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O Sétimo Selo

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Direção: Ingmar Bergman.
Elenco: Max von Sydow, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe, Bibi Andersson, Bengt Ekerot, Gunnel Lindblom, Maud Hansson, Ake Fridell, Inga Gill, Maud Hansson, Inga Landgré, Bertil Anderberg.

A vida tem algum sentido ou significado? Deus, o Diabo, os anjos e os demônios existem? O que há para além desta vida, para além da morte? Questões muito mais do que complexas, muito mais profundas do que a nossa efêmera existência pode almejar. Questões que nos colocam diante do absurdo que é a vida. Poucas pessoas são as que chegam até a profundidade que estas questões proporcionam. Ainda menos numerosas são as obras de arte que nos colocam diante de tais questões. “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman é uma destas escassas obras de arte.

Nele nós acompanhamos o regresso de um cavaleiro que acaba de retornar das Cruzadas para sua terra natal, e que se depara com a Morte personificada, que deseja levá-lo com ela. Vendo que iria “passar desta para uma melhor”, o cavaleiro decide convidá-la para um jogo de xadrez, a fim de ganhar mais algum tempo vivo. A partir daí, acompanhamos o filme sob dois prismas que terminam por se conjugarem. Pelo lado do cavaleiro, percebemos toda a aflição que alguém pode sentir ao ter suas mais profundas convicções abaladas. Tendo vivenciado as Cruzadas, a peste e tendo agora a Morte à sua espera, o cavaleiro passa a refletir sobre a existência de Deus e o significado da vida. Decide então, dedicar o tempo de vida que ganhou com a partida de xadrez que se desenrola, para tentar fazer ou encontrar algo na vida que seja significativo. Por outro lado, acompanhamos a vida de uma “família” de artistas itinerantes, que vivem sob a opressão da pobreza. Apesar disso, esta família encontra uma felicidade, e por que não, um sentido para a vida, nas coisas simples.

“O Sétimo Selo” é um filme majestoso por nos colocar diante de algumas das maiores questões da humanidade com uma simplicidade assustadora. É fantástico que por meio de algo tão simplório como um jogo de xadrez nós possamos ver o desenrolar de questões existenciais que estão sempre diante de nós, seres humanos. A obra de Bergman é simplesmente genial. Certamente um dos melhores filmes de todos os tempos, por nos possibilitar examinarmos questões tão vitais por nós mesmos. O filme é filosofia pura! Mas é somente isso que se poderia esperar quando entra em cena a Musa da Filosofia (a Morte). Assistir este filme é altamente recomendável por ele transmitir uma experiência tão forte com a vida. E com a morte.

Henrique Torres

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À Prova de Morte

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Direção: Quentin Tarantino.
Elenco: Kurt Russell, Zoe Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Marley Shelton, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Marcy Harriell, Eli Roth.

Por alguns problemas com direitos de reprodução o filme chega somente agora ao Brasil, três anos depois de sua criação. O que é uma pena. O filme nos mostra a perseguição armada por um dublê psicopata a dois grupos de garotas. Não se equipara às obras que consagraram Tarantino. Contudo, para aqueles que são fãs do diretor (que é o meu caso), o filme é deleite certo.

Isto porque, estão presentes no filme marcas registradas do diretor; sangue jorrando, membros voando, violência de maneira inteligente e refinada, tomadas de câmera de lugares inusitados, mulheres se superando e dando a volta por cima, uma trilha sonora que faz qualquer um entrar no embalo do filme, diálogos espetacularmente verossímeis e até mesmo a aparição do próprio diretor. O filme proporciona vários dos elementos que ajudaram a consagrar Tarantino. Particularmente, gosto muito dos diálogos que perpassam o filme. Não que eles atinjam a genialidade do diálogo inicial de Cães de Aluguel, por exemplo. Mas eles são muito bem trabalhados, de tal forma que parece simples fazer pessoas fictícias assemelharem-se tanto a pessoas reais dialogando. Acho que este é o ponto mais forte dos filmes de Tarantino; fazer com que determinado tipo de pessoa pareça uma pessoa como todas as outras, e não um estereótipo. Em suma, Tarantino é um realmente um gênio dos diálogos e “À Prova de Morte” não deixa de ser uma demonstração disto.

