que conta ainda com Sean William Scott (o eterno Stifler de American Pie) e a jovem revelação Christopher Mintz-Plasse (Superbad, É Hoje), aborda de maneira escapista e desencanada questões como a falta de maturidade, vida em família e a importância da amizade. Danny (Paul Rudd) e Wheleer (Sean William Scott) são dois amigos que trabalham juntos vendendo energético em escolas primárias. Danny é um adulto amargo que odeia o emprego sem perspectivas. “Estamos vendendo mijo nuclear de cavalo à 6 dólares a lata.” . Pra piorar está em crise com a namorada Beth (Elisabeth Banks) com quem namora há sete anos. Wheleer é um “adultescente” que se não se apega a nada, a não ser ouvir Kiss e ter noitadas de sexo com mulheres desconhecidas. “Adivinha o que eu fiz ontem à noite?”, diz ele esticando dois dedos na cara de Danny após ser deixado na porta do trabalho por uma mulher num conversível.</p>
<p>A vida fugaz e sem grandes objetivos que ambos levam é interrompida por dia ruim. Ao se envolverem numa briga e baterem a caminhonete em horário de trabalho, eles são obrigados a prestarem 150 horas de serviços comunitários numa instituição de caridade. Ou cumprem o serviço ou vão para a cadeia. O trabalho será cada um apadrinhar uma criança carente. Acontece que a dona da fundação não vai com a cara deles e escolhe logo os dois piores alunos. Danny fica responsável por Augie (Mintz-Plasse), um nerd alienado que passa o dia fantasiado de cavaleiro na companhia de outros nerds participando de RPG ao vivo. Já Wheleer tem sob seus cuidados o delinquente Ronnie (Bobb Thompson), um garoto pervertido e boca suja.</p>
<p>Após o estranhamento inicial, as coisas começam a ir bem para Wheleer e Ronnie. De encrenqueiro, o garoto passa a admirador do seu padrinho emprestado. Há momentos impagáveis entre os dois. Como na cena onde o adulto o ensina a “observar os peitinhos” ou quando ele lhe dá a definição oficial do Kiss: “Eram judeus que cresceram em Nova Iorque, tocavam guitarras e usavam maquiagem para pegar garotas. Todas as músicas deles são sobre transar!” O mesmo não acontece com Danny que não suporta muito o mundo de fadas e elfos de Augie. Começa a simpatizar com o garoto apenas quando conhece sua tortuosa vida familiar composta por uma mãe relapsa e um padrasto negligente.</p>
<p>Sem se apegar muito no drama pessoal dos personagens Modelos Nada Corretos ganha pontos nas piadinhas infames que misturam besteirol com referências cinematográficas. Tudo bem que um garoto de 8 anos nunca tenha ouvido falar na Jéssica Tandy e diga “Foda-se Miss Daisy” no filme. Pois essa despretensão é levada até o fim trama, sem descambar em moralismos ou lições de vida como acontece em muitas comédias pastelão. Em compensação é nas gags mais físicas e nas tiradas mais pesadas que o filme perde pontos. Homens, sem dúvida, irão apreciar mais o longa do que as mulheres já que ele aborda a questão do companheirismo entre amigos – que convenhamos, tem uma dinâmica diferente da amizade feminina. No fim das contas, é um filme alto astral que se não é do nível dos trabalhos de Judd Apatow ao menos é um entretenimento divertido, sem grandes ambições além de arrancar risadas do espectador.</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Pagando Bem, Que Mal Tem?</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 13:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Direção: Kevin Smith.
Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jason Mewes, Brandon Routh, Justin Long.
Miri: Ninguém quer ver a gente transando.
Zack: Todo mundo quer ver qualquer um transando!