Como disse anteriormente, para aqueles que admiram os trabalhos de Tarantino, o filme é uma boa opção por todos os aspectos que mencionei acima e que estão presentes no filme. Contudo, não podemos deixar de avaliar e comparar este filme com relação às obras anteriores do diretor, e com isso, notar que o filme está aparentemente longe de “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”, que o consagraram.

Henrique Torres

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Os Perdedores

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Direção: Sylvain White.
Elenco/Vozes: Jeffrey Dean Morgan, Chris Evans, Zoe Saldana, Idris Elba, Jason Patric, Columbus Short, Holt McCallany, Peter Macdissi, Óscar Jaenada, Peter Francis James.

Existe uma grande diferença entre ser um idiota e parecer ser um idiota. Muitos filmes acabam errando na medida e se tornam uma piada ao invés de fazer uma piada. Sátiras geralmente caem nessa armadilha, e se tornam mais ridículas ainda. Há uma linha tênue entre esse dois mundos. E no caso de “Os Perdedores” essa linha jamais é ultrapassada. A proposta é ser um filme divertido, mas não necessariamente ruim; outro erro que muitos cometem. Escuto o tempo todo “Ah, é um filme divertido”. Não. É um filme ruim. E pronto. Pode até ter sido feito com esse objetivo, mas existe filme divertido e bom, vide Homem de Ferro, Piratas do Caribe, e esse sobre o qual vos escrevo.

“Os Perdedores” são um grupo liderado por Clay (Jeffrey Dean Morgan, quase sósia do Javier Bardem), dono também do personagem Comediante em Watchmen, e dentre os seus comandados está Chris Evans (Tocha em Quarteto Fantástico). A missão da unidade é limpar a sujeira feita pelo governo. E numa dessas missões acabam sendo traídos, e o filme gira em torno dessa vingança. Surge então na trama a atriz protagonista de Avatar, Zoe Saldanha.

Desconheço a série de HQ que deu origem ao filme, mas trata-se de uma série criada por Andy Diggle e Jock, que foi publicada pela Vertigo/DC Comics entre 2003 e 2006. O filme é recheado de ação e de uma mistura, na medida certa, de humor entre as cenas e diálogos. “Os Perdedores” cumpre o prometido: não leve nada a sério, e se divirta. Ignore o vilão caricato, as “mentiras”, explosões, pois o filme é honesto. Honesto, essa é a palavra, “Os Perdedores” não é um filme idiota, só quer parecer.

Fúria de Titãs

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Direção: Louis Leterrier.
Elenco/Vozes: Sam Worthington, Pete Postlethwaite, Mads Mikkelsen, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Ralph Fiennes, Liam Neeson.

Reza a lenda que Fúria de Titãs (1981) se tornou um clássico e permanece na memória nostálgica de muitos marmanjos até hoje. Na falta de novas idéias, eis que chega a hora de sua refilmagem. Pegando a onda de Avatar, Fúria de Titãs (2010) traz Sam Worthington no papel de Perseu. Tem também Liam Neeson, como sempre, num papel imponente e cheio de sabedoria, nada mais nada menos do que Zeus.

Infelizmente, ou felizmente, depende do ponto de vista, não vi ou sequer me lembro de ter visto o primeiro filme, por isso, não posso fazer comparações. De qualquer forma, adianto que não gostei da nova versão. Achei a introdução dos personagens muito resumida, parecendo um flashback. Perseu sai de criança e se torna filho de Zeus em poucos minutos, e não dá nem tempo você sentir o lado meio humano do personagem, que foi substituído pela frase “Tenho tudo que preciso aqui”.

A edição não peca apenas na introdução dos personagens, mas praticamente no filme inteiro. O filme ficou curto demais e talvez por isso a falha na edição. Não dá pra saber se foi pouco material filmado ou se a culpa é realmente da edição. A verdade é que se tornou um filme mecânico demais. A reação de Perseu ao saber que é filho de Zeus lembrou muito a de Anakin ao se tornar Darth Vader. A transformação de pescador a gladiador também não foi das mais bem elaboradas.

A espinha dorsal do roteiro é a revolta dos humanos contra os Deuses. Liderados por Perseu, recém achado no mar, um grupo de valentões partem em busca de uma forma de derrotar o temido Kraken. O clímax deveria ser a aparição do Kraken, mas infelizmente quando se espera uma luta digna de Kratos (God of War) temos apenas uma cena curta e sem criatividade. Já o final é quase uma piada, Zeus surge e dá carro, mulher e dinheiro ao filho e diz: “curta com cuidado”.

Homem de Ferro 2

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Direção: Jon Favreau.
Elenco/Vozes: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson, Mickey Rourke, Sam Rockwell, Jon Favreau, John Slattery, Stan Lee.

Definitivamente as seqüências não conseguem manter o mesmo nível do primeiro filme. Apesar de ter gostado bastante de Homem de Ferro, confesso que não esperava muito do segundo. Tudo bem, Robert continua bem no papel de Tony Stark, os efeitos visuais continuam bacanas, mas o roteiro não evoluiu, e Homem de Ferro 2 virou um filme bobo estilo sessão da tarde.

O que poderia ter atrapalhado? Talvez, o fato do primeiro filme ter surpreendido demais. Agora era momento de elevar o nível. Trazer problemas mais sérios para o nosso egocêntrico herói (!). Precisava ser novamente sobre um vilão usando uma armadura de robô? Tem coisas que eu não entendo, chegou a me lembrar esse último filme do Hulk, a velha historinha de um vilão tão forte quanto o mocinho, mas de cor diferente. Para parecer um Davi versus Golias. Isso é baboseira demais, esqueçam isso. Não precisa ser um vilão bem elaborado como o Coringa, mas não pode ser sempre a mesma coisa.

Coitado do Mickey, nem de longe lembra o cara que fez O Lutador. Meu Deus, ele usa um palito de dente no canto da boca o filme inteiro! Clichê dos grandes, e brega. Dava vergonha ver o cara fazendo uma merda daquela. Russo? Sério, o vilão é russo? Tá bom…

Não teve um momento sequer que tivesse vontade de gritar um “URRÚ”. A apresentação do Jericó foi mais bacana do que a grande maioria das cenas do filme. Mas nem tudo é perdido, pois uma cena bacana acontece em Mônaco. Além disso, temos uma trilha completamente ACDC, muito boa por sinal. Outra coisa bacana de HOmem de Ferro 2 é ter explorado esse lance do governo tentar conseguir a tecnologia utilizada na armadura do Homem de Ferro (apesar de ser a mesma idéia do Hulk). Mas ai envolveu outro grande ator, porém mal utilizado, Sam Rockwell, como outro vilão. Inclusive o personagem de Sam ficou a cara do Gordon de Batman. Quase me esqueço da Scarlet, que faz um papel bobo e uma cena de luta também boba.

Impressão minha ou o mundo está tão politicamente correto que estão mudando a cor dos personagens dos quadrinhos?

Coração Louco

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Direção: Scott Cooper.
Elenco/Vozes: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, James Keane, Robert Duvall, Colin Farrell.

Quase impossível não associar Coração Louco ao filme do Darren Aronofsky, O Lutador. Infelizmente (!), O Lutador é bem mais consistente em vários aspectos, que pretendo explorar mais abaixo. E se for pra fazer uma análise item a item, acho que apenas a atuação do Jeff Bridges supera Mickey Rourke.