Nas congregações nerd espalhadas pelo mundo, Kevin Smith é rei. Fora delas, também. Cineasta e especialista em quadrinhos, não é difícil simpatizar com o trabalho dele. A naturalidade e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Kevin Smith.<br />
Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jason Mewes, Brandon Routh, Justin Long.</em></strong></p>
<p>Miri: Ninguém quer ver a gente transando.<br />
Zack: Todo mundo quer ver qualquer um transando!</p>
<p>Nas congregações nerd espalhadas pelo mundo, Kevin Smith é rei. Fora delas, também. Cineasta e especialista em quadrinhos, não é difícil simpatizar com o trabalho dele. A naturalidade e o humor ácido com o qual aborda temas como sexo, amizade, amor e morte fazem dele o filho nerd que o Woody Allen não teve. Em seu novo filme Pagando bem Que Mal Tem?, Smith invade um submundo que embora muita gente dê uma espiadinha, ainda é visto como algo marginal pela sociedade: a pornografia.</p>
<p>Zack (Seth Rogen) e Miriam (Elizabeth Banks) são amigos de infância que moram juntos há 10 anos. Nesse tempo todo nunca houve nada na intimidade deles além de amizade e cumplicidade. Quando comparecem juntos no encontro da turma do segundo grau percebem o quanto a vida deles está estagnada. Nadando em dívidas e torrando dinheiro onde não devem, eles resolvem fazer um filme pornô e distribuí-lo na internet para organizar as contas e conseguir uma grana extra. Selecionado o “elenco” do filme eles iniciam as filmagens acreditando que o sexo não irá prejudicar a amizade deles. O resto, todo mundo que já assistiu alguma comédia romântica sabe…</p>
<p>Maaasss, nem todas as comédias românticas são comandadas por Kevin Smith. Embora seu novo trabalho não chegue aos calcanhares de Procura-se Amy - e as referências a Star Wars sirvam apenas pra encher linguiça - o diretor não decepciona seu público. Até os últimos 30 minutos, o filme é um entretenimento sarcástico e politicamente incorreto. Com cenas grotescas e piadinhas infames  - “A Paris Hilton, deu para um cara num vídeo de visão noturna e agora vende perfumes para adolescentes” -  &#8220;Pagando Bem, Que Mal Tem?&#8221; se sustenta na despretensão, mas perde o clima quando cai no lugar-comum do romance.</p>
<p>Interpretando o mesmo estereótipo de outras comédias, Seth Rogen mostra que é ótimo nesses papéis de “adulto irresponsável que teima em amadurecer”. O próprio Smith admitiu que procurava alguém como ele para atuar nos seus filmes, e que Rogen acabou encaixando perfeitamente no papel. Uma novidade na produção foi a presença de Katie Morgan. Famosa no ramo de filmes adultos, a atriz pornô mostrou no filme aquilo que sabe fazer melhor.Sorte do Jason Mewes que contracenou com a beldade em cenas até bem picantes.</p>
<p>Embora já tenha utilizado um texto até mais execrável em trabalhos anteriores, Kevin Smith teve problemas para divulgar o novo filme cujo nome original é Zack and Miri Make A Porno. Primeiro o pôster original foi barrado porque foi considerado obsceno. Smith alterou e em seguida emissoras de TV se recusaram a divulgar o filme. Motivo? A palavra pornô. Ou seja, uma palavra que vale mais que mil imagens. Curioso, não? Kevin Smith deve ter ficado satisfeito. Pois nada é mais nerd do que inverter a lógica…  </p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Quem Quer Ser Um Milionário?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 14:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Direção: Danny Boyle.
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Freida Pinto.
Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou para rodar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Danny Boyle.<br />
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Saurabh Shukla, Freida Pinto.</em></strong></p>
<p>Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou para rodar um filme. Realizador descompromissado, abraçou um projeto trivial: adaptar às telas o best-seller indiano &#8220;Q &#038; A&#8221;, de Vikas Swarup - batizado posteriormente de Slumdog Millionaire (e por aqui Quem Quer Ser Um Milionário?). Detalhe: ele teria que fazer isso com um orçamento modesto – pouco mais de U$ 15 milhões -, e contar com elenco formado por atores locais. Ou seja, uma co-produção longe de ser ambiciosa…</p>