De fato, Jeff convence ao viver como um decadente músico country (Bad). E isso fica bem claro logo na primeira cena, quando o cantor chega pra fazer um show num boliche. A grana é curta até pra fazer o que ele faz de melhor, beber. Ajudado pelo carisma e poucos “fãs”, Bad vive de espelunca em espelunca tocando para pequenos públicos, enquanto seu empresário telefona oferecendo propostas de trabalhos.

Pelo menos dois grandes clichês foram evitados: o empresário aproveitador, e o pupilo ingrato. Apesar do empresário também não ser um mar de rosas, também não é um inescrupuloso e ganancioso. Já o seu pupilo é vivido por Colin Farrell, um cara que continua idolatrando e agradecendo tudo que aprendeu com o seu mentor. Inclusive convida Bad para abrir alguns shows de sua temporada.

Em contrapartida, o relacionamento amoroso vivido com a personagem de Maggie Gyllenhaal não convence, mesmo com a premissa de uma fã repórter entrevistando o seu ídolo. Outro relacionamento que não convence é de Bad com o filho de sua namorada, que rapidamente se tornam grandes amigos, e Bad vive todo aquele papo de bom tio, quase pai. Depois você entende que isso foi feito para demonstrar o quanto a família nova ia fazer bem, mas totalmente forçado e desnecessário. Assim como as cenas que Bad vai para a clínica de desintoxicação, muito rápida e não condiz com a realidade.

Assim como vem acontecendo ao longo dos anos, todo filme que ganha Oscar de melhor ator, significa que o filme é O Ator. Jeff está fenomenal, e uma grande injustiça foi reparada. Outra grata surpresa é a trilha sonora, simplesmente espetacular, e também não foi à toa que ganhou Oscar de melhor canção. Definitivamente existe música boa em qualquer estilo. Confesso que não sou fã de música country, mas depois do filme passei umas duas semanas ouvindo a trilha sonora.

Amor Sem Escalas

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Direção: Jason Reitman
Elenco: Anna Kendrick, Danny McBride, Vera Farmiga, Melanie Lynskey, George Clooney.

Trata-se de mais um filme clichê sobre romances (possíveis e impossíveis), desentendimentos amorosos e um tanto de auto-ajuda embutida em quase todos os diálogos. É o estilo que se convencionou chamar de “comédia romântica”.

O filme não chega a ser tão ruim, mas também não empolga. Clooney vive um cara que passa a maior parte do tempo viajando por conta do seu trabalho: demitir pessoas. Seu maior hobby é colecionar milhas, em busca de um grande número mágico de milhas que lhe dará benefícios ultra especiais (e eternos) na empresa áerea. Lógico que por conta desse vai-e-vem interminável ele não tem lar fixo, em todos os sentidos do termo, mas não liga muito pra isso, já que se mostra também uma pessoa avessa a relacionamentos que o possam prender em terra firme.

Claro que essa rotina vai ser quebrada por uma série de eventos, incluindo aí um romance feito de encontros em hotéis. E claro que isso também vai se tornar uma… Bom, é melhor parar por aqui sob pena de contar o filme todo em um único parágrafo e atrapalhar a diversão daqueles que acham que tem alguma diversão nesse tipo de filme.

Do mesmo diretor de Juno, o filme chega a ter algums momentos legais, como a sequência introdutória onde o diretor usa de ótimos recursos para mostrar a rotina do personagem em mais uma de suas inúmeras viagens. Mas é só.

Uma coisa que incomoda um pouco é a questão do marketing da empresa áerea. Eles não perdem oportunidade de fazer jabá da empresa, do seu modus operandi, da sua relação com os clientes que voam muito e etc. No começo parece legal, já que se trata de um dos objetivos de vida do personagem de Clooney chegar ao topo do mundo das milhagens, mas com o tempo se torna desnecessário. Faz pensar que o filme foi comprado, literalmente.

Por conta da presença do George Clooney as mulheres vão dizer que vale a pena ver o filme de qualquer jeito. Bom, gosto não se discute mesmo.

Shutter Island – A Ilha Do Medo

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Direção: Martin Scorsese.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson.