<p>Terminadas as filmagens, Quem Quer Ser Um Milionário? foi para a edição e chegou silenciosamente às salas de cinemas americanas no fim de agosto. Passados seis meses do lançamento oficial, a  pergunta é inevitável: como um filme realizado na Índia com atores indianos e dirigido por um cineasta pouco convencional como Boyle faturou cerca de US$ 80 milhões, saiu consagrado nos principais festivais de cinema ganhando inclusive o Oscar de melhor filme? Mas o sucesso do “vira-lata milionário” se deve por muitas razões.</p>
<p>A principal delas: Danny Boyle. Se antes o britânico podia ser rotulado como “o cara que dirigiu Trainspotting e alcançou sucesso comercial com Extermínio” agora a coisa muda de figura. Um de seus méritos em Quem Quer Ser Um Milionário? foi adaptar um conto de fadas urbano, aliando a pirotecnia eletrizante dos trabalhos anteriores com a estética bollywoodiana. Em menores palavras: ele consegue contar uma história simples de maneira surpreendente.</p>
<p>O filme começa com uma interrogação: “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu?” Um novo letreiro lança as alternativas. Terá Jamal (Dev Patel) trapaceado no jogo de perguntas e respostas? É sorte? Ele é um gênio? Ou…hmmm..está escrito? Com um recurso narrativo simples, Boyle arma a bomba que irá acionar lá no fim do filme. Mas até lá, o espectador ficará vidrado. </p>
<p>Na cena seguinte, descobrimos que Jamal é um menino pobre e sem estudo, de apenas 18 anos. Seu bom desempenho no jogo soa incoerente ao apresentador do programa que pede à polícia para torturá-lo até confessar a fraude. Na delegacia, o delegado ouve a trajetória insólita do garoto que apesar da pouca idade conviveu com a pobreza, o preconceito e a criminalidade.</p>
<p>De origem muçulmana, Jamal cresceu sem rumo ao lado do irmão Salim, aliciado ao crime organizado, e de Latika (Freida Pinto, muito gata), o grande amor da sua vida. Foi para reencontrá-la que ele se inscreveu no “show do milhão indiano”. E foi a luta pela sobrevivência o conhecimento que proporcionou a ele acertar as perguntas.       </p>
<p>Entre flashbacks e o tempo corrente que meneiam a vida de Jamal, a câmera de Boyle registra uma trama onde a decadente e flagelada capital Bombaim dá lugar ao desenvolvimento social e a prosperidade tecnológica. Na infância, o protagonista é visto numa favela percorrendo vielas, casebres e animais. Uma cena em particular chama a atenção: a câmera abandona Jamal e passa a acompanhar uma galinha em movimento. Se Boyle não quis homenagear Fernando Meireles pela abertura de Cidade de Deus, ele emulou a cena inconscientemente. Das duas uma.         </p>
<p>Na vida adulta do garoto vemos o renascimento de Bombaim, que passa a se chamar Mumbai. Salpicada de arranha-céus, a cidade que enriqueceu com a informática é captada com onipotência pelo diretor. E é do alto de um prédio em construção que Jamal reencontra Salim, então braço direito do traficante mais temido da região. É com a ajuda do irmão bastardo que ele conseguirá ter acesso ao seu prêmio mais valioso.         </p>
<p>Todos esses elementos – amor, corrupção, violência e instinto - se harmonizam num desfecho previsível e melodramático. Um dramalhão escancarado com ares de fábula, no melhor estilo Bollywood. Alie, portanto, essa despretensão com a crítica social e o ritmo eletrônico de Boyle e temos um dos filmes mais originais do ano. Nesse panorama, o roteiro adaptado de Simon Beaufoy funciona como catalisador no sentido equilibrar os excessos da trama. O final em ritmo de dança é uma homenagem tácita do diretor ao cinema indiano. </p>
<p>Numa trajetória marcada por bons momentos – os ótimos Traisnpotting e Cova Rasa - e outros nem tanto – o mediano Sunshine e o péssimo A Praia - Danny Boyle encontra fora do país, o seu golpe de mestre. Com Quem Quer Ser Um Milionário? o diretor finalmente chegou no seu auge. Como ele conseguiu?       </p>
<p>A: Ele trapaceou<br />
B. Ele é sortudo<br />
C. Ele é BOM<br />
D: Está escrito</p>
<p>Resposta fácil!</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Frost/Nixon</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 14:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Direção: Ron Howard.
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones.
O escândalo Watergate é uma página negra da história americana. Mas ao contrário de outros colapsos que abalaram os Estados Unidos como a Guerra do Vietnã, a crise de 29 ou o assassinato de John Kennedy, esse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: Ron Howard.<br />
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones.</em></strong></p>
<p>O escândalo Watergate é uma página negra da história americana. Mas ao contrário de outros colapsos que abalaram os Estados Unidos como a Guerra do Vietnã, a crise de 29 ou o assassinato de John Kennedy, esse incidente deu pouco pano para a manga no cinema. Seu exemplar mais conhecido e contundente é &#8220;Todos os Homens do Presidente&#8221;. O filme lançado em 1976 por Alan J. Pakula disseca os percalços que levaram os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein a desmascarar o presidente Richard Nixon e sua conduta criminosa de solicitar escutas na sede do partido democrata. </p>
<p>Além desse filme, umas poucas menções a Watergate foram abordadas em &#8220;Nixon&#8221;, de Oliver Stone, e uma paródia ainda foi feita por Robert Zemeckis em &#8220;Forrest Gump&#8221;. Passados 26 anos do incidente, o diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante) retoma as repercussões do escândalo em Frost/Nixon, num belo trabalho que retrata os bastidores da entrevista do apresentador britânico David Frost com Richard Nixon, três anos após o chefe de estado ter renunciado a presidência. A conversa, gravada em quatro dias diferentes, foi marcada por estratégias e momentos tumultuosos nos bastidores.</p>
<p>Enquanto Nixon pretendia valer-se da sua retórica e fazer da entrevista um trampolim para a renovação de sua carreira política, Frost buscava retornar aos Estados Unidos onde não obteve sucesso com seu programa de variedades. Para isso, teria que fazer com que Nixon admitisse seus erros e explicasse Watergate, assuntos que não vieram à tona no seu discurso de renúncia. O material gerou uma das entrevistas mais vistas da história da televisão e ganhou os palcos antes de ir às telas.</p>
<p>Representando os mesmos papéis da montagem teatral, Michael Sheen – o Frost – e Frank Langella – o Nixon – protagonizam um duelo pessoal pela melhor performance; tão acirrado quanto a própria disputa travada pelos personagens reais no incidente. Na vida real Frost levou a melhor. Na ficção, o Nixon de Langella foi quem ganhou indicação para os festivais, inclusive ao Oscar de melhor ator.</p>
<p>Visto por muitos como um diretor de mão pesada, Ron Howard mostra em Frost/Nixon sua capacidade de surpreender. Se em trabalhos anteriores o cineasta produziu filmes maçantes, nesse ele abriu mão da habitual mesmice burocrática. Filmes políticos são geralmente chatos e tediosos e são bem diferentes do clima eletrizante e da estrutura movimentada do filme que ele concebeu. Para ter esse efeito, colaboram a edição em forma de making-of - com assessores do político e do apresentador narrando os episódios para as câmeras - e a habilidade do diretor atrás das câmeras. Um close-up aqui, outro ali e as lentes vão revelando imagens fortes, onde uma única expressão ou um silêncio embaraçoso são vitais para a compreensão dos fatos.</p>
<p>Nesse aspecto, outro recurso importante é a trilha sonora de Hans Zimmer. É ela, ou a ausência dela, que ambientam o suspense e aguçam o poder das imagens. Mas nada foi mais importante para o mérito do filme do que a caracterização de Langella e Sheen de seus personagens. David Frost é o apresentador de auditório mulherengo e de erudição rasa, mas brilhante na frente das câmeras. E Sheen transparece bem essa essência.</p>
<p>Nos primeiros dias de entrevista ele é engolido pela sabedoria e a imponência sofista de Richard Nixon, um leão ferido, mas sedento para sair da jaula de isolamento que é sua vida fora da vida pública. Uma das cenas mais emblemáticas do filme acontece quando o presidente, embriagado, liga para Frost e desabafa nas vésperas da última gravação: dessa disputa, só um deles vencerá… Não foi fácil para Langella humanizar um dos presidentes mais odiados dos Estados Unidos. E ele conseguiu. É impossível não se compadecer com a derrocada política e até mesmo psicológica de Nixon.</p>
<p>Com tantos adjetivos favoráveis, Frost/Nixon só podia entrar para a safra dos grandes filmes sobre os bastidores da política e da comunicação de massa tais como, &#8220;Rede de Intrigas&#8221;, &#8220;Todos os Homens do Presidente&#8221;, &#8220;A Montanha dos Sete Abutres&#8221; e o recente &#8220;<a href="http://cinefilos.interativo.org/filmes/2006/02/boa-noite-e-boa-sorte/">Boa Noite, Boa Sorte</a>&#8220;.  Mesmo não tendo levado nenhuma estatueta das cinco que concorreu no Oscar, faz um recorte interessante de um episódio histórico ainda não apagado na sociedade americana.  </p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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		<title>Dúvida</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 14:07:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>leitor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[3]]></category>

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		<description><![CDATA[Direção: John Patrick Shanley.
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams, Viola Davis, Alice Drummond, Audrie J. Neenan, Susan Blommaert, Carrie Preston.