Martin Scorsese consegue definitivamente prender os olhos dos apaixonados por cinema com o seu mais novo lançamento que trata de uma adaptação do romance de Dennis Lehane (2003) que em minha opinião, já é sucesso: “Shutter Island” (em português: A Ilha do Medo).

Leonardo Di Caprio pode não ser mais o colírio dos olhos das menininhas, depois de ter ganhado alguns (vários) quilinhos, mas cada vez mais nos surpreende com atuações apaixonantes e verdadeiras. É realmente incrível a capacidade que ele tem de viver com força a realidade do seu personagem em questão. Peço licença para dizer que Leo Di Caprio é como vinho: quanto mais velho, melhor!

Durante semanas e semanas assisti ao trailer sonhando em ver o filme, e geralmente quando fico assim, acabo me decepcionando um pouco com o filme, pois fico esperando sempre mais do que um diretor pode criar. Dessa vez, isso não ocorreu. Não me decepcionei nem por um segundo, mesmo considerando que nos 20 primeiros minutos do filme eu já tivesse achado que havia entendido a idéia toda. Coisa que também não estragou o filme de forma alguma. Mesmo tendo uma noção do que já estava por vir, acabei me surpreendendo.

Tudo ocorre por volta de 1954, quando Teddy (Leonardo Di Caprio), um oficial da polícia, e seu companheiro Chuck (Mark Ruffalo) são chamados para investigar um suposto desaparecimento de uma paciente do asilo para criminosos que fica localizado na tal Ilha para onde eles são levados. O que mais intriga Teddy e os telespectadores é: como a tal paciente poderia ter escapado? Não há qualquer sinal de fuga, e os médicos e responsáveis pelo asilo parecem não querer cooperar com a busca. Como um bom policial que havia lutado e sofrido com a guerra contra os nazistas, Teddy não descansa e quer ir mais a fundo. É nessa busca incansável pela paciente que Teddy acaba descobrindo a verdadeira razão de ter sido chamado para a Ilha.

A dramaticidade e a escuridão das cenas dão um toque de terror e suspense que nos fazem ficar imóveis na cadeira, sem piscar. Quem possui um papel muito importante nesse filme é a natureza, que faz com que os acontecimentos se tornem mais tristes e profundos do que eles aparentam ser. A força do mar, do vento e da chuva são características importantíssimas de se observar, pois elas dão o toque essencial para a temerosidade dos fatos.

Shutter Island é intrigante e maravilhoso, assim como Taxi Driver (filme também de Scorsese lançado em 1976). Ao mesmo tempo em que Travis Bickle (Robert De Niro) representa o papel de um ex-veterano de guerra lutando contra sua própria mente em Taxi Driver, Teddy em Shutter Island passa muito tempo (mais do que o telespectador pode imaginar) buscando uma resposta que todos já sabem, mas que ele se recusa a ver.

Letícia Katz

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Um Olhar No Paraíso

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Direção: Peter Jackson.
Elenco/Vozes: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Saoirse Ronan, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Nikki SooHoo, Michael Imperioli, Amanda Michalka.

Peter Jackson deixa de lado os mega projetos, como O Senhor dos Anéis e King Kong, e volta às origens, do tempo de Almas Gêmeas. Um Olhar no Paraíso é um dramalhão, e infelizmente me fez lembrar, em alguns momentos, aquele filme ruim com o Robin Williams, Amor Além da Vida. Principalmente pelos momentos psicodélicos empregados por Peter Jackson para mostrar o paraíso.

Paraíso esse, habitado pela protagonista do filme, aquela mesma menina estranha de Desejo e Reparação, por sinal uma boa atriz. Susie Salmon (como o peixe) é assassinada brutalmente logo no início do filme. “Morando” nesse tal paraíso, essa menina de 14 anos assiste todo o sofrimento que sua família (pai, mãe, irmã mais nova) atravessa devido ao fato ocorrido.