Na superfície ornamentada da sacristia da igreja St. Nicholas, no Bronx, o padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) declama seu sermão com palavras macias e serenas: “O que vocês fazem quando não têm certeza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Direção: John Patrick Shanley.<br />
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams, Viola Davis, Alice Drummond, Audrie J. Neenan, Susan Blommaert, Carrie Preston.</em></strong></p>
<p>Na superfície ornamentada da sacristia da igreja St. Nicholas, no Bronx, o padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) declama seu sermão com palavras macias e serenas: “O que vocês fazem quando não têm certeza de algo?”. Estamos em 1964, ano seguinte à morte do presidente John Kennedy, a quem o pároco utiliza como metáfora para exemplificar o estado de desorientação que por vezes sentimos. Seu rosto revela feições harmoniosas na medida em que desfaz os nós de sua parábola sobre o sentimento de dúvida, tópico principal do seu discurso.  </p>
<p>Em meio ao sermão, um vulto negro se levanta e anda na direção do padre. As botas lustrosas espocam no chão em passadas pesadas e onipotentes. Quase ao pé do altar, a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) ouve a oratória de queixo erguido e olhar de reprovação contida. O rosto impetuoso não esconde a frustração.</p>
<p>Com esse prelúdio de seres opostos podemos pressentir a atmosfera de conflito que virá em Dúvida, segundo trabalho do há muito tempo oscarizado diretor e roteirista John Patrick Shanley. O filme destacou-se na cerimônia do Oscar por arrebatar cinco indicações, quatro delas nas categorias de atuação. Meryl foi indicada a melhor atriz e Hoffman a ator coadjuvante, enquanto Viola Davis e Amy Adams se enfrentaram no prêmio de atriz coadjuvante. A outra indicação foi pelo roteiro adaptado de uma peça de teatro escrita pelo próprio cineasta. </p>
<p>O epicentro da polêmica abordada no filme se dá na escola da paróquia, onde a irmã Beauvier imprime aos alunos e professores um regime mão de ferro .“Lamento terem permitido canetas-tinteiro aqui na escola. Hoje em dia é tudo do jeito mais fácil”, pragueja ela para uma professora. Padre Flynn tem idéias moderadas e tenta aos poucos fazer a diretora adaptar-se aos novos tempos. As idéias progressistas do pároco e seus sermões nada convencionais perturbam a religiosa devota. E quando irmã James (Amy Adams) levanta suspeita dele num suposto caso de abuso sexual a um aluno, irmã Beauvier encontra o bote certeiro para expulsá-lo da paróquia.  Aí é que as interrogações se salientam sobre nossa cabeça. Será que o padre, tão bonzinho e dedicado,  é realmente o culpado?  Ou a diretora, mais simpática do que uma bacia de roupa suja, é paranóica e se apega em convicções cegas?</p>
<p>Embora o conflito travado entre os religiosos na trama se passe nos anos 60, a questão reflete um problema atual do sacerdócio católico: a pedofilia. Shanley, que no currículo de diretor tem apenas Joe contra o Vulcão, conseguiu em feito notável em 1987. Com o roteiro que escreveu para Feitiço da Lua , ajudou a cantora Cheer a ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Em Dúvida, o grande mérito do texto é impor uma dinâmica de mistérios e incertezas nos personagens. O menino que sofre o abuso, por exemplo, demonstra o oposto do rancor quando vê o padre. A mãe do garoto (Viola Davis) talvez saiba a verdade, mas prefere ser obtusa em relação ao assunto. A irmã James, por sua vez, ora acredita ora duvida do que aconteceu.</p>
<p>O desfecho distribuiu pistas para os dois lados para onde a verdade potencialmente se enverga. E aí está um grande mérito do filme. O dualismo dúvida versus certeza, tolerância  versus ceticismo travado pelos protagonistas é uma pedrada que escurece o lago de soluções idealizadas pelo espectador. E como o padre Flynn antecipa no seu primeiro sermão: “A dúvida pode ser um elo tão poderoso e sustentável como a certeza”.</p>
<p>Em Dúvida, a intenção de Shanley como cineasta é das melhores, mas sua inexperiência atrás das câmeras ofusca um pouco o resultado. Já as atuações de Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman são tão grandiosas quanto inverossímeis. Embora dêem um show de interpretação vemos de mais os atores e de menos seus personagens. É o que se pode chamar de incongruências do talento…</p>
<p><strong><a href="http://blig.ig.com.br/planosequencia/" target=_blank>Charles M. Helmich</a></strong></p>
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