Sugerindo uma ordem natural das coisas, o roteiro apresenta várias transições de sentimentos durante o filme. Já falei sobre angústia, depois vem o desejo de vingança, perfeitamente natural nesse contexto. Mas diferente de outros filmes que focam apenas nesse sentimento e terminam extravasando, muitas vezes sem mostrar consequências disso, outra transição ocorre. E não é simplesmente o sentimento de perdoar. Soou mais como uma aceitação, junto da justiça/providência divina.

Falando um pouco das demais atuações, temos Mark Wahlberg sem graça como sempre. A charmosa Rachel Weisz nada pode fazer para ajudar, muito pouco usada. E ainda tem um surto e fica fora de casa um tempo. Por sorte, temos um psicopata bem feito por Stanley Tucci, que mesmo não sendo grandes coisas é uma das boas atuações do filme. Um personagem caricato, mas bom. Enfim, esperei bem mais do filme, e as expectativas não foram atendidas, mesmo assim é um bom filme.

Avatar

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Direção: James Cameron.
Elenco/Vozes: CCH Pounder, Peter Mensah, Lola Herrera, Matt Gerald, Sigourney Weaver, Wes Studi, Sam Worthington, Joel Moore, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Laz Alonso, Michelle Rodriguez.

É inegável a contribuição de James Cameron ao cinema internacional. Exterminador do Futuro e Aliens foram uns dos seus primeiros filmes e serviram como cartão de apresentação. Exterminador II mostrou e feitos especiais jamais vistos, e que ainda hoje impressionam se você considerar a variável data. Mas obviamente o carro-chefe da obra de Cameron é o badalado Titanic, o filme mais caro (na época) e de maior bilheteria de todos os tempos. Que Titanic não é um bom filme todos sabemos, mas é inegável sua representatividade. Titanic é um marco no cinema mundial. James Cameron provou que mesmo gastando mais de 200 milhões seria possível lucrar. Cameron virou a menina dos olhos de todo estúdio.

Depois de um tempo “adormecido”, Cameron surge, mais uma vez, com o filme mais caro de todos os tempos, cerca de 500 milhões de dólares (estimativa). Seria o novo Titanic? Prefiro não pensar assim, pois Titanic é “só” um navio quebrando. Não se compara à criação de um planeta, um povo, uma linguagem. Avatar é uma das maiores e mais espetaculares experiências visuais do cinema de todos os tempos. E fica atestada a falta de tato que Cameron tem com um roteiro e seus diálogos. Definitivamente não é o seu forte. Mas isso não torna a experiência menos proveitosa, pois a beleza de Avatar elimina qualquer discussão sobre outras falhas. Avatar se alterna entre diálogos ruins, cenas brilhantes, roteiro clichê, e cenas brilhantes novamente.

Observem a cena que Cameron escolheu para explicar ao telespectador a razão da missão em Pandora. É ridícula. Ridícula pelo simples fato de que as pessoas envolvidas no diálogo, que provavelmente se conhecem há vários anos, não teriam aquele tipo de conversa primária. E por curiosidade, na versão brasileira 3D legendada tem uma falha na legenda, que troca milhões por bilhões. Anotem também uma das frases mais bobas que eu já vi no cinema, algo parecido com “Eles cospem na gente, e nem têm a decência de dizer que é chuva”. Misture isso ao personagem mais caricato de todos os tempos, o tal do Coronel. E todas as “referências” já conhecidas de filmes como Dança com Lobos, Pocahontas, Matrix, etc.

Mesmo com todas essas falhas e problemas, Avatar é espetacular e inovador. E os números já provam que James Cameron sabe fazer dinheiro. Quem sabe, se tudo ocorrer como planejado, nós pararemos de falar em Titanic como filme mais caro e de maior bilheteria. Só isso já seria um grande feito. Quem sabe também, ele irá mordiscar algumas estatuetas no Oscar, mas será difícil bater o recorde. Eu prefiro não ficar descrevendo cenas, prefiro recomendar que vejam com seus próprios olhos e tirem suas próprias conclusões, de preferência em 3D e legendado obviamente.

 
